Para médico, guerra contra a família vem de “forças sobrenaturais”

Em entrevista ao programa “The Allen Jackson Podcast” na semana anterior, o ex-secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos, Dr. Ben Carson, reconhecido mundialmente por sua atuação, também, como médico cirurgião, afirmou que “forças sobrenaturais” estariam influenciando os conflitos políticos e culturais no país.

Carson, renomado neurocirurgião aposentado e autor do livro “The Perilous Fight: Overcoming Our Culture’s War on the American Family” (2024), declarou:

“Acredito que há forças em ação, forças do bem e forças do mal”, disse Carson, ao citar como exemplo prático o seguinte:

“Temos coisas completamente ilógicas ocorrendo, como algumas forças tentando doutrinar nossas crianças e eliminar seu patriotismo; confundir menores impressionáveis sobre gênero, sobre se há diferença entre homens e mulheres, ou permitir que homens participem de esportes femininos e frequentem seus vestiários.”

O ex-membro do governo Trump (2017–2021) vinculou tais fenômenos a um enfraquecimento das estruturas sociais:

“Isso se soma à guerra cultural contra a família nuclear tradicional, ridicularizada, e à desvalorização do matrimônio. As pessoas não se casam, casam-se tarde, não têm filhos — todos alicerces de uma sociedade forte. Vemos as consequências disso.”

Questionado pelo apresentador Allen Jackson — pastor sênior da World Outreach Church — sobre a reversibilidade dessas tendências, o médico expressou ceticismo, baseando-se em previsões bíblicas:

“A Bíblia diz que nos últimos tempos a humanidade se corromperá antes do retorno de Cristo. Mas isso não significa que não devamos lutar contra isso, ou fazer tudo para levar pessoas à luz e salvar o máximo possível.”

O médico referiu-se, por fim, à passagem de 2 Pedro 3 e à história de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Daniel 3), destacando:

“Eles disseram ao rei: ‘Nosso Deus pode nos salvar, mas mesmo que não o faça, não o serviremos.’ Isso mostra sua fé: mesmo não sendo salvos, confiavam no que era melhor. Precisaremos dessa fé, pois os últimos dias serão difíceis.”

Esta não é a primeira vez que Carson aborda o tema. Em 2024, em entrevista ao The Christian Post, já alertara:

“Nossa força está na família. Podemos ser destruídos internamente, e é isso que ocorre.” Com informações: The Christian Post.

‘Não Existe Cristã Feminista’: historiadora explica os motivos

Após ter ficado nacionalmente conhecida por ter enfrentado a ideologia feminista durante o seu curso de mestrado, Ana Campagnolo, hoje deputada estadual por Santa Catarina, seguiu atuando não apenas no meio político, mas também no acadêmico, lançando agora mais uma publicação a respeito do tema.

O novo livro de Campagnolo, chamado “Não Existe Cristã Feminista”, surge como mais um reforço de fontes confiáveis que demonstram claramente a incompatibilidade entre o cristianismo e o feminismo.

A obra complementa, com mais dados e argumentos, o seu primeiro livro de sucesso chamado “Feminismo: Perversão e Subversão”, que causou alvoroço no meio político e acadêmico, sendo até hoje uma referência sobre o tema sob à perspectiva conservadora.

Feminista cristã?

A ideia central do novo livro de Ana Campagnolo é demonstrar que, na prática, é impossível uma mulher cristã, bíblica e, portanto, verdadeira, adotar a ideologia feminista como uma referência moral.

Isto, porque, para a autora, os princípios cristãos que tratam de família contrariam frontalmente o feminismo, sendo a própria ideologia contrária ao que Deus ensina a respeito dos papeis dos homens e das mulheres.

“O feminismo é essa bandeira política da revolta contra tudo o que a Bíblia recomenda — ou melhor, contra tudo o que Deus disse no Éden sobre identidade, sexualidade, propósito, família, casamento e pecado”, diz um trecho do livro “Não Existe Cristã Feminista”, segundo o Guiame.

Citando autores como Phyllis Schlafly, Wayne Grudem e Nancy DeMoss, Campagnolo expõe as distorções do feminismo à luz da teologia cristã, mas também da história, o que faz do seu novo livro mais uma fonte de informações para estudiosos e interessados no assunto em geral.

O livro, por fim, já pode ser encontrado no E-commerce da Editora Vida, Amazon e nas principais livrarias do Brasil.

Muçulmanos invadem retiro de jovens e forçam encerramento

Cerca de 200 muçulmanos invadiram um retiro de jovens cristãos realizado em uma residência na vila de Tangkil, no distrito de Cidahu, província de Java Ocidental, Indonésia. O ataque ocorreu por volta das 13h30, após as orações na mesquita local, e resultou em danos materiais e na expulsão dos participantes.

Testemunhas relataram que os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Destruam aquela casa” e carregavam faixas enquanto avançavam contra a residência. Janelas, banheiros, um mirante, um jardim e um veículo estacionado foram danificados. Uma motocicleta foi jogada em um rio próximo.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram um homem escalando um muro para remover uma cruz de madeira, que em seguida foi usada para quebrar uma janela. Outros vídeos mostram objetos sendo destruídos com cadeiras e ferramentas.

Apesar da presença de policiais e soldados, os agentes só intervieram após os atos de vandalismo, evacuando 36 jovens e três veículos do local para evitar agressões físicas. Um dos vídeos mostra adolescentes assustados tentando entrar rapidamente em um carro enquanto são cercados por gritos da multidão.

Acusações

A residência pertence a Maria Veronica Ninna, que não estava presente no momento do ataque. Segundo autoridades locais, a casa já havia sido utilizada anteriormente para cultos cristãos, o que teria motivado a insatisfação dos moradores. “Não é que sejamos intolerantes, mas se o culto for realizado secretamente, envolvendo forasteiros, sem permissão, em um assentamento 100% muçulmano, ficamos preocupados”, afirmou um morador não identificado.

Na manhã do mesmo dia, às 10h30, autoridades locais — incluindo o chefe da filial de Sukabumi do Conselho Ulama da Indonésia — haviam visitado a casa e conversado com Wedi, irmão da proprietária. Segundo relatos, uma provocação durante esse encontro teria desencadeado a mobilização da multidão contra o retiro de jovens.

O chefe da Agência de Unidade Nacional e Política da Regência de Sukabumi, Tri Romadhono, declarou ao Sukabumiupdate.com que o incidente foi “uma reação espontânea dos moradores ao fato de uma casa estar sendo usada como local de culto sem permissão oficial”.

Culto doméstico

A legislação indonésia exige permissão para construção de igrejas, mas, segundo o ativista Permadi Arya, conhecido como Abu Janda, cultos realizados em residências não requerem autorização. Em publicação de 2023, ele citou o Decreto Conjunto dos Dois Ministros (Capítulo 1, Artigo 3), que estabelece que locais como casas, cafés e lojas podem ser usados para cultos, de forma equivalente às musholla (salas de oração muçulmanas), sem necessidade de alvará.

Ainda assim, o chefe do bairro, identificado como Hendra, alegou que a casa foi usada diversas vezes para cultos com participação de visitantes externos, inclusive com chegada de ônibus. “Os moradores não podem mais tolerar isso, porque este lugar não é um local oficial de culto”, disse Hendra.

O líder da vila, Ijang Sehabudin, declarou que houve tentativas de mediação desde abril. “Recomendamos que não a utilizássemos para cultos religiosos, mas fomos ignorados”, afirmou. Segundo ele, os moradores consideraram que seus “direitos ambientais” estavam sendo violados por atividades religiosas em uma zona residencial.

Acordo e indenização

No sábado, 29 de junho, Ijang informou que os moradores aceitaram pagar pelos danos causados à propriedade. Ele enfatizou que os danos foram causados a uma casa, “não a uma igreja ou local de culto”.

As autoridades distritais publicaram uma nota oficial afirmando que houve acordo para que a igreja não tomasse medidas legais contra os agressores, e que as divergências seriam resolvidas por meio de diálogo. O comunicado também pedia que a casa fosse utilizada exclusivamente como residência. “Acreditamos que incidentes semelhantes não ocorrerão novamente no futuro”, dizia a nota.

Intolerância religiosa

O ativista Permadi Arya criticou a postura das autoridades, afirmando que o caso revela cristofobia e negligência do Estado. “Estudantes cristãos em retiro em Sukabumi foram atacados por moradores, despejados de suas casas e estas foram destruídas pelas massas”, escreveu ele nas redes sociais.

Ele afirmou que o problema não está relacionado à ausência de licenças, mas à intolerância religiosa: “Isso é pura fobia cristã, permitida pelo Estado desde a época do Sr. Jokowi até o presidente Sr. Prabowo”.

Organizações como a Portas Abertas alertam que, na Indonésia, a construção de novas igrejas é dificultada por um decreto ministerial de 2006. Mesmo quando congregações reúnem os requisitos — como obter 90 assinaturas de membros e 60 de famílias vizinhas de outras religiões — muitas vezes enfrentam atrasos e negativas por parte das autoridades locais.

O país, de maioria muçulmana, tem demonstrado um endurecimento religioso em algumas regiões, especialmente em Java Ocidental, onde casos semelhantes de perseguição a cristãos já foram registrados. Igrejas envolvidas em evangelização pública são frequentemente alvo de grupos extremistas.

Contexto legal e social

A Indonésia é o país com a maior população muçulmana do mundo e reconhece oficialmente seis religiões: islamismo, protestantismo, catolicismo, hinduísmo, budismo e confucionismo. A Constituição garante liberdade religiosa, mas essa liberdade é frequentemente contestada por normas administrativas e resistência comunitária local.

Especialistas em liberdade religiosa alertam para o uso indevido do argumento legal como forma de restringir atividades religiosas minoritárias. “O que começa como disputa sobre licenças termina por se tornar um argumento para repressão social e violência”, afirmou à imprensa um analista da ONG Human Rights Watch, que acompanha casos na região.

Segundo informado pelo The Christian Post, embora os líderes locais tenham prometido reparação dos danos e mantido negociações pacíficas com os envolvidos, o caso reacende o debate sobre o direito de culto e a segurança de minorias religiosas na Indonésia.

Menina cristã sequestrada no Paquistão escapa após 2 anos

Uma adolescente cristã do Paquistão afirmou ter sido sequestrada, convertida à força ao islamismo e mantida em cativeiro durante dois anos. O caso foi relatado por Muskan Liaqat, hoje com 15 anos, em entrevista concedida no final de junho.

Muskan disse que foi levada de casa durante a madrugada de 24 de maio de 2023, na cidade de Muridke, distrito de Sheikhupura, província de Punjab. Segundo o depoimento, os responsáveis foram Muhammad Adnan e seu pai, Muhammad Arif, que invadiram a residência armados enquanto sua família dormia.

“Eles me levaram para a casa deles, onde me torturaram e tiraram à força minhas impressões digitais em alguns papéis. Mais tarde, me disseram que eu havia me tornado muçulmana e que Adnan era meu marido”, declarou a jovem.

A adolescente pertence à igreja do Exército da Salvação. Segundo ela, após o sequestro, foi mantida em uma casa, submetida a agressões físicas e abusos sexuais. Muskan afirmou que era chamada com termos depreciativos e sofreu violência com uma barra de ferro.

“Ele me chamava de ‘Chuhri’ [termo pejorativo usado contra cristãos] e outros palavrões. Como resultado de abusos sexuais repetidos, engravidei em 2024”, relatou.

De acordo com seu testemunho, a gravidez foi interrompida no quarto mês devido a um episódio de agressão. Muskan afirmou que o sofrimento a levou a tentar o suicídio. Segundo ela, acreditava que a morte seria a única forma de escapar da situação.

“Eu me perguntava se minha família me aceitaria, mesmo se eu conseguisse fugir. Pensava que acabar com a vida era a única opção”, disse.

Tentativa de resgate

Em 26 de maio de 2024, Muskan conseguiu fazer uma ligação para sua irmã mais velha e informou sua localização. Segundo o relato, após essa comunicação, Adnan e o pai teriam ameaçado matá-la, caso denunciasse o ocorrido.

“Disseram-me para declarar ao tribunal que eu havia me convertido ao islamismo e me casado com Adnan por vontade própria. Cedi à pressão, embora quisesse voltar para meus pais”, afirmou.

Grupos de direitos humanos afirmam que esse tipo de caso é recorrente no Paquistão, especialmente contra meninas cristãs e hindus. Segundo essas organizações, as vítimas são forçadas a conversões religiosas e casamentos, seguidos de pressões para que registrem declarações em favor dos sequestradores.

Documentos de identidade e certidões de nascimento são frequentemente desconsiderados pelos tribunais. Em muitos casos, segundo os relatos, as vítimas acabam sendo reconhecidas legalmente como esposas dos sequestradores.

Após a tentativa da família de acionar a Justiça, Muskan relatou ter sofrido mais agressões. Segundo ela, Adnan usou uma barra de ferro para agredi-la, fraturando seu braço esquerdo.

A fuga ocorreu em 3 de junho, quando Muskan foi deixada sozinha em casa. Ela conseguiu escapar e entrar em contato com sua família. “Sou verdadeiramente grata a Deus por me resgatar e à minha família por confiar em mim”, disse ela.

Apoio jurídico e acolhimento

Com receio de que Adnan tentasse retomar a custódia da adolescente com base no casamento forçado, o pai de Muskan, Liaqat Masih, procurou a organização Christians’ True Spirit (CTS), que atua com apoio jurídico e abrigamento de mulheres cristãs.

A diretora executiva da CTS, Katherine Sapna, afirmou que os pais de Muskan tentaram registrar um boletim de ocorrência no momento do desaparecimento, em 2023. A solicitação não foi aceita pela delegacia local. “A família foi obrigada a buscar a filha por conta própria, sem sucesso”, disse Sapna.

Após o telefonema da jovem em 2024, a CTS entrou com um pedido de habeas corpus para recuperar a menor. A Justiça determinou que a polícia local apresentasse Muskan em tribunal. Durante a audiência, a adolescente declarou em favor dos acusados, o que a organização atribuiu a coerção. “Ficamos decepcionados com o depoimento, mas entendemos que ela foi forçada”, afirmou Sapna.

Depois da fuga em junho de 2025, a CTS transferiu Muskan para uma casa segura. Segundo a organização, ela apresenta sinais de trauma físico e psicológico: “Ela passou por situações extremas durante dois anos. Acreditamos que sua recuperação levará tempo, mas estamos confiantes de que será restaurada”, disse a diretora.

Processo criminal e contexto

A equipe jurídica da CTS deu início a um processo criminal contra Muhammad Adnan e seus cúmplices. A organização declarou que buscará responsabilização legal pelas acusações de sequestro, violência sexual e conversão forçada. “Não mediremos esforços para garantir que os envolvidos sejam processados e punidos”, declarou Sapna, conforme noticiado pelo Evangelical Focus.

Segundo informações da CTS, o pai de Muskan adoeceu após o sequestro e deixou de trabalhar como pedreiro. A família enfrenta dificuldades financeiras e está recebendo apoio jurídico, médico e psicológico.

O Paquistão tem cerca de 96% da população muçulmana. De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2025, publicada pela organização Portas Abertas, o país ocupa o 8º lugar entre os locais com maior hostilidade contra cristãos.

Relatórios de organizações internacionais apontam que casos de conversão forçada e casamentos de meninas cristãs com adultos muçulmanos ocorrem em diferentes regiões do país, especialmente na província de Punjab.

Japão: ex-lutador brasileiro alcança moradores de rua para Jesus

O ex-lutador de boxe e evangelista brasileiro Marcos Sogabe batizou sete pessoas — seis japoneses e um estrangeiro — nas ruas de Nagoya no último sábado (28), declarando um “avivamento em curso” no país.

O ritual, realizado pela igreja itinerante “Gym Church” (fundada por Sogabe), ocorreu após cultos voltados para moradores de rua em academias locais.

Diante dos convertidos, Sogabe questionou: “Você acredita em Jesus Cristo como Senhor e Salvador?”. Após a resposta afirmativa coletiva, prosseguiu com o batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Este foi o primeiro batismo oficial do projeto, que em um ano já realizou evangelização em larga escala. “Ganhamos muitas vidas para Jesus”, afirmou o brasileiro, agradecendo aos voluntários e intercessores.

Histórico de transformação

Sogabe, ex-atleta profissional no Japão, redirecionou sua carreira após converter-se ao cristianismo. Atua desde 2022 na “Missão Apoio – Bom Samaritano”, distribuindo alimentos e apoio espiritual em Nagoya, e fundou a “Gym Church” para alcançar populações vulneráveis.

Entre os batizados, destacou-se um idoso japonês em recuperação de internação hospitalar. Encontrado pela equipe na rua na quarta-feira (26), ele insistiu em participar do batismo no sábado. “

Seu esforço para permanecer de pé era enorme. Enquanto chorávamos, ele sorria”, relatou Sogabe, que realizou o batismo por aspersão (derramamento de água) devido à fragilidade física do homem. Os demais foram imersos em um lago.

Dois candidatos foram recusados por demonstrarem sincretismo religioso: “Eles criam em Jesus, mas também em outros deuses. Explicamos que ainda não era o momento”, detalhou o evangelista.

Desafios

O Japão possui a segunda menor população cristã do mundo (1% entre 125,8 milhões de habitantes), conforme dados de 2025. O australiano Ben Fitzgerald, que atua no país, atribui a estatística à escassez histórica de pregação: “Os japoneses são abertos se abordados. O problema não é a nação, mas a falta do Evangelho”.

O cantor nipo-brasileiro Yudi Tamashiro, que evangeliza no país, explicou as barreiras culturais: “

Quando dizemos ‘Jesus te ama’, muitos perguntam ‘Quem é Jesus?’. Precisamos explicar desde o básico, agir com atitudes e respeitar uma cultura milenar”. Ele vinculou a alta taxa de suicídios japoneses à carência afetiva: “Só Jesus preenche essa necessidade de amar e ser amado”.

Perspectivas de Mudança

O pastor brasileiro Davi Gonçalves (fundador da “NPO Bridge” e parceiro de Sogabe) rejeita o estereótipo de “coração duro”: “É uma questão de cultura milenar, não de resistência”. Tamashiro, que recentemente liderou intercessões na Floresta Aokigahara (notória por suicídios), profetiza: “Veremos um Japão diferente em alguns anos”.

Os batismos de junho simbolizam um passo nessa direção, reforçando a estratégia de evangelização contextualizada que Sogabe e parceiros promovem nas ruas do arquipélago.

Magno Malta diz que ministra do STF deve sofrer impeachment

O senador Magno Malta (PL-ES) anunciou durante manifestação na Avenida Paulista que protocolará pedido de impeachment contra a ministra do STF Cármen Lúcia.

A decisão do parlamentar evangélico ocorre em resposta à declaração da magistrada, que durante julgamento do Marco Civil da Internet, na quinta-feira (26), referiu-se à população brasileira como “213 milhões de pequenos tiranos soberanos”.

A declaração

A polêmica surgiu no plenário do Supremo durante análise da responsabilidade de plataformas digitais por conteúdo de usuários. Cármen Lúcia argumentou pela necessidade de equilíbrio entre liberdade de expressão e regulação:

“Censura é proibida constitucionalmente […] mas não se pode permitir que estejamos numa ágora em que haja 213 milhões de pequenos tiranos soberanos”.

A ministra defendeu que as regras devem garantir “pelo menos um pingo de sossego” na convivência digital, sem detalhar critérios para responsabilização prévia das plataformas.

Reações políticas

Na manifestação de domingo (29), organizada por grupos conservadores, Malta classificou o Brasil como “regime absolutamente ditatorial” e afirmou:

“Nós temos que vir à rua pela ofensa da senhora Cármen Lúcia. Ela disse que nós somos 213 milhões de perversos. Inclui sua família, inclui todo mundo”. A vereadora paulistana Zoe Martínez (PL-SP) uniu-se às críticas:

“Os tiranos aqui são eles [ministros do STF]. Estamos pedindo justiça e liberdade para dizer verdades que precisam ser ditas”.

Desdobramentos

O senador informou que sua assessoria prepara o pedido de impeachment, reconhecendo a dificuldade jurídica, pois “todas as decisões acabam no STF”.

Especialistas em direito constitucional apontam que a declaração da ministra, ainda que polêmica, configura opinião técnica no exercício da função, não caracterizando crime de responsabilidade.

O protesto na Paulista reuniu cerca de 1,5 mil pessoas segundo a Polícia Militar, com faixas contra o que chamaram de “judicialização da política”. Até o momento, o STF não se manifestou sobre as declarações dos parlamentares.

Aiatolá emite ordem religiosa para matar Trump e Netanyahu

O aiatolá Naser Makarem Shirazi, uma das figuras mais influentes do clero xiita, emitiu um parecer religioso que classifica como “inimigo de Alá” qualquer pessoa ou regime que ameace a vida do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. A declaração foi feita em resposta a uma consulta formal, segundo noticiou a agência estatal Mehr no final de junho.

“Qualquer pessoa ou regime que ameace o Líder ou Marja (que Alá nos livre) é considerado inimigo de Alá”, afirmou Shirazi, em referência tanto a Khamenei quanto aos altos clérigos da hierarquia xiita. A declaração foi enquadrada como uma Fatwa, isto é, um decreto religioso baseado na interpretação da Sharia (lei islâmica), com potencial de forte influência sobre decisões judiciais no país.

A questão foi levantada com base em alegadas ameaças feitas por autoridades estrangeiras, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A Fatwa também se estende a líderes religiosos dissidentes da escola Shirazi, considerada crítica ao regime iraniano.

Implicações políticas

Shirazi afirmou que é considerado haram – termo árabe que designa algo proibido pelo Islã – que muçulmanos ou governos islâmicos ofereçam qualquer tipo de apoio a pessoas ou grupos que atentem contra a vida de Khamenei. “É necessário que todos os muçulmanos ao redor do mundo façam com que esses inimigos se arrependam de suas palavras e erros”, diz o decreto.

A Fatwa, embora não tenha força legal autônoma, pode impactar decisões judiciais e ações estatais em países que adotam a lei islâmica em seu sistema jurídico. No Irã, esses pareceres emitidos por grandes autoridades religiosas são considerados vinculantes no plano moral e, em alguns casos, político.

Caso Salman Rushdie

Khosro K. Isfahani, analista sênior da União Nacional para a Democracia no Irã, comentou o caso na plataforma X, comparando a nova Fatwa à sentença de morte emitida em 1989 contra o escritor britânico Salman Rushdie pelo livro Os Versos Satânicos.

“Um segundo grande aiatolá … acabou de emitir um assassinato Fatwa contra POTUS Trump”, escreveu Isfahani em 29 de junho. Ele destacou que o decreto foi assinado e selado após uma consulta formal (Estefta), e enfatizou que, “ao contrário da inexistente Fatwa sobre armas nucleares, esta é real”.

Segundo a mesma entidade, o regime iraniano estaria disposto a usar essa retórica religiosa como instrumento de repressão e desestabilização. “O regime perseguirá o terror, o caos e os assassinatos enquanto estiver no poder. O único caminho para a paz e a estabilidade é ajudar os iranianos a recuperar seu país”, afirmou a União em nota oficial.

Instabilidade interna

A emissão da Fatwa ocorre em meio a um cenário político delicado no Irã. Entre meados e o fim de junho, o país enfrentou uma escalada de tensões após 12 dias de confrontos armados e protestos internos. O episódio agravou a crise de legitimidade do governo iraniano, segundo avaliação do pesquisador Hamidreza Azizi, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança.

“Foi um momento altamente precário para a República Islâmica”, disse Azizi em entrevista à revista Newsweek, publicada em 25 de junho. O pesquisador avaliou que o regime pode adotar medidas repressivas contra opositores tanto dentro como fora do país, numa tentativa de evitar o enfraquecimento do aiatolá Ali Khamenei e de seu círculo de poder.

Embora ainda não haja indícios concretos sobre como o líder supremo responderá diretamente à Fatwa emitida, a retórica adotada por Makarem Shirazi indica uma disposição por parte do clero alinhado ao regime de endurecer o discurso contra ameaças externas e dissidências internas. A medida também serve como instrumento simbólico de reafirmação da autoridade religiosa sobre a condução do Estado.

Considerações finais

A Fatwa de Shirazi, por seu conteúdo e contexto, amplia as tensões diplomáticas entre o Irã e países ocidentais, especialmente os Estados Unidos e seu aliado no Oriente Médio, Israel. O teor do decreto remete a episódios anteriores da história iraniana em que decretos religiosos tiveram consequências graves, inclusive atentados contra opositores e alvos externos.

Até o momento, não houve manifestação oficial por parte do governo dos Estados Unidos ou de Israel sobre a Fatwa. A situação segue sendo acompanhada por entidades internacionais e observadores especializados em segurança no Oriente Médio.

Mulheres devem ter uma espiritualidade “longe dos holofotes”

A pastora e escritora Viviane Martinello, esposa do pastor Telmo Martinello, acaba de lançar “Mulheres do Secreto” pela Editora Vida, defendendo uma espiritualidade construída “longe dos holofotes” como antídoto ao que chama de “cristianismo de palco”.

Com 20 anos de ministério dedicados ao público feminino cristão – incluindo a fundação do Ministério Viva Vida em 2005 e oito livros publicados, somando mais de 200 mil exemplares vendidos – Martinello propõe um modelo de fé centrado na intimidade com Deus.

A obra, disponível desde 26 de junho, oferece estratégias práticas para integrar a vida devocional à rotina diária, ensinando que a relação com Deus é algo primeiramente privado, sendo portanto um exercício de vida.

“Não é em público que construímos relacionamento íntimo com Deus, mas no secreto”, afirma a autora na página 27, argumentando que ações ministeriais públicas devem ser “transbordamento” de uma vivência privada autêntica.

Entre as sugestões, destaca-se o aproveitamento de momentos cotidianos como esperas em filas ou tarefas domésticas para práticas espirituais, além da transformação de espaços domésticos em “altares de adoração”.

Martinello aborda desafios concretos como conflitos conjugais, educação de filhos e esgotamento profissional, vinculando-os à necessidade de um “alicerce espiritual interno”.

A autora, também conhecida por best-sellers como “Desperta, Meu Coração” (2018) e sua atuação como conferencista e apresentadora do programa “Viva Vida”, critica a busca por validação em redes sociais: “O secreto não se avalia por curtidas, mas pelo caráter de Cristo exalado naturalmente no cotidiano”.

O lançamento de Viviane Martinello ocorre em um contexto de crescimento de 17% nas vendas de livros sobre práticas devocionais desde 2023, segundo a Associação de Editores Cristãos (Asec). Com tiragem inicial de 15 mil exemplares, a obra chega às principais livrarias do país em meio a discussões sobre superficialidade religiosa na era digital.

Vissarion, o “Jesus da Sibéria”, é condenado a 12 anos de prisão

Sergei Torop, conhecido como Vissarion ou “Jesus da Sibéria”, foi sentenciado a 12 anos em colônia penal de regime rigoroso pelo Tribunal de Novosibirsk, na Rússia, na última segunda-feira.

O ex-policial, que se declarava a reencarnação de Jesus Cristo, fundou a “Igreja do Último Testamento” nos anos 1990, reunindo milhares de seguidores em um assentamento remoto da Sibéria denominado “Cidade do Sol”.

Dois colaboradores diretos também foram condenados: Vladimir Vedernikov (12 anos) e Vadim Redkin (11 anos). O tribunal ordenou ainda o pagamento de 40 milhões de rublos (R$ 2,78 milhões) em indenizações por danos morais a 23 vítimas identificadas.

Contexto da comunidade

Após o colapso da União Soviética, Torop estabeleceu a comunidade com regras rigorosas: proibição de carne, álcool, tabaco e uso de dinheiro.

Os fiéis viviam sob um sistema que, segundo o Ministério do Interior russo, evoluíra para “estrutura coercitiva”. Investigadores relataram que críticas ao líder eram tratadas como “traição espiritual”, criando ambiente de medo e vigilância constante.

Acusações fundamentais

A sentença baseou-se em evidências de:

  1. Coação psicológica: Controle mediante isolamento, restrição de contato familiar e supressão de pensamento crítico;

  2. Dano à saúde: Degradação física e mental de membros, incluindo crianças;

  3. Fraude financeira: Vedernikov foi especificamente acusado de desvio de recursos.

A operação que prendeu Torop em setembro de 2020 envolveu agentes do FSB (serviço de segurança russo) e helicópteros, devido ao difícil acesso ao complexo.

Defesa e repercussão

Em declaração à BBC em 2022, Vissarion negou as acusações: “Minha missão é puramente espiritual, sem objetivos comerciais ou abusivos”.

O caso reacende debates sobre a regulação de movimentos religiosos na Rússia, onde o governo tem intensificado a fiscalização sobre seitas desde 2017.

Ex-membros relataram à corte práticas como a proibição de “palavras negativas” e a exigência de obediência absoluta. A sentença estabelece precedente para processos similares contra outras comunidades fechadas no país. Com: G1

Escola: pais que não permitem conteúdo LGBT têm vitória judicial

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, a favor de pais religiosos do Condado de Montgomery, Maryland, que contestavam a política escolar de não permitir a exclusão de crianças de aulas que utilizam livros infantis com personagens LGBT.

A decisão, publicada na sexta-feira, reverteu acórdão do Tribunal de Apelações do 4º Circuito. O caso teve origem em 2022, quando o conselho escolar local aprovou a inclusão de obras como “Uncle Bobby’s Wedding” e “The Rainbow Flag” no currículo de língua inglesa para “refletir a diversidade familiar da comunidade”.

Em 2023, o distrito eliminou a opção de dispensa após aumento de solicitações, citando “dificuldades logísticas” e preocupação com “estigma social”.

Fundamentos da decisão

O juiz Samuel Alito, autor da opinião majoritária, afirmou: “Um governo sobrecarrega o exercício religioso dos pais ao exigir que submetam seus filhos a instruções que minam crenças que desejam incutir”. A decisão considerou que a política escolar violava a Cláusula de Livre Exercício da Primeira Emenda.

Os demandantes – incluindo Tamer Mahmoud, Enas Barakat, Chris e Melissa Persak, e Jeff e Svitlana Roman, representando comunidades muçulmana, católica e ortodoxa ucraniana – argumentaram que os livros “promovem visão unilateral sobre gênero” sem notificação prévia.

Através do Becket Fund for Religious Liberty, alegaram direito de “proteger a inocência dos filhos e direcionar sua educação religiosa”.

Dissensos e preocupações

Os três juízes liberais (Sotomayor, Kagan e Jackson) dissentiron. Durante audiência em abril, expressaram receio de que a decisão abrisse precedente para objeções religiosas a outros temas curriculares, como evolução ou direitos civis.

A juíza Kagan questionou: “Onde traçaríamos o limite?”.

O conselho escolar sustentou, em memorando, que “exposição a visões diversas não configura violação constitucional”. A Freedom From Religion Foundation apoiou a posição, argumentando que pais não têm direito a “garantir que todos os materiais educacionais seculares concordem com suas crenças pessoais”.

Desdobramentos

Esta é a terceira decisão favorável a direitos religiosos em casos envolvendo comunidade LGBT desde 2023, quando a Corte permitiu que empresas se recusassem a serviços para casamentos homoafetivos com base na Primeira Emenda.

O distrito escolar manteve a permissão de exclusão em aulas de educação sexual. A decisão não afeta o conteúdo curricular, mas obriga o distrito a oferecer alternativa educacional aos objetores.

Em caso relacionado, em 22 de maio, a Corte manteve bloqueio à primeira escola religiosa financiada com verbas públicas em Oklahoma, resultando em empate 4-4. Com: Guime