“Crise silenciosa” no casamento pode ser sinal de problema afetivo

Especialistas em aconselhamento familiar têm observado um fenômeno relacional descrito como “crise silenciosa” em casamentos. A situação se caracteriza pela ausência de conflitos aparentes, que é substituída por um distanciamento emocional profundo, onde o convívio perde intimidade, diálogo e presença genuína.

O pastor Alberto Kenji, da Igreja Batista Nova Vida em São Caetano do Sul (SP), descreve a dinâmica: “Há casamentos cristãos onde não há briga, não há discussão, não há absolutamente nada, mas o casal está convivendo em silêncio.”

“Um silêncio ensurdecedor. Não há violência doméstica, mas os dois caminham de forma indiferente”, destacou, informou a Comunhão. Segundo ele, esse cenário frequentemente gera um sentimento de solidão acompanhado de culpa, principalmente em ambientes religiosos onde a falta de escândalos pode ocultar problemas.

O pastor Edson de Faria alerta para um erro comum de interpretação. “Silêncio não significa que está tudo bem. A ausência de brigas também não significa harmonia. Muitos casais frequentam a igreja, dizem que está tudo bem, mas na realidade não está. É só uma imagem”, afirma.

Ele aponta que as raízes desse silêncio prolongado geralmente estão em ressentimentos não resolvidos, medo de dialogar para evitar confrontos, concentração nos defeitos do parceiro e a substituição da interação real pelo uso excessivo de dispositivos digitais e redes sociais.

Do ponto de vista teológico, os líderes lembram que a Bíblia não apresenta o silêncio emocional como uma virtude. Citando Efésios 4:26, que orienta a não deixar o sol se por sobre a ira, eles destacam que o texto pressupõe o enfrentamento e a resolução dos desentendimentos, e não sua supressão. “O silêncio não é paz. O silêncio começa a fazer barulho. A pessoa fica quieta, mas o coração e a mente estão sofrendo”, complementa o pastor Edson.

O pastor Silvio Martinez identifica o cerne da questão na deterioração da comunicação. “O nome da resposta é diálogo. Conversa franca, verdadeira. Quando um fala, o outro precisa ouvir de verdade. O contrário do amor não é o ódio, é a indiferença”, define. Essa indiferença, explicam, é construída por um afastamento progressivo e cotidiano.

O risco principal, na visão do pastor Alberto Kenji, é que o silêncio prolongado leve a uma desistência interna do relacionamento. “Quando não há mais discussão, pode ser sinal de que alguém já abriu mão. Estão separados, mas morando na mesma casa. Deixaram de ser uma só carne”, observa.

Para a reconstrução do vínculo, os conselheiros enfatizam o amor como uma decisão prática, além de um sentimento. “O amor não é só sentimento, é ação. Fé sem obras é morta. Se eu digo que amo, eu preciso provar com atitudes”, afirma Edson de Faria. Isso requer iniciativa individual. “Tem solução, sim. Mas alguém precisa dar o primeiro passo. Se você esperar o outro mudar, nada acontece. Sempre começa por um”, destaca.

Entre as ações sugeridas estão retomar conversas significativas, aumentar os elogios, reduzir as críticas, reservar tempo de qualidade e abordar temas difíceis sem hostilidade. “O diálogo mina o silêncio. Elogiar mais, criticar menos. Colocar as coisas boas à frente das ruins”, reforça Silvio Martinez. O pastor Silvio de Oliveira ressalta a importância do timing: “O casamento não é um dia, é um processo. O diálogo precisa ter momento certo, sem cabeça quente”.

A reflexão final apresentada pelos pastores convida a um exame prático do investimento no relacionamento. “Tem que voltar ao primeiro amor. Não importa o tempo de casado. A pergunta é: o que eu estou fazendo hoje pelo meu casamento?”, provoca Edson de Faria. O processo de restauração, concluem, inicia quando o silêncio deixa de ser um refúgio e passa a ser reconhecido como um pedido por escuta e reconexão.

Malafaia defende o The Send: “Se é de Deus, permanece”

Mensagem aos linguarudos que falaram mal do The Send pic.twitter.com/nj9HgGKKSZ

— Silas Malafaia (@PastorMalafaia) February 1, 2026

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), gravou um vídeo para se posicionar sobre as críticas recebidas pelo evento evangélico The Send. O encontro ocorreu no sábado, 31 de agosto, simultaneamente em cinco estádios brasileiros, com uma estimativa de público superior a 250 mil pessoas.

Em sua mensagem, Malafaia defendeu o caráter espiritual do evento e rebateu acusações circulantes nas redes sociais. Ele atribuiu parte das críticas a indivíduos que estariam buscando notoriedade online. “Redes sociais não constroem história de ninguém”, declarou.

Sobre as alegações de enriquecimento e promoção pessoal, o pastor apresentou uma defesa detalhada. Afirmou que não houve patrocínio público e que a arrecadação com ingressos e ofertas não cobriu todos os custos da realização.

Malafaia também esclareceu que nenhum pastor ou cantor convidado recebeu cachê por sua participação. Ele mencionou que arcou pessoalmente com as despesas de seu deslocamento entre sua residência e os dois estádios onde pregou: em Recife (PE) e Belo Horizonte (MG).

Ao abordar questionamentos sobre um suposto viés político do evento, o pastor argumentou: “Quer dizer que falar a verdade é falar de política? Dizer que o cristianismo é a mais importante tradição do mundo ocidental é política, não é verdade?”.

Para concluir, Malafaia citou um princípio bíblico atribuído a Gamaliel, dirigindo-o aos críticos: “Se essa obra é de Deus, ela permanece. Se não é, ela acaba”.

Papa retoma declaração de Madre Teresa de Calcutá em audiência sobre liderança | Notícias Gospel

Em uma audiência realizada no Vaticano na manhã de sábado, 31 de agosto, o papa Leão XIV abordou o tema do aborto, recorrendo a uma declaração da Madre Teresa de Calcutá. O pontífice se dirigia a participantes da iniciativa “Uma humanidade, um planeta: liderança sinodal”.

Durante seu discurso, Leão XIV afirmou que “o maior destruidor da paz é o aborto”, repetindo as palavras da religiosa, que foi canonizada pela Igreja Católica e recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979. O papa utilizou a citação para reforçar a importância da proteção aos mais vulneráveis.

“Somente quem cuida dos pequeninos pode fazer coisas verdadeiramente grandes”, declarou o pontífice.

Em sua avaliação, a posição da Madre Teresa mantém relevância atual. “Sua voz continua profética: nenhuma política pode, de fato, colocar-se a serviço dos povos se exclui da vida aqueles que estão prestes a nascer, se não socorre aqueles que se encontram em situação de necessidade material e espiritual”, apontou Leão XIV.

O evento reuniu aproximadamente 100 pessoas. A audiência integra um programa bienal de formação para a ação política, organizado pela ONG New Humanity — entidade vinculada ao Movimento dos Focolares — em parceria com a Pontifícia Comissão para a América Latina e com apoio da Fundação Porticus. Com: Pleno News.

Cultos domiciliares fazem a diferença em Belo Horizonte

A comunidade conhecida como Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte, Minas Gerais, tem sido alvo de ações evangelísticas lideradas pelo missionário João Basques. Integrante do movimento cristão Parousia, Basques relata que atividades como cultos realizados em residências têm atraído moradores, incluindo jovens e até indivíduos ligados ao tráfico de drogas.

Em um culto recente realizado em uma casa da localidade, um grupo se reuniu para cantar louvores e ouvir pregações. “Esse é o som de um culto caseiro na favela”, descreveu João Basques em publicação no Instagram.

Ele testemunhou sobre a receptividade: “Jesus tem tocado esse lugar de forma profunda e real. Um culto no beco, que até os traficantes sentam para ouvir e ver o que Jesus está fazendo”.

O evangelista destacou a simplicidade do local escolhido para os encontros. “Enquanto muitos procuram estrutura, Jesus escolheu uma sala no coração da favela”, afirmou.

João Basques é fundador e líder do movimento Parousia, que se originou na própria favela do Cabana, local onde ele foi criado. Sua atuação é voltada para a pregação dirigida a diversos públicos da comunidade, como crianças, jovens, idosos e também pessoas envolvidas com o crime.

Em declaração em vídeo, o missionário contextualizou sua trajetória: “Eu sou um missionário que não foi para a África, mas um dia saiu de casa e encontrou seu campo de missão na quebrada onde nasceu”. Ele expressou sua convicção sobre uma transformação na identidade do local:

“Eu acredito muito no poder de Deus. Acredito que o Cabana não será mais lembrado por causa do tráfico de drogas… O Cabana será lembrado como um lugar que tem um Deus, e o Deus do Cabana caminha pelos becos, junto a nós”.

“A maior tragédia da vida é viver sem propósito”, diz Rick Warren

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Em sua participação no The Send Brasil, o pastor Rick Warren, fundador da Igreja Saddleback na Califórnia e autor do livro “Uma vida com propósitos”, dirigiu-se aos jovens presentes com uma mensagem centrada no conceito de investir a vida em Jesus Cristo. O evento reuniu participantes em cinco estádios pelo país, além de uma audiência online.

“Você não está aqui por acaso. Deus sabia, mil anos antes mesmo de você nascer, que você estaria aqui hoje. Ele tinha um plano. E a sua vida está prestes a mudar”, afirmou Warren durante a sua pregação.

O pastor delineou três possíveis caminhos para a vida: desperdiçá-la, gastá-la ou investi-la. Ele argumentou que muitas pessoas a desperdiçam na busca por dinheiro, fama, prazer ou popularidade. “O maior uso da sua vida é investi-la em algo que vai durar além da sua própria vida”, declarou.

Warren contrastou o conceito cultural de “vida boa”, que associou à busca por aparência, bem-estar emocional e posses materiais — comum, segundo ele, em regiões como a Califórnia — com uma vida de propósito espiritual. “Existe um problema com essa vida boa: ela não é boa o suficiente. Você foi feito para mais do que isso”, disse.

Sobre a relação com Deus, o pastor afirmou: “Você não é um motivo bom o suficiente para levantar de manhã. Você foi feito por Deus. Você foi feito para Ele. E até que você entenda isso, a vida não vai fazer sentido”.

Ele listou três consequências de conhecer a Jesus Cristo: “O seu passado é completamente perdoado. No seu presente, você recebe um propósito para a vida. E no seu futuro, você recebe um lar nos céus”.

O líder religioso, que já pregou em 165 países, destacou a importância do The Send, evento baseado no conceito bíblico de “envio”. Ele citou a passagem de Romanos 10:14 e a Grande Comissão, enfatizando a necessidade de os cristãos serem enviados para propagar a mensagem. “Um dia, quando você estiver diante de Deus no céu, uma das perguntas que Ele vai te fazer será: ‘Você foi aonde o Meu Filho queria te enviar?’”, ponderou.

Warren detalhou três níveis de existência: sobrevivência, sucesso e significado. “O nível mais alto é o nível do significado. É quando você sabe que a sua vida importa. E isso começa quando você pega todas as áreas da sua vida e entrega a Cristo”, explicou. Ele definiu os benefícios dessa entrega como o perdão do passado, um propósito no presente e a promessa de um lar eterno.

Sobre o papel das igrejas, o pastor fez uma distinção: “Não é pecado ser uma igreja pequena. É pecado ter uma visão pequena. Deus não está procurando grandes igrejas. Deus está procurando igrejas obedientes”. Ele incentivou os presentes a se disponibilizarem para serem enviados, seja em contextos locais ou internacionais.

“A maior tragédia da vida não é morrer cedo. A maior tragédia da vida é viver sem propósito”, concluiu Warren, encerrando sua mensagem com um chamado à ação. “Deus te criou para viver pela maior causa do mundo. Uma causa que vai durar mais do que a sua própria vida”.

Pastor Tassos Lycurgo é atacado com acusações de “transfobia”

O professor titular do Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Tassos Lycurgo, tornou-se alvo de um movimento liderado por estudantes que pede seu afastamento da instituição. O docente, teólogo e identificado com posições conservadoras, é acusado de proferir declarações transfóbicas.

Um coletivo de estudantes divulgou, em suas redes sociais, um comunicado solicitando a demissão do professor. O grupo afirmou que Lycurgo teria feito “falas transfóbicas, desinformativas e conspiratórias”. Como parte da mobilização, os alunos organizaram um abaixo-assinado online e informaram ter protocolado uma denúncia formal na Ouvidoria da UFRN, acompanhada de um dossiê com as supostas justificativas para a exoneração.

Em resposta, o professor Lycurgo negou as acusações e atribuiu a campanha a uma articulação política. “Militantes comunistas da UFRN estariam articulados com um grupo político nacional para pressionar por minha expulsão”, declarou. Ele afirmou ainda que mensagens e notas vêm sendo disseminadas de forma coordenada em grupos de WhatsApp da universidade e em plataformas sociais. “O motivo? Não toleram uma opinião divergente”, completou.

O docente também utilizou suas redes sociais para compartilhar uma série de mensagens ofensivas que disse ter recebido, contendo xingamentos como “escória”, “traste” e “psicopata”. Lycurgo, que possui mais de um milhão de seguidores em plataformas digitais e é frequentemente convidado para podcasts sobre teologia, tem sua atuação pública criticada pelo coletivo estudantil, que destacou seus posicionamentos contrários a conceitos como “racismo estrutural” e ao ativismo transgênero.

Sobre o clima no ambiente universitário, Lycurgo publicou: “Quando a política vira religião, o contraditório vira blasfêmia. E quando o campus vira laboratório ideológico, a liberdade vira ‘problema’”. Ele defendeu que uma “universidade saudável não cancela: debate. Não expulsa: confronta ideias. Não fabrica unanimidade: protege a diversidade de pensamento.”

A Reitoria da UFRN não se pronunciou publicamente sobre o caso até o momento. A denúncia segue em análise pelos canais internos da universidade.

Cuba declara ‘estado de guerra’: veja impacto para cristãos na ilha

Cuba declarou estar em “estado de guerra” na última semana, conforme noticiado por veículos locais. A decisão foi aprovada em reunião do Conselho de Defesa Nacional, órgão responsável por assumir o controle do país durante desastres naturais ou conflitos armados.

A medida é associada ao conceito de “Guerra de Todo o Povo”, que prevê a mobilização total da população para responder de forma coletiva a uma possível agressão externa. O anúncio ocorre em um cenário de crise interna, marcado por escassez de itens básicos e dificuldades crescentes no cotidiano.

Jovens em serviço militar relataram medo e insegurança diante da possibilidade de um conflito. O contexto também ampliou a pressão sobre comunidades cristãs em diferentes regiões do país, em meio à falta de alimentos, medicamentos e água potável, além de apagões constantes e limitações no acesso a cuidados de saúde.

Integrantes da Portas Abertas na América Latina passaram alguns dias em Cuba para avaliar a situação de igrejas e lideranças locais no ano passado, e descreveram o que encontraram como uma combinação de pobreza sistêmica, vigilância constante e comunidades que buscam manter a fé apesar das restrições.

“Ouvi os testemunhos de cerca de dez pastores e líderes. O que vi foi ao mesmo tempo inspirador e comovente”, afirmou um dos colaboradores da organização.

Um líder identificado como pastor Luis, nome usado por razões de segurança, relatou preocupação com a situação de jovens convocados: “Os jovens que estão atualmente no serviço militar estão com medo. Ninguém está preparado para uma guerra. No entanto, eles são obrigados, segundo as autoridades, a defender a revolução”, declarou. Ele também disse que esses jovens estariam confinados sem condições adequadas ou recursos essenciais, com a missão de defender a revolução.

Cuba aparece na 24ª posição entre os 50 países onde cristãos enfrentam maior perseguição e é apontado como o país mais perigoso da América Latina na Lista Mundial da Perseguição 2026.

Papa Leão XIV alerta contra o uso descontrolado de IA e chatbots

O papa Leão XIV se somou a um grupo crescente de vozes que alertam para os riscos do uso descontrolado da inteligência artificial, citando impactos potenciais sobre privacidade, empregos e segurança.

Em mensagem divulgada no sábado, na Memória de São Francisco de Sales, na Cidade do Vaticano, o pontífice afirmou que a tecnologia digital, quando não é bem conduzida, pode “alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana”. Ele disse ainda que, ao simular “vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade”, os sistemas de IA não apenas afetam os ecossistemas de informação, como também “invadem o nível mais profundo da comunicação”, atingindo o relacionamento entre as pessoas.

O alerta ocorre na véspera do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais da Igreja Católica, marcado para 17 de maio. Embora defenda que a IA pode trazer benefícios, Leão XIV pediu cooperação global para reduzir riscos que, segundo ele, podem ser sutis e até “sedutores”.

Na avaliação do papa, quando a tecnologia passa a “pensar por nós”, há o perigo de enfraquecimento das habilidades cognitivas, emocionais e comunicativas a longo prazo.

Leão XIV também observou que, nos últimos anos, sistemas de IA têm assumido cada vez mais a produção de textos, músicas e vídeos, e advertiu que parte da indústria criativa humana pode ser substituída por produtos “impulsionados por IA”, tornando as pessoas “consumidores passivos” de conteúdos “anônimos” e “desprovidos de autoria e paixão”. Ele acrescentou que obras humanas acabam reduzidas a material de treinamento para máquinas.

No campo das redes sociais, o pontífice afirmou que tem se tornado mais difícil distinguir pessoas de “bots” e alertou que agentes automatizados podem influenciar debates públicos e decisões individuais. Para ele, chatbots baseados em grandes modelos linguísticos podem ser eficientes na persuasão discreta ao otimizar interações personalizadas, usando uma estrutura “dialógica, adaptativa e mimética” capaz de imitar sentimentos humanos e simular relacionamento.

O papa avaliou que essa “antropomorfização” pode ser enganosa, sobretudo para os mais vulneráveis, e citou o risco de chatbots “excessivamente afetuosos” ocuparem a esfera de intimidade das pessoas.

Leão XIV também criticou a desinformação produzida a partir de “aproximações da verdade” geradas por probabilidade estatística, defendendo o valor do jornalismo verificado, com coleta e checagem contínuas de informações. Ele ainda apontou preocupação com o poder concentrado de poucas empresas sobre sistemas de IA e algoritmos, e disse que o desafio não é frear a inovação, mas orientá-la com consciência de sua ambivalência.

“Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa dos seres humanos”, escreveu, para que as ferramentas possam ser usadas como aliadas, segundo o The Christian Post.

A mensagem do papa foi divulgada dias depois de Yuval Noah Harari voltar a afirmar que a inteligência artificial não deve ser tratada como mera ferramenta, mas como “agente” capaz de criar coisas novas e tomar decisões.

“Sempre pensamos que podemos usar essas coisas apenas como ferramentas. Mas se elas podem pensar, são agentes”, disse, comparando a IA a “uma faca que pode decidir sozinha” se será usada para uma tarefa comum ou para cometer um crime.

Homem é esfaqueado após afirmar que segue o cristianismo

Um homem cristão recebeu alta de um hospital no estado de Washington após ser esfaqueado por um desconhecido que teria perguntado sobre sua religião na madrugada de domingo. A vítima também relatou que o agressor atacou o seu cachorro durante a abordagem.

Em comunicado, o Gabinete do Xerife do Condado de Pierce informou que policiais encontraram a vítima em estado grave e ouviram seu relato inicial. Segundo a nota, um homem desconhecido se aproximou, perguntou qual era a religião da vítima e, após a resposta, iniciou o ataque com faca.

A corporação afirmou que a vítima conseguiu descrever o suspeito antes de ser levada ao hospital. O texto também registra que o ataque foi captado por uma câmera de segurança, mas as autoridades não divulgaram publicamente a identidade do suspeito e disseram apenas que ele estava armado com várias facas.

De acordo com o Gabinete do Xerife, a vítima é um homem de 54 anos, que ligou para a emergência para pedir socorro. Quando a equipe policial chegou, tanto ele quanto o cachorro estavam em estado grave.

O suspeito tentou fugir e foi procurado na região. Mais de duas horas depois, durante uma verificação de área, ele foi encontrado escondido atrás de uma casa próxima.

A afiliada local da ABC News, KOMO, informou que o homem estava com “várias facas” e resistiu à prisão. Segundo o relato, ele avançou contra os policiais, foi baleado e levado a um hospital para tratar o ferimento. Depois, foi declarado morto.

O sargento Charles Porche, porta-voz de uma equipe de investigação, disse que os investigadores trabalham para reunir provas e ouvir testemunhas. “Se houver testemunhas, eles conversarão com as pessoas que moram naquela área para descobrir se elas sabem de alguma coisa, se ouviram alguma coisa, se viram alguma coisa”, afirmou.

Uma reportagem posterior da KING-TV identificou a vítima como Eddie Nitschke. O texto afirma que ele recebeu alta do hospital por conta própria.

Segundo a mesma reportagem, Nitschke mora em seu carro, estacionado em frente a uma loja de conveniência, junto com a namorada e seus cachorros. Durante o atendimento médico após o ataque, ele teria sido diagnosticado com um coágulo sanguíneo e câncer de pulmão.

O cachorro passou por cirurgia de emergência em um hospital veterinário, recebeu alta posteriormente e o caso segue sob investigação, segundo o The Christian Post.

Pastor expulso de aldeia por recusar ritual católico no México

Autoridades de uma aldeia no estado de Oaxaca, no sul do México, detiveram por cinco dias e depois expulsaram um pastor protestante após ele se recusar a participar de rituais católicos durante uma festa local. O relato foi divulgado pela organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), com sede no Reino Unido.

Segundo a CSW, o caso ocorreu em Santiago Malacatepec, no município de San Juan Mazatlán, no leste de Oaxaca. Em 15 de janeiro, católicos locais teriam exigido que o pastor Mariano Velásquez Martínez acendesse velas, se ajoelhasse e orasse diante de uma imagem de São Tiago, como parte da celebração católica romana da vila.

A CSW afirma que Velásquez Martínez havia aceitado uma função comunitária com a condição de apenas fornecer velas e flores para a festa. Quando se recusou a se ajoelhar e rezar diante da imagem, um dos líderes do evento reclamou com as autoridades locais.

Ainda de acordo com a organização, o pastor foi detido por cinco dias e, depois, levado diante de uma assembleia de cerca de 180 homens: “Ignorando os termos do acordo original, as autoridades locais detiveram o pastor Velásquez Martínez por cinco dias”, afirmou a CSW. O grupo diz que ele foi amarrado com uma corda e ouvido pela assembleia, onde os líderes anunciaram que ele seria expulso.

A CSW relata que o pastor foi obrigado a assinar um documento que formalizaria a expulsão e a remoção forçada da comunidade. Ele não teria recebido uma cópia e teme que o texto seja usado para sustentar a versão de que saiu por vontade própria. O pastor, a esposa e o bebê de três meses estariam, por ora, na cidade de Oaxaca, hospedados com parentes.

Velásquez Martínez liderava a Iglesia Camino Nuevo y Vivo, com cerca de 25 membros, desde que o pastor anterior teria sido deslocado em 2023, segundo a CSW.

O episódio ocorre após a aprovação, em setembro, de uma lei no Congresso do Estado de Oaxaca contra deslocamento forçado, com previsão de pena de 10 a 18 anos de prisão e multas. A CSW afirma que autoridades locais estimam que aproximadamente metade dos casos de deslocamento forçado no estado pode estar ligada à intolerância religiosa.

O advogado Porfirio Flores Zúñiga, identificado como representante da Fraternidade de Pastores, pediu que a Procuradoria-Geral e a Secretaria de Governo de Oaxaca apliquem a lei ao caso. Ele também apresentou uma queixa-crime contra dois funcionários locais, por atos arbitrários e abuso de autoridade, e acionou a Defensoria de Direitos Humanos do Povo de Oaxaca (DDHPO), segundo o texto. Até 19 de janeiro, conforme Flores Zúñiga, não havia providências adotadas.

A diretora de defesa de direitos da CSW, Anna Lee Stangl, classificou como “inconcebíveis” a detenção e o deslocamento forçado do pastor e de sua família. Ela disse que o caso expõe falhas do poder público em assegurar direitos previstos na Constituição do México e em compromissos internacionais de direitos humanos.

A CSW também afirma que, em comunidades indígenas regidas por “Usos e Costumes”, tradições locais podem entrar em choque com garantias constitucionais, e minorias religiosas acabam submetidas a pressões para manter uniformidade religiosa.

Por fim, Stangl pediu que o governo de Oaxaca responsabilize os envolvidos e deixe claro que a liberdade de religião deve ser respeitada em todas as comunidades, segundo o portal The Christian Post.