Honduras: caso de pastores assassinados acende alerta no país

Três pastores foram assassinados em Honduras durante dez dias de junho de 2025, conforme documentado pela organização Portas Abertas. Os crimes ocorreram em diferentes regiões do país, sem motivações oficialmente esclarecidas.

Honduras é considerado um dos países mais violentos do planeta, e os líderes religiosos não estão imunes à essa realidade, apesar da nação possuir maioria evangélica, segundo levantamento divulgado em 2021. Em termos de perseguição religiosa, a nação ocupa a 65° posição na lista mundial da Portas Abertas.

O pastor Hipólito Montes foi morto a tiros dentro de sua residência em Las Balitas (Yoro) no dia 6 de junho. Como coordenador dos Conselhos de Igrejas Locais e representante do ministério La Palabra de Dios, sua morte impactou a comunidade. José Luis Escoto, morador local, declarou: “Ele deu sua vida pelo Evangelho. Dói saber que sua vida foi tirada dessa forma”.

Quatro dias depois, em 10 de junho, homens armados invadiram a casa do pastor Yonis Zepeda em Choluteca e o executaram. No dia 11 de junho, o corpo do pastor Elías Guardado foi encontrado com múltiplos impactos de bala em área rural de Lempira, após desaparecimento reportado por familiares nas redes sociais.

Contexto e repercussões

A Portas Abertas investiga ligações entre os crimes e atividades pastorais, em um país que ocupa uma posição preocupante em sua lista, mais ainda um pouco distante dos mais perigosos nesse quesito. Entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, Honduras registrou 22 cristãos assassinados, 25 ameaças de morte e 4 tentativas de homicídio.

Rossana Ramirez, analista da entidade, explicou sobre o contexto dos pastores assassinados:

“Líderes religiosos que denunciam gangues ou recebem ex-membros de facções tornam-se alvos. Igrejas são visadas quando interferem em atividades criminosas”. O governo reconhece que regiões controladas por cartéis do narcotráfico concentram os maiores riscos.

A Polícia Nacional não divulgou avanços nas investigações sobre os pastores assassinados. As congregações dos pastores permanecem em alerta, enquanto a Portas Abertas monitora comunidades vulneráveis.