Regime iraniano: Franklin Graham agradece a Trump pelo “fim”

O evangelista Franklin Graham, presidente da organização humanitária Samaritan’s Purse e filho do célebre pregador Billy Graham, manifestou apoio público à ofensiva militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra o regime iraniano.

Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Graham agradeceu ao presidente Donald Trump e classificou a ação como uma oportunidade de libertação para o povo iraniano, além de um enfrentamento necessário contra o que chamou de “império do mal”.

“Obrigado, presidente @realDonaldTrump, por dar ao povo iraniano uma chance de ser livre. Ore por ele e por todos os nossos militares que estão arriscando suas vidas para proteger a América e trazer liberdade ao povo iraniano. Este regime vem matando americanos há anos, e não tivemos um presidente com coragem para enfrentá-los. Obrigado, Sr. Presidente, por se levantar para acabar com este império do mal”, escreveu Graham.

Apoio à ação militar e visão teológica

A declaração de Graham reflete uma perspectiva teológica comum entre setores evangélicos, que enxergam desdobramentos políticos como formas de execução da justiça divina contra regimes opressores.

A referência implícita a figuras bíblicas como Ciro, o Grande — que libertou os judeus do cativeiro babilônico — ressoa entre fiéis que veem na ação militar não apenas um movimento geopolítico, mas um cumprimento de desígnios divinos.

Graham também contrastou a postura de Trump com a de administrações anteriores, afirmando que o presidente atual teve “coragem” para enfrentar um regime que, segundo ele, assassina americanos há anos.

Regime iraniano como “império do mal”

Ao classificar o Irã como um “império do mal”, Graham resgata uma concepção utilizada durante a Guerra Fria, mas agora aplicada à teocracia xiita. Para a comunidade judaico-cristã, essa caracterização é particularmente significativa por dois motivos: a ameaça existencial que o Irã representa a Israel — com o financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah e o desenvolvimento de programa nuclear — e a perseguição sistemática a cristãos dentro do país.

Dados da organização Portas Abertas colocam o Irã como o 10º pior perseguidor de cristãos no mundo. A conversão do islamismo é ilegal e punida com a morte, e os cristãos são forçados a se reunir secretamente em igrejas domésticas, sob constante ameaça de prisão e execução.

Liberdade para o povo iraniano e direitos civis

Graham também orou para que os militares “tragam liberdade ao povo iraniano”. O regime do aiatolá Ali Khamenei — cuja morte foi confirmada durante os ataques — é marcado por décadas de repressão violenta, execuções em massa e violações sistemáticas de direitos humanos.

Protestos recentes, como os de janeiro de 2026, foram brutalmente reprimidos, com estimativas de até 30 mil mortos em apenas dois dias, segundo investigação do canal Iran International. Em 2025, a Anistia Internacional registrou mais de mil execuções no país, o maior número em 15 anos.

Horas antes dos ataques, mais de 200 líderes cristãos iranianos divulgaram uma declaração pública de apoio ao príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do último xá, pedindo uma transição baseada na sabedoria e na razão, e comparando o momento à era de Ciro, o Grande — figura que, na Bíblia, libertou os judeus do cativeiro.

Implicações e desafios futuros

Para a comunidade judaico-cristã global, a queda do regime iraniano representa não apenas a eliminação de uma ameaça geopolítica, mas também a possibilidade de liberdade religiosa para os cristãos perseguidos e de proteção para Israel contra o antissemitismo patrocinado pelo Estado iraniano.

No entanto, analistas alertam que a estrutura de poder montada por Khamenei — a Bayt, ou Escritório do Líder Supremo — pode sobreviver ao líder, funcionando como um “Estado dentro do Estado”.

Especialistas como Kasra Aarabi, do United Against Nuclear Iran (UANI), defendem que o desmantelamento do regime exige uma estratégia mais ampla, que atinja não apenas o líder, mas todo o aparato institucional criado ao longo de décadas.

Enquanto isso, o príncipe Reza Pahlavi pediu calma e preparação ao povo iraniano: “Nestas horas críticas, devemos permanecer focados em nosso objetivo final: retomar o controle do Irã”. A comunidade internacional observa com atenção se os bombardeios abrirão caminho para uma transição democrática ou se aprofundarão o caos e o sofrimento da população civil.