O pastor John-Paul Miller, da Carolina do Sul, declarou-se inocente em um tribunal federal das acusações de prestar declarações falsas a investigadores federais e de perseguir ciberneticamente sua ex-esposa, Mica Miller, por quase dois anos, até a morte dela em 2024, registrada pelas autoridades como suicídio.
Durante a audiência em Florence, na segunda-feira, promotores o descreveram como risco de fuga. Ainda assim, a Justiça fixou fiança de US$ 100 mil, determinou que ele mantenha distância de quaisquer vítimas ou familiares ligados ao caso e exigiu o uso de tornozeleira eletrônica, conforme registros judiciais.
Entre as condições impostas, Miller está proibido de deixar a Carolina do Sul sem autorização do Departamento de Liberdade Condicional dos EUA, não pode portar arma de fogo, deve evitar consumo excessivo de álcool e precisa entregar o passaporte, além de outras exigências.
O Gabinete do Procurador dos EUA para o Distrito da Carolina do Sul afirma, em denúncia apresentada em 17 de dezembro, que Miller teria iniciado a perseguição cibernética por volta de 16 de novembro de 2022, mantendo a conduta até a morte de Mica, em 27 de abril de 2024. A acusação sustenta que as ações teriam sido praticadas com intenção de assediar, intimidar ou manter a vítima sob vigilância, identificada no documento como “Vítima 1”.
Segundo os promotores, Miller teria usado ou ameaçado usar imagens íntimas da ex-esposa para assediá-la e também teria publicado conteúdo íntimo online sem consentimento. A acusação ainda aponta que ele teria instalado, ou mandado instalar, dispositivos de rastreamento em veículos usados por Mica, além de interferir em finanças, operações bancárias e atividades diárias dela.
Os investigadores também afirmam que Miller fez uma declaração “materialmente falsa” ao dizer que Mica teria ligado para ele mais vezes do que o contrário em 11 de março de 2024. A denúncia registra que ele teria ligado para a vítima pelo menos 50 vezes a mais e que teria declarado, de forma incorreta, que a polícia nunca o orientou a parar de contatá-la, quando um policial do Departamento de Polícia do Condado de Horry teria feito essa orientação na mesma data.
A acusação ainda afirma que Miller negou ter danificado os pneus do carro de Mica, mas que teria sido comprovado o uso, direto ou por terceiros, de um dispositivo para esvaziar pneus.
Se condenado, Miller pode receber pena de até cinco anos por perseguição cibernética e até dois anos por declarações falsas, além de multa de até US$ 250 mil, conforme informações do portal The Christian Post.
Registros judiciais indicam que, antes da morte, Mica entrou com um pedido de divórcio em outubro de 2023, que foi arquivado em fevereiro. Pouco depois, Miller apresentou um pedido de “pensão alimentícia e manutenção separada”, buscando apoio financeiro. Mica entrou com solicitação semelhante em abril de 2024, e uma audiência foi marcada para 5 de junho.
Em declaração apresentada ao tribunal, Sierra Francis, irmã de Mica, disse que ela havia entregado os papéis do divórcio em 25 de abril e estava esperançosa com o futuro após a separação.