Sinal de batalha espiritual, diz pastor sobre raio em Brasília

O pastor Lamartine Posella, da YAH Church, publicou um vídeo após um raio atingir participantes durante o ato de encerramento da caminhada em Brasília, no Eixo Monumental, perto do Memorial JK. Ele afirmou que o episódio tem significado espiritual e pediu oração pelo país.

O caso ocorreu enquanto pessoas aguardavam a chegada dos caminhantes da Caminhada pela Justiça e Liberdade, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), no ponto de encontro na Praça do Cruzeiro. Segundo relatos dos organizadores, o raio caiu pouco antes das 13h.

No vídeo, Lamartine disse que o fenômeno não deve ser interpretado apenas como um evento climático. “Alguns dizem que foi só um fenômeno natural. Mas quem tem discernimento espiritual sabe: nem toda tempestade é apenas climática. Algumas são resultados de batalha espiritual”, afirmou.

O pastor também declarou que, quando há oração e clamor pela nação, pode haver reação no “mundo espiritual”. “Toda vez que um povo se levanta em oração, em arrependimento, em clamor pela nação, algo acontece no mundo espiritual. (…) Quando a Igreja se posiciona, o inferno se incomoda. Eu creio que essa caminhada mexeu em estruturas espirituais do mal, mexeu em cadeias, mexeu em fortalezas, e houve reação”, disse.

Lamartine acrescentou que Deus permanece no controle e pediu que as pessoas não recuem. “Nenhuma tempestade é maior do que o Senhor dos Exércitos. Nenhuma retaliação é maior e mais forte do que o poder da Cruz. Por isso, não é tempo de recuar, é tempo de avançar. Continuemos em oração pela nação brasileira”, declarou.

Sobre o atendimento, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal informou que 89 pessoas foram atendidas no local e 47 foram levadas a hospitais da região. Segundo a corporação, ninguém ficou gravemente ferido.

Escola é fundada por igrejas para formação teológica e espiritual

A escola Imitatio foi criada pelas Igrejas Presbiterianas de Vila Mariana e de Moema, em parceria com o Centro de Estudos Cristãos (CEC), com foco em formação espiritual, bíblica e teológica. A programação começa em fevereiro e segue ao longo de 2026, com encontros presenciais em São Paulo, voltados a quem deseja aprofundar a fé cristã diante de desafios da cultura contemporânea.

A proposta reúne reflexão teológica e vida prática, conectando espiritualidade, vocação, trabalho e cultura. Os cursos serão oferecidos em módulos bimestrais, com seis horas de carga horária cada, realizados principalmente às segundas e terças-feiras, no período noturno. As atividades ocorrerão nas sedes das Igrejas Presbiterianas de Moema e de Vila Mariana.

As aulas serão conduzidas pelo pastor e teólogo Ricardo Barbosa de Sousa, fundador e presidente do Centro de Estudos Cristãos. Presbiteriano, com formação pelo Regent College, no Canadá, Barbosa é autor de livros sobre espiritualidade cristã e atua como professor, conferencista e articulador de reflexão teológica no Brasil.

O primeiro módulo, “A Trindade e a renovação espiritual”, está previsto para fevereiro e tratará da doutrina central do cristianismo e de implicações para oração, adoração, comunhão e missão da igreja. Ao longo do ano, a escola também prevê módulos sobre pecado e secularização, maturidade espiritual a partir da carta aos Efésios, o papel dos Salmos na experiência do sofrimento, a prática da oração nos Evangelhos e a relação entre , dor e esperança.

Segundo os organizadores, a Imitatio busca formar discípulos de Jesus com profundidade bíblica e sensibilidade espiritual, com preparo para lidar com tensões éticas, culturais e religiosas do presente. A iniciativa é apresentada como um espaço contínuo de aprendizado, reflexão e renovação da vida cristã na cidade.

Contato das igrejas

Igreja Presbiteriana de Moema (IP Moema)

Rua Tuim, 932 — Moema, SP — CEP 04514-103

Tel.: (11) 2367-0747

Igreja Presbiteriana de Vila Mariana (IPVM)

Rua Vergueiro, 2407 — Vila Mariana, SP — CEP 04101-200

Tel.: (11) 5085-2929

Inscrições neste link.

Malta quer homenagear Raphael Abdalla, novo presidente da CBB

O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou um requerimento ao presidente do Senado para registrar em ata um voto de aplauso ao pastor Raphael Henrique Pinheiro Abdalla, eleito presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB) durante a 105ª Assembleia da denominação, realizada em Salvador (BA), na sexta-feira (23).

No documento, Malta destaca a idade e a trajetória do novo dirigente, nascido em 25 de outubro de 1995, e apresenta a eleição como um sinal de renovação na liderança batista no país.

O senador menciona a repercussão do resultado em veículos de imprensa e em canais religiosos e cita a formação acadêmica e religiosa de Abdalla, com graduação em Direito pela UFES, registro na OAB, formação teológica pelo CETEBES, curso técnico pelo IFES e MBA em Liderança e Gestão pela PUC-RS.

O texto do requerimento inclui uma avaliação sobre o perfil do novo presidente. “Sua trajetória explica a confiança nele depositada. Pastor Raphael Abdalla é um homem de fé, mas também de sólida formação intelectual e prática”, diz a solicitação.

O pedido também resume a atuação de Abdalla na estrutura denominacional, lembrando a presidência da Convenção Batista do Espírito Santo (CBEES), a passagem pela diretoria da CBB e a idealização do projeto REDES de Voluntários. Malta ainda aponta atividades do pastor como professor, comunicador e produtor de conteúdo religioso, citando o programa De Volta às Escrituras, exibido na TV Brasil. O senador recorda que, em 2023, já havia apresentado requerimento para uma sessão especial no Senado pelos 120 anos da Igreja Batista no Espírito Santo.

Ao justificar a homenagem, Malta associa a eleição ao histórico batista no estado. “É com um coração transbordante de orgulho capixaba que enaltecemos este filho do Espírito Santo. Sua ascensão não é um fato isolado, mas o florescimento natural de uma história de fé e serviço que seu estado natal há 120 anos cultiva”, afirma, de acordo com o Pleno News.

Ao final, o requerimento ressalta o papel social da denominação e menciona declarações atribuídas a Abdalla sobre a atuação em áreas “onde o Estado não consegue chegar”, além do compromisso com temas como violência, fome e indignidade social. O pedido inclui, por fim, o envio de uma cópia do voto de aplauso ao homenageado.

André Valadão admite que conhece Daniel Vorcaro da igreja

O pastor André Valadão publicou um vídeo em 26 de janeiro dizendo que conhece o empresário Daniel Vorcaro há décadas apenas como membro da Igreja Lagoinha, sem qualquer relação com negócios. A fala ocorreu após reportagens associarem líderes religiosos ao dono do Banco Master, e ele afirmou que há confusão sobre o sentido de “envolvimento” usado nas acusações.

Valadão criticou o que chamou de acusações “infundadas” e disse que elas atingem a igreja. “Existe uma acusação infundada, principalmente movimentada pela esquerda, a respeito de mim, a respeito da igreja, falta de respeito com a igreja, gente, muito séria”, declarou. Ele afirmou que a narrativa tenta sugerir ligação com irregularidades investigadas. “Como se fôssemos envolvidos em movimentações que estão sendo investigadas e apuradas pela justiça sobre Daniel e o Banco Master”, disse.

O pastor sustentou que a relação com Vorcaro sempre foi religiosa e ligada à rotina da comunidade: “Existe uma outra realidade, que é o envolvimento da vida da igreja. A Lagoinha é uma igreja com centenas de milhares de membros, inclusive Daniel foi membro por muitos anos da Lagoinha”, afirmou. Ele também disse que o empresário passou cerca de 10 anos em outra igreja e voltou recentemente a frequentar a Lagoinha, reforçando que não há vínculo empresarial: “Eu conheço o Daniel há décadas dentro da vida e do contexto da igreja, não de negócios, zero”.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após suspeitas de fraudes bilionárias. Também é mencionado que Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no mesmo mês durante a Operação Compliance Zero, sob acusação de liderar um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos.

Em outro vídeo, Valadão respondeu a críticas atribuídas a Renan Santos, líder do Movimento Brasil Livre e pré-candidato à Presidência pelo recém-criado Partido Missão. O pastor disse que vai processá-lo e afirmou: “Esse coitado pré-candidato eu vou massacrar na justiça”, além de chamá-lo de “criminoso” e atacar seus aliados.

Vídeo: templo da Assembleia de Deus em Camaçari é demolido

O templo da Assembleia de Deus Peniel foi demolido na manhã de 26 de janeiro, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (BA). A ação ocorreu na área do Condomínio Algarobas e gerou reação de indignação entre membros da congregação e moradores da região.

O pastor presidente, identificado como Washington, afirmou que a demolição começou por volta das 9h, enquanto ele se deslocava de casa. Segundo o relato, ele recebeu ligações de fiéis informando que uma força-tarefa havia chegado ao local e, ao chegar, encontrou parte significativa da estrutura já destruída.

De acordo com Washington, a operação teve presença de representantes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDUR), além de equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar. Ele disse que pediu a preservação de materiais como telhas e estruturas metálicas, mas não foi atendido: “Chegaram aqui arbitrariamente. Pedi para aproveitar algumas telhas, que custaram cerca de R$ 7 mil, e também as ferragens e a estrutura metálica, que foram muito caras, mas não deram ouvidos”, afirmou em entrevista ao programa Bahia no Ar.

O pastor também alegou que não houve apresentação de documentação formal no local. Ele relatou que, na semana anterior, a SEDUR havia colocado um adesivo de interdição no portão do templo e que procurou a secretaria para entender a situação. Segundo ele, um coordenador orientou que ficasse tranquilo e afirmou que não haveria perseguição.

A SEDUR afirmou que a obra não tinha alvará de construção. Washington contestou a justificativa e disse que a situação do terreno, adquirido por contrato de compra e venda, sem escritura, é comum no município. Para ele, a demolição caracteriza perseguição religiosa. “O terreno foi comprado e pago, como acontece em grande parte de Camaçari. Não tem escritura, tem compra e venda. Construímos, investimos muito aqui, fizemos uma boa base estrutural, e hoje demoliram tudo sem nenhuma piedade. Isso é perseguição religiosa”, declarou.

O líder religioso afirmou ainda que, fora o adesivo de interdição, nenhum documento de embargo teria sido entregue oficialmente à igreja. A congregação, segundo ele, reúne cerca de 40 membros fixos e aproximadamente 60 frequentadores regulares.

Ao comentar o impacto da demolição, Washington destacou ações sociais realizadas pela igreja na comunidade, com foco em crianças e famílias em situação de vulnerabilidade. “É um sentimento de pesar pela falta de sensibilidade do poder público. A igreja trabalha para restaurar vidas e ajudar pessoas que viviam à margem da sociedade”, concluiu, de acordo com o portal local DNA de Notícias.

Série ‘Casa de Davi’ vai concorrer a prêmio cristão em Hollywood

A série Casa de Davi entrou na lista oficial de indicados do Movieguide Awards 2026, premiação internacional voltada a produções com valores cristãos e conteúdo adequado para a família.

Produzida pela Wonder Project e exibida pelo Prime Video, a obra retrata a ascensão do rei Davi e o declínio do rei Saul, em uma produção gravada na Grécia e com referências bíblicas. A indicação coloca a série entre os títulos religiosos que ganharam destaque no entretenimento de fé no último ano.

Lançada em fevereiro de 2025, a primeira temporada tem oito episódios e contou com consultoria criativa de Dallas Jenkins, criador de The Chosen. A produção registrou mais de 22 milhões de espectadores nos episódios iniciais, resultado que levou à renovação para uma segunda temporada.

O Movieguide Awards, que chega à 33ª edição, acontece em 6 de fevereiro de 2026, no Avalon Theater, em Hollywood. A cerimônia reúne produções de estúdios independentes e plataformas de streaming reconhecidas por temas ligados a , família e virtude.

Neste ano, Casa de Davi aparece entre os indicados na categoria de melhores programas de televisão ou streaming para o público adulto. A série concorre com o episódio “A Verdade Revelada”, apontado como um dos momentos centrais da temporada.

O CEO do Movieguide, Robby Baehr, disse que os indicados refletem o tipo de conteúdo que o público procura. Segundo ele, histórias baseadas em fé e virtude continuam despertando interesse e alcançando diferentes gerações, conforme informado pela revista Comunhão.

A cerimônia do Movieguide Faith & Family Values Awards será exibida posteriormente pelo canal Great American Family Network e também ficará disponível para streaming na plataforma Great American Pure Flix.

Indicados a melhores programas de televisão/streaming para público adulto

  • Boston Blue, Episódio 1.8: “Em nome do Pai e do Filho…”

  • NCIS, Episódio 23.7: “Só Deus Sabe”

  • Casa de Davi, Episódio 208: “A Verdade Revelada”

  • Martin Scorsese apresenta: Os Santos: “Pedro”

  • Rute e Boaz

Historiador prevê IA mudando religião: ‘Não é ferramenta, é agente’

Yuval Noah Harari voltou a defender, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a inteligência artificial deve mudar de forma profunda a maneira como sociedades produzem conhecimento, organizam a religião e instituições e constroem referências culturais.

Ele disse a líderes reunidos na Suíça que a IA não pode mais ser tratada apenas como uma ferramenta, mas como um “agente” capaz de criar conteúdos novos, aprender, se transformar e tomar decisões.

Harari avaliou que, à medida que a tecnologia se integra ao cotidiano, tudo o que é estruturado em palavras tende a ser cada vez mais influenciado por sistemas de IA. Nesse ponto, ele citou diretamente campos como legislação, livros e religiões baseadas em textos, como cristianismo, judaísmo e islamismo. Para o historiador, esse cenário pode desencadear uma crise de identidade, porque parte do que as pessoas pensam e repetem passaria a ter origem em máquinas, e não em experiências humanas.

Em uma sessão chamada “Uma conversa honesta sobre IA e humanidade”, Harari insistiu que a pergunta central para governantes começa pela definição do que a IA é hoje. Ele afirmou: “Nós sempre achamos que podemos simplesmente usar essas tecnologias como ferramentas. Mas, se elas conseguem pensar, então são agentes.”. Em seguida, comparou o contraste entre ferramentas tradicionais e sistemas de IA. “Uma faca é uma ferramenta: você pode usá-la para cortar uma salada ou para matar alguém, mas a decisão é sua. A IA é uma faca que pode decidir sozinha se vai cortar uma salada ou cometer um assassinato”.

Ao explicar por que considera a IA um agente, Harari listou capacidades que, segundo ele, já estão presentes: aprender de forma autônoma, reorganizar informações, produzir textos e também enganar, manipular e persuadir. Ele resumiu a ideia com um exemplo de frase que a IA conseguiria criar: “a IA pensa, logo a IA existe”. A partir disso, associou o tema a riscos institucionais, argumentando que sistemas formados por linguagem poderiam ser dominados por quem melhor manipula palavras e símbolos.

Nessa linha, Harari declarou: “Se as leis são feitas de palavras, a IA vai dominar o sistema jurídico. Se os livros são combinações de palavras, a IA vai dominar os livros. Se a religião é construída a partir de palavras, a IA vai dominar a religião.”. Ele disse que a dinâmica seria ainda mais intensa em tradições “do livro”, onde o texto sagrado ocupa o centro da autoridade religiosa.

Israelense, ele usou o judaísmo como exemplo, afirmando que a autoridade máxima está nas palavras preservadas nos textos, e que a autoridade humana vem do estudo e da memorização desses conteúdos.

Harari levantou uma pergunta para descrever o impacto dessa assimetria de capacidade: “O que acontece com uma religião do livro quando o maior especialista no texto sagrado é uma inteligência artificial?”. Para ele, uma IA poderia ler e organizar volumes que nenhum indivíduo conseguiria absorver por inteiro, tornando-se uma referência técnica incomparável. Ele indicou que essa vantagem de processamento mudaria a relação entre líderes religiosos, comunidades e textos.

Ao ampliar o cenário para cultura e política, Harari disse que o mundo discute hoje imigração humana, mas enfrentaria, em breve, uma crise de identidade ligada à “migração” de inteligências artificiais. Ele afirmou que, dessa vez, não se trataria de pessoas cruzando fronteiras, e sim de sistemas digitais circulando com velocidade e escala, produzindo conteúdo, interagindo e influenciando opiniões. “Serão milhões de IAs capazes de escrever poemas de amor melhor do que nós, mentir melhor do que nós e viajar à velocidade da luz, sem precisar de visto”, disse.

Segundo Harari, essa presença traria ganhos e custos. Ele citou exemplos positivos como médicos de IA para a saúde, professores de IA para a educação e agentes de IA até para funções ligadas a fronteiras. Ao mesmo tempo, afirmou que esses “imigrantes de IA” poderiam substituir empregos, alterar padrões culturais e influenciar crenças e relações pessoais. Na comparação com temores comuns ligados a imigração humana, ele afirmou que parte dessas preocupações “certamente” se aplicaria, no caso da IA, à substituição de trabalho e à transformação cultural.

Harari também mencionou a possibilidade de a própria IA gerar novas formas de religião e conquistar seguidores. “E se algumas dessas IAs criarem uma nova religião e conquistarem a fé de milhões de pessoas?”, questionou. Em seguida, disse que o cenário não seria tão improvável, porque muitas religiões ao longo da história se apresentaram como fruto de uma inteligência não humana. Ele então perguntou como Estados reagiriam: “Seu país vai garantir liberdade religiosa a essa nova seita criada por IA, com sacerdotes e missionários artificiais?”.

Na parte final, Harari criticou o que chamou de atraso na discussão pública e regulatória. Ele afirmou que sistemas automatizados já se comportam como “pessoas funcionais” há pelo menos uma década, especialmente nas redes sociais. “Seu país vai permitir que IAs tenham contas em redes sociais, exerçam liberdade de expressão no Facebook ou no TikTok e interajam com crianças?”, disse, ao sustentar que essa pergunta deveria ter sido enfrentada anos antes.

De acordo com o portal The Christian Post, ele concluiu com um alerta sobre tempo e decisão: “Daqui a 10 anos, será tarde demais para decidir se as IAs devem agir como pessoas nos mercados financeiros, nos tribunais e até nas igrejas”.

PF intima teólogo Caio Modesto após vídeo sobre casamento

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A Polícia Federal intimou o teólogo Caio Modesto para prestar depoimento após uma denúncia relacionada a um vídeo em que ele aborda doutrinas bíblicas sobre casamento. Segundo Caio, a intimação menciona apuração de supostos crimes de homofobia e racismo.

Ao comentar o caso, ele afirmou que a fala ocorreu em contexto religioso e teológico e que expressou uma convicção derivada da fé cristã e do que chama de ensino das Escrituras. No vídeo, Caio declarou: “O matrimônio bíblico é somente entre um homem e uma mulher, o que passar disso é obra do inimigo”.

Ainda de acordo com o teólogo, a declaração não teria sido motivada por “ódio” ou intenção de discriminar, mas por uma exposição doutrinária amparada, segundo ele, pela liberdade religiosa e pela liberdade de expressão. Caio acrescentou que não houve incitação à violência, à exclusão social ou à negação da dignidade humana e disse que respeita todas as pessoas “independentemente de suas escolhas pessoais”.

Caio também afirmou que sua visão se apoia na passagem bíblica de Romanos 1 e descreveu o tema como um “ensino teológico interno” ao cristianismo, sem caráter discriminatório. Em seguida, ele criticou o ambiente de debate nas redes sociais e disse: “Hoje em dia, expressar a fé nas redes sociais é como entrar no coliseu entre os leões. Aquilo que sempre foi convicção cristã agora é vigiado, criticado e até tratado como crime.”.

Após tornar pública a intimação, Caio afirmou ter recebido apoio de cristãos, com mensagens e orações. “Vim aqui apenas para agradecer a todos pelas orações e pelas contribuições. Meu coração está mais tranquilo depois das mensagens que recebi.”, disse. Ele também mencionou versículos bíblicos ao falar sobre comunhão e apoio em momentos de sofrimento.

A repercussão incluiu manifestação do advogado Benoni Mendes, que classificou o caso como sinal de “perseguição” e afirmou que líderes religiosos poderiam ser investigados “simplesmente por explicar” sua fé. De acordo com o Guia-me, ele também pediu apoio ao teólogo e disse que o inquérito poderia terminar “até mesmo na prisão”, o que considerou “um absurdo”.

Multidão destrói casas de cristãos que recusam renunciar à fé

Um grupo de nacionalistas hindus demoliu casas de quatro famílias cristãs na aldeia de Midapalli, no distrito de Gadchiroli, no estado de Maharashtra, na Índia, após as famílias se recusarem a abandonar a fé. O ataque ocorreu depois de ameaças sucessivas, nas quais os moradores teriam sido pressionados a renunciar ao cristianismo.

Segundo a organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), cerca de 20 pessoas confrontaram seis famílias cristãs, que somariam aproximadamente 25 indivíduos, e apresentaram um ultimato. No dia 12 de janeiro, o grupo teria retornado e destruído as casas de quatro famílias após nova recusa de conversão.

Dois dias depois, as vítimas foram à delegacia de Kavande para registrar queixa. De acordo com os relatos citados pela CSW, policiais teriam ameaçado as famílias em vez de oferecer apoio, questionando a conversão por elas integrarem uma comunidade tribal. Ainda segundo os relatos, o responsável pela unidade teria afirmado que documentos de identificação e o acesso a suprimentos de ração do governo poderiam ser revogados.

Em 14 de janeiro, a polícia teria intimado o pastor local para interrogatório sobre o trabalho religioso. Conforme a CSW, os agentes teriam chamado o ministério de “superstição” e proibido o pastor de visitar as famílias cristãs na aldeia.

No fim de janeiro, as famílias deslocadas continuavam sem abrigo durante o inverno, segundo a organização, que apontou a localização remota de Midapalli como um fator que dificulta a assistência externa. Moradores cristãos afirmaram que pretendem levar o caso a instâncias superiores e solicitar a intervenção do Administrador Distrital.

O presidente da CSW, Mervyn Thomas, criticou a atuação das autoridades locais e pediu medidas para garantir a segurança das famílias, compensar as perdas e responsabilizar os envolvidos. O episódio ocorre em um cenário mais amplo de violência contra cristãos no país, conforme registros do Fórum Cristão Unido, que contabilizou 834 ataques em 2024, 734 em 2023 e 601 em 2022, além de mais de 900 ocorrências entre janeiro e maio de 2025.

A ativista cristã Minakshi Singh atribuiu parte da violência a acusações de conversões forçadas e disse que, em 2022, a Suprema Corte solicitou provas desse tipo de alegação, mas que governos federal e estaduais não apresentaram documentação que sustentasse os relatos. Doze dos 28 estados da Índia possuem leis que restringem a conversão religiosa, e líderes cristãos afirmam que essas normas são usadas para justificar intimidação, campanhas de exclusão social e assédio judicial.

AC Michael, coordenador nacional do Fórum Cristão Unido e ex-integrante da Comissão de Minorias de Delhi, descreveu o cenário como “ódio viral, violência brutal de multidões e ostracismo social desenfreado”. Ele afirmou que o medo de represálias leva muitas vítimas a não denunciarem ataques e disse que, em dezembro, pediu ao governo central a nomeação de um alto funcionário para conduzir uma investigação nacional sobre o aumento de casos anticristãos.

Pelo censo de 2011, cristãos representam 2,3% da população da Índia. Grupos de defesa de direitos humanos afirmam que essa minoria se tornou mais vulnerável nos últimos anos, tanto por negligência estatal quanto por agressões sociais.

Paquistão: cristãs absolvidas em processo por blasfêmia

Duas enfermeiras cristãs foram absolvidas da acusação de blasfêmia no Paquistão, encerrando um processo que se arrastou por mais de quatro anos e as manteve escondidas, sob risco de violência coletiva. Um tribunal distrital concluiu que a acusação não apresentou provas suficientes para sustentar a denúncia.

Mariam Lal e Newosh Arooj foram investigadas com base no Artigo 295-B do Código Penal do Paquistão, que prevê prisão perpétua para quem danifica textos do Alcorão. A absolvição ocorreu em novembro de 2025, e, nesta semana, expirou o prazo para que as autoridades recorressem da decisão, segundo a organização Ajuda à Igreja que Sofre.

O caso teve início em abril de 2021, após a denúncia de um médico sênior. Ele alegou que as duas, então funcionárias do Hospital Civil de Faisalabad, na província de Punjab, teriam profanado um adesivo com inscrição islâmica que estava colado em um armário do hospital. Com a repercussão da acusação, as duas escaparam por pouco de uma tentativa de linchamento e acabaram detidas pelas autoridades.

As enfermeiras ficaram cinco meses sob custódia antes de obterem autorização para aguardar o julgamento fora da prisão, sob justificativa de segurança. Ao longo do processo, o tribunal permitiu que elas evitassem comparecimentos públicos, diante de ameaças consideradas críveis. Com isso, as duas também ficaram impedidas de trabalhar e passaram a depender de medidas de proteção, em meio a intimidação recorrente.

A defesa foi conduzida pela Comissão Nacional para a Justiça e a Paz (NCJP), organismo católico apoiado pela Ajuda à Igreja que Sofre. Defensores locais classificaram a decisão como incomum, apontando que processos desse tipo costumam ser empurrados para instâncias superiores por pressão social. O padre Khalid Rashid Asi, da NCJP, afirmou que o resultado indicou independência do juiz distrital, com base nas evidências apresentadas.

Apesar do alívio relatado pelas famílias, o grupo que acompanhou o caso afirmou que a situação das enfermeiras segue delicada: “Nossa luta continua agora por um futuro seguro, pela reabilitação e pela reintegração digna das enfermeiras”, disse Asi. Ele citou o apoio do bispo Indrias Rehmat, de Faisalabad, e o trabalho dos advogados Sanaullah Baig e Shahid Anwar, mencionando que todos atuaram sob ameaças. Asi também agradeceu o suporte internacional, citando orações, ajuda financeira e solidariedade.

As leis paquistanesas de blasfêmia, frequentemente usadas para vingança pessoal e para atingir minorias religiosas, são alvo de críticas recorrentes na comunidade internacional. A legislação citada não prevê punição específica para acusação falsa ou falso testemunho nesses casos, segundo informações do portal The Christian Post.

Um grupo sediado em Lahore, o Centro para a Justiça Social, registrou 200 acusados por blasfêmia em 2020, e afirmou que ao menos 1.855 pessoas foram acusadas com base nessas leis desde 1987. Organizações internacionais de direitos humanos vêm defendendo reformas no código penal por causa do uso dessas normas como arma de perseguição a minorias.