Em meio a escombros, igreja se mobiliza para repercutir ajuda

Uma igreja evangélica do Rio Grande do Sul, que vivenciou os impactos das enchentes dias atras está prestando auxílio a populações do Paraná afetadas por um furacão na sexta-feira, 7 de junho.

A Igreja Lagoinha Canoas organizou o envio de um caminhão com donativos para as cidades paranaenses de Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava e Turvo, as mais atingidas pelo fenômeno.

A arrecadação foi realizada por meio do ministério “We Care”, da igreja, que reuniu artigos como roupas, cobertores, alimentos, água potável, itens de higiene pessoal, material de limpeza, Bíblias, lanternas e velas.

Uma equipe de voluntários partiu em veículo leve para o Paraná na segunda-feira, 10 de junho, com a finalidade de identificar as demandas mais urgentes das famílias desabrigadas.

O líder Victor Fernandes explicou a iniciativa em declaração ao SBT Paraná: “Um dia nós fomos ajudados pelo Brasil inteiro, então não tinha como não fazer alguma coisa. Nós viemos na frente para ver qual é a verdadeira necessidade das pessoas”. Ele acrescentou: “Estamos vendo que eles estão precisando de lona, telha. Então vamos fazer uma arrecadação agora para conseguir suprir as necessidades deles”.

Em publicação oficial da igreja, em suas redes sociais, a denominação afirmou: “Muitas famílias estão enfrentando tempos difíceis — e juntos, podemos levar esperança! Cada doação é uma semente de cuidado e solidariedade”. Para contribuições financeiras, a entidade informou a chave PIX: [email protected].

Situação das Áreas Atingidas

O fenômeno meteorológico que atingiu a região central do Paraná consistiu em três tornados, com ventos registrados de até 330 km/h. O saldo preliminar aponta seis óbitos e aproximadamente 750 pessoas feridas. De acordo com a Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa), 22 indivíduos permanecem hospitalizados.

Rio Bonito do Iguaçu, município de cerca de 14 mil habitantes, registrou os danos mais extensos. Estimativas indicam que 90% de sua área urbana foi destruída pelo tornado de categoria 3, que danificou severamente edificações residenciais, comerciais e públicas. A Igreja Assembleia de Deus local teve sua estrutura totalmente destruída, restando apenas quatro colunas do prédio original.

Sobre a cena local, Victor Fernandes registrou em vídeo: “A situação é de chorar mesmo. O que estamos vendo pela TV não se compara ao que realmente é pessoalmente. A impressão que a gente tem é que teve uma guerra aqui, que foi bombardeada”.

Diretor de ‘Segredos do Deserto’ quer uma chance ao filme

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O roteirista e diretor Lotfy Nathan afirma querer que o público veja Segredos do Deserto como um experimento artístico ousado, um “thriller sobrenatural” que explora os anos não registrados da juventude de Jesus.

Contudo, para a maior parte dos espectadores cristãos, o filme tende a ser percebido não como audacioso, mas como profundamente perturbador. A produção, estrelada por Nicolas Cage como José, FKA Twigs como Maria e Noah Jupe como um Jesus adolescente, reimagina a adolescência de Cristo como uma batalha psicológica e espiritual entre o bem e o mal.

O longa começa com soldados de Herodes queimando bebês em Belém numa tentativa de eliminar o recém-nascido Cristo. A Sagrada Família foge para o exílio, escapando das patrulhas romanas e enfrentando forças visíveis e invisíveis, até se estabelecer em uma aldeia remota no Egito.

Inspirado no Evangelho da Infância de Tomé — texto apócrifo rejeitado pela Igreja há séculos —, Nathan inclui cenas em que Jesus mata uma criança, ressuscita insetos e olha lascivamente para uma mulher nua antes de ser tentado por “A Estranha” (Isla Johnston), um demônio na forma de adolescente. Filmado na Grécia, o longa retrata os “anos perdidos” de Jesus em um tom sombrio e inquietante, recebendo elogios pela fotografia atmosférica e pela atuação intensa de Cage. No entanto, para os cristãos que consideram a impecabilidade de Jesus essencial à fé, a obra soa blasfema.

Nathan, cineasta britânico-americano nascido no Egito, reconheceu a controvérsia e disse compreender a curiosidade em torno de suas motivações. “Eles perguntam: ‘Existe algum tipo de agenda oculta?’ Mas com aqueles que assistiram ao filme, a conversa é mais matizada”, declarou.

O diretor relatou que a ideia surgiu após descobrir o Evangelho da Infância de Tomé, texto que apresenta o menino Jesus realizando milagres e atos de violência. “Eu consigo entender por que não é canônico”, afirmou. “É bem brutal, bem pesado.” Ainda assim, ele viu na obra um terreno fértil para exploração artística. “Não havia visto nenhum filme que abordasse a cronologia perdida do Novo Testamento. Essa era a época em que Jesus vivia sob anonimato, como filho de um carpinteiro”, explicou.

Em Segredos do Deserto, Nathan retrata um Messias adolescente que é humanamente vulnerável e moralmente ambíguo. “Existe um amplo espectro no cristianismo”, disse o diretor. “Minha família, como copta ortodoxa, certamente rejeitaria uma história que apresentasse Jesus com vulnerabilidade humana.” Para ele, no entanto, o objetivo não é provocar, mas explorar a vulnerabilidade humana no divino.

“Fiquei fascinado e me arrisquei ao pensar: ‘E se Jesus e Satanás tivessem se encontrado antes da tentação no deserto?’ Isso me interessou. Também me atraiu fazer um filme bíblico que alcançasse mais pessoas, ainda que com uma narrativa desafiadora”, declarou. Segundo Nathan, o processo foi “uma dança entre reverência e risco”.

A abordagem subverte a cristologia tradicional. Nos Evangelhos, Jesus é descrito como “sem pecado”; em Segredos do Deserto, ele é mostrado como confuso e tentado pelas trevas. Nathan contou que trabalhou com Katell Bethelot, acadêmica francesa especialista em judaísmo antigo, e defendeu que o horror faz parte do imaginário bíblico. “Se você olhar para a Bíblia objetivamente, esse seria o gênero. Está implícito”, argumentou.

Ele citou episódios do Antigo Testamento — pragas, julgamentos, assassinatos e manifestações demoníacas — como exemplos da tensão entre fé e medo. “Há resistência em ver dessa forma porque parece anti-higiênico. Mas isso é parte da beleza — algo tátil e vibrante, não polido e limpo”, disse.

Segredos do Deserto se soma à tradição de filmes que reinterpretam a figura de Cristo, como A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, e A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. Segundo críticos, o problema do longa de Nathan não está nas perguntas que faz, mas nas respostas que oferece, retratando Jesus como pecador.

Nathan descreve sua obra como uma reflexão sobre a condição humana, admitindo que cristãos devotos não a aceitarão. “A simples representação de Jesus como alguém com vulnerabilidade humana já é inaceitável para muitos. Não é permitido”, afirmou. “Não tento convencer ninguém. Para mim, é interessante e me faz sentir mais próximo da história — perceber que Jesus sofreu de outras formas além do físico.”

Apesar das críticas, o diretor espera que o filme alcance “um público religioso interessado na arte e na inspiração que ela oferece à narrativa bíblica”. Ele comparou sua abordagem à dramaticidade da Capela Sistina, dizendo: “Mostrar o lado sombrio é o que define o triunfo e o bem.”

Nathan rejeita a ideia de que a produção tenha sido marcada por “guerras espirituais”, apesar de relatos de que Nicolas Cage foi atacado por insetos no set. “Eu estava receoso ao entrar nesse projeto, mas só queria fazer tudo certo, pelo menos na minha opinião”, afirmou.

Para o cineasta, Segredos do Deserto reflete uma mudança cultural em Hollywood: Jesus continua a fascinar, mas cada vez mais como personagem reinterpretado, não reverenciado. Ainda assim, Nathan disse ter se sentido espiritualmente transformado pelo processo.

“De uma forma bizarra, ao escrever o roteiro, tive que escrever também para o diabo, porque o objetivo era caracterizar todos os personagens o máximo possível”, relatou. “No final, percebi que há uma visão sombria da humanidade que todos sentimos às vezes. Mas existem também as virtudes do perdão e do otimismo — e foi isso que absorvi. O reconhecimento do mal, mas a escolha de seguir em direção ao bem”.

De acordo com o The Christian Post, ele concluiu dizendo que o trabalho o levou a reler as Escrituras: “Eu me afastei da fé ao longo dos anos, mas este filme, de certa forma, me trouxe de volta e me fez acreditar novamente na história”.

Paquistão: cruzada resulta no batismo de dezenas de muçulmanos

Um grupo de ex-muçulmanos foi batizado no Paquistão após uma cruzada evangelística organizada pela missão brasileira One Passion Mission, que atua entre povos não alcançados. A cerimônia, realizada em um local seguro, reuniu dezenas de novos convertidos que decidiram abandonar o Islã e seguir a Cristo.

“O batismo aqui nessa região tem como consequência perder literalmente tudo; é uma decisão muito difícil para eles. Apesar da perseguição, estão aqui para confessar publicamente a fé no nome de Jesus”, explicou um missionário da organização em vídeo publicado no dia 13 de novembro, no Instagram. “O peso do batismo aqui é enorme, mas nós cremos que o Senhor vai sustentá-los, vai protegê-los e vai guiá-los até a eternidade.”

Mesmo sob risco de perseguição religiosa e rejeição familiar, os novos cristãos decidiram professar publicamente a fé. “Isso é avivamento em terra seca! Isso é o poder do Espírito Santo rompendo cadeias! Os campos estão brancos, continuamos avançando entre os povos não alcançados e perseguidos, saqueando o inferno e povoando o Céu”, afirmou a One Passion Mission em comunicado. Após o batismo, os convertidos passarão por discipulado e deverão formar uma nova igreja na região.

Povos não alcançados

No último final de semana, a missão brasileira realizou uma grande cruzada evangelística no Paquistão, com foco em comunidades que nunca haviam ouvido o Evangelho. O evento começou com um encontro infantil, no qual crianças receberam mensagens sobre a salvação em sua própria linguagem. “Muitos pequeninos entregando suas vidas a Cristo, e também muitos adultos tocados pelo Espírito Santo. Já na Cruzada Kids, muitos estão recebendo Jesus como Senhor e Salvador”, relatou a organização.

Em seguida, foi realizada a cruzada para adultos, que atraiu multidões de paquistaneses interessados em ouvir a mensagem cristã. A missão destacou as dificuldades enfrentadas para organizar o evento em um contexto de instabilidade e perseguição religiosa. “Enfrentamos grandes desafios, protestos em várias regiões do país, pessoas morrendo, cristãos sendo perseguidos e chegamos a pensar que não seria possível realizar a cruzada. Mas, pela graça de Deus, nós avançamos, crendo em uma grande colheita”, declarou o grupo.

De acordo com a One Passion Mission, milhares de pessoas ouviram sobre Jesus pela primeira vez e decidiram entregar suas vidas a Ele. A missão relatou ainda que muitos participantes foram curados e libertos de opressões espirituais durante as reuniões. “Jesus se manifestou de maneira sobrenatural. A obra da cruz e o poder do nome de Jesus não cessaram; continuam os mesmos”, afirmou a organização.

O movimento missionário, formado majoritariamente por brasileiros voluntários, tem ampliado suas ações no Oriente Médio e no sul da Ásia, com o propósito de alcançar povos perseguidos e regiões onde o cristianismo é proibido ou restrito, promovendo ajuda humanitária, discipulado e evangelismo transcultural.

Mauro Henrique anuncia que esposa está 100% livre do tumor

O cantor gospel Mauro Henrique, ex-vocalista da banda Oficina G3, anunciou que sua esposa, Carine Bastos, está livre do câncer. Eles haviam recebido o diagnóstico em abril deste ano, após a descoberta precoce durante uma sessão de depilação a laser.

“Dia maravilhoso, dia perfeito. Depois do meu aniversário, agora pra completar o aniversário e presente de Natal pra mim e pra Chu: a gente está aqui com a doutora Isabel e ela acabou de nos dar a notícia maravilhosa do ano, da vida: o tumor da Chuchu simplesmente foi embora, 100%”, contou Mauro Henrique, ao lado da esposa e da médica que acompanhou o tratamento.

Em abril, quando Mauro Henrique compartilhou a notícia, destacou que a precocidade do diagnóstico foi considerada importante para que a expectativa de cura fosse alta. “Se ela não tivesse feito uma mera depilação a laser na axila, que ela ganhou na academia, ela jamais teria descoberto esse câncer. A própria médica falou: ‘Se fosse daqui a seis meses, você ia ter outro resultado’”, disse o cantor na ocasião.

Agora, sem esconder a felicidade pela boa notícia, Mauro agradeceu a intercessão de todos que acompanham sua carreira musical: “A gente está aqui extasiado. Estou passando pra agradecer a todos vocês que oraram, que torceram, que não param de mandar mensagens […] Enfim, um alívio que chegou”.

A médica responsável pelo acompanhamento do caso de Carine afirmou que o caso da esposa de Mauro Henrique teve uma resposta positiva considerada rara: “Acima do nosso esperado. Tinha bastante doença e ela conseguiu, com o tratamento, antes mesmo da cirurgia, exterminar toda a doença. Isso foi incrível. A gente sabia que tinha respondido bem, mas foi ainda além das nossas expectativas”.

Ao final do vídeo, o cantor mais uma vez reiterou a alegria pela superação da doença: “A gente ficava brincando que quando chegasse a hora da cirurgia, não ia encontrar nada. E foi mais ou menos isso. Foi mais ou menos isso. Ou seja, a doença já não existia mais. Enfim, agora a gente tá aqui comemorando”.

O caso de Carine ganhou ainda mais peso emocional para Mauro por causa do histórico pessoal do cantor, que em 2010 perdeu sua primeira esposa, Jakylene Dantas, em decorrência de um câncer no pulmão e na coluna cervical.

Pastor que denunciou mortes na Nigéria sofre ameaças

O pastor nigeriano Ezekiel Dachomo vive sob ameaças constantes de morte após denunciar, de dentro de uma vala comum, o genocídio contra cristãos em seu país e pedir ajuda internacional. O líder afirmou ter sido incluído em uma lista de pessoas marcadas para morrer.

“Minha vida está em grave risco. Já não consigo dormir tranquilo”, declarou Dachomo a jornalistas em Jos, no dia 24 de outubro. “Já fui atacado antes, mas escapei”, alertou o pastor, que desde 2018 vem apelando por ajuda.

As ameaças começaram depois da divulgação, em 15 de outubro, de um vídeo no qual o pastor aparece ao lado dos corpos de pelo menos 12 cristãos assassinados em aldeias da região de Barkin Ladi, no estado de Plateau. Segundo Dachomo, as vítimas foram mortas por extremistas fulanis.

No registro, ele critica o governo nigeriano por negar a existência de genocídio contra cristãos e apela diretamente aos Estados Unidos, ao Senado norte-americano e à ONU. “O governo diz que não há genocídio, mas olhem para estes corpos”, afirmou. “Peço ao presidente Trump que intervenha na Nigéria, assim como agiu no conflito entre Israel e Hamas. Cristãos estão sendo massacrados”.

Dachomo, que preside a Igreja de Cristo nas Nações (COCIN) na região, disse ter se tornado alvo tanto de extremistas quanto de oficiais militares, os quais o acusam de “incitar a população” por questionar a falta de resposta das forças de segurança. “Eles é que incitam a violência ao se recusarem a prender os agressores”, denunciou. “Chegou ao ponto de precisarmos recorrer à autodefesa; caso contrário, o nome de Jesus será silenciado em nossa terra”.

O pastor relata receber ligações e mensagens ameaçadoras todos os dias, inclusive pelas redes sociais. Apesar disso, afirma que gravou o vídeo também como registro histórico, “para que as próximas gerações vejam como os cristãos foram perseguidos”.

Ameaças com prazo

Relatos locais indicam que extremistas teriam estabelecido uma data para matá-lo. Em resposta, Dachomo gravou um novo vídeo declarando estar preparado para morrer por sua fé: “Se me sequestrarem, ninguém deve pagar resgate. Se eu morrer, meu sangue será semente para a libertação dos cristãos”, disse.

Um representante do Exército nigeriano visitou sua igreja e prometeu proteção. Enquanto isso, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou publicamente considerar uma intervenção militar na Nigéria e o corte de ajuda internacional caso o governo não tome medidas concretas.

Paralelamente, líderes cristãos do estado de Borno divulgaram um documento detalhando anos de ataques, destruição e deslocamentos forçados na região de Gwoza, um dos epicentros da violência jihadista. A resposta foi motivada pela declaração de um senador muçulmano que havia negado a existência de genocídio contra cristãos.

Antes da insurgência do Boko Haram, iniciada em 2009, Gwoza possuía 176 grandes igrejas. Hoje, 148 foram queimadas e permanecem em ruínas. O documento denuncia ainda que cristãos enfrentam restrições para construir templos, enquanto mesquitas são erguidas livremente, e que o ensino religioso cristão foi retirado das escolas públicas.

A crise humanitária também é grave. Segundo o relatório, 107 mil cristãos de Gwoza vivem em acampamentos de deslocados, 50 mil estão refugiados em casas de parentes em outras cidades, e muitos permanecem fora de suas casas há mais de uma década. “Esses ataques não são isolados. Há um padrão claro sendo ignorado”, afirmam os líderes. “Pedimos verdade, responsabilidade e ação”.

Nigéria entre hostis

A Lista Mundial da Perseguição 2025, divulgada pela Portas Abertas, classifica a Nigéria como um dos países mais perigosos do mundo para cristãos. O relatório aponta que, das 4.476 mortes de cristãos registradas globalmente no último ano, 3.100 ocorreram na Nigéria.

Os ataques de grupos fulanis, do Boko Haram e do ISWAP continuam em crescimento, enquanto sequestros por resgate se tornaram frequentes. A violência já se espalha para o sul do país, com a atuação do grupo jihadista Lakurawa, ligado à Al-Qaeda e armado com tecnologia militar avançada.

Embora a etnia Fulani seja majoritariamente pacífica, relatórios internacionais indicam que facções radicais adotaram estratégias semelhantes às de organizações jihadistas, atacando cristãos e símbolos da fé.

Atualmente, a Nigéria ocupa a 7ª posição na lista da Portas Abertas entre os 50 países onde é mais difícil ser cristão.

Pastores brasileiros treinam líderes no Quênia: ‘Somar forças’

Em uma das regiões mais desafiadoras da África, onde mais de 90% dos pastores fora da capital nunca tiveram acesso a treinamento ministerial, um grupo de líderes cristãos brasileiros viajou ao Quênia com um propósito definido: capacitar, inspirar e servir. A missão reuniu representantes da Igreja Relevans, da Igreja da Cidade e da Rede Inspire em uma jornada de impacto espiritual e social.

Durante vários dias, os missionários promoveram treinamentos voltados à formação ministerial, encontros com lideranças locais e ações sociais, que incluíram a distribuição de alimentos e cestas básicas em comunidades da capital e também em aldeias no interior de Nairóbi. Em áreas onde a falta de estrutura e recursos é ainda mais severa, o grupo buscou oferecer ferramentas práticas e sustentáveis para o fortalecimento das igrejas locais, ajudando pastores a desenvolverem seus ministérios com excelência, propósito e visão de longo prazo.

Entre os participantes estiveram o pastor Tiago Suguihara, da Igreja Relevans, e o pastor Marcos Madaleno, da Igreja da Cidade, além de outros líderes comprometidos com o fortalecimento da igreja africana.

“Em cada rosto vimos uma fé viva e uma sede genuína por aprender. Essa viagem não foi sobre o que levamos, mas sobre o quanto recebemos em troca — a simplicidade, a força e a esperança de um povo que serve com o que tem. Nosso propósito é somar forças com o que Deus já está fazendo neste continente e deixar mais do que palavras: queremos deixar estrutura, conhecimento e fé prática”, afirmou o pastor Tiago Suguihara, conforme informado pelo Guia-me.

Um dos aspectos mais marcantes observados pela equipe foi a cultura de serviço comunitário que acompanha a expansão das igrejas locais. Antes mesmo da construção de um templo, o primeiro passo é perfurar um poço de água potável para atender à comunidade. O gesto simboliza o princípio de que o evangelho começa pelo cuidado com as pessoas, uma fé que se manifesta em ações concretas e transformadoras.

De acordo com o censo nacional, cerca de 85,5% da população queniana se identifica como cristã. Ainda assim, o país figura entre os locais onde a perseguição religiosa persiste. O relatório da Portas Abertas de 2025 coloca o Quênia na 51ª posição da Lista Mundial da Perseguição, observando que, embora o cristianismo seja majoritário, convertidos do islã e comunidades minoritárias enfrentam riscos em determinadas regiões.

Missionários morrem em acidente de avião a caminho da Jamaica

Dois missionários cristãos que morreram em um acidente de avião enquanto levavam ajuda humanitária à Jamaica após a passagem do furacão Melissa estão sendo lembrados por sua compaixão e dedicação ao serviço cristão, enquanto as investigações sobre a causa do acidente seguem em andamento.

O ministério Ignite the Fire informou, em uma publicação no Facebook na segunda-feira (11 de novembro), que seu fundador, Alexander Wurm, de 53 anos, e sua filha Serena, de 22, morreram no acidente ocorrido em Coral Springs, Flórida, na manhã do mesmo dia. Pai e filha estavam a caminho da Jamaica para auxiliar nas ações de recuperação da ilha, devastada duas semanas antes pelo furacão de categoria 5.

“Alexander, conhecido por sua cordialidade e bondade inabalável, dedicou sua vida a servir aos outros — tanto por meio de suas ações quanto compartilhando o evangelho de Jesus ao redor do mundo”, diz o comunicado. “Ao longo de sua vida, Alex viajou muito, alcançando diversos países e continentes, onde trabalhou incansavelmente para levar fé, compaixão e apoio aos necessitados. Seu legado de fé e amor tocou inúmeras vidas”.

Fundada por Wurm, a Ignite the Fire tem como missão “capacitar jovens por meio de missões e evangelização em todo o Caribe”, incentivando o voluntariado, a liderança e o envolvimento comunitário. Ele deixa a esposa Candace e os filhos Christiana, de 20 anos, e James, de 17.

Em homenagem, o ministério afirmou que Wurm se doava “não apenas de seu tempo ou dinheiro, mas de si mesmo, sempre pronto para ouvir e estender a mão”. O comunicado prossegue: “Como professor, possuía uma habilidade extraordinária de explicar verdades difíceis de forma compreensível. E além de todos os papéis — marido, pai, amigo, conselheiro e mentor — era alguém que acolhia com graça e compreensão. Que seu amor e sabedoria continuem a ecoar em tudo o que fizermos”.

A organização também destacou o legado de Serena Wurm, descrita como um “farol de empatia e esperança, comprometida com o serviço humanitário”. Sua “jornada final para a Jamaica devastada pelo furacão personificou altruísmo e coragem, lembrando-nos do poder do amor e da entrega ao próximo”.

Uma publicação anterior de Alexander Wurm em sua conta pessoal mostrava que a Ignite the Fire já havia prestado auxílio à Jamaica logo após a tempestade, transportando geradores, lonas, baterias, sistemas de comunicação Starlink e outros suprimentos “extremamente necessários” para as regiões atingidas.

O Departamento de Polícia de Coral Springs divulgou detalhes adicionais sobre o acidente, ocorrido na manhã de segunda-feira. As autoridades trabalham em conjunto com a Administração Federal de Aviação (FAA), o Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB) e o Gabinete do Xerife do Condado de Broward para determinar as causas da queda da aeronave.

O reverendo Franklin Graham, presidente da organização cristã Samaritan’s Purse, que também atua na ajuda à Jamaica, publicou uma mensagem no X pedindo orações pela família Wurm. Ele escreveu que “o Senhor os conforte, ajude e ampare neste momento de dor”.

Moradores de Coral Springs realizaram uma vigília de oração na noite de terça-feira (12 de novembro) em memória das vítimas. “Estamos devastados”, afirmou um residente à emissora WPLG. “Tenho certeza de que a família deles também está”.

O furacão Melissa, que atingiu a Jamaica em 28 de outubro, registrou ventos de até 298 km/h, sendo classificado como a tempestade mais forte da história do país. O fenômeno destruiu 90% dos telhados da cidade costeira de Black River e deixou grande parte da ilha sem energia elétrica.

Mais Igrejas Batistas são proibidas na Rússia em meio à repressão

Tribunais russos proibiram mais três igrejas batistas afiliadas ao Conselho de Igrejas Batistas na região de Krasnodar, no sul da Rússia, em meio a uma repressão crescente contra congregações não registradas em diversas partes do país.

As igrejas localizadas em Timashyovsk, Armavir e Tuapse foram impedidas de realizar cultos e demais atividades religiosas, a menos que notifiquem formalmente as autoridades, algo que a denominação se recusa a fazer por princípio.

O Conselho de Igrejas Batistas, fundado durante a era soviética, sustenta que o registro religioso representa interferência e controle estatal sobre a fé, contrariando a Constituição e as leis russas.

Em 13 de outubro, o Tribunal Distrital de Timashyovsk decidiu pela proibição das atividades da igreja local após uma inspeção realizada em junho, quando funcionários do governo entraram no templo durante um culto e questionaram o pastor Andrey Antonyuk sobre a situação legal da congregação. A ação civil foi movida em julho pelo promotor local, que exigiu a suspensão das atividades até que a igreja apresentasse a notificação de funcionamento. Segundo o Departamento de Intercessão do Conselho, a decisão não apontou violações graves ou reincidentes que justificassem a medida.

Situação semelhante ocorreu em Armavir, onde o tribunal municipal atendeu, em 30 de setembro, a um pedido do Ministério Público alegando que o pastor Vladimir Popov liderava cultos religiosos sem a devida autorização estatal e que a congregação configurava uma associação religiosa não registrada. O tribunal citou multas anteriores aplicadas ao pastor por conduzir cultos e a outro membro da igreja por distribuir jornais religiosos, utilizando esses episódios como base para a decisão.

Já em 22 de setembro, o Tribunal da cidade de Tuapse determinou a proibição das atividades da congregação batista local após um relatório do Serviço Federal de Segurança (FSB) alegar que o grupo realizava eventos religiosos com menores e visitantes de outras regiões e países. O pastor Anatoly Mukhin já havia sido multado anteriormente por supostas atividades missionárias ilegais, como a distribuição de literatura religiosa e a condução de cultos sem aviso prévio ao Estado.

A organização norte-americana International Christian Concern (ICC), que monitora casos de perseguição religiosa, explicou que uma igreja proibida judicialmente fica impedida de se reunir em qualquer local dentro do município, não apenas em seu endereço principal. “O motivo pelo qual essas igrejas optam por não se registrar reside em seu propósito fundamental”, afirmou a ICC em comunicado, de acordo com o The Christian Post.

“O Conselho de Igrejas Batistas foi criado durante a Guerra Fria para resistir ao controle soviético sobre suas congregações, ao contrário das igrejas registradas, rigidamente regulamentadas pelo Estado. Embora o Conselho tenha continuado suas atividades após a queda da União Soviética, seus cultos ocorrem apenas em residências particulares ou propriedades privadas”.

Com as novas decisões, o número total de igrejas batistas do Conselho proibidas de operar na Rússia chegou a dez, todas desde o início de 2024. A maior parte das ações judiciais ocorreu na região de Krasnodar, mas casos semelhantes foram registrados também em Mari El, Ulyanovsk, Amur e Yamalo-Nenets.

Ed René critica cultos do Dunamis na USP e Téo Hayashi reage

Ed René Kivitz, ex-pastor presidente da IBAB, teceu críticas ao movimento Dunamis pela realização de um culto na Cidade Universitária, principal campus da Universidade de São Paulo (USP), afirmando que a fé deve ser uma prática “privada”. Em resposta, o pastor Téo Hayashi gravou um vídeo contra-argumentando.

A fala de Ed René Kivitz ocorreu durante uma pregação na Igreja Batista de Água Branca, quando afirmou que o evento organizado pelo Dunamis na USP foi um teatro religioso: “A ocupação da arena pública da USP pela juventude evangélica cantando louvores, denunciando que a USP é de Jesus e que o diabo não tem mais vez na USP… parem com o teatro religioso”.

Na visão de Kivitz, a fé deve ser uma prática privada. A defesa feita pelo polêmico pregador contraria, na essência, a grande comissão feita por Jesus a seus discípulos para pregarem o Evangelho a pessoas de todas as nações: “Parem de transformar a religião em espetáculo público. Religião não é espetáculo público. Religião é experiência particular e privada, comunitária. Ritual religioso, celebração religiosa, prática religiosa acontece daquela porta pra cá. Na rua, é justiça. Aqui, é oração. Na praça, é pão para o faminto. Aqui, é louvor e e cantoria. Aqui, a gente levanta a mão. Lá, a gente estende a mão. Mas está invertido”, declarou o ex-presidente da IBAB.

Resposta

Hayashi respondeu a Kivitz em um vídeo compartilhado nas redes sociais destacando o caráter evangelístico da ação do Dunamis na USP, e pontuando que o raciocínio de Kivitz sobre o texto do livro de Amós está descontextualizado.

“Foi uma noite de evangelismo, com diversas pessoas renovando suas alianças com Cristo, e também até pessoas que foram curadas de enfermidades pelo poder do Espírito Santo. Então, eu sei, você que está aqui assistindo, é um cristão, provavelmente você está celebrando aí do outro lado da tela, assim como eu, pelo fato de nós termos mais de mil jovens cristãos orando e profetizando no que seria, talvez, a universidade mais influente do país hoje”, introduziu Hayashi.

Destacando que “o Estado é laico e o Estado não é laicista”, o líder do Dunamis ponderou que “se outras religiões quiserem fazer ajuntamentos lá na USP de maneira voluntária, que o façam, o Estado permite isso”.

“Surpreendentemente, vimos aí um ajuntamento cristão dessa magnitude, na USP, sendo criticado por quem? Por pastores. […] Algo fundamental pra gente entender [as Escrituras] é o que a Bíblia está dizendo no contexto. Afinal, sem contexto, qualquer texto pode ter qualquer significado. Então, o pastor do vídeo tenta usar o trecho de Amós 4, de 4 a 5 pra dizer que as manifestações públicas de fé, como a que aconteceu lá na USP, são um mero teatro religioso. Ele faz a comparação com o livro de Amós ao teatro religioso de Israel, que era vazio e que não deveria acontecer”, acrescentou o pastor.

Hayashi também refutou acusações implícitas na fala de Kivitz: “Ele até insinua que é uma tentativa de se exibir, de aparecer. E a única expressão pública de fé que seria válida, no caso disso, é a expressão de boas obras aos necessitados que estão fora do templo. Então, ele diz, ‘levantar as mãos, fazer oração’ – ele até fala ‘cantoria’, e chama isso tudo de ritual religioso – tudo isso deveria se limitar ao contexto privado, ele está dizendo, não ao espetáculo público. Porém, ele está perdendo completamente o ponto central do que Deus está dizendo aí no livro de Amós”.

“Amós não está denunciando os rituais públicos que Israel está fazendo. Sua denúncia, na verdade, é contra a hipocrisia de Israel. Israel demonstra uma fé em público que não é condizente com a ausência de boas obras da parte deles, de Israel. Isso faz com que suas ofertas, seus cultos, sua adoração se tornem vazios. Porém, isso não significa que essas manifestações públicas de fé sejam erradas ou que elas devem ser consideradas um teatro ou uma tentativa de aparecer”, argumentou o pastor do Dunamis.

Ao final de sua colocação, Hayashi enfatiza que “é possível você ter as duas coisas, uma fé pública, e você realmente andar e viver a tua pregação”.

“Essa conclusão que é uma distorção do texto bíblico. Nada mais é uma distorção para encaixar uma narrativa própria, particular da pessoa e com viés ideológico […] Lucas 10.38: ‘Bendito é o rei que vem no nome do Senhor, paz no céu e glória nas alturas. Alguns dos fariseus que estavam no meio da multidão disseram a Jesus: ‘Mestre, repreende os teus discípulos’. E Jesus… olha que ele responde: ‘Se eles se calarem, as pedras clamarão’. Isso é só para a gente pensar um pouquinho”, finalizou Téo Hayashi.

Eli Soares vence o Grammy com o álbum ‘Memóri4s Ao Vivo’

O cantor Eli Soares venceu, na quinta-feira (13 de novembro), o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa, realizado em Las Vegas (EUA), com o disco “Memóri4s (Ao Vivo)”. Ele disputou a categoria com Ton Carfi, Paloma Possi, Resgate e Julliany Souza.

A premiação reuniu artistas de estilos variados. Entre os indicados estavam “Ton Carfi 20 Anos (Ao Vivo)”, de Ton Carfi; “Razão da Esperança”, de Paloma Possi; “Onde Guardamos as Flores?”, do grupo Resgate; e “A Maior Honra”, de Julliany Souza.

Esta é a oitava indicação consecutiva de Eli Soares ao Grammy Latino e seu terceiro troféu na categoria. O cantor já havia vencido em 2022 e 2023, também com álbuns de música cristã em português. Antes disso, acumulava cinco indicações por trabalhos lançados entre 2016 e 2024.

Natural de Belo Horizonte (MG), Eli Soares se consolidou como um dos principais nomes da música cristã contemporânea. Com uma carreira marcada por sucessos e colaborações, o artista já lançou 11 álbuns, possui mais de 1,6 milhão de ouvintes mensais no Spotify e ultrapassa 728 milhões de visualizações no YouTube.

Língua espanhola

Na categoria Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Espanhola, o prêmio foi concedido a Marcos Witt, com o disco “Legado”. Ele superou Marco Barrientos, Christine D’Clario, Israel & New Breed e Marcos Vidal, que também concorriam na categoria.