Com mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais (15% da população, segundo o IBGE/2022), o cuidado com idosos tornou-se uma questão sensível para comunidades cristãs, colocando o papel das igrejas no centro deste cenário.
Pastores ouvidos pela reportagem enfatizam que a responsabilidade primária pela assistência aos mais idosos é das famílias, alinhando-se a princípios bíblicos como o mandamento de “honrar pai e mãe” e as orientações de 1ª Timóteo 5:3-4 sobre o cuidado com viúvas e idosos.
Pastor Rodrigo Vieira (Igreja Batista da Paz, Marília/SP), que cuidou da mãe com demência por dois anos e meio em sua casa, descreve a experiência como um “teste diário de paciência e amor”. Ele afirma:
“Não é um amor idealizado, mas é possível viver o que a Bíblia ensina sobre o caráter sendo moldado”. Embora reconheça a necessidade de instituições especializadas em casos de inviabilidade familiar ou de saúde, Vieira ressalta: “O que não se pode é terceirizar o afeto. A visita, o suporte, o amor diário ainda são responsabilidade dos filhos”.
Em Vitória (ES), o pastor Antônio Jorge (Igreja Batista de Jucutuquara) reforça que o envelhecimento é parte do ciclo natural da vida e demanda “respeito, escuta e reconhecimento da história do idoso”.
Ele cita exemplos bíblicos como José, Rute e Jesus para fundamentar o dever espiritual: “Levantar-se diante dos idosos e reconhecer sua dignidade não é apenas cultura, é obediência a Deus”.
Igrejas ampliam ações, criando ministérios para a terceira idade com atividades, visitas domiciliares e apoio a cuidadores familiares. Essas iniciativas buscam fortalecer laços intergeracionais, mas líderes destacam que o núcleo do cuidado permanece no lar. A prática diária – de preparar refeições a acompanhar consultas ou orar juntos – é vista como expressão concreta da fé.
Para o pastor Rodrigo Vieira, o essencial é traduzir princípios em ações: “Esse amor precisa sair do discurso e aparecer nas atitudes. A igreja tem sua parte, mas a base está na família. É ali que começa o verdadeiro cuidado”. O desafio, segundo ele, é garantir que os idosos tenham não apenas necessidades físicas atendidas, mas seu valor humano reconhecido “até o último dia”. Com: Comunhão.