Muçulmano entra em igreja por curiosidade e se rende a Cristo

O testemunho de Miftah (nome fictício adotado por razões de segurança), um estudante muçulmano de 26 anos, mostra como a mensagem do Evangelho alcança as pessoas mais improváveis de maneiras surpreendentes.

O jovem muçulmano vivia no centro da Etiópia e dedicava-se ao estudo do Alcorão em uma madrassa, com o objetivo de trabalhar futuramente na instituição religiosa. Durante as férias de 2022, ele retornou à aldeia onde morava com a família e, ao passar por uma igreja onde ocorria uma conferência cristã, decidiu entrar para observar, movido pela curiosidade.

Ao voltar para casa, foi confrontado por familiares com insultos e agressões físicas. Segundo relato de Miftah, vizinhos o viram entrando na igreja e informaram à sua família, o que motivou a reação violenta. A hostilidade, no entanto, o levou a retornar à conferência e, no terceiro dia do evento, decidiu tornar-se cristão.

Em setembro do mesmo ano, ele foi amarrado e agredido por vizinhos, que exigiam que ele renunciasse à nova fé. Na ocasião, seu pai declarou: “Ele não é mais meu filho, ele me traiu! Ele desonrou a fé ao se afastar dela”.

Após o episódio, Miftah teve suas roupas queimadas e foi deserdado pela família, perdendo o direito à herança das terras. Posteriormente, foi expulso da aldeia. De acordo com informações da Missão Portas Abertas, ele recebeu apoio emergencial, incluindo alimentos, roupas e ajuda com moradia.

Em abril de 2024, Miftah participou de um treinamento sobre traumas, promovido por parceiros da organização. Durante o encontro, afirmou ter vivenciado uma mudança interior.

“Quando vi aquelas pessoas, aquelas que me batiam, me perseguiam, incluindo minha mãe e meu pai, e que fizeram todas aquelas coisas comigo, tive sentimentos ruins. Eu costumava me sentir injustiçado pelo que tinham feito comigo. Mas depois que vim para cá e participei do treinamento, percebi que o que costumava me ferir não era útil e nem tinha valor”, relatou.

Ele também afirmou que o processo contribuiu para sua recuperação emocional: “Aqueles que estavam contra mim me fizeram correr para Deus. A lição que aprendi neste lugar me permitiu agradecer àqueles que me perseguiram. Agora estou curado, este treinamento apagou o ódio que eu costumava ter em mim”.

Descoberta em deserto aponta aos primeiros cristãos da Etiópia

Arqueólogos que escavam o sítio de Tel Malhata, no deserto de Negev, em Israel, identificaram estatuetas raras de osso e ébano em três sepulturas cristãs datadas do século VI ou VII d.C. Segundo relatório publicado no periódico Atiqot por pesquisadores da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Universidade de Colônia, as descobertas apontam para a possível presença de cristãos de origem africana — possivelmente etíopes — na região durante a era bizantina.

As sepulturas foram encontradas próximas à base aérea de Nevatim, no nordeste do Negev. As peças incluem duas estatuetas de ébano que retratam um homem e uma mulher com traços africanos, e outras três feitas de osso. A equipe afirmou que, até o momento, nenhuma estatueta semelhante havia sido documentada em Israel, na Jordânia ou em territórios vizinhos.

“Parece que as estatuetas representavam ancestrais e não divindades. Se for o caso, é possível que os falecidos fossem de origem ‘etíope’ e que eles ou seus ancestrais tenham se convertido ao cristianismo e se mudado para o Negev”, informou o relatório oficial da escavação.

O arqueólogo Noé D. Michael, que integra a equipe, descreveu a descoberta como excepcional. “Até onde sabemos, nenhuma estatueta desse tipo foi identificada em Israel, na Jordânia e em nossa região”, disse ele ao The Times of Israel.

A escavação revelou 155 túmulos no total, mas três sepulturas se destacaram por conterem os artefatos em questão. Em uma delas, foi encontrado o esqueleto de uma mulher de aproximadamente 20 a 30 anos, acompanhada de dois jarros de alabastro, joias de bronze e duas estatuetas — uma de osso e outra de ébano. Em outra sepultura, jazia uma criança de 6 a 8 anos, com bens funerários similares. A terceira sepultura, de uma jovem entre 18 e 21 anos, continha recipientes de vidro, uma pulseira de bronze e uma estatueta de osso com a forma de uma figura feminina.

Segundo os pesquisadores, a semelhança entre os itens funerários das sepulturas da mulher adulta e da criança, especialmente os pingentes com pequenos furos que sugerem uso no pescoço, indicam possível laço familiar. “Acreditamos que, como os túmulos eram próximos e ofereciam o mesmo tipo de presentes funerários, provavelmente se tratava de uma mãe e um filho”, explicou a equipe. No entanto, não foi possível realizar testes de DNA devido à condição dos ossos.

A análise botânica confirmou que o ébano usado nas estatuetas era da espécie Diospyros ebenum, árvore nativa do sul da Índia e do Sri Lanka. Isso indica que os objetos podem ter chegado à região por meio das rotas comerciais ativas à época.

O sítio de Tel Malhata era estrategicamente localizado na confluência de rotas comerciais importantes — uma ligando o Mar Vermelho à Judeia e Jerusalém, e outra conectando o Mediterrâneo à Península Arábica. De acordo com o jornal Haaretz, essas rotas facilitaram o trânsito de produtos de luxo como especiarias, seda e madeira exótica, incluindo o ébano.

Historicamente, Tel Malhata foi habitada desde a Idade do Bronze Médio e funcionou como cidade fortificada e centro administrativo no período romano, segundo escavações realizadas nas décadas de 1990 e 2000. A atual escavação reforça a importância contínua do local no período bizantino.

De acordo com o estudo, o cristianismo se espalhou significativamente no século VI, durante o reinado do imperador bizantino Justino I. Os autores associam essa expansão a possíveis movimentos migratórios de populações do Chifre da África, como a Etiópia, que mantinham redes de comércio e peregrinação com o Levante. A presença de estatuetas com estilo africano, associada a práticas funerárias cristãs e ao contexto comercial da época, sustenta a hipótese de que os enterrados poderiam ser cristãos etíopes convertidos.

Embora a equipe não tenha conseguido obter material genético dos restos mortais, a hipótese de origem etíope baseia-se na iconografia das estatuetas e na história conhecida de mobilidade dos povos africanos no mundo greco-romano. O historiador Frank Snowden, em sua obra publicada em 1970, já havia destacado que etíopes viviam em diversas regiões do Império Romano.

A equipe também destacou um padrão nos bens funerários da necrópole: a maioria das mulheres foi enterrada com objetos como vasos, joias e estatuetas, enquanto apenas dois homens — ambos idosos — apresentavam bens no túmulo, possivelmente indicando status social elevado.

Para os pesquisadores, as estatuetas podem representar não apenas itens de valor, mas também símbolos de identidade cultural e memória ancestral, preservados mesmo após a conversão ao cristianismo. As tumbas eram do tipo cista, construídas com pedras e alinhadas com os costumes funerários cristãos da época.

A descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade étnica e cultural no antigo Oriente Médio durante o período bizantino, ressaltando a complexidade dos vínculos entre fé, identidade e mobilidade em contextos históricos marcados por redes transcontinentais de comércio e peregrinação, de acordo com informações do The Christian Post.

Batismo de crianças é bíblico? Veja diferença para o credobatismo

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Em entrevista concedida ao Plenicast, o pastor Wilson Porte Jr abordou, de forma detalhada, as distinções entre duas práticas históricas da doutrina cristã do batismo: o credobatismo (batismo de crentes confessos) e o pedobatismo (batismo de crianças). A conversa explorou os fundamentos teológicos, históricos e as percepções mútuas entre as tradições que adotam cada uma dessas formas.

Wilson Porte Jr, pastor batista reformado, afirmou ser credobatista, mas ressaltou seu respeito pelas igrejas que praticam o pedobatismo, como os presbiterianos e luteranos: “Eu sou credobatista, mas chamo os pedobatistas de meus irmãos e entendo que o que eles fazem, fazem em fé”, declarou o pastor.

Segundo ele, ainda que haja discordâncias doutrinárias, é necessário manter um espírito de respeito mútuo: “Eu entendo por que eles fazem o que fazem”.

Durante a entrevista, o pastor explicou que, em seu livro — Um Guia para a Nova Vida —, buscou apresentar as razões pelas quais parte da cristandade batiza crianças, com o objetivo de esclarecer leitores não batistas e promover entendimento entre as partes. “Eu explico isso para que aqueles que são credobatistas entendam e parem de chamar seus irmãos pedobatistas de qualquer coisa errada”, disse Porte Jr.

Porte Jr. destacou que a prática do pedobatismo é fundamentada por seus defensores na continuidade entre a Antiga e a Nova Aliança, especialmente na associação entre a circuncisão e o batismo: “Eles fazem uma conexão entre a antiga e a nova aliança, dentro da teologia da aliança como entendida por eles, uma conexão entre a circuncisão e o batismo, e, por isso, batizam os seus filhos para incluí-los na família da aliança”, afirmou.

Ao tratar das percepções equivocadas entre os dois grupos, Porte Jr. reconheceu que muitos credobatistas veem o batismo infantil como heresia, enquanto, por outro lado, há também pedobatistas que rotulam os credobatistas como hereges.

“Recentemente, num grupo de pastores que eu faço parte […] mandaram um vídeo de um pastor presbiteriano dizendo que os batistas são hereges. Eu acho que ele nem sabe o que é ser herege”, relatou.

O pastor também comentou sobre críticas infundadas baseadas na ignorância histórica. Segundo ele, muitos que condenam o pedobatismo desconhecem o desenvolvimento dessa prática ao longo da história da Igreja: “Não sabe de história da Igreja, não sabe quando começou o batismo infantil de forma oficial e majoritária — que foi só por volta do século V e VI”, disse. “A gente vê isso em documentos de história da Igreja, católicos e presbiterianos, que testemunham dessa situação”, acrescentou.

Para Porte Jr, tanto credobatistas quanto pedobatistas devem reconhecer que muitos dos que divergem teologicamente o fazem com consciência e fé. Ele citou Romanos 14 para defender essa compreensão: “Paulo fala em Romanos 16 que aquilo que a pessoa faz em fé não é pecado. Deus não considera pecado aquilo que é feito em fé; mas, sem fé, é pecado”.

A entrevista também abordou a distribuição numérica dos grupos. Segundo o pastor, no Brasil, igrejas que praticam o pedobatismo são minoria, especialmente diante da influência das igrejas pentecostais: “Dá-nos a impressão de que quem batiza criança é a minoria”, observou. No entanto, ele ponderou que isso varia conforme a região: “Em vários lugares da Europa […] todas batizam só bebês. Então os credobatistas são a minoria em alguns desses lugares”.

O pastor defendeu a importância do conhecimento e do diálogo respeitoso como caminho para reduzir tensões entre as tradições: “Eu acho que o conhecimento nos dá um diálogo mais respeitoso e mais compassivo com o outro. Tanto ele tendo compaixão de mim, achando que estou errado, quanto eu tendo compaixão dele”, concluiu.

A entrevista integra uma série de conversas promovidas pelo Plenicast, que tem convidado pastores e teólogos para discutir temas doutrinários e práticos relacionados à fé cristã e à convivência eclesiástica.

Estudo mostra perigoso flerte de cristãos com a astrologia

Mais de um quarto dos cristãos diz crer que estrelas e planetas exercem alguma influência sobre o destino humano, apesar de a prática ser rejeitada pelas Escrituras. A constatação é de uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center com base em entrevistas com uma amostra representativa de 9.593 adultos.

Segundo o levantamento realizado nos Estados Unidos, 30% dos adultos americanos disseram consultar astrologia, horóscopos, cartas de tarô ou videntes pelo menos uma vez ao ano. A maioria, porém, afirmou fazê-lo por entretenimento, e apenas uma parcela menor relatou tomar decisões importantes com base nessas práticas.

Entre os religiosos, 27% disseram acreditar na astrologia, número próximo aos 28% dos entrevistados que não se identificam com nenhuma religião. De acordo com o estudo, protestantes negros e católicos hispânicos se mostraram mais propensos a essa crença do que evangélicos brancos, que, junto com ateus, judeus e agnósticos americanos, demonstraram menor adesão à astrologia do que a média da população.

O ministério cristão de apologética Got Questions classificou a crença na astrologia como “falsa”. Em nota, o grupo afirmou: “Os astrólogos reais da corte babilônica foram envergonhados pelo profeta Daniel (Daniel 1:20) e não conseguiram interpretar o sonho do rei (Daniel 2:27). Deus especifica os astrólogos como aqueles que serão queimados como restolho no julgamento de Deus (Isaías 47:13-14)”.

Segundo a mesma fonte, a astrologia é considerada uma forma de adivinhação, o que é expressamente proibido nas Escrituras, com base em textos como Deuteronômio 18:10-14 e Deuteronômio 4:19, que condenam a prática de adoração ao “exército dos céus”. O texto observa que, ao longo da história de Israel, esse tipo de idolatria resultou no juízo divino.

O crescimento dessas práticas espirituais fora do escopo da religião institucional tem sido associado ao fenômeno do sincretismo religioso, tema abordado por estudiosos como George Barna, que há anos alerta para os riscos que essa mistura representa para uma cosmovisão bíblica.

Um estudo recente intitulado Breaking Free of the Iron Cage: The Individualization of American Religion, publicado em abril, acompanhou 1.348 pessoas nascidas no fim da década de 1980 — desde a adolescência até o início da vida adulta. A pesquisa utilizou dados longitudinais para observar como os jovens lidam com as tensões entre instituições religiosas tradicionais e o desejo por uma fé autêntica e pessoal, num contexto marcado pela ascensão dos chamados “não religiosos”.

“Nossa análise mostra como os jovens estão respondendo à burocratização e à racionalização que [o sociólogo alemão Max] Weber previu que criaria uma ‘gaiola de ferro’ nas instituições modernas, desenvolvendo novas formas de expressão religiosa e espiritual fora das instituições formais”, escreveram os autores do estudo.

De acordo com os pesquisadores, o “mercado religioso” atual vai além das igrejas e denominações concorrentes, incluindo formas alternativas de espiritualidade, como fé personalizada e práticas individuais de significado. “As pessoas estão se libertando não com alicates, mas com atos profundamente pessoais de rebelião espiritual”, observaram.

“Rejeitando as construções religiosas racionalizadas, sistematizadas e institucionalizadas da modernidade em favor de expressões mais dinâmicas, diversas e sincréticas”, acrescentaram, de acordo com o The Christian Post.

'Mapeando o Diabo': pastor ensina a verdade da batalha espiritual

Após mais de duas décadas ministrando sobre batalha espiritual em igrejas e instituições teológicas, o pastor Eduardo Reis lançou o livro “Mapeando o Diabo” (Editora Vida), com o objetivo de corrigir distorções comuns no ensino cristão sobre o tema.

Em entrevista ao portal Guiame, ele afirmou que a obra busca oferecer uma visão “bíblica, responsável e livre de misticismos”, diante de relatos de fiéis adoecidos espiritualmente por ensinamentos desequilibrados.

“Vi pessoas sendo paralisadas por medo de demônios em cada esquina ou atribuindo a Satanás responsabilidades que são humanas. Decidi escrever este livro para combater a confusão e apontar o caminho das Escrituras”, declarou Reis, que pastoreou uma igreja por quatro anos antes de se dedicar ao projeto.

Estrutura da obra

O livro traça um panorama histórico e bíblico da atuação do diabo, desde o Jardim do Éden até os dias atuais, e dedica um capítulo a responder perguntas frequentes, como “Devo ter medo do diabo?” e “Como discernir influências espirituais?”.

Para evitar generalizações, Reis baseou-se em teólogos como Merrill F. Unger (referência em demonologia), Norman Geisler (teologia sistemática) e George Eldon Ladd (escatologia).

“O inimigo age de forma sutil, por meio de pensamentos e sentimentos que se tornam fortalezas mentais contra a verdade de Deus”, explicou. “Identificamos sua influência observando os frutos: se há medo, orgulho ou descontrole, é sinal de que a velha natureza, estimulada pelo mundo, está ativa.”

Antídoto

Reis destacou Gálatas 5 — que lista amor, alegria, paz e domínio próprio como frutos do Espírito — como chave para o discernimento. “O Espírito conduz à paz; o inimigo, a dúvidas paralisantes ou orgulho disfarçado de autoconfiança. A vigilância nasce de uma mente renovada pela Palavra”, afirmou.

O pastor, reconhecido pelo ensino correto da batalha espiritual, também enfatizou que a vitória sobre o mal já foi conquistada por Cristo na cruz, citando Lucas 10:19: “Jesus nos deu autoridade sobre todo poder do inimigo”. “O medo é fruto da ignorância bíblica. Não lutamos para vencer, mas para permanecer na vitória que é nossa em Cristo”, declarou.

Questionado sobre práticas como “revisar genealogias em busca de maldições” ou “expulsar demônios de objetos”, Reis foi categórico: “Espiritualizar o que já é espiritual leva a exageros. A proteção começa com oração fundamentada na Palavra, não em rituais”. Ele aconselhou os fiéis a priorizarem o estudo das Escrituras e a “sobriedade” na vida devocional.

A obra já está disponível nas principais livrarias do país e em plataformas online. Segundo a Editora Vida, a primeira tiragem de 5 mil cópias esgotou em uma semana, com demanda concentrada em líderes religiosos e estudantes de teologia.

Pescador à deriva no Oceano por 95 dias faz oração e é resgatado

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Máximo Napa Castro, de 61 anos, pescador peruano, sobreviveu após permanecer 95 dias à deriva no Oceano Pacífico. Ele saiu do porto de San Juan de Marcona, no Peru, em 7 de dezembro, em um pequeno barco de pesca. Pouco após o início da viagem, o motor da embarcação apresentou falhas e parou de funcionar.

Cerca de uma semana depois, o rádio via satélite que levava a bordo também quebrou, deixando-o sem comunicação. Sem alternativas, o pescador foi levado pelas correntes para mar aberto, afastando-se gradualmente da costa.

Durante o período em que permaneceu isolado, Castro passou datas marcantes sozinho, como o Natal, o Ano Novo e seu aniversário. Neste último, cantou parabéns para si mesmo e consumiu um biscoito salgado, acreditando que seria sua última refeição. Os suprimentos a bordo — dez latas de atum, oito quilos de arroz e três quilos de macarrão — já haviam se esgotado.

Estratégias de sobrevivência

Com o passar dos dias, Máximo recorreu à água da chuva para se manter hidratado. Ele também encontrou 35 baratas na embarcação, que armazenou em um pote e consumiu aos poucos, removendo pernas e antenas. Para suportar a fome, usava a imaginação: “Hoje você vai comer frango grelhado. Aproveite”, dizia a si mesmo antes de comer os insetos.

Em estado de desnutrição e desidratação, o pescador entrou em desespero e recorreu à oração. “Eu clamei a Deus: ‘Por que você está fazendo isso comigo? Ok, eu sou um ser humano com falhas. Eu fui um mulherengo e zombei das mulheres. Mas eu nunca fui ruim. Toda a minha vida, ajudei as pessoas’”, declarou em entrevista ao jornal El País.

Segundo relatou, chegou a pensar em tirar a própria vida. “Eu admito: orei para que meu barco virasse. Eu até peguei uma faca três vezes. Mas então me arrependi e continuei lutando”, lembrou.

Esforços da família

Enquanto isso, em terra firme, familiares de Castro buscaram ajuda das autoridades. Sua filha, Inés, viajou diariamente à capital Lima para pedir à Direção Geral de Capitanias e Guardas Costeiras que iniciasse uma operação de busca, mas não obteve retorno. Sua mãe, Elena Castro, também organizou um protesto em frente à prefeitura do distrito de San Andrés, exigindo a solicitação de um helicóptero da Força Aérea Peruana. Segundo a família, não houve resposta das autoridades.

Em 16 de fevereiro, data do aniversário de Máximo, parentes católicos se reuniram para orar por seu resgate. “Se ele cometeu um erro, o perdoe. Mas guie seu caminho, Senhor. Se ele não te conhece, faça com que ele te conheça. Faça sua vontade”, orou uma de suas irmãs durante o encontro.

No mesmo período, a família organizou uma corrente de oração, pedindo um milagre.

Resgate e visão sobrenatural

Segundo o relato de Máximo, no dia anterior ao resgate, ele voltou a orar. “Eu já estava morrendo e lutando com Deus. Eu disse a Ele: ‘Não quero mais discutir com você, porque sei que você vai me enviar um helicóptero ou um avião’”, afirmou.

No dia 11 de março, um barco de pesca equatoriano localizou a embarcação à deriva a mais de 500 milhas náuticas da costa do Peru, em águas internacionais. Um helicóptero foi acionado e realizou o resgate.

Castro relatou que, momentos antes de ser socorrido, conseguiu capturar uma tartaruga. “Às cinco da tarde, uma tartaruga se prendeu ao barco e, com todas as minhas forças, a virei, cortei sua veia jugular e bebi seu sangue. Uma hora depois, o helicóptero apareceu”, relatou.

Durante o transporte ao hospital, onde recebeu os primeiros cuidados médicos, disse ter tido uma experiência que interpretou como sobrenatural. “Ao olhar para quem estava junto com o piloto, vi Jesus. Eu o vi claramente. Eu me desesperei e comecei a gritar: ‘Você conseguiu, você conseguiu’”, disse.

Recuperação e planos futuros

Após perder 20 quilos durante o período à deriva, Máximo passa por um processo de recuperação. Ele manifestou o desejo de visitar os filhos mais novos e uma neta que vivem no estado de Santa Catarina, no Brasil, a quem não vê há 17 anos.

“Eu me sinto envergonhado. Eu não tenho um único centavo. Espero receber ajuda para realizar meu desejo de conhecer minha neta Thaína. Não quero mais adiar as coisas, porque a vida é agora”, afirmou.

Ao final do depoimento, acrescentou: “Agora quero me render à Palavra do Senhor”.

Vídeo: Sofia Liberato, filha de Gugu, é batizada nas águas

Sofia Liberato, filha do apresentador Gugu Liberato, foi batizada neste sábado, 24 de maio, em cerimônia conduzida pelo pastor Lécio Dornas, líder da Primeira Igreja Batista Brasileira de Orlando, na Flórida. O batismo foi registrado em fotos e vídeos publicados nas redes sociais da jovem, que afirmou ter tomado a decisão como parte de sua caminhada de fé.

“Há algum tempo venho caminhando ao lado de Deus, mas hoje tomei a decisão de oficializar essa entrega através do batismo nas águas”, escreveu Sofia na legenda da postagem. “O batismo simboliza o renascimento — morrer para o velho e nascer para uma nova vida com Cristo. É um ato de fé, obediência e amor. A partir de hoje, sigo ainda mais firme nessa jornada, com o coração cheio de gratidão”, concluiu, citando uma passagem da segunda carta de Paulo aos Coríntios.

A cerimônia foi conduzida pelo mesmo pastor que, anteriormente, também batizou os irmãos de Sofia — João Augusto e Marina — e a mãe, Rose Miriam Di Matteo. Nas redes sociais, a família celebrou a ocasião com mensagens de gratidão e apoio.

“Deus, não consigo encontrar palavras para te agradecer por esse momento tão precioso na vida da minha filha Sofia! Santo, Santo, Santo é o Senhor!”, declarou Rose Miriam. A irmã Marina também reagiu à decisão: “A melhor decisão que você tomou”.

O pastor Lécio Dornas já havia batizado João Augusto Liberato em 27 de julho de 2024. Na época, publicou: “Muita alegria em batizar o querido João Augusto Liberato. Uma bênção ver uma vida dedicando sua juventude ao Senhor. Deus o abençoe João Augusto!”.

Meses depois, em setembro de 2024, Dornas participou do podcast PodCrê, onde comentou sobre o acompanhamento espiritual de Rose Miriam e dos filhos. Na entrevista, relatou o envolvimento da família com a fé cristã e o processo de discipulado iniciado após a morte de Gugu Liberato, em novembro de 2019.

A família reside nos Estados Unidos desde antes do falecimento do apresentador e tem compartilhado publicamente momentos relacionados à fé e à vida espiritual.

Sofia, filha de Gugu Liberato, é batizada nas águas e cita carta do apóstolo Paulo
Legenda da publicação de Sofia Liberato no Instagram

Show do trapper Victin tem pregação e jovens se entregam a Jesus

Um show do trapper cristão Victin reuniu 1.200 pessoas, principalmente jovens, na Igreja Semear de Campos dos Goytacazes (RJ) na quinta-feira (9/5), como parte da turnê “Jesus Invadiu a Tour”.

Segundo a organização do evento, 75 adolescentes e jovens que estavam afastados da fé cristã decidiram “reconciliar-se com Jesus” durante o encontro, que misturou música, pregação e momentos de oração.

Em seu discurso, Victin, de 26 anos, enfatizou a centralidade de Cristo: “Isso aqui não é uma religião, é um estilo de vida. Não tenho nada para te oferecer, a não ser Jesus, porque somente Ele já é suficiente. Se você quer cura ou salvação, está nEle”.

Ao final, o artista liderou uma oração coletiva pelo Brasil, declarando: “O país não é só terra do futebol e do carnaval. É terra de avivamento”.

Da UTI ao palco

Em entrevista anterior ao portal Guiame, Victin detalhou como um acidente aos 11 anos o levou à fé. Em 2009, durante um jogo de futebol na escola, sofreu um traumatismo craniano que o deixou dois meses internado em São José dos Campos (SP).

“Médicos não acreditavam na minha recuperação. Na UTI, membros da Assembleia de Deus me deram uma Bíblia e falaram que Jesus podia me curar. Aceitei Ele por não ter outra opção”, relatou.

Após exames mostrarem o desaparecimento de um coágulo e um tumor cerebral, sem explicação médica, Victin afirmou que o neurocirurgião respondeu: “A medicina não consegue explicar isso”. Sua mãe, presente, atribuiu a cura a uma intervenção divina.

Apesar do milagre, o artista admitiu ter se afastado da fé na adolescência, retornando em 2018. “Foi quando entendi que minha missão era usar a música para evangelizar”, disse. Em 2019, ganhou notoriedade com um vídeo poético que viralizou nas redes, acumulando 15 milhões de visualizações.

Impacto

A turnê já passou por 12 estados e registrou mais de 500 decisões por Cristo, segundo dados da equipe do artista. No Instagram, Victin descreveu o evento em Campos como um marco: “A presença de Jesus invadiu este lugar. Histórias reescritas, corações restaurados. Toda glória a Ele!”.

A Igreja Semear, que organizou o evento, informou que os jovens que decidiram seguir a fé cristã receberão acompanhamento pastoral.  Fontes: Igreja Semear, Guiame, perfil oficial de Victin no Instagram

Diagnosticado com morte cerebral, Pedro Severino reage à oração

Pedro Severino, jovem jogador de futebol de 19 anos, chamou atenção ao aparecer na janela do Hospital Regional de Ribeirão Preto na quarta-feira (21/05), acenando para uma multidão que orava por sua recuperação.

O atleta, que sofreu um acidente grave em março e chegou a ser diagnosticado com morte cerebral, está internado há dois meses e apresenta progressos significativos, segundo atualização médica divulgada nesta quinta-feira (22/05).

O acidente ocorreu em 4 de março, na Rodovia Anhanguera (SP-330), em Americana (SP), quando o veículo em que Severino viajava colidiu com um caminhão. O motorista, amigo do jogador, admitiu à Polícia Civil que “dormiu ao volante”.

Severino, que estava no banco do passageiro, sofreu traumatismo craniano grave e foi levado ao Hospital de Americana. Na ocasião, médicos iniciaram um protocolo para confirmar morte cerebral, interrompido após o jogador apresentar reflexo de tosse durante a retirada da sedação.

“Ele está a cada dia melhor. Conseguiu, sim, andar com auxílio. Não anda ainda e foi até a janela pra poder ver a oração”, relatou Lucas Severino, pai do atleta, em entrevista ao g1.

Transferido para Ribeirão Preto em abril, Pedro passou por duas cirurgias e deixou a UTI no fim de março. Desde segunda-feira (17/05), ocupa um leito na enfermaria, respirando sem auxílio de aparelhos, mas ainda sob monitoramento neurológico.

Reação 

Desde o acidente, grupos de cristãos organizam vigílias diárias em frente ao hospital. Nas redes sociais, hashtags como #MilagreParaPedro viralizaram, com relatos de fiéis atribuindo a melhora do jogador a “intervenção divina”. A família, no entanto, aguarda orientações médicas sobre a continuidade do tratamento.

Revelado nas categorias de base do Botafogo-SP em 2022, Severino disputou a Copinha de 2025 e estreou no time profissional em jogo contra o Água Santa pelo Campeonato Paulista. Em 2024, foi emprestado ao Red Bull Bragantino, clube que buscava integrá-lo ao elenco principal.

O acidente aconteceu quando ele e o amigo Pedro Castro, também do Botafogo-SP, seguiam para Atibaia (SP) para assinar contrato com o Bragantino. Castro teve ferimentos leves e recebeu alta horas após a colisão.

Situação atual

O boletim médico mais recente classifica o quadro de Severino como “estável, porém com sequelas neurológicas que exigem reabilitação prolongada”. A expectativa é que, nas próximas semanas, ele seja transferido para um centro de reabilitação especializado.

Enquanto isso, o Botafogo-SP emitiu nota destacando “resiliência” do atleta e prometeu apoio à família. Torcedores e colegas de profissão seguem compartilhando mensagens de incentivo, com vídeos das vigílias acumulando mais de 2 milhões de visualizações nas redes.

‘Situação é terrível para cristãos em Gaza’, diz palestino evangélico

O cristão evangélico palestino Khalil Sayegh, nascido e criado na Faixa de Gaza, compartilhou em 21 de maio suas experiências e reflexões sobre os efeitos da guerra entre Israel e Hamas no podcast Inside the Epicenter, apresentado por Joel Rosenberg, editor-chefe dos sites All Arab News e All Israel News.

No episódio, Sayegh detalhou as perdas de familiares, o deslocamento forçado de sua comunidade e os dilemas morais enfrentados pelos cristãos da região.

“Estamos falando de menos de 600 cristãos restantes em Gaza. Antes, eram 1.500. Aqueles que conseguiram sair já partiram, em maio”, afirmou Sayegh, atualmente residente nos Estados Unidos.

A ofensiva iniciada em 07 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque contra Israel, teve impacto direto sobre sua família. No dia seguinte ao início do conflito, a casa da família Sayegh foi atingida por bombardeios. Eles buscaram refúgio em uma igreja, considerada um dos últimos locais seguros para cristãos na região.

“Perdi tantas pessoas nesta guerra”, relatou. “Colegas de classe, amigos — muçulmanos e cristãos — e familiares. Quando o bombardeio da igreja aconteceu em 23 de outubro, perdi primos, a maioria bebês. […] Então, após o ataque de um atirador à igreja católica em Gaza, meu pai faleceu. […] E minha irmã mais nova, Lara, que tinha acabado de completar 18 anos, morreu enquanto evacuava a pé para o Egito. Ela simplesmente desmaiou. Não sabemos o que aconteceu”.

Sayegh destacou que desde o início da crise previa o agravamento da situação. “Eu entendia como os israelenses pensam. Eu entendia o que o Hamas poderia ter feito. Eu sabia que seria um inferno em Gaza. Dormi aterrorizado naquela noite”.

Para ele, a guerra foi resultado de equívocos estratégicos tanto por parte do Hamas quanto de Israel. “Pessoalmente, acredito que dois cenários, os mais prováveis, aconteceram. Um, que [Yahya] Sinwar estava embriagado de poder e pensou que poderia obter reféns e forçar Israel a um acordo. O segundo, que Irã, Hezbollah e Síria lançariam um ataque conjunto, pegando Israel desprevenido enquanto os EUA estavam distraídos na Ucrânia. Ambos foram erros de cálculo completos”.

Em sua análise, Sayegh também apontou falhas na política israelense: “Israel se acostumou com a ideia de que o Hamas poderia ser administrado. Havia uma sensação de que, se simplesmente dessem dinheiro ao Hamas — dinheiro do Catar chegando em malas —, Gaza ficaria quieta. Netanyahu acreditava que o Hamas era um trunfo para impedir a formação de um Estado palestino”.

Joel Rosenberg acrescentou: “O governo israelense via o Hamas como uma tensão a ser administrada”, destacando a ausência, até então, de apoio interno para uma grande operação militar terrestre em Gaza.

Ao analisar o cenário atual, Sayegh identificou uma mudança inédita entre os palestinos. Segundo ele, uma nova pesquisa indica que 48% dos habitantes de Gaza apoiam os protestos contra o Hamas: “Até mesmo esse número provavelmente é maior”, disse. “Dezenas de milhares marcharam em Beit Lahia com slogans dizendo: ‘Nós somos a resistência’. Isso é inédito. Na cultura palestina, a resistência é sagrada. Mas agora as pessoas estão dizendo: se isso custar nossos filhos, somos contra”.

Para Sayegh, os protestos são também uma expressão de exaustão diante da guerra. Ao tratar do futuro da região, ele defendeu o fim do controle do Hamas e uma transição liderada pela Autoridade Palestina, com apoio de países árabes como Egito e Arábia Saudita. “O Hamas deve ser desmantelado e o policiamento deve ser feito com apoio árabe”.

Questionado sobre a viabilidade dessa proposta, Sayegh afirmou: “Sim, mas duas condições devem ser cumpridas. Primeiramente, a Autoridade Palestina deve convidá-los. Eles são vistos como o governo legítimo. Segundamente, Israel deve se comprometer com um plano político — algo como a Iniciativa de Paz Árabe liderada pela Arábia Saudita”.

Apesar das perdas, Sayegh afirmou manter viva a esperança. “Não se trata de otimismo ingênuo, mas de uma esperança forjada na dor e na fé”, concluiu, segundo informações do The Christian Post.