EBD passa a ser patrimônio cultural imaterial no MS

A EBD (Escola Bíblica Dominical) passou a ser reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural e Imaterial em Mato Grosso do Sul. A formalização ocorreu com a publicação do Decreto Legislativo 805/2026 na quarta-feira, 08 de abril, no Diário Oficial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

O ato normativo destaca a importância da atividade ao longo do tempo, mencionando seu papel nas áreas religiosa, educacional e social. Segundo o documento, a iniciativa tem impacto na formação de valores e na participação comunitária em diferentes regiões do estado.

A proposta foi apresentada pelo deputado Lidio Lopes. No texto, ele descreve a Escola Bíblica Dominical como uma prática organizada de ensino cristão, realizada tradicionalmente aos domingos, com foco no estudo das Escrituras e na transmissão de princípios éticos e familiares.

O decreto também aponta diretrizes relacionadas à preservação dessa tradição e ao estímulo à continuidade das atividades promovidas por igrejas. Entre os objetivos, está o reconhecimento institucional da contribuição dessas ações para a sociedade local.

Na justificativa, Lidio Lopes afirmou que a medida considera a abrangência da prática no estado. Segundo a revista Comunhão, o deputado acrescentou que o reconhecimento não altera garantias constitucionais, como a liberdade religiosa, nem estabelece favorecimento a grupos específicos.

‘Padre Caco’ causa tumulto ao afirmar que Eva foi a ‘primeira trans’

Um vídeo publicado pelo humorista Padre Caco passou a circular nas redes sociais nos últimos dias e gerou reações diversas. Na gravação, ele apresenta uma interpretação sobre a criação da humanidade descrita no livro de Gênesis e afirma que Eva teria sido a primeira “trans” da história.

Durante o vídeo, ele relaciona a narrativa bíblica à sua argumentação. “A primeira mulher da história da humanidade, Eva, foi trans. Ela era parte de Adão, que era um homem”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Você acredita que Adão tinha uma parte feminina? Então, Eva era um homem que se fez mulher. Mas digo mais, ela era uma costela de um homem. Então, ela transicionou de costela para mulher. Então, ela é uma mulher trans que antes era costela”, disse.

Ele também questionou elementos da narrativa tradicional. “Repare, Eva não tem infância, não tem adolescência. Eva não tem passado de mulher. Eva é trans. Ponto. Ou você acredita na Bíblia ou não acredita. E isso está na Bíblia”, declarou.

Em outro trecho, o humorista mencionou discussões sobre argumentos biológicos no meio cristão. “E Deus que fez o homem, deu vida ao homem. Não tinha útero e não menstruava. Ainda assim o fez. Eu tenho visto nesses dias muitos cristãos estranhamente evocando a biologia”, afirmou. Em seguida, concluiu: “Mas eles não entendem nem da nossa Bíblia”, disse.

A repercussão ocorreu tanto nas redes sociais quanto em portais de notícias. Parte do público interpretou o conteúdo como uma provocação voltada à reflexão sobre fé e temas contemporâneos, enquanto outros usuários manifestaram críticas e consideraram a a piada descabida e incompatível com o texto bíblico.

Bia Kicis diz que PL da Misoginia foi enterrado porque é uma ‘farsa’

A articulação política na Câmara dos Deputados do Brasil resultou no adiamento da tramitação do Projeto de Lei 896/2023 após acordo firmado no Colégio de Líderes na terça-feira, 08 de abril. O presidente da Casa, Hugo Motta, decidiu que a proposta não será levada ao plenário antes das eleições, interrompendo o avanço do texto aprovado pelo Senado em março.

A decisão foi comentada por parlamentares da oposição, que criticaram o conteúdo do projeto. Esses deputados afirmaram que a proposta apresenta definições amplas e pode gerar interpretações divergentes em sua aplicação.

A deputada Bia Kicis (PL-DF) avaliou o resultado do acordo: “O enterro do chamado PL da Misoginia foi sem dúvida uma vitória da oposição e do povo brasileiro. Na verdade, homens e mulheres devem respirar aliviados porque essa farsa, em forma de projeto de lei, em nada beneficiava estas e pairava como uma ameaça sobre aqueles. Prometia defesa das mulheres, mas entregaria controle sobre a liberdade de expressão para todos. E as mulheres que se virassem depois com a diminuição de oferta de emprego e de espaços para compartilharem com os homens. Quem em sã consciência quer conviver com uma pequena tirana que pode colocá-lo na cadeia por interrompê-la em uma discussão de trabalho, por exemplo? Enfim, por ora enterrada essa aberração e que nunca seja desenterrada!”, afirmou.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também comentou o adiamento e declarou que a mobilização contrária ao projeto influenciou o recuo: “É um instrumento de lei extremamente subjetivo para poder silenciar as outras pessoas, inclusive mulheres”, afirmou.

O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), líder da minoria, atribuiu o desfecho à repercussão negativa junto à opinião pública. Ele afirmou que o texto poderia gerar penalidades com base em interpretações consideradas amplas.

O Projeto de Lei 896/2023, de autoria da senadora Ana Paula Lobato, propõe incluir a misoginia na legislação relacionada à Lei do Racismo e prevê aumento de penas em situações enquadradas como violência doméstica. Durante a tramitação na Câmara, parlamentares discutiram os possíveis efeitos da proposta sobre a aplicação da lei e seus impactos no cotidiano.

Segundo o portal O Cruzeiro, o acordo entre os líderes partidários faz com que o projeto deixe de ser pautado no curto prazo e permanece sem previsão de votação no plenário.

Deputada quer Maria da Penha contra Erika Hilton por intimidação

As deputadas Rosana Valle, do PL de São Paulo, e Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, trocaram acusações durante reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, na quarta-feira, 08 de abril.

Durante a sessão, Rosana Valle criticou a condução dos trabalhos pela presidente da comissão. Ela mencionou a ausência de deliberação de um requerimento de sua autoria que propunha a realização de audiência pública sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da endometriose.

Ao se dirigir à colega, a deputada afirmou: “Enquanto mulher, na condição de mulher, a senhora não me representa. Nós estamos aqui para impedir que a comissão se torne, e aliás se tornou, uma comissão de militância ideológica”.

Na sequência, Rosana Valle acrescentou: “A senhora grita, a senhora fala com uma indignação, parece que vai partir para uma agressão. E falo mais: se a Vossa Excelência vier para cima de mim, para me enfrentar aqui, nós vamos procurar a Lei Maria da Penha porque a senhora tem a força de um homem, não tem a força de uma mulher”.

A declaração gerou reação de outras parlamentares. A deputada Fernanda Melchionna, do PSOL do Rio Grande do Sul, classificou a fala como transfóbica. Erika Hilton pediu às aliadas que evitassem ampliar o confronto. “Não entra nessa, que é a única maneira que algumas pessoas são capazes de aparecer”, disse.

Em resposta, Erika Hilton criticou a postura da colega e afirmou: “A Vossa Excelência não pode esperar que eu ouça os horrores. Vossa Excelência disse barbaridades contra mim. Ninguém vai tirar o meu direito de falar enquanto deputada”.

A presidente da comissão também comentou as críticas ao seu tom de voz, segundo o ND Mais: “Se Vossa Excelência acha que eu grito, eu lhe oriento a comprar um protetor auricular, porque quando eu descer enquanto membra, gritarei o que for necessário. Fui silenciada e calada durante muito tempo, e agora gritarei tudo aquilo que eu acho que é verdade”, declarou.

Compra do banco de Edir Macedo é anunciada pelo BTG Pactual

O BTG Pactual informou ao mercado, na quarta-feira, 08 de abril, que assinou documentos para assumir o controle do Banco de Edir Macedo, o Digimais, instituição pertencente ao líder da Igreja Universal e proprietário do Grupo Record. O banco não divulgou o valor da operação.

A conclusão do negócio depende de um processo competitivo, que permitirá a apresentação de propostas por outros interessados. O fechamento também está condicionado à aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

O acordo segue as normas atualizadas do Fundo Garantidor de Créditos, que foram revisadas no ano anterior após a crise envolvendo o Banco Master. O Banco Digimais atua principalmente na concessão de crédito, com foco no financiamento de veículos no mercado nacional.

Edir Macedo adquiriu o banco em 2013, quando a instituição ainda operava sob o nome Banco Renner, pertencente à família ligada à rede varejista de roupas. Na ocasião, ele comprou 49% das ações e, posteriormente, adquiriu o restante do controle. A mudança para o nome Banco Digimais ocorreu em julho de 2020.

A atual negociação representa a segunda tentativa de venda da instituição. No ano anterior, um antigo sócio do Banco Master anunciou a intenção de compra, mas a operação não foi concluída. Com a saída desse interessado, o BTG passou a conduzir o processo para adquirir a totalidade das ações.

O BTG informou que os documentos assinados têm caráter vinculante e estabelecem um preço de referência para o mercado. Segundo a revista Oeste, a instituição declarou que só será considerada proprietária do banco após eventual vitória na disputa com outras propostas e a conclusão das etapas regulatórias.

Jim Caviezel anuncia data de estreia de filme sobre Bolsonaro

O filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem estreia prevista para o dia 11 de setembro deste ano. O anúncio foi feito pelo ator Jim Caviezel em publicação nas redes sociais.

Na mensagem, o ator divulgou o lançamento do longa-metragem. “Se você se importa com as nossas eleições, assista ao meu mais novo filme que vai sair em 11 de setembro de 2026!”, escreveu, ao compartilhar o cartaz da produção.

A data escolhida para a estreia coincide com o dia em que ocorreram os atentados às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, em 2001. Também corresponde à data em que Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no ano anterior, quando recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito.

Além de Jim Caviezel no papel principal, o elenco inclui o ator Marcus Ornellas, que interpretará o senador Flávio Bolsonaro. O ator norte-americano Eddie Finlay dará vida ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, enquanto Sérgio Barreto interpretará Carlos Bolsonaro.

A produção aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro, com destaque para a campanha presidencial de 2018 e o atentado ocorrido em Juiz de Fora (MG), quando ele foi atingido por Adélio Bispo.

O filme é dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh. O roteiro foi escrito pelo deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, que também atuou como secretário especial de Cultura durante o governo Bolsonaro.

Bancada evangélica exige retratação após radialista de afiliada da Globo atacar a Bíblia

A Frente Parlamentar Evangélica pediu retratação pública do jornalista e da emissora, além de providências por parte de órgãos reguladores.

Amigos abrem telhados: a fé entre irmãos e o exemplo do paralítico

A experiência religiosa, em muitas tradições cristãs, não se restringe ao âmbito individual. Ela frequentemente se constrói e se fortalece na comunhão com o outro — na voz que insiste quando o fôlego já se foi, no olhar que persiste quando os caminhos parecem interrompidos, ou na presença silenciosa de quem permanece; Uma fé entre irmãos.

A passagem bíblica sobre o paralítico de Cafarnaum, levado por quatro amigos até Jesus, continua a oferecer, por sua força simbólica e prática, reflexões sobre amizade, responsabilidade afetiva e fé partilhada.

O episódio é narrado em três dos quatro evangelhos sinóticos (Mateus 9.1-8; Marcos 2.1-12; Lucas 5.17-26). A cena descreve o esforço de quatro homens para conduzir um amigo enfermo até Jesus. Impedidos pela multidão que lotava a casa, eles subiram ao telhado, abriram uma abertura e desceram a maca diante do Mestre. O versículo 5 do evangelho de Marcos registra: “E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados”.

O pastor Jailton Félix, da cidade de Rio Bonito (RJ), chama atenção para um detalhe teológico frequentemente negligenciado: o texto bíblico não destaca a fé do homem enfermo, mas sim a dos seus amigos. “Jesus não viu a fé do paralítico, Jesus viu a fé dos amigos”, afirma. Essa leitura, segundo ele, convida a uma reflexão sobre o tipo de relacionamentos que cultivamos.

“É muito importante que nós tenhamos o discernimento para nos cercar de amigos que tenham fé. Junte-se com pessoas que tenham fé, porque nos momentos de adversidade, nos momentos de dúvida, quando você mesmo estiver desmotivado e achar que não vai conseguir, eles sempre estarão do seu lado dizendo: ‘você vai vencer, nem que para isso eu tenha que te carregar e te levar por cima do telhado, mas você vai chegar lá’”, orienta o pastor.

Essa lógica da fé compartilhada não é uma novidade. A tradição cristã, ao longo dos séculos, tem valorizado a comunidade como espaço de amparo, correção e encorajamento mútuo. O apóstolo Paulo já instruía os cristãos da Galáxia com a seguinte recomendação: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6.2).

Curar como ato de reintegração

Para o pastor Leone Moura, de Novo Hamburgo (RS), o significado do milagre vivido pelo paralítico que vivenciou a fé entre irmãos, ultrapassa a dimensão da cura física.

Ele lembra o contexto cultural do período, no qual doenças eram associadas ao pecado pessoal ou hereditário. “A pessoa carregava não apenas a dor psicológica de não ter, às vezes, a visão ou não andar, ou ter alguma outra doença que afastava ela da sociedade, mas também tinha que conviver com o peso da sociedade que impunha sobre essa doença um pecado, ou dele ou dos seus antepassados”, explica.

Nesse sentido, ao curar o homem, Jesus também o restaurava social e espiritualmente. “Jesus, além de curá-lo, estava inserindo de novo essa pessoa à sociedade, como alguém transformado, renovado em todas as áreas de sua vida”, diz Leone. A fé entre irmãos, portanto, não apenas viabilizou uma cura física, mas foi instrumento de reintegração plena daquele homem à vida comunitária.

Ser o que o outro não consegue ser

O gesto de carregar alguém até Jesus é, para os pastores, um símbolo potente da missão cristã de cuidado mútuo. “Talvez eles não estejam paralíticos, mas falte ânimo a eles. Que nós sejamos esse ânimo e que nós possamos levá-los àquele que cura, não apenas as nossas doenças e enfermidades físicas, mas também àquele que vai além, que perdoa e apaga os nossos pecados e nos insere de novo na sociedade”, propõe o pastor Leone.

Na prática, isso significa agir quando o outro está sem forças. “Nós temos que ser, para as pessoas que precisam, o que eles não podem ser. Nós temos que fazer por eles o que eles não conseguem fazer. Nós temos que ir aonde eles não conseguem ir”, continua.

“Cerque-se de amigos que acreditam”, insiste o pastor Jailton. Em um mundo que frequentemente exalta a autonomia individual, a imagem desses quatro homens rompendo o telhado para garantir que alguém encontrasse esperança ganha renovada relevância.

A história do paralítico de Cafarnaum permanece viva porque expõe uma verdade elementar: ninguém caminha sozinho. E quando falta força, é a fé do outro que pode abrir telhados e reconstruir caminhos. Com: Comunhão.

Batismo de idoso de 94 anos emociona e reforça: “Nunca é tarde”

It’s never too late. This was two years ago. He will be 94 years old in July. Even though he grew up in church and kept attending here and there as an adult, God won! pic.twitter.com/4DNQLbXvHz

— Trump Girl (@TrumpGirlLove) April 4, 2026

Um vídeo que registra o batismo de um idoso, um homem de aproximadamente 94 anos, realizado em um rio, tem ganhado destaque nas plataformas digitais. As imagens, publicadas pela filha do idoso no TikTok, mostram o momento em que ele é conduzido às águas por quatro outros homens, também idosos, antes de ser submerso em uma cerimônia cristã.

De acordo com a legenda da publicação, o homem frequentou igrejas durante a infância e manteve vínculo esporádico na vida adulta, mas nunca havia passado pelo rito batismal. “Deus venceu”, escreveu a filha. “Nunca é tarde demais.” Ela também informou que o batismo ocorreu há dois anos e que o pai completará 94 anos em julho de 2026.

A cerimônia e a mensagem do ministro

No vídeo, o responsável pela celebração conduz o batismo com as palavras: “Há glória e alegria no céu por um só pecador que se arrepende”. Em seguida, ele batiza o idoso “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. A cena, que mostra o homem sendo lentamente mergulhado na água, tem sido compartilhada como um testemunho de fé e perseverança.

Repercussão e comentários

A publicação acumula milhares de visualizações, mais de 40 mil curtidas e ultrapassa 1.600 comentários. Entre as reações, uma familiar escreveu: “Não querendo me gabar nem nada… mas aquele é o meu irmão… E, na verdade, eu estou me gabando, sim… Foi o meu Deus quem fez isso… A Ele, toda a glória.”

Outra internauta afirmou: “Uma visão verdadeiramente impressionante. Obrigado por compartilhar.” Uma terceira comentou: “Não existem ‘adultos em Cristo’. Somos todos CRIANÇAS! Nunca é tarde demais. Parabéns, senhor.”

Contexto religioso

No cristianismo, o batismo é considerado um dos sacramentos fundamentais, simbolizando a morte para o pecado e o nascimento para uma nova vida em Cristo. Para muitas denominações evangélicas, o rito é realizado por imersão em água, seguindo o exemplo narrado nos evangelhos sobre o batismo de Jesus por João Batista no rio Jordão.

O episódio do idoso tem sido interpretado por internautas como uma mensagem de esperança e de que a decisão de seguir a fé cristã pode ocorrer em qualquer fase da vida. “O Senhor está à espera e pronto para te aceitar no seu reino. Nunca é tarde demais”, escreveu uma pessoa. Outra completou: “Nunca é tarde para se batizar.”

Burnout espiritual: o custo do serviço religioso que leva à exaustão

Em diversas tradições religiosas, o ato de servir é compreendido como uma vocação sagrada. Pastores, missionários e outros líderes consagram suas vidas ao cuidado espiritual, ao ensino, à escuta, à realização de rituais e ao acompanhamento comunitário. No entanto, quando esse serviço deixa de ser expressão de fé e passa a consumir integralmente o corpo, a mente e a alma, instala-se um fenômeno conhecido como burnout espiritual.

Essa condição se trata de uma realidade crescente, embora ainda pouco reconhecida, entre líderes e servidores religiosos.

A exaustão nesse contexto não se limita ao aspecto físico ou emocional. Ela atinge a própria dimensão do sentido existencial. São pessoas que iniciam sua trajetória com zelo, entrega e convicção, mas acabam presas em um ciclo de exigência contínua, culpa por interromper o trabalho e sofrimento solitário.

Referências bíblicas ao descanso

O texto sagrado do cristianismo oferece exemplos que contrastam com essa dinâmica. Mesmo no auge de sua missão, Jesus retirava-se para descansar. De acordo com o evangelho de Lucas (5:15-16, NVI): “Contudo, as notícias a respeito dele se espalhavam ainda mais, de forma que multidões vinham para ouvi-lo e para serem curadas de suas doenças. Mas Jesus retirava-se para lugares solitários e orava.”

Da mesma forma, no relato da criação, Deus descansou no sétimo dia: “Tendo, pois, Deus terminado no sétimo dia a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito” (Gênesis 2:2, ARA).

Esses registros são interpretados por estudiosos como convites ao reconhecimento dos limites humanos referente ao burnout espiritual — inclusive para aqueles que ocupam posições de liderança espiritual.

Estruturas religiosas e exploração

Infelizmente, muitos líderes não encontram espaço para esse cuidado. Estão submetidos a estruturas religiosas que os exploram sob o discurso de missão. Não têm descanso, vínculos empregatícios formais ou segurança material. Muitos vivem de ofertas, favores ou caridade, enquanto figuras superiores da mesma instituição desfrutam de benefícios, blindagens e privilégios.

É comum que pastores e pastoras sejam impedidos de cuidar de suas famílias, criticados por necessitarem de tempo para si ou envergonhados por buscar ajuda psicológica. As mulheres líderes enfrentam dupla pressão: cuidar da igreja e da casa, como se qualquer cuidado pessoal fosse interpretado como desvio de propósito.

O que começa como vocação transforma-se, em muitos casos, em cárcere emocional e espiritual, resultando em burnout espiritual. Esses líderes são convencidos de que o sofrimento é prova de fé e que a abnegação constante é sinônimo de fidelidade. Discursos religiosos que utilizam técnicas de convencimento — como programação neurolinguística (PNL) ou coaching —, aliados à descontextualização de trechos sagrados, geram medo, culpa e obediência acrítica.

O apóstolo Paulo, na segunda carta a Timóteo (4:3-4, NVI), já alertava: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina. Pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, ajuntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.” E no evangelho de João (8:32, ARA), está escrito: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

Nessa lógica adoecedora, o descanso torna-se pecado, a dúvida vira rebeldia e o cansaço é interpretado como fraqueza espiritual.

Necessidade de uma nova ética institucional

A abundância prometida em passagens como João 10:10 (“Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”) não se restringe ao aspecto material. Inclui tempo com a família, saúde mental e paz interior. O cuidado espiritual, portanto, precisa vir acompanhado de justiça, dignidade e humanidade.

Falar sobre burnout espiritual é abrir espaço para uma nova ética dentro das instituições religiosas — uma ética que reconheça que amar a Deus não pode significar morrer de exaustão para servi-Lo. Uma ética que afirme, com clareza e compaixão: você também precisa ser cuidado. Com: Comunhão.