Na mira dos EUA, ditadura islâmica do Irã desiste de execução

O governo do Irã adiou a execução de Erfan Soltani, um comerciante de 26 anos condenado à morte por suposta participação em protestos recentes. A pena, inicialmente marcada para esta quarta-feira, 14 de janeiro, foi suspensa após pressão diplomática internacional, incluindo mensagens do governo dos Estados Unidos, segundo relatos de familiares.

Soltani tornou-se o primeiro manifestante da atual onda de protestos a receber sentença de morte. Horas após o adiamento, o ex-presidente norte-americano Donald Trump afirmou em cerimônia pública: “Fomos informados de que os assassinatos no Irã estão parando e que não há planos de execução”. Ele reiterou que uma execução provocaria uma reação forte de Washington.

Contexto de Protestos e Repressão

Os protestos no Irã, iniciados no final de dezembro, continuam sendo reprimidos com força. De acordo com a organização Iran Human Rights (IHRNGO), mais de 3.400 pessoas foram mortas pelas forças de segurança desde o início dos levantes. A ONG Direitos Humanos no Irã atualizou nesta quarta-feira que o número de mortos entre os dias 8 e 12 de janeiro já supera essa marca, com base em fontes do Ministério da Saúde iraniano. A organização não-governamental norte-americana HRANA estima que mais de 18 mil manifestantes já foram detidos.

Vídeos que circulam em redes sociais mostram dezenas de corpos em sacos alinhados do lado de fora de um necrotério em Teerã, corroborando relatos de testemunhas sobre violência em massa.

Cristãos entre as Vítimas

A perseguição tem atingido grupos minoritários. A organização Article 18, que apoia cristãos perseguidos, divulgou nesta quarta-feira que pelo menos sete cristãos de origem iraniano-armênia estão entre os mortos, sendo apenas um oficialmente identificado até o momento. A organização Barnabas Aid relatou que pelo menos dez cristãos foram presos sob acusações de liderar protestos e agir contra a segurança nacional.

Um pastor de uma igreja clandestina disse à Barnabas Aid: “O clima é de medo. As autoridades não estão apenas procurando manifestantes; elas estão procurando alvos que possam usar para contar uma história de interferência estrangeira”. Ele descreveu buscas casa a casa contra fiéis cristãos.

Tensões Internacionais 

A crise gerou alertas no cenário internacional. A Alemanha emitiu orientação para que companhias aéreas evitem o espaço aéreo iraniano. A Lufthansa, por exemplo, alterou suas rotas no Oriente Médio, suspendendo voos noturnos para algumas cidades.

O ex-presidente Trump discursou na terça-feira, 13 de janeiro, encorajando os manifestantes: “A todos os patriotas iranianos, continuem protestando, tomem suas instituições se possível”. Ele advertiu que os EUA tomariam “ações muito fortes” se execuções fossem realizadas.

Em resposta, o regime iraniano informou nesta quarta-feira que retaliaria contra bases militares americanas no Oriente Médio caso fosse atacado. A agência Reuters reportou que os Estados Unidos iniciaram a evacuação de tropas de algumas bases na região, indicando um aumento iminente das tensões. Com: G1