Virgindade esquecida? Pastor diz a importância da pureza sexual

Sérgio Leoto, pastor e missionário da organização Servindo Pastores e Líderes (SEPAL), observa diminuição significativa no ensino sobre virgindade pré-marital em igrejas e lares cristãos brasileiros.

Segundo ele, líderes evitam o tema por receio de parecer “antiquados” ou afastar jovens, resultando em omissão que deixa adolescentes sem orientação clara sobre sexualidade conforme princípios bíblicos.

Contexto familiar 

Leoto, que visita congregações de diversas denominações há anos, afirma: “Boa parte dos pastores e líderes desistiram de falar sobre o ensino bíblico quanto a casar virgem”. O motivo, segundo ele, seria a tentativa de “conservar a presença dos jovens, evitando temas desagradáveis”.

O pastor defende que a formação sobre pureza sexual deve iniciar no lar, com diálogo constante e exemplos práticos:

“A Bíblia condiciona o bom uso do relacionamento sexual ao casamento, onde há compromisso mútuo, honra, amor verdadeiro e bênção dos pais”. Entretanto, muitos pais não abordam o assunto por falta de preparo próprio ou dependência exclusiva da igreja para essa instrução.

Desafios 

O ambiente digital intensifica a pressão sobre jovens cristãos, conforme análise de Leoto. Redes sociais, influenciadores e produções culturais promovem narrativas que exaltam liberdade sexual e associam virgindade a “ingenuidade ou repressão”.

Ele cita riscos como exposição à pornografia e distorções emocionais, reforçando: “Cabe aos pais e líderes ensinar valores corretos e alertar sobre perigos na internet”.

Em 1 Coríntios 7:9, citado pelo pastor, a Bíblia sugere: “Caso não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado”. Leoto enfatiza que o ensino bíblico propõe caminhos práticos como estabelecimento de limites e desenvolvimento do domínio próprio, evitando abordagens puramente repressivas.

Equilíbrio teológico 

O missionário alerta para riscos de tratar o tema apenas como proibição: “Viver é arriscado. Só há uma certeza: um dia prestaremos contas a Deus”. Ele propõe equilíbrio entre “verdade e graça”, com espaço para arrependimento e restauração, baseado em João 8:32 (“conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”).

Para Leoto, a formação de convicções sólidas exige:

  • Presença ativa de pais e mentores;

  • Igrejas que abordem temas complexos sem legalismo;

  • Discipulado contínuo que integre fé e vida prática.

A ausência desse suporte, segundo sua análise, gera conflito silencioso em jovens que desejam seguir princípios cristãos, mas se sentem isolados cultural e comunitariamente. Com: Comunhão.

STF estabelece punição civil de plataformas e pastor reage

Em 26 de junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, por 8 votos a 3, tese que obriga provedores de internet a removerem imediatamente conteúdos considerados ilícitos, mesmo sem decisão judicial prévia.

A decisão abrange condutas como atos supostamente antidemocráticos, terrorismo, incitação à discriminação e crimes contra vulneráveis, conforme tipificados em dispositivos legais específicos.

Contexto jurídico 

A tese, relatada pelo ministro Dias Toffoli, decorre do julgamento sobre a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), que limitava a responsabilidade das plataformas a casos com ordem judicial.

O STF declarou a inconstitucionalidade parcial do dispositivo, argumentando que ele deixava “bens jurídicos constitucionais insuficientemente resguardados”, conforme exposto no voto da maioria.

Os conteúdos sujeitos a remoção imediata incluem:

  1. Condutas antidemocráticas (arts. 296, 359-L a 359-R do Código Penal);

  2. Terrorismo e atos preparatórios (Lei 13.260/2016);

  3. Indução ao suicídio (art. 122 do CP);

  4. Incitação à discriminação (raça, religião, gênero ou orientação sexual);

  5. Crimes contra mulheres, crianças e adolescentes;

  6. Tráfico de pessoas (art. 149-A do CP).

Mecanismos de aplicação

As plataformas poderão ser responsabilizadas civilmente por:

  • Falha na remoção ágil de conteúdos;

  • “Falha sistêmica”, definida como omissão na adoção de medidas preventivas;

  • Uso de redes artificiais (robôs ou impulsionamento pago) para disseminação.

As penalidades incluem multas, indenizações por danos e sanções financeiras, aplicáveis ao representante legal da empresa no Brasil. Contudo, provedores não serão penalizados se remoções indevidas forem revertidas por decisão judicial, limitando-se à obrigação de restabelecer o conteúdo.

Divergências

Os ministros Nunes Marques, André Mendonça e Edson Fachin votaram pela manutenção integral do Artigo 19 do Marco Civil. Antes da sessão pública, os ministros realizaram deliberação privada de quatro horas no gabinete da Presidência do STF, conforme relatado pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Implementação e alcance temporal

A decisão:

  • Vigora imediatamente para casos futuros;

  • Não afeta processos judiciais em andamento ou decisões anteriores;

  • Dispensa a criação de órgão regulador, exigindo autorregulação com transparência (relatórios anuais) e garantias de devido processo legal.

Posicionamentos registrados

Especialistas manifestaram preocupações em entrevistas anteriores à decisão:

  • André Marsiglia (jurista): “Qualquer coisa pode ser considerada ameaça ao Estado Democrático”;

  • Venceslau Tavares Costa Filho (professor de Direito Civil/UFPE): “A subjetividade do conceito gera riscos de interpretação ampla”;

  • Fábio Coelho (ex-presidente do Google Brasil): “Plataformas removerão preventivamente conteúdos potencialmente questionáveis”.

Contexto comparativo

O Brasil é o primeiro país onde o Judiciário estabeleceu diretamente regras para moderação de conteúdo digital, diferindo de nações como Venezuela, onde medidas similares foram aprovadas via Legislativo.

A decisão do STF foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico em 27 de junho de 2025. Diante da notícia, o pastor e escritor Renato Vargens reagiu, classificando a medida como um retorno à censura no país.

“A censura voltou a vigorar oficialmente no Brasil. O brasileiro hoje perdeu a liberdade de expressão. A história e o futuro não esquecerão que o STF foi o novo censor, assim como, não esquecerão a frouxidão do congresso nacional”, postou ele no “X”. Com: Gazeta do Povo

Uganda: polícia evita atentado contra grande concentração cristã

A polícia ugandense neutralizou uma tentativa de atentado contra uma das maiores concentrações cristãs da África em 3 de junho, durante as comemorações do Dia dos Mártires de Uganda.

Dois homens-bomba foram mortos ao se aproximarem da Basílica de Munyonyo, em Kampala, em uma motocicleta, minutos antes de atingirem fiéis reunidos para orações matinais.

Os fatos

  • A Interceptação: Segundo relatório oficial, os suspeitos aceleravam em direção à multidão quando foram abatidos por forças de segurança. Uma explosão foi ouvida no local após a ação policial, causando pânico entre civis, mas sem vítimas adicionais.

  • Inteligência Preventiva: Autoridades confirmaram que monitoravam os indivíduos “há dias”, com base em informações sobre movimentação de extremistas. Especialistas em segurança atribuíram o plano às Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo rebelde sediado na República Democrática do Congo com ligações ao Estado Islâmico.

  • Evento Mantido: Apesar do alerta, a peregrinação seguiu normalmente, reunindo “dezenas de milhares” de fiéis, líderes religiosos e políticos.

Contexto histórico

A peregrinação anual homenageia 45 jovens ugandenses executados entre 1885 e 1887 por recusarem-se a renunciar ao cristianismo sob o reinado de Kabaka Mwanga II, do Reino de Buganda. Os mártires – pajens reais, cortesãos e funcionários públicos – foram queimados vivos no Santuário de Namugongo ou assassinados publicamente.

Uganda enfrenta onda de ataques desde 2020. Alguns dos principais incidentes de intolerância contra os cristãos incluem:

  • Massacre da Escola Lhubiriha (2023): 42 mortos, sendo 38 adolescentes.

  • Dados Globais: Pesquisas da Portas Abertas indicam que 90% dos cristãos assassinados por fé no mundo estão na África Subsaariana, com 16,2 milhões de cristãos deslocados por conflitos no continente.

Jo Newhouse (pseudônimo), analista da Portas Abertas na África Subsaariana, declarou: “O Dia dos Mártires é um dos testemunhos mais poderosos da unidade cristã na África […] Agradecemos ao Senhor por sua proteção sobre os que se reuniram em segurança”.

Líderes cristãos africanos lançaram a campanha “Desperta África”, buscando 1 milhão de assinaturas em petição para combater a violência anticristã e fortalecer a igreja na região.

As ADF operam desde os anos 1990 e foram designadas como organização terrorista pelos EUA em 2021. Segundo a ONU, o grupo é responsável por mais de 1.100 mortes civis no leste da RDC entre 2021 e 2024.

Igreja em crescimento consegue primeira vitória contra prefeitura

O juiz distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Carolina do Norte, William Osteen Jr., emitiu no dia 21 de junho uma decisão liminar que impede temporariamente o Condado de Chatham de rejeitar o pedido de rezoneamento apresentado pela Summit Church, liderada pelo ex-presidente da Convenção Batista do Sul, JD Greear.

A decisão ocorre no contexto de um processo por discriminação religiosa movido pela igreja no início de 2024. A igreja, sediada em Durham e com planos de construção em quase 100 acres de terra em Chapel Hill, afirma que a recusa do rezoneamento viola seus direitos garantidos pela Primeira e Décima Quarta Emendas da Constituição dos EUA, além de infringir a Lei de Uso de Terras Religiosas e Pessoas Institucionalizadas (RLUIPA).

Em um memorando de 50 páginas, Osteen concluiu que a Summit Church “demonstrou que provavelmente terá sucesso em provar que o impedimento imposto pelo Condado de Chatham — a negação de sua proposta — constituiu um fardo ‘substancial’ ao seu exercício religioso”.

Apesar disso, o juiz optou por negar uma liminar obrigatória, que forçaria o condado a aprovar imediatamente a proposta da igreja. Segundo Osteen, esse tipo de medida é “altamente desfavorecida” e poderia gerar consequências irreversíveis caso o condado saísse vitorioso ao final do processo. “Se, posteriormente, perante este tribunal ou em recurso, o réu prevalecer, o resultado seria um campus paroquial construído de forma inadequada ou pela metade no Condado de Chatham”, escreveu.

No entanto, Osteen concedeu uma liminar proibitiva, proibindo o condado de negar o pedido de rezoneamento até nova ordem do tribunal. Ele determinou que a decisão anterior do Conselho de Comissários, de 16 de dezembro de 2024, “não terá força nem efeito”, desde que a Summit Church deposite uma fiança de US$ 2.000.

A ação judicial movida pela igreja solicita que o tribunal:

  • Exija a aprovação do pedido de rezoneamento;

  • Declare nula a decisão do condado com base na violação da RLUIPA;

  • Conceda indenização por danos e honorários advocatícios.

O caso ganhou reforço em abril, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou uma declaração formal de interesse em apoio à igreja. Em nota, o procurador-geral adjunto Harmeet K. Dhillon, da Divisão de Direitos Civis, afirmou: “A RLUIPA protege os direitos de grupos religiosos de exercerem sua fé livres do tipo exato de interferência governamental indevida demonstrado aqui”.

Segundo o Departamento de Justiça, a RLUIPA é uma legislação federal que protege indivíduos e instituições religiosas contra regulamentações de uso da terra que sejam excessivamente onerosas, discriminatórias ou aplicadas de forma desigual.

O Conselho de Comissários do Condado de Chatham ainda não se manifestou publicamente após a decisão do juiz. O processo segue em andamento no Tribunal Distrital Federal da Carolina do Norte, de acordo com informações do The Christian Post.

Suíça: evangélicos mantém a fé e seguem pregando Evangelho

Enquanto a religiosidade diminui em grande parte da população suíça, os cristãos evangélicos têm demonstrado um padrão oposto, com níveis mais altos de oração, participação em cultos e leitura espiritual. A constatação aparece no relatório “Religiosidade e Espiritualidade na Suíça (2024)”, publicado em 24 de junho pelo Escritório Federal de Estatística da Suíça (SFSO).

A Réseau Évangélique Suisse (RES), rede que representa cerca de 250 igrejas evangélicas na região francófona do país, afirmou que a inclusão explícita das igrejas evangélicas no levantamento é inédita.

“A Rede Evangélica Suíça (RES) está muito feliz que as igrejas evangélicas sejam mencionadas pela primeira vez no estudo e que elas se destaquem da tendência geral na prática religiosa”, declarou a entidade em nota publicada em seu site oficial.

Segundo a RES, os dados revelam que aproximadamente 30,3% dos evangélicos frequentam cultos ou eventos pelo menos uma vez por semana, e quase metade mantém hábitos regulares de oração. A entidade também destacou que a leitura de livros religiosos é mais comum entre evangélicos (45%) e muçulmanos (35%), superando outros grupos religiosos.

O relatório do SFSO observou que a Suíça é historicamente um país cristão, mas o número de pessoas sem afiliação religiosa continua crescendo. Os dados mais recentes indicam que 31% da população se identifica como católica romana, 19% como protestante reformada e 6% como evangélica.

Apesar da diminuição geral na prática religiosa no país, mais da metade dos entrevistados (51%) afirmou concordar ou concordar fortemente com a ideia de que “mais pensamento espiritual beneficiaria a sociedade”, e 50% disseram acreditar na vida após a morte.

A RES, ao comentar a divulgação, apontou uma possível imprecisão no título do comunicado de imprensa do SFSO, que afirmava “Declínio na fé e prática religiosa continua”. Segundo a entidade, essa leitura não se aplica às igrejas evangélicas, que estariam “contrariando essa tendência”, mesmo estando agrupadas na categoria estatística de “outras comunidades cristãs”.

Essa categoria inclui um amplo espectro de igrejas, como Igrejas Evangélicas Livres (LIVRES), Igrejas Internacionais, Batistas, Anabatistas, Carismáticas, Adventistas, Pentecostais, Santos dos Últimos Dias, além de igrejas ortodoxas orientais, igrejas da Reforma, anglicanas, ecumênicas e católicas-cristãs.

Outro ponto destacado foi o aumento, nos últimos dez anos, da leitura de textos religiosos e espirituais. De acordo com o SFSO, o índice geral passou de 13% para 20%. Esse crescimento foi mais acentuado entre evangélicos (+21%), protestantes reformados (+12%) e jovens entre 15 e 24 anos (+13%).

O estudo baseia-se em dados da Pesquisa de Língua, Religião e Cultura (ELRC), conduzida a cada cinco anos pelo Escritório Federal de Estatística desde 2014. A versão mais recente, segundo o SFSO, visa oferecer um panorama amplo sobre os hábitos de fé, oração, leitura espiritual e envolvimento religioso da população suíça.

A RES concluiu sua análise destacando que os dados mostram como “a religião e a espiritualidade ainda desempenham um papel importante na vida diária de uma grande proporção da população”, especialmente entre os evangélicos, de acordo com informações do The Christian Post.

Google e Meta preocupadas com censura após decisão do STF

🍲 Rabada Rápida

Ingredientes (4 porções):

•1,5 kg de rabo de boi, cortado em pedaços

•2 colheres (sopa) de óleo ou azeite

•1 cebola grande picada

•3 dentes de alho picados

•2 tomates picados (ou 1 lata de tomate pelado)

•1 pimentão picado (opcional)

•Cheiro-verde a gosto… pic.twitter.com/z0eW91FDVI

— Rafael Gloves (@rafaelgloves) June 27, 2025

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na quinta-feira, 26 de junho, por 8 votos a 3, que empresas de tecnologia que não fizerem censura dos usuários podem responsabilizadas pelos conteúdos publicados por terceiros, mesmo sem decisão judicial prévia, desde que tenham sido notificadas por usuários e não tenham removido o material.

A decisão altera o entendimento do Artigo 19 do Marco Civil da Internet, em vigor desde 2014, e na prática resulta em censura.

O artigo, que vinha sendo defendido pelas grandes empresas do setor, estabelecia que plataformas digitais só poderiam ser responsabilizadas judicialmente caso se recusassem a retirar o conteúdo após ordem judicial específica. Com o novo entendimento, a responsabilidade pode ocorrer após notificação privada, o que abre espaço para ações por omissão mesmo sem o envolvimento do Judiciário.

Durante o julgamento, que se estendeu por doze sessões, os ministros também fizeram um apelo para que o Congresso Nacional regulamente as redes sociais. Segundo o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, o tribunal aguardava uma regulamentação por parte do Legislativo, mas decidiu agir diante da inércia. “O tribunal esperou, e por alguns anos, que houvesse o procedimento legislativo do Congresso Nacional, mas nós não temos a faculdade de deixarmos de julgar alguma questão pela ausência indefinida de lei”, afirmou Barroso.

O ministro também declarou que a decisão busca um equilíbrio entre liberdade de expressão e responsabilidade legal. “O Supremo preservou, na maior extensão possível, a liberdade de expressão, sem permitir no entanto que o mundo desabe num abismo de incivilidade, legitimando discursos de ódio ou crimes indiscriminadamente praticados na rede”, afirmou.

Reações das empresas

A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou em nota enviada ao jornal Estadão que a decisão levanta preocupações sobre os efeitos da medida. “A decisão levanta preocupações sobre a liberdade de expressão e as milhões de empresas que usam nossos aplicativos para crescer seus negócios e gerar empregos no Brasil”, declarou a empresa.

Em outra manifestação, o porta-voz da Meta afirmou: “Enfraquecer o Artigo 19 do Marco Civil da Internet traz incertezas jurídicas e terá consequências para a liberdade de expressão, inovação e desenvolvimento econômico digital, aumentando significativamente o risco de fazer negócios no Brasil”.

O Google também se posicionou, indicando que o novo entendimento poderá “impactar a liberdade de expressão e a economia digital”. A empresa declarou ainda que está aberta ao diálogo e que irá analisar os impactos da tese aprovada no funcionamento de seus produtos.

As duas empresas já haviam expressado sua oposição ao julgamento por resultar em censura na prática. Em dezembro de 2023, a Meta publicou uma nota afirmando que “nenhuma grande democracia no mundo jamais tentou implementar um regime de responsabilidade para plataformas digitais semelhante ao que foi sugerido até aqui no julgamento no STF”. A empresa acrescentou: “Temos uma longa história de diálogo e colaboração com as autoridades no Brasil, incluindo o Judiciário”.

Critérios estabelecidos

A decisão do STF define que, como regra geral, as plataformas digitais respondem por crimes ou atos ilícitos — como difamação, incitação ao ódio ou divulgação de notícias falsas — caso não removam os conteúdos após notificação extrajudicial. Também poderão ser responsabilizadas por contas falsas.

Na prática, o novo entendimento transfere para as empresas maior responsabilidade pela moderação de conteúdo, mesmo na ausência de ordem judicial. Essa mudança amplia o papel das plataformas como agentes ativos na censura de publicações.

O julgamento é considerado, internamente, um dos mais relevantes da história recente do Supremo. A decisão reflete a tentativa do Judiciário de impor uma regulação desde que a tramitação do Projeto de Lei das Fake News fracassou, após não ser votada no Congresso.

Próximos passos

Com a decisão, o Congresso Nacional segue pressionado a regulamentar o uso e a responsabilidade nas redes sociais. A jurisprudência firmada pelo STF poderá orientar julgamentos futuros sobre o tema e terá impacto direto nas operações das big techs no Brasil, com potencial para influenciar também debates internacionais sobre censura de conteúdo e liberdade de expressão.

As empresas, por sua vez, aguardam a publicação do acórdão final e o detalhamento da tese aprovada para avaliar os ajustes necessários nas suas políticas de conteúdo e operações jurídicas no país, de acordo com a Agência Estado.

Sonhos e visões: como discernir o que vem de Deus?

Na quietude do fim de noite, quando os ruídos diminuem e os pensamentos ficam menos intensos, muitas pessoas relatam experiências vívidas que deixam impressões profundas. São sonhos simbólicos, visões inesperadas ou intuições repentinas. No contexto cristão, essas manifestações suscitam perguntas antigas e sempre atuais: seriam mensagens divinas ou apenas construções do subconsciente?

Ao longo da Bíblia, sonhos e visões aparecem como formas legítimas de comunicação divina. No Antigo Testamento, personagens como Abraão, Jacó, José e Daniel foram orientados por Deus através desses meios. No Novo Testamento, há registros como o de Ananias, que recebeu instruções em uma visão antes de encontrar Paulo (Atos 9), e o do centurião Cornélio, avisado em sonho para procurar o apóstolo Pedro (Atos 10). Esses relatos, no entanto, estão diretamente relacionados ao cumprimento do plano redentor de Deus.

O pastor e teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes enfatiza a necessidade de discernimento entre a experiência subjetiva e a direção válida para a vida cristã. “Não há exemplo na Bíblia, não há promessa na Bíblia, não há nada na Bíblia que nos garanta que Deus está por detrás desse tipo assim, a pessoa tem uma intuição, a pessoa tem uma premonição, uma espécie de visão com relação às coisas futuras”, afirmou.

Segundo Nicodemus, a orientação bíblica para conhecer a vontade de Deus não se baseia em sonhos recorrentes, mas em fundamentos objetivos: “A maneira pela qual o Novo Testamento ensina o cristão quanto à vontade de Deus tem a ver com conhecer os princípios bíblicos, o uso do bom senso, escutar os conselhos e aguardar na providência de Deus”, explicou.

Mesmo quando uma revelação pessoal se mostra precisa — como o relato de uma mulher que sonhou com a morte do marido dias antes do fato —, Nicodemus é categórico ao afirmar que isso não pode se tornar doutrina. “Aplicação pública é dos princípios da palavra de Deus. Aquilo é entre a pessoa e Deus”, disse.

Essa distinção entre o emocional e o espiritual é apontada como essencial para evitar enganos: “Muita coisa é da cabeça da pessoa, muita coisa é dos sentimentos da pessoa e a pessoa precisa ter cuidado porque existem espíritos enganadores”, alertou o pastor.

Ele citou o episódio de Atos 16, no qual uma jovem adivinhadora dizia verdades sobre Paulo e Silas, mas estava sob influência maligna. “Ela dizia que Paulo e Silas eram servos do Deus Altíssimo. Mas mesmo assim, Paulo não se impressionou. Repreendeu o espírito”, relatou.

No ambiente eclesiástico, relatos semelhantes também exigem cuidado. Nicodemus mencionou uma situação em que um homem afirmou ter recebido uma profecia dizendo que Deus tinha outra esposa para ele, embora fosse casado com uma mulher descrente. “Eu disse: ‘Não pode ser do Espírito Santo’. Está escrito em 1 Coríntios 7: se a mulher consente em viver com o irmão, ele não deve deixá-la”, explicou.

Apesar dos alertas, o pastor reconhece que sonhos também podem inspirar ações concretas, quando submetidos à luz das Escrituras. Ele citou o exemplo de William Booth, fundador do Exército da Salvação, que teve visões de pessoas marginalizadas e transformou essas imagens em um movimento de alcance mundial. “Tudo isso porque um homem decidiu não guardar seus sonhos”, comentou.

Diante dessas experiências, a orientação oferecida por Nicodemus é resumida em três verbos: discernir, esperar, obedecer. A recomendação é que o cristão trate os sonhos com sobriedade, sem desprezá-los automaticamente, mas sempre avaliando-os à luz da revelação bíblica.

Para o pastor, a base segura da fé continua sendo uma só: “Nós temos apenas a palavra como sendo a revelação final e última de Deus”, concluiu, de acordo com informações da revista Comunhão.

Censo 2022 mostra em qual religião as mulheres mais engravidam

Os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 27 de junho, indicam que a religiosidade das mulheres brasileiras está associada a diferentes padrões de fecundidade no país. Segundo o levantamento, as mulheres evangélicas apresentam a maior média de filhos entre todos os grupos religiosos, com 1,7 filho por mulher, acima da média nacional de 1,55 filho.

O estudo do IBGE considerou todas as mulheres com 12 anos ou mais, tendo como referência o número de filhos nascidos vivos até 31 de julho de 2022. Entre os grupos analisados, as mulheres espíritas registraram a menor taxa de fecundidade, com 1,0 filho por mulher. Já católicas e mulheres sem religião apresentaram médias semelhantes, ambas com 1,5 filho. Grupos de outras crenças, como as religiões afro-brasileiras, apresentaram médias entre 1,2 e 1,4 filho.

O levantamento também destacou variações na idade da maternidade conforme a fé professada. As mulheres evangélicas concentram os nascimentos entre os 25 e 29 anos, padrão semelhante ao observado entre católicas e sem religião. No entanto, entre as espíritas, a maternidade tende a ocorrer de forma mais tardia, com maior frequência entre os 30 e 34 anos.

Segundo os técnicos do IBGE, a religião exerce influência no comportamento reprodutivo, mas não atua de forma isolada. “A orientação religiosa está entrelaçada com outros fatores como escolaridade, condição econômica, pertencimento racial e local de residência”, apontaram os analistas do IBGE.

Os dados de 2022 confirmam uma tendência demográfica observada nas últimas décadas: a queda contínua da fecundidade no país e o adiamento da maternidade. No entanto, o recorte por religião revela que essa transformação ocorre de maneira desigual entre os diferentes segmentos da população.

Em linhas gerais, mulheres ligadas a religiões com forte presença entre as classes populares, como o segmento evangélico, continuam tendo mais filhos e em idade mais jovem. Por outro lado, aquelas pertencentes a grupos com maior escolaridade e renda, como as espíritas, tendem a postergar a maternidade e ter menos filhos, de acordo com informações do portal G1.

O retrato apresentado pelo Censo evidencia que fé e fecundidade caminham juntas na formação das famílias brasileiras, apesar da influência de fatores sociais, culturais e econômicos.

Censo 2022 mostra em qual religião as mulheres mais engravidam
Infográfico mostra evangélicas com a maior média de filhos

Pastor: não tentem descobrir quão perto podem chegar do pecado

O teólogo e pastor batista John Piper, de 79 anos, orientou adolescentes cristãos a não se questionarem sobre o quanto podem se aproximar do pecado, mas sim a buscarem a plenitude do Espírito Santo como forma de verdadeira intimidade com Deus.

A fala de Piper foi uma resposta a uma pergunta enviada por um ouvinte de seu podcast, que se identificou como um adolescente cristão. No relato, o jovem admitiu se embriagar levemente “de vez em quando”, seja por diversão ou para aliviar a dor, mas afirmou manter o autocontrole e continuar fazendo orações, sem adotar comportamentos imprudentes. “Ainda é pecado fazer isso, mesmo que eu não faça nada de errado ou impulsivo?”, questionou.

Piper afirmou considerar encorajador o desejo do jovem de se aproximar de Deus. Ele citou Tiago 4:8 — “Cheguem perto de Deus, e ele se chegará perto de vocês” — como uma promessa bíblica válida para qualquer pessoa sinceramente disposta a se voltar ao Senhor. No entanto, o pastor questionou a lógica da pergunta apresentada: “Você está realmente perguntando (ou deveria perguntar): ‘Ficar um pouco bêbado de vez em quando me aproxima de Deus?’”

O pastor, que atua como chanceler do Bethlehem College and Seminary, em Minneapolis (Minnesota), afirmou que o cristianismo historicamente rejeita estados alterados induzidos por substâncias químicas como formas válidas de experiência espiritual: “O cristianismo nunca viu os estados induzidos por drogas como uma forma genuína de se aproximar de Deus”, disse Piper, em contraste com certas tradições religiosas que fazem uso de substâncias para esse fim.

Baseando-se em Efésios 5, especialmente no versículo 18 — “Não se embriaguem com vinho, pois isso leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito” —, Piper destacou que a Bíblia enfatiza a vigilância, a sabedoria e a compreensão da vontade do Senhor. “O Espírito Santo é precisamente o poder de Deus em você para torná-lo vigilante, vivo, cuidadoso em suas observações, alerta em seus sentidos e sábio em seus julgamentos”, afirmou.

Segundo Piper, o Espírito não anula as faculdades mentais, mas as eleva. Por isso, argumentou que mesmo a embriaguez moderada compromete a clareza espiritual. “A embriaguez entorpece as próprias faculdades que Deus deu para o desfrute de Cristo”, declarou.

Embora tenha reconhecido os danos sociais associados ao abuso de álcool — como acidentes, perdas no trabalho e rupturas familiares —, Piper concentrou sua análise no impacto espiritual da prática. Ele desafiou a lógica do questionamento do adolescente, comparando a atitude com a de quem pergunta se pode dirigir com sono. “Se o seu desejo é realmente se aproximar de Deus, você não calcula seu comportamento perguntando o quão perto pode chegar do pecado”, disse.

Piper concluiu encorajando os cristãos a mudarem o foco da pergunta: “Não vamos nos perguntar: ‘Quão perto posso chegar do pecado?’, mas sim: ‘Quão cheio posso ser do Espírito Santo?’”

Ele também mencionou Gálatas 5:19–21, que lista as obras da carne, alertando para o perigo de relativizar o pecado: “Você não diz: ‘Bem, posso ter um pouquinho de inveja? Posso ter um pouquinho de raiva? Posso ter um pouquinho de ciúme?’… Você simplesmente não faz essas perguntas, não se o seu objetivo é realmente estar o mais próximo possível de Deus”.

Abstinência

Apesar da clareza bíblica quanto à condenação da embriaguez, líderes cristãos reconhecem que o consumo de álcool, por si só, não é proibido nas Escrituras. Em uma postagem de blog publicada em 2012, o evangelista Greg Laurie, da Harvest Christian Fellowship, na Califórnia, afirmou: “Embora eu não conteste a liberdade de beber de alguém, eu pessoalmente me abstenho.” Laurie citou 1 Coríntios 6:12 para explicar sua decisão: “‘Tenho o direito de fazer qualquer coisa’, vocês dizem — mas nem tudo convém. […] Não quero estar sob o poder de ninguém nem de nada além de Jesus Cristo!”

De acordo com o The Christian Post, Laurie resumiu sua posição de forma prática: “Se você não beber, nunca ficará bêbado. Se beber, poderá ficar bêbado. Vale a pena o risco?”

Já Patrick Nelson, presidente do Seminário Teológico Dort, também em Minnesota, declarou em entrevista em 2018, que “a Bíblia não proíbe expressamente o consumo de álcool”, mas “nos proíbe de ficarmos bêbados por beber álcool”.

Nelson também lembrou que Jesus transformou água em vinho em João 2:1-11, e que o vinho era uma bebida comum em seu tempo. No entanto, ele advertiu: “A embriaguez e o vício são pecados aos olhos do Senhor, e seus efeitos podem ser devastadores não apenas para a pessoa, mas também para aqueles ao seu redor.”

A discussão sobre os limites do uso do álcool no contexto cristão permanece atual, especialmente entre os jovens. No entanto, conforme destacou John Piper, a principal pergunta a ser feita por aqueles que desejam se aproximar de Deus não é sobre permissões mínimas, mas sobre o quanto podem ser transformados pelo Espírito.

Projeto que proíbe linguagem neutra em SP é aprovado na Câmara

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, no dia 26 de junho, o Projeto de Lei 49/2025, que proíbe o uso da chamada linguagem neutra na administração pública da capital.

A proposta é de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil) e abrange todos os órgãos e entidades da Prefeitura, incluindo campanhas institucionais, documentos oficiais, materiais escolares e redes sociais vinculadas ao Executivo municipal.

O texto estabelece que a comunicação oficial deve seguir as normas do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em vigor. Termos como todes, elu e menine, entre outros associados à linguagem neutra, ficam expressamente vetados em qualquer meio de comunicação oficial da administração municipal.

Durante a sessão, o vereador Rubinho Nunes justificou a proposta: “Estão tentando transformar nossas escolas em laboratórios ideológicos, obrigando professores e alunos a adotarem uma tal linguagem neutra, cheia de termos como elu, delu, amigue. Essa é a nova prioridade daqueles que colocam a militância acima da educação, enquanto nossas crianças mal conseguem dominar o básico da gramática e da matemática”.

O projeto também prevê sanções administrativas. Servidores públicos que descumprirem a norma poderão ser submetidos a processo disciplinar. No caso das escolas privadas conveniadas à Prefeitura, o descumprimento reincidente poderá levar à suspensão do alvará de funcionamento.

Em defesa da proposta, o parlamentar afirmou: “O uso da norma culta da língua é o que garante clareza, igualdade e segurança jurídica para todos. Linguagem não é campo de militância ideológica — é instrumento de entendimento público. Defender a língua portuguesa é proteger nossa identidade e o direito à boa educação”.

O texto ainda precisa passar por segunda votação antes de seguir para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Ainda não há data confirmada para a próxima deliberação em plenário, de acordo com informações do Pleno News.