Irã: ‘Cumprimento de profecias sobre o fim dos tempos? Sim e não’

Diante dos recentes ataques aéreos de Israel contra instalações nucleares iranianas, líderes cristãos evangélicos nos Estados Unidos voltaram a levantar reflexões sobre o possível cumprimento de profecias relacionadas ao fim dos tempos.

Pastores e especialistas em escatologia bíblica têm chamado atenção para o momento atual, sugerindo que os acontecimentos no Oriente Médio podem representar marcos importantes na linha do tempo profética.

O evangelista Greg Laurie, da Harvest Christian Fellowship, publicou no fim de semana uma mensagem de alerta direcionada a cristãos sobre a gravidade dos desdobramentos envolvendo Israel e Irã: “Este é um assunto muito sério, e os estudantes da Bíblia devem prestar muita atenção”, afirmou.

“O regime iraniano há muito apoia o terrorismo em todo o mundo — especialmente contra Israel. Eles vêm desenvolvendo armas nucleares há algum tempo, e seus líderes têm repetidamente ameaçado usá-las para ‘varrer Israel da face da Terra’.”

Laurie orientou os fiéis a responderem com oração e vigilância espiritual: “Devemos estar em oração e caminhar em estreita colaboração com o Senhor. Estes são tempos perigosos, e precisamos de discernimento espiritual, coragem e fé mais do que nunca”.

Em sua postagem, Laurie observou que, embora os eventos atuais não constituam o cumprimento direto de uma profecia bíblica específica, eles podem representar sinais antecipatórios. “Como esta nova fase do conflito se alinha com Israel e o Irã na profecia bíblica? Este momento é o cumprimento de uma profecia específica sobre o fim dos tempos? Sim e não”, escreveu.

Ele explicou que a dispersão e posterior reunião do povo de Israel, concretizada em 14 de maio de 1948, é vista como o “supersinal” profético que deu início a um novo tempo na escatologia cristã.

Referindo-se ao livro de Ezequiel, Laurie declarou: “As Escrituras predizem que, nos últimos dias, uma grande coalizão do norte — incluindo a Pérsia (atual Irã) — se levantará contra Israel (ver Ezequiel 38–39). Embora o que estamos vendo hoje não seja o cumprimento pleno dessa profecia, certamente é um prenúncio”.

O evangelista concluiu sua mensagem com um apelo à oração: “Hoje, oramos para que Deus os proteja, que Deus os guie, e vamos todos nos certificar de que estamos prontos para encontrar o Senhor — porque, bem, Ele pode voltar a qualquer momento”.

Pontos de vista

Outros líderes cristãos também fizeram reflexões similares. Steve Myers, apresentador do programa Beyond Today, fez referência ao livro de Apocalipse para interpretar os recentes movimentos como parte de um cenário escatológico. “As Escrituras ensinam que haverá uma aliança de nações que se voltará contra Israel nos últimos dias. O Irã está ligado ao rei do sul, uma aliança de nações que enfrentará Israel e se oporá a uma aliança do norte nos últimos dias”, explicou, de acordo com a CBN News.

Myers associou os eventos à profecias de Apocalipse 16, que menciona um confronto global nos tempos finais: “Estas não são apenas palavras antigas. São avisos e sinais de alerta”, afirmou. Ele encorajou os ouvintes a buscar uma aproximação sincera com Deus. “Agora é a hora de se aproximar de Deus com sinceridade para buscar a Sua verdade e obedecer aos Seus mandamentos. Se você não O conhece de verdade […] não é tarde demais para aprender. Abra a sua Bíblia, busque os verdadeiros ensinamentos de Deus e alinhe-se com a Sua vontade enquanto ainda há tempo”.

Já o pastor John Hagee, fundador da organização Cristãos Unidos por Israel (CUFI), defendeu publicamente a ofensiva militar israelense, comparando-a a ações anteriores contra reatores nucleares do Iraque e da Síria. “O que Israel está fazendo, assim como quando destruiu os reatores nucleares do Iraque e da Síria, é proteger não apenas o estado judeu, mas todo o mundo livre”, declarou.

Segundo Hagee, o ataque deve ser visto dentro de um contexto de defesa da liberdade religiosa e política. “Devemos honrar nossos princípios de fé e o legado de enfrentar o mal e apoiar a liberdade. […] O futuro do Irã como uma força maligna no Oriente Médio está agora em questão. Somente o povo do Irã pode retomar o país, mas Israel abriu as portas para eles e deu ao mundo espaço para respirar”, concluiu.

A chamada “Operação Leão Ascendente”, nome atribuído à ofensiva israelense, foi interpretada por líderes cristãos como um possível novo marco nos desdobramentos que antecedem a Segunda Vinda de Cristo. Ao mesmo tempo, observadores de profecias bíblicas continuam a reforçar a importância de vigilância espiritual, sem afirmar de forma conclusiva que tais eventos constituam o cumprimento final das profecias do Apocalipse.

Trump faz promessa ao ditador do Irã em troca de rendição

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira, 17 de junho, por meio de sua conta na rede Truth Social, que não pretende ordenar a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, “pelo menos por enquanto”. Na mesma publicação, Trump exigiu a “rendição incondicional” por parte do regime iraniano.

“Sabemos exatamente onde o chamado ‘Líder Supremo’ está escondido. Ele é um alvo fácil, mas está seguro lá. Não vamos eliminá-lo (matá-lo!), pelo menos não por enquanto”, afirmou o presidente norte-americano. Em seguida, completou: “Mas não queremos mísseis disparados contra civis ou soldados americanos. Nossa paciência está se esgotando. Agradecemos a sua atenção a este assunto!”.

Em declarações anteriores, também pela Truth Social, Trump havia afirmado que busca um “fim real” para o conflito entre Irã e Israel, sem detalhar que tipo de acordo estaria disposto a aceitar. “Um fim, um fim real, não um cessar-fogo. Um fim. Ou desistir completamente. Isso também está bom”, escreveu o presidente, ao ser questionado sobre o que consideraria mais adequado que um cessar-fogo.

As declarações ocorrem em meio à crescente tensão entre Teerã e Tel Aviv, intensificada após trocas de ataques. No mesmo dia, o ministro da Defesa de Israel, Yisrael Katz, afirmou que o aiatolá Khamenei pode ter um destino semelhante ao de Saddam Hussein, ex-presidente do Iraque, que foi capturado por tropas norte-americanas em 2003, julgado e executado em 2006. “Esse pode ser o fim dele também”, afirmou Katz, sem citar diretamente qual ação estaria em curso.

Ainda nesta terça-feira, Trump garantiu que forças israelenses, com apoio dos Estados Unidos, teriam assumido o controle do espaço aéreo iraniano. “Agora temos controle total e completo dos céus do Irã. O Irã tinha bons rastreadores aéreos e outros equipamentos defensivos, e muitos deles, mas não se comparam aos ‘objetos’ concebidos e fabricados pelos Estados Unidos”, escreveu.

Até o momento, não houve resposta oficial do governo iraniano às declarações de Trump. O aiatolá Ali Khamenei, que ocupa o cargo máximo do regime teocrático desde 1989, raramente se manifesta diretamente sobre chefes de Estado estrangeiros. O clima na região permanece tenso, com alertas de segurança emitidos por diversos países para suas embaixadas e cidadãos no Oriente Médio.

Líder muçulmano relata sonho com homem de branco: “Era Jesus”

Durante trabalho evangelístico em comunidades rurais do Egito, missionários da organização Uncharted Ministries relataram um episódio incomum envolvendo Ahmed, líder muçulmano de uma mesquita local. O caso ocorreu após campanhas em cidades como Cairo, Alexandria e Luxor, e em aldeias ao longo do Rio Nilo.

Ahmed, identificado por um calo escuro na testa – marca física de décadas de orações islâmicas –, abordou o missionário Rahman durante sua visita à aldeia. Segundo testemunho da Uncharted, o líder declarou:

“Ah, você é Rahman. Exatamente o homem que estou procurando. Por favor, me diga o significado do meu sonho ontem à noite”. Rahman solicitou detalhes, ao que Ahmed respondeu:

“Ontem à noite, um homem vestido de branco brilhante veio até mim em um sonho. Ele disse: ‘Eu sou Jesus Cristo’. Eu não sei quem é, então pedi a Ele que me contasse mais sobre si mesmo. O homem de branco disse: ‘Amanhã você encontrará um homem chamado Rahman e ele lhe contará tudo sobre mim’. Então, Rahman, quem é Jesus?”.

Desdobramentos

Rahman explicou os fundamentos do cristianismo ao líder muçulmano, que então convidou a equipe para sua residência. Durante o encontro, Ahmed, sua esposa, filha e irmã decidiram aceitar a fé cristã, conforme confirmado pela Uncharted Ministries em comunicado oficial.

A organização destacou a coincidência temporal: “Jesus disse a Ahmed para falar com o membro da nossa equipe, Rahman, que estava ministrando em sua aldeia no dia seguinte – o que configura um evento extraordinário”.

A Uncharted Ministries atua em países de maioria muçulmana onde cristãos enfrentam perseguição. Casos de conversões atribuídas a sonhos ou visões têm sido documentados por várias agências missionárias no Oriente Médio, embora estatísticas oficiais sejam inexistentes devido à natureza sensível do tema.

O Egito, onde cristãos coptas constituem cerca de 10% da população, mantém leis que restringem proselitismo religioso, embora a liberdade de crença seja nominalmente garantida pela Constituição. Com: CBN News.

Cristãos protestam após Reino Unido descriminalizar aborto

A Câmara dos Comuns do Reino Unido aprovou por 379 votos a 137 uma emenda que descriminaliza o aborto na Inglaterra e no País de Gales em qualquer estágio da gestação, incluindo até o nascimento.

A medida foi votada na última terça-feira, 17 de junho, e ainda precisa ser avaliada pela Câmara dos Lordes para se tornar definitiva. A proposta foi apresentada pela deputada trabalhista Tonia Antoniazzi no âmbito do Projeto de Lei de Justiça Criminal.

Segundo a deputada, a emenda garante que nenhuma mulher enfrente investigações, processos ou penas de prisão em razão de qualquer circunstância relacionada à sua gravidez.

Atualmente, o aborto no Reino Unido é permitido até a 24ª semana de gestação. Após esse prazo, pode ser realizado apenas em situações específicas, como risco à vida da gestante. A legislação penal vigente prevê sanções para quem realizar ou auxiliar abortos fora desses critérios, incluindo profissionais de saúde.

Críticas de evangélicos

A decisão gerou forte reação entre líderes e organizações cristãs no Reino Unido. A Both Lives UK, iniciativa ligada à Aliança Evangélica do Reino Unido (EAUK), declarou que a aprovação representa “um fracasso trágico” no que diz respeito à proteção da mulher e do nascituro.

“O aborto deve permanecer dentro do direito penal porque envolve o fim deliberado de uma vida humana. Remover ambas as vidas durante a gravidez do direito penal coloca ambas em risco”, afirmou Dawn McAvoy, coordenadora da Both Lives UK. Para ela, a medida pode facilitar a prática de abortos perigosos fora do ambiente clínico. “Isto não é assistência médica, isto é abandono”, concluiu, de acordo com informações do Evangelical Focus.

Peter Lynas, diretor da EAUK, comentou em sua conta no X (antigo Twitter) que a decisão torna o Reino Unido “um dos lugares menos seguros do mundo para o feto”. Ele acrescentou: “Esta votação abre caminho para o aborto seletivo por sexo até o nascimento. O Secretário de Justiça tem razão em chamá-lo de extremo”.

“Desconsidera o bebê”

O CEO da Aliança Evangélica, Gavin Calver, também lamentou a decisão, afirmando estar “muito decepcionado” com a aprovação da descriminalização.

Danny Webster, diretor de advocacy da EAUK, alertou para as possíveis consequências legais e sociais da mudança. “A gravidez envolve duas vidas: a da mãe e a do bebê, e nosso sistema precisa funcionar para ambas. Essa mudança desconsidera o status legal do bebê, em qualquer momento da gravidez, e deixa a mulher muito mais vulnerável à coerção e a abortos perigosos”, disse.

Próximos passos

A emenda segue agora para a Câmara dos Lordes, onde poderá ser aprovada, rejeitada ou sofrer modificações. Caso aprovada sem alterações, a mudança será incorporada ao Projeto de Lei de Justiça Criminal e passará a ter efeito legal após sanção final.

O debate em torno da descriminalização do aborto no Reino Unido ocorre em meio a tensões a respeito do tema ao redor do mundo. Segundo dados do Serviço Nacional de Saúde (NHS), mais de 200 mil abortos foram realizados na Inglaterra e no País de Gales em 2022, a maioria antes da 10ª semana de gestação.

Junta de Missões Mundiais evangeliza através da educação infantil

O Programa de Educação Pré-Escolar (PEPE), iniciativa da Junta de Missões Mundiais em 32 países, tem registrado casos de impacto social em que crianças de 4 a 6 anos se tornam agentes de mudança em seus lares. Carmen Lígia, missionária e coordenadora do PEPE nas Américas, relatou três episódios ocorridos em unidades do Panamá e El Salvador.

Segundo Carmen, o método inclui ensinar oração como “conversa com Deus”, não como repetição de frases. “Ao capacitá-las a falar com Deus em qualquer circunstância, plantamos sementes de fé que geram resultados surpreendentes”, explicou.

A prática tem levado famílias inteiras a participarem de comunidades religiosas, como no caso de Marily, 5 anos, do Panamá. Após aprender a orar, a criança pediu pela cura da mãe, que sofria de hemorragia grave. “Tempos depois, a mãe estava curada e a família passou a frequentar cultos”, detalhou Carmen.

Relatos de transformação

Em El Salvador, Aron, 4 anos, do PEPE Bethel em Chalchuapa, recebeu diagnóstico que exigia cirurgia urgente para dores estomacais. Após pedido de oração dos pais à equipe do programa, exames de revisão mostraram recuperação inesperada.

“O médico cancelou a cirurgia ao constatar a ausência de sintomas e resultados normais”, afirmou a missionária.

Outro caso envolveu Félix, aluno que apresentava comportamento agressivo após presenciar violência doméstica. Seu pai, alcoolizado, ameaçava a família com machado. “Félix começou a orar em todas as refeições pedindo fim das brigas”, contou Carmen.

O pai testemunhou: “O machado desapareceu misteriosamente. Ao ver a alegria do meu filho, entendi que precisava daquela paz”. As ameaças cessaram e a família reconheceu a mudança.

Alcance e desafios

Atualmente, o PEPE atende 26 mil crianças em comunidades vulneráveis, incluindo países de maioria muçulmana. Carmen destacou a meta para 2024: “Ensinar todas essas crianças a orar, levando valores cristãos aos seus lares”. Ela concluiu: “Quando uma criança ora, famílias inteiras se transformam. Essa é nossa maior evidência de impacto social”.

‘Fiquei com vergonha’, diz Malafaia sobre Gracyanne Barbosa

O pastor Silas Malafaia comentou, pela primeira vez, um episódio ocorrido com a modelo e influenciadora Gracyanne Barbosa em uma filial da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC).

No domingo 25 de maio, Gracyanne Barbosa compareceu a um culto e atendeu ao apelo feito pelo pastor da igreja, entregando sua vida a Jesus Cristo. Imediatamente, o episódio foi compartilhado nas redes sociais, repercutindo entre fiéis e admiradores da influenciadora.

Com a repercussão, Gracyanne teria, segundo Malafaia, ficado constrangida. Diante do desdobramento, o pastor da ADVEC expressou sua insatisfação com o comportamento da membresia:

“Eu fiquei triste ao ver na imprensa uma famosa [que] foi na nossa igreja no Recreio. […] Foi lá na frente a aceitar Cristo. Alguém tirou a foto da mulher e botou nas redes sociais. Isso viralizou pra imprensa e a mulher disse ‘eu nunca mais piso nessa igreja porque a minha intimidade foi vazada’. Eu fico com vergonha”, declarou Malafaia.

Para o pastor, o comportamento sinaliza algo mais problemático: “Eu fico pensando, irmãos, que igreja somos nós e que crente somos nós pra fazer tietagem? Nós temos com ídolos do mundo igual o pecador tem. Eu fico com vergonha disso. Eu fico com vergonha, sabe?”, insistiu.

Sintomas

O fenômeno das redes sociais, em que pessoas se tornam amplamente conhecidas e mobilizam multidões, é um sintoma de desequilíbrio, na visão do pastor: “Eu não sei. É like? Seguidor? Ah, sabe? É uma doença! Essa sociedade está doente e os crentes também, com essa praga – que é bênção de um lado, mas é praga do outro – de rede social. É uma coisa louca”.

A bronca também se estendeu aos fiéis que frequentam a igreja liderada por ele, por conta de um tumulto envolvendo outro famoso: “Aqui, vou falar da igreja Sede. A sorte é que eu não tava aqui. Deram sorte. Veio aqui um jogador crente famoso. Um jogador do Flamengo. Irmão, foi um pandemônio. No culto de homens nunca se pareceu tanta mulher aqui. Nunca apareceu tanta mulher”.

“Foi um pandemônio. Pularam. Eu tenho um muro alto que tá aqui por trás pra entrar nessa área. Um muro alto com um portão alto. Pularam. Pastor deu carteirada. Arrumou briga aqui. Teve tapa aqui fora. Ah, se eu tô aqui… Se eu vejo crente dando tapa, eu excluo na hora. Está suspenso da comunhão, filho”, desabafou.

Batistas denunciam a Rússia por invadir cultos e multar pastores

Agentes policiais e um promotor invadiram uma igreja batista durante culto de Pentecostes em Krasnodon, na região de Luhansk, confiscando materiais religiosos e fotografando as instalações. O incidente, documentado pela organização Forum 18, integra uma série de ações contra congregações cristãs não alinhadas à Igreja Ortodoxa Russa em territórios controlados pela Rússia, o que inclui partes da Ucrânia.

Operações e multas

Em 8 de junho, autoridades interromperam o culto do Conselho de Igrejas Batistas, apreendendo todos os materiais cristãos. Questionada pela Forum 18 sobre a base legal da ação, a Polícia Distrital de Krasnodon limitou-se a afirmar:

“Não podemos informar a razão”. Dias antes, em 30 de maio, outra igreja batista foi invadida em Luhansk. Em 23 de maio, o pastor Vladimir Rudomyotkin, de Donetsk, foi multado por “atividade missionária” – acusação repetida em 21 de maio contra uma paróquia católica em Budennovsk, segundo decisão do tribunal local.

O pastor Vladimir Rytikov, líder da congregação de Krasnodon, explicou à Forum 18 a recusa em registrar a igreja sob leis russas: “O governo exige que pastores informem detalhes da vida dos membros e atividades da igreja. Isso é traição”.

Rytikov, preso em 1979 por autoridades soviéticas por realizar acampamentos cristãos, ressaltou que o registro forçado visa controlar comunidades religiosas. A Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional confirmou que, após o registro, grupos são obrigados a seguir leis russas que “proíbem certas atividades e discursos religiosos”.

Contexto

Desde o início da invasão da Rússia na Ucrânia em fevereiro de 2022, pelo menos 500 igrejas e locais religiosos foram danificados ou destruídos em territórios ocupados, conforme relatórios de entidades de defesa da liberdade religiosa.

Soldados russos têm revistado templos, confiscado equipamentos e literatura “extremista”, além de destruir locais de culto – inclusive com relatos de mortes de civis que se abrigavam neles.

Eric Mock, da Slavic Gospel Association, contextualizou: “Igrejas protestantes são vistas como agentes ocidentais desde a Revolução Laranja (2004) e os eventos de 2014. São percebidas como instituições que minam a Ortodoxia Russa e as tradições locais”.

Padrão

Tribunais russos em regiões ocupadas têm aplicado multas elevadas, restrições e ordens de fechamento a templos não registrados. A Comissão dos EUA destacou que a pressão pelo registro serve como mecanismo para suprimir comunidades independentes, reforçando o alinhamento religioso às estruturas de controle político de Moscou. Com: Forum 18.

Pastor: queda do regime islâmico no Irã é motivo de esperança

Em carta divulgada nesta terça-feira, o pastor iraniano Lazarus Yeghnazar, fundador da organização cristã Transform Iran, expressou preocupação com a deterioração humanitária no Irã em meio aos conflitos com Israel, ao mesmo tempo em que afirmou enxergar sinais de uma possível mudança política no país.

Yeghnazar, cuja organização atua junto à comunidade cristã iraniana, alertou que os setores mais vulneráveis da população – crianças, doentes e pobres – serão os mais afetados pela escalada de tensões.

“A realidade é dura: são as pessoas comuns que suportarão os fardos mais pesados”, escreveu, citando a destruição de refinarias, portos inoperantes e a interrupção de exportações. Relatou ainda que “milhões tentam fugir de Teerã”, enfrentando estradas bloqueadas.

O líder religioso atribuiu à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) a intensificação da crise: “Estão perdendo o controle e se tornando mais brutal, acumulando estoques de alimentos para um conflito prolongado”.

Diante do cenário, a Transform Iran ativou um fundo de emergência para assistência imediata aos afetados. Yeghnazar pediu orações internacionais “pelos fiéis de ambos os países” e por “um futuro em que o Irã seja libertado”.

Preparativos para  transição

Fundada em 1991 por Yeghnazar – iraniano com histórico em ministérios clandestinos – a Transform Iran opera através de redes de igrejas locais, discipulado e projetos sociais. Seu principal canal é a Igreja da Comunidade Persa (PCC), plataforma digital que conecta milhares de fiéis dentro e fora do Irã, fornecendo apoio espiritual e logístico sob repressão.

O pastor afirmou que a organização “vem se preparando há anos para um Irã pós-regime”, embora reconheça obstáculos como a fragmentação da oposição, infiltração de serviços de segurança e desconfiança entre lideranças. “Um rumo claro é necessário para um futuro sem opressão”, declarou, acrescentando: “Deus nunca se surpreende. Temos orado, ouvido o Espírito Santo e feito preparativos práticos”.

Uma Esperança Declarada

Ao descrever o ataque israelense como “não surpreendente”, Yeghnazar reiterou sua convicção de que “Deus está fazendo algo novo” no país. “Acreditamos que a maré virará”, afirmou, concluindo com um apelo: “Continuem orando. Continuem doando. E continuem acreditando que Deus pode trazer um novo começo ao Irã”.

A carta não detalhou prazos ou mecanismos para uma eventual transição política, mantendo o foco no papel da comunidade cristã no apoio à população civil. Com: Cvandaag

Cemitério cristão de 1.500 anos prova antiga presença na Síria

Durante a remoção de escombros na cidade de Maarat al-Numan, província de Idlib, na Síria, um empreiteiro encontrou um antigo cemitério cristão, datado de mais de 1.500 anos. A descoberta ocorreu em maio, sob os destroços de uma casa abandonada destruída durante os conflitos armados que atingem a região há mais de uma década.

As imagens captadas no local mostram túmulos do cemitério cristão adornados com cruzes, sepulturas antigas, ossos humanos e fragmentos de cerâmica e vidro. Segundo especialistas, os itens são evidências da presença cristã durante o período bizantino, que se estendeu entre os séculos IV e XV d.C.

Hassan al-Ismail, diretor de Antiguidades em Idlib, declarou que a região “está entre as mais ricas em história de toda a Síria”. Ele explicou: “Com base na presença da cruz e nas peças de cerâmica e vidro encontradas, este túmulo remonta à era bizantina”.

De acordo com al-Ismail, Idlib concentra cerca de um terço dos monumentos históricos da Síria, com 800 sítios arqueológicos registrados e a presença de uma cidade antiga. “Antigamente, muitos turistas estrangeiros vinham a Maarat só para ver as ruínas”, relatou, de acordo com a Fox News.

Destruição causada pela guerra

A guerra civil na Síria, iniciada em março de 2011, tem resultado em mais de 500 mil mortos e milhões de deslocados internos e refugiados, segundo dados das Nações Unidas. Em 2020, forças leais ao então presidente Bashar al-Assad retomaram o controle de Maarat al-Numan. Segundo moradores e organizações humanitárias, a ofensiva resultou em saques e destruição de residências.

Embora a descoberta arqueológica tenha sido acidental, moradores locais veem nela um possível ponto de virada. Ghiath Sheikh Diab, habitante da cidade, afirmou à Associated Press esperar que o atual governo, liderado pelo presidente Ahmed al-Sharaa, estabeleça um plano de compensação justa para os antigos proprietários do terreno.

Outro morador, Abed, destacou o potencial da descoberta para revitalizar o turismo na região, localizada a cerca de 80 quilômetros ao sul de Aleppo. Jaafar, que visitou os túmulos com o filho, declarou: “Antigamente, muitos turistas estrangeiros costumavam vir a Maarat só para ver as ruínas”. Ele acrescentou: “Precisamos cuidar das antiguidades, restaurá-las e devolvê-las ao que eram antes… e isso ajudará a recuperar o turismo e a economia”.

Achados similares

O Império Bizantino, também conhecido como Império Romano do Oriente, emergiu no século IV d.C. após a divisão do Império Romano, com capital em Constantinopla (atual Istambul), na encruzilhada entre Europa e Ásia. O cristianismo tornou-se a religião oficial do império sob o governo de Constantino e Teodósio, o que levou à construção de igrejas, mosteiros e cemitérios cristãos por toda a região.

Nos últimos anos, diversas descobertas do período bizantino têm sido registradas em outras partes do Oriente Médio e Europa. Em Israel, foi recentemente exposto ao público um mosaico cristão de 1.600 anos, também datado da era bizantina. No Reino Unido, um balde enigmático de 1.500 anos encontrado em um dos principais sítios históricos do país foi identificado como uma peça da mesma época, originária da antiga cidade de Antioquia, hoje situada no sul da Turquia.

Pesquisadores avaliam que o achado em Maarat al-Numan pode oferecer novas pistas sobre a presença cristã na Síria antiga, especialmente em áreas pouco exploradas por causa da instabilidade política. As autoridades locais não informaram ainda se o local será escavado oficialmente ou protegido por medidas legais.

Radicais hindus invadem casamento cristão e agridem convidados

Um grupo de hindus invadiu e atacou uma celebração de casamento cristão na vila de Polmi, distrito de Raipur, no estado de Chhattisgarh, na Índia, na quarta-feira, 11 de junho. O episódio deixou feridos e intensificou a preocupação com a crescente violência contra minorias religiosas no país.

De acordo com testemunhas, a cerimônia transcorria normalmente quando uma multidão entrou no local e começou a agredir convidados. Familiares dos noivos se refugiaram em uma casa próxima, enquanto os agressores tentavam arrombar a porta. O noivo, parente de um pastor local, fugiu do local, e a noiva escondeu-se em um campo.

Durante o ataque, pneus foram incendiados e veículos, incluindo carros e motocicletas, foram danificados. Alguns convidados buscaram ajuda na delegacia local, mas, segundo relataram, foram informados de que não havia efetivo suficiente para conter o ataque. A ação deixou diversos convidados feridos e provocou forte trauma na família dos noivos.

Agressão no dia seguinte

Na quinta-feira, 12 de junho, o pai do noivo retornou discretamente à vila para devolver utensílios utilizados na recepção. No entanto, foi reconhecido por moradores e cercado por um novo grupo de agressores. Ele e outros dois homens foram espancados com gravidade e precisaram ser hospitalizados.

Segundo a International Christian Concern (ICC), organização que monitora casos de perseguição religiosa, o ataque evidencia uma escalada nas hostilidades contra cristãos na região. “Os radicais hindus não estão atacando apenas igrejas e reuniões de oração, mas também casamentos e outros eventos sociais cristãos”, afirmou a entidade em nota.

Contexto de perseguição religiosa

Nos estados vizinhos de Madhya Pradesh e Uttar Pradesh, pastores cristãos também relataram terem sido alvos de acusações falsas durante eventos familiares, como festas de aniversário. Lideranças cristãs locais, que pediram anonimato por razões de segurança, disseram que a comunidade cristã em Chhattisgarh vive hoje sob medo constante, sem garantia da aplicação dos direitos constitucionais.

Em protesto, cristãos de diferentes regiões da Índia se reuniram em manifestações públicas no dia 9 de junho. A mobilização foi organizada pela Frente Nacional Cristã, como resposta à violência sistêmica que, segundo seus representantes, tem afetado diretamente igrejas, famílias e comunidades inteiras.

“O detalhe sobre a Índia é que, na Constituição, há liberdade religiosa: para compartilhar sua fé, viver sua fé e até permitir que outras pessoas se juntem à sua fé”, declarou Greg Musselman, representante da organização Voz dos Mártires do Canadá. “É como se eles tivessem dito: ‘Já tivemos o suficiente disso, é hora de nos levantarmos juntos, é hora de nos unirmos’”, acrescentou, referindo-se aos protestos recentes.

Rankings de perseguição

A Missão Portas Abertas, que publica anualmente a Lista Mundial da Perseguição, classificou a Índia como o 11º país mais hostil aos cristãos em 2025. Em 2013, a Índia ocupava a 31ª posição. A escalada no ranking coincide com o governo de Narendra Modi, que assumiu o cargo de primeiro-ministro em maio de 2014.

Organizações defensoras dos direitos religiosos associam esse crescimento na perseguição ao discurso e às políticas do governo liderado pela Aliança Democrática Nacional, sob comando do Partido Bharatiya Janata (BJP), de orientação nacionalista hindu. Segundo essas entidades, o ambiente político teria encorajado ações de extremistas contra minorias religiosas, especialmente cristãos e muçulmanos.

Até o momento, as autoridades locais não se pronunciaram publicamente sobre os ataques registrados em Chhattisgarh. A comunidade cristã local segue cobrando uma investigação formal e proteção adequada para seus membros.