Fala de Felca também expõe preconceito contra cristãos

A prisão do influenciador Hytalo Santos, decorrente das denúncias do youtuber Felca sobre sexualização de menores – com vídeo que superou 40 milhões de visualizações –, trouxe à tona questionamentos sobre a resposta institucional a alertas anteriores, evidenciando também um cenário de preconceito contra os cristãos.

Isto, porque, líderes religiosos e parlamentares cristãos há anos já reportavam casos semelhantes sem obter a mesma atenção. A senadora Damares Alves (Republicanos), por exemplo, quando ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos (2019-2022), denunciou abusos na Amazônia e foi alvo de descrédito público, inclusive acusada de disseminar “fake news”.

Paralelamente, o pastor Lucas Hayashi documentou por mais de dois anos situações de exploração na Ilha de Marajó, sem desencadear ações efetivas. Em entrevista ao Guiame em 2023, Hayashi afirmou: “A falta de divulgação contribui para a persistência de incesto, pedofilia e tráfico infantil na região”.

Essas denúncias foram frequentemente tratadas como exageros ou teorias conspiratórias. Cristãos que expuseram casos chegaram a ser investigados pelo Ministério Público por “alarmismo”, retardando apurações.

O fenômino se repetiu com o filme Som da Liberdade (2023), sobre tráfico sexual infantil, classificado por setores da mídia como “narrativa da extrema-direita”.

Contradição evidenciada:

Para a jornalista Adriana Bernardo, em análise publicada por ela em sua coluna no Guiame, enquanto o caso Felca gerou suspensão de perfis no Instagram, investigações do MPPB e MPT, e compromisso legislativo imediato, alertas anteriores com conteúdo similar enfrentaram ceticismo sistêmico.

Especialistas apontam que a desqualificação por origem religiosa prejudicou respostas protetivas.

Contexto atual:

  • Pastor Hayashi segue atuando via Instituto Akachi, apoiando famílias vulneráveis em Marajó;

  • Projetos como a “Lei Felca” (em elaboração) e o PL 2628/2022 buscam preencher lacunas legais;

  • Dados do ChildFund Brasil indicam que 9 milhões de adolescentes sofreram violência sexual online.

O episódio expõe um consenso entre entidades de proteção à infância. Como observou Adriana, “a proteção infantil deve superar divisões ideológicas”. A eficácia no combate à exploração depende da avaliação objetiva de evidências, independentemente da identidade de quem as apresenta.