A campanha nacional “Janeiro Branco”, criada em 2014, propõe a reflexão sobre saúde mental e emocional no primeiro mês do ano. A iniciativa ganha relevância diante de dados do Ministério da Saúde que indicam que aproximadamente 30% dos brasileiros serão afetados por algum transtorno mental ao longo da vida.
O país está entre os que registram maior prevalência de ansiedade no mundo, conforme organismos internacionais de saúde. No Brasil, a depressão atinge mais de 11 milhões de pessoas. Anualmente, são registrados mais de 14 mil suicídios, uma média próxima de 40 mortes por dia.
Adicionalmente, os transtornos mentais e comportamentais figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A neurocientista Dra. Quézia Anders explicou o significado da campanha. “O janeiro branco é um simbolismo, uma forma de associar a cor branca – inclusive eleita cor de 2026 – que reflete paz e sensibilidade”, afirmou. Ela citou como principais fatores que impactam a saúde mental na atualidade a “falta de sono adequado, inatividade física e uso constante de telas”.
A especialista chamou atenção para o aumento significativo na procura por atendimento psicológico entre o público mais jovem. Conforme dados do Ministério da Saúde, nos últimos dez anos, o número de atendimentos por ansiedade no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 1.575% na faixa etária de 10 a 14 anos e 4.423% entre adolescentes de 15 a 19 anos.
“As crianças ainda não sabem distinguir suas emoções, precisam dos pais para isso. Porém, muitos pais também não sabem e são irritáveis, sem paciência e acabam prejudicando todo esse processo. Isso torna as crianças ainda mais frágeis e adolescentes/jovens que não conseguem controlar suas emoções”, detalhou a Dra. Anders.
Ela defendeu a inclusão do tema na grade curricular das escolas. “Na Suíça, as crianças aprendem na escola sobre inteligência emocional. Já tive uma paciente que morava lá e era o filho dela de 7 anos que a ensinava sobre o repertório de emoções e para que servem. Deveríamos treinar isso desde cedo, a começar pelos pais”, declarou.
Segundo a Comunhão, a neurocientista também listou recomendações básicas para preservação da saúde mental, não apenas no Janeiro Branco, mas durante todo o ano: dormir no mínimo sete horas por noite, exercitar-se diariamente por pelo menos 30 minutos e reduzir ao máximo o tempo de exposição a telas e à internet.
Recomendações para a Saúde Emocional:
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Reconheça suas emoções: Identificar sentimentos sem julgamento é o primeiro passo para lidar com ansiedade, tristeza ou frustração.
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Mantenha uma rotina equilibrada: Horários regulares para dormir, alimentar-se e trabalhar contribuem para maior estabilidade emocional.
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Cuide da qualidade do sono: A privação de sono eleva os riscos de estresse, irritabilidade e ansiedade.
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Pratique atividades físicas regularmente: Exercícios favorecem a liberação de substâncias como endorfina e serotonina, associadas ao bem-estar.
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Limite o consumo de notícias e o uso de redes sociais: O excesso de informações negativas pode intensificar sentimentos de angústia.
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Fortaleça vínculos afetivos: Conversar e compartilhar experiências com pessoas de confiança ajuda a aliviar tensões.
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Reserve tempo para lazer e descanso: Momentos de prazer e desconexão são fundamentais e não devem ser vistos como perda de tempo.
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Aprenda a estabelecer limites: Saber dizer “não” evita sobrecarga emocional e promove relações mais saudáveis.
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Pratique a gratidão: Focar em aspectos positivos da vida ajuda a reduzir a atenção excessiva em problemas.
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Busque ajuda profissional quando necessário: Psicólogos e psiquiatras são qualificados para o diagnóstico e tratamento de transtornos emocionais.
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Evite o isolamento social prolongado: O afastamento contínuo pode agravar quadros de tristeza e ansiedade.
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Cultive a espiritualidade ou um propósito de vida: Para muitas pessoas, práticas como fé, meditação ou reflexão pessoal são fontes de equilíbrio emocional.