Líderes cristãos relatam abalo emocional em atentado na Síria

A comunidade cristã na Síria foi alvo de um atentado mortal no domingo, 22 de junho, quando um homem-bomba detonou explosivos durante um culto na Igreja Ortodoxa Grega de Santo Elias, no bairro de Dweilaa, em Damasco.

Segundo veículos da imprensa internacional, ao menos 25 pessoas morreram e 63 ficaram feridas. O atentado foi classificado pelas autoridades locais como um ataque suicida cometido por um terrorista do Estado Islâmico.

O bairro de Dweilaa, situado a menos de um quilômetro de um dos portões históricos de entrada da antiga cidade de Damasco, abriga duas igrejas em ruas vizinhas. No momento da explosão, fiéis também estavam reunidos na vizinha Igreja Saint Joseph, onde o sacerdote Baselios conduzia o culto.

“Eu estava pregando quando os tiros começaram. Depois vieram os gritos. Todos instintivamente se jogaram no chão. O medo era indescritível”, relatou o sacerdote Baselios. Ele ainda descreveu um dos momentos mais marcantes da noite: “Uma criança, que perdeu a família, correu até mim dizendo: ‘Me esconda, padre, eu não quero morrer’”.

De acordo com testemunhos colhidos por parceiros locais da organização Portas Abertas, o episódio deixou marcas profundas. Mourad*, um cristão da região, declarou: “Estou paralisado e sem palavras sobre o que aconteceu ontem em Damasco. Pessoas inocentes participando das orações de domingo, provavelmente orando pelo país e por suas situações pessoais, sendo confrontadas com a morte de seus entes queridos”.

Ele também destacou a fragilidade da segurança dos cristãos no país: “Temos sentimentos mistos de raiva e questionamento sobre porque isso teve que acontecer novamente. Os cristãos recebem ameaças diárias de fundamentalistas dizendo que serão os próximos. Grupos armados espalhados pelo país estão sedentos por mais mortes”.

Outra moradora da região, uma jovem cristã que não teve o nome divulgado, descreveu o impacto do ataque sobre a população: “Nada pode descrever o medo que sentimos ontem, a dor pelas pessoas que conhecíamos. Pessoas inocentes foram mortas apenas por serem diferentes em suas crenças, por amarem Jesus”.

As autoridades sírias condenaram o ataque e afirmaram que investigações estão em curso. Até o momento, nenhum grupo assumiu oficialmente a autoria, embora fontes de segurança tenham atribuído a ação ao Estado Islâmico. Este foi o primeiro grande atentado contra cristãos desde a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024.

Organizações cristãs internacionais pediram orações e apoio à comunidade local. A Portas Abertas, que atua no apoio a cristãos perseguidos, alertou para o risco crescente de novos ataques em meio à instabilidade política e à atuação de células extremistas no país.

*Nome alterado por razões de segurança.

Pastor morre enquanto pregava em culto na Venezuela

O pastor Héctor Ramón Pereira morreu repentinamente durante uma pregação na cidade de Bolívar, na Venezuela, na noite de sexta-feira, 20 de junho. Ele havia sido convidado para ministrar a mensagem na Igreja La Voz de Dios e faleceu diante dos fiéis, ainda no púlpito.

Pouco antes de passar mal, Héctor declarou: “Estamos cansados, ouça o que o Espírito quer dizer à Igreja”. Em seguida, apoiou-se no púlpito e pronunciou suas últimas palavras: “Aleluia! Glória a Deus, glória a Deus”. Após isso, caiu no chão sem sinais vitais.

Membros da igreja tentaram prestar os primeiros socorros enquanto outros oravam. Equipes de emergência chegaram ao local e realizaram manobras de reanimação, mas sem sucesso. Conforme atestado por profissionais de saúde, o pastor sofreu uma parada cardíaca fulminante. “Ele partiu como um servo fiel”, afirmou um cristão que acompanhava o culto.

O culto daquela noite foi descrito por testemunhas como fervoroso e emotivo. Um vídeo que registra o momento da morte foi publicado nas redes sociais e viralizou, gerando forte comoção entre usuários e comunidades cristãs no país.

O caso de Héctor Pereira se soma a outro episódio recente ocorrido no Brasil. Em 31 de maio, o pastor Sérgio Carvinho morreu durante uma pregação na Igreja Pentecostal Deus é Amor, em Caxias do Sul (RS), após se ajoelhar atrás do púlpito. A cena foi transmitida ao vivo pela internet e também causou grande repercussão.

Ambos os casos provocaram grande comoção entre os fiéis e levantaram manifestações nas redes sociais, com internautas comentando sobre os momentos finais de cada pastor.

Atirador abre fogo em igreja, mas é abatido por obreiros armados

Um homem armado foi morto por seguranças no domingo, 23 de junho, após abrir fogo do lado de fora da CrossPointe Community Church, na cidade de Wayne, no estado de Michigan (EUA). O episódio ocorreu por volta das 11h da manhã, enquanto cerca de 150 pessoas participavam de um culto dominical dentro da igreja.

Segundo o chefe de polícia de Wayne, Ryan Strong, o atirador foi identificado como um homem branco de 31 anos, que não possuía vínculos conhecidos com a igreja. De acordo com Strong, testemunhas relataram que o suspeito dirigia de forma imprudente, saiu do veículo vestindo um colete tático e portava um rifle e uma pistola.

O homem começou a disparar ao se aproximar da igreja, atingindo um dos frequentadores na perna. A vítima foi socorrida e não corre risco de morte.

Um dos membros da igreja reagiu atingindo o atirador com uma caminhonete, o que permitiu que pelo menos dois obreiros responsáveis pela segurança da igreja respondessem com disparos. O suspeito foi alvejado e morreu no local. “Um membro atingiu o atirador com seu veículo, enquanto o atirador disparava repetidamente contra o veículo”, disse o chefe Strong em entrevista coletiva. “Pelo menos dois funcionários atiraram no atirador, causando os ferimentos fatais.”

A cidade de Wayne, que tem cerca de 17 mil habitantes, fica a aproximadamente 40 quilômetros a oeste de Detroit. A página oficial da igreja informa que os cultos ocorrem aos domingos, às 10h45.

A fiel Wendy Bodin, que estava no local, relatou ao canal WXYZ-TV que ouviu um forte barulho e viu o suspeito caído na grama. “Achei que ele tinha sido atropelado, batido o carro ou se machucado”, contou. “E outra senhora viu, apontou para mim e disse: ‘Nossa, ligue para o 192!’”

A polícia ainda investiga a motivação do ataque, mas, segundo Strong, há indícios de que o suspeito sofria de uma crise de saúde mental. O subchefe da polícia de Wayne, Finley Carter III, afirmou que ainda é cedo para determinar o motivo exato da ação.

O FBI confirmou presença no local e disse que equipes de liderança e apoio estão colaborando com as autoridades locais. A informação foi divulgada pelo subdiretor Dan Bongino, por meio de publicação nas redes sociais.

Até a noite de domingo, a igreja não havia respondido aos pedidos de comentário da imprensa, segundo informações da agência Associated Press.

Pastor: Jesus deve ser adorado ao invés de pastores e cantores

A ascensão de figuras carismáticas no meio cristão tem gerado debates sobre integridade e propósito ministerial. Pastores, cantores e influenciadores digitais com grande visibilidade enfrentam crescentes questionamentos, especialmente após casos públicos de escândalos e má conduta.

A popularidade excessiva e a centralização da atenção em torno de indivíduos podem gerar distorções teológicas e problemas éticos: “O ministério não é uma performance com todos os olhares voltados para o ator principal”, afirmou Shane Idleman, pastor da Westside Christian Fellowship, na Califórnia. Para ele, “não somos artistas, mas adoradores, pessoas quebradas que foram reparadas por Deus. Nós apontamos os outros para Ele, não para nós”.

A exposição exagerada e seus efeitos

O fenômeno da visibilidade entre líderes cristãos em tempos de redes sociais segue uma lógica similar à da indústria do entretenimento, baseada em alcance digital, performance e lealdade de seguidores. Essa dinâmica, de acordo com observadores, contribui para a criação de estruturas em que líderes se tornam imunes a críticas, mesmo diante de falhas evidentes.

Idleman alerta para o risco de se confundir carisma com caráter: “A definição bíblica de liderança enfatiza a fragilidade em vez da exaltação, e a humildade em vez da arrogância”, declarou. Para ele, muitos líderes “se preocupam mais com a reputação do que com o arrependimento”.

Reações e silenciamentos

A ausência de confrontos saudáveis dentro das comunidades de fé também é apontada como um fator que alimenta a crise. Segundo Idleman, o medo de perder posições ou benefícios leva muitos a se calarem diante de erros evidentes de seus pastores: “Um dos maiores motivos pelos quais essas pessoas não se arrependem é que têm muitos fãs e poucos ‘amigos verdadeiros’”, afirmou o pastor.

Ele também criticou o uso de argumentos espirituais para evitar correção. “Muitas vezes, é Deus, e não o inimigo, que quer fazer uma obra profunda em nosso caráter”, disse. Para Idleman, atribuir toda crítica à “guerra espiritual” pode mascarar idolatria da imagem pessoal e impedir arrependimento genuíno: “Sem profunda humildade e tremendo quebrantamento no coração do líder, o importante é proteger nossa imagem mais do que demonstrar o Evangelho vivido”, afirmou.

Marketing de crise

Outro ponto destacado por Idleman é a rapidez com que certos líderes são elevados a posições de destaque, sem preparo espiritual adequado. Em suas palavras, “a pior coisa que a máquina ministerial pode fazer é elevar líderes e celebrar seu status, pois isso alimenta a ambição em vez da ruína”.

Segundo ele, em muitos casos, quando surgem falhas, a resposta das instituições não é arrependimento, mas estratégias de marketing e gerenciamento de imagem. Essa cultura, afirma, compromete a saúde espiritual das comunidades e prejudica o testemunho público do cristianismo: “A indústria da adoração e a máquina ministerial conduzida por pastores e líderes altamente pagos, que estão mais preocupados com sua imagem do que com a imagem de Deus, estão causando muitos danos”, declarou.

Um chamado à humildade

Para Idleman, o caminho da restauração passa por uma liderança fundamentada na humildade. Ele defende o que chama de “liderar indo por baixo”, ou seja, renunciando ao ego, aceitando críticas e centrando o ministério em Cristo: “Se você tem evitado a convicção e justificado suas ações, lembre-se de que Deus realmente sabe o que está acontecendo. O arrependimento é a única cura”, concluiu.

Na avaliação do pastor, o verdadeiro chamado cristão caminha na contramão da visibilidade excessiva: “O caminho de Jesus foi o da cruz, não do holofote. O maior entre nós não é o mais visível, mas o que mais serve”, finalizou, em artigo publicado no The Christian Post.

Presidente da Nigéria se posiciona após massacre contra cristãos

Dias após o massacre de centenas de pessoas no estado de Benue, o presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, reuniu-se com autoridades em 17 de junho na capital Makurdi, pedindo a prisão dos responsáveis. O ataque, ocorrido entre os dias 13 e 14 de junho, vitimou principalmente mulheres e crianças, segundo o grupo Christian Solidarity Worldwide (CSW).

Durante o encontro, o líder tradicional supremo da etnia Tiv, James Ortese Iorzua Ayatse, discordou da narrativa oficial de que os ataques seriam consequência de conflitos entre pastores de gado da etnia fulani e agricultores. “Não se trata de confrontos entre pastores e agricultores, nem de confrontos comunitários ou ataques de represália”, declarou Ayatse, segundo o site TruthNigeria. “É uma invasão genocida e uma campanha de grilagem de terras calculada, bem planejada e em larga escala, por pastores terroristas e bandidos”.

Segundo relatos locais e organizações de defesa, o massacre em Yelwata teria sido executado por milícias Fulani, grupo majoritariamente muçulmano. De acordo com a CSW, os agressores atacaram por volta das 22h do dia 13 de junho, inicialmente tentando invadir uma missão cristã que abrigava mais de 400 deslocados internos. Após serem repelidos, incendiaram o mercado principal da vila e mutilaram corpos de vítimas.

Em resposta ao ocorrido, Tinubu questionou o chefe da polícia federal, Kayode Egbetokun, sobre a ausência de prisões. “Como é que ninguém foi preso?”, perguntou o presidente, segundo o TruthNigeria. Ele também orientou os chefes das Forças Armadas e da inteligência a intensificarem a busca pelos agressores. “Vamos pegar esses criminosos”, afirmou.

A CSW indicou que os assassinatos em Yelwata fizeram parte de uma sequência de ataques no condado de Guma, com outros incidentes registrados nos dias 8, 11 e 12 de junho em localidades como Udei, Tse Ivokor, Unongu e Daudu. Ao todo, mais de 6.500 pessoas foram deslocadas apenas em junho, segundo estimativas da entidade. Entre 1º de abril e 1º de junho, 270 mortes foram contabilizadas no estado de Benue.

Em nota divulgada após o massacre, a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) voltou a pedir que a Nigéria seja classificada como “País de Preocupação Particular (CPC)” pelo Departamento de Estado norte-americano. “A violência abominável no Cinturão Médio da Nigéria (…) indica que os esforços de prevenção do governo estão falhando”, disse Vicky Hartzler, presidente da comissão.

O comissário Mohamed Elsanousi reforçou que os EUA devem usar a assistência externa para apoiar o treinamento das forças de segurança e proteger as comunidades religiosas vulneráveis.

Relatos da Associated Press e da organização Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) apontam que os atacantes chegaram de várias direções, gritavam “Allahu Akbar” e destruíram plantações suficientes para alimentar a população local por um ano. A ACN relatou que até 700 deslocados internos dormiam em uma igreja da vila, a Igreja de São José, que também foi alvo de tentativa de invasão antes do ataque ao mercado.

Segundo documento do Grupo Parlamentar Multipartidário para a Liberdade ou Crença Internacional (APPG) do Reino Unido, publicado em 2020, parte dos Fulani adere à ideologia radical islâmica. “Eles adotam uma estratégia comparável à do Boko Haram e do ISWAP e demonstram uma clara intenção de atingir cristãos e símbolos poderosos da identidade cristã”, afirma o relatório.

A Missão Portas Abertas, que monitora a perseguição religiosa global, classificou a Nigéria como 7º país mais perigoso do mundo para cristãos em sua Lista Mundial de Perseguição 2025. Entre os 4.476 cristãos assassinados por sua fé no mundo entre 2024 e 2025, 3.100 (69%) ocorreram na Nigéria, segundo o levantamento.

A organização aponta que milícias Fulani têm atacado comunidades agrícolas cristãs no centro-norte do país, enquanto grupos jihadistas como o Boko Haram, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) e o novo grupo Lakurawa, filiado à Al-Qaeda e originário do Mali, também atuam em outras regiões. A expansão da violência atingiu inclusive os estados do sul, onde se observam novos focos de instabilidade.

Líderes cristãos locais afirmam que os ataques visam forçar a tomada de terras e promover a islamização de áreas tradicionalmente cristãs. Segundo esses líderes, a desertificação tem contribuído para a migração forçada de pastores em busca de recursos, intensificando os conflitos.

Com milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados, o estado de Benue continua sendo um dos epicentros da violência religiosa na Nigéria, enquanto autoridades nacionais e internacionais divergem sobre as causas e a resposta adequada à crise, segundo informações do The Christian Post.

‘Tudo errado’: Policial tenta impedir evangelista de pregar

Uma policial foi filmada confrontando dois cristãos em Londres por pregarem nas ruas. O episódio repercutiu de forma intensa, forçando as autoridades a se pronunciarem.

Mon B, uma pregadora do Mad 4 Jesus Ministries, disse que a policial os informou que eles não podiam ficar na frente das barreiras e que eles foram instruídos a seguir em frente.

No confronto, a policial britânica de transportes diz aos evangelistas: “Essas pessoas só querem fazer a viagem, elas não estão vindo aqui para ouvir vocês”.

A evangelista então responde: “Se eu estivesse cantando uma música alegre e animada, tudo bem?”. A policial então começa a se afastar e diz: “Acho que está tudo errado”.

A conversa aconteceu no saguão em frente à Estação King’s Cross, enquanto passageiros passavam. Mon B declarou que considerou a opinião do policial sobre as atividades deles “desnecessária”. Um segundo policial presente no local não teria confrontado a dupla sobre sua pregação.

Respondendo ao incidente, a Polícia de Transporte Britânica disse: “Estamos cientes de um vídeo postado nas redes sociais mostrando uma interação envolvendo uma policial do lado de fora da estação ferroviária de King’s Cross”.

“Os policiais estavam em patrulha na estação quando se depararam com um grupo pregando em terreno particular usando um alto-falante, o que exige permissão da Network Rail. Por isso, pediram que se retirassem. Nós valorizamos plenamente o direito de qualquer pessoa à expressão religiosa, e o incidente na íntegra está sendo analisado por um oficial sênior”.

Confrontos entre a polícia e pregadores de rua se tornaram comuns na Grã-Bretanha moderna. No ano passado, a Polícia Metropolitana foi  forçada a se desculpar depois que um policial disse erroneamente à artista de rua cristã Harmonie London: “Você não tem permissão para cantar músicas religiosas fora do recinto da igreja”.

Em outro episódio, um vídeo impressionante mostra uma policial mostrando a língua para Harmonie London quando ela a desafiou, de acordo com informações do The Christian Post.

Igrejas forçadas a louvar ao Partido Comunista da China

Igrejas filiadas ao Movimento Patriótico das Três Autonomias – uma denominação controlada pelo governo chinês – foram instruídas a cantar um hino do Partido Comunista Chinês (PCCh) antes da bênção final dos cultos dominicais.

A ordem faz parte do chamado “Projeto do Ministério de Música Sacra 2025”, apresentado oficialmente em 7 de maio, durante uma reunião em Pequim com cerca de 40 líderes religiosos sob coordenação do próprio movimento e do Conselho Cristão da China.

De acordo com relatos da organização ChinaAid e da Voz dos Mártires da Coreia (VOM Korea), o novo plano determina que as igrejas adotem músicas que expressem “características chinesas” e excluam qualquer canção de adoração não alinhada aos valores comunistas. As músicas autorizadas devem ser acessadas por meio de um aplicativo oficial desenvolvido pelo governo.

Para Bob Fu, presidente da ChinaAid, essa política representa uma interferência direta no culto cristão. “Os cristãos agora estão sendo forçados a ficar de pé e cantar hinos ao Partido Comunista e louvar os heróis comunistas antes de poderem adorar Jesus Cristo”, declarou Fu. “Esta é uma forma flagrante de perseguição que atinge o cerne da fé cristã”.

O projeto prevê ainda a criação de equipes musicais formais dentro das igrejas e incentiva a realização de concertos religiosos com músicas “sinicizadas” — termo usado pelo governo para designar elementos religiosos adaptados à ideologia estatal. A iniciativa ocorre após anos de reforço no controle estatal sobre comunidades cristãs, incluindo a instalação de câmeras de vigilância e reconhecimento facial em templos, além da censura de materiais religiosos na internet.

A presidente da VOM Coreia, Hyun Sook Foley, destacou que os hinos tradicionais têm sido uma das últimas formas de preservar a teologia cristã nas igrejas registradas pelo Estado. “O governo chinês há muito controla cultos, seminários, sermões e até mesmo a arquitetura dos prédios das igrejas. Mas os fiéis ainda podem aprender a verdadeira teologia por meio de hinos tradicionais. Agora, estão tentando cortar até mesmo essa última via restante”, afirmou.

Foley também relatou que, desde 2021, o governo proibiu aplicativos cristãos como Praise Hymn Net e Song of Songs, limitando o acesso a conteúdos religiosos apenas por plataformas oficialmente autorizadas. “Esta é uma tentativa de bloquear a educação teológica por meio de hinos tradicionais e injetar ideologia comunista na adoração”, disse ela.

Apesar do avanço das restrições, a VOM Coreia mantém transmissões diárias de rádio de 30 minutos destinadas a ouvintes na China. Os programas apresentam sermões de pastores de igrejas domésticas e leituras bíblicas, servindo como alternativa à censura digital. “Com o aumento da vigilância na internet, as transmissões de rádio se tornaram uma tábua de salvação para os cristãos chineses acessarem hinos tradicionais e a Palavra de Deus”, explicou Foley, de acordo com informações do Christian Daily.

Segundo ela, a organização avalia agora incluir hinos tradicionais nas transmissões. “Apoiaremos a igreja chinesa para que ela não precise abandonar os hinos que fiéis do mundo todo cantam juntos há séculos”, concluiu.

Atentado do Estado Islâmico durante culto na Síria deixa 22 mortos

Um ataque terrorista deixou ao menos 20 mortos e cerca de 50 feridos na Igreja Mar Elias, localizada no bairro de Douweila, em Damasco, na tarde de domingo, 22 de junho. Segundo autoridades da Síria, o agressor abriu fogo contra os fiéis durante um culto, por volta das 17h, horário local, e em seguida detonou um colete explosivo dentro do templo.

Em comunicado à emissora britânica BBC, o Ministério do Interior da Síria afirmou: “O agressor entrou na Igreja Mar Elias durante um culto e abriu fogo com uma arma antes de detonar um colete explosivo”. A pasta acrescentou que o autor do atentado era vinculado ao grupo jihadista Estado Islâmico, embora “não houve nenhuma reivindicação imediata do próprio grupo”, segundo as autoridades.

Ainda de acordo com informações obtidas pela organização cristã Portas Abertas, uma fonte de segurança sob condição de anonimato confirmou que dois homens participaram do atentado, incluindo o responsável pela explosão.

Ataques a outras igrejas

Outras igrejas também foram alvo de atentados em diferentes regiões da Síria no mesmo horário. Em Douweila, um homem-bomba atacou o Mosteiro Deir Ibrahim al-Khalil. Em Maqsura, também em Damasco, explosivos foram colocados na entrada da Igreja de Nossa Senhora.

Nas cidades de Homs e Hama, fiéis relataram tiroteios direcionados a templos cristãos. Segundo relatos locais, atiradores cercaram igrejas e abriram fogo contra os presentes. Em várias dessas igrejas, foram encontrados folhetos com a frase: “Sua vez está chegando”.

Ainda conforme informado pela BBC, esta foi a primeira vez que igrejas foram alvos de ataques terroristas em Damasco e outras regiões da Síria desde a deposição do ex-presidente Bashar al-Assad, ocorrida em dezembro de 2024. Assad foi removido do poder após avanços de forças rebeldes em Damasco.

Promessas de proteção

O atual presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, é líder do grupo islâmico sunita Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que teve vínculos anteriores com a Al-Qaeda na Síria.

Segundo a BBC, “o presidente interino Ahmed al-Sharaa — cujo grupo islâmico sunita, Hayat Tahrir al-Sham (HTS), é um antigo afiliado da Al-Qaeda na Síria — prometeu repetidamente proteger as minorias religiosas e étnicas”.

Apesar dessas promessas, o país tem enfrentado uma nova escalada de violência com motivação sectária. Nos últimos meses, ao menos duas ondas de ataques foram registradas contra minorias religiosas, incluindo cristãos e alauítas, segundo fontes locais e internacionais, segundo informações do The Christian Post.

Mulher acusa Michael Tait de drogá-la e assisti-la ser estuprada

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Michael Tait, ex-vocalista da banda cristã Newsboys, admitiu ter vivido duas vidas, incluindo abusos com drogas e envolvimento com homens. A partir dessa revelação, uma mulher relatou ter sido vítima de abuso durante uma turnê de Natal em que o Newsboys se apresentou.

A ex-funcionária da organização Pulse Evangelism disse ter sido vítima de um episódio traumático em dezembro de 2014 na cidade de Fargo, no estado da Dakota do Norte, após um encontro informal com integrantes da equipe da banda.

Ela alega que perdeu a consciência após consumir uma bebida oferecida por Tait e, ao recobrar parte da memória, percebeu estar em uma situação em que não havia consentido com um técnico que trabalhava para a banda.

O técnico de iluminação da banda, Matthew Brewer, foi o nome mencionado no relato do episódio. Imagens de câmeras de segurança do hotel foram registradas como parte da investigação e teriam mostrado a movimentação dos envolvidos no andar onde os quartos estavam localizados.

Ainda conforme o The Roys Report (TRR), há registros de que Michael Tait esteve presente no local em alguns momentos da madrugada. A ex-funcionária, identificada apenas como Nicole (nome fictício), afirmou que procurou atendimento médico posteriormente, onde foi diagnosticada com sinais de agressão.

Inicialmente, ela recusou-se a realizar o exame forense, mas mais tarde, em outra instituição de saúde, o exame foi realizado. Segundo ela, o caso foi comunicado à polícia local, mas a investigação teria sido arquivada sem que os principais envolvidos fossem formalmente interrogados.

O empresário da turnê à época, Steve Campbell, foi citado por Nicole e por testemunhas como alguém que teria desencorajado qualquer denúncia e tentado minimizar a gravidade do ocorrido. Campbell negou todas as acusações em nota enviada ao TRR: “Me ressinto de qualquer insinuação de que eu algum dia encobriria algo”, afirmou.

A banda Newsboys, atualmente composta por Adam Agee, Duncan Phillips, Jody Davis e Jeff Frankenstein, divulgou uma nota em 12 de junho de 2025 informando que “foi a primeira vez” que a gerência soube das alegações referentes a 2014. No comunicado, a gestão afirmou não ter recebido previamente nenhuma informação sobre o caso e que Steve Campbell “não ocupa cargo de gerência nem mantém escritório junto à Newsboys Inc ou à Newsboys Touring LLC”.

Brewer trabalhou com os Newsboys até 2021, segundo registros públicos, e chegou a ser indicado ao Dove Awards por um videoclipe produzido para a banda. Atualmente, ele atua como codiretor da Lumina Productions, empresa com sede em Nashville, ligada a projetos de artistas como For King & Country.

A Pulse Evangelism, organização cristã que promove eventos e missões evangelísticas, informou que a ex-funcionária deixou a turnê em 18 de dezembro de 2014. Em nota publicada após a revelação dos fatos, a instituição declarou: “Hoje, estamos ao lado de nossa ex-funcionária enquanto ela conta sua história e reconhecemos a coragem necessária para fazê-lo. Estamos orando por todas as vítimas e para que a verdade venha à tona”.

Nigéria: ataque Fulani deixa quase 200 mortos, a maioria cristãos

Aproximadamente 200 pessoas, a maioria cristãos, foram mortas em um ataque de jihadistas Fulani na comunidade de Yelwata, localizada em Guma, no estado de Benue, Nigéria. O número de vítimas ainda está sendo apurado, com estimativas divergentes entre autoridades locais, organizações de direitos humanos e líderes religiosos.

O ataque teve início na noite da sexta-feira passada, 13 de junho, quando homens armados invadiram Yelwata, uma vila agrícola com maioria católica situada a menos de oito quilômetros da capital do estado, Makurdi. Segundo relatos, os agressores incendiaram casas e mataram os moradores, incluindo famílias inteiras que teriam sido trancadas em seus quartos antes do incêndio.

Estimativas variam entre 45 e 200 mortos

O porta-voz do governo estadual, Tersoo Kula, informou que o ataque durou cerca de duas horas e resultou na destruição de dezenas de casas. Segundo ele, a contagem oficial, até o momento, é de 45 mortos, número verificado por agentes do governo e policiais enviados ao local.

A Anistia Internacional, por outro lado, afirmou que mais de 100 pessoas foram mortas no episódio. Já a organização Truth Nigeria, que atua no monitoramento da perseguição a cristãos no país, reportou mais de 200 vítimas fatais.

Em declaração ao jornal Catholic Star, o padre Moses Aondover Iorapuu, Vigário Geral e Diretor de Comunicações da Diocese de Makurdi, afirmou: “O recente ataque a Yelwata, no estado de Benue, que deixou mais de 200 mortos ou queimados irreconhecíveis, é um lembrete sombrio das lutas diárias enfrentadas por muitos cidadãos de Benue”.

A Anistia Internacional também relatou que “muitas pessoas ainda estão desaparecidas”, que há dezenas de feridos sem atendimento médico e que os corpos de várias vítimas foram queimados a ponto de se tornarem irreconhecíveis.

Frustração com as autoridades

Em entrevista ao portal Crux, padre Iorapuu classificou o ataque como “bárbaro” e criticou a inação das forças de segurança. “Esses agressores são animais e bárbaros. Algumas das vítimas já foram deslocadas em ataques anteriores desses grupos malignos”, afirmou. Ele ainda destacou que militares e policiais estavam próximos da missão onde se abrigavam os deslocados, mas conseguiram apenas impedir que os agressores invadissem a casa da missão.

Yelwata abrigava um número significativo de pessoas deslocadas internamente (IDPs), que haviam fugido de ataques similares em comunidades vizinhas. Segundo o pároco, muitos desses deslocados foram novamente vítimas da violência.

Histórico de ataques na região

O ataque em Guma não é um episódio isolado. Em maio de 2025, pelo menos 20 pessoas foram assassinadas em Gwer West, também no estado de Benue. Em abril, ao menos 40 cristãos foram mortos em um ataque semelhante no estado vizinho de Plateau.

O padre Iorapuu alertou para o impacto desses episódios na composição demográfica cristã da Nigéria e mencionou o testemunho do bispo Wilfred Anagbe perante legisladores nos Estados Unidos, em 14 de fevereiro de 2024, como um possível estopim para a escalada da violência. “Esperávamos que os ataques se intensificassem após o testemunho do bispo… mas acreditávamos que o aviso dos EUA faria o governo ser proativo; erramos novamente”, disse ao Crux.

O bispo Anagbe havia advertido que os cristãos estavam sendo alvo de genocídio religioso e solicitou apoio da comunidade internacional. Após seu testemunho, o religioso passou a receber ameaças de morte.

Acusações de inação governamental

Líderes locais e entidades de direitos civis também questionam a postura do governo federal diante da violência. Segundo Iorapuu, o presidente da área de governo local de Guma afirmou publicamente que os agressores são “fulanis”, e não apenas “pastores ou bandidos”, como vinham sendo descritos. “As evidências confiáveis de quem eles são são inegáveis, então por que o governo é incapaz de garantir a segurança de seus cidadãos?”, questionou o padre.

O ativista Emeka Umeagbalasi, diretor da organização Intersociety, declarou que a passividade das autoridades reflete uma “agenda deliberada”. Segundo ele, essa suposta agenda teria se intensificado durante o governo do ex-presidente Muhammadu Buhari, que governou a Nigéria de 29 de maio de 2015 a 29 de maio de 2023. Umeagbalasi afirmou que Buhari, descendente de um chefe Fulani, armou o grupo e favoreceu membros muçulmanos em cargos de poder, enquanto “relegava os cristãos a uma posição secundária”.

“Temos um exército jihadista”, declarou Umeagbalasi, referindo-se ao acesso dos Fulani a armamentos estatais e à alegada islamização das forças de segurança durante o último mandato de Buhari.

Contexto

O estado de Benue, conhecido por sua população majoritariamente cristã e vocação agrícola, tem sido alvo recorrente de conflitos envolvendo pastores Fulani, grupo étnico de maioria muçulmana, tradicionalmente associado ao pastoreio nômade. Conflitos por terras agrícolas, agravados por motivações religiosas e étnicas, têm alimentado tensões na região central da Nigéria, conhecida como “Cinturão Médio”.

Apesar dos compromissos assumidos pelo atual presidente Bola Tinubu, que prometeu proteger vidas e propriedades durante pronunciamento em 12 de junho, os episódios de violência continuam desafiando a capacidade do governo nigeriano de garantir segurança e justiça às comunidades afetadas.

The Nigerian authorities must immediately end the almost daily bloodshed in Benue state and bring the actual perpetrators to justice.

The horrifying killing of over 100 people by gunmen that invaded Yelewata; from late Friday into the early hours of Saturday 14 June 2025, shows…

— Amnesty International Nigeria (@AmnestyNigeria) June 14, 2025