Cerca de 71,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em 2025, o que significa que aproximadamente 43,1% da população adulta está com a vida financeira comprometida. Confira, abaixo, algumas orientações para mudar esse cenário.
O número de endividados aponta crescimento em relação a anos anteriores e se aproxima de patamares altos de negativação, conforme dados compilados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
Projeções para 2026 indicaram um cenário desafiador, com expectativa de que endividamento e inadimplência permaneçam elevados no curto prazo, conforme análises citadas. Especialistas apontaram o planejamento financeiro como um caminho para organizar recursos e reduzir a pressão das dívidas.
O especialista em finanças pessoais João Victorino afirmou que planejamento financeiro envolve disciplina e continuidade. “É um conjunto de estratégias que protegem a saúde financeira dos indivíduos, assegurando tanto a capacidade de atender às necessidades cotidianas quanto à realização de objetivos e sonhos a médio e longo prazo, sendo necessário disciplina, paciência e resiliência”, disse, de acordo com a revista Comunhão.
Ele também declarou que um plano bem estruturado ajuda a evitar gastos desnecessários e a orientar decisões: “Um planejamento financeiro bem elaborado, que considere tanto as demandas imediatas quanto as futuras, atua como um guia para prevenir o escoamento dos recursos com gastos desnecessários. Além disso, é fundamental para a conquista da independência financeira, trazendo consigo uma melhoria significativa no bem-estar e na qualidade de vida”, afirmou.
João Victorino apontou três dificuldades frequentes para iniciar esse processo: falta de conhecimento, falta de tempo e ausência de apoio familiar. A procrastinação também interfere na execução das tarefas do dia a dia, segundo ele: “Muitas pessoas têm dificuldade de aceitar a realidade: muitos de nós somos procrastinadores. Adoramos deixar as coisas para depois e só fazemos nossa obrigação na última hora, com alguma pressão sobre nós para terminar a tarefa”.
O especialista recomendou iniciar o planejamento mesmo sem domínio total do tema e reservar um período sem interrupções para organizar as informações. “Aceite que você não sabe tudo, e nem saberá, ou seja, nunca estará pronto, mas comece assim mesmo. Separe um tempo para fazer isso (sem nenhuma interrupção), afastado de tudo, e com foco 100% no planejamento. Crie algum alerta na rotina mensal para verificar o planejamento com certa frequência”, afirmou.
Victorino disse que o processo pode ser ajustado conforme a necessidade e descreveu etapas comuns. Ele afirmou que o primeiro passo é definir objetivos, que podem ser de curto prazo, como economizar para um feriado, ou de longo prazo, como planejar uma aposentadoria. “Também é essencial avaliar a situação financeira atual (receitas, despesas, dívidas e investimentos) para obter uma compreensão clara de sua situação financeira atual”, disse.
Após o diagnóstico, o próximo passo é montar um plano de ação com orçamento, estratégias para reduzir dívidas, planos de investimento e medidas para aumentar a renda: “Depois disso, é importante implementar o plano, o que exige disciplina e ajustes em seus hábitos de consumo. Por fim, vem o monitoramento e a reavaliação. Afinal, o planejamento financeiro é um processo contínuo. Seu plano deve ser revisado e ajustado regularmente para refletir mudanças em sua situação financeira ou em seus objetivos”, afirmou.
As orientações apresentadas para organizar o planejamento incluem o acompanhamento de receitas e despesas para identificar para onde o dinheiro está indo, usando ferramentas como planilhas ou anotações. Outra recomendação é a criação de um orçamento alinhado à renda e às metas, com definição de um valor para poupar regularmente.
A criação gradual de um fundo de emergência foi apontada pelo especialista como medida para imprevistos, como perda de emprego ou despesas médicas, com possibilidade de automatizar depósitos. Outro passo é a revisão de gastos para cortar despesas não essenciais, com exemplos como assinaturas pouco usadas e despesas com lazer, além da recomendação de evitar cortes que levem à interrupção do plano.
A definição de metas claras e consideradas relevantes para cada pessoa é outra medida indispensável, com sugestão de dividir objetivos maiores em metas menores. A revisão periódica do orçamento foi indicada para adequar o plano a mudanças de renda, despesas e prioridades.
Outras orientações incluem a busca por conhecimento para tomar decisões mais sábias sobre o próprio dinheiro, observar hábitos de consumo antes de comprar e diferenciar necessidades de desejos. O conjunto dessas 10 recomendações também indica começar com ajustes pequenos e sustentáveis e manter o acompanhamento ao longo do tempo.