Michael Guillen, físico, matemático e astrônomo com doutorado pela Universidade Cornell, relata uma mudança radical em sua visão de mundo ao longo de sua carreira acadêmica. Criado como ateu, ele afirma que foi a própria ciência que o levou a reconsiderar a existência de Deus, se rendendo à fé cristã.
Durante os anos de pós-graduação em Cornell, Guillen mantinha uma rotina de dedicação quase exclusiva ao laboratório. “Eu passava 20, 21 horas por dia no meu laboratório no porão”, disse ao jornal The Daily Mail.
Ele comparou o período a “uma criança em uma loja de doces” e admitiu que sua aparência física refletia o isolamento: “Se você olhar fotos minhas daquela época, eu tinha uma aparência bem desleixada.”
A entrega à ciência era total. “Tornar-se cientista era algo totalmente absorvente. Quem passa de 20 a 21 horas por dia em um laboratório básico, sem janelas, por anos a fio e sem vida social? Eu mal cuidava da minha aparência. Mal me alimentava. Quem faz isso? Era uma obsessão”, confessou.
O convite para ler a Bíblia
Apesar do foco inabalável na pesquisa, Guillen começou a questionar se o método científico seria capaz de responder a todas as questões humanas. Um episódio decisivo ocorreu quando uma colega o desafiou a ler as Escrituras. “Ela disse algo que mudou minha vida para sempre. Ela disse: ‘Eu também não li a Bíblia; se você a ler, eu leio com você’”, recordou.
Guillen aceitou o desafio por um motivo pessoal: “E eu pensei: bem, eu não me importo com a Bíblia, mas me importo com essa garota.” A partir daí, iniciou uma jornada espiritual que, ao contrário de um momento de iluminação súbita, foi se desenvolvendo gradualmente.
Os limites do conhecimento científico
O cientista que se rendeu à fé cristã explica que sua mudança de perspectiva ocorreu à medida que ele percebia as limitações inerentes à ciência.
“A ciência moderna postula que a maior parte da realidade não é visível, não é lógica e não é imaginável”, concluiu. Essa compreensão está no centro de seu documentário “O Invisível Está em Toda Parte: Acreditar É Ver”, lançado em 8 de abril de 2026.
A produção acompanha sua trajetória pessoal – da curiosidade infantil ao ateísmo na juventude, e finalmente à fé cristã. Para ilustrar suas ideias, o filme combina imagens de arquivo e fotografias (melhoradas com inteligência artificial) com vídeos e cenas geradas pela mesma tecnologia.
Guillen descreve o processo como uma série de pequenas epifanias, e não um único instante de revelação. “Cheguei a um ponto, no final dos meus 20 e início dos 30 anos, em que tive todas essas epifanias, todas essas revelações, que demoliram os lemas da minha infância. Percebi que, se eu fosse depender apenas da ciência para responder às minhas perguntas mais profundas, isso simplesmente não aconteceria”, afirmou.
Ciência e fé como parceiras
Para Guillen, a ciência não apenas falha em responder às questões últimas, mas também contribui para abrir os olhos para o mistério. “O que a ciência fez foi abrir nossos olhos para o mistério do universo. Não é nem um pouco simples, e nós não o compreendemos. E quanto mais a ciência aprende sobre o universo, mais percebe que não compreende a maior parte dele”, disse.
Hoje, ele defende a ideia de um design inteligente por trás da vida e afirma ter encontrado no cristianismo uma coerência com o conhecimento científico. “Existe [alguma religião] que se destaque em termos de sua sincronicidade com a ciência? A resposta foi algo óbvio, que não exigiu esforço algum. Foi o Cristianismo”, declarou.
Apesar de sua convicção, Guillen evita o proselitismo. “Tenho plena consciência do profundo mistério que habitamos – e que nos habita –, portanto, há muito espaço para divergências”, ponderou.
Reconhecimento e gratidão
Refletindo sobre sua jornada, o físico concluiu: “Comecei a vida como ateu e, para minha surpresa, a ciência abriu meus olhos para a existência de Deus – eu jamais, nunca em um milhão de anos, esperaria que a minha amada ciência me levasse a essa conclusão.”
Ao relembrar a colega que o incentivou a ler a Bíblia e se render à fé cristã – identificada como Laurel –, ele expressou gratidão: “Se Laurel não tivesse entrado em minha vida, honestamente, não sei onde eu estaria; mas sei que não estaria aqui conversando com você. Eu provavelmente ainda seria aquele monge científico, trancado no porão de algum laboratório, em algum lugar.” Com: Daily Mail.