Projeto da Semana da Cultura Evangélica avança na Câmara

Na última quarta-feira, 18 de março, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2433/2025, que institui a Semana Nacional da Cultura Evangélica. Ontem, 19 de março, a Casa aprovou o pedido de urgência para que o texto siga direto ao plenário.

O autor do projeto, o deputado Sargento Gonçalves, comentou a decisão após a aprovação. — Deus abençoe a nação brasileira, a todos os homens e mulheres de oração que intercedem por nossa nação — declarou.

A proposta estabelece que a Semana Nacional da Cultura Evangélica seja realizada anualmente nos dias que antecedem o segundo domingo de dezembro, data em que é celebrado o Dia da Bíblia. O projeto também prevê a inclusão do período no calendário oficial do país.

Durante a semana comemorativa, poderão ser promovidas atividades como cultos, eventos culturais, palestras, campanhas educativas e ações sociais organizadas por igrejas e entidades. O texto indica que essas iniciativas devem refletir a atuação das comunidades evangélicas em diferentes áreas.

Na justificativa, o autor afirma que o objetivo é reconhecer a contribuição histórica, cultural e social das igrejas evangélicas no Brasil. Segundo ele, essas instituições atuam em frentes como educação, assistência social e apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade.

O projeto também destaca que a cultura evangélica integra a formação da sociedade brasileira, reunindo práticas religiosas, artísticas e comunitárias presentes em diversas regiões do país. Outro ponto prevê prioridade na análise de propostas relacionadas ao tema durante o período comemorativo, respeitando as normas do Congresso.

O regime de urgência foi apresentado pelos deputados Sóstenes Cavalcante e Augusto Coutinho. Com a aprovação, o projeto poderá ser votado diretamente no plenário, sem necessidade de tramitação por outras comissões.

Flávio quer redução da maioridade e medida contra estupradores

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, defendeu nesta quinta-feira, 19 de março, a adoção de medidas mais rígidas na área de segurança pública. Entre as propostas apresentadas estão a castração química para condenados por estupro e a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos.

A declaração foi feita durante evento promovido pelo Lide, no Rio de Janeiro, com participação do secretário de Polícia Civil do estado, Felipe Curi. Durante a palestra, o senador argumentou que adolescentes nessa faixa etária já têm consciência dos atos cometidos. — Hoje, um moleque dessa idade sabe exatamente o que está fazendo e quais são as consequências — afirmou.

Sobre a castração química, Flávio Bolsonaro citou experiências internacionais. — Tem de ter castração química para estuprador. Isso já se mostrou eficaz, por exemplo, em países da Europa, onde mais de 90% dos criminosos, depois de passarem pelo procedimento, não reincidem — declarou.

O senador também defendeu a sanção do chamado Projeto de Lei Anti-Facção, destacando que a proposta pode endurecer o sistema penal. Segundo ele, a medida ajudaria a reduzir o que classificou como “porta giratória” da Justiça criminal, aumentando o tempo de permanência de condenados considerados violentos no sistema prisional.

Durante o evento, Flávio Bolsonaro associou segurança pública ao ambiente econômico. Ele afirmou que a criminalidade e a insegurança jurídica impactam diretamente investimentos e geração de empregos, especialmente em regiões sob influência do crime organizado. O senador citou áreas urbanas com potencial econômico que, segundo ele, enfrentam limitações devido ao controle territorial exercido por grupos criminosos.

O pré-candidato também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao comentar a análise de projetos de lei na área de segurança. — Há grandes chances de ele escolher o lado dos criminosos, e não do cidadão de bem — disse, ao mencionar o prazo para sanção ou veto de propostas legislativas.

Em outro momento, Flávio Bolsonaro criticou o governo federal, classificando-o como “atrasado” e “incompetente”. De acordo com a revista Oeste, ele também fez referência ao uso de tecnologia, ao afirmar que há desconhecimento sobre o potencial da inteligência artificial.

Ainda durante o encontro, o senador abordou articulações políticas no Paraná. Ele confirmou apoio à candidatura do senador Sergio Moro ao governo estadual, após informações de que o governador Ratinho Junior deverá ser lançado como pré-candidato à Presidência pelo PSD. Segundo Flávio, a decisão foi tomada com base no cenário partidário e nas definições políticas em andamento.

Voo atrasa e pastor inicia campanha para comprar jatinho particular

O pastor Hank Kunneman, líder da Igreja Lord of Hosts e fundador do One Voice Ministries, anunciou a criação de um fundo de viagens com o objetivo de viabilizar a compra de um jatinho particular para compromissos ministeriais. A proposta foi apresentada após um voo comercial sofrer atraso superior a 10 horas, comprometendo sua agenda recente.

Durante culto realizado no domingo, o pastor afirmou que pretende contar com contribuições voluntárias de fiéis para custear viagens, incluindo a possibilidade de fretamento de aeronaves.

—Quero criar um fundo para viajar pelo mundo. Vou pedir a ajuda de vocês, e vocês podem doar o que quiserem — declarou.

Kunneman justificou a iniciativa citando dificuldades enfrentadas em viagens comerciais. Segundo ele, atrasos e imprevistos podem comprometer sua presença em compromissos importantes, como cultos e eventos.

—Não posso me dar ao luxo de ficar preso em aeroportos por dias ou não conseguir retornar para o domingo — afirmou.

O pastor relatou que, em viagem recente para Boise, no estado de Idaho, optou por fretar um jato particular para cumprir sua agenda. Ele explicou que a decisão foi tomada diante da necessidade de estar presente no compromisso, mesmo com custos elevados: “Senti que precisava estar lá a todo custo”, disse.

Apesar disso, Kunneman indicou que ainda avalia a viabilidade de manter esse tipo de operação de forma contínua. O fundo, segundo ele, busca oferecer uma alternativa para reduzir dependência de voos comerciais, considerados por ele pouco compatíveis com sua rotina ministerial.

Ao apresentar a proposta, o pastor também citou uma referência bíblica para justificar a necessidade de um jatinho particular. Ele mencionou o trecho de Marcos 3:9, interpretando que a organização dos deslocamentos pode impactar diretamente a execução das atividades religiosas.

Antes da criação do fundo, Kunneman afirmou que já havia recebido comentários e previsões de que seu ministério poderia utilizar aeronaves próprias. Entre os nomes citados está o televangelista Kenneth Copeland, ligado ao Kenneth Copeland Ministries, que, segundo relatos, teria mencionado a possibilidade anos antes.

A esposa do pastor, Brenda Kunneman, também participou do momento e reforçou a ideia de que a estrutura de transporte pode contribuir para a continuidade das atividades. Ela destacou a importância de evitar atrasos que prejudiquem a programação da igreja e os compromissos assumidos, de acordo com informações do portal The Christian Post.

Morreu Chuck Norris, ator que se tornou pastor há uma década

O ator Chuck Norris morreu aos 86 anos, no Havaí, na quinta-feira, 19 de março de 2026. A informação foi confirmada pela família na sexta-feira, 20 de março, por meio de publicação nas redes sociais.

Conhecido pela atuação em filmes de ação e pela série Walker, Texas Ranger, Norris também ganhou notoriedade como artista marcial. Convertido ao cristianismo em 2009 e posteriormente ordenado ao ministério pastoral, ele passou a compartilhar a fé ao longo dos últimos anos de vida.

Segundo a família, o ator esteve hospitalizado entre quarta-feira, 18 de março, e quinta-feira, 19 de março. Em nota, os familiares informaram que ele morreu cercado por parentes e optou por manter em sigilo as circunstâncias do falecimento.

— É com pesar que nossa família comunica o falecimento de nosso amado Chuck Norris na manhã de ontem. Embora ele preferisse manter as circunstâncias em privado, por favor saibam que ele estava cercado de sua família em paz — diz o comunicado.

No texto, a família também destacou aspectos pessoais do ator: “Para o mundo, ele era um artista marcial, ator e símbolo de força. Para nós, ele era um marido devoto, pai amoroso e o coração de nossa família. Ele viveu com fé, propósito e compromisso com aqueles que amava”, afirmaram.

Nascido como Carlos Ray Norris em 10 de março de 1940, no estado de Oklahoma, nos Estados Unidos, ele iniciou sua trajetória profissional após servir na Força Aérea dos Estados Unidos, onde recebeu o apelido “Chuck”. Após deixar o serviço militar em 1962, abriu uma escola de caratê e construiu carreira como lutador profissional.

A entrada no cinema ocorreu no fim da década de 1960, período em que conheceu Bruce Lee. A parceria resultou em participações em produções como O Voo do Dragão (1972), que impulsionou sua projeção internacional. Ao longo das décadas seguintes, consolidou-se no gênero de ação com títulos como Comando Delta (1986) e outras produções que reforçaram sua imagem no cinema.

Diferentemente de muitos atores do segmento, Norris possuía formação real em artes marciais, com graduações em karatê, Tang Soo Do e taekwondo. Esse diferencial contribuiu para sua reputação dentro e fora das telas.

Além da carreira artística, sua imagem também se popularizou na cultura digital por meio de memes que destacam sua força e habilidades. Chuck Norris deixa a esposa, Gena O’Kelley, e cinco filhos.

Assassinato de diácono abala congregação; Filho adotivo suspeito

O diácono John Zak, de 69 anos, morreu após um episódio de violência que mobilizou autoridades e a comunidade local. Ele era conhecido pelo trabalho religioso e pela atuação profissional na área de saúde, além de ter adotado, com a esposa Mary Zak, vários dos 13 filhos da família.

Segundo o Departamento de Polícia de Omaha, em Nebraska (EUA), o principal suspeito é Martin Zak, filho adotivo do diácono, de 36 anos. Ele foi detido após tentar fugir no dia seguinte ao ocorrido e teve a prisão mantida pela Justiça, sendo formalmente acusado de homicídio em primeiro grau.

A polícia informou que o caso teve início na noite de 11 de março, após um registro de desaparecimento. John Zak não compareceu ao trabalho na CHI Health nem a um compromisso na igreja. Durante as buscas, agentes encontraram indícios de violência na residência, incluindo vestígios de sangue que levaram ao quarto do suspeito, localizado no porão.

De acordo com informações apresentadas no processo, o corpo do diácono foi localizado com ferimentos causados por arma branca. Investigadores também relataram a apreensão de objetos na residência e a identificação de evidências em diferentes áreas da casa.

Relatos incluídos na investigação apontam que Mary Zak havia saído para trabalhar no dia do ocorrido, enquanto Martin permanecia na residência para participar de um programa de saúde mental. Ao retornar, ela encontrou sinais de arrombamento e percebeu inconsistências na situação, acionando as autoridades.

Pessoas próximas à família afirmaram que o filho adotivo enfrentava dificuldades relacionadas à saúde mental. Segundo conhecidos da comunidade, os pais buscavam estabelecer limites ao mesmo tempo em que tentavam oferecer apoio. Familiares já demonstravam preocupação com a segurança doméstica antes do episódio.

A morte do diácono gerou forte comoção entre membros da igreja e colegas de trabalho. Em nota, a paróquia destacou o histórico de dedicação de John Zak à vida religiosa e ao serviço comunitário. — A tragédia reside não apenas na violência do ocorrido, mas também na perda de um homem cuja vida foi profundamente dedicada a Deus, à família e ao próximo — afirmou o pároco John P. Broheimer.

A instituição de saúde onde ele atuava também se manifestou. Em comunicado, a CHI Health informou que o profissional trabalhou por 38 anos como supervisor de terapia respiratória e destacou sua contribuição no cuidado a pacientes e no apoio às equipes.

A igreja anunciou a realização de uma vigília em memória do diácono, seguida de cerimônia fúnebre marcada para sexta-feira, 21 de março. Líderes religiosos ressaltaram que, apesar das circunstâncias da morte, a trajetória de John Zak será lembrada pela dedicação, fé e atuação junto à comunidade.

De acordo com informações do portal The Christian Post, o caso segue sob investigação das autoridades locais.

Avião com André Mendonça tem falha e decolagem é abortada

Um voo que transportaria o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de Brasília ao Rio de Janeiro foi interrompido na noite de quinta-feira, 19 de março, após a identificação de uma falha mecânica na aeronave.

De acordo com informações apuradas, o voo era operado pela LATAM Airlines e partiria do Aeroporto Internacional de Brasília com destino ao Aeroporto Santos Dumont. A decolagem foi cancelada por decisão do piloto, seguindo protocolos de segurança.

André Mendonça estava na capital federal após participar de sessão plenária no STF. O ministro é relator de investigações relevantes em andamento, incluindo apurações relacionadas ao INSS e ao Banco Master.

Com o cancelamento, o voo foi remarcado para sexta-feira, 20 de março. Ainda assim, o ministro optou por embarcar em outra aeronave e seguiu viagem para o Rio de Janeiro, onde cumpre agenda com participação em evento público, de acordo com o portal Metrópoles.

A LATAM foi procurada para comentar o ocorrido, mas não havia se manifestado até o momento da publicação.

Presbiteriana de Pinheiros pede orações pela vida de Mendonça, relator de casos sensíveis

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Nikolas Ferreira exibe cartazes na UFMG que incitam a sua morte

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira (19) para expor o que classificou como um caso de ativismo ideológico com teor violento dentro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

As publicações mostram materiais gráficos e pichações que, segundo o parlamentar, incitam ódio e violência contra ele e outras figuras do conservadorismo.

Em sua primeira postagem, Nikolas compartilhou a imagem de um cartaz que anunciava a “Calourada Unificada Antifascista e Anti-imperialista”. A peça gráfica trazia ilustrações do deputado, do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e do ativista conservador Charlie Kirk, todos com um desenho de alvo sobre as cabeças.

“Banner da calourada na UFMG. Universidade virou linha de produção de militante, que não esconde mais o desejo de matar seu opositor por divergência de ideia. Até aí: Zero novidade. Mas sempre bom lembrar que tudo isso você banca através dos seus impostos. A direita precisa de um plano pra quando chegar ao poder, mudar essa patifaria”, escreveu o deputado.

Cartaz de intolerância contra Nikolas Ferreira na UFMG.
Cartaz de intolerância contra Nikolas Ferreira na UFMG. Foto: reprodução/redes sociais

Pichação com Referência a Assassinato

Em um segundo vídeo, também publicado na plataforma X, Nikolas exibiu uma pichação nas paredes da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH) da UFMG. O registro mostra a frase “Que o Nikolas seja o Kirk de amanhã”.

A mensagem faz referência ao ativista norte-americano Charlie Kirk, morto com um tiro de precisão em 10 de setembro de 2025 enquanto discursava em uma universidade nos Estados Unidos.

O deputado relacionou o conteúdo das pichações à formação dos futuros profissionais que sairão da universidade. “Os futuros profissionais das diversas áreas sairão daqui. E ainda tem gente que acha que o problema do país é eleição. Sem uma mudança radical na estrutura da nossa educação e política, nada adiantará”, comentou.

O caso ocorre em um contexto de tensão entre setores do conservadorismo e instituições de ensino superior, com críticas recorrentes sobre a suposta presença de ativismo ideológico nas universidades públicas brasileiras. A UFMG ainda não se manifestou oficialmente sobre as denúncias apresentadas pelo parlamentar. Com: Tribuna de Brasília.

Pastor dono de fábrica de cigarros é questionado por fiéis

O pastor Márcio Poncio comentou nas redes sociais questionamentos sobre sua atuação profissional fora do ministério religioso. Ele lidera a Igreja da Nuvem e também é empresário no setor industrial, sendo proprietário de uma fábrica de cigarros.

Há alguns anos, ele já havia falado sobre essa questão e dito ter a consciência tranquila: “Não sinto culpa“. Agora, em publicação no Instagram, Poncio relatou que se tornou evangélico ainda no fim da adolescência e que, ao buscar oportunidades de trabalho, recebeu proposta para atuar em uma indústria de tabaco. Segundo ele, a situação gerou dúvidas, levando-o a buscar orientação com um líder religioso.

— Enviei currículos para diversos lugares, mas o retorno que recebi foi de uma fábrica de cigarros. Confesso que, no início, fiquei em dúvida. (…) Procurei o meu pastor, que sempre foi minha referência espiritual, e ele me orientou com sabedoria. Disse que, sendo uma empresa legalizada, dentro da lei e com todos os direitos garantidos, eu poderia aceitar aquela oportunidade sem que isso representasse um erro — afirmou.

Ele também descreveu sua trajetória profissional no setor, afirmando que iniciou como operário, avançou para cargos de gestão e, posteriormente, fundou a empresa Clean Tabacos. Segundo o empresário, a companhia expandiu suas atividades e atualmente gera mais de mil empregos diretos e indiretos.

Poncio declarou que compreende os questionamentos sobre a conciliação entre atividades empresariais e liderança religiosa. — Eu entendo o questionamento de muitos. Mas sempre procurei agir com consciência, buscando orientação, respeitando a lei e, acima de tudo, mantendo a minha fé e os meus valores. Tudo o que construí foi com trabalho, responsabilidade e confiança em Deus — disse.

A Igreja da Nuvem foi fundada em 2020 como uma congregação sem templo físico, com atuação digital. De acordo com o pastor, a instituição expandiu suas atividades e passou a ter unidades em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraíba, além de presença em Miami, nos Estados Unidos.

Repressão: regime cubano mantém filho de pastor em cativeiro

Um adolescente de 16 anos permanece sob custódia das autoridades em Cuba após ser detido durante uma operação de segurança na cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila. O caso ocorre em meio a protestos recentes e tem gerado manifestações de preocupação por parte de organizações ligadas à liberdade religiosa e direitos humanos.

O jovem Jonathan Muir Burgos é filho do pastor Elier Muir Ávila, líder de uma igreja cristã independente no país. Segundo a organização Christian Solidarity Worldwide, ambos atenderam a uma intimação policial na segunda-feira, 16 de março, quando foram detidos. O pastor foi liberado no mesmo dia, enquanto o filho permaneceu sob custódia.

De acordo com as informações divulgadas, o adolescente foi interrogado sobre possível participação em protestos realizados na sexta-feira, 13 de março, e no sábado, 14 de março. As autoridades questionaram sua presença nas manifestações e eventuais declarações feitas durante os atos. Até o momento, não há acusação formal, mas foi informado que o caso poderá ser analisado por promotores no prazo de até três dias.

Relatos indicam que o jovem está detido no Departamento de Investigação Técnica em Ciego de Ávila. Familiares e ativistas manifestaram preocupação com sua condição de saúde, devido a um problema médico considerado grave.

Os protestos ocorreram após sucessivos apagões e dificuldades no abastecimento de alimentos e medicamentos em diferentes regiões do país. Em Morón, manifestações foram registradas após sete noites consecutivas de falta de energia. Durante os atos, prédios ligados ao Partido Comunista de Cuba foram alvo de depredação e incêndio, e há relato de uma pessoa baleada.

Segundo o portal CiberCuba, ações policiais posteriores incluíram intimações, buscas e detenções direcionadas a jovens e menores de idade na cidade. O acesso à internet também foi interrompido durante o período das manifestações.

A detenção de Jonathan Muir Burgos ocorre em um contexto de pressões relatadas contra sua família. O pastor Elier Muir Ávila lidera a igreja Tiempo de Cosecha, que não integra o sistema religioso oficialmente reconhecido pelo Estado cubano. Em Cuba, organizações religiosas precisam de autorização governamental para operar, e grupos não registrados relatam monitoramento e restrições.

Em 2024, o pastor recebeu visitas de autoridades que, segundo relatos, reforçaram que apenas igrejas autorizadas poderiam funcionar e que líderes religiosos deveriam ser reconhecidos pelo Estado.

O caso foi comparado por ativistas a episódios anteriores envolvendo líderes religiosos. O reverendo Mario Félix Lleonart Barroso, do Instituto Patmos, apontou semelhanças com detenções ocorridas após protestos nacionais em julho de 2021.

A diretora de advocacy da Christian Solidarity Worldwide, Anna Lee Stangl, pediu a libertação imediata do adolescente. — A CSW exige que o governo cubano liberte imediatamente Jonathan Muir Burgos e o entregue à custódia de seus pais — declarou. — A detenção de um jovem de 16 anos, com um grave problema de saúde, simplesmente por ter tentado exercer sua liberdade de expressão, é inconcebível — afirmou.

Dados da organização jurídica independente Cubalex indicam aumento de ações repressivas no país. Em fevereiro, foram registrados 242 eventos relacionados a repressão estatal, totalizando 528 incidentes em diferentes categorias, de acordo com informações do The Christian Post.

Segundo a entidade, 190 pessoas sofreram violações de direitos humanos no período, incluindo 46 mulheres e 144 homens. Entre os casos documentados estão detenções arbitrárias, vigilância policial, ameaças, transferências forçadas entre centros de detenção e situações envolvendo pessoas privadas de liberdade.

Justiça condena Universal a devolver dízimos de R$ 156 mil a fiel

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo condenou a Igreja Universal do Reino de Deus a devolver R$ 156 mil a um morador de Vila Velha, na Grande Vitória, por valores doados a título de dízimo. A decisão foi publicada na quarta-feira, 11 de março.

O caso foi analisado pela 1ª Câmara Cível do tribunal, sob relatoria do desembargador Alexandre Puppim. A corte negou recurso apresentado pela igreja contra decisão anterior da 6ª Vara Cível de Vila Velha.

Segundo a defesa do autor da ação, as contribuições teriam ocorrido sob coação moral e indução psicológica. O processo aponta que a instituição condicionava a obtenção de benefícios espirituais, como a cura de uma atrofia em um dos braços, à realização de doações financeiras.

De acordo com os autos, o fiel frequentou a igreja entre 2011 e 2015 e participou de campanhas religiosas, incluindo a “Fogueira Santa”. Nesse período, realizou cinco doações que totalizaram aproximadamente R$ 156 mil.

A defesa também informou que o autor possui deficiência física e histórico de vulnerabilidade emocional. O processo inclui o depoimento de um ex-pastor, que relatou a existência de orientações internas para identificar pessoas em situação de fragilidade e incentivá-las a contribuir financeiramente.

Em sua defesa, a igreja afirmou que as doações foram feitas de forma voluntária e negou a existência de coação. A instituição também alegou intolerância religiosa na sentença e questionou a imparcialidade da decisão de primeira instância.

Ao analisar o caso, os magistrados entenderam que a vinculação entre promessa de “graça divina” e valores financeiros caracteriza prática ilícita. A decisão destaca que a liberdade religiosa não autoriza a exploração patrimonial de pessoas em condição de vulnerabilidade.

A defesa da igreja foi procurada para comentar o caso, mas o advogado Saulo Bermudes informou que manifestações sobre decisões judiciais são realizadas pela assessoria de imprensa da instituição, segundo informado pelo G1.