As igrejas evangélicas, que representavam 5% da população brasileira em 1970, atingiram 34,2% em 2024 (Datafolha), consolidando-se como força eleitoral relevante. Como resultado, pastores naturalmente passaram a exercer grande influência sobre o eleitorado nacional.
Esse crescimento demográfico refletiu-se na política: a Bancada Evangélica no Congresso saltou de 3 deputados em 1986 para o atual bloco de 200 parlamentares (Frente Parlamentar Evangélica), com influência em temas como direitos sociais, segurança e moralidade.
Não por acaso, agora, críticos da direita e do pensamento conservador, defendido pela maioria dos evangélicos, estão querendo promover uma verdadeira “caçada” aos pastores que, supostamente, fazem campanha eleitoral em suas igrejas.
Um grupo chamado “Movimento Brasil Laico”, por exemplo, fez uma publicação recentemente anunciando o seguinte:
“A propaganda eleitoral em igrejas constiui violação da Lei Geral das Eleições, de 1997. Porém, muitos pastores, cretinamente, transformam seus púlpitos em palanques. Vamos realizar em 2026 a maior campanha de fiscalização e denúncia da propaganda eleitoral nas igrejas deste país.”
Intimidação?
A iniciativa do movimento, contudo, também pode ser vista como uma tentativa de intimidação. Em 2018, 70% dos evangélicos votaram em Bolsonaro (Datafolha), alinhados a discursos de “defesa da família tradicional” e anticorrupção.
Atores como o pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus) e a pastora Damares Alves (Republicanos) conseguem mobilizar bases para eleger candidatos alinhados a pautas conservadoras, como a Lei do Teto de Gastos e restrições ao aborto.
Nas eleições de 2026, o movimento deve ampliar estratégias digitais e pressionar por cargos no Executivo. Pesquisas indicam que 48% dos fiéis seguem orientação pastoral no voto (IPSO, 2023), confirmando a influência duradoura dos pastores no cenário político.
A realidade, porém, é que tal influência também é exercida em outros setores, como o educacional. Diante disso, igrejas têm se levantado contra o que considera ser uma ameaça à liberdade religiosa, motivo pelo qual os líderes religiosos vêm assumindo uma postura mais incisiva durante o período eleitoral.