O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes fez um comentário indireto sobre a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha. Isso ocorreu durante uma cerimônia de formatura da 194ª turma de Direito da Universidade de São Paulo, realizada nesta quinta-feira, 15 de janeiro.
Ao discursar como patrono da turma no Teatro Vibra São Paulo, Moraes brincou sobre o tempo dos oradores e, em seguida, afirmou: “Acho que hoje já fiz o que tinha que fazer”. A declaração foi recebida com aplausos pela plateia.
Nas redes sociais, porém, apoiadores do ex-presidente interpretaram a fala com indignação. O deputado federal Carlos Jordy, por exemplo, comentou:
“Moraes é um narcisista que se deleita com os aplausos por sua tirania. Seu ego inflado é massageado toda vez que exala sua soberba por seu autoritarismo e ganha risos, simpatia e apoio de uma claque ideológica que vibra com a perseguição dos seus adversários. Seu discurso deixa claro que ele não exerce mais o papel de juiz, mas sim de militante político que se satisfaz com seu autoritarismo e parcialidade. Só há um modo de acabar com essas covardias, é fazendo o impeachment desse tirano!”
Decisão pela Transferência
Horas antes, Moraes havia determinado a transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para o 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade que integra o Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”. O ex-presidente estava custodiado na PF desde novembro de 2025.
Em sua decisão, Moraes abordou as reclamações da defesa sobre as condições da cela na PF, que incluíam o barulho constante de um ar-condicionado. A Polícia Federal chegou a fornecer tampões de ouvido e, posteriormente, concordou em desligar o equipamento durante a noite. A defesa pedia a concessão de prisão domiciliar com base no estado de saúde do ex-presidente, argumentando a necessidade de acompanhamento constante.
Ao negar o pedido de prisão domiciliar e determinar a transferência para a unidade da PM-DF, o ministro utilizou um tom considerado sarcástico em trechos do despacho. “Ressalte-se, entretanto, que essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de Jair Messias Bolsonaro […] em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias”, escreveu Moraes.
No batalhão da Papudinha, Bolsonaro passará a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão ao lado de outros condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques.