O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à Presidência da República, declinou do convite para participar do encontro organizado pelo Grupo Lide, previsto para ocorrer em Nova York.
O evento, fundado pelo ex-governador de São Paulo João Doria, reúne anualmente lideranças empresariais e autoridades públicas para debates sobre o cenário econômico e político brasileiro. A ausência do parlamentar, que já constava na programação preliminar como palestrante, foi confirmada por sua assessoria e repercutida em meios políticos como um posicionamento estratégico.
A decisão de Flávio Bolsonaro de não comparecer ao evento ocorre em um contexto de distanciamento político em relação aos organizadores e frequentadores habituais do fórum, algo que foi visto como positivo pelo escritor e analista Flávio Gordon, em artigo publicado pela revista Oeste.
O Grupo Lide tem sido palco de encontros que contam com a presença frequente de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além de figuras do Judiciário e do empresariado que mantêm divergências públicas com o grupo político liderado pela família Bolsonaro.
Críticos do evento argumentam que tais encontros promovem uma proximidade excessiva entre o poder econômico e o Judiciário, enquanto os defensores destacam a importância do diálogo institucional.
O distanciamento entre a família Bolsonaro e João Doria intensificou-se durante a pandemia de Covid-19, quando ambos divergiram sobre as medidas de isolamento social e a implementação de vacinas. Desde então, o Lide tem sido associado por aliados do ex-presidente a um ambiente de oposição ao bolsonarismo.
A recusa do senador é interpretada como um gesto de fidelidade à sua base eleitoral, evitando a legitimação de um fórum onde figuras centrais das investigações contra seu pai, Jair Bolsonaro, costumam ser homenageadas ou atuar como conferencistas.
A ausência de Flávio Bolsonaro no evento em Nova York sinaliza a manutenção de uma postura de confronto com determinados setores do sistema político e jurídico brasileiro às vésperas da campanha eleitoral de 2026.
Enquanto outros pré-candidatos buscam aproximação com o mercado financeiro internacional por meio desses fóruns, o senador opta por reforçar sua identidade de oposição ao “establishment” representado pelas figuras que compõem o quadro de convidados do Lide.