O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), conhecido por defender pautas liberais como a união homossexual e a liberação do aborto, declarou ter participado de uma celebração em homenagem à entidade Iemanjá, realizada no dia 2 de fevereiro, no Rio de Janeiro, onde chegou a apresentar uma oferenda com flores.
Em publicação em suas redes sociais, onde compartilhou imagens do evento, o parlamentar afirmou que compareceu como “discípulo de Jesus, de coração aberto” e defendeu o respeito às religiões de matriz africana.
Segundo Vieira, a presença de um pastor cristão no ritual não deveria causar escândalo. Ele argumentou que o verdadeiro escândalo, em sua avaliação, reside no suposto preconceito e na hostilidade frequentemente direcionados aos praticantes dessas crenças que, no entendimento dos evangélicos históricos, cultuam entidades malignas que se disfarçam de figuras ancestrais e forças da natureza.
O deputado associou parte das críticas a uma lógica que classificou como racista e supostamente presente em alguns segmentos da teologia cristã.
A declaração gerou reações de grupos cristãos que contestam a compatibilidade da participação em ritos de outras religiões com a fé cristã. Tais pessoas defendem que o respeito e o diálogo sadio não depende da participação nesses rituais e/ou eventos, a não ser que o único objetivo seja a proclamação das verdades bíblicas que contrariam tais crenças.
Críticos recorreram a passagens bíblicas para fundamentar essa posição, citando principalmente o versículo de Mateus 6:24, no qual Jesus afirma: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro”. Também foi mencionado Êxodo 20:3, parte dos Dez Mandamentos, que diz: “Não terás outros deuses diante de mim”.
Para esses opositores, os textos estabelecem o princípio da exclusividade no culto a Deus dentro da doutrina cristã tradicional. O episódio reacendeu o debate público sobre os limites do diálogo inter-religioso e a identidade cristã em contextos pluralistas.
Um usuário do Instagram rebateu a publicação de Henrique Vieira: “Respeitar pessoas de outras religiões é mandamento cristão. Participar de ritual a outro deus é desobediência direta à Bíblia. Isso não é inclusão, é sincretismo. Não é amor, é quebra do primeiro mandamento”, comentou o internauta.