Erguer as mãos no culto é adoração ou hipocrisia? Pastor explica

O teólogo e pastor John Piper discutiu, em um episódio recente do podcast Ask Pastor John, a preocupação de um ouvinte sobre a advertência de Jesus em Mateus 6 contra praticar a justiça “para ser visto pelos outros”. O ouvinte perguntou se gestos expressivos no culto, como levantar as mãos, fechar os olhos ou demonstrar emoção, podem se aproximar da hipocrisia que Jesus condenou ao tratar de orações e atos religiosos feitos para receber elogios humanos.

Piper, de 80 anos, fundador do Desiring God e pastor de longa data da Igreja Batista de Belém, em Minneapolis, afirmou que o ponto central de Mateus 6 não seria a ação externa, mas a intenção: “A questão é a nossa motivação, não a nossa ação em si”, disse, ao afirmar que os ensinamentos de Jesus colocam em foco se o crente deseja mais a aprovação de Deus do que a admiração de outras pessoas.

Ele afirmou que Mateus 6 funciona como um teste de autenticidade espiritual, ao examinar se Deus é tratado como Pai e se a recompensa prometida por Ele é considerada mais valiosa do que o reconhecimento humano. Piper disse que os exemplos apresentados por Jesus expõem a condição do coração humano, e não estabelecem uma lista de comportamentos públicos proibidos.

Piper afirmou que a fé cristã não pode ser vivida de forma invisível e citou Mateus 5:16 ao falar sobre a orientação para que boas obras sejam vistas com o objetivo de que Deus receba a glória. “Não dá para viver a vida cristã sem ser conhecido como uma pessoa piedosa. Não dá”, argumentou.

Ao mesmo tempo, ele alertou que nenhum comportamento é automaticamente “seguro” do ponto de vista espiritual e afirmou que até a humildade pode se tornar motivo de orgulho. “Não existem espaços seguros. Não existem comportamentos seguros neste mundo — nenhum”, disse.

“Nossos corações humanos estão infectados pelo pecado inerente e são capazes de se orgulhar dos comportamentos mais humildes, bondosos e generosos”, acrescentou, de acordo com o The Christian Post.

Piper afirmou que o ensino de Mateus 6 alcança diferentes expressões públicas de fé, incluindo postura no culto, frequência à igreja, oração antes das refeições, uso de símbolos religiosos e publicação de versículos bíblicos nas redes sociais. Ele disse que a linha entre fidelidade e desempenho é ultrapassada quando a motivação é buscar elogios humanos, agir sem amor ao próximo ou procurar a própria glória em vez da glória de Deus.

Ao citar um cenário em que uma congregação não costuma levantar as mãos durante o culto, Piper disse que discernimento e amor devem orientar se a liberdade pessoal será exercida ou contida. Ele citou Filipenses 1:9 ao afirmar que Paulo orou para que o amor “transborde cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção”.

Piper afirmou que a pergunta decisiva seria se os crentes desejam o próprio Deus mais do que visibilidade e reconhecimento: “Por fim, a fidelidade pública se torna mera performance pública quando deixamos de esperar que Deus seja glorificado mais do que nós”, disse, antes de concluir: “Deus é real para nós? Ele é um Pai precioso para nós? A promessa de sua recompensa é muito mais desejável para nós do que as recompensas da admiração humana?”.