O conflito entre o exército do Sudão e as forças rebeldes, iniciado em 2023, provocou a pior crise humanitária dos últimos anos no país. Estima-se que entre 60 mil e 400 mil pessoas tenham sido mortas desde o começo da guerra civil, enquanto 12 a 14 milhões foram deslocadas.
O conflito ainda intensificou a fome e o colapso econômico, com cerca de 20 milhões de sudaneses enfrentando fome severa.
Os cristãos estão entre os grupos mais vulneráveis no Sudão, ao lado de mulheres e crianças — estas últimas frequentemente alvo de ataques sexuais ou recrutamento forçado como crianças-soldado.
“Cristãos no meio dessa volatilidade costumam ser os últimos na fila”, explicou Ryan Brown, CEO da Portas Abertas dos Estados Unidos. “Se há algum tipo de ajuda disponível, raramente é fornecida a eles. Se há refúgio seguro contra a violência, cristãos muitas vezes não são bem-vindos.”
Igrejas Destruídas e Perseguição Generalizada
O Sudão ocupa o 4º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas. Segundo a missão, os ataques a cristãos aumentaram durante o conflito. “Historicamente, a perseguição se concentrava nas áreas rurais. Hoje é muito comum por todo o país, incluindo áreas urbanas que antes serviam como refúgios seguros”, observou Brown.
Mais de 160 igrejas foram danificadas ou destruídas desde o início da guerra, conforme o Departamento de Estado dos EUA. Templos foram saqueados, confiscados ou transformados em quartéis militares e depósitos de armas.
Na capital Cartum, combatentes do grupo paramilitar RSF (Forças de Apoio Rápido) invadiram a Igreja dos Mártires durante uma reunião de oração e agrediram os presentes. Safein Nazer, diácono da igreja, relatou à CBN News que os invasores quebraram portas, bateram em todos, roubaram objetos de valor, cavaram túmulos em busca de ouro e tentaram sequestrar meninas do orfanato da igreja, algumas com apenas 11 anos.
“Eu os confrontei. Um deles me acertou pelas costas e atirou na minha perna. Eles exigiram um dos nossos veículos para levar as órfãs. Graças a Deus o carro não ligou”, disse Nazer, que testemunhou que sua fé foi fortalecida: “Deus estava presente em meio à guerra e ao sofrimento”.
Contexto de Guerra e Lei Islâmica
Tanto o exército sudanês quanto as RSF foram acusados de atacar igrejas e apreender propriedades religiosas. A crise é resultado do golpe militar de 2021 e da guerra civil iniciada em 2023.
O governo restabeleceu líderes opressores, retomou políticas cruéis de “moralidade” e tem utilizado leis islâmicas para justificar conversões forçadas e punições físicas, anulando os avanços na liberdade religiosa conquistados após a queda do regime de al-Bashir em 2021.
O conflito deixou um vazio de poder aproveitado por milícias de ambos os lados, que perseguem cristãos sem medo de punição. Convertidos do islamismo vivem com medo constante, enfrentando isolamento, violência e rejeição familiar.
Igrejas são fechadas à força, impedidas de se registrar ou destruídas, e líderes religiosos e cristãos estrangeiros têm sido presos injustamente com frequência crescente. O Sudão segue no radar das organizações de direitos humanos como um dos países mais hostis à fé cristã. As informações são da CBN News e da Portas Abertas. Com: Guiame.