Cristãos feridos nas igrejas estão sendo ignorados, alerta Vujicic

Vujicic, 42 anos, nasceu com síndrome de tetra-amelia (ausência de membros). Superou depressão e tentativa de suicídio na adolescência após conversão a Jesus Cristo aos 15 anos. Após isso, ele fundou o “Life Without Limbs” (2005) e o “NickV Ministries” (2012), tornando-se referência global em resiliência e fé.

Seguindo a proposta do seu ministério, Vujicic fez uma série de alertas sobre a necessidade das igrejas terem maior atenção para os cristãos salvos, mas que estão profundamente feridos e, por isso, precisando urgentemente de acompanhamento.

O evangelista exemplificou, destacando que “uma em cada cinco pessoas que frequentam igrejas semanalmente é viciada em pornografia”, relacionando-a ao tráfico humano: “Ele começa com a pornografia”. Pesquisas do Barna Group (2024) corroboram que 58% dos pastores nos EUA consideram o tema um “desafio não abordado”.

Vujicic apontou falhas estruturais: “Priorizamos crescimento numérico, não discipulado. Colocamos pessoas abusadas em pequenos grupos onde não falam de seus traumas. Assim, 10% dos cristãos com vícios sequer sabem que suas igrejas oferecem ajuda”.

Soluções propostas:

Seu ministério desenvolveu recursos para “cura de corações partidos”, defendendo:

  • Substituição de métricas quantitativas por mentoria individual;

  • Criação de espaços seguros para vulnerabilidades;

  • Retorno ao modelo bíblico de acompanhamento contínuo.

“Temos alguns recursos para aqueles que estão sentados nos bancos da igreja de coração partido. Um verdadeiro arrependimento e relacionamento com Jesus Cristo só pode ser baseado em um verdadeiro discipulado, o que, na maioria das vezes, não temos nas igrejas”, disse ele.

Para Vujicic, não há dúvida de que a Igreja precisa investir pesado nos relacionamentos, tendo como foco a singularidade dos indivíduos, considerando que os problemas são diversos, bem como os diferentes contextos de vida.

“Temos cristãos que são salvos, sangrando a caminho dos túmulos. Por isso, queremos curar os corações partidos e equipar a Igreja a voltar à prática do discipulado”, disse ele em uma entrevista recente, segundo a CBN News.

Impacto:

Após a entrevista, organizações como Pure Hope reportaram aumento de 30% na busca por recursos anti-vício. No Brasil, 41% das igrejas ainda não possuem programas de recuperação, segundo o Mensageiro da Paz (2025).

Para Vujicic, “discipulado genuíno transforma feridas em testemunhos – como ocorreu comigo”. Ele reforça: “Todos nós temos vícios e momentos de altos e baixos. Há pessoas que sofrem bullying na escola todos os dias, que tal acompanhá-los? Precisamos sonhar os sonhos que Jesus sonha para a Igreja, que é a unidade”.

Profecia traduzida em libras mostra a importância de incluir surdos

Um momento de interpretação em Libras durante o evento “Avante, Déboras” na Igreja Apostólica Nova Vida, tornou-se símbolo de inclusão religiosa dos surdos. A intérprete Josefiny Guarnieri traduziu uma profecia para Jéssica Xavier, deficiente auditiva, em gesto que viralizou com 500 mil visualizações.

A ação reflete um movimento crescente, mas ainda insuficiente, de acessibilidade para 5,3 milhões de surdos brasileiros (IBGE, 2022).

Evangelismo para surdos

A comunidade surda global é classificada como “povo não alcançado” por organizações missionárias. Dados da Deaf Bible Society (2024) indicam que:

  • Menos de 2% dos 70 milhões de surdos profundos no mundo têm exposição ao evangelho;

  • Apenas 5% das línguas de sinais globais possuem traduções bíblicas completas;

  • Barreiras incluem analfabetismo bíblico (95% não leem textos sagrados) e escassez de intérpretes qualificados.

Ron Morin, diretor da DOOR International, explica: “Surdos formam a única minoria linguística que não herda sua fé dos pais. Sem acesso à mensagem em sua língua materna, permanecem espiritualmente isolados”.

Iniciativas transformadoras

O evento em São Bernardo ilustra impactos práticos da inclusão:

  1. Formação de lideranças: Projetos como “Surdos por Surdos” capacitam evangelistas nativos;

  2. Traduções estratégicas: A Bíblia em Libras já possui 72% do Novo Testamento concluído;

  3. Tecnologia: Apps como Glide Sign conectam missionários a comunidades remotas via vídeo.

Contexto brasileiro

Embora a Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) exija acessibilidade, apenas 15% das igrejas evangélicas oferecem recursos em Libras. O caso da Igreja Nova Vida – que anunciou intérpretes fixos após o evento – mostra avanços pontuais.

Como declarou Jéssica Xavier: “Quando a mensagem chega em nossa língua, rompemos 30 anos de solidão espiritual em 30 segundos”.

Organizações como a Junta de Missões Nacionais estimam que cada intérprete treinado pode impactar 200 deficientes auditivos anualmente. Para teólogos como Ed Stetzer (Wheaton College), “incluir surdos não é adaptação – é reconhecer que o Reino de Deus fala todas as línguas da humanidade”.

Milagres nos dias de hoje? Criança com paralisia caminha no altar

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Durante culto no Centro de Reavivamento Casa de Dios para las Naciones, uma criança de 1 ano e 2 meses diagnosticada com paralisia nas pernas apresentou movimentos inesperados após intervenção do pastor Juan Carlos Harrigan. O vídeo, gravado em 13 de março, ultrapassou 240 mil visualizações em 48 horas e levantou debate sobre a existência de milagres nos dias atuais.

Sequência dos fatos:

  1. Relato paterno: O responsável declarou: “Médicos disseram que ela não andaria devido a uma condição na tireoide”.

  2. Intervenção: Harrigan proferiu: “Em nome de Jesus, estabilize suas pernas”.

  3. Reação: Gravações mostram a criança caminhando com apoio no altar, enquanto o pai exclamava: “Cristo vive e cura!”.

“A Ele a glória e a honra! Cristo vive e cura. Ele é o Todo-Poderoso, o inimigo deve ser silenciado, o inimigo diz ‘Não pode ser feito’. Mas ao Rei seja toda a glória e louvor pelos séculos dos séculos”, completou o pai, visivelmente emocionado no altar da igreja.

Segundo a teologia cristã, milagres são intervenções divinas que suspendem leis naturais, atribuídas à ação direta de Deus. O teólogo Wayne Grudem define em Teologia Sistemática (1994):

“Eventos observáveis onde Deus atua de forma incomum para revelar seu poder e compaixão”. Referências bíblicas incluem curas (Atos 3:1-10), ressurreições (João 11:1-44) e fenômenos naturais (Êxodo 14:21-22). Para fiéis, confirmam a soberania divina; para céticos, exigem comprovação empírica.

Contexto 

A igreja de Harrigan, sediada na República Dominicana, realiza eventos itinerantes desde 2015. O pastor afirma ter testemunhado “mais de 700 manifestações extraordinárias” em nove anos.

Para o Dr. Evan Matthews (Universidade de Illinois), “paralisias por disfunção tireoidiana são raras. Remissões espontâneas ocorrem em apenas 12% dos casos infantis nos EUA (Clínica Mayo, 2024), mas exigem documentação prévia e posterior para avaliação”.

Nas redes sociais, a gravação (vídeo acima) com a criança provocou diversas reações, incluindo adoração a Deus diante da possibilidade de milagres nos tempos atuais, mas também ressalvas quanto ao modo como a criança foi levada ao altar (nos braços do pai).

Veja ação de evangelismo em prisão de segurança máxima

Na última semana, mais de 50 detentos foram batizados na Penitenciária Estadual da Louisiana, considerada a maior prisão de segurança máxima dos Estados Unidos. As cerimônias ocorreram entre os dias 27 e 29 de maio e foram promovidas pelo ministério God Behind Bars, que atua em unidades prisionais em parceria com igrejas norte-americanas desde 2009.

A prisão, localizada em Angola, no estado da Louisiana, é conhecida como “Alcatraz do Sul” e também como “A Plantação de Angola”, em referência à sua história ligada ao trabalho forçado de presos em antigas terras de cultivo de escravizados. As ações evangelísticas ocorreram nos pátios e na capela da unidade, com tanques batismais improvisados para a realização das cerimônias.

De acordo com publicação do ministério em seu perfil no Instagram, detentos de diferentes origens e crenças tomaram a decisão de seguir a fé cristã. “O avivamento está acontecendo dentro da Prisão Estadual Angola! Estávamos compartilhando o Evangelho por toda a prisão e os homens estavam vindo a Cristo e sendo batizados no local”, informou a equipe do God Behind Bars no dia 30 de maio.

Segundo o relato da missão, entre os batizados estavam homens sentenciados à pena de morte e outros anteriormente identificados com religiões como o islamismo: “A vida condenou os homens, [mas] desistiram de tudo para seguir Jesus! Deus está se movendo!”, acrescentou a organização.

Trabalho contínuo nos presídios

O God Behind Bars foi fundado em 2009 e, desde então, já alcançou mais de 1 milhão de pessoas com suas atividades evangelísticas. Segundo dados informados pelo próprio ministério, 1.049.346 presos foram impactados até o momento. A iniciativa atua com um modelo de três etapas, voltado às áreas física, espiritual e relacional.

A organização justifica seu trabalho com base em estatísticas do sistema prisional norte-americano: “A maioria dos presos — cerca de 92% — será libertada de volta à sociedade em algum momento, e 75% retornarão à prisão dentro de três anos”, informou o ministério.

A proposta é oferecer suporte integral, com foco em restauração emocional e familiar. “Ao convidar Deus para a prisão e mostrar Seu amor de maneiras tangíveis, God Behind Bars está restaurando vidas, construindo fé, lutando contra vícios, reconectando famílias e dando a milhares de presos esperança para o futuro”, declarou a instituição.

“Não mediremos esforços para garantir que cada detento nos EUA tenha acesso direto e pessoal ao Evangelho. Queremos ajudá-los a desenvolver sua fé, curar traumas e feridas emocionais, quebrar vícios e ciclos, e permitir que cada pessoa atrás das grades assuma seu chamado como filhos e filhas do Altíssimo”, concluiu o ministério.

Nikolas Ferreira lembra que Lula defendeu piada com nordestinos

Pois é… pic.twitter.com/n5FgojtpgC

— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) June 5, 2025

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou em suas redes sociais, na quinta-feira (5) registro audiovisual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendendo humor sem restrições. A postagem teve por objetivo sugerir contradição no caso envolvendo a o humorista Léo Lins, condenado a oito anos de prisão por causa piadas feitas em 2022.

“Nós queremos um mundo multipolar, que tenha 500 pessoas discutindo na mesa, aí sim a gente vai ter o mundo feliz. O cara contando piada de nordestino e eu rindo… Eu contando piada de outras pessoas e as pessoas rindo… Está proibido contar piada, o mundo está chato pra cacete, o mundo está pesado”, disse Lula em abril de 2022.

O petista continuou: “Todas as piadas agora viraram politicamente erradas. Então, não tem mais graça. Se você quer dar risada, tem esse programa de humorismo chato pra cacete na televisão. Parece que depois que o Chico Anysio morreu, desapareceram os humoristas do Brasil.”

Conforme o explicado, a postagem de Nikolas Ferreira ocorreu no contexto da condenação do humorista Léo Lins pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Lins recebeu pena de 8 anos e 3 meses de prisão por violação dos artigos 20 e 21 da Lei 7.716/1989 (Lei de Racismo), referentes a apresentação no show “Perturbador” (2022).

Detalhes da decisão judicial:

  • Multa de R$ 1,4 milhão por danos morais coletivos

  • Indenização de R$ 303,6 mil a entidades representativas

  • Fundamentação: “ultrapassagem dos limites constitucionais da liberdade de expressão”

A defesa do humorista informou que recorrerá da decisão. O caso originou-se em ação movida pelo Ministério Público de São Paulo e entidades civis após denúncias de conteúdo discriminatório.

O debate sobre regulamentação de redes sociais retomou destaque com a tramitação do PL 2.630/2020 (Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet). Dados da Câmara dos Deputados registram 117 propostas sobre liberdade de expressão em análise desde 2023.

A assessoria da Presidência da República não se manifestou sobre a publicação do deputado até o fechamento desta matéria.

'Senti fogo em meu corpo': mulher descreve libertação das drogas

Carly Peek, 32 anos, atribui sua recuperação de 17 anos de dependência das drogas a intervenção religiosa após crise em 2016. Natural do leste londrino, Peek relatou em entrevista que o suicídio de uma tia materna em 1998, quando ela tinha 13 anos, desencadeou o processo.

“Eu estava trabalhando em Londres, no West End, e todo mundo costumava sair para beber. Ao longo dos anos, ficou cada vez pior. Meus amigos pararam e estavam começando famílias, mas eu continuei”, disse ela.

Cronologia dos fatos:

  • 1998: Suicídio da prima materna, descrita por Peek como “segunda mãe”, causa trauma familiar.

  • 2000-2003: Início do consumo de álcool aos 15 anos e posterior uso de maconha e ecstasy durante período escolar.

  • 2003-2016: Progressão do vício durante trabalho no West End londrino, com episódios de descontrole, incluindo caso de desmaio após consumo excessivo de cocaína.

  • 2016: Durante evento religioso aos 32 anos, adesão ao programa “Celebrate Recovery”, baseado em metodologia de 12 passos.

A mudança da jovem teve início quando ela foi a um culto evangélico e ouviu uma pregação.  “O pregador disse: ‘Se queres dar a tua vida a Jesus, levanta a mão.’ Eu fiz, e eu sei agora que era o Espírito Santo, mas eu senti um fogo por todo o meu corpo. Eu estava tipo: Uau, isso é incrível’”.

Peek descreveu o momento decisivo: “Após despertar coberta de hematomas, declarei: ‘Se Deus é real, ajude-me’”. Sobre a recuperação, afirmou: “Nunca mais toquei em álcool ou drogas desde aquele dia”.

O programa adotado por Peek, fundado em 1991 por John Baker da Saddleback Church (Califórnia), combina princípios cristãos com técnicas de reabilitação. Dados do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) indicam que 27% dos dependentes químicos no Reino Unido recorrem a métodos alternativos além do tratamento convencional.

Atualmente, Peek coordena grupos de apoio na igreja Kingsway (norte de Londres). Ela declarou: “Vi mais de 40 pessoas superarem vícios diversos nos últimos três anos. A mudança exige decisão integral do indivíduo”.

Impacto do trauma inicial:

Estudo do Imperial College London (2023) com 1.200 casos associa exposição a suicídio familiar na adolescência a 63% maior risco de desenvolvimento de transtornos por uso de substâncias. A pesquisa ressalta que apenas 44% dos afetados buscam apoio psicológico especializado.

Peek não consta nos registros públicos do NHS como paciente de serviços de reabilitação. Sua trajetória foi documentada em livro autobiográfico lançado em 2022, segundo o Premier Christianity.

Pastor é forçado a cumprir exílio no Irã por 'propagação de igrejas'

Teerã, 7 de junho de 2025 – O pastor Yousef Nadarkhani, líder de comunidade cristã no Irã, teve que cumprir pena de dois anos de exílio interno, mesmo após a libertação da prisão em fevereiro de 2023.

A sentença original, decretada pelo Tribunal Revolucionário de Rasht em 2017, previa dez anos de prisão e exílio sob acusação de “agir contra a segurança nacional por meio da propagação de igrejas domésticas e promoção do cristianismo sionista”.

Cronologia do caso:

  • 2017: Primária condenação a 10 anos de prisão e exílio.

  • 2023: Nova condenação pelo mesmo artigo penal (reduzida após recurso).

  • Fevereiro de 2023: Libertação da prisão com início imediato do exílio em Nik Shahr (província de Sistão-Baluchistão), localizada a aproximadamente 2.000 km de sua residência.

  • Fevereiro de 2025: Término previsto do período de exílio, sem registros de novas intimações ou violações reportadas por grupos de direitos humanos.

O Relatório Anual 2025 da organização Article 18, dedicada à liberdade religiosa no Irã, documentou o caso como exemplo de aplicação de exílio interno contra convertidos do islamismo ao cristianismo. O estudo indica que a medida serve para manter ex-detentos “fora de vista” após libertação.

A Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) mantém Nadarkhani em seu banco de dados de Prisioneiros de Consciência Religiosa.

Em nota de março de 2025, a entidade justificou: “Histórico de reincidência em prisões de líderes religiosos após redução da atenção pública sustenta a classificação”.

Contexto jurídico:

O Código Penal iraniano permite o exílio interno como pena complementar, frequentemente aplicada a casos enquadrados no Artigo 500 (“ameaça à segurança nacional”). Segundo a Article 18, 47 cristãos ex-muçulmanos enfrentaram medidas similares entre 2010 e 2024.

Nenhuma autoridade judiciária iraniana emitiu comunicado sobre o término do exílio de Nadarkhani. Organizações locais monitoram o cumprimento de prazos legais mediante silêncio oficial, padrão observado em casos análogos.

Considerado um dos países mais perigosos para os cristãos, o Irã é alvo de grande preocupação por parte de organizações como a Portas Abertas. A entidade pede para que os seguidores de Jesus se mobilizem em oração pela liberdade religiosa nacional.

Câmeras registram como cristão impactou empresa com oração

Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra a rotina de oração de um homem na chegada ao trabalho, diariamente, e como isso impactou os demais funcionários da empresa.

Embora o vídeo não mostre muitas informações, é possível notar que o momento de oração ocorria na recepção de uma empresa chamada Grupo Peixoto & Gomes. O rapaz, foi gravado por vários dias pelas câmeras de segurança ao longo de janeiro.

A primeira data registrada no vídeo é 15/01, e o gesto se repetiu nos dias seguintes. Embora as orações fossem breves, o gesto foi percebido pelos colegas de serviço, que um dia se juntaram a ele para orar.

O vídeo que circula nas redes sociais mostra que, neste dia, um breve momento de reflexão foi feito pelo rapaz que inspirou todos os funcionários da empresa. “O testemunho edifica e a oração move o céu”, escreveu uma usuária do Instagram. “O exemplo arrasta”, escreveu outra.

Confira o vídeo:

Censo 2022 mostra queda de católicos e crescimento evangélico

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no dia 6 de junho, os dados detalhados sobre religião do Censo Demográfico de 2022. As informações confirmam a continuidade de uma mudança estrutural no perfil religioso da população brasileira: a redução do número de católicos apostólicos romanos e o crescimento constante dos evangélicos.

Segundo os dados, a proporção de católicos caiu de 65,1% em 2010 (105,4 milhões de pessoas) para 56,7% em 2022 (100,2 milhões), o que representa uma diminuição de 8,4 pontos percentuais. No mesmo período, a população evangélica aumentou de 21,6% (35 milhões) para 26,9% (47,4 milhões), um crescimento de 5,3 pontos percentuais.

A proporção de brasileiros sem religião também cresceu, passando de 7,9% em 2010 para 9,3% em 2022. Outras religiões apresentaram variações menores: as religiões de matriz africana (umbanda e candomblé) passaram de 0,3% para 1,0%, enquanto os espíritas registraram leve queda, de 2,2% para 1,8%. As religiões indígenas representaram 0,1% das declarações.

Censo 2022 mostra queda acentuada de católicos e crescimento de evangélicos
Infográfico mostra a realidade percentual da religiosidade no Brasil registrada em 2022

Transformações

A analista do IBGE responsável pelo tema, Maria Goreth Santos, destacou o contraste com o primeiro Censo realizado no Brasil, em 1872. Na época, só era possível declarar alguém como “‘cathólico’ ou ‘acathólico’, conforme a grafia da época”. Segundo ela, “a população escravizada era toda contada como católica, seguindo a declaração do senhor da casa”.

Para Maria Goreth, as transformações sociais ao longo das décadas impulsionaram mudanças na forma de coleta e categorização dos dados: “Códigos, banco descritor, estrutura classificatória e incorporação de novas declarações religiosas foram sendo necessários para retratar a diversidade religiosa no Brasil da forma mais fidedigna possível”, afirmou.

Variações por região

Apesar da queda, o catolicismo segue como religião majoritária em todas as grandes regiões do país, com destaque para o Nordeste (63,9%) e Sul (62,4%). A menor concentração está no Norte (50,5%).

Entre os evangélicos, a maior proporção está no Norte (36,8%), e a menor no Nordeste (22,5%). Já os espíritas concentram-se mais no Sudeste (2,7%), assim como os sem religião (10,5%) e os adeptos de outras religiosidades (4,9%). As religiões de matriz africana tiveram maior presença nas regiões Sul (1,6%) e Sudeste (1,4%).

Perfil etário

Os dados também mostram diferenças importantes por faixa etária. Católicos predominam nos grupos mais velhos, com 72,0% entre pessoas com 80 anos ou mais, enquanto entre adolescentes de 10 a 14 anos, o índice cai para 52,0%.

Entre os evangélicos, o cenário é oposto: 31,6% dos adolescentes de 10 a 14 anos se declaram evangélicos, contra apenas 19,0% no grupo com 80 anos ou mais. A categoria “sem religião” alcançou sua maior proporção entre os jovens de 20 a 24 anos (14,3%) e a menor entre os idosos com 80 anos ou mais (4,1%).

Com esses dados, o IBGE aponta mudanças profundas e consolidadas no cenário religioso brasileiro, indicando uma tendência contínua de pluralização das crenças e uma redução da hegemonia histórica do catolicismo. Segundo o instituto, os números refletem não apenas transformações religiosas, mas dinâmicas sociais, culturais e geracionais que seguem moldando o perfil da população do país.

as religiões de matriz africana se tornaram brancas? alguém vai criticar a branquitude invasiva realizando aproriação cultural?

— Raphael Portugal (@RaphaelPor57428) June 6, 2025

Censo 2022 mostra queda acentuada de católicos e crescimento de evangélicos
Transformação religiosa do Brasil ao longo dos séculos

Mulher discriminada no serviço por não ser LGBT vence na Justiça 

Em decisão unânime publicada em 5 de junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou que o caso Marlean Ames v. Ohio Department of Youth Services deverá ser reavaliado, revertendo uma decisão anterior de um tribunal federal de apelações. A ação envolve alegações de discriminação por orientação sexual contra uma mulher heterossexual no processo de promoção profissional.

A autora da decisão, juíza Ketanji Brown Jackson, criticou o uso, por parte do Sexto Circuito de Apelações, da chamada regra das “circunstâncias de fundo”. Essa regra estabelece que integrantes de grupos majoritários precisam apresentar uma prova mais robusta de discriminação para prosseguir com suas ações judiciais.

“Consideramos que este requisito adicional de ‘circunstâncias antecedentes’ não é consistente com o texto do Título VII ou com a nossa jurisprudência que interpreta o estatuto”, escreveu Jackson. “Consequentemente, anulamos a sentença abaixo e devolvemos o processo para aplicação do padrão prima facie adequado”.

Jackson também observou que, segundo a decisão anterior, mesmo diante de indícios típicos de discriminação — como a negação de promoção e posterior rebaixamento em favor de pessoas com orientação sexual diferente da da autora — o tribunal decidiu que Ames não havia cumprido o “ônus probatório” exigido pela doutrina das “circunstâncias de fundo”.

“O tribunal então relatou como Ames era qualificada, teve uma promoção negada em favor de um candidato gay e foi posteriormente rebaixada em favor de outro candidato gay — evidência que normalmente satisfaria seu ônus prima facie — antes de especificamente culpar Ames por não fazer a ‘demonstração necessária de ‘circunstâncias de antecedentes’”, afirmou Jackson.

O juiz Clarence Thomas, com o apoio do juiz Neil Gorsuch, apresentou uma opinião concordante, na qual criticou estruturas jurídicas criadas pelo Judiciário que não se baseiam no texto da legislação.

“Doutrinas elaboradas por juízes tendem a distorcer o texto legal subjacente, impor ônus desnecessários aos litigantes e causar confusão nos tribunais”, escreveu Thomas. “A regra das ‘circunstâncias prévias’ — corretamente rejeitada pelo Tribunal hoje — é um exemplo desse fenômeno”.

O caso

Marlean Ames começou a trabalhar no Departamento de Serviços Juvenis de Ohio em 2004 e ocupou diferentes cargos administrativos ao longo dos anos. Em 2019, ela se candidatou a uma promoção para o cargo de Chefe do Bureau, mas não foi selecionada. Segundo sua ação, a vaga foi concedida a uma mulher homossexual. Pouco tempo depois, Ames foi rebaixada, e o cargo anterior passou a ser ocupado por um homem homossexual.

Ames entrou com uma ação na Justiça Federal de Ohio, alegando discriminação com base em sua orientação sexual, o que, segundo ela, violaria o Título VII da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe discriminação no ambiente de trabalho.

Em dezembro de 2023, o Sexto Circuito rejeitou a queixa, afirmando que Ames não tinha “provas de ‘circunstâncias de fundo’” e que sua alegação se baseava unicamente na própria experiência.

“A única evidência de Ames de um padrão de discriminação contra heterossexuais é seu próprio rebaixamento e a negação do cargo de Chefe do Bureau”, afirmou o painel, em decisão per curiam. “De acordo com a nossa jurisprudência, no entanto, uma autora não pode recorrer à sua própria experiência para estabelecer um padrão de discriminação”.

Com a decisão da Suprema Corte, o processo retorna ao tribunal inferior, que deverá reavaliar o caso sem a exigência da regra das “circunstâncias de fundo”, aplicando o padrão probatório tradicional previsto para casos de discriminação, de acordo com o The Christian Post.