O pastor Robert Morris, fundador da Gateway Church, foi libertado na terça-feira, após cumprir pena de seis meses na prisão do Condado de Osage, no Oklahoma. A informação foi confirmada pelo gabinete do xerife local, que registrou a saída às 00h11, no horário local.
Morris foi condenado por abusar sexualmente de Cindy Clemishire durante vários anos a partir da década de 1980, quando ela tinha 12 anos. Ele também recebeu pena suspensa de 10 anos e deverá se registrar como agressor sexual, além de pagar US$ 270 mil em restituição.
O caso teve origem em acusações formais apresentadas em março de 2025 por um júri em Oklahoma. Segundo o processo, os abusos começaram em 25 de dezembro de 1982 e se estenderam por cerca de quatro anos e meio. Na época, Morris atuava como evangelista itinerante.
O advogado Bill Mateja afirmou que o pastor se declarou culpado em outubro de 2025: “Ele se declarou culpado porque queria assumir a responsabilidade por sua conduta. Ele prontamente aceitou a responsabilidade perante a lei em virtude de sua declaração de culpa”, acrescentou, de acordo com o The Christian Post.
Além da condenação criminal, Morris enfrenta um processo por difamação movido por Cindy Clemishire e seu pai, Jerry Lee Clemishire. A ação pede indenização superior a US$ 1 milhão e sustenta que declarações públicas do pastor e de líderes da igreja teriam descrito o caso como um “relacionamento” consensual, e não como abuso.
O processo está suspenso enquanto aguarda análise de um pedido de revisão judicial apresentado por advogados da Gateway Church e por membros da liderança, incluindo John D. Willbanks, Kenneth W. Fambro II e Dane Minor. O pedido foi apresentado após decisão da juíza Emily Tobolowsky, do Tribunal Distrital do Condado de Dallas, que rejeitou tentativa de arquivamento com base na doutrina de abstenção eclesiástica.
A magistrada também autorizou a produção limitada de provas para análise do caso, decisão contestada pelos advogados da igreja com base na Texas Citizens Participation Act, legislação que trata da proteção à liberdade de expressão.
O advogado Ron Breaux, representante da igreja, afirmou: “Ninguém na atual liderança da Gateway tinha conhecimento do comportamento criminoso de seu ex-pastor”. Ele acrescentou: “Essas ações […] são protegidas pela Primeira Emenda contra questionamentos seculares”.