Manuscritos do Mar Morto: exposição convida a conhecer origens

A mais recente exposição do Museu da Bíblia, intitulada “Manuscritos do Mar Morto: A Exposição”, apresenta algumas das cópias mais antigas de fragmentos bíblicos. O diretor de marketing do museu, Matthias Walther, afirma que a proposta é oferecer ao público, inclusive a pessoas não religiosas, a oportunidade de reavaliar suas percepções sobre a Bíblia.

“Quando você vem aqui, você vê os documentos originais. Você volta à fonte”, disse Walther, durante uma prévia da mostra, antes da inauguração no fim de semana. Ele afirmou esperar que a experiência leve os visitantes a questionar antigas suposições: “E todas as teorias que você tem sobre ‘Será que isso é verdade?’, ‘Será que isso não é verdade?’ e ‘Posso confiar na Bíblia ou não?’, espero que isso seja um passo para dizer: ‘Nossa, tem algo aí que eu preciso descobrir’. ‘Talvez eu precise fazer minha lição de casa e identificar todas as ideias preconcebidas que eu tinha sobre este livro. Talvez elas não sejam verdadeiras?’”.

A exposição é fruto de uma parceria entre a Autoridade de Antiguidades de Israel e a empresa Running Subway e será aberta ao público no sábado. Três conjuntos de fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto serão exibidos em rodízio, em três períodos: de novembro a fevereiro, de fevereiro a maio e de maio a setembro.

Na primeira etapa, os visitantes poderão ver, entre outros, os fragmentos “4Q7 Gênesis(g)”, “11Q10 Targum Jó”, “4Q83 Salmos(a)”, “4Q210 Enoque Astronômico(c)”, “4Q434 Barkhi Nafshi(a)”, “4Q491 Manuscrito da Guerra(a)”, “Comentário Escatológico A” e “11Q20 Manuscrito do Templo(b)”.

Na segunda rotação, estarão expostos “11Q5(a) Salmos (Fragmentos do Rolo dos Grandes Salmos)”, “4Q27 Números(b)”, “4Q111 Lamentações”, “4Q264 Regra da Comunidade(j)”, “4Q448 Salmos e Orações Apócrifos”, “4Q274 Tohorot A (Purezas)”, “4Q400 Salmos A Não Canônicos” e “4Q530 Livro dos Gigantes(b)”. Na fase final, serão exibidos “4Q58 Isaías(d)”, “4Q197 Tobias(b)”, “4Q130 Filactérios C”, “4Q534 Nascimento de Noé(a)”, “4Q218 Jubileus(c)”, “4Q275 Cerimônia Comunitária”, “4Q258 Regra Comunitária(d)” e “4Q271 Documento de Damasco(f)”.

Walther afirma que a visita pode não resultar em uma adesão de fé, mas, em sua visão, tende a gerar maior respeito pela importância histórica do texto bíblico. “Talvez você não termine a leitura se tornando um crente, mas acho que certamente criará uma reverência e um respeito pelo que este livro representa, pelo poder que ele possui e por como transcende o tempo”, declarou.

Os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos em 1947 por pastores beduínos em cavernas de Qumran, próximas ao Mar Morto. A coleção reúne manuscritos que datam aproximadamente do século III a.C. ao século II d.C. e inclui partes da Bíblia Hebraica, além de textos que refletem crenças e práticas judaicas do período do Segundo Templo.

Walther também comentou a controvérsia ligada a uma exposição anterior do museu sobre os Manuscritos do Mar Morto. Na ocasião, acreditava-se que 16 fragmentos exibidos eram autênticos, mas, após pesquisas financiadas pelo próprio museu, foi anunciado em 2018 que cinco deles eram falsificações. Em 2020, pesquisadores independentes concluíram que todos os 16 fragmentos eram, na verdade, peças modernas falsificadas.

Sobre a nova mostra, Walther afirmou que o museu tem “total confiança” na autenticidade dos manuscritos agora expostos, destacando o envolvimento direto da Autoridade de Antiguidades de Israel. “Eles são a autoridade em tudo o que é arqueológico em Israel”, disse. “Portanto, eles fazem a descoberta, a escavação, a preservação e a exibição dos artefatos que encontram. Portanto, não existe autoridade superior em termos de integridade desses documentos”.

Além dos Manuscritos do Mar Morto, a exposição inclui cerca de 200 artefatos provenientes da coleção de Tesouros Nacionais de Israel, administrada pela Autoridade de Antiguidades de Israel. Entre eles estão fragmentos de cerâmica com inscrições de Massada e um invólucro de pergaminho de Qumran. O Museu da Bíblia é, atualmente, o único local na Costa Leste dos Estados Unidos onde esses itens podem ser vistos presencialmente.

Outros destaques mencionados pelo museu são a Pedra de Magdala, um bloco esculpido com símbolos como uma menorá de sete braços, descoberto em 2009 em uma sinagoga do primeiro século na região da Galileia, e fragmentos de madeira de um barco de pesca do mesmo período, localizados no Mar da Galileia durante uma seca em 1986. Conhecido popularmente como “Barco de Jesus”, o achado é utilizado para ilustrar como poderiam ser as embarcações mencionadas no Novo Testamento.

“Esta exposição foi possível graças à nossa estreita parceria com a Autoridade de Antiguidades de Israel. Ela reúne algumas das descobertas arqueológicas mais importantes da história da humanidade”, afirmou Bobby Duke, diretor de curadoria do Museu da Bíblia, em comunicado enviado ao The Christian Post. “É uma oportunidade incrivelmente rara e única de ver as cópias mais antigas de fragmentos bíblicos ao lado de muitos outros artefatos que nos ajudam a compreender melhor o mundo bíblico”, acrescentou.

Mulher é presa por questionar pessoa 'não binária' em banheiro

Um incidente ocorrido na Universidade de Brasília (UnB) na terça-feira resultou na prisão em flagrante de uma aluna após um conflito envolvendo o uso do banheiro feminino por uma pessoa que se declara “não binária”.

De acordo com registros policiais, a detenção aconteceu após a estudante se dirigir a uma pessoa que se identificada como não binária – com sexo masculino – que se encontrava no interior do banheiro feminino. A aluna afirmou que a pessoa não deveria estar no local e proferiu um termo considerado pejorativo e homofóbico.

A Polícia Militar do Distrito Federal, no entanto, mesmo ciente de que o caso se tratava de algo relativo à questão sexual, registrou a ocorrência como suspeita de injúria “racial”.

Isso ocorreu, mesmo com boletim de ocorrência detalhando que a característica salientada pela pessoa que se sentiu ofendida foi ser “não binária e sem nome social” e “estar em processo de hormonização”. A alegação para a caracterização do suposto crime foi de ter sido vítima de “homofobia”.

Em sua versão à polícia, a aluna detida relatou que estava com as calças abaixadas no momento em que a pessoa, do sexo masculino, adentrou o banheiro. Ela também registrou queixa por injúria, acusando uma pessoa que acompanhava a suposta vítima de tê-la xingado de “vadia” em uma rede social. O autor desse segundo insulto foi igualmente autuado e teve seu celular apreendido.

Absurdos

Este não é o primeiro episódio do tipo reportado na UnB. Em dezembro de 2022, no Restaurante Universitário do Campus Darcy Ribeiro, um indivíduo de estatura alta e barba foi filmado em um banheiro feminino após uma mulher questionar sua presença no local.

Nas imagens, ele é ouvido dizendo: “não há nada que me impeça de meter a mão na tua cara”. Na ocasião, o Diretório Central de Estudantes da UnB emitiu nota repudiando a atitude da aluna que filmou o ocorrido e afirmou que o indivíduo em questão merecia “acolhimento” por ser “vítima de transfobia”.

Contexto Jurídico

A injúria é tipificada como crime no Brasil desde 1830, caracterizando-se por palavras ou expressões insultuosas que ofendem a dignidade de alguém. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso XLII, determina que a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível.

Em 2019, no entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do julgamento do Recurso Extraordinário 1.045.272, equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, entendendo que a omissão legislativa sobre o tema não poderia impedir a repressão a essas formas de discriminação.

Isso gerou uma onde de críticas por parte dos conservadores, na época, uma vez que racismo é um conceito que se fundamenta na raça, enquanto homofobia ou transfobia diz respeito ao que é relativo à condição e/ou comportamento sexual.

O Tribunal Superior de Justiça (STJ), por sua vez, já permitiu, em decisões individuais, a inclusão do termo “não binário” no campo de sexo em documentos de identificação.

O conceito de “não binariedade” refere-se a pessoas que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher. Sua popularização ganhou força nas discussões sobre identidade de gênero a partir da década de 2010, principalmente em ambientes acadêmicos e em movimentos sociais.

Dados sobre a prevalência dessa identificação – “não binário” – em diferentes países variam, sendo um tema de estudo contínuo nas áreas de ciências sociais e saúde pública. O caso na UnB segue sob investigação, e os procedimentos legais cabíveis serão conduzidos pelas autoridades competentes. Com informações: Eli Vieira.

“Exu nas escolas é ilegal”: deputado denuncia alienação religiosa

O deputado estadual pelo Espírito Santo, Alcântaro Victor Lazzarini Campos, do Partido Liberal, usou as redes sociais para denunciar o que, em sua opinião, caracteriza alienação religiosa travestida de ensino sobre “cultura”, quando na realidade é uma forma de impor aos alunos da rede pública o ensino sobre religiões de matriz africana e suas entidades, como Exu.

“Cada adulto escolhe sua fé, e eu respeito todas. Mas no governo Casagrande o que vemos não é respeito, é doutrinação religiosa em escolas e até na residência oficial do governador”, escreveu o parlamentar ao legendar um vídeo onde ele aparece expondo o que parece ser uma escultura de símbolos de religiões como o candomblé.

“Alunos estão sendo levados a práticas religiosas, travestidas de culturais, sem consulta aos pais. O Estado deve ser laico e garantir liberdade, não impor crenças e agradar militância!”, completou o deputado estadual.

Em outro vídeo, Ancântaro Filho, como é conhecido nas redes sociais, diz que o Dia da Consciência Negra tem sido usado não para conscientizar os estudantes a respeito da luta contra o racismo, por exemplo, ou da cultura africana e a história dos negros brasileiros, em geral, mas sim para alienação religiosa.

Ou seja, para promover conceitos estritamente religiosos, incluindo apresentações, danças, imagens, expressões linguísticas, músicas e outros elementos notadamente utilizados, por exemplo, em rituais de “terreiro”, mas que nas escolas estão sendo apresentados como práticas “culturais”.

O parlamentar explica que é importante a conscientização contra o racismo, e que concorda com isso, mas que não pode admitir que alunos cristãos sejam obrigados a absorver conteúdos que, sob o argumento da “cultura”, são na verdade práticas religiosas que ferem a doutrina cristã.

Esta semana, um caso semelhante ocorreu na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) no bairro do Caxingui, na zona oeste da capital paulista, após o pai de uma criança de apenas 4 anos denunciar que a filha foi obrigada a fazer uma atividade sobre “orixás”. A Secretaria de Educação local, por sua vez, utilizou o mesmo argumento do ensino sobre “cultura afro” para justificar a atividade.

Em outra gravação, Alcântaro Filho disse que tais práticas fazem parte de um movimento chamado “Exu nas Escolas”, o qual estaria sendo repassado às unidades de ensino do país, em especial, no contexto do Dia da Consciência Negra. Assista:

“Na Semana da Consciência Negra, a cultura tem virado pretexto pra impor doutrinação religiosa nas escolas. Cultura afro é linda e é lei, mas impor religião na sala de aula é ilegal. O movimento ‘Exu nas Escolas’ tenta empurrar símbolos e rituais que seu filho não é obrigado a participar”, comentou o deputado. Assista:

Pai consegue, na Justiça, impedir mãe de levar a filha na igreja

Uma decisão judicial no estado do Maine, nos Estados Unidos, tem gerado ampla controvérsia ao impor restrições rigorosas à prática religiosa de uma adolescente e de sua mãe. A determinação proíbe Emily Bickford de levar a filha Ava, que completará 13 anos em janeiro, à igreja, bem como de permitir que ela leia a Bíblia ou tenha acesso a literatura cristã.

Emily, que detém a guarda principal da filha, frequentava há cerca de três anos a Calvary Chapel Portland, uma igreja evangélica em Portland (ME), acompanhada de Ava. O pai da menina, Matt Bradeen, que possui direito de visita, levou o caso à Justiça. O juiz responsável — que, segundo relatos, já presidiu a American Civil Liberties Union (ACLU) — aprovou uma ordem de custódia com cláusulas consideradas extremamente restritivas em relação à fé cristã professada pela mãe e pela filha.

Entre as determinações, a decisão judicial estabelece que Ava está proibida de frequentar qualquer igreja ou evento cristão sem aprovação expressa do pai. A ordem também impede que ela mantenha contato com amigos da igreja ou com qualquer membro da Calvary Chapel, comunidade da qual fazia parte.

A adolescente também fica impedida de participar de celebrações ou ocasiões cristãs, como cultos de Natal e Páscoa, casamentos, funerais ou atividades voluntárias ligadas à igreja, sob pena de violar os termos da guarda. A restrição alcança ainda a leitura da Bíblia ou de qualquer outro material religioso, além de conversas sobre fé com a própria mãe.

De acordo com a organização Liberty Counsel, que representa Emily e Ava, o rigor da decisão é evidente em detalhes do documento oficial. O grupo afirma que o juiz se recusou a escrever a palavra “Deus” com letra maiúscula e chegou a repreender Emily por permitir que o pastor da igreja orasse pela filha.

Na quinta-feira passada, advogados da Liberty Counsel apresentaram argumentos orais à Suprema Corte do Maine, pedindo a reversão da decisão. A entidade sustenta que a ordem de custódia viola a liberdade religiosa e configura discriminação motivada especificamente pela fé cristã da mãe.

O fundador da Liberty Counsel, Mat Staver, classificou o caso como “a ordem de custódia mais hostil ao cristianismo que já vi”. Ele destacou que o desfecho pode estabelecer precedentes importantes para os direitos dos pais e a liberdade religiosa nos Estados Unidos.

Justiça: igreja deve indenizar pastor forçado a fazer vasectomia

Uma igreja evangélica em Belo Horizonte (MG), que não teve o nome divulgado, foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 95 mil por danos morais a um ex-pastor que alegou ter sido coagido a realizar vasectomia para permanecer no cargo. O pastor atuou na função entre 2005 e 2019, com salário mensal de R$ 3.200. A decisão também reconheceu o vínculo empregatício e garantiu o pagamento das verbas rescisórias.

No processo, o ex-pastor afirmou que foi pressionado a se submeter ao procedimento quando tinha menos de 30 anos de idade, sob ameaça de ser punido por indisciplina caso se recusasse. Testemunhas relataram que a prática seria comum entre pastores solteiros, cerca de três meses antes do casamento, e que cada um teria recebido R$ 700 da igreja para custear a cirurgia, supostamente realizada por um clínico geral.

Para o relator da 11ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), desembargador Antônio Gomes de Vasconcelos, a exigência violou direitos constitucionais ligados ao planejamento familiar e à liberdade individual. Um exame realizado em 26 de agosto de 2021 confirmou a ausência de espermatozoides no sêmen do reclamante, reforçando a alegação de esterilização permanente.

Na petição, o pastor sustentou que a conduta da igreja representou ingerência indevida em sua vida privada. “Isso revela a intervenção da igreja na vida privada e caracteriza a ocorrência de dano moral indenizável, especialmente por violação ao artigo 226, §7º, da CF”. O magistrado destacou em seu voto: “A atitude da reclamada implica domínio do corpo do empregado, privando-o da liberdade sobre a vida pessoal e os projetos de vida”.

O caso lembra decisão recente proferida em março deste ano, quando a Igreja Universal do Reino de Deus, no Ceará, foi condenada a indenizar em R$ 100 mil um pastor que também afirmou ter sido forçado a fazer vasectomia para atuar no ministério pastoral. Segundo testemunhas ouvidas naquele processo, pelo menos 30 pastores teriam sido submetidos à cirurgia em uma clínica clandestina. A sentença da 11ª Vara do Trabalho de Fortaleza foi mantida pela Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT-CE).

Casal que integrava o Bonde do Tigrão testemunham libertação

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Gustavo Silva, que integrou o grupo de funk Bonde do Tigrão na década de 2000, e sua esposa, Janaína Lisboa, narraram em entrevista ao podcast PodCrê a sua transição religiosa e os impactos na relação conjugal. O grupo, conhecido por sucessos como “O Baile Todo”, “Tchuthuca” e “Cerol na Mão”, teve seu ápice no início dos anos 2000.

Em suas declarações, o casal detalhou suas experiências religiosas do passado. Adeptos da umbanda e do candomblé, eles consideravam as práticas dos terreiros como algo “perfeitamente normal e bom”.

O afastamento de Janaína, contudo, ocorreu de forma gradual, culminando com a visita a uma igreja cristã, convidada por um primo, onde realizou sua conversão a Jesus Cristo.

Gustavo Silva, por sua vez, era candomblecista antes da mudança e realizava “trabalhos” em seu terreiro, tendo profundo envolvimento nas atividades da religião de raiz africana.

Problemas no casamento

Janaína Lisboa descreveu que o período anterior à sua conversão foi marcado por conflitos conjugais intensos. Eles brigavam excessivamente e ficavam dias sem se falar, conforme seu relato.

Após sua adesão ao cristianismo, quando havia deixado o Bonde do Tigrão, ela modificou sua conduta e iniciou um período de orações pela conversão do marido e pela sua saída dos palcos. Esse processo estendeu-se por mais de um ano, até que Gustavo Silva aceitou acompanhá-la a um culto.

A decisão final de Gustavo Silva pela conversão e o consequente abandono do Bonde do Tigrão ocorreu, segundo ele, após uma experiência que classificou como sobrenatural, vivida em um cemitério durante a preparação de um ritual.

Dias depois, o ex-artista realizou sua adesão formal à nova fé enquanto estava em sua residência. “Entregou seu coração a Jesus em casa, sentado na cama, no mesmo lugar em que sua esposa se ajoelhava para orar por ele”, disseram eles.

Transmissão flagra ataque de terroristas a cristãos em igreja

Uma transmissão ao vivo registrou o momento em que homens armados identificados como jihadistas invadiram um culto na Igreja Apostólica de Cristo (CAC, na sigla em inglês), na cidade de Eruku, Estado de Kwara, na região central da Nigéria, e abriram fogo contra os fiéis.

O ataque ocorreu na manhã de terça-feira, 18 de novembro, e expôs, em tempo real, a vulnerabilidade de comunidades cristãs que, há anos, convivem com episódios de violência e sequestros.

O vídeo, gravado durante a celebração, mostra o interior silencioso da igreja instantes antes de homens encapuzados entrarem no templo e dispararem contra a congregação. A CAC integra uma das maiores denominações pentecostais do país, com forte presença em áreas rurais.

De acordo com autoridades de segurança locais, o ataque foi organizado por uma célula jihadista que atua no corredor entre os estados de Kwara, Kogi e Níger, uma rede flexível envolvida em sequestros, invasões de vilarejos e ataques a igrejas.

Embora nenhum grupo tenha reivindicado oficialmente a ação, investigadores apontam que o modo de operação é semelhante ao de ataques anteriores atribuídos a extremistas islâmicos que frequentemente sequestram, estupram e matam cristãos para exigir resgates ou vendê-los como escravos.

Fontes médicas e moradores de Eruku relataram que ao menos cinco fiéis foram mortos dentro ou nas proximidades do templo e mais de doze pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. Diversos membros da igreja teriam sido sequestrados e levados em direção à área de mata ao redor da cidade.

A testemunha Ejire-Adeyemi informou que Segun Ajala, vigilante local, sofreu ferimentos por disparo de arma de fogo e foi “levado às pressas para o Hospital ECWA, em Eruku, para tratamento médico”. Ela identificou dois dos mortos como Tunde Ajayi e um homem chamado apenas de Sr. Aderemi. Segundo a polícia, o corpo de Aderemi foi encontrado dentro da igreja, enquanto Ajayi foi localizado morto em área de vegetação.

Outras testemunhas relataram que os agressores chegaram em motocicletas, entraram atirando na igreja e recolheram telefones celulares e pertences pessoais antes de fugir, repetindo um padrão observado em outras ações extremistas na região.

Uma fonte ouvida pela imprensa local afirmou que “os terroristas voltaram à cidade por volta das 23h20”, informação que teria sido repassada por um viajante retido na estrada Ilorin–Egbe–Kabba. De acordo com o relato, o homem – identificado como irmão mais novo da fonte – retornava para Egbe, vindo de Ilorin, quando ocorreu o primeiro ataque à igreja, ficando parado na rodovia com outros viajantes e enviando uma mensagem exatamente às 23h20, horário em que os agressores teriam retornado.

Em nota citada pelo portal Premium Times, moradores questionaram como o ataque pôde ocorrer “sem serem incomodados”, apesar da existência de uma divisão policial em Eruku e de uma base militar próxima. Segundo as informações, a base está localizada em Egbe, a cerca de três quilômetros da cidade.

A polícia estadual de Kwara informou que iniciou uma operação de busca com equipes táticas, em parceria com caçadores vigilantes, para tentar localizar os sequestrados e capturar os responsáveis pelo ataque. Enquanto isso, familiares percorrem hospitais e postos de vigilância em busca de notícias sobre parentes desaparecidos.

Apesar da intensificação de ataques contra igrejas e vilarejos de maioria cristã, o governo nigeriano afirma que não há um genocídio em curso e sustenta que a violência decorre da ação de “bandidos armados”, não de perseguição religiosa sistemática. Essa interpretação é contestada por organizações internacionais de direitos humanos e por líderes cristãos locais, que apontam recorte religioso nas vítimas e nos alvos dos ataques.

O episódio em Eruku volta a chamar a atenção para a situação das comunidades cristãs na Nigéria, país que figura, em diversos rankings internacionais de perseguição religiosa, entre os contextos mais perigosos do mundo para quem professa a fé cristã.

Maior grafiteiro do mundo, Kobra fala como Jesus mudou sua vida

O muralista – grafiteiro – brasileiro Eduardo Kobra, reconhecido mundialmente por seus trabalhos de arte urbana em mais de 30 países, considerado por muitos o melhor do planeta nessa arte, narrou em rede social o momento que definiu como crucial em sua carreira e vida pessoal.

Em seu testemunho gravado para o Instagram, o artista relatou como uma experiência em uma pequena igreja evangélica reorientou completamente o seu caminho profissional.

Kobra, que iniciou sua trajetória como pichador na adolescência em São Paulo, descreveu ter enfrentado um período crítico de saúde mental. “Eu tomava pelo menos seis ou sete comprimidos de tarja preta. Eu estava realmente muito doente, muito desesperançoso, não tinha uma luz no fim de tudo”, afirmou o artista sobre a fase que antecedeu a visita à igreja.

Segundo seu relato, após crises de insônia e angústia, ele se dirigiu sozinho a uma igreja tradicional de um bairro paulistano, onde encontrou um culto com cerca de 10 a 15 pessoas, a maioria idosos. Foi nesse ambiente, conforme narrou, que ouviu uma mensagem que associou a sua futura carreira internacional.

“A Palavra foi muito específica: falou sobre arte, falou sobre o artista e falou que tinha alguém ali que Deus iria abrir as portas no mundo inteiro”, detalhou Kobra.

Na ocasião, o artista confessou ter considerado a previsão como improvável, uma vez que mal havia saído de São Paulo. A mensagem, segundo ele, incluía a afirmação de que pessoas, independentemente de suas crenças, seriam instrumentalizadas para abrir portas em sua carreira. “Aquela palavra me tocou muito, fui embora marcado e chorei bastante naquele dia com essa revelação”, completou.

Atualmente, Kobra atesta o cumprimento daquela profecia em sua trajetória profissional, com uma carreira que se expandiu globalmente. “A consequência disso é que hoje eu estou completando 57 murais só nos EUA. Na Itália, são cerca de 7, 8 murais. Pintei em mais de 30 países, nos cinco continentes”, enumerou.

Ao finalizar seu testemunho, o muralista dirigiu um conselho a seus seguidores, incentivando-os a valorizar mensagens de natureza espiritual. “Eu estou deixando aqui para a gente realmente abrir o nosso coração para a Palavra de Deus, tá bem? Porque ela realmente é real, verdadeira e se cumpre”, concluiu.

Jottapê evangeliza jovens consumindo drogas: 'É o meu chamado'

O cantor Jottapê, conhecido por ter deixado sua carreira no funk para seguir a Jesus Cristo, realizou uma ação evangelística em um contexto incomum na última semana. Em um vídeo publicado em sua conta do Instagram, o artista narrou ter sido orientado a aproximar-se de um grupo de jovens que se preparava para uma festa, em um ambiente onde consumiam bebidas alcoólicas e cigarros.

No local, Jottapê compartilhou seu testemunho pessoal de conversão religiosa. Ele descreveu aos presentes como encontrou paz e alegria em Jesus Cristo, após ter buscado realização na fama e no sucesso financeiro, sem obter satisfação.

“Eu vivi várias paradas no mundo que eu me arrependo hoje, e eu sempre tentava mostrar a glória para mim. E depois de passar por isso, eu aprendi que tudo só faz sentido se eu estiver falando sobre Deus”, declarou o cantor no vídeo.

Durante a interação, Jottapê identificou entre os jovens um que, em suas palavras, era “desviado” – termo utilizado em algumas comunidades cristãs para se referir a alguém que se afastou da fé em Jesus. O cantor o exortou a retornar.

“O escolhido não tem escolha, se você já pisou na parada. Independente do que você está vivendo hoje, você sabe que não vai deixar passar. Você sente isso, o Espírito te constrange”, encorajou Jottapê.

Em resposta, o jovem teria expressado seu cansaço espiritual, afirmando: “Eu estou tão cansado que a minha vontade era só abraçar Jesus”. Este momento foi descrito por Jottapê como a confirmação do propósito divino para sua ida até aquele local.

O ex-funkeiro explicou em suas redes sociais que seu chamado ministerial inclui falar não apenas dentro de igrejas, mas especialmente com pessoas afastadas de Jesus Cristo. “Eu podia falar: ‘Pô, a galera aqui está fumando um baseado, está ouvindo um trap’. Não, mano, eu entendo que o meu chamado é justamente estar aqui”, testemunhou. “Se eu falar de Jesus para você e isso te tocar e plantar uma semente em seu coração, já valeu”.

A ação culminou com a exibição do clipe da música gospel “Dimas, o ladrão”, de autoria do cantor. De acordo com o relato de Jottapê, após a partilha da mensagem religiosa, os jovens presentes teriam dito que ele “quebrou o clima” da festa, mas em um tom de gratidão, acrescentando que ele “trouxe a vibe”.

Eles manifestaram, segundo o cantor, que não desejavam mais prosseguir com atividades que consideravam contrárias à vontade de Deus.

Em reflexão final, Jottapê escreveu em sua postagem: “Falar de Jesus enquanto geral está bebendo e fumando? Para alguns pode parecer estranho, mas quando Deus me entregou o chamado, eu entendi que eu não ia falar só com a igreja. Eu falaria principalmente com aqueles que precisam urgentemente se arrepender”.

Nicki Minaj cobra fim da perseguição a cristãos na Nigéria na ONU

A rapper Nicki Minaj participou de um evento na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar atenção internacional à situação de cristãos na Nigéria. Ela falou em um painel promovido pela missão dos Estados Unidos junto à ONU, ao lado do embaixador americano Mike Waltz, com foco em denúncias de violações de direitos humanos no país africano.

Nascida em Trinidad e Tobago, Nicki Minaj explicou que decidiu integrar o encontro “Combatendo a Violência Religiosa e o Assassinato de Cristãos na Nigéria” para “se manifestar contra a injustiça e defender pessoas perseguidas por suas crenças”. Durante o discurso, afirmou:

“Na Nigéria, os cristãos estão sendo alvo, expulsos de suas casas e mortos. Igrejas foram incendiadas. Famílias foram destruídas e comunidades inteiras vivem constantemente com medo, simplesmente por causa da forma como oram”.

Em seguida, a artista dirigiu-se a seus fãs, conhecidos como “Barbz”, e destacou que, segundo ela, o tema não está ligado a disputa político-partidária. “Barbz, eu sei que vocês estão aí ouvindo. Eu amo vocês profundamente. Vocês têm sido a maior luz da minha vida e da minha carreira por tanto tempo. Eu sou grata a vocês e quero deixar muito claro – mais uma vez – que isso não é sobre tomar partido. É sobre se posicionar diante da injustiça. É sobre aquilo que sempre defendi em toda a minha carreira. E continuarei defendendo isso pelo resto da minha vida. Eu me importarei se qualquer pessoa, em qualquer lugar, estiver sendo perseguida por suas crenças”.

O embaixador Mike Waltz, que também discursou no painel, descreveu o cenário apresentado por organizações e especialistas. “Há um conjunto de evidências – e vocês ouvirão isso de nossos especialistas hoje – que retrata um cenário muito sombrio de sofrimento desproporcional entre os cristãos, onde, novamente, famílias são destruídas, líderes religiosos são repetidamente assassinados e congregações inteiras, igrejas inteiras, são alvo desses ataques”. Ele acrescentou: “Pessoal, nós temos uma fé inteira que está sendo apagada. Uma bala de cada vez, uma Bíblia queimada de cada vez”.

Waltz usou ainda a expressão “genocídio usando a máscara do caos” para se referir aos ataques direcionados a cristãos na Nigéria. O evento ocorreu em um contexto de debate mais amplo, que incluiu declarações recentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em postagem na plataforma Truth Social, Trump falou em enviar tropas americanas para “entrar atirando” e “eliminar completamente os terroristas islâmicos que estão cometendo essas atrocidades horríveis” no país.

Em resposta, o presidente nigeriano Bola Tinubu afirmou que o governo tem dialogado com lideranças cristãs e muçulmanas “para enfrentar desafios de segurança que afetam cidadãos de todas as fés e regiões”. Ele acrescentou que “a caracterização da Nigéria como religiosamente intolerante não reflete nossa realidade nacional, nem considera os esforços consistentes e sinceros do governo para salvaguardar a liberdade de religião e crença para todos os nigerianos”.

A organização cristã internacional Portas Abertas relata que invasões e ataques são mais frequentes em estados de maioria muçulmana no norte da Nigéria, com expansão para a região conhecida como “Cinturão Central” e áreas mais ao sul. Segundo a entidade, os alvos costumam ser comunidades cristãs, com registros de violência sexual, assassinatos de líderes religiosos e destruição de igrejas, atribuídos a grupos militantes como o Boko Haram e a combatentes de origem fulani.