O governo da Nicarágua libertou o pastor Rudy Palacios e familiares após seis meses de prisão, em meio a um novo contexto no continente americano marcado por pressão dos Estados Unidos em diferentes frentes relacionadas à liberdade. A informação foi confirmada nesta semana pelo Mecanismo para o Reconhecimento de Presos Políticos.
O mecanismo informou que Palacios e os parentes estavam detidos desde julho de 2025, na cidade de Jinotepe, no departamento de Carazo. O pastor é fundador da Associação da Igreja La Roca da Nicarágua. Organizações de direitos humanos informaram que a prisão ocorreu durante uma operação policial realizada em quinta-feira, 17 de julho de 2025.
A organização Christian Solidarity Worldwide (CSW) afirmou que policiais armados e pessoas mascaradas participaram das ações no momento da prisão. A entidade informou que as abordagens ocorreram em diferentes residências vinculadas à família do pastor.
Além de Rudy Palacios, a operação resultou na prisão da irmã dele, de cunhados, de um amigo identificado como ativista político e do filho adulto desse amigo. As pessoas detidas integravam um grupo de 20 presos políticos reconhecidos oficialmente por organismos de monitoramento.
A CSW informou que, apesar da libertação, Palacios permanece submetido a medidas de precaução. A organização citou vigilância reduzida e restrições de circulação. A diretora da entidade para as Américas, Anna Lee Stangl, afirmou: “A libertação não encerra o caso”, acrescentando que “a prisão foi injusta e não deveria resultar em qualquer forma de controle ou limitação aos libertados”.
Outros líderes religiosos continuam presos no país, segundo a CSW, citando como exemplo o caso do pastor Efrén Antonio Vílchez López, detido desde 2022 após críticas à repressão estatal.
A entidade solicitou ao governo da Nicarágua a libertação total e sem condições de todos os presos políticos que permanecem sob custódia.