Pastor sequestrado na Nigéria é morto após pagamento de resgate

Sequestradores identificados por moradores como pertencentes à etnia fulani, no oeste da Nigéria, raptaram e mataram o pastor cristão James Audu Issa após receberem 5 milhões de nairas (US$ 3.125) em resgate.

O corpo do Rev. James Audu Issa, da Igreja Evangélica Winning All (ECWA) na área de Ekati, estado de Kwara, foi localizado no deserto em 02 de outubro. O pastor havia sido levado de sua residência dentro das instalações da ECWA, na cidade de Ekati, Condado de Patigi, em 28 de agosto.

Segundo o morador Peter Kolo, os sequestradores fizeram exigências financeiras escalonadas. “O pastor foi morto por bandidos Fulani que aterrorizavam as áreas de governo local de Edu e Patigi no estado de Kwara”, disse. Kolo afirmou que o grupo inicialmente pediu 100 milhões de nairas (US$ 62.500). “Os familiares aflitos do pastor e a comunidade de Ekati conseguiram negociar a quantia para 5 milhões de nairas, que pagaram em um esforço para garantir a liberdade do pastor”. Após o pagamento, continuou, houve nova exigência: “Após coletar os 5 milhões de nairas, os bandidos demonstraram extrema crueldade, exigindo mais 45 milhões de nairas [US$ 28.125]. Tragicamente, antes que qualquer negociação pudesse ocorrer, o Rev. James Audu Issa foi morto pelos bandidos Fulani”.

A ECWA divulgou nota por meio de seu porta-voz, o Rev. Romanus Ebeneokodi. “Este pastor inofensivo foi morto, um entre muitos, deixando sua esposa, filhos, parentes, igreja e amigos em agonia”.

Ralph Madugu, editor da revista Today’s Challenge, publicação da ECWA, relacionou o caso a outros episódios de violência contra cristãos e líderes religiosos no país. “No entanto, há alguns funcionários do governo negando que haja genocídio contra cristãos?”.

Relatório do Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade Internacional ou Crença (APPG), do Reino Unido, publicado em 2020, registra a diversidade interna dos fulani, majoritariamente muçulmanos, e aponta a existência de segmentos radicalizados. “Eles adotam uma estratégia comparável ao Boko Haram e ao ISWAP e demonstram uma clara intenção de atingir cristãos e símbolos poderosos da identidade cristã”.

A Lista Mundial da Perseguição 2025 (LMP), da organização Portas Abertas, classificou a Nigéria entre os países mais perigosos do mundo para cristãos. De acordo com o levantamento, 3.100 dos 4.476 cristãos mortos por sua fé no período de referência — o equivalente a 69% — estavam na Nigéria. O documento afirma: “A violência anticristã no país já atingiu o nível máximo possível segundo a metodologia da Lista Mundial de Perseguição”.

Ainda conforme a LMP 2025, na zona centro-norte, onde a presença cristã é mais numerosa do que no nordeste e noroeste, milícias extremistas islâmicas fulani atacam comunidades agrícolas, resultando em centenas de mortes, majoritariamente de cristãos. O relatório também cita a atuação de grupos jihadistas como Boko Haram e o dissidente Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) nos estados do norte, com relatos de invasões, violência sexual e assassinatos em bloqueios de estradas, além do crescimento expressivo dos sequestros para resgate.

O levantamento menciona a expansão da violência para estados do sul e o surgimento, no noroeste, do Lakurawa, descrito como um novo grupo jihadista armado com armamento avançado e uma agenda islâmica radical, vinculado à insurgência Jama’a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin (JNIM), originária do Mali, de acordo com o portal Christian Daily.

Em 2025, a Nigéria ficou em sétimo lugar na Lista Mundial da Perseguição dos 50 países onde é mais difícil ser cristão.

Foto mostra Amanda Wanessa sentada após mais de 4 anos

A cantora gospel Amanda Wanessa, em estado vegetativo desde um acidente de carro em 04 de janeiro de 2021, apresentou uma nova resposta motora durante uma sessão de fisioterapia. O registro foi divulgado pela irmã, Danyele Mendes, nas redes sociais.

“Hoje a fisioterapia colocou ela sentada. Glória a Deus, ela conseguiu segurar o tronco. Um passo pequeno, mas cheio de fé”, escreveu Danyele na legenda da foto.

De acordo com a irmã, o tratamento de Amanda passou a ser conduzido com maior intensidade desde sua transferência, no fim de setembro, para a casa dos pais, onde agora vive sob os cuidados diretos da família. As sessões de fisioterapia ocorrem de segunda a sexta-feira e contam com novos profissionais de reabilitação.

Em entrevista ao G1, Danyele relatou que a artista conseguiu manter o tronco ereto por quase dois minutos, resultado considerado um avanço dentro do processo terapêutico.

Amanda permanece em coma vigil, condição médica caracterizada pela ausência de consciência e de funções cognitivas, mas com preservação de atividades autonômicas como respiração, circulação e ciclos de sono e vigília. A artista sofreu múltiplas fraturas e traumatismo craniano após a colisão do veículo em que estava na rodovia PE-60, em Rio Formoso, Zona da Mata Sul de Pernambuco.

Após 642 dias de internação no Hospital São Luiz, em São Paulo, Amanda foi transferida para tratamento domiciliar em outubro de 2022, sob a curatela de Dobson e da filha. Em abril de 2023, o último boletim médico confirmou a manutenção do quadro de estado vegetativo persistente.

A recente mudança para a casa dos pais ocorreu em meio a uma disputa judicial entre Dobson e a família da cantora. Em decisão proferida no dia 22 de setembro, a Justiça determinou que Danyele Mendes assumisse não apenas os cuidados de saúde, mas também a administração dos bens de Amanda.

Ex-pastora da Quadrangular faz acusações contra a denominação

A ex-pastora Luciana Alvim, que foi casada com o pastor Leonardo Alvim, publicou um vídeo em suas redes sociais no qual relata ter sido coagida a participar de uma suposta campanha para denegrir a imagem de líderes da Igreja do Evangelho Quadrangular.

Entre os nomes citados está o do presidente nacional da denominação, pastor Mário de Oliveira. O conteúdo, divulgado inicialmente na última quarta-feira, obteve ampla circulação em veículos especializados em notícias gospel, como os portais Fuxico Gospel e Diário de Minas. As afirmações contidas no material são de inteira responsabilidade de Luciana Alvim.

Declarações da ex-pastora

Em um depoimento de aproximadamente doze minutos, Luciana Alvim descreve ter sido manipulada e, posteriormente, abandonada após o término de seu casamento. Ela afirma que o ex-marido, pastor Leonardo Alvim, utilizou sua imagem e sua posição religiosa para prejudicar a reputação da igreja e de seus ministros.

Durante a gravação, ela dirige um pedido de perdão à denominação e aos pastores mencionados.

“Reconheço que fui instrumentalizada em um esquema concebido para atacar uma instituição que, em toda a minha trajetória, só me proporcionou bênçãos”, declarou Luciana.

Antecedentes do caso

A publicação do vídeo ocorre em um contexto de crescente discussão na comunidade evangélica sobre o assunto. Na semana anterior, circularam amplamente prints atribuídos a conversas entre Leonardo Alvim e Helen Bianca Rabelo.

Nessas mensagens, são feitas menções a valores financeiros elevados, campanhas de arrecadação online e a suposta destinação de recursos para custear procedimentos estéticos. A divulgação desse material intensificou as reações entre fiéis e levantou questionamentos públicos sobre as reais motivações por trás das acusações direcionadas à liderança da Quadrangular.

Situação processual

Em sua exposição, a ex-pastora declarou que não teve acesso a quaisquer evidências materiais que corroborassem as alegações contra o pastor Mário de Oliveira.

Ela afirmou que os órgãos competentes, incluindo o Ministério Público e a Polícia Civil, arquivaram as investigações devido à ausência de provas concretas. Esta redação não conseguiu verificar de forma independente o andamento ou a conclusão de eventuais processos judiciais relacionados ao caso.

Pedido de desculpas

Ao longo do vídeo, Luciana Alvim dirigiu-se nominalmente à Igreja do Evangelho Quadrangular, ao pastor Mário de Oliveira, à pastora Bianca e a diversos outros líderes, pedindo publicamente perdão.

Ela definiu a campanha de difamação como um “projeto movido por intenções malignas de vingança, egocentrismo e orgulho”, que, em sua avaliação, causou danos à fé de inúmeros fiéis e buscou macular a trajetória da denominação religiosa.

O material completo está disponível em seu perfil oficial no Instagram.

As informações foram extraídas do vídeo publicado pela própria Luciana Alvim em suas redes sociais, com a repercussão do fato sendo atestada pelas reportagens dos portais Fuxico Gospel e Diário de Minas.

Astronauta da NASA que foi à Lua diz que aliens são ‘demoníacos’

O ex-astronauta da NASA e brigadeiro-general aposentado da Força Aérea dos Estados Unidos, Charlie Duke, comentou sobre sua visão a respeito da crença em vida alienígena durante participação no podcast do apresentador Glenn Beck. Duke, que integrou cinco missões Apollo entre 1961 e 1972 e foi um dos 13 homens a pisar na Lua, afirmou que não acredita em seres extraterrestres.

Questionado por Glenn Beck se acreditava em vida alienígena, Duke respondeu negativamente. “Eu não acredito. Deus me mostrou uma resposta científica durante duas orações de que [os aliens] são demônios que farão uma aparição. Eles são reais, a Bíblia diz que Satanás pode aparecer como um anjo de luz”, declarou. O ex-astronauta acrescentou: “Nada humano pode fazer uma curva de 90° a 6 mil km/h e sobreviver”.

Segundo Duke, essas aparições teriam o objetivo de desviar as pessoas da fé. “O propósito é afastá-lo do verdadeiro Deus e dizer ‘olhe para nós porque somos sobre-humanos e podemos fazer isso’”, afirmou.

Ele disse ainda que é frequentemente alvo de zombarias por causa de sua posição: “As pessoas tiram sarro de mim, mas eu não me importo. Deus respondeu às minhas orações especificamente, foi isso que Deus me disse”. Duke concluiu: “Não há vida extraterrestre, não há outras civilizações por aí, é uma distração para [ficar longe de] Deus”.

Após deixar a NASA em dezembro de 1975, Duke enfrentou dificuldades no casamento. Sua esposa, Dotty Duke, começou a frequentar uma igreja e declarou ter aceitado Jesus como Salvador. Inspirado pela transformação da esposa, Charlie também se converteu em 1978.

De acordo com o ex-astronauta, a fé cristã restaurou seu relacionamento familiar e deu novo sentido à sua vida. Em 1980, ele e Dotty fundaram o Duke Ministry for Christ, um ministério dedicado a compartilhar como a fé em Deus transformou sua família.

“Nunca conheci uma vida tão emocionante – uma vida cheia de amor, paz, alegria e poder de Deus. Você pode não ser capaz de andar na Lua comigo, mas todos nós podemos caminhar juntos com Jesus, e essa caminhada dura para sempre”, declarou Duke.

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Pastor admite ter gasto dízimos para comprar carros de luxo

O pastor Adrian Davis, que liderava uma filial da megaigreja All Nations Worship Assembly em Huntsville, declarou-se culpado de ter usado mais de US$ 400 mil em recursos da igreja para comprar carros de luxo e de ter apresentado uma declaração de imposto de renda falsa.

Segundo documentos judiciais, ele pode ser condenado a até 23 anos de prisão. Os registros do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte do Alabama (EUA), citados pela emissora WAAY31, indicam que Davis enfrenta até 20 anos de prisão por fraude eletrônica e mais três anos por falsificação de declaração fiscal.

Entre 2018 e 2020, os autos do processo apontam que o pastor utilizou o dinheiro da igreja para adquirir um Audi A7 no valor de US$ 30.920 e um GMC Yukon por US$ 45.982. Ele também gastou US$ 31 mil em entretenimento e produtos da marca Louis Vuitton, além de ter quitado US$ 117 mil em dívidas pessoais de cartão de crédito.

Segundo o canal WAFF, Davis declarou à Receita Federal ter recebido US$ 138.621 em rendimentos no ano fiscal de 2020, valor inferior ao montante real obtido no período.

A audiência de sentença está marcada para 23 de outubro, em Huntsville. Como parte do acordo judicial, Davis comprometeu-se a restituir US$ 434.340,41 à All Nations Worship Assembly e US$ 114.859 à Receita Federal. Ele também aceitou renunciar ao direito de apelação direta e de impugnação posterior.

Os documentos do tribunal indicam que o pastor utilizou ainda mais de US$ 10 mil dos fundos da igreja para pagar a hipoteca da casa de sua mãe. Todas as propriedades e bens adquiridos com o dinheiro desviado deverão ser confiscados.

“Após a condenação pela Contagem Um (Fraude Eletrônica), perderemos para os Estados Unidos qualquer propriedade, real ou pessoal, que constitua ou seja derivada, direta ou indiretamente, de produtos rastreáveis à prática das referidas violações”, diz o documento oficial.

Embora as acusações prevejam até 23 anos de reclusão, os promotores recomendaram pena reduzida, segundo informações da imprensa local.

A All Nations Worship Assembly, fundada em 1999 pelo pastor Matthew L. Stevenson, é considerada um dos maiores movimentos carismáticos urbanos dos Estados Unidos, reunindo cerca de 15 mil membros distribuídos em 25 filiais pelo país, conforme informado pelo The Christian Post.

Em 17 de setembro, o pastor Stacy L. Spencer, da New Direction Christian Church, em Memphis, Tennessee, anunciou a presença de Davis como pregador convidado, destacando sua capacidade de comunicação.

“Conhecido por sua pregação dinâmica e capacidade de se conectar com todas as gerações, o pastor Davis está vindo para trazer uma palavra nova e poderosa nos cultos Morning Glory das 8h e Powerhouse Worship das 10h. Você não vai querer perder o que Deus falará por meio dele!”, declarou Spencer.

Na China, para estudar a Bíblia, jovens precisam fugir da Polícia

Da Wei, de 40 anos, é líder de jovens na China e pai de quatro filhos. Ao longo de sua trajetória ministerial, ele precisou fugir quatro vezes para continuar pregando o Evangelho e proteger o grupo de jovens sob sua liderança.

Nascido em uma família não cristã na zona rural, ele conheceu a mensagem de Jesus ainda no Ensino Médio e decidiu se converter. Desde então, passou a frequentar todos os cultos possíveis e a estudar a Bíblia com dedicação. Aos 20 anos, tomou a decisão de se dedicar integralmente ao ministério cristão.

Em uma ocasião, Da Wei organizou um acampamento para cerca de 100 jovens e adolescentes com idades entre 16 e 20 anos. “Eu me lembro de estar cantando com os acampantes, quando, de repente, um grupo de policiais entrou no local e nos interrompeu. Eu fui preso por 17 dias e multado em 990 dólares. Cada participante também foi multado entre 28 e 70 dólares. Graças a Deus, a igreja conseguiu cobrir o valor das multas de todos que não podiam pagar”, relatou.

Mesmo após o episódio, ele continuou servindo e estudando sobre evangelismo. Nesse período, idealizou um grupo missionário voltado à evangelização de jovens chineses, surgindo assim o movimento chamado Viajantes. O grupo tem como foco atender crianças e adolescentes marginalizados, oferecendo educação e acompanhamento espiritual. Atualmente, o projeto atende cerca de 50 estudantes com média de 14 anos de idade. Aproximadamente metade deles provém de famílias em situação de vulnerabilidade ou foi rejeitada nas escolas por mau comportamento.

Da Wei e sua equipe oferecem não apenas ensino, mas também um ambiente seguro e acolhedor, onde os jovens podem se recuperar emocionalmente e crescer na fé cristã. No entanto, as pressões das autoridades locais têm sido constantes. Em um único ano, o Viajantes precisou mudar de endereço quatro vezes para preservar a segurança dos participantes. O líder relatou que, diante das dificuldades, chegou a se sentir desanimado: “Senhor, eu quero desistir agora. Não é que eu não queira continuar, mas nós não conseguimos encontrar nenhum lugar para ficar”, orou, comparando sua situação à experiência do profeta Elias.

Organizações cristãs internacionais, entre elas a Portas Abertas, tomaram conhecimento da história de Da Wei e ofereceram apoio, incluindo um local seguro e treinamento para que o grupo pudesse continuar suas atividades. Segundo os parceiros do projeto, alguns dos jovens que concluíram os estudos no Viajantes hoje atuam como missionários dentro e fora da China. Para Da Wei, o resultado demonstra que, mesmo diante da perseguição, o evangelho continua encontrando caminhos para alcançar e transformar vidas.

Extremistas decapitam mais de 30 cristãos em Moçambique

Mais de 30 cristãos foram mortos em uma série de ataques no norte de Moçambique atribuídos ao grupo Estado Islâmico da Província de Moçambique (ISMP). Os incidentes ocorreram no final de setembro em diversas aldeias das províncias de Cabo Delgado e Nampula, onde os agressores incendiaram igrejas e residências.

Segundo o Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (MEMRI), o grupo divulgou 20 imagens mostrando execuções, tiroteios e incêndios.

O ISMP reivindicou responsabilidade por múltiplos ataques realizados durante a última semana de setembro. Entre eles, a decapitação de dois cristãos em Chiure-Velho, no distrito de Chiure, em 26 de setembro, e o ataque à aldeia de Nacocha em 27 de setembro, que resultou na morte de um cristão e na destruição de duas igrejas. No mesmo dia, os militantes incendiaram outras duas igrejas em Nacussa, também em Chiure.

Em 28 de setembro, combatentes invadiram a cidade de Macomia, matando quatro cristãos e saqueando propriedades, conforme divulgado pelo próprio grupo. No dia seguinte, o ISMP informou ter decapitado um cristão no distrito de Macomia. Em 30 de setembro, o grupo relatou um novo ataque à aldeia de Nakioto, no distrito de Memba, província de Nampula, onde mais de 100 casas e uma igreja foram incendiadas. Na aldeia vizinha de Minhanha, dez casas e outra igreja foram destruídas.

De acordo com o portal Defense Post, moradores locais relataram que homens armados invadiram comunidades por volta das 20h, matando quatro pessoas e sequestrando outras quatro, incluindo uma mulher e suas duas filhas. Outro residente afirmou que um jovem foi executado após se recusar a entregar os pertences do pai.

A Africa Defense Forum informou que a recente escalada da violência levou à intensificação da cooperação militar entre Moçambique e Ruanda. Em 27 de agosto, os ministros da Defesa dos dois países, Cristóvão Artur Chume e Juvenal Marizamunda, assinaram em Kigali um acordo sobre o estatuto das forças, ampliando o destacamento das tropas ruandesas na província de Cabo Delgado.

Segundo o Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (ACLED), o ISMP realizou ataques em seis distritos moçambicanos em setembro, entre Balama e Mocímboa da Praia. Em um ataque raro ocorrido em 7 de setembro em Mocímboa da Praia, militantes teriam percorrido as casas para identificar suas vítimas. Este foi o segundo ataque desse tipo desde setembro de 2021.

Em 12 de setembro, líderes militares de Moçambique e Ruanda se reuniram em Pemba para avaliar as operações conjuntas. As autoridades ruandesas afirmaram que o objetivo foi medir o progresso na estabilização das áreas afetadas e reforçar esforços coordenados para restaurar a paz. O grupo já havia lançado ataques simultâneos em julho, quando cerca de 60 combatentes invadiram os distritos de Ancuabe e Chiure sem resistência significativa.

Um relatório do ACLED, publicado em agosto, descreveu a movimentação do ISMP em Chiure como uma expansão tática, destacando que a campanha de propaganda dos militantes manteve a percepção de força, embora a ONU tenha estimado no início de 2024 que o número de combatentes havia caído de 2.500 para 280.

As forças ruandesas, presentes em Cabo Delgado desde julho de 2021, continuam a apoiar as operações de contra-insurgência moçambicanas. Uma atualização divulgada em agosto pela empresa de análise Grey Dynamics relatou que o grupo extremista tem operado a partir dos distritos centrais de Cabo Delgado, avançando em direção ao sul e enfrentando pouca resistência ao longo da rodovia Macomia–Awasse. O ministro da Defesa moçambicano reconheceu que as operações recentes não conseguiram conter o avanço dos insurgentes.

A intensificação dos ataques provocou o deslocamento de pelo menos 50 mil pessoas do distrito de Chiure nas últimas semanas, segundo dados da ONU. Relatos também apontam sequestros e recrutamento forçado em comunidades isoladas. A organização Médicos Sem Fronteiras suspendeu suas atividades em Mocímboa da Praia e iniciou uma resposta de emergência para atender milhares de deslocados instalados em acampamentos em Chiure.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que mais de 46 mil pessoas foram deslocadas em apenas oito dias no final de julho, sendo cerca de 60% delas crianças. Desde o início da insurgência, em 2017, o conflito no norte de Moçambique já causou a morte de aproximadamente 6.200 pessoas.

Os ataques também interromperam, em 2021, o projeto de gás natural de US$ 20 bilhões da TotalEnergies na região de Palma, após ofensivas que deixaram mais de 800 mortos. A empresa francesa enfrentou uma ação judicial em 2023, movida por subcontratadas e familiares das vítimas.

De acordo com o The Christian Post, as Nações Unidas estimam que mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas desde o início do conflito, em decorrência da violência extremista, da seca prolongada e de desastres climáticos recorrentes no norte do país.

Filipinas: igrejas levam ajuda em meio à devastação de terremoto

A ajuda humanitária começou a chegar às Filipinas, mas ainda não alcança todas as regiões afetadas. De acordo com líderes locais, o papel das igrejas tem sido essencial para levar assistência às comunidades isoladas. Os contatos mantidos por fiéis em áreas remotas estão se mostrando decisivos na resposta ao desastre.

Mais de 500 mil pessoas foram atingidas pelo terremoto de magnitude 6,9 que sacudiu a província de Cebu na semana passada. Deslizamentos de terra e crateras provocadas pelo tremor principal e pelos abalos subsequentes continuam dificultando o acesso das equipes de socorro.

Segundo Herman Moldez, representante da organização A3, “a maioria das respostas [de ajuda] está em andamento em San Miguel e Bogo [Cidade], mas há igrejas nas montanhas das aldeias, e elas não estão sendo alcançadas porque é difícil ir até lá”.

Moldez explicou que, mesmo sem recursos, pastores locais permanecem junto às vítimas, oferecendo apoio espiritual. “Eles não têm os recursos, mas estão apenas estando com as pessoas, orando, encorajando e apoiando-as”, afirmou.

As autoridades filipinas informaram que mais de 23 mil pessoas permanecem deslocadas e não podem — ou não desejam — retornar às suas casas. Uma cidade de tendas foi instalada em Bogo City para abrigar as famílias que perderam suas residências. “No momento, ainda há muitos tremores secundários acontecendo, então a maioria das pessoas não está voltando para suas casas. Alguns perderam suas casas e estão dormindo nas ruas”, relatou Moldez.

As chuvas sazonais das monções também têm dificultado as operações de socorro, embora a situação climática pudesse ter sido mais grave. “Somos muito gratos a Deus por o tufão não ter passado por aquela área. Fica ao norte, bem longe, então não complicou [os esforços de socorro]”, destacou Moldez, de acordo com o Mission News Network.

Oportunidade para o Evangelho

A organização A3 atua na capacitação de líderes cristãos em diversos países da Ásia. Nas Filipinas, seus pastores parceiros trabalham com o Conselho Filipino de Igrejas Evangélicas, levando ajuda humanitária e mensagem de fé às comunidades afetadas.

“Na maioria das vezes, esta é uma oportunidade para as pessoas começarem a pensar sobre [seu] relacionamento com Deus”, afirmou Moldez. Segundo ele, “as Filipinas são um país muito religioso, predominantemente católico, então é uma oportunidade de ajudá-los a entender o que o Evangelho significa”.

Moldez pediu orações para que as entregas de ajuda humanitária cheguem a todos os locais remotos e pela segurança dos voluntários que enfrentam terrenos acidentados. “Orem pelos pastores, para que eles saibam como ministrar e guiar [as pessoas] e o Senhor use isso como um meio de criar um reavivamento espiritual na vida das pessoas”, disse.

As igrejas locais também planejam ações voltadas à cura emocional e recuperação pós-desastre. “Uma das coisas que serão necessárias é a reabilitação contínua dessas pessoas, o que chamamos de cura do trauma. Muitas pessoas ainda sentem medo sempre que há um tremor secundário; elas apenas tremem”, concluiu Moldez.

Irã: crianças cristãs precisam fingir serem muçulmanas nas escolas

Crianças cristãs no Irã têm enfrentado desde cedo o desafio de equilibrar duas realidades distintas: a fé ensinada em casa e o sistema educacional rigidamente moldado pelo islamismo. Nas escolas, onde o Alcorão é central, elas precisam recitar orações islâmicas e estudar versões adaptadas de histórias bíblicas. Em casa, seus pais procuram ensiná-las o Evangelho de forma discreta e segura.

Segundo Lana Silk, diretora-executiva da missão Transform Iran, todo o sistema educacional iraniano é fortemente marcado por elementos religiosos. “Todo material tem um toque islâmico. Mesmo que você esteja estudando matemática ou artes”, afirmou em entrevista ao Mission Network News.

Além das disciplinas convencionais, os alunos frequentam aulas de religião e de árabe, destinadas a ensinar as orações islâmicas — conhecidas como Namaz — e reforçar a identidade muçulmana. Lana observou que até histórias bíblicas tradicionais são modificadas para se ajustarem à perspectiva islâmica. “Eles precisam ser capazes de falar sobre a versão islâmica na escola, participar e fingir que essa é a realidade deles — tudo isso mantendo as diferenças claras em suas mentes e sem misturá-las. É muita pressão para as crianças”, explicou.

Em casa, os pais procuram fortalecer os filhos na fé cristã, embora muitos careçam de preparo teológico. Para suprir essa lacuna, a Transform Iran desenvolve materiais bíblicos infantis e programas de apoio familiar. “Temos muitos ministérios focados em crianças e criamos recursos voltados para elas, a fim de dar aos pais as ferramentas necessárias para incutir essas bases em seus filhos desde cedo, para que cresçam sabendo a verdade”, disse Lana.

O ministério também organiza encontros reservados entre pequenos grupos familiares, conduzidos por professores capacitados. Essas reuniões, realizadas a cada poucas semanas, utilizam conteúdos bíblicos adaptados às diferentes idades. Segundo Lana, mesmo sob forte pressão, muitas crianças distinguem com clareza o contraste entre o ambiente escolar e o lar cristão. “Eles experimentam o amor de Deus muito cedo em suas vidas em lares cristãos e, particularmente no clima tóxico do Irã, eles reconhecem que em casa há alegria e paz — algo que falta fora de seu lar”, declarou.

Entretanto, a tensão de viver entre dois mundos tem causado impactos emocionais significativos. De acordo com Lana, muitas crianças enfrentam ansiedade, depressão e baixa autoestima enquanto tentam conciliar o ensino islâmico com a fé aprendida em casa. “Elas precisam das suas orações. Ore para que os pais iranianos guiem sabiamente seus filhos através da tensão emocional do ambiente em que vivem. Ore para que as crianças se apeguem à Verdade que conhecem em casa”, concluiu.

A Transform Iran foi fundada em 1991 pelos pastores iranianos Maggie e Lazarus Yeghnazar, com o propósito de compartilhar o Evangelho entre os iranianos. Desde então, segundo a organização, mais de 100 mil pessoas decidiram seguir a fé cristã e milhares de líderes foram capacitados. A missão atua na pregação, plantação de igrejas, discipulado de novos convertidos, tradução de Bíblias e fortalecimento do corpo de Cristo no país.

Índia vê 5 mil pessoas aceitando Jesus diariamente, dizem líderes

Após 15 anos, cerca de 450 líderes cristãos de diferentes regiões da Índia se reuniram em Nagpur para o Congresso Nacional “Igreja em Missão” (AICOCIM) 2025, promovido pela Evangelical Fellowship of India (EFI). O evento, realizado em setembro, superou as expectativas iniciais de aproximadamente 300 participantes e contou com representantes de diversas denominações e setores, como educação, saúde e ministério pastoral.

O congresso marcou um momento de reflexão e renovação espiritual, abordando o crescimento contínuo da Igreja na Índia, que, segundo líderes locais, ganha entre 3 mil e 5 mil novos seguidores de Jesus diariamente.

Durante a sessão de abertura, o secretário-geral da EFI, reverendo Vijayesh Lal, apresentou a mensagem intitulada “Um chamado à clareza e à fidelidade”, destacando o significado espiritual do encontro. “Este é um tempo kairos — um momento em que Deus convoca Seu povo à atenção, ao arrependimento e à coragem”, afirmou. “Nossa esperança não está em tempos favoráveis nem em nossas forças, mas em Cristo, que venceu a morte. Por isso, não seremos abalados”.

A programação incluiu plenárias e consultas distribuídas em treze eixos estratégicos, entre eles missão, educação teológica, liderança feminina e discipulado. Durante o evento, também foi lançado o “Manual de Resiliência para Igrejas”, material elaborado para apoiar congregações que enfrentam contextos de crise e desafios sociais.

Desafios e perspectivas

Uma das particularidades desta edição foi a ausência de palestrantes internacionais. Segundo os organizadores, a decisão contribuiu para um ambiente de diálogo mais contextualizado à realidade indiana, promovendo trocas genuínas entre líderes locais.

Os participantes discutiram temas considerados essenciais para o futuro da Igreja na Índia, como a ampliação da representatividade feminina na liderança eclesiástica, a renovação geracional de pastores e líderes, e o enfrentamento do sistema de castas, apontado como incompatível com os princípios cristãos de igualdade e amor ao próximo.

Outros debates abordaram novas oportunidades de atuação cristã em áreas emergentes, incluindo o cuidado com a saúde mental, o combate à solidão e a atenção integral ao ser humano. “Podemos fazer a diferença ao demonstrar o amor de Cristo, especialmente a quem ninguém mais alcança”, declarou um dos palestrantes durante uma das sessões plenárias.

O jornalista Timothy Goropevsek, editor do Christian Daily e observador do congresso, avaliou o encontro como um marco para o movimento evangélico indiano. “Foi um privilégio testemunhar líderes discutindo como levar o Evangelho a uma nação de 1,4 bilhão de pessoas — um sexto do mundo. Saí encorajado e profundamente grato pelo que Deus está fazendo na Índia”.