No Nordeste, Flávio destaca “recorde de feminicídios” sob Lula

Em seu primeiro discurso como pré-candidato à Presidência na região Nordeste, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentrou sua fala em críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente na área de segurança pública, e fez um novo movimento para atrair o eleitorado feminino.

O pronunciamento ocorreu no Rio Grande do Norte na sexta-feira (20), em um evento que reuniu prefeitos, senadores e aliados de estados vizinhos.

“Vocês querem um governo que se preocupe de verdade com as mulheres, que abrace as mulheres, que trabalhe para colocar agressor de mulher no mesmo dia preso? Ou vocês querem um governo que está batendo recorde de feminicídios? Recorde de mulheres agredidas?”, questionou Flávio, vestindo uma camisa com a inscrição “Nordeste é solução”.

Em tom eleitoral, o senador contrapôs dois caminhos para o país: um que chamou de “prosperidade”, associado à punição de criminosos, e outro que atribuiu a “assaltantes, estupradores, traficantes de drogas, pedófilos e agressores de mulheres”.

Ele também questionou a gestão petista no estado: “O governo Lula já está há quase 20 anos, ou o PT, melhor dizendo; o que melhorou na sua vida? Você consegue ir trabalhar em paz? Você consegue ir no posto de saúde e ser bem atendido?”.

A disputa pelo voto feminino

A aproximação com o eleitorado feminino tem sido uma das estratégias iniciais da campanha de Flávio. Em pesquisa AtlasIntel divulgada em fevereiro, 54% das mulheres afirmaram que a eleição do senador lhes causa “mais medo ou preocupação”, ante 38% que apontaram a reeleição de Lula. Nos recortes por gênero, o apoio feminino a Flávio oscila entre 28,6% e 33,5%. As mulheres representam 52% do eleitorado nacional, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2024.

Palanques e a apropriação da lei antifacção

A agenda no Nordeste contou com a presença de aliados estratégicos para a construção de palanques regionais, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), e o senador Efraim Filho (PL-PB), que pretende disputar o governo da Paraíba.

Flávio também buscou capitalizar politicamente a aprovação do projeto de lei antifacção, enviado pelo governo federal mas modificado pelo deputado Guilherme Derrite (PL-SP), relator da proposta na Câmara. “É o caminho de quem vai deixar 80 anos preso quando a gente mudar a lei ainda esse ano”, afirmou.

O senador criticou a decisão do governo Lula de não classificar facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, mencionando as comemorações registradas em presídios após o resultado das eleições de 2022.

“É um governo que não quer tratar Comando Vermelho, PCC como organização terrorista, porque os presídios ficaram em festa em 2022, quando ele foi anunciado presidente da República”, declarou.