Nordeste: fenômeno de evangélicos que se convertem ao judaísmo

Um movimento religioso e identitário tem ganhado visibilidade no Nordeste: templos evangélicos vêm sendo convertidos em sinagogas e um número crescente de fiéis, muitos deles ex-evangélicos, declara adesão ao judaísmo.

Os protagonistas se apresentam como bnei anussim — expressão hebraica para “filhos dos forçados” — em referência aos sefarditas convertidos compulsoriamente ao cristianismo durante a Inquisição na Península Ibérica, no século 15.

Com base em relatos genealógicos e na memória de famílias conhecidas como cristãos-novos, esses grupos organizam comunidades judaicas em bairros periféricos e cidades menores.

Exemplos dessa reorganização foram registrados em Messejana, na periferia de Fortaleza (CE), no bairro Branca Dias, em Campina Grande (PB), e em Tibau (RN). Nesses locais, antigos templos evangélicos passaram a funcionar como sinagogas, com símbolos judaicos, observância do sábado e rituais próprios. Em algumas comunidades, antigos pastores assumiram funções de liderança religiosa, enquanto fiéis adotaram talit, kipá e o uso da Torá nas liturgias. Há registros de integrantes que emigraram para Israel e, em casos pontuais, de jovens que servem nas Forças de Defesa do país.

O reconhecimento institucional, contudo, permanece tema de debate. Setores do judaísmo ortodoxo questionam a validade de conversões realizadas sem supervisão rabínica reconhecida. Mesmo com resistências, as comunidades relatam expansão sustentada por senso de identidade religiosa e cultural e por vínculos familiares reconstruídos a partir de tradições e memórias locais.

As raízes do fenômeno são anteriores à atual visibilidade. Nos anos 1960, descendentes de famílias católicas em cidades como Recife (PE) e Natal (RN) já reivindicavam origens judaicas e se aproximavam de sinagogas estabelecidas. A diferença, hoje, é a formação de comunidades inteiras compostas por convertidos, muitas vezes majoritariamente ex-evangélicos que dizem identificar, em relatos familiares, sinais de uma herança judaica preservada de modo discreto ao longo de gerações.

Esse cenário é tema do documentário “Os novos judeus do Nordeste: a tribo perdida do sertão”, produzido pela BBC News Brasil e publicado no YouTube em agosto de 2025. A reportagem percorre mais de mil quilômetros em quatro Estados para descrever histórias, motivações e desafios dos bnei anussim, situando o fenômeno entre fé, memória e identidade.

Entre lideranças cristãs, o crescimento de práticas judaizantes em igrejas evangélicas tem sido alvo de análise. Para o pastor Isaías Lobão, da Igreja Presbiteriana, professor de Teologia e membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), o quadro reflete fragilidades no ensino doutrinário: “A maior falha é a negligência do ensino bíblico. Quando se troca a exposição fiel da Palavra por entretenimento, pragmatismo ou experiências superficiais, a igreja perde seu alicerce. Sem doutrina sólida, o povo fica vulnerável a qualquer vento de novidade religiosa”, afirmou.

Ele acrescentou que o “espírito do nosso tempo”, marcado por relativismo e imediatismo, torna pessoas suscetíveis a tradições e símbolos percebidos como mais estáveis.

Lobão reconhece a busca por “raízes mais bíblicas”, mas aponta equívocos na compreensão do papel da Lei na teologia cristã. “Muitos não entenderam que toda a Lei apontava para Cristo. Falta catequese bíblica sólida. Em vez de verem o Antigo Testamento como sombra do que se cumpriu em Jesus, tratam os símbolos como caminho de salvação em si”. Segundo ele, leituras populares do dispensacionalismo e correntes neopentecostais contribuíram para confusões. “Há quem atribua a Israel um papel quase místico e paralelo ao de Cristo, o que leva muitos a crer que voltar às práticas judaicas é uma forma de se aproximar mais de Deus”.

Ao avaliar a migração de fiéis para ritos mais solenes, Lobão descreveu o movimento como reação a vazios espirituais em contextos pragmáticos, mas reforçou sua crítica teológica. “O cristão não precisa se apegar a sinais antigos quando já possui a realidade plena em Cristo, que é o Cordeiro definitivo e o verdadeiro templo de Deus”. Para ele, quando um evangélico abandona a fé cristã para adotar integralmente o judaísmo, há ruptura doutrinária. “É uma tragédia espiritual. O apóstolo Paulo disse que todos que se apoiam nas obras da Lei estão debaixo de maldição. Voltar à Lei como sistema religioso é rejeitar a graça. É trocar a cruz pela sombra”.

Na leitura do pastor, as conversões de igrejas em sinagogas não configuram caso isolado, mas indicam superficialidade doutrinária em parcelas do campo evangélico. “Sempre que a Palavra de Deus é relegada ao segundo plano, abre-se espaço para heresias. A história da Igreja mostra isso. Mas também é verdade que onde a Palavra é pregada fielmente, o erro é desmascarado e a Igreja é preservada”.

Ele não prevê mudança expressiva no mapa religioso nacional, mas aponta risco de “bolsões de confusão” e comunidades fragilizadas: “Não vejo isso como ameaça estatística, mas como alerta. Quando a Igreja perde o foco em Cristo e no evangelho puro, Deus retira o candeeiro”.

Sobre como reagir, Lobão defende retorno à centralidade das Escrituras, com pregação expositiva, discipulado e formação teológica. “O problema não será resolvido com medo ou discursos genéricos. É hora de arrependimento, reforma e renovação espiritual. Somente a Palavra, proclamada com clareza e poder, pode proteger o rebanho de Deus dos enganos que seduzem tantos corações”.

Em perspectiva acadêmica, o professor Luciano Gomes dos Santos, especialista em Ciências da Religião e Ciências Sociais e docente no UniArnaldo Centro Universitário (Belo Horizonte, MG), descreve um processo heterogêneo. Segundo ele, a conversão de templos evangélicos em sinagogas no Nordeste não é massiva, mas sinaliza reconfigurações identitárias. Entre os fatores estão mudanças de preferência litúrgica, mobilizações de lideranças locais, descobertas genealógicas e, em alguns casos, aquisição de imóveis religiosos por comunidades judaizantes. “Essas transformações costumam ser complexas e entrelaçam história, memória familiar e mobilizações religiosas contemporâneas”, afirmou.

Santos observa perfis variados entre os que migram: jovens e adultos de meia-idade, oriundos de áreas urbanas e periurbanas, com diversas inserções socioeconômicas. “A heterogeneidade é uma marca desse movimento. Portanto, é inadequado traçar generalizações rígidas sobre idade, classe social ou escolaridade dos envolvidos”, explicou. Os efeitos locais também são múltiplos: há revitalização de espaços, novas redes comunitárias e atenção externa, mas também conflitos de vizinhança e dúvidas sobre pertencimento quando rituais e usos do templo mudam. “O impacto concreto depende muito de como a transição foi negociada com a comunidade local e de que tipo de integração social as novas comunidades são capazes de promover”, disse.

Quanto ao potencial de crescimento, Santos vê expansão situacional, condicionada à convergência entre descobertas genealógicas, mobilização comunitária e apoio institucional. A continuidade dependerá da consolidação de estruturas locais e da manutenção de práticas sustentáveis. Entre as motivações estão a busca por ritualização, a valorização de tradições percebidas como ancestrais, a insatisfação com dinâmicas institucionais em igrejas evangélicas e o apelo midiático. “Em alguns casos, relatos familiares são ressignificados como parte de uma herança judaica, o que reforça essa reconfiguração identitária”, apontou.

Para o pesquisador, o fenômeno — embora localizado — acompanha tendências globais da religiosidade contemporânea, como a procura por identidades étnico-religiosas alternativas e a reapropriação de elementos ancestrais em diálogo com redes sociais, mídias digitais e diásporas. “O que observamos é um fenômeno local, mas que dialoga com tendências globais da religiosidade contemporânea. Ele revela como a fé, hoje, também é uma construção identitária em constante negociação com a história, a cultura e a memória”, concluiu, de acordo com a revista Comunhão.

Trump: ‘Se o Hamas continuar matando, vamos entrar e matá-los’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou mensagens com tom mais duro em relação ao Hamas, condicionando uma intervenção militar ao fim das execuções de civis na Faixa de Gaza. Segundo ele, a morte de pessoas em Gaza “não era parte do acordo” com Israel e, caso a violência continue, haveria resposta.

“Se o Hamas continuar a matar pessoas em Gaza, o que não era o acordo, não teremos escolha a não ser entrar e matá-los”, escreveu na Truth Social em 16 de outubro.

As declarações ocorreram em meio a apelos para que o Hamas interrompa ações contra civis palestinos. Nas últimas semanas, circularam vídeos que mostram execuções públicas na Cidade de Gaza, fato que motivou manifestações de governos e entidades internacionais.

Em 15 de outubro, o comandante do Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) no Oriente Médio, almirante Brad Cooper, divulgou nota cobrando o fim imediato da violência. “Nós fortemente urgimos o Hamas a suspender imediatamente a violência e os tiros contra civis palestinos inocentes em Gaza — tanto nas partes de Gaza controladas pelo Hamas quanto naquelas garantidas pelo IDF atrás da Linha Amarela”, afirmou.

No mesmo comunicado, Cooper disse que reiterou exigências atribuídas ao presidente dos Estados Unidos para que o Hamas “imediatamente desarme e ceda seu poder sobre a Faixa de Gaza”. Segundo o almirante, tais demandas têm sido rejeitadas pela organização. “Esta é uma oportunidade histórica para a paz. O Hamas deve aproveitá-la, recuando totalmente, aderindo estritamente ao plano de paz de 20 pontos do presidente Trump e desarmando-se sem demora”, declarou.

Trump já havia comentado anteriormente sobre imagens de repressão cometidas pelo Hamas, minimizando o impacto que tiveram sobre ele. “Aquilo não me incomodou muito, para ser honesto com você”, disse. Em seguida, comparou o grupo a quadrilhas criminosas: “É um par de gangues muito ruins. Não é diferente de outros países como a Venezuela [que têm] enviado suas gangues para [os EUA]”.

Ao tratar da recusa do Hamas em se desarmar, o presidente reforçou que considera o desarmamento um elemento central do plano de paz que defende e não descartou o uso da força. “Eles vão se desarmar, porque disseram que iriam se desarmar”, afirmou a repórteres. “E se eles não se desarmarem, nós vamos desarmá-los.” Na sequência, completou: “Eles sabem que não estou para brincadeiras”.

Ideologia de gênero nas escolas: Dino faz 'malabarismo' com Bíblia

Em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na última quarta-feira, 15, o ministro Flávio Dino afirmou que a Bíblia Sagrada apresenta uma variedade de modelos de família, supostamente indo além do conceito de “família tradicional”.

A declaração que, no jargão popular, constitui um “malabarismo” de opiniões que tem por objetivo forçar o texto sagrado à respaldar o que não respalda, foi proferida durante o julgamento que analisa a legalidade da inclusão de conteúdos sobre orientação sexual e ideologia de gênero no currículo de escolas públicas.

Em vez de se deter ao cerne da questão debatido pelos conservadores, que é a falsa noção de que os sexos macho e fêmea não seriam definidos pela biologia, mas sim pela forma como alguém se “enxerga” e se “sente” (ideologia de gênero), Dino apelou para exemplos que nada dizem respeito ao tema.

O ministro baseou seu argumento, por exemplo, em personagens bíblicos, citando especificamente os casos de Moisés, que foi uma criança adotada, e de Abraão, que, segundo Dino, “viveu em uma estrutura familiar múltipla”.

Ele também detalhou que a narrativa abraâmica envolve relações com Sara e Agar, além de mencionar um episódio no Egito em que “Sara é compelida a ter uma relação afetiva com o faraó”.

Ao final de sua explanação, o ministro reiterou que a Constituição Federal do Brasil assegura a proteção à diversidade das entidades familiares, novamente focando seu argumento não no conceito de ideologia de gênero (alvo das leis em julgamento), mas em diferentes arranjos afetivos.

“Não existe uma única maneira de se viver e se relacionar amorosamente ou conjugalmente com outras pessoas”, concluiu Flávio Dino.

O alvo correto do debate

Os setores conservadores, compostos por estudiosos, líderes religiosos, parlamentares e movimentos sociais diversos, posicionam-se contrariamente à chamada ideologia de gênero, entendendo-a como uma teoria que desvincula a identidade de gênero do sexo biológico.

Para esses grupos, a distinção binária entre homem e mulher é uma realidade natural e imutável, fundamentada sumariamente em princípios biológicos, sendo as definições de “homem” e “mulher” meras consequências naturais, chanceladas pela cultura, dessa realidade.

Eles argumentam que a adoção de perspectivas de gênero nas políticas públicas, especialmente na educação, introduziria uma confusão desnecessária para crianças e jovens e interferiria no direito das famílias de orientar a formação moral de seus filhos.

Como é possível notar, o debate em questão nada tem a ver com arranjos afetivos entre pessoas heterossexuais, tais como os citados por Dino, o qual também citou casos em que a Bíblia claramente não endossa como práticas aceitas por Deus, estando eles registrados no texto sagrado tão somente por razões de conhecimento histórico.  Com informações: G1.

Samuel Ferreira e Cezinha de Madureira visitam e oram por Lula

O presidente Lula (PT) se reuniu no Palácio do Planalto, em Brasília, com bispos da Assembleia de Deus de Madureira e parlamentares evangélicos. Participaram o advogado-geral da União, Jorge Messias, mencionado por interlocutores como possível indicado a uma futura vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo relatos de presentes, o encontro teve caráter religioso e incluiu momentos de oração. O deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP) afirmou que a visita foi de cortesia e não tratou de indicações ao STF nem de eleições: “Estamos em um período um pouco conturbado com tudo o que está acontecendo e nós oramos pelo presidente”, disse. Em seguida, reforçou: “Não viemos pedir nada por ninguém”.

Também estiveram no encontro a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e líderes ligados à Assembleia de Deus de Madureira, entre eles os bispos Primaz Manoel Ferreira e Samuel Ferreira. De acordo com Hoffmann, os religiosos entregaram ao presidente uma Bíblia do Culto do Ministro e a edição de ouro do Centenário de Glória da Igreja Assembleia de Deus de Madureira. “Os convidados entregaram ao presidente uma Bíblia e a edição de ouro do Centenário de Glória da Igreja Assembleia de Deus Madureira”, publicou a ministra nas redes sociais.

Em suas redes, Lula destacou o caráter espiritual da reunião e registrou a presença de Jorge Messias e de Gleisi Hoffmann. “Recebi hoje em meu gabinete o bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, que estava acompanhado do deputado federal Cezinha Madureira. Um encontro especial, de emoção e fé, compartilhado com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hhofmann”, escreveu o presidente.

O presidente relatou ter ouvido dos líderes o crescimento da denominação: “O pastor nos relatou o crescimento da igreja e o acolhimento aos fiéis. Pude reiterar a relação de respeito que tenho pela Assembleia de Deus e o relevante trabalho espiritual e social promovido pela igreja. Um trabalho pautado em valores cristãos que também mobilizam as ações do nosso governo: respeito, fraternidade, comunhão e apoio às famílias”, afirmou.

Lula também agradeceu pelos presentes e pelas orações: “Recebi com muito carinho os presentes que me trouxeram: a Bíblia do Culto do Ministro e a edição de ouro do Centenário de Glória da Igreja. Obrigado também pela oração em minha proteção e também do nosso querido Brasil”.

A presença de Jorge Messias na agenda reforçou a sua visibilidade no governo, embora não haja anúncio oficial sobre indicação ao STF. Messias, que é evangélico e chefia a Advocacia-Geral da União, mantém relação de confiança com o presidente.

Nos últimos meses, Lula tem mantido diálogos com diferentes lideranças religiosas, evangélicas e católicas, em iniciativas de aproximação institucional. Em agenda recente no Vaticano, o presidente também se encontrou com o papa, em gesto interpretado por auxiliares como parte da estratégia de ampliar canais de diálogo com grupos de fé.

Crivella lança música em defesa da anistia em prol da esperança

Assine o Canal

Em um evento realizado no Congresso Nacional na última quarta-feira, o deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) apresentou uma música de sua autoria durante um culto organizado pela bancada evangélica. A composição defende a anistia para os indivíduos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas.

O ato ocorreu em um plenário reservado e contou com a presença de aproximadamente 15 parlamentares. Crivella, que foi prefeito do Rio de Janeiro e também é conhecido por sua atuação como cantor gospel, cantou o refrão da música, que incluía a frase “Batom na estátua não apaga a esperança”.

A canção em defesa da anistia, que já se encontra disponível no canal oficial do deputado na plataforma YouTube, faz referência a figuras que ganharam notoriedade durante os acontecimentos de 8 de janeiro. Entre elas estão “Débora do batom”, um vendedor de algodão doce e uma senhora idosa portando uma Bíblia.

O videoclipe da música combina imagens de manifestações públicas e de parlamentares discursando a favor da anistia com cenas do deputado Crivella realizando a gravação em estúdio.

A pauta pela anistia dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal tem sido consistentemente defendida por segmentos da direita política no Brasil. Esta posição, contudo, encontra oposição de setores da esquerda e também do próprio Poder Judiciário.

Acordo entre Israel e Hamas cumpre a profecia de Daniel 9?

Diante do cessar fogo firmado entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza, muitas especulações surgiram nas redes sociais sobre o cumprimento da profecia de Daniel 9. Tal interpretação leva, inevitavelmente, a questionamentos sobre a figura que mediou o acordo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Neste contexto, o pastor Augustus Nicodemus gravou um vídeo para avaliar os rumores à luz do texto bíblico, oferecendo uma interpretação que diverge dessa linha escatológica:

“O novo acordo de paz entre Israel e os palestinos é o cumprimento da profecia de Daniel 9? Tem muita gente dizendo que essa seria a paz do anticristo, que viria antes da grande tribulação, e que Daniel falou disso no final do capítulo 9 da sua profecia. Mas será que é isso mesmo que o texto diz?”, questionou Nicodemus.

Em seguida, o pastor presbiteriano leu o texto: “Vamos olhar para a Bíblia, não para os rumores. Vamos começar olhando Daniel 9, 26 e 27, onde o profeta diz: ‘Depois das sessenta e duas semanas, o ungido será morto e não terá nada. O povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e seu fim virá como uma inundação. Até o fim haverá guerra, e desolações foram determinadas. Ele fará firme aliança com muitos por uma semana. Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de cereais. Sobre a asa das abominações virá aquele que causa desolação, até que a destruição que está determinada seja derramada sobre ele”.

As interpretações sobre acordos de paz representando a manifestação do anticristo são naturais para a leitura escatológica que se tornou mais popular entre os evangélicos nos últimos dois séculos, disse Nicodemus: “Na leitura pela ótica dispensacionalista, esse ele seria o anticristo, que firmaria um tratado político de sete anos com Israel. Mas do ponto de vista reformado, esse texto não está falando do anticristo. Na verdade, ele está falando de Cristo”.

Em seguida, ele inicia a explicação olhando para a construção gramatical do texto do profeta: “No versículo 26, Daniel escreveu o seguinte: ‘Depois das sessenta e duas semanas, será morto o ungido e já não estará. E o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário’. Ou seja, primeiro o texto fala do Messias sendo morto, uma referência muito clara à morte de Cristo. E depois fala do povo que viria destruir Jerusalém, o que se cumpriu com o Império Romano no ano 70”, comentou, referindo-se ao episódio da destruição da cidade e do Segundo Templo.

“Aí então, que vem o verso 27: ‘Ele fará firme aliança com muitos por uma semana e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta’. Pense bem, repare que o sujeito continua o mesmo, o ungido. E portanto, é ele quem faz a aliança com muitos, a nova aliança profetizada por Jeremias, selada no sangue do ungido. E é ele, o ungido, quem faz cessar os sacrifícios, porque o seu sacrifício foi perfeito e definitivo. Por sua vez, a abominação desoladora não aponta para um futuro líder mundial, nem para um tratado político, mas para a profanação do tempo cumprida primeiro em 70 d.C., e simbolicamente em toda religião que tenta substituir a obra de Cristo por qualquer outro meio de salvação”, aprofundou o pastor.

Segundo Nicodemus, é preciso cautela com as interpretações dos eventos em comparação com as profecias, pois elas podem revelar, na verdade, uma forma de rebelião contra Deus: “Por isso, esse tratado de paz não é o cumprimento de Daniel 9, como muitos estão dizendo. É só mais uma tentativa humana de buscar estabilidade sem Deus. A verdadeira aliança já foi feita, o verdadeiro sacrifício já foi oferecido e o verdadeiro príncipe da paz já veio. Portanto, toda paz fora dele é temporária, toda esperança sem ele é ilusória. A profecia de Daniel não aponta para uma trégua política, mas para uma cruz. O verdadeiro príncipe da paz já veio e a aliança eterna já foi selada”.

ANAJURE se manifesta contra a perseguição religiosa nas escolas

A Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE) emitiu um posicionamento oficial, na última quarta-feira, em resposta a um pedido de informações da vereadora Camila Gonda (PT) sobre a realização de atividades religiosas no Colégio Estadual São Paulo Apóstolo, em Curitiba.

No documento, divulgado em suas redes sociais, a entidade sustentou que o princípio do Estado laico não deve ser interpretado como um mecanismo para coibir manifestações de fé no espaço público. A associação argumenta que a laicidade estatal representa neutralidade, e não a promoção do secularismo ou a exclusão de práticas religiosas.

A nota cita o Artigo 5º da Constituição Federal, que garante a liberdade de consciência e de crença, além do livre exercício dos cultos religiosos. De acordo com a ANAJURE, esses direitos são invioláveis e aplicam-se também ao ambiente escolar.

“Qualquer tentativa de usar a laicidade como pretexto para censurar manifestações voluntárias de fé é uma violação da Carta Magna”, afirmou a associação.

A posição da entidade foi motivada por um episódio ocorrido no colégio, onde um estudante foi orientado pela direção a interromper encontros de oração e leitura bíblica que realizava com outros alunos. O caso gerou debates na comunidade escolar e repercutiu na Câmara Municipal de Curitiba.

Em função da discussão, foi convocada uma audiência pública para o dia 21 de outubro, às 17h30, com o tema “A Liberdade Religiosa nas Escolas”. O evento foi proposto pelo vereador Guilherme Kilter (Novo) e deve contar com a participação de representantes da ANAJURE, da Secretaria de Estado da Educação (SEED), da Secretaria Municipal da Educação (SME) e do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR).

Em sua nota, a ANAJURE finalizou informando que monitorará os desdobramentos do caso, com o objetivo de, em suas palavras, “garantir que os direitos constitucionais à liberdade religiosa e de expressão dos estudantes sejam integralmente respeitados”. Com: Exibir Gospel.

STF derruba leis que proibiam ideologia de gênero para crianças

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais três leis municipais que proibiam a ideologia de gênero e sexualidade em escolas das cidades de Petrolina (PE), Garanhuns (PE) e Tubarão (SC).

A decisão foi tomada em sessão plenária na quarta-feira, 15 de outubro, após julgamento que envolveu ações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo PSOL.

De acordo com o entendimento do Tribunal, apenas a União tem competência para definir o conteúdo curricular da educação básica, e, portanto, municípios não podem legislar sobre o tema.

A ação referente à cidade de Tubarão foi apresentada pela PGR, enquanto as leis de Petrolina e Garanhuns foram contestadas pelo PSOL. O julgamento começou em plenário virtual e foi concluído no plenário físico, com prevalência dos votos dos ministros Rosa Weber e Marco Aurélio Mello, ambos já aposentados, que haviam sido relatores dos processos.

Durante a votação, os ministros Flávio Dino e Luiz Fux sugeriram que a discussão sobre o tema seja aprofundada no Congresso Nacional, dada sua natureza de política pública nacional.

Divergências

O ministro Nunes Marques acompanhou o entendimento majoritário sobre a competência legislativa, mas registrou ressalva pessoal quanto à aplicação prática do ensino sobre gênero.

“Preservar a infância não é conservadorismo, é reconhecer que toda liberdade genuína nasce da maturidade”, afirmou. “Educar a criança é conduzi-la a compreender o mundo por si mesma, respeitando a marcha gradual de sua consciência”.

O ministro Cristiano Zanin também apresentou ressalvas, destacando a importância de adequar conteúdos e obras ao nível de maturidade dos alunos.

“É pertinente frisar a necessidade de conformação das obras e conteúdos às diferentes faixas etárias e níveis de compreensão das crianças e adolescentes”, declarou.

Já o ministro Alexandre de Moraes classificou as leis derrubadas como discriminatórias e comparou o conteúdo das normas a práticas do “período da Inquisição”. Ele mencionou declarações anteriores de figuras públicas que associavam gênero a estereótipos de cor.

“Não é possível fingir, inclusive para as crianças, que não existem pessoas trans, travestis ou diferenças de gênero. Não podemos dizer que só existem meninos que se vestem de azul e meninas de rosa”, afirmou.

Decisões anteriores

A Corte já havia anulado leis semelhantes em outras seis cidades brasileiras — Palmas (TO), Blumenau (SC), Ipatinga (MG), Novo Gama (GO), Cascavel (PR) e Paranaguá (PR) — com o mesmo argumento de que a competência sobre diretrizes educacionais é da União.

O STF também declarou inconstitucionais normas municipais que proibiam o uso da linguagem neutra em instituições de ensino, reafirmando o entendimento de que políticas curriculares devem ser definidas no âmbito federal.

Projeto que aumenta pena contra pedófilos é aprovado na Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou 16 projetos de lei relacionados à infância e à educação. As propostas foram incluídas na pauta em homenagem ao Dia das Crianças (12 de outubro) e ao Dia dos Professores (15 de outubro), conforme anunciado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Todos os textos seguem agora para análise do Senado Federal antes de entrarem em vigor.

Segundo Motta, as medidas fortalecem “políticas públicas mais fortes e eficientes para as crianças”. Entre os principais pontos, está o endurecimento das penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes. A proposta eleva a punição para estupro de vulnerável de 8 a 15 anos para 10 a 18 anos de reclusão, e para exploração sexual de menores, de 4 a 10 anos para 7 a 16 anos.

Proteção e assistência

O pacote aprovado prevê o uso de tornozeleiras eletrônicas por condenados por crimes contra a dignidade sexual e a adoção de medidas protetivas de urgência para vítimas e crianças em situação de vulnerabilidade. Também estão incluídas ações de proteção psicológica e assistência social.

Outra proposta aprovada exige autorização judicial para que crianças e adolescentes atuem como influenciadores digitais, estabelecendo critérios de proteção para o trabalho de menores em ambientes virtuais.

Além disso, os deputados aprovaram a criação de um piso salarial nacional para professores temporários e a priorização de processos criminais que envolvam vítimas menores de idade.

Proteção da imagem

O conjunto de medidas inclui ainda normas para preservar o direito à imagem de crianças e adolescentes no ambiente digital. Serviços de tecnologia deverão remover fotos, vídeos e dados pessoais de menores em até 48 horas, mediante solicitação dos pais, responsáveis ou do próprio adolescente a partir dos 16 anos, conforme o texto aprovado.

Primeira infância

Entre as ações voltadas à primeira infância, a Câmara aprovou a criação da Estratégia de Desenvolvimento Infantil, que integra dados de gestantes e crianças de zero a seis anos em todo o país. Também foi instituído o selo “Compromisso com a Primeiríssima Infância”, que será concedido a municípios que garantirem acesso à creche a cada dois anos.

O conjunto de projetos também autoriza o transporte escolar de profissionais da educação básica em áreas rurais e cria incentivos para ingresso de jovens em cursos de licenciatura, com bolsas de estudo.

Uma das propostas, já aprovada pelo Senado Federal e encaminhada à sanção presidencial, amplia o transporte escolar a alunos da rede federal de ensino residentes em zonas rurais.

Prefeita renuncia após ter sido pega desviando ofertas de igreja

A prefeita de South Lake Tahoe, na Califórnia, Tamara Wallace, renunciou ao cargo após uma tentativa de suicídio e a confissão de desvio de recursos da Igreja Presbiteriana da Comunidade de Lake Tahoe, onde atuava como administradora. A renúncia foi oficializada na noite de segunda-feira, em e-mail enviado à Secretária Municipal Susan Blankenship, à administradora e à procuradora municipais, além do portal South Tahoe Now.

“Estou apresentando minha renúncia a vocês, com efeito imediato. Peço ao Prefeito Pro Temporário Cody Bass que renuncie também”, escreveu Wallace na mensagem.

No mesmo comunicado, a prefeita pediu a renúncia de Cody Bass, prefeito pro tempore, que havia sido preso em 25 de setembro sob acusações de agressão, invasão de propriedade e assédio decorrentes de uma altercação com um funcionário do estabelecimento Lake Tahoe AleWorx.

Confissão

Antes de deixar o cargo, Wallace reconheceu publicamente ter desviado recursos da igreja “por um longo período”, segundo artigo assinado e publicado no SouthTahoeNow.com. Em seu relato, afirmou que a culpa e a vergonha pelo ato a levaram a tentar tirar a própria vida em 11 de setembro de 2025, data de seu aniversário.

“Eu estava tão cheia de culpa, vergonha e tristeza que passei por uma crise de saúde mental que fez o suicídio parecer a melhor solução. Foi somente pela graça de Deus que falhei”, escreveu.

Wallace relatou que passou 18 dias internada em uma clínica psiquiátrica após o episódio e que atualmente segue em tratamento com medicamentos e terapia intensiva. Disse ainda ter tentado contato com o pastor Greg Hughes, responsável pela congregação, mas sem sucesso.

“Tenho entrado em contato com a igreja por meio do pastor. Ainda não recebi resposta, exceto por informações de terceiros de que a igreja pode buscar acusações por meio do promotor público”, escreveu.

A ex-prefeita afirmou também que optou por assumir publicamente o que fez: “Em vez de mentir, esconder ou adiar as consequências, estou dizendo a verdade e admitindo o que fiz.”

Posição da igreja

Em declaração ao The Christian Post, o conselho de diretores da Igreja Presbiteriana da Comunidade de Lake Tahoe confirmou que demitiu Wallace após a descoberta do desvio e denunciou o caso às autoridades locais.

“Tamara Wallace reconheceu formalmente ter cometido uma ofensa grave contra a congregação. Quando isso foi descoberto pela igreja, seu contrato de trabalho foi rescindido em 26 de setembro de 2025, e o assunto foi devidamente encaminhado às autoridades policiais”, afirmou o comunicado.

A nota acrescenta que Wallace não era membro da igreja e que a comunidade sofreu perdas significativas.

“Nossa congregação sofreu perdas significativas e, ao lidarmos com essa perda e seu impacto, permanecemos comprometidos com a oração, a compaixão, a transparência e a justiça”, declarou o conselho.