As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira, com impactos severos em Juiz de Fora e Ubá, mobilizaram uma ampla rede de solidariedade entre igrejas evangélicas da região. Diante do cenário de destruição — que já contabiliza 48 mortos, 19 desaparecidos, mais de 3 mil desabrigados em Juiz de Fora e 26 em Ubá —, os evangélicos já transformaram seus templos em pontos de apoio e arrecadação .
A proximidade das congregações com as comunidades locais tem sido um diferencial na resposta à tragédia. Lideranças religiosas conhecem nominalmente as famílias afetadas, identificam idosos, pessoas com deficiência e crianças em situação de vulnerabilidade, o que agiliza a distribuição da ajuda e reduz a burocracia.
Enquanto o poder público concentra esforços no restabelecimento da infraestrutura e na segurança, as comunidades de fé atuam como extensão do cuidado social.
Ações por Denominação
A Igreja Universal do Reino de Deus, por meio do braço social UniSocial, instalou pontos de coleta em todos os templos de Juiz de Fora e Ubá. Voluntários realizam triagem dos donativos e distribuição de refeições às famílias, com apoio de coordenação nacional.
A ADRA Brasil, agência humanitária vinculada à Igreja Adventista, implementou um sistema de cartão humanitário — espécie de voucher que permite às famílias adquirir itens conforme suas necessidades específicas. A metodologia, já utilizada em outros desastres, reduz desperdícios e devolve autonomia às vítimas. A entidade também presta assistência técnica nos abrigos.
A Convenção Batista Mineira centralizou as arrecadações por meio de seu Comitê de Ação Social, organizando o fluxo de doações para evitar sobrecarga em alguns pontos e escassez em outros. A estratégia unifica igrejas locais sob coordenação estadual.
A Igreja do Evangelho Quadrangular, através do Conselho Estadual de Diretores e do Instituto Casa da Provisão, mobilizou suas comunidades, com templos atuando como polos de arrecadação. A Igreja Metodista, na 4ª Região Eclesiástica, definiu o templo do bairro Bela Aurora, em Juiz de Fora, como ponto oficial de recebimento.
Outras denominações ligadas aso evangélicos locais também aderiram à mobilização: a Igreja Renascer em Cristo lançou a campanha “Giro de Solidariedade”, arrecadando roupas e kits de higiene; a Igreja Presbiteriana do Brasil orientou suas comunidades a atuarem por meio dos diaconatos locais nas áreas inundadas; a Igreja Cristã Maranata mobilizou voluntários para limpeza de vias; e templos da Assembleia de Deus, nos ramos Madureira e Missão, abriram espaços para alojamento temporário e distribuição de marmitex.
As doações prioritárias incluem água potável, alimentos não perecíveis, produtos de higiene, roupas de cama, cobertores e materiais de limpeza. Contribuições financeiras também são bem-vindas, permitindo que as instituições adquiram itens conforme a demanda imediata. Antes de se deslocar, organizadores recomendam confirmar horários e necessidades específicas junto aos pontos de coleta.
Em meio à lama que ainda marca ruas e residências, o gesto solidário torna-se testemunho silencioso. A reconstrução das cidades atingidas passa por máquinas, decretos e recursos públicos, mas também por comunidades que decidiram viver, na prática, a ordem de cuidar do próximo. Com: Comunhão.