Ativista pró-vida vai à Justiça após ser agredida por abortista

Uma ativista pró-vida que foi agredida durante uma ação de rua em Nova York ingressou com um processo civil contra a autora das agressões, depois que o gabinete do promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, decidiu não levar o caso adiante na esfera criminal.

A Thomas More Society, organização jurídica sem fins lucrativos, anunciou a abertura de uma ação contra Brianna Rivers em nome de Savannah Craven Antao. O processo pede indenização por danos materiais e morais por agressão física e por “imposição intencional de sofrimento emocional”, alegando que Antao sofreu ferimentos e “danos psicológicos duradouros” em decorrência do episódio.

“Fui atacada em plena luz do dia enquanto defendia minhas crenças pró-vida, e a pessoa que fez isso vem comemorando online desde então”, declarou Antao. Ela afirmou que, ao recusar o prosseguimento do caso, o gabinete de Bragg “falhou completamente em me proteger e, ao se recusar a processá-la, falhou com todos os nova-iorquinos que merecem igualdade perante a lei”. A ativista disse ser grata à Thomas More Society por buscar responsabilização judicial pela agressão.

O episódio ocorreu em 3 de abril, no Harlem, quando Antao gravava uma entrevista de rua para o grupo pró-vida Live Action. Imagens de vídeo divulgadas posteriormente mostram Rivers aproximando-se da ativista, iniciando uma conversa que começou de forma cordial e se tornou tensa.

Segundo a queixa civil, o clima se agravou quando Antao mencionou uma frase atribuída a Rivers durante o diálogo, na qual ela teria dito que “não tinha problema em matar bebês em lares adotivos e crianças que sofreram abuso”. Em seguida, de acordo com o processo, Rivers desferiu dois socos no rosto de Antao, o primeiro com a mão direita e o segundo com o celular que segurava na mão esquerda, provocando um corte acima do olho esquerdo e despesas médicas estimadas em 3 mil dólares.

A polícia de Nova York chegou a prender Rivers após a repercussão do vídeo, e ela foi inicialmente acusada de agressão qualificada. O gabinete do promotor de Manhattan, porém, teria reduzido a acusação para contravenção. Em julho, o caso foi arquivado depois que a promotoria não entregou as provas no prazo legal à defesa, segundo noticiou o New York Post na época.

“Savannah foi violentamente agredida por expressar pacificamente suas crenças pró-vida e, em seguida, humilhada novamente quando o agressor foi à internet glorificar o ato”, afirmou Chris Ferrara, advogado sênior da Thomas More Society. Ele criticou a atuação das autoridades, dizendo que o Ministério Público “teve todas as oportunidades para buscar justiça” e que, diante da falta de ação, a entidade decidiu recorrer à Justiça cível para tentar responsabilizar Rivers. Ferrara declarou ainda que “nosso sistema não pode funcionar quando criminosos violentos são recompensados com impunidade simplesmente porque a vítima é cristã ou defensora da vida”.

A petição inicial sustenta que Rivers continuou a zombar de Antao nas redes sociais após o episódio. Entre os exemplos citados está a divulgação de uma camiseta com o logotipo “BAM!” e a imagem de um punho atingindo um rosto, peça que, segundo o processo, teria sido produzida por Rivers e por uma prima com o objetivo de arrecadar fundos para custear honorários advocatícios. A ré também lançou uma campanha no GoFundMe que teria superado 8 mil dólares em doações antes de ser retirada pela plataforma. As diretrizes públicas do site proíbem o uso do serviço para financiar defesa legal em casos de crimes violentos, como agressão ou lesão corporal.

Em uma publicação de 11 de abril no Facebook, Rivers atribuiu a remoção da vaquinha online a Antao e ao “grupo” da ativista. Ela afirmou ter perdido o emprego após a repercussão do caso e acusou “trolls” ligados à pró-vida de terem ido “longe demais”.

Em vídeo de 17 de setembro no TikTok, Rivers comentou que “já se passaram mais de seis meses desde que dei um soco naquele perdedor extremista pró-vida e continuo vivendo minha vida, mas não na mesma intensidade de antes”, ao mesmo tempo em que classificou a experiência como “humilhante”, disse sentir remorso e pediu desculpas. Ela também acusou o Live Action, grupo ao qual Antao está ligada, de “espalhar notícias falsas e ódio” para promover uma agenda unilateral.

No processo, os advogados de Antao afirmam que a ativista passou a viver “com medo constante de outro ataque” ao realizar atividades pró-vida em espaços públicos. A peça jurídica descreve sintomas que, segundo a equipe, são compatíveis com transtorno de estresse pós-traumático, incluindo “lembranças vívidas da agressão” e relatos de que Antao ouviria, em sua memória, a voz de Rivers durante momentos de crise. A denúncia acrescenta que esse quadro seria agravado pelo fato de Antao ser amiga do “falecido Charlie Kirk”, apresentado no documento como alguém que teria sido morto por expressar opiniões semelhantes.

Os advogados também alegam que, após a divulgação do vídeo e a “ampla cobertura” do caso, Antao recebeu “centenas de ameaças de morte” em meio à polarização sobre o tema do aborto. A Thomas More Society afirma que pretende comprovar suas alegações em juízo e buscar reparação financeira, bem como o reconhecimento judicial de que houve violação de direitos, de acordo com informações do portal The Christian Post.

Jogador louva a Deus após vencer na estreia como titular na NFL

Shedeur Sanders atribuiu publicamente a Deus o êxito de sua estreia como titular do Cleveland Browns na NFL, após a vitória por 24 a 10 sobre o Las Vegas Raiders no domingo, resultado que o presidente Donald Trump classificou como “ótimo”.

Em entrevista coletiva depois da partida, o quarterback de 23 anos afirmou que não imaginava estar nessa posição há poucos meses e destacou que sua trajetória recente o levou a uma dependência maior da fé: “Vindo aqui diante de vocês… há seis, sete meses, eu não poderia dizer que estaria aqui. Sabe, Deus é a única maneira pela qual consigo superar tudo isso”, declarou, acrescentando que a presença da família nas arquibancadas tornou o momento ainda mais significativo.

Filho de Deion Sanders, técnico principal da Universidade do Colorado e membro do Hall da Fama da NFL, Shedeur completou 11 de 20 passes para 209 jardas, com um touchdown e uma interceptação. A partida interrompeu uma sequência de 13 derrotas consecutivas dos Browns como visitantes, até então a maior série ativa da liga e a segunda maior da história da franquia, segundo estatísticas citadas pela ESPN.

A atuação reacendeu o debate em torno de sua seleção no draft de 2025, quando, apesar de ser apontado por analistas como potencial escolha de primeira rodada, acabou selecionado apenas na 144ª posição, na quinta rodada, pela equipe de Cleveland.

Sanders relatou que, durante o período de incerteza após o draft, recorreu à fé enquanto aguardava uma oportunidade concreta no time principal. A chance veio com a ausência do calouro Dillon Gabriel, quarterback titular escolhido duas rodadas antes e vetado para o jogo por concussão.

Segundo o jogador, a maneira como foi criado pelo pai, com ênfase em perseverança e exposição a diferentes ambientes, contribuiu para enfrentar a pressão do início na NFL: “Depois de tudo o que passei nos últimos seis meses, cheguei a uma compreensão completamente diferente. Isso me levou a uma experiência pessoal com Deus, a ter fé quando ninguém mais pode te ajudar na sua situação, a não ser Deus”, afirmou, dizendo estar “verdadeiramente grato e feliz” por sentir que tinha feito tudo o que estava ao seu alcance.

A performance do quarterback foi elogiada por torcedores, comentaristas e autoridades, incluindo o presidente Trump. Em publicação na rede Truth Social, ele escreveu que Shedeur Sanders foi “ÓTIMO”, ressaltando que se tratou de sua primeira vitória como titular na carreira profissional e atribuindo o desempenho a “genes incríveis”.

Internamente, a atuação também pareceu convencer o técnico Kevin Stefanski, que confirmou o jogador como titular para a Semana 13, contra o San Francisco 49ers, mesmo após Gabriel ter sido liberado do protocolo de concussão. “Shedeur será titular esta semana. Obviamente, a principal função de um quarterback é vencer. Estamos muito animados por ele ter conseguido sua primeira vitória e, em seguida, o próximo passo é a evolução”, afirmou o treinador, ao destacar que o desenvolvimento jogo a jogo é resultado de trabalho contínuo, segundo informações do The Christian Post.

Perseguição: na Índia, cristãos não podem enterrar parentes?

Dois casos distintos de impedimento a sepultamentos de cristãos foram registrados no estado de Chhattisgarh, Índia, conforme relatos de organizações de monitoramento de direitos religiosos. Em ambas as situações, famílias tiveram negado o direito de enterrar falecidos em suas aldeias de origem.

No distrito de Kanker, um homem da aldeia de Kodekurse faleceu em 5 de novembro após prolongado tratamento de saúde. Ao tentar realizar o sepultamento em terrenos familiares, a família foi impedida por outros residentes da aldeia que se opunham à sua profissão de fé cristã, de acordo com a Christian Solidarity Worldwide, organização com sede no Reino Unido.

A intervenção policial na Índia não resolveu o impasse. Testemunhas relataram que as autoridades se abstiveram de confrontar os manifestantes, resultando na impossibilidade do enterro. Em protesto, a comunidade cristã local posicionou o corpo frente à delegacia regional.

No dia 6 de novembro, cristãos de aldeias vizinhas juntaram-se à família, porém as autoridades mantiveram-se inativas e recomendaram a busca por local alternativo. Receosos de represálias de grupos nacionalistas hindus durante o transporte do corpo, os familiares solicitaram escolta policial até Charama, município próximo.

Em 7 de novembro, durante o deslocamento, o cortejo fúnebre foi seguido por multidão hostil por aproximadamente um quilômetro antes de se dispersar. O comboio foi subsequentemente redirecionado para Raipur, capital estadual, onde o sepultamento ocorreu após percurso de quase 200 quilômetros.

Segundo caso

Dias depois, em Jewartala, aldeia localizada a 90 quilômetros de Raipur, Raman Sahu, convertido ao cristianismo, faleceu em hospital particular. De acordo com o The New Indian Express, ao ser levado para sepultamento em sua aldeia natal, a família encontrou resistência de moradores que exigiam a realização de ritos hindus tradicionais.

A administração distritual mediou as negociações enquanto o corpo era mantido em necrotério. O chefe de polícia do distrito de Balod, Yogesh Patel, confirmou à imprensa que os moradores negaram acesso a terreno de sepultamento devido à conversão religiosa do falecido.

A solução final ocorreu no cemitério de Sankra, fora dos limites de Jewartala, no domingo subsequente.

Contexto institucional

Arun Pannalal, presidente do Fórum Cristão de Chhattisgarh, criticou a inação governamental perante violações de direitos constitucionais. “Os cristãos estão sendo sistematicamente privados da dignidade de serem sepultados em suas próprias aldeias”, afirmou, ressaltando que as áreas em questão possuem designação legal para funerais.

Autoridades policiais confirmaram que em ambos os casos a justificativa para a impedimento foi exclusivamente a conversão religiosa dos falecidos.

Contexto: A Índia ocupa a 11ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025 da Portas Abertas. Observadores internacionais registram hostilidade crescente contra cristãos em regiões rurais, onde frequentemente são acusados de promover conversões religiosas.

Pelo menos doze estados indianos implementaram leis anticonversão que, segundo organizações de direitos humanos, restringem liberdades religiosas fundamentais. Com: Folha Gospel.

Guilherme Berenguer: papel em A Vida de Jó é resposta de oração

O ator Guilherme Berenguer, conhecido por trabalhos em produções da televisão brasileira e por se identificar publicamente como cristão, afirmou que seu retorno recente à dramaturgia ocorreu após um período de oração em que pedia uma nova oportunidade na área artística. Em entrevista ao 23.6 Podcast, ele relatou que o convite para protagonizar a minissérie A Vida de Jó, da Record, foi recebido como resposta direta a esse momento de busca pessoal.

Berenguer contou que vinha pedindo a Deus a chance de atuar novamente, mas com a condição de que não fosse “qualquer personagem”. “Eu tinha conversado com Deus há um tempo, falando: ‘Deus, eu quero, eu preciso colocar minha arte em prática de novo, mas eu não quero fazer qualquer personagem’. Eu tinha mandado essa letra para Deus”. Segundo ele, pouco tempo depois dessa oração, a equipe de elenco da emissora entrou em contato.

“Não deu um mês, dois meses… Eu estava no escritório, em casa, e recebo uma mensagem do departamento de elenco da Record. Direto ao ponto”. O ator explicou que a proposta envolvia o personagem principal de uma minissérie de 20 episódios, com gravações previstas para um período específico no Brasil.

“A mensagem dizia: ‘Guilherme, temos um personagem, com um convite para te fazer. É uma minissérie de 20 episódios. Você precisará ficar tanto tempo no Brasil. Você tem interesse?’ Eu não tinha outra opção, porque eu já tinha conversado com o Papai”, relatou, afirmando que respondeu de imediato: “Tenho total interesse”, declarou.

Para Berenguer, o fato de se tratar de uma narrativa bíblica com forte conteúdo espiritual e emocional tornou o convite ainda mais significativo. A Vida de Jó foi apresentada pela Record como uma produção que busca retratar, em 20 episódios, a história do personagem bíblico descrito como justo e temente a Deus, que enfrenta uma série de provações.

A participação na minissérie marcou também um reencontro do ator com o público brasileiro, que o acompanhou em produções como Malhação e em novelas exibidas pela própria Record. Atualmente vivendo fora do país e envolvido com projetos familiares e empreendimentos pessoais, Berenguer afirmou que o retorno ao set representou, para ele, um recomeço em tempo considerado adequado.

Frente Evangélica contesta prisão de Bolsonaro e abre 'cisma'

A Frente Evangélica do Congresso Nacional manifestou posicionamento oficial sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em documento divulgado no sábado (22). O texto expressa “pesar e intensa preocupação” com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e avalia que o caso possui repercussão significativa no “segmento cristão” do país.

Os parlamentares signatários declararam solidariedade ao ex-presidente e a seus familiares, enfatizando a necessidade de preservação dos direitos defensivos. “Todo cidadão tem direito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório”, afirma a nota, que adicionalmente caracteriza Bolsonaro como idoso “que não apresenta qualquer risco de fuga”.

O documento contesta o enquadramento jurídico que fundamentou a prisão preventiva. “Direitos não podem ser reduzidos ou relativizados por interpretações legais ampliadas”, sustenta a Frente Evangélica.

De acordo com os parlamentares, decisões judiciais que consideram desproporcionais “agravam divisões e comprometem a confiança da população nas instituições”.

A nota alerta ainda para possíveis consequências políticas da medida, sugerindo que “medidas dessa natureza […] geram um ambiente de insegurança jurídica” e dificultam a pacificação social. O grupo comprometeu-se a monitorar os desdobramentos do caso “sempre em favor da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica”.

Operação de custódia

Jair Bolsonaro encontra-se sob custódia na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A prisão preventiva foi decretada com base em laudo da PF que indicou possível descumprimento das regras de uso da tornozeleira eletrônica e avaliou existir risco de evasão.

O mandado foi cumprido às 6h da manhã de sábado, quando agentes federais isolaram o condomínio residencial do ex-presidente para efetuar a prisão. Na fundamentação da decisão, o ministro Alexandre de Moraes citou a convocação de uma vigília de apoio por parte do senador Flávio Bolsonaro, marcada para a noite deste mesmo dia (22), originalmente anunciada na sexta-feira (21).

Grupo de oração em clínica de aborto salva 83 bebês da morte

Um grupo de cristãos tem realizado ações de oração em frente a uma clínica de aborto em Chicago, nos Estados Unidos, afirmando que essa iniciativa tem levado gestantes a desistirem do procedimento. Há cerca de três anos, integrantes locais da organização pró-vida Love Life passaram a se reunir regularmente diante de uma das unidades com maior movimento da cidade, no estado de Illinois.

O missionário Juan-Elias Riesco, que atua em ações de intercessão em defesa da vida, divulgou em vídeo no Instagram um desses encontros. Nas imagens, é possível ver um pequeno caminhão estacionado em frente à clínica e participantes ajoelhados na calçada, orando por mulheres em situação de gravidez e por seus filhos. “Por favor, ó Senhor, inunde nossas ruas com o Espírito Santo. Por favor, ó Senhor, coloque uma palavra na boca dos pastores e cristãos para que sejam ousados e amorosos”, declarou um dos presentes, em voz audível na gravação.

De acordo com Juan-Elias Riesco, o grupo atribui às orações a decisão de diversas mulheres de não prosseguir com o aborto. “Oitenta e três bebês foram salvos do aborto desde que começaram. A maioria das pessoas não faz ideia de que isso está acontecendo em Chicago”, afirmou o missionário, ao comentar os resultados que, segundo ele, vêm sendo registrados nessas ações.

A Love Life é uma organização cristã pró-vida com sede na Carolina do Norte, que declara ter como objetivo incentivar igrejas e fiéis a se envolverem de forma mais ativa em iniciativas de apoio a gestantes e de prevenção ao aborto. A instituição informa que oferece suporte a mulheres em dificuldades financeiras, promove caminhadas de oração, programas de intercessão e incentiva o acolhimento e a adoção de crianças em situação de vulnerabilidade.

Segundo dados divulgados pela própria organização, mais de 240 mil cristãos já teriam sido mobilizados em suas campanhas, em parceria com mais de 1.500 igrejas. A Love Life também afirma que, ao longo de suas atividades, mais de 6.900 bebês deixaram de ser abortados e cerca de 1.200 pessoas decidiram se engajar na fé cristã a partir de suas ações.

“Virou crime chamar homem de homem”, diz Nicolas Ferreira

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a pagar R$ 40 mil por danos morais em ação movida por uma pessoa que se identifica como “mulher trans”.

A decisão, proferida na última quarta-feira (19), refere-se a declarações do parlamentar em 2022, quando ainda atuava como vereador em Belo Horizonte.

O caso teve origem em manifestação pública de Nikolas Ferreira sobre um vídeo em que a pessoa relatava ter sofrido discriminação em estabelecimento comercial. Na ocasião, o parlamentar afirmou: “Essa pessoa aqui se considera mulher, mas ela é homem, e estava alegando transfobia. Então agora você é obrigado a depilar um pênis ou, caso contrário, você é transfóbico”.

Em sua defesa, o deputado argumentou que suas críticas se baseiam em um conceito óbvio, que é o da biologia, a qual determina que existem apenas dois sexos – macho e fêmea – e que ambos são determinados geneticamente, e não pela forma como alguém se declara.

Ele ainda afirmou que suas argumentações estão relacionadas ao debate sobre “ideologia de gênero” e que não houve intenção de desrespeitar a dignidade da pessoa. A sentença ainda está sujeita a recurso.

Após a divulgação da decisão, Nikolas Ferreira manifestou-se em suas redes sociais: “Virou crime chamar homem de homem. Repito: virou crime dizer uma verdade biológica. Centenas de processos, nenhum condenado por corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de emenda e roubo de aposentado. Só resta condenar por dizer verdades. Ser perseguido pelo mal é o preço de não ser um deles”.

O juiz André Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível de São Paulo, fundamentou a decisão afirmando que o parlamentar legitimou conduta discriminatória. Em trecho da sentença, o magistrado registrou que as declarações possuem “maior potencial nocivo perante toda a sociedade, configurando um verdadeiro incentivo para que outros estabelecimentos discriminem mulheres transgênero pelo país”.

O valor da indenização foi fixado em R$ 40 mil, valor intermediário entre os R$ 20 mil inicialmente pleiteados pela autora e os R$ 50 mil posteriormente solicitados. A defesa do deputado sustentou no processo que a republicação do vídeo “se limitou ao exercício da liberdade de expressão e manifestação político-ideológica, sem ofensas direcionadas à autora ou práticas discriminatórias”.

Família pastoral deixa Nicarágua após perseguição religiosa brutal

Uma família pastoral foi forçada ao exílio após o pai ser preso e posteriormente liberado sob condição de deixar o país, em meio a relatos de perseguição religiosa pelo governo da Nicarágua. O caso envolve duas meninas, identificadas como Alaia, de 13 anos, e Manuela, de 9 anos, que tiveram sua rotina familiar interrompida abruptamente.

De acordo com os relatos, a situação começou com a prisão do pai, pastor envolvido em atividades de evangelismo que o governo da Nicarágua consideraria uma “ameaça”. Manuela descreve o momento da separação: “Meu pai e eu andamos um pouco pela estrada, depois me despedi e vim embora com meu avô. Depois disso, não nos falamos mais”.

A família permaneceu sem informações sobre o paradeiro do pastor durante nove meses, período em que a mãe tentava diariamente visitá-lo sem sucesso. Enquanto isso, as crianças eram mantidas em uma rotina de normalidade, incluindo orações, escola e atividades religiosas.

“Minha mãe tentava nos acalmar dizendo que meu pai estava nas mãos de Deus. Ela nos lembrava que ele era um homem íntegro e que Deus não o abandonaria”, recorda Manuela.

A libertação do pastor trouxe alívio temporário, mas foi seguida por seu exílio forçado da Nicarágua. Em uma videochamada posterior, a família constatou que ele havia perdido 50 quilos durante o período de detenção.

O clímax do drama ocorreu quando a mãe e as filhas também precisaram fugir do país após receberem um alerta urgente do pastor: “Eles estão observando você. Vão prendê-la para me silenciar. Você precisa sair do país agora!”. Na mesma noite, as três deixaram a casa com poucos pertences, abandonando família, amigos e atividades regulares.

O reencontro familiar ocorreu em país não identificado. “Eu o abracei com muita força e disse o quanto sentia sua falta”, relata Manuela. Alaia complementa: “Foi lindo, mas também muito difícil. Estávamos juntos novamente, mas não em casa”.

As irmãs atribuem sua resiliência aos treinamentos de preparação para perseguição que seus pais haviam recebido e compartilhado com a família. Alaia reflete sobre a experiência: “Aprendi que a perseguição nos ensina a não nos apegarmos às coisas terrenas. Um dia, morreremos e não levaremos nada conosco. Então, a melhor coisa que podemos fazer é viver – e até morrer – por Cristo”.

*Nomes alterados por medidas de segurança da fonte.

Contexto: Organizações de monitoramento de liberdade religiosa, como a Portas Abertas, têm documentado casos crescentes de restrições a atividades religiosas na Nicarágua nos últimos anos, incluindo o fechamento de instituições e detenções de líderes religiosos.

Thalles canta hino do Flamengo na Marcha e gera polêmica

O cantor Thalles Roberto voltou ao centro dos debates nas redes sociais após se apresentar na 29ª edição da Marcha para Jesus em Imperatriz (MA), realizada no feriado da Consciência Negra, em 20 de novembro. O evento, marcado por grande público e momentos de interação, ganhou repercussão principalmente pelo momento em que o artista interpretou o hino do Flamengo.

Quando o artista decidiu entoar o hino do Flamengo, surpreendeu parte dos presentes e rapidamente se tornou tema de comentários entre fiéis nas redes sociais.

Entre os críticos, a principal preocupação foi o contraste entre o repertório de um evento voltado à adoração e evangelização e a inclusão de um hino ligado a um time de futebol. Para esse grupo, a presença de um elemento identificado como secular destoaria da proposta central da Marcha para Jesus, dedicada à exaltação de Deus. Alguns internautas lembraram que, em determinadas comunidades cristãs, o futebol pode ser associado à ideia de “idolatria” e, por isso, não deveria ocupar espaço em uma programação de caráter estritamente religioso.

Uma participante citou o texto bíblico de 1 João 2.15–17 para expressar seu posicionamento, destacando o trecho: “Não amem o mundo nem o que nele há… aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”.

Outros participantes, porém, interpretaram o episódio de forma diferente. Para esse grupo, o momento foi visto como um gesto pontual e descontraído, sem comprometer o conteúdo principal da ministração ou o propósito do evento. Nas redes sociais, alguns usuários saíram em defesa do cantor, argumentando que avaliações rigorosas sobre atitudes pontuais não deveriam ofuscar o conjunto de sua trajetória na música cristã.

Um seguidor comentou: “Acho tão chato esse policiamento. Se ele errou, o problema é dele com Deus. Continuo vendo o agir do Senhor na vida dele. Muita gente já foi curada e alcançada por meio das músicas de Thalles”.

O registro da cena circulou amplamente nas plataformas digitais e reacendeu discussões internas no meio evangélico sobre limites, discernimento e postura em eventos religiosos.

Mãe recorre de decisão que a proibiu de levar a filha à igreja

Uma mãe solteira do estado do Maine, nos Estados Unidos, recorreu à Justiça para tentar reverter uma decisão de custódia que a impede de levar a filha de 12 anos à igreja Calvary Chapel, em Portland.

A ordem de instância inferior, emitida em dezembro de 2024, também restringe o acesso da menina a atividades religiosas ligadas à denominação, após o tribunal aceitar a alegação feita pelo pai de que se trata de uma “seita”, segundo a argumentação apresentada no processo.

A mãe, Emily Bickford, é representada pelo Liberty Counsel, organização jurídica cristã que levou o caso à Suprema Corte Judicial do Maine. Em comunicado divulgado ao The Christian Post, o fundador e presidente do grupo, Mat Staver, afirmou que, na visão da entidade, a decisão viola garantias constitucionais. “A Calvary Chapel não é uma seita. Esta ordem judicial que proíbe Emily Bickford de levar seu filho a uma igreja cristã por causa de seus ensinamentos bíblicos viola a Primeira Emenda”.

Staver também declarou que, na avaliação do Liberty Counsel, o alcance da decisão é amplo. “O alcance desta ordem judicial é impressionante, pois proíbe até mesmo o contato com a Bíblia, literatura religiosa ou filosofia religiosa”. Para ele, as medidas representam “uma séria ameaça à liberdade religiosa”.

A Suprema Corte do Maine ouviu os argumentos orais do caso em 13 de novembro. No recurso, os advogados de Bickford sustentam que a decisão do tribunal distrital violou direitos protegidos pela Primeira e Décima Quarta Emendas da Constituição dos EUA. “O tribunal distrital alegou que ‘não estava tomando posição sobre nenhum princípio religioso’. Bobagem”, diz o documento apresentado pelo Liberty Counsel.

Segundo a argumentação da defesa, o tribunal de primeira instância teria classificado as crenças de Bickford como “sectárias” e psicologicamente prejudiciais, usando essa avaliação para limitar o direito da mãe de orientar a educação religiosa da filha. A ordem concedeu ao pai, Matthew Bradeen, “o direito e a responsabilidade de tomar decisões sobre se [a menor] participa de quaisquer cultos, reuniões ou eventos associados à Calvary Chapel”.

A decisão também determina que ambos os pais pesquisem e discutam sobre a igreja e se a participação da criança é ou não de seu interesse. No entanto, o texto registra que, “tendo em conta o histórico da Sra. Bickford de abdicar da sua autonomia de decisão em favor da Calvary Chapel, o Sr. Bradeen tem o direito de tomar as decisões finais relativamente à participação da [criança menor] em outras igrejas e organizações religiosas, em caso de litígio entre as partes”.

De acordo com o recurso, Bickford começou a frequentar a Calvary Chapel em maio de 2021. Bradeen afirmou ter se preocupado, após pesquisar a igreja, com ensinamentos como a afirmação de que “as pessoas só podem ser salvas encontrando Deus nos termos de Deus”. Ele também se opôs ao fato de a congregação ensinar a Bíblia “versículo por versículo, capítulo por capítulo”, incluindo referências à condenação eterna, anjos caídos, demônios e relatos de guerras bíblicas.

Como parte da instrução do caso, Bradeen contratou a socióloga Janja Lalich, da Califórnia, para prestar depoimento como especialista em dinâmicas de grupos considerados sectários, segundo o Liberty Counsel. O tribunal distrital registrou, com base nesse testemunho, que Lalich avaliou a Calvary Chapel como “um excelente exemplo de um sistema social fechado” que seguiria o chamado “modelo de Moisés”, onde pastores teriam autoridade incontestável e pouca ou nenhuma prestação de contas a fiéis ou instâncias superiores.

Ainda de acordo com o parecer do Liberty Counsel, o tribunal de primeira instância concluiu que os sermões na Calvary Chapel continham “retórica odiosa”, com elementos de homofobia, rejeição à ciência e críticas às escolas públicas.

A Calvary Chapel é uma rede de centenas de igrejas evangélicas carismáticas autônomas, com origem na Calvary Chapel Costa Mesa, liderada por Chuck Smith na Califórnia, a partir da década de 1960. O movimento ligado à denominação teve papel de destaque no chamado “Movimento de Jesus” dos anos 60 e 70, tema do filme “Jesus Revolution”, lançado em 2023.

O tribunal distrital também considerou que a frequência da filha à Calvary Chapel teria impacto negativo sobre sua saúde emocional. Como exemplo, a decisão menciona um culto no qual o pastor orou publicamente pela disputa de guarda, na presença de Bickford e da menina.

Além de atribuir a Bradeen a decisão final sobre a participação da filha em igrejas e organizações religiosas, a ordem judicial também lhe conferiu autoridade principal sobre a condução de cuidados médicos da menor. O tribunal indicou que, em sua avaliação, as crenças religiosas de Bickford tornariam “improvável” a busca por tratamento de saúde mental ou outros cuidados médicos.

No recurso, o Liberty Counsel afirma que a decisão não apresentou provas de que as convicções religiosas de Bickford tenham determinado escolhas em relação à saúde da filha, e aponta inconsistências entre essa avaliação e outros trechos da sentença.

Segundo o News Center Maine, Bradeen pediu a modificação da guarda depois de relatar que a filha teria começado a ter crises de pânico após frequentar a Calvary Chapel em Portland. O pai declarou ainda que a menina passou a espalhar bilhetes pela casa com a frase “o arrebatamento está chegando” e demonstrar preocupação com o destino eterno de familiares que não frequentam a mesma igreja.

A Suprema Corte do Maine deve decidir sobre o caso após analisar os argumentos escritos e orais apresentados pelas partes, sem prazo divulgado até o momento para a publicação do veredito.