Paquistão: cristão é inocentado após 23 anos no corredor da morte

No início de julho, a Suprema Corte do Paquistão absolveu do crime de blasfêmia o cristão Anwar Kenneth, de 72 anos, que passou 23 anos no corredor da morte. A decisão, proferida por um colegiado de juízes, concluiu que “uma pessoa nessas condições mentais não pode ser considerada culpada desse tipo de crime”.

A soltura de Kenneth está prevista para ocorrer nos próximos dias. O julgamento foi marcado por tensão. Ativistas muçulmanos presentes no tribunal protestaram contra o veredito, gerando tumulto após o anúncio da decisão.

Segundo o advogado de defesa, Rana Abdul Hameed, “o caso de Kenneth abre precedentes para decisões semelhantes no futuro, o que é uma ofensa grave para esses grupos”. Durante o processo, houve intensa pressão de advogados islâmicos para que a pena de morte fosse mantida, em estrito cumprimento da legislação vigente.

Anwar Kenneth foi preso em 2001 sob a acusação de ter enviado cartas consideradas ofensivas ao profeta Maomé e ao Alcorão. Em 01 de julho de 2002, o tribunal de Lahore o condenou à morte, após ele afirmar em audiência: “Deus é meu conselheiro”. Desde então, cinco advogados públicos recusaram-se a representá-lo, e o processo permaneceu sem avanços significativos por mais de duas décadas.

A irmã do acusado, Reshma Bibi, afirmou que Kenneth é um cristão devoto com formação intelectual: “Meu irmão foi professor em cursos bíblicos e muitas vezes entrava em debates com seus amigos muçulmanos e outros líderes religiosos. Ele comunicava suas ideias sobre religião por meio de cartas, mas nunca foi desrespeitoso. Foi uma dessas cartas que usaram para tentar silenciá-lo”, declarou, de acordo com informações da Missão Portas Abertas.

Segundo levantamento do Centro de Justiça Social do Paquistão, foram registrados 344 casos de blasfêmia entre janeiro de 2024 e julho de 2025. O país tem enfrentado crescente violência motivada por suspeitas ou denúncias relacionadas ao tema.

“As leis de blasfêmia do Paquistão são armas de perseguição há anos. Hoje, estamos testemunhando uma onda de violência na qual meros rumores podem incitar ataques mortais. Frequentemente, as cortes quase não fazem uma investigação digna dos casos apresentados”, avaliou Thomas Muller, analista da Portas Abertas.

Para o advogado Hameed, a decisão da Suprema Corte pode representar um avanço no tratamento legal de pessoas acusadas de blasfêmia que apresentam condições de saúde mental. “A decisão da Suprema Corte ajudará nos casos de diversos outros prisioneiros sofrendo de condições psicológicas que estão pendentes há anos”, explicou.

No Paquistão, a blasfêmia contra o islã é crime punível com pena de morte, ainda que a legislação não exija comprovação de intenção. Casos como o de Anwar Kenneth reacendem o debate internacional sobre o uso da lei para perseguir minorias religiosas, especialmente cristãos e hindus, e sobre a necessidade de reformas legais que garantam julgamento justo, especialmente em situações envolvendo saúde mental.

Irã intensifica perseguição aos cristãos e mais de 40 são presos

Pelo menos 43 cristãos foram presos em múltiplas cidades do Irã nas últimas semanas, em uma operação coordenada pelo Ministério da Inteligência após o cessar-fogo com Israel, informou a organização Portas Abertas.

As detenções, ocorridas entre maio e julho de 2025, ampliam a campanha sistemática contra minorias religiosas no país, conforme documentado por organizações de direitos humanos.

As motivações oficiais não foram formalmente divulgadas, mas fontes locais no Irã relatam dois padrões:

  1. Posse de materiais cristãos: Bíblias confiscadas em buscas domiciliares;

  2. Aplicação da nova lei “Colaboração com Estados Hostis”: Texto aprovado em abril que criminaliza vínculos com países como EUA e Israel. Cristãos ex-muçulmanos são frequentemente enquadrados como “agentes sionistas” ou membros de “seitas desviantes”.

A justiça iraniana mantém posição pública de que o cristianismo evangélico “mina os valores islâmicos” e “promove influência ocidental”. Relatores da ONU registraram em junho a escalada de retórica desumanizante na mídia estatal, que chegou a classificar minorias como “ratos imundos” e “traidores”.

A cristã Aida Najaflou, 43 anos, permanece detida na prisão de Qarchak desde abril, incapaz de pagar fiança de US$ 200 mil. Em gravação divulgada em julho, denunciou condições brutais: “Mais de 60 mulheres aqui sofrem sem água potável, comida adequada ou saneamento. Estamos enclausuradas e impotentes”.

Sua acusação inclui:

  • “Propaganda contra a República Islâmica” por orações e batismos;

  • “Conluio” devido a postagens cristãs online;

  • Posse de Bíblia, citada como “material proibido”;

  • Apoio ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade”.

Cenário geral:

Após o ataque aéreo à prisão de Evin (abril/2025), 11 cristãos foram transferidos para locais não revelados. Seus paradeiros são desconhecidos no Irã, levantando temores de desaparecimentos forçados. A ONG Article18 alerta que as detenções recentes aproveitam o foco internacional no conflito com Israel para silenciar dissidentes.

Apelo Internacional:

Organizações de direitos humanos exigem:

  • Libertação imediata dos presos por motivos religiosos;

  • Fim da retórica estigmatizante;

  • Acesso da Cruz Vermelha às prisões.

    Enquanto isso, redes cristãs globais mobilizam campanhas de oração pelos detidos, com ênfase na provisão para fianças e proteção contra tortura.

O uso de leis antiterror para perseguir cristãos expõe o paradoxo do Irã: acusam-nos de ‘ameaça ocidental’, mas sua real ‘ameaça’ é não se curar ao controle estatal sobre a fé” – analisa o relatório da International Christian Concern.

Mãe viraliza com criatividade para ensinar filho o poder da oração

A influenciadora cristã Jessica Stuart viralizou nas redes sociais em junho de 2025 ao demonstrar, em um vídeo caseiro, o poder da oração para seu filho Gael, de 6 anos. Em uma experiência visual, ela encheu um prato com água, salpicou orégano e pediu que a criança tocasse a mistura.

“Quando não oramos, ficamos sujos”, explicou. Após fazer Gael orar de olhos fechados, aplicou detergente em seu dedo. Ao repetir o gesto, o orégano imediatamente se afastou. “Tudo de ruim se afasta quando oramos”, afirmou Jessica, destacando que a oração é “uma ponte poderosa que nos conecta a Deus e fortalece a alma”.

A abordagem lúdica sobre o poder da oração integra uma tendência entre pais cristãos que buscam métodos inovadores para transmitir princípios espirituais:

  • Casos internacionais: O casal Hanna e Steve Ko (Coreia do Sul) espalha versículos bíblicos pela casa para auxiliar na memorização. No Havaí, Alex Wilson usou Coca-Cola, óleo vegetal e balas mentos para ensinar sobre “domínio próprio” (um dos frutos do Espírito Santo).

  • Exemplos brasileiros: O casal mineiro Tiago Stanley (ortopedista) e Letícia Lessa (pediatra) compartilha em redes sociais seu culto doméstico com os filhos, adaptando linguagem bíblica à compreensão infantil.

  • Já a pastora Aline Carvalho (Igreja Mananciais/RJ), no podcast “Café com Elas”, enfatiza a autonomia espiritual: “Não é sua mãe que deve interceder por você, mas você desenvolver um relacionamento com Deus”.

Para educadores religiosos, tais métodos reforçam que o ensino da fé à nova geração exige criatividade e participação ativa. Como resumiu Jessica Stuart: “Ensino Gael não apenas a orar, mas a ser grato por cada passo da jornada”.

A estratégia, aliando cotidiano e simbolismo, tem transformado lições teológicas em experiências tangíveis para crianças, servindo de exemplo para outros pais que desejam conduzir seus filhos conforme os ensinamentos da Palavra de Deus.

Batistas iniciam plano para ganhar 5 mil almas na África Central

A Convenção Batista de São Tomé e Príncipe estabeleceu um plano missionário com o objetivo de alcançar 5.000 membros até o ano de 2030. A iniciativa é conduzida por quatro jovens pastores e foi apresentada durante encontros com representantes da Junta de Missões Mundiais (JMM), que acompanha de perto o desenvolvimento do trabalho no país da África Central.

De acordo com o diretor-executivo da JMM, pastor João Marcos Barreto Soares, a proposta vai além de metas numéricas e nasce de uma convicção espiritual. “Nosso primeiro passo precisa ser uma vida espiritual consistente, parecida com a de Cristo”, afirmou o pastor durante uma das reuniões. Segundo ele, o plano começou com oração, santidade e comunhão com Deus, sendo que as estratégias foram discutidas apenas posteriormente.

Entre as ações práticas previstas no planejamento estratégico estão:

–Lançamento de um Plano Nacional de Evangelização;

–Plantação de novos pontos de pregação em diferentes localidades;

–Formação de pequenos grupos em cada povoado;

–Realização contínua de visitas evangelísticas nas comunidades.

Apesar da organização estratégica, o pastor João Marcos reforçou a centralidade da vida espiritual no avanço da missão. “É assim que o Reino cresce: não apenas com recursos e planejamento, mas com vidas rendidas, olhos voltados para o alto e pés dispostos a caminhar”, declarou.

O diretor de operações da JMM, pastor Alexandre Peixoto, também esteve presente no encontro realizado em São Tomé e Príncipe. Ele atua diretamente na construção do plano estratégico, em cooperação com a liderança local, com o propósito de fortalecer a presença do Evangelho no país, no continente africano e em outras regiões.

Segundo o pastor Kamel Quaresma, diretor da Convenção Batista em São Tomé e Príncipe, a unidade entre os líderes tem papel fundamental na condução da missão. “É um projeto que nasceu no coração de Deus e chegou até nós. O fato de estarmos juntos significa que Deus está operando, porque em conjunto somos mais fortes”, declarou.

A liderança da Junta de Missões Mundiais concluiu o encontro solicitando orações por este novo momento da Convenção Batista em São Tomé e Príncipe. O desejo é que o plano se torne uma ferramenta eficaz para a expansão do Evangelho, tanto no território nacional quanto além de suas fronteiras.

No mar, batismo coletivo impacta comunidade e produz avivamento

Durante um fim de semana de calor intenso em julho de 2025, cinco igrejas locais reuniram centenas de fiéis para um culto público à beira-mar no Píer Boscombe, culminando com o batismo coletivo de 92 participantes nas águas do Canal da Mancha.

O evento, organizado pelas comunidades Lansdowne, Igreja do Amor, Catch the Fire, Coastline Vineyard e Igreja da Comunidade de Bournemouth, foi descrito pelo pastor sênior Peter Baker (Igreja Lansdowne) como uma “expressiva celebração de fé” que evidenciou o reavivamento pós-pandemia. 

A igreja está viva e ativa em Bournemouth. Quisemos reunir cristãos que não têm vergonha de proclamar Jesus Cristo ao mundo”, declarou Baker, comparando o clima a “um verdadeiro festival”.

Entre os que estavam no batismo coletivo estava Liam Brownen, 35 anos, que relatou libertação do vício após conversão: “No segundo em que entreguei minha vida a Cristo, fui instantaneamente libertado da escravidão das drogas e do álcool. Ser batizado em seu nome é inacreditável – devo minha vida a Ele”.

A cerimônia de batismo coletivo atraiu turistas e moradores da cidade litorânea, conhecida por abrigar centros de reabilitação, mas também por enfrentar desafios crônicos com criminalidade e dependência química. Para as igrejas organizadoras, o batismo público simbolizou “renovação e esperança” para a comunidade.

Baker adiantou que novas edições do evento já estão planejadas: “Precisamos de manifestações visíveis de fé. Esta foi a primeira de muitas”.

Importância do batismo

O batismo é reconhecido como um dos sacramentos centrais do cristianismo, com significado teológico, simbólico e comunitário. Sua importância fundamenta-se em múltiplas dimensões:

1. Mandamento de Jesus Cristo

As escrituras registram a ordenança direta de Jesus aos discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19). Essa injunção estabelece o batismo como ato inaugural da vida cristã.

2. Símbolo de transformação espiritual

O rito representa a morte para a vida antiga e o renascimento em Cristo. Conforme descrito em Romanos 6:4, o batismo simboliza a união com a morte e ressurreição de Jesus: “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos […] assim também andemos nós em novidade de vida”.

3. Purificação e perdão

Atos 2:38 associa o batismo ao perdão dos pecados: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados”. Para muitas tradições, o ato constitui a “lavagem regeneradora” mencionada em Tito 3:5. Com: Christian Today.

Qual é o papel da Igreja e da família no cuidado aos idosos?

Com mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais (15% da população, segundo o IBGE/2022), o cuidado com idosos tornou-se uma questão sensível para comunidades cristãs, colocando o papel das igrejas no centro deste cenário.

Pastores ouvidos pela reportagem enfatizam que a responsabilidade primária pela assistência aos mais idosos é das famílias, alinhando-se a princípios bíblicos como o mandamento de “honrar pai e mãe” e as orientações de 1ª Timóteo 5:3-4 sobre o cuidado com viúvas e idosos.

Pastor Rodrigo Vieira (Igreja Batista da Paz, Marília/SP), que cuidou da mãe com demência por dois anos e meio em sua casa, descreve a experiência como um “teste diário de paciência e amor”. Ele afirma:

“Não é um amor idealizado, mas é possível viver o que a Bíblia ensina sobre o caráter sendo moldado”. Embora reconheça a necessidade de instituições especializadas em casos de inviabilidade familiar ou de saúde, Vieira ressalta: “O que não se pode é terceirizar o afeto. A visita, o suporte, o amor diário ainda são responsabilidade dos filhos”.

Em Vitória (ES), o pastor Antônio Jorge (Igreja Batista de Jucutuquara) reforça que o envelhecimento é parte do ciclo natural da vida e demanda “respeito, escuta e reconhecimento da história do idoso”.

Ele cita exemplos bíblicos como José, Rute e Jesus para fundamentar o dever espiritual: “Levantar-se diante dos idosos e reconhecer sua dignidade não é apenas cultura, é obediência a Deus”.

Igrejas ampliam ações, criando ministérios para a terceira idade com atividades, visitas domiciliares e apoio a cuidadores familiares. Essas iniciativas buscam fortalecer laços intergeracionais, mas líderes destacam que o núcleo do cuidado permanece no lar. A prática diária – de preparar refeições a acompanhar consultas ou orar juntos – é vista como expressão concreta da fé.

Para o pastor Rodrigo Vieira, o essencial é traduzir princípios em ações: “Esse amor precisa sair do discurso e aparecer nas atitudes. A igreja tem sua parte, mas a base está na família. É ali que começa o verdadeiro cuidado”. O desafio, segundo ele, é garantir que os idosos tenham não apenas necessidades físicas atendidas, mas seu valor humano reconhecido “até o último dia”. Com: Comunhão.

Sonaira denuncia apologia ao sexo em festa junina infantil

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) recebeu, na terça-feira, 15 de julho, uma denúncia formal referente a uma apresentação musical com conteúdo sexual explícito realizada durante uma festa junina infantil na zona leste da capital paulista.

O caso foi levado ao órgão pela vereadora paulistana Sonaira Fernandes (PL-SP) e pela vereadora sorocabana Tatiane Costa (PL-Sorocaba). Ambas compartilham do entendimento que a situação configura uma violação aos direitos da criança e do adolescente.

A denúncia tem como base um vídeo publicado nas redes sociais no dia 03 de julho, que mostra integrantes da banda Máfia do Piseiro interpretando uma canção com o seguinte trecho: “O homem que não cheira nem passe a língua no xibiu [parte íntima feminina], não sei se viu. É veado”. A performance ocorreu diante de uma plateia em que estavam presentes diversas crianças.

Alegações das parlamentares

As vereadoras responsáveis pela denúncia alegam que a conduta dos músicos representa uma “evidente afronta aos direitos fundamentais da criança e do adolescente”, citando que tais garantias estão previstas na Constituição Federal. Segundo elas, o conteúdo da música configura, em tese, crime descrito no artigo 234 do Código Penal, que trata da execução pública de material obsceno.

No documento encaminhado ao MP-SP, as parlamentares destacam que a gravidade do caso se intensifica devido à presença de menores. “Quando se considera que a performance se deu com a presença de crianças, a gravidade é maior”, diz o texto.

Em declaração à revista Oeste, a vereadora Tatiane Costa afirmou: “Erotização precoce não é arte. A letra cantada diante das crianças falava abertamente sobre sexo oral e uso de termos chulos relacionados ao órgão genital feminino, com plateia infantil à frente do palco. Isso é crime, é atentado contra a dignidade infantojuvenil e precisa ser tratado com seriedade”.

Pronunciamento da defesa

Gabriel Carvalho, advogado que representa as duas vereadoras, também se manifestou. Segundo ele, o episódio configura “uma grave violação dos direitos da infância, protegidos pela Constituição Federal, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e por tratados internacionais”.

Para Carvalho, a exposição precoce de crianças a conteúdos de cunho sexual representa um tipo de abuso. “A exposição precoce à sexualidade imposta por adultos é uma forma de abuso, ainda que disfarçada de espetáculo. É urgente que a sociedade entenda: denunciar esse tipo de conduta não é apenas um direito — é um dever. O silêncio legitima a pedofilia, e a omissão mata a infância. Precisamos denunciar”, afirmou.

Defesa da banda

À revista Oeste, Ingrid Solly, integrante da banda Máfia do Piseiro, afirmou que a apresentação em questão era direcionada ao público adulto. Ela alegou que o vídeo focou nas crianças por um efeito de ângulo de câmera. Segundo Ingrid, os adultos presentes não aparecem nas imagens, mas estavam posicionados atrás das crianças, que aguardavam o momento de realizar uma apresentação separada durante a festa.

Dispositivos legais mencionados

O artigo 234 do Código Penal brasileiro estabelece sanção para quem “faz, importa, exporta, adquire ou tem em depósito, para fins de comércio, distribuição ou exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno”. A pena prevista é de detenção de seis meses a dois anos, ou multa.

Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) assegura, em seu artigo 5º, que “nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

Providências

Até o momento, o Ministério Público não divulgou se instaurou inquérito formal para apurar os fatos, mas confirmou o recebimento da representação encaminhada pelas vereadoras. Caso seja aberta investigação e constatadas irregularidades, os responsáveis poderão ser processados criminalmente, e os organizadores da festa também poderão ser responsabilizados por omissão na curadoria do evento.

Música de ‘Guerreiras do K-Pop’ foi inspirada no pecado, diz artista

Desde o seu lançamento em 20 de junho, o filme de animação Guerreiras do K-Pop, da Netflix, tem alcançado grande notoriedade internacional. A produção ocupa atualmente a primeira colocação no Top 10 da plataforma no Brasil.

Em escala global, o filme está entre os dez mais assistidos em 93 países e é o número 1 em 13 deles, incluindo Coreia do Sul, Austrália, Irlanda e Suécia.

A trama apresenta um grupo de cantoras de K-pop que, além de ídolos musicais, são secretamente caçadoras de demônios. Unidas, elas enfrentam uma ameaça sobrenatural representada por uma boy band rival, os Saja Boys, que são, na realidade, demônios disfarçados. O enredo combina ação, música e elementos espirituais, tendo como pano de fundo o universo do K-pop — termo que designa a música popular sul-coreana.

Uma das responsáveis pelas canções do filme é EJAE, cantora e compositora sul-coreana com trajetória ligada ao cenário do K-pop. Em entrevista publicada pela revista Forbes, EJAE compartilhou detalhes sobre a música Your Idol, interpretada no longa pelos Saja Boys. Segundo ela, a composição explora a obsessão dos fãs por ídolos musicais — uma obsessão que, no contexto da história, é utilizada pelos vilões para exercer controle espiritual.

EJAE declarou: “Your Idol é cantada pela boy band demoníaca The Saja Boys e é sobre a obsessão dos fãs, porque eles querem que os fãs fiquem obcecados para controlá-los”. A compositora acrescentou: “Isso parece ser um ídolo. Fui criada como cristã e lembrei que é pecado idolatrar algo. Então, foi como uma variação de ‘Eu serei seu ídolo’. Foi meio assustador”.

A fala de EJAE remete ao mandamento bíblico expresso em Êxodo 20:3-5, que diz: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura […] não as adorarás, nem lhes darás culto”. A idolatria, em suma, consiste em colocar qualquer coisa — seja pessoa, objeto ou desejo — no lugar que pertence somente a Deus.

Inspirada em músicas como MAMA e Obsession, do grupo EXO, Your Idol carrega uma crítica embutida ao culto exagerado a celebridades, prática comum em determinados segmentos da indústria pop. O uso de demônios como metáfora no filme ressalta esse alerta espiritual.

EJAE também colaborou na criação de outras faixas da trilha sonora, como The Huntrix Mantra, How It’s Done e Golden. Segundo ela, o processo criativo incluiu o recebimento de descrições das cenas por parte dos diretores, a partir das quais compôs as letras em parceria com Mark Sonnenblick. As faixas instrumentais foram desenvolvidas por THEBLACKLABEL, estúdio musical conhecido por sua atuação na indústria do K-pop.

A produção das músicas foi intensa, EJAE relatou: “Havia tantas versões de todas as músicas. Tínhamos músicas diferentes que eles descartaram ou guardaram. Acho que, para uma das músicas, não estou brincando. Fiz cerca de 57 demos”.

A trilha sonora tem sido bem recebida pelo público, especialmente nos Estados Unidos. No domingo, 19 de julho, ela alcançou a segunda colocação na parada Billboard 200. A listagem completa, com os dados finais, será divulgada nesta terça-feira.

O filme, apesar do tom juvenil, recebeu a classificação “PG” do Common Sense Media, que alertou para “cenas potencialmente perturbadoras”. De acordo com o portal, há momentos em que “demônios sugam as almas das pessoas e as fazem desaparecer”, além de cenas com “um rei demônio que envia hordas de lacaios sombrios para eliminar inimigos e dominar o mundo”. Essas características levantam debates entre pais cristãos sobre a adequação do conteúdo. No Brasil, é recomendado para crianças acima de 10 anos.

Ainda assim, Guerreiras do K-Pop foi amplamente aprovado pelo público e pela crítica. No Rotten Tomatoes, que compila críticas cinematográficas, o filme obteve 96% de aprovação no “Tomatômetro”, com base em 46 avaliações de críticos. Entre os espectadores, o índice foi de 91%, com mais de 2.500 comentários positivos registrados até a segunda-feira, de acordo com o The Christian Post.

O sucesso da animação, aliado à reflexão trazida pela compositora EJAE sobre os riscos da idolatria, abre espaço para um debate maior sobre os valores transmitidos por produtos da cultura pop. Em sua declaração, ela relembra a importância de manter os princípios cristãos, inclusive quando envolvidos na criação artística: “Fui criada como cristã e lembrei que é pecado idolatrar algo”.

Vídeo: Yago Martins diz que se arrepende de polêmicas

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O pastor, teólogo e escritor Yago Martins, conhecido pelo canal Dois Dedos de Teologia, participou recentemente do PodCrê, onde compartilhou detalhes sobre o início de sua atuação na internet e comentou temas sensíveis relacionados à fé cristã e à vida ministerial.

Durante a entrevista ao podcast, Yago relatou como se preparou para escrever o livro A Máfia dos Mendigos: Como a Caridade Aumenta a Miséria, publicado em 2020. Para embasar a obra, ele decidiu viver temporariamente nas ruas com pessoas em situação de vulnerabilidade, buscando compreender de perto a realidade enfrentada por esse grupo.

Segundo ele, a vivência foi essencial para relatar os fatos com fidelidade: “Fiz questão de estar lá para poder escrever com consciência do que estava dizendo”.

Yago também abordou as críticas e controvérsias que marcaram sua trajetória. Reconheceu ter se arrependido de algumas atitudes do passado, sem entrar em detalhes, mas ressaltou que mantém convicções firmes em certos pontos. Uma de suas declarações mais enfáticas foi contra a prática de pastores e pregadores que exigem cachê financeiro para ministrar.

Ao longo da conversa, o teólogo comentou ainda sobre outros assuntos recorrentes em sua abordagem pública, como a pornografia, o movimento que chamou de “teologia coach” — que associa fé a promessas de sucesso e prosperidade pessoal — e a importância de cuidados com a saúde e o corpo, especialmente no contexto da vida cristã.

A entrevista repercutiu nas redes sociais e gerou novos debates entre seguidores e críticos do autor, que é membro da Igreja Batista Maanaim em Fortaleza (CE).

Nikolas Ferreira apresenta pedido de impeachment contra Lula

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou, na terça-feira, 15 de julho, um pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegando que o chefe do Executivo cometeu crimes de responsabilidade. O documento foi entregue à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados e conta com a assinatura de outros 72 parlamentares.

De acordo com o pedido, as ações de Lula na condução da política externa violariam o Artigo 85 da Constituição Federal, que define os crimes de responsabilidade do presidente da República, e também dispositivos da Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950. Os signatários alegam que a postura do presidente compromete a dignidade nacional e expõe o Brasil a riscos diplomáticos e estratégicos.

Entre os pontos destacados na peça, estão:

  • Aproximação com regimes autoritários, como o Irã, citando a autorização para atracação de navios de guerra iranianos em território brasileiro;

  • Recusa do governo brasileiro em reconhecer o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organização terrorista, apesar de solicitações formais dos Estados Unidos;

  • Defesa da desdolarização no comércio internacional, promovida no âmbito do BRICS, o que é interpretado como um ataque ao dólar norte-americano;

  • Declarações públicas consideradas ofensivas a líderes internacionais, especialmente ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo o texto, agravaram tensões diplomáticas com Washington.

O pedido sustenta que tais condutas se enquadram como atentado à probidade na administração (Art. 85, inciso VI, da Constituição) e como violação aos artigos 5º, item 6, e 9º, item 7, da Lei 1.079/1950, por serem incompatíveis com a dignidade, a honra e o decoro do cargo.

Em declaração publicada na rede social X, Nikolas afirmou: “Lula, infelizmente, transformou isso em um palco ideológico que prejudicou os interesses do povo brasileiro. O Brasil não pode ser conduzido com base em interesses ideológicos ou revanchismos pessoais. A política externa deve servir aos brasileiros, e não à conveniência de regimes autoritários ou agendas antiocidentais”.

O deputado ainda comparou a atual política externa com a de governos anteriores: “A diplomacia brasileira, nos Governos Bolsonaro e Temer, foram referência em equilíbrio e responsabilidade”.

Conforme o regimento da Câmara, cabe ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidir se o pedido será arquivado ou encaminhado para análise de admissibilidade. Até o momento, não há previsão de prazo para essa decisão.

Segundo levantamento da Câmara dos Deputados, mais de 30 pedidos de impeachment contra o presidente Lula foram protocolados desde o início de seu atual mandato, em janeiro de 2023. Nenhum deles avançou até a fase de deliberação em plenário.

A diplomacia brasileira, nos Governos Bolsonaro e Temer, foram referência em equilíbrio e responsabilidade. Lula, infelizmente, transformou isso em um palco ideológico que prejudicou os interesses do povo brasileiro.

O Brasil não pode ser governado por quem pratica perseguição…

— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) July 15, 2025