Deputada processada urge cristãos a usarem a liberdade de pregar

A deputada finlandesa Päivi Räsänen, médica evangélica, afirmou que sua longa batalha judicial não se trata apenas de sua pessoa, mas da liberdade de expressar publicamente a fé cristã.

Em entrevista concedida durante o Congresso Europeu de Evangelização realizado em Berlim, a parlamentar relatou os desdobramentos de um processo que já dura quase seis anos e permanece em aberto na Suprema Corte da Finlândia.

O caso teve início em junho de 2019, quando Räsänen publicou no antigo Twitter uma crítica à Igreja Luterana da Finlândia por apoiar o evento do Orgulho Gay de Helsinque. Na publicação, a deputada incluiu uma imagem com o texto bíblico de Romanos 1. Em setembro do mesmo ano houve a abertura de uma investigação criminal, e desde então o caso vem sendo acompanhado pela mídia europeia.

“Já passei por vários interrogatórios policiais”, explicou Räsänen. “Fui julgada no Tribunal Distrital de Helsinque e absolvida das três acusações. O promotor recorreu ao Tribunal de Apelação, onde também venci. Agora o caso está na Suprema Corte da Finlândia, e já faz mais de um ano que aguardo uma decisão. Pode acontecer a qualquer momento”.

Apesar da exposição pública e da tensão do processo, Räsänen declarou que se sente fortalecida em sua fé. “Certamente houve momentos sombrios. Mas, no geral, eu realmente senti que isso estava nas mãos de Deus. Surpreendentemente, esse processo me trouxe mais alegria e uma consciência mais profunda da bondade de Deus do que sofrimento”, afirmou.

Para a deputada, o processo legal assumiu também um contorno simbólico: “Curiosamente, até mesmo a mídia secular na Finlândia se referiu a isso como um ‘julgamento bíblico’. Não se trata apenas de mim — trata-se de saber se a Bíblia ainda pode ser defendida publicamente”.

A repercussão do caso, segundo Räsänen, trouxe à tona um debate essencial sobre os limites da liberdade de expressão e de religião na Europa. “Este caso é um precedente legal na Finlândia — e potencialmente na Europa também. Nunca tivemos um caso como este antes. Não é importante apenas para os cristãos, mas para qualquer pessoa que valorize a liberdade de expressar crenças, convicções ou fé profundamente arraigadas”.

Ela alertou que o maior risco atual não são apenas decisões judiciais contrárias, mas a crescente tendência à autocensura. “As pessoas têm medo de se manifestar. Se eu perdesse, seria efetivamente ilegal concordar publicamente com a Bíblia, especialmente com Romanos, capítulo 1. Isso marcaria uma mudança séria, possivelmente até o início de uma espécie de perseguição aos cristãos que creem na Bíblia”.

Com ampla experiência parlamentar, Räsänen também destacou o uso, segundo ela, indevido das leis contra discurso de ódio como uma das maiores ameaças enfrentadas por cristãos europeus. “O que eu disse não é ódio — é discurso de amor. Deus é amor, e Sua Palavra fala a verdade em amor”, disse. Ela afirmou que grupos de defesa dos direitos LGBT têm influenciado decisões políticas e legislativas no continente, buscando restringir a liberdade de expressão de valores cristãos sobre temas como casamento, gênero e o início e fim da vida.

“A liberdade está sob ameaça”, declarou. “Quanto mais silenciosos formos, mais nosso espaço para falar diminuirá. É por isso que é essencial que continuemos a falar”, concluiu, na entrevista ao portal Evangelical Focus.

A decisão da Suprema Corte da Finlândia ainda não tem data confirmada para ser anunciada. O caso de Päivi Räsänen permanece como um ponto de atenção no debate europeu sobre os limites legais da liberdade religiosa e de expressão.

Quadrangular Global rompe com IEQ e pede perdão a pastores

O Conselho Global da Foursquare Church, entidade internacional responsável pela supervisão da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), publicou um pedido público de perdão ao pastor Rinaldi Digilio e ao reverendo Rocco Digilio.

A declaração foi divulgada nas redes sociais e ocorre após o rompimento da igreja-mãe sediada nos Estados Unidos com a IEQ no Brasil, dentre outros motivos, pelas acusações envolvendo abusos.

O pedido reconhece os anos de acusações e conflitos enfrentados por Rinaldi e outros líderes que deixaram a denominação. “Depois de seis anos de calúnias e difamações, o Conselho Global da Foursquare emite um pedido público de perdão, reconhecendo o sofrimento que causaram à igreja brasileira”, escreveu o pastor Rinaldi Digilio em suas redes sociais no dia 02 de junho.

Após a ruptura com a gestão do pastor Mário de Oliveira, presidente nacional da IEQ, Rinaldi e outros pastores fundaram a Igreja Quadrangular Família Global, movimento que passou a reunir líderes e membros dissidentes. Segundo a nova declaração da Foursquare, Rinaldi e sua equipe estão agora autorizados a cuidar de pastores e fiéis que se afastaram ou foram excluídos da denominação original.

“A partir de agora, temos autoridade e permissão para acolher os pastores e ovelhas que estão sem rumo”, afirmou Rinaldi.

A manifestação pública ocorre no contexto das denúncias contra o pastor Mário de Oliveira, que enfrenta acusações de abuso sexual de menor. O Comitê Mundial da Foursquare solicitou sua renúncia imediata. No entanto, Oliveira teria se recusado a atender o pedido, afirmando que a IEQ no Brasil atua de forma autônoma e não está subordinada ao órgão internacional.

As tensões entre os líderes vêm se acumulando nos últimos anos, com denúncias internas, divisões e o surgimento de novas congregações formadas por ex-membros da IEQ. A declaração do Conselho Global representa, segundo Rinaldi, um novo ciclo. “Um capítulo de dor se encerra. Que a verdade e o perdão sejam a base para a reconstrução e o crescimento”, afirmou.

Sayão informa que passará por cirurgia cardíaca e pede orações

O pastor Luiz Sayão, da Igreja Batista Nações Unidas (IBNU), segue internado na UTI e aguarda uma cirurgia cardíaca. A informação foi compartilhada por ele próprio nesta segunda-feira, 02 de junho, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.

“Olá pessoal, eu sou o Sayão, diretamente da UTI do hospital. Eu estou estável, eu estou razoavelmente bem, inclusive apenas aguardando o procedimento cirúrgico no coração”, disse o pastor. Ele sofreu um AVC na última semana e tem se recuperado gradativamente.

Agradecendo o apoio de quem tem se disponibilizado para ajudar nas despesas médicas, Sayão indicou uma forma simples de apoio: “Agradeço muita solidariedade, as orações de todos e vou estar informando a todo mundo do que vai estar acontecendo nos próximos dias aí, né? Se vocês querem me apoiar, sigam os vídeos do nosso canal lá do YouTube, temos vários vídeos gravados anteriormente e essa é a melhor maneira de nos apoiar nesse momento.”

Ele explicou que seu problema de saúde está relacionado a uma condição de nascimento: “Tudo isso acontece por causa de um pequeno problema de nascimento que eu tenho, que agora se desdobrou”, afirmou.

O pastor também pediu que não fossem enviadas sugestões de tratamentos, destacando a importância de seguir as orientações médicas: “Não adianta dizer, olha, você precisa fazer isso, fazer aquilo, tomar isso e aquilo, porque eu preciso de fato seguir a orientação médica específica para a situação que eu enfrento”, ressaltou.

Sayão concluiu o vídeo informando que deve permanecer internado por mais uma semana: “Orem por mim, está tudo bem, debaixo da graça de Deus aqui. Um grande abraço a todos”, finalizou.

Entra em vigor a lei que reconhece a Bíblia como material didático

Foi promulgada na quinta-feira (29) a Lei Municipal nº 11.862/2025, que permite a utilização da Bíblia como recurso paradidático nas redes pública e privada de ensino da capital mineira. A norma, de autoria da vereadora Flávia Borja (DC), foi sancionada pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Juliano Lopes (Podemos).

Dispositivos da lei

Conforme o texto legal, a leitura bíblica poderá ser empregada para “disseminação cultural, histórica, geográfica e arqueológica de seu conteúdo”.

A aplicação da Bíblia está condicionada ao uso complementar em disciplinas como História, Literatura, Artes, Filosofia e Ensino Religioso.

O artigo 2º especifica que as histórias bíblicas deverão “auxiliar projetos escolares correlatos e atividades pedagógicas complementares pertinentes”.

A participação em atividades envolvendo o material será facultativa. Em declaração anterior à promulgação, a autora do projeto afirmou: “Não estamos trazendo como material religioso. […] O objetivo é o enriquecimento do conteúdo dentro das escolas”.

Contexto jurídico nacional

A medida alinha-se com dispositivos da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/1996), que admitem o uso de materiais religiosos com finalidade pedagógica, desde que respeitada a liberdade de crença e caráter não obrigatório.

Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu parâmetros para o ensino religioso na rede pública por meio da ADI 4439. A decisão exige que a disciplina seja facultativa e não confessional (sem vinculação a credos específicos), vedando qualquer forma de proselitismo ou discriminação religiosa.

Legislações similares 

Três capitais brasileiras possuem normas correlatas:

  1. Manaus (AM): Lei nº 1.332/2009 autoriza o uso bíblico como conteúdo paradidático;

  2. Rio Branco (AC): Projeto “Bíblia nas Escolas” aprovado em 2024, permitindo disponibilização do texto em bibliotecas;

  3. Porto Alegre (RS): Proposta em tramitação na Câmara de Vereadores para disponibilização em bibliotecas municipais.

A implementação da lei em Belo Horizonte será supervisionada pela Secretaria Municipal de Educação, cabendo às unidades escolares definir a integração do material aos planos pedagógicos. Com informações: Gazeta do Povo.

Veja como a oferta de voluntários implantou igreja em Guiné, África

O casal Silas e Adriana Fernandes, missionários brasileiros vinculados à Junta de Missões Mundiais, completou sete anos de atividades religiosas na República da Guiné. O trabalho teve início com reuniões realizadas na varanda de sua residência, conforme declararam à organização.

Em depoimento à Junta de Missões Mundiais, os missionários afirmaram: “Embora nosso grupo fosse pequeno e extremamente simples, tínhamos no coração um sonho: plantar uma igreja naquele local”.

Com o crescimento do grupo, as reuniões foram transferidas para um galpão improvisado construído no mesmo terreno.

O projeto de construção de um templo em Guiné foi financiado por contribuições dos participantes. “Com as ofertas de todos, as paredes do templo tomaram forma”, explicou o casal.

Atualmente, cerca de 50 pessoas participam regularmente dos cultos. Os missionários destacaram o contexto demográfico local: “Quando atentamos para o fato de estarmos em um país 90% muçulmano, vemos que Deus nos deu um grande presente”.

Atividades comunitárias e prisionais

Além dos cultos, os missionários organizaram eventos para crianças e adolescentes. “Em um evento especial de evangelização e discipulado, dezenas de crianças e adolescentes […] oraram junto conosco pedindo para Cristo fazer morada em seus corações”, relataram. Após o evento, os participantes mantiveram frequência nas atividades religiosas.

No sistema prisional, após meses de trabalho como capelães, os Fernandes obtiveram autorização judicial para realizar batismos na Prisão Central de Conacri. Nove detentos foram batizados em cerimônia que utilizou uma piscina improvisada.

“O culto especial de batismo foi uma grande celebração”, descreveram os missionários, acrescentando: “Presenciar algo tão lindo foi impactante para nós”.

Os missionários encerraram o relato solicitando apoio: “Pedimos que continue intercedendo pelo avanço da obra missionária, orando em especial pelos muitos povos considerados resistentes e ainda não alcançados”.

Peru registra forte crescimento de evangélicos nos últimos anos

O cenário religioso do Peru tem passado por transformações significativas, com a queda da adesão ao catolicismo e o crescimento do número de evangélicos. Dados divulgados em maio de 2025 pelo Instituto de Estudos Peruanos (IEP) apontam uma mudança histórica na composição religiosa do país.

De acordo com o levantamento, o percentual de peruanos que se identificam como católicos caiu de 63,5% em novembro de 2024 para 60,2% em maio de 2025. No mesmo período, a proporção de evangélicos subiu de 8,4% para 11,3%.

A tendência confirma um processo de longo prazo: em 1996, apenas 4,4% da população se declarava evangélica. Atualmente, estima-se que esse grupo represente cerca de 20% dos peruanos, considerando diferentes denominações e ritmos de crescimento regional.

A redução da presença católica tem sido atribuída, por especialistas, à crise de credibilidade da Igreja diante de escândalos sucessivos. Um dos casos mais emblemáticos foi a dissolução definitiva do Sodalitium Christianae Vitae (SCV), anunciada pelo Vaticano em abril de 2025, após décadas de denúncias sobre abusos físicos e psicológicos. Fundada em 1971, a associação havia alcançado prestígio e influência, mas passou a ser vista por parte da população como uma entidade elitista e distante das realidades sociais do país.

Outro episódio que afetou a imagem da Igreja foi a denúncia contra o cardeal Juan Luis Cipriani, ex-arcebispo de Lima e membro do Opus Dei. A acusação, referente a um suposto caso de abuso sexual ocorrido em 1983 contra uma menor de idade, tornou-se pública no início de 2025 e gerou ampla repercussão.

A teóloga Veronique Lecaros, professora da Pontifícia Universidade Católica do Peru, afirmou que a perda de confiança na religião institucional é especialmente perceptível entre os jovens: “Muitos universitários não são ateus, mas se distanciaram da religião por frustração com o que ela representa institucionalmente”.

Apesar da crescente desconfiança, o percentual de peruanos sem filiação religiosa teve uma variação discreta — passando de 11% para 12% — e o número de ateus e agnósticos caiu de 2% para 1% no mesmo intervalo. O crescimento evangélico, portanto, tem sido proporcionalmente mais expressivo do que o avanço do segmento “sem religião”.

Além da dimensão espiritual, o movimento evangélico também tem ampliado sua atuação na esfera pública. Parlamentares como Milagros Jáuregui de Aguayo e Alejandro Muñante vêm se destacando por defenderem uma agenda legislativa com ênfase em valores familiares, saúde pública, proteção à infância e atenção a comunidades indígenas. O envolvimento político tem sido interpretado por analistas como consequência direta da expansão evangélica no país — e, simultaneamente, como um de seus fatores propulsores.

O fenômeno no Peru acompanha o padrão observado em outras nações latino-americanas, como Brasil, Guatemala, Argentina e Chile, onde o crescimento evangélico já se consolidou ao longo das últimas décadas. No entanto, no caso peruano, o catolicismo manteve sua hegemonia por mais tempo, o que torna a atual inflexão mais marcante do ponto de vista histórico.

Para a filósofa Cecilia Tovar, do Instituto Bartolomé de las Casas, os dados refletem tendências anteriores aos últimos acontecimentos. “A eleição do novo arcebispo, por exemplo, ainda não foi absorvida pela opinião pública. Levará tempo para vermos os efeitos disso nas próximas pesquisas”, afirmou.

Segundo especialistas ouvidos pelo portal Evangelico Digital, o campo religioso no Peru está em transição, com os evangélicos ocupando espaços antes quase exclusivos do catolicismo e a estrutura de fé nacional passando por uma reconfiguração ainda em curso.

Batistas cobram banimento da indústria pornográfica: ‘Degradante’

Brent Leatherwood, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa (ERLC) da Convenção Batista do Sul (SBC), publicou nesta semana uma declaração pedindo o banimento completo da indústria pornográfica.

O texto, intitulado “Proíba a pornografia agora”, foi divulgado no site oficial da ERLC e se apoia em uma reportagem do jornal The New York Times que associa a plataforma Pornhub à veiculação de conteúdo exploratório.

A matéria do Times, publicada recentemente, cita documentos internos da empresa indicando que o site “hospeda e lucra conscientemente com vídeos de crianças sofrendo atos não consensuais”. Leatherwood considerou esse material como “evidência irrefutável” de que “a indústria da pornografia comercial é predatória, ilegal e profundamente dependente de abuso”.

Em sua declaração, o presidente da ERLC afirmou: “A pornografia não é apenas imoral. É exploradora. É violenta. É corrosiva para os relacionamentos, prejudicial às crianças e tóxica para uma cultura que afirma valorizar o consentimento, a liberdade e a dignidade humana”.

Leatherwood propôs uma série de reformas legais com o objetivo de conduzir ao “desmantelamento completo da indústria pornográfica”. Entre as sugestões estão leis mais rigorosas de verificação de idade, a criminalização da hospedagem e monetização de conteúdo não consensual, traficado ou abusivo, e a classificação da pornografia comercial como ameaça à saúde pública.

Apesar de reconhecer que “a vontade política de abolir a pornografia completamente provavelmente ainda não existe”, Leatherwood mencionou o projeto de lei apresentado pelo senador Mike Lee, republicano de Utah. A proposta visa atualizar a definição de obscenidade prevista na Lei de Comunicações de 1934 para o contexto da internet.

Segundo o projeto Interstate Obscenity Definition Act (IODA), conteúdos considerados obscenos passariam a incluir aqueles “sem valor literário, artístico, político ou científico que retratem, descrevam ou representem atos sexuais reais ou simulados ou exibições obscenas dos genitais com a intenção objetiva de excitar, estimular ou gratificar desejos sexuais”.

Leatherwood afirmou que a proposta não se trata de um “pânico moral” semelhante ao que marcou os anos 1980. “Não se trata de nostalgia por uma era passada ou de impor regras religiosas à sociedade secular”, escreveu. “Trata-se de saber se defenderemos os vulneráveis, preservaremos a dignidade da pessoa humana e construiremos uma cultura digna dos nossos filhos”.

Ele acrescentou: “Não podemos alegar que nos importamos com as mulheres enquanto toleramos uma indústria que as degrada. Não podemos dizer que valorizamos as crianças enquanto damos rédea solta aos predadores. Não podemos falar de liberdade enquanto sancionamos a escravidão”.

Citando estudos que associam o consumo de pornografia ao aumento de agressões sexuais e de casos de depressão e ansiedade, Leatherwood concluiu que a indústria “não tem mais salvação”. “Nenhuma versão desta indústria pode ser batizada, sanada ou redimida. Ela não deve ser tolerada, acomodada ou reformada — deve ser desmantelada. É hora de proibir a pornografia”.

A Convenção Batista do Sul já se posicionou anteriormente sobre o tema. Em 2015, aprovou a resolução “Sobre pornografia e pureza sexual”, em que conclamava as autoridades governamentais a “promulgar e aplicar leis que restrinjam todas as formas de pornografia, particularmente aquelas que incluem e exploram menores”.

O novo posicionamento de Leatherwood ocorre enquanto a própria ERLC enfrenta questionamentos internos sobre sua relevância e permanência na estrutura da Convenção. No dia 22 de maio, dez ex-presidentes da SBC divulgaram uma carta conjunta em defesa da comissão, declarando que ela “defende firmemente nosso compromisso batista do sul com a liberdade religiosa”.

Assinaram a carta Bart Barber, Ed Litton, JD Greear, Steve Gaines, Fred Luter, Bryant Wright, James Merritt, Tom Elliff, Jim Henry e Jimmy Draper. O texto faz referência à atuação histórica da ERLC contra a decisão Roe v. Wade, na oposição à pornografia e à ideologia de gênero, bem como na defesa da vida, do casamento e da família.

No entanto, críticas à ERLC também têm ganhado espaço. Em 25 de maio, o pastor Jack Graham, líder da Igreja Batista Prestonwood em Plano, Texas, escreveu em sua conta na rede social X: “Não apoio a ERLC e acredito que a organização tem sido a entidade mais divisória da Convenção Batista do Sul desde os dias de Russell Moore. Acredito que ela deveria ser desfinanciada”.

A ERLC foi criada em 1947, originalmente como Comissão de Assuntos Cristãos da SBC, e atua como porta-voz da convenção em temas de ética pública, liberdade religiosa e questões sociais, de acordo com o The Christian Post.

Pesquisa faz descoberta sobre a fidelidade dos pastores

Apesar de relatos generalizados de esgotamento e crise de vocação entre pastores durante e após a pandemia da COVID-19, a taxa anual de abandono do ministério pastoral em igrejas protestantes tem se mantido consistentemente baixa nos últimos dez anos.

A constatação é de um novo levantamento realizado pela Lifeway Research, divulgado em maio de 2025. A pesquisa foi conduzida entre 1º de abril e 8 de maio e contou com a participação de 1.516 pastores atuando em igrejas evangélicas e congregações protestantes negras nos Estados Unidos.

O estudo foi financiado pela Primeira Igreja Batista de Houston e pelo médico do trabalho Richard Dockins, preocupado com os impactos da rotatividade ministerial.

Segundo os dados, apenas cerca de 1% dos pastores deixa o ministério a cada ano por motivos que não incluem morte ou aposentadoria. Em 2015, a taxa registrada foi de 1,3%; em 2021, aumentou ligeiramente para 1,5%; e, em 2025, caiu para 1,2%.

“A taxa de pastores que abandonam o pastorado é constante e bastante baixa, dadas as exigências da função”, afirmou Scott McConnell, diretor executivo da Lifeway Research, em comunicado oficial. “Muitos dos que abandonam o pastorado sentem que estão se movendo, sob a direção de Deus, para outra função ministerial. No entanto, é fácil para quem está fora e para quem está dentro da igreja se fixarem naqueles que abandonam o pastorado por causa de conflitos, esgotamento ou fracasso moral”.

Ainda segundo McConnell, há uma tendência de superestimar os casos negativos: “A especulação sempre exagera esses casos, mas esses são os resultados que as igrejas podem tentar evitar”.

Perfil e trajetória

O levantamento revelou que 58% dos pastores iniciaram sua atual função na última década. 15% atuam na mesma igreja há pelo menos 25 anos. Metade dos entrevistados exerce seu primeiro cargo pastoral (52%), enquanto os demais já haviam liderado outras igrejas anteriormente (48%).

Dentre os pastores que deixaram seu cargo na última década, 7% assumiram outra função ministerial, enquanto 3% passaram a trabalhar em funções não ministeriais. Outros 2% se transferiram para áreas não relacionadas ao ministério. Cerca de 25% estão atualmente pastoreando outra igreja.

Os principais motivos apontados para a saída de antecessores incluem:

  • Mudança de vocação: 37%

  • Conflitos na igreja: 23%

  • Esgotamento: 22%

  • Questões familiares: 12%

  • Falta de integração à igreja: 17%

  • Doença: 5%

  • Problemas financeiros pessoais: 3%

Segundo McConnell, houve aumento expressivo nas menções ao esgotamento como motivo de saída: “O número de pastores que descrevem a saída do pastor anterior da igreja por esgotamento dobrou nos últimos 10 anos (22% contra 10%)”.

Crise durante e após a pandemia

Uma pesquisa anterior, realizada pelo Instituto Barna em outubro de 2021, mostrou que 38% dos pastores americanos estavam “considerando seriamente” abandonar o ministério de tempo integral, um aumento em relação aos 29% registrados em janeiro do mesmo ano. Os dados foram colhidos em um contexto de alta tensão emocional e reorganização comunitária após o período mais crítico da pandemia.

Quando divididos por perfil de igreja, os dados indicaram que 51% dos pastores de igrejas protestantes tradicionais estavam considerando deixar o ministério, enquanto 34% dos pastores de igrejas não tradicionais relataram o mesmo sentimento.

Na época, Joe Jensen, vice-presidente de engajamento da igreja no Instituto Barna, declarou:

“2021 é o ano mais alto que já vimos, e é por isso que, como empresa, francamente, estamos alarmados… e preocupados com o bem-estar geral dos pastores. Eu realmente acredito que no cerne de toda igreja saudável está um pastor saudável”.

Escassez entre progressistas

Durante o ano de 2022, enquanto a sociedade ainda enfrentava os impactos pós-pandêmicos, algumas denominações relataram dificuldade em preencher cargos pastorais.

A Igreja Evangélica Luterana na América, de linha teológica progressista e favorável à inclusão de líderes LGBT, comunicou uma escassez estimada de pelo menos 600 pastores em todo o país.

O estudo da Lifeway Research, no entanto, aponta que a taxa de saída efetiva permanece estável e baixa, sugerindo que, embora muitos pastores enfrentem desafios intensos e considerem a renúncia, poucos de fato deixam o ministério pastoral anualmente, de acordo com informações do The Christian Post.

Polônia elege presidente conservador em eleição apertada

O conservador Karol Nawrocki foi eleito presidente da Polônia neste domingo, 1° de junho, ao vencer o segundo turno das eleições presidenciais com 50,89% dos votos, segundo dados oficiais divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional após a apuração de 100% das urnas. Seu adversário, o liberal Rafal Trzaskowski, prefeito de Varsóvia e apoiado pela coalizão do primeiro-ministro Donald Tusk, obteve 49,11%.

Ao todo, Nawrocki recebeu 10.606.682 votos, enquanto Trzaskowski teve 10.237.177, resultando em uma diferença de 1,78% entre os dois candidatos. Esta foi a segunda derrota de Trzaskowski em uma eleição presidencial: em 2020, ele perdeu por 2,06% para o atual presidente Andrzej Duda, que encerra seu segundo mandato em agosto.

Perfil do novo presidente

Karol Nawrocki, de 42 anos, é ex-boxeador e ingressou recentemente na política com um discurso marcado pelo euroceticismo. Durante a campanha, adotou posições mais duras em temas como imigração, mostrou proximidade com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e demonstrou cautela em relação à integração da Ucrânia à OTAN. Ele foi apoiado pelo partido conservador Lei e Justiça (PiS), atualmente na oposição.

O jornalista Paulo Figueiredo Filho, em postagem na rede X, comentou que Nawrocki venceu apesar de enfrentar um cenário adverso: “Apesar de toda parcialidade do judiciário, da influência globalista (com direito a dinheiro de Soros, Clinton e Obama), da perseguição política que chegou a botar até padre na cadeia, o candidato da direita Nawrocki foi eleito presidente da Polônia com 50,9% dos votos. É uma das eleições mais importantes da Europa”, escreveu Figueiredo.

Tensão na apuração

O processo de apuração foi marcado por incertezas e reivindicações de vitória por ambos os lados. Pesquisas de boca de urna inicialmente apontavam uma vantagem mínima para Trzaskowski, mas horas depois, um levantamento mais completo confirmou a vitória de Nawrocki.

O candidato conservador concentrou seus votos principalmente em regiões rurais e povoados, ao passo que Trzaskowski obteve maior apoio nas áreas urbanas, incluindo Varsóvia. A disputa lembrou a eleição de 1995, quando Aleksander Kwaśniewski superou Lech Wałęsa após resultado preliminar desfavorável.

A participação eleitoral atingiu 71,63%, a maior já registrada em uma eleição presidencial na Polônia.

Repercussão política

O resultado representa um revés significativo para a coalizão governista de Donald Tusk, que havia admitido após o primeiro turno que o governo enfrentava um momento de alerta. Apesar disso, Tusk havia expressado confiança em uma vitória liberal no segundo turno.

Caso Trzaskowski fosse eleito, a expectativa era de avanços em pautas como a legalização do aborto, o reconhecimento de uniões civis e a reversão de reformas judiciais promovidas pelo PiS. Com a vitória de Nawrocki, analistas apontam para uma continuidade das políticas conservadoras implementadas por Duda, incluindo o uso do poder de veto presidencial para barrar iniciativas legislativas do governo.

Na manhã de segunda-feira, Andrzej Duda se pronunciou agradecendo aos eleitores, parabenizou Nawrocki e declarou: “Mantenha-se forte, Polônia!”.

Atribuições presidenciais

Na Polônia, o presidente possui poderes significativos, incluindo o veto a legislações aprovadas pelo Parlamento, a indicação de embaixadores, o comando das Forças Armadas e a possibilidade de encaminhar leis ao Tribunal Constitucional, cuja maioria atual é formada por juízes indicados por legislaturas dominadas pelo PiS.

Relevância: lei aprova o uso da Bíblia como material paradidático

A Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) promulgou na quinta-feira, 29 de maio de 2025, a Lei nº 11.862, de autoria da vereadora Flávia Borja (DC). O texto, sancionado pelo presidente da CMBH, Juliano Lopes (Podemos), que estabelece a Bíblia como material paradidático opcional na rede pública e privada de ensino do município.

Conforme o artigo 1º da lei:

“A leitura da Bíblia Sagrada poderá ser realizada […] como recurso paradidático para disseminação cultural, histórica, geográfica e arqueológica de seu conteúdo”.

O artigo 2º especifica as disciplinas contempladas:

“Histórias bíblicas deverão auxiliar projetos escolares nas áreas de História, Literatura, Ensino Religioso, Artes e Filosofia, bem como outras atividades pedagógicas complementares pertinentes”.

A legislação reforça no §1º que a participação será “facultativa, garantindo-se o direito à objeção de consciência”.

Relevância historiográfica

Para além do aspecto religioso, a Bíblia é reconhecida no mundo acadêmico, também, por sua relevância documental, por exemplo, como:

  1. Documento histórico: Registra costumes, estruturas sociais e eventos do Antigo Oriente Médio entre 1500 a.C. e 100 d.C., com paralelos arqueológicos comprovados – como o Cilindro de Ciro (539 a.C.), que confirma relatos bíblicos sobre o retorno dos judeus do exílio babilônico;

  2. Referência literária: Influenciou obras de Dante, Camões e Machado de Assis, além de ser citada em 1.300 citações no Oxford English Dictionary;

  3. Fonte antropológica: Preserva tradições orais de povos semitas, com estudos linguísticos validando sua antiguidade – exemplo: os Manuscritos do Mar Morto (1947), datados do século III a.C. ao I d.C.

O arqueólogo Israel Finkelstein (Universidade de Tel Aviv) observa: “As narrativas bíblicas fornecem insights únicos sobre a formação de identidades nacionais na Antiguidade” (The Bible Unearthed, 2001).

Fundamento legal

Em entrevista ao portal Estado de Minas em 28 de maio, a autora da lei afirmou, segundo a Gazeta do Povo:

“Não estamos trazendo como material religioso. O objetivo é o enriquecimento do conteúdo”. A medida alinha-se com:

  1. Constituição Federal (Art. 210, §1º) e Lei de Diretrizes e Bases (Art. 33);

  2. Julgamento do STF na ADI 4439/2017;

  3. Súmula Vinculante 11/2018.

Contexto nacional

Outros municípios possuem normativas similares:

  • Manaus (AM): Lei nº 1.332/2009;

  • Rio Branco (AC): Projeto “Bíblia nas Escolas” (2024);

  • Porto Alegre (RS): PL 175/2025 em tramitação.