O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou nesta segunda-feira, 30 de março, que a polícia permita o acesso do cardeal Pierbattista Pizzaballa à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, e autorize a realização de celebrações religiosas.
No domingo, 29 de março, a polícia havia impedido a entrada do cardeal para a missa do Domingo de Ramos. Segundo o governo israelense, a restrição foi motivada por razões de segurança.
Benjamin Netanyahu afirmou: “Nos últimos dias, o Irã tem atacado repetidamente com mísseis balísticos os locais sagrados das três religiões monoteístas em Jerusalém”. Ele acrescentou: “Em um dos ataques, fragmentos de mísseis caíram a poucos metros da Igreja do Santo Sepulcro”. Em seguida, declarou: “Para proteger os fiéis, Israel pediu aos membros de todas as religiões que se abstivessem temporariamente de praticar o culto nos locais sagrados cristãos, muçulmanos e judaicos na Cidade Velha de Jerusalém”.
Após tomar conhecimento do caso envolvendo Pierbattista Pizzaballa, o primeiro-ministro informou que orientou as autoridades a permitirem a realização das missas.
Antes da decisão, o governo indicou que a medida seguia diretrizes do Comando da Frente Interna, que limitam reuniões a até 50 pessoas. Autoridades religiosas afirmaram que esse limite não teria sido ultrapassado.
O Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia Franciscana da Terra Santa informaram que as celebrações estavam sendo realizadas de forma privada, sem procissões, e dentro das restrições impostas desde o início do conflito. As instituições relataram que eventos públicos foram cancelados e que as missas passaram a ser transmitidas.
Em nota, as entidades classificaram o episódio como um “grave precedente” e uma medida “manifestamente desproporcional”. Também afirmaram que a decisão desrespeita a liberdade de culto e o chamado status quo dos locais sagrados em Jerusalém, além de ignorar a relevância da data para cristãos durante a Semana Santa.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, criticou a decisão da polícia. De acordo com informações da revista Oeste, ele afirmou que a medida é “difícil de entender ou justificar” e a classificou como um “excesso” com repercussão internacional. Segundo ele, o governo israelense indicou que buscará alternativas para viabilizar as celebrações.
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa no calendário cristão e relembra a entrada de Jesus em Jerusalém, episódio que antecede os eventos que culminam na crucificação e na Páscoa.