SP: governo Tarcísio faz parceria para promover turismo islâmico

O governo do estado de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, celebrou um acordo de cooperação com a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS) com o objetivo de ampliar o fluxo de visitantes muçulmanos no estado, algo que pode ser visto como turismo islâmico.

A iniciativa integra um conjunto de medidas que também incluem negociações com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira para atrair investimentos de países do Oriente Médio.

Entre as ações previstas estão a adaptação de hotéis e restaurantes para receber turistas muçulmanos, com a oferta de alimentação halal (permitida pela lei islâmica), ambientes sem álcool e espaços adequados para as orações diárias. Como parte do projeto em prol do turismo islâmico, foi inaugurado em São Paulo o primeiro hotel com certificação “muslim friendly” da América Latina, que atende a esses requisitos específicos.

Em nota oficial, o governo paulista destacou que o turismo religioso movimenta R$ 15 bilhões anualmente no Brasil e envolve cerca de 17,7 milhões de viajantes, e afirmou que a parceria também contempla outras tradições religiosas.

Expansão para Educação e Cultura Gera Críticas

O secretário de Turismo de São Paulo, Roberto Lucena, afirmou que a parceria com a FAMBRAS não se restringe ao setor econômico, envolvendo também as pastas de Educação e de Cultura e Economia Criativa. Segundo ele, a intenção é levar conteúdos relacionados à cultura islâmica para a rede estadual de ensino e para o sistema cultural do estado.

A possibilidade de inserção do Islã no ambiente escolar provocou reações negativas em redes sociais. O influenciador Bernardo P. Kuster foi um dos que se manifestaram, questionando a extensão do projeto de turismo islâmico que, aparentemente, vai além do interesse comercial.

“Por pretextos econômicos apenas, Tarcísio quer que se ensine o Islã nas escolas e se divulgue culturalmente essa religião?”, escreveu, citando exemplos de países europeus onde, segundo ele, o crescimento da população muçulmana teria gerado tensões sociais.

Lucena, por sua vez, defendeu a medida como um “gesto de irmandade” e um reconhecimento da diversidade religiosa já presente na sociedade paulistana. “Estamos falando de respeito e de paz. A sociedade paulistana também é composta por muçulmanos, e isso também faz todo o Estado ser conhecido por seu papel inclusivo”, declarou.

Contexto Global do Turismo e Demografia Islâmica

A iniciativa paulista está alinhada a uma estratégia do governo federal de ampliar o turismo no Brasil e atrair visitantes de mercados emergentes. O turismo de países árabes é um dos que mais crescem no mundo, com projeção de movimentar mais de US$ 384 bilhões (cerca de R$ 2 trilhões) até 2028.

Dados do Instituto Pew Research indicam que o Islã é a religião com maior tendência de crescimento global. A taxa de fertilidade entre muçulmanos é de 3,1 filhos por mulher, superior à média dos cristãos (2,7). Até 2050, a população muçulmana pode crescer 73%, atingindo 29,7% da população mundial, aproximando-se do cristianismo (31,4%). Projeções indicam que, até 2070, o Islã poderá se tornar a maior religião do mundo.

Em países como a França, os muçulmanos já representam cerca de 10% da população total. Esse cenário tem sido analisado por especialistas que apontam riscos para a identidade cultural ocidental. Em documentário da Brasil Paralelo, o analista Eliyahu Yossian comentou:

“No mundo muçulmano há uma expressão chamada Jihad Hashaket. Significa que, quando um muçulmano se encontra em um país ocidental liberal, ele continua dizendo: nossa arma é o ventre das nossas mulheres”. Outro especialista, Mordechai Kedar, afirmou que o plano de expansão do Islã não se limita à Europa e que países da América Latina também estão no horizonte.

Apesar das críticas, o secretário Roberto Lucena reiterou que o objetivo do governo é promover a inclusão e o respeito à diversidade, sem qualquer intenção de proselitismo religioso. Com: Brasil Paralelo.