Pergaminho de Isaías: manuscrito foi escrito por dois escribas?

Jerusalém, Israel – O Grande Pergaminho de Isaías, um dos mais importantes e bem preservados achados entre os Manuscritos do Mar Morto, foi alvo de uma descoberta arqueológica e tecnológica sem precedentes.

Pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda, utilizando técnicas avançadas de inteligência artificial (IA) e análise paleográfica, determinaram que o manuscrito não foi obra de um único autor, mas sim de dois escribas distintos que trabalharam em conjunto para completar o texto sagrado há mais de dois mil anos.

A pesquisa sobre os Pergaminho de Isaías, liderada pelos especialistas Mladen Popović, Maruf Dhali e Lambert Schomaker, utilizou algoritmos de aprendizado de máquina para analisar as sutis variações na caligrafia do pergaminho de sete metros de comprimento. A análise focou na forma das letras, no espaçamento entre elas e na pressão exercida pelo cálamo sobre o couro.

Os resultados indicaram uma mudança clara no estilo de escrita por volta da metade do pergaminho, especificamente na transição entre as colunas 27 e 28, sugerindo que um segundo escriba assumiu a tarefa de copiar o Livro de Isaías a partir daquele ponto.

Essa descoberta sobre os Pergaminho de Isaías desafia a visão tradicional de que o Grande Pergaminho de Isaías era uma obra individual e levanta novas questões sobre como os textos bíblicos eram produzidos e transmitidos na antiguidade.

A semelhança entre as duas caligrafias indica que os escribas podem ter tido um treinamento comum, possivelmente em uma escola ou comunidade religiosa, como a de Qumran, onde os manuscritos foram encontrados nas décadas de 1940 e 1950. A colaboração entre os dois autores demonstra um esforço coletivo para preservar e copiar as escrituras com extrema precisão.

O Grande Pergaminho de Isaías é datado de aproximadamente 125 a.C. e contém o texto completo do Livro de Isaías, sendo cerca de mil anos mais antigo do que qualquer outro manuscrito hebraico conhecido antes de sua descoberta. A preservação quase perfeita do rolo permitiu que os cientistas aplicassem tecnologias modernas, como a IA, para desvendar mistérios que a visão humana não conseguia captar.

Além da autoria dupla, o estudo também confirmou que o pergaminho foi originalmente criado a partir de dois rolos de couro separados que foram costurados, reforçando a ideia de uma produção em etapas.

Para a comunidade acadêmica e religiosa, a revelação de que o manuscrito mais antigo da Bíblia foi escrito por mãos diferentes não diminui sua autoridade espiritual, mas enriquece o entendimento histórico sobre o papel dos escribas na preservação da tradição judaico-cristã.

O uso de inteligência artificial na arqueologia bíblica abre novas fronteiras para a análise de outros manuscritos antigos, permitindo identificar autores e datar textos com uma precisão nunca antes alcançada. Com: Gazeta do Povo.