Uma declaração do pastor Edilson de Lira Vasconcelos Filho, líder da igreja Verbo da Vida em Petrolina (PE), durante um culto, provocou discussão na Câmara Municipal e culminou na aprovação de uma moção de solidariedade ao religioso. O episódio envolveu críticas de vereadores e uma defesa enfática do pastor sobre sua atuação ministerial e social.
Durante a pregação, Edilson anunciou um novo projeto evangelístico da igreja na Ilha do Massangano, uma região do município. Ao convocar líderes para a iniciativa, ele declarou: “Sabe, o Senhor falou conosco em oração e ontem nós conversamos e a Igreja Verbo da Vida ela também está indo para a Ilha do Massangano”.
Em seguida, citou o texto bíblico de Romanos 5:20 — “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” — e fez uma analogia: “A Ilha do Massangano é a nossa Ilha do Marajó, se é que você me entende. É um lugar onde hoje abunda o pecado, mas vai superabundar a graça”.
A fala foi levada à tribuna da Câmara Municipal pelo vereador Gilmar Santos, que a classificou como um “ataque à dignidade de um povo”. A vereadora Maria Helena (UNIÃO) também se manifestou, questionando as motivações do trabalho social desenvolvido pela igreja na região.
“Se os senhores quiserem aparecer, não é fazendo social para se tornarem visíveis. Mas necessariamente se interessa a necessidade de aparecer no cenário de Petrolina da região, como sendo os todo-poderosos, como aqueles e aquelas que vão resolver problemas da comunidade”, afirmou a parlamentar, ressaltando que os desafios locais não seriam resolvidos exclusivamente por ações pontuais.
Em tom preconceituoso, ela ainda observou que a Casa é composta majoritariamente por membros da Igreja Católica e alertou: “Vamos ter cuidado, porque, senão, evangélicos aqui vão querer dar o tom de como esse poder tem que trabalhar”.
Moção de Solidariedade e Defesa do Pastor
No dia 26 de fevereiro, a Câmara Municipal aprovou, por 14 votos a favor, 1 contra e 2 abstenções, uma moção de solidariedade ao pastor Edilson. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele comemorou a decisão e afirmou que a Casa “corrigiu uma injustiça”.
Segundo Edilson, um requerimento anterior havia distorcido sua fala no culto, acusando-o de ofender a comunidade da Ilha do Massangano.
O pastor, que também é médico e preside a ONG Movimento — organização que atua na transformação social de pessoas em situação de vulnerabilidade no Vale do São Francisco —, negou qualquer intenção de protagonismo.
“A Câmara colocou meu nome em pauta, aprovando uma moção infame que dizia que eu ofendi a comunidade da Ilha do Massangano, o que nunca aconteceu. Eu amo, respeito e quero ajudar a melhorar aquela comunidade querida”, declarou.
Ele comparou sua situação ao episódio bíblico de Atos 16:37, no qual os apóstolos Paulo e Silas, após serem injustamente presos, exigiram reparação pública. “Não foi por ego ou por vaidade. Ele defendeu seus direitos legítimos, para que não ficasse precedente de abuso contra outros cidadãos cristãos, e para que a verdade fosse estabelecida de forma pública”, explicou Edilson, aplicando o princípio à sua própria defesa.
Liberdade Religiosa e Atuação Pública
O pastor aproveitou a oportunidade para afirmar o direito de evangélicos se posicionarem na sociedade. “Já acabou, faz muito tempo, o período na história do Brasil em que os evangélicos eram vistos como pessoas sem voz, sem cultura ou sem lugar na sociedade e na política. Nós respeitamos opiniões diversas, religiões diversas, mas nós somos cidadãos de pleno direito”, declarou.
Edilson também convocou autoridades e lideranças locais a se unirem em prol da transformação social da Ilha do Massangano. “Petrolina merece isso, unidade em prol do bem comum, ações concretas e não divisão”, afirmou.
Ao final, dirigiu-se a qualquer político que pretenda fiscalizar pregações dentro das igrejas: “Nós não nos intimidamos! Vamos pregar a Bíblia em sua totalidade e em todos os lugares”. Ele agradeceu a Deus, aos que oraram e aos que se posicionaram publicamente pela verdade, reiterando seu compromisso com o chamado ministerial e o serviço ao próximo.