Cidades bíblicas darão nomes a blocos de condomínio evangélico

Um projeto imobiliário em Nova Iguaçu (RJ) vem chamando atenção por propor uma experiência de moradia inspirada na Terra Santa, voltada exclusivamente ao público evangélico. O Residencial Clube Manancial da Fé, idealizado pelo empresário Alcindo Plácido, pretende unir conforto, espiritualidade e segurança em um mesmo espaço, segundo definição do próprio empreendedor.

Localizado na Baixada Fluminense, região onde cerca de 40% da população acima de 10 anos se declara evangélica, o empreendimento foi concebido para recriar um ambiente de convivência com referências à fé cristã. O projeto prevê 22 blocos de apartamentos, batizados com nomes de cidades bíblicas como Jerusalém, Jericó, Betânia, Nazaré e Belém.

O condomínio oferecerá 420 unidades, com opções de 44 m², de dois quartos, e versões maiores de 51,5 m² com garden. A infraestrutura incluirá piscinas, quadras esportivas, academia, espaços gourmet, pet place e jardins, buscando integrar lazer e bem-estar a um ambiente considerado “consagrado”.

O modelo de financiamento acessível também é um atrativo: as prestações partirão de R$ 600 mensais, com valor médio de R$ 260 mil por imóvel.

Fé e moradia

O Residencial Clube Manancial da Fé é a terceira iniciativa de Alcindo Plácido na tentativa de lançar empreendimentos temáticos religiosos. Duas propostas anteriores não chegaram a ser concretizadas, mas o empresário conseguiu lançar o loteamento Reserva da Paz, também em Nova Iguaçu, cuja proposta era reservar o espaço “para irmãos na fé”.

“Quando você entrega um produto alinhado aos valores das pessoas, cria algo que vai além da moradia: cria comunidade. Além de ser tendência, é também uma oportunidade de negócios”, declarou Plácido ao Uol.

A moradora Paula Barbosa, que vive no Reserva da Paz, afirmou que o formato “religioso e comunitário” foi um diferencial importante, especialmente em um contexto de alta criminalidade. De acordo com o Atlas da Violência 2024, Nova Iguaçu apresenta 35,8 mortes por 100 mil habitantes, índice que preocupa moradores e reforça o apelo por ambientes seguros e coesos socialmente.

Fé e mercado

A proposta do condomínio, porém, divide opiniões. Críticos apontam que o projeto pode representar uma estratégia mercadológica que explora a religiosidade como nicho econômico. Já os defensores veem na iniciativa uma expressão legítima da fé e uma tentativa de promover convivência comunitária entre cristãos.

Segundo o portal Condomínio Interativo, muitos fiéis acreditam que empreendimentos desse tipo permitem uma “experiência bíblica” mais profunda, conectando a vida cotidiana à espiritualidade.

Para o idealizador, a proposta não se resume à moradia, mas à criação de um espaço que reforça valores cristãos e oferece um ambiente seguro para famílias evangélicas, reunidas por “afinidade”.

A previsão é que o empreendimento inicie as entregas em etapas nos próximos anos, consolidando-se como o primeiro condomínio temático de inspiração bíblica: “Até o momento, 2 mil pessoas se inscreveram, 60 unidades já estão reservadas e 35 contratos foram aprovados pela Caixa Econômica Federal. Percebemos que esse público busca um lar tranquilo, com valores semelhantes e estrutura de qualidade”.

Ex-atriz de filmes adultos é batizada e quer testemunhar

A ex-atriz de filmes adultos Jenna Jameson, que ficou conhecida mundialmente como a “Rainha Pornô”, anunciou publicamente sua conversão ao cristianismo e afirmou estar usando sua influência para ajudar outras pessoas a conhecer Jesus. Aos 51 anos, ela compartilhou nas redes sociais um vídeo em que aparece olhando para a câmera e, sem som, diz: “mudando de lado”.

Na legenda da publicação feita no Instagram, Jameson escreveu: “Depois de décadas sendo conhecida pelo meu corpo e pelo pecado, ser batizada e ajudar outros a encontrarem Jesus também”.

Ela acrescentou uma mensagem curta: “Abra a Bíblia… você não vai se arrepender”, acompanhada de um emoji de cruz.

Em uma postagem posterior, a ex-atriz explicou que sua jornada espiritual tem provocado diferentes reações do público.

“Minha jornada de fé é pessoal e estou tornando-a pública porque sei que há inúmeras pessoas que desejam conhecer a Cristo, mas têm medo do julgamento. Eu não tenho medo e continuarei mostrando às pessoas que os quebrantados são os mais importantes para Ele”, afirmou.

Em outra publicação, Jameson compartilhou uma foto sua com a legenda “a mulher no poço”, em referência ao relato bíblico de João 4, onde Jesus acolhe uma mulher marcada por erros do passado.

Reencontro com a fé

Em setembro, a artista já havia falado sobre seu reencontro com Deus, publicando uma montagem com fotos suas aos 18 e aos 51 anos: “Definitivamente passei por muita coisa, mas sou grata. Reencontrei minha fé e estou em paz. Minha crença no Altíssimo me levou a uma força que eu nem sabia que tinha”, escreveu.

Nascida em Las Vegas, Jameson teve uma infância conturbada, marcada pela morte precoce de sua mãe. Ingressou na indústria de filmes adultos no início da década de 1990 e rapidamente se tornou uma das figuras mais conhecidas do setor, recebendo em 1996 o título de “Melhor Revelação” e o apelido de “Rainha do Pornô”.

Nova vida após o passado

Após se aposentar em 2008, Jameson trabalhou como modelo de webcam e passou por diversos desafios pessoais. Em abril de 2024, anunciou a separação de sua companheira Jessi Lawless, após 11 meses de união civil. Mãe de três filhos, ela tem falado abertamente sobre lutas contra o vício e relacionamentos conturbados.

Em 2015, durante seu relacionamento com o empresário israelense Lior Bitton, anunciou sua conversão ao judaísmo, declarando: “Minha sobriedade e minha fé são as coisas mais importantes para mim. Sendo judia, devo proteger meu amor por Deus acima de tudo”.

Hoje, ao comentar sua nova fé cristã ao New York Post, Jenna afirmou: “Estou sendo aberta e orgulhosa sobre minha caminhada com Jesus Cristo. Proclamar meu amor por Ele está abrindo os olhos de muitas pessoas para o fato de que elas não são irredimíveis.”

Transformação

A história de Jameson ecoa trajetórias semelhantes de outros ex-artistas da indústria pornográfica que encontraram redenção na fé cristã.

A ex-atriz Brittni De La Mora, que hoje atua como líder cristã, relatou que a indústria do sexo “cria dependência e vergonha”. Ela contou que, mesmo após querer deixar o meio, permaneceu por sete anos por acreditar que “estava perdida demais para ser redimida”.

“Eu era viciada em drogas e me sentia sem esperança. Satanás convence muitos de que não há saída, e eu já estive lá. Hoje ajudo pessoas a romper com essas mentiras”, declarou.

Outro ex-ator, Joshua Broome, atualmente escritor e palestrante cristão, defendeu em entrevista ao mesmo veículo que a Igreja deve abordar abertamente o tema da pornografia.

“A Bíblia diz para nos submetermos a Deus e resistirmos ao diabo, e ele fugirá de nós. Mas temos a tendência de esquecer essa primeira parte”, disse, citando Tiago 4:7.

Broome afirmou ainda que falar sobre sexualidade sob uma ótica bíblica e honesta é essencial para a restauração espiritual e emocional dos fiéis.

A trajetória de Jenna Jameson representa, segundo ela própria, um testemunho de que ninguém está fora do alcance da graça divina. Hoje, a ex-atriz afirma querer dedicar sua vida a inspirar pessoas que se sentem quebradas ou condenadas.

“Proclamar meu amor por Cristo é minha nova missão. Eu vivi no outro lado, mas agora encontrei a verdade — e quero ajudar outros a encontrarem também”, concluiu.

Vi pastor parar tiroteio levantando Bíblia, diz ’Capitão Nascimento’

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O ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro, Rodrigo Pimentel, relatou experiências que revelam a presença marcante da religião nas forças de segurança e nas comunidades dominadas pelo crime.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., apresentado por Rogério Vilela, ele participou ao lado da jornalista e pesquisadora Viviane Costa, que estuda o impacto da fé nas favelas cariocas e nas instituições policiais.

Pimentel, conhecido por inspirar o personagem Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite com seu trabalho nas operações especiais do Rio de Janeiro, contou episódios que demonstram a influência do cristianismo evangélico entre policiais. Um dos relatos mais marcantes envolve um pastor que interrompeu um tiroteio apenas com uma Bíblia nas mãos.

“Ele ergueu uma Bíblia no meio da rua e começou a atravessar. O pastor atuou como mediador, era certamente pentecostal. Em meio ao tiroteio, com a Bíblia na mão, os bandidos pararam de atirar”, lembrou o ex-capitão.

O policial ferido na ocasião foi levado para uma igreja próxima, onde morreu. Segundo Pimentel, poucas horas antes, o agente havia confidenciado: “Capitão, eu voltei para a minha esposa e voltei pra Jesus”.

O relato, segundo ele, é um exemplo de como a espiritualidade molda a rotina de policiais que vivem em confronto constante com a violência.

Conversões nas favelas

A jornalista Viviane Costa explicou que, nos anos 2000, os testemunhos de conversão — tanto de policiais quanto de ex-criminosos — se tornaram um fenômeno comum nas igrejas evangélicas das periferias do Rio de Janeiro.

“Os testemunhos de conversão dominavam os púlpitos evangélicos. Era o ‘ex-bandido’, o ‘ex-viciado’, o ‘ex-traficante’. Eles contavam suas histórias e se tornavam pregadores itinerantes”, afirmou.

Viviane relatou ter presenciado cultos em que ex-criminosos mostravam marcas de tiros e relatavam experiências próximas da morte.

“Muitos diziam que ouviram no hospital: ‘Você não vai morrer, porque Deus tem um plano na sua vida’. E dali saíam transformados, pregando o Evangelho.”

Segundo ela, essas narrativas de conversão serviam como instrumento de reintegração social e moral, tanto para quem havia deixado o crime quanto para quem atuava nas forças de segurança.

“Aceitou Jesus” em operação

Pimentel também relatou o caso de um capitão do Bope que era pastor da Assembleia de Deus. Durante uma operação na Floresta da Tijuca, a equipe encontrou um homem ferido após um confronto.

“O bandido tinha perdido um olho e estava morrendo por hemorragia. O capitão, que também era pastor, chamou um helicóptero da Polícia Civil e pediu resgate”, contou.

Questionado sobre o motivo do pedido, o oficial respondeu: “Porque o bandido aceitou Jesus”.

Para Pimentel, o episódio mostra como a religião atua como ponte entre o confronto e a misericórdia, influenciando decisões até em momentos de guerra urbana.

Transformação pessoal

Durante o programa, Viviane compartilhou também uma história pessoal sobre a conversão de seu pai, então policial: “Minha mãe se converteu primeiro e começou a orar pela conversão dele. Eu tinha cinco anos quando comecei a ir aos cultos de libertação pedindo para que Deus o salvasse”, relatou.

Segundo ela, o pai enfrentava problemas com o alcoolismo e a infidelidade, o que afetava a família. Apesar das dificuldades, a mãe manteve-se firme na fé.

“Ela disse: ‘Se só posso ir um dia, vou ao culto de libertação’. E foi assim que Deus transformou meu pai”, afirmou.

Anos depois, o pai de Viviane se converteu e tornou-se presbítero da Assembleia de Deus, experiência que, segundo ela, “mudou completamente o rumo da família”.

Religião nas periferias

Os relatos apresentados no podcast apontam para o papel central da fé, tanto na reintegração de ex-criminosos quanto no equilíbrio emocional e moral de policiais.

Para Pimentel, a fé é uma força silenciosa, porém decisiva, nos bastidores da segurança pública. Já Viviane destaca que, nas comunidades, as igrejas exercem um poder simbólico que frequentemente supera o das instituições estatais.

O episódio reforça, segundo ambos, a complexa relação entre violência, espiritualidade e transformação pessoal, mostrando como a fé cristã se tornou um fator determinante na vida de muitos agentes e moradores das periferias do Rio de Janeiro.

Cristãos de Bangladesh vivem aterrorizados com violência extrema

Cristãos em Bangladesh vivem um clima crescente de apreensão após uma série de ataques contra instituições católicas, sendo o mais recente um ataque com bomba caseira à Catedral de Santa Maria e à Escola São José, ambas administradas pela Igreja Católica em Daca, capital do país.

Segundo a Agência Católica de Notícias (CNA), a Polícia Metropolitana de Daca prendeu um homem de 28 anos suspeito de envolvimento nos atentados registrados entre 8 e 9 de novembro.

O primeiro ataque ocorreu na sexta-feira, por volta das 22h30, quando uma bomba caseira explodiu nas proximidades da Catedral de Santa Maria. Outro artefato, não detonado, foi encontrado no terreno da igreja. No sábado seguinte, uma segunda explosão atingiu o complexo da Escola Secundária e Faculdade de São José, no bairro de Mohammadpur.

A escola, conforme a CNA, está situada perto de residências de diferentes comunidades religiosas e da sede da Conferência Episcopal Católica de Bangladesh. Apesar das explosões, nenhuma pessoa ficou ferida, segundo o jornal The Catholic Herald, que informou que cerca de 500 fiéis compareceram à missa na manhã seguinte.

Pedido de proteção

Em comunicado, o padre Bulbul Rebeiro, secretário de comunicação social da Conferência Episcopal Católica de Bangladesh (CBCB), afirmou que os ataques geraram medo na comunidade católica.

“O lançamento de coquetéis molotov contra a igreja novamente em um mês preocupou nossa comunidade. Solicitaremos às autoridades que apurem rapidamente a motivação e levem os responsáveis à justiça”, declarou.

Durante uma coletiva de imprensa em 8 de novembro, Rebeiro pediu ao governo garantias para a segurança dos cristãos durante as atividades religiosas: “Nós, cristãos, somos muito poucos e pacíficos. Mas esses incidentes estão nos assustando”, disse, de acordo com o The Christian Post.

Motivação política

A polícia informou que o suspeito detido está sendo interrogado sobre outros possíveis ataques e foi identificado como membro da Bangladesh Chhatra League (BCL), braço estudantil da Liga Awami, partido da primeira-ministra Sheikh Hasina. O grupo foi proibido por envolvimento em atos violentos e protestos durante o atual governo.

De acordo com a Portas Abertas, Bangladesh ocupa o 24º lugar em sua Lista Mundial da Perseguição 2024, que classifica os países onde os cristãos enfrentam maior hostilidade. A organização afirma que os protestos de agosto de 2024 criaram um ambiente propício para ataques de grupos radicais.

Cristãos convertidos de outras religiões, como islamismo, hinduísmo e budismo, são os mais vulneráveis. Homens relatam espancamentos e tortura, enquanto mulheres enfrentam agressões sexuais, casamentos forçados ou divórcios impostos. Igrejas tradicionais, como a Igreja Católica Romana, também são alvos de ameaças e vandalismo.

Histórico de ataques

Segundo a CNA, os atentados da segunda semana de novembro ocorreram apenas um mês após o ataque de 8 de outubro contra a Igreja Católica do Santo Rosário, a mais antiga do país. Na ocasião, uma bomba foi lançada e explodiu no portão do templo, sem causar vítimas.

Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques. A Associação Cristã de Bangladesh acredita que a sincronia dos atentados indica uma possível ação coordenada.

Enquanto isso, as autoridades reforçaram a segurança em igrejas e instituições religiosas da capital e mobilizaram o Batalhão de Ação Rápida em busca de outros suspeitos. A comunidade cristã local, que representa menos de 1% da população de Bangladesh, teme novos episódios de violência, em meio a um cenário de tensão política e intolerância religiosa crescente.

Projeto que proíbe alterações na Bíblia é criticado por teólogo

O teólogo e escritor Gutierres Siqueira fez um alerta sobre o Projeto de Lei 4.606/2019, que proíbe alterações ou edições nos textos da Bíblia Sagrada. O projeto, de autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2022 e agora está em análise no Senado Federal, após ter recebido parecer favorável na Comissão de Direitos Humanos, sob relatoria do senador Magno Malta (PL-ES).

Siqueira, especialista em Interpretação Bíblica e editor-assistente da Sociedade Bíblica do Brasil, afirmou que o texto representa “um risco à liberdade de religião no Brasil”, pois transfere ao Estado uma responsabilidade que pertence à Igreja.

“O projeto proíbe qualquer alteração no texto bíblico. E aí você vai dizer: ‘Mas qual o problema? Isso é maravilhoso, estão preservando a pureza do texto bíblico’. Não é maravilhoso, isso é perigoso”, afirmou o teólogo.

Ele destacou que a proposta pode prejudicar o trabalho de tradução e atualização das Escrituras, além de colocar em risco projetos missionários voltados a povos indígenas. Segundo ele, há cerca de 180 línguas indígenas com traduções da Bíblia ou partes dela, e o texto do projeto “não distingue entre tradução legítima e indevida”, o que poderia inviabilizar novas adaptações ou revisões necessárias.

Siqueira explicou que, caso aprovado, o PL afetaria a publicação de edições de estudo, versões infantis e traduções modernas, que acompanham descobertas arqueológicas e avanços linguísticos.

“Se a lei for aprovada, quem vai preservar o texto bíblico será o Estado brasileiro. Uma missão da Igreja será delegada ao Estado. Vamos criar a Bíblia estatal?”, questionou.

Ele acrescentou que o projeto ignora divergências históricas entre tradições religiosas.

“O governo teria que decidir qual Bíblia é a verdadeira: a protestante, com 66 livros, ou a católica, com 73? O Antigo Testamento seguiria o Texto Massorético hebraico ou a Septuaginta grega? E o Novo Testamento, o Texto Receptus ou o Crítico Moderno?”, observou.

Para o teólogo, o projeto é “vago e absurdo”, pois fere o princípio constitucional da separação entre Igreja e Estado.

“Quem guarda a fé, a Palavra e a doutrina não é o Estado, é a Igreja. A Palavra de Deus foi entregue aos santos, não aos governos”, afirmou no vídeo compartilhado no Instagram.

Críticas de lideranças religiosas

O alerta de Gutierres se soma a críticas já feitas por líderes evangélicos quando o texto foi aprovado na Câmara. O pastor Filipe Duque Estrada (Lipão), líder da igreja Onda Dura, declarou que o projeto abre brecha para o controle estatal sobre a Bíblia:

“Se o Estado pode dizer que não se deve alterar a Bíblia, ele também pode nos obrigar a alterá-la quando lhe for conveniente. E isso é preocupante”, afirmou na época.

O pastor Yago Martins, da Igreja Batista Maanaim, também criticou o texto, destacando que ele pode inviabilizar versões infantis e paráfrases bíblicas: “Eu tenho uma Bíblia para crianças, com desenhos e paráfrases resumidas. Isso já seria uma alteração na redação. O projeto não distingue esses casos”, argumentou.

Audiência no Senado

Em 30 de outubro, a Comissão de Educação do Senado realizou uma audiência pública para discutir o PL, a pedido da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), após pedidos de instituições religiosas para ampliar o debate.

Durante a audiência, teólogos, pastores e juristas contestaram a viabilidade prática da proposta. O diretor-executivo da Sociedade Bíblica do Brasil, Erní Walter Seibert, destacou que os textos originais da Bíblia já passaram por adaptações históricas, como a inclusão de vogais no hebraico e a numeração de capítulos e versículos, o que tornaria a lei inaplicável.

O pastor Paulo Nunes, do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei), manifestou preocupação com os impactos do projeto sobre traduções indígenas: “Se a Bíblia é a Palavra de Deus, não precisa da proteção do projeto”, disse.

O advogado Renato Gugliano Herani, representante da Igreja Universal do Reino de Deus, afirmou que a proposta transformaria o Estado em guardião oficial de um texto sagrado, contrariando decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbem interferência estatal em assuntos de fé.

O PL 4.606/2019 segue em análise na Comissão de Educação do Senado, onde deverá receber novo parecer antes de ser votado em plenário. Enquanto o debate avança, lideranças cristãs e estudiosos pedem cautela, ressaltando que a preservação das Escrituras é missão da Igreja, não do Estado, e que a iniciativa, ainda que bem-intencionada, pode abrir precedentes perigosos para a liberdade religiosa no país.

Facções devem ser tratadas como terroristas, opinam brasileiros

A megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos e se tornou a mais letal da história do estado, reacendeu o debate sobre segurança pública e impactou a popularidade de Lula (PT), segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em 12 de novembro.

O levantamento, realizado entre 6 e 9 de novembro com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, mostra que 88% dos entrevistados defendem penas mais duras e 73% apoiam a classificação de facções criminosas como terroristas — tema que divide a base governista e a oposição. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Apoio popular

O desejo por ações mais severas é majoritário: 65% dos entrevistados apoiam o fim das visitas íntimas para presos ligados a facções, e 60% aprovam a PEC da Segurança Pública, proposta do governo que amplia o papel da União na formulação de políticas de segurança. O texto, porém, enfrenta resistência entre governadores.

Já 52% dos participantes defendem transferir a responsabilidade pela segurança pública ao governo federal, enquanto 46% são favoráveis à autonomia dos estados para definir suas próprias regras — índice próximo dos 48% que se opõem.

O levantamento também aponta rejeição ao armamento civil: 70% dos brasileiros se declaram contrários à facilitação do acesso a armas de fogo, contra 26% que apoiam.

Impacto político

A ação policial, que contou com participação das forças estaduais e federais, recebeu amplo apoio popular. De acordo com a Quaest, 67% dos entrevistados aprovaram a operação, enquanto 25% a reprovaram. Apesar disso, o episódio coincidiu com queda na avaliação positiva do governo.

A aprovação pessoal de Lula recuou de 48% para 47%, e a reprovação passou de 49% para 50%. Já a parcela que considera o governo “bom ou ótimo” caiu de 33% para 31%, enquanto a avaliação negativa subiu de 37% para 38%.

Desgaste de Lula

O desgaste foi intensificado pelas declarações do presidente sobre o tema. Durante viagem à Malásia, em encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que “os traficantes também são vítimas dos usuários” — frase rejeitada por 81% dos entrevistados; apenas 14% concordaram e 5% não souberam responder.

Dias depois, em 4 de novembro, Lula voltou a se pronunciar e classificou como “desastrosa” a operação policial no Rio. A avaliação também foi negativa: 57% discordaram da fala, enquanto 38% concordaram e 5% não opinaram.

Segurança pública

A pesquisa aponta que a violência voltou a ser o principal problema do país para 38% dos brasileiros, índice superior ao de outubro, quando o percentual era de 30%.

A demanda por endurecimento penal, a pressão por medidas federais mais amplas e a reação às declarações presidenciais indicam um cenário em que segurança pública e política nacional se entrelaçam cada vez mais no debate público, segundo a análise da Quaest.

Malafaia cita valores e diz que “verdadeiro cristão não apoia” Lula

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, gerou repercussão ao publicar em suas redes sociais na sexta-feira um vídeo no qual afirma que “um verdadeiro cristão não apoia” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A gravação foi divulgada um dia após o bispo Samuel Ferreira, presidente da Assembleia de Deus no Brás, ter se reunido com o chefe do Executivo no Palácio do Planalto.

Em sua declaração, Malafaia não mencionou nominalmente o encontro, mas criticou a aproximação de representantes evangélicos com o governo federal. “Um verdadeiro cristão não apoia quem defende valores contrários à Palavra de Deus. Não se trata de política partidária, mas de princípios inegociáveis”, afirmou o pastor.

A reunião ocorrida na quinta-feira (27) contou com a presença de diversas lideranças religiosas e teve como pauta oficial ações sociais e políticas públicas dirigidas às comunidades evangélicas. O evento, entretanto, provocou divisões entre segmentos conservadores do meio cristão.

Malafaia, conhecido por seu alinhamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçou em sua fala que “não é possível conciliar luz com trevas” e alertou sobre “tentativa de usar a fé para fins ideológicos”. O pastor defendeu que a igreja mantenha “postura fiel às Escrituras, acima de qualquer governo ou poder humano”.

O episódio evidencia a divisão entre correntes do movimento evangélico brasileiro. De um lado, lideranças como Samuel Ferreira defendem o diálogo institucional com o governo como forma de garantir representatividade e acesso a programas sociais. De outro, vozes como Malafaia consideram esta aproximação um risco à independência doutrinária das igrejas.

A AD Brás, sob liderança de Samuel Ferreira, representa uma das maiores convenções assembleianas do país. Seu pai, o bispo Manoel Ferreira, já havia estabelecido relações com governos petistas anteriores, incluindo o declarado apoio à então presidente Dilma Rousseff.

A declaração de Malafaia ocorre em momento em que o governo federal busca estreitar relações com o segmento evangélico, que representa parcela significativa do eleitorado brasileiro. O Planalto tem promovido encontros com lideranças religiosas para discutir pautas sociais e projetos assistenciais.

O vídeo do pastor ultrapassou milhões de visualizações em poucas horas, demonstrando a sensibilidade do tema e a influência de Malafaia no cenário político-religioso nacional. A discussão sobre os limites entre fé e política permanece como um dos temas mais divisivos no meio evangélico brasileiro. Com informações: JM Notícias.

Vídeo mostra momento que fiel é morto a tiros durante culto no RS

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Um homem foi morto a tiros durante um culto evangélico transmitido ao vivo na cidade de Porto Xavier (RS), na fronteira do Brasil com a Argentina, na noite de domingo, 2 de novembro, por volta das 21h. O crime ocorreu dentro de um templo evangélico e foi registrado em vídeo durante a celebração.

De acordo com informações da Polícia Civil, a vítima, um homem de 29 anos, foi atingida por quatro disparos e morreu no local antes da chegada do socorro. Na gravação, que exibia o culto em tempo real, é possível ouvir pelo menos seis tiros antes que a transmissão fosse interrompida.

O atirador fugiu imediatamente após os disparos. Já na segunda-feira, 3 de novembro, por volta do meio-dia, uma ação conjunta da Brigada Militar e da Polícia Civil resultou na prisão do suspeito, de 27 anos, nas proximidades do Fórum da cidade.

Segundo as autoridades, o homem foi reconhecido por testemunhas e levou os agentes até o local onde havia escondido a arma do crime — um revólver calibre 38, encontrado com seis munições deflagradas. O suspeito foi autuado em flagrante por homicídio e encaminhado ao sistema prisional.

De acordo com o G1, a Polícia Civil segue investigando a motivação do crime, que ocorreu em uma das várias comunidades religiosas da região de fronteira.

Adiada sentença de cristão processado por testemunhar ser ex-gay

O veredito no caso do cristão maltês Matthew Grech, processado por relatar publicamente sua experiência de ter deixado a homossexualidade, foi adiado pela segunda vez no dia 06 de novembro.

O julgamento, que se arrasta desde 2022, voltou a ser postergado sem explicação prévia — um novo e-mail enviado ao advogado do réu informou o adiamento de última hora, segundo a organização Christian Concern, sediada em Londres.

Matthew Grech, de 36 anos, enfrenta possíveis multas de até € 5.000 (cerca de US$ 5.700) e pena de até cinco meses de prisão, acusado de violar o Artigo 3 da Lei de Afirmação da Orientação Sexual, Identidade de Gênero e Expressão de Gênero de Malta. A norma, aprovada em 2016, foi a primeira da Europa a proibir qualquer forma de “anúncio ou promoção de práticas de conversão”, tornando crime discussões ou conselhos sobre mudança de orientação sexual.

As acusações surgiram após uma entrevista concedida por Grech em abril de 2022 ao portal independente PMnews Malta, na qual ele compartilhou sua história pessoal e suas opiniões sobre a proibição das terapias de conversão. Segundo a Christian Concern, o depoimento foi interpretado pelas autoridades como uma suposta forma de “promoção” dessas práticas, embora o acusado não tenha incentivado ninguém a buscar tratamento, limitando-se a expressar sua perspectiva de fé.

Depoimento e repercussão

Na entrevista, Grech relatou que, durante a infância e adolescência, enfrentou dificuldades em se relacionar com outros meninos, o que, segundo ele, resultou em sentimentos confusos mais tarde. O maltês mencionou que algumas formas de “terapia da fala” — baseadas em apoio psicológico e não coercitivo — poderiam ajudar pessoas que vivenciam “atração pelo mesmo sexo ou confusão de gênero”, mas destacou que essas abordagens não deveriam ser criminalizadas.

Após sua conversão ao cristianismo, Grech afirmou ter passado a compreender a homossexualidade não como identidade, mas como comportamento do qual escolheu se afastar. “Assim como qualquer outro pecado, é possível se arrepender, pedir perdão a Deus e pedir-Lhe forças para superar”, declarou na ocasião.

Logo depois da publicação, Grech e os dois jornalistas que conduziram a entrevista foram indiciados sob a lei maltesa que proíbe a divulgação de qualquer forma de “terapia de conversão”.

Os denunciantes

A denúncia foi apresentada por Silvan Agius, ativista LGBT que participou da redação da própria lei e atua desde 2019 como assessor no gabinete da Comissária Europeia para a Igualdade, Helena Dalli. Também figuram como denunciantes Christian Attard, membro fundador do Movimento pelos Direitos LGBTQIA+ de Malta, e Cynthia Chircop, copresidente da mesma organização.

A legislação maltesa, considerada modelo para propostas semelhantes em outros países europeus, tem sido criticada por grupos de defesa da liberdade religiosa, que alegam que a norma restringe testemunhos de fé e experiências pessoais.

Reação

Em mensagem divulgada pela Christian Legal Centre (CLC) após o novo adiamento, Grech expressou decepção com a demora no julgamento, mas reafirmou sua confiança em Deus: “Jesus disse: ‘Alegrem-se quando forem perseguidos por causa do meu nome’, então eu permaneço alegre”, declarou. “Não me surpreendo quando as provações chegam, porque fomos avisados de que elas viriam. Então, sinto paz”.

Grech também agradeceu o apoio recebido de cristãos de vários países e afirmou que enxerga o processo como parte de uma missão maior: “Sinto-me muito apoiado pela minha família cristã em todo o mundo, mas também carrego um senso de responsabilidade. Acredito que estamos fazendo um ótimo trabalho ao defender Cristo neste momento”, afirmou.

O caso, que ganhou repercussão internacional, reacendeu o debate sobre liberdade de expressão, fé e legislação de gênero na Europa. Ainda não há nova data definida para a leitura do veredito, de acordo com informações do portal The Christian Post.

Ator que interpreta Tadeu em ‘The Chosen’ lança devocional

O ator Giavani Cairo, conhecido por interpretar Tadeu na série The Chosen, está ampliando sua jornada espiritual para além das telas. Após sete anos dando vida ao discípulo de Jesus, o artista lançou um devocional em áudio de sete dias intitulado “Acreditando Quando Tudo Parece Perdido”, disponível por meio de uma parceria com o aplicativo Glorify.

O projeto faz parte de uma série especial que reúne outros intérpretes da produção bíblica e busca inspirar ouvintes a redescobrir a fé em meio às incertezas.

Cairo descreve o devocional como uma oportunidade de celebrar a “fé silenciosa”, conceito que, segundo ele, reflete tanto a vida de Tadeu quanto a de muitos que vivem sua crença discretamente. “Espero que as pessoas saiam daqui com uma conexão mais profunda com sua fé, especialmente aquelas que talvez sintam que não são vistas como gostariam. Deus nos vê a todos, e a fé silenciosa é linda”, afirmou.

O ator explica que sempre se sentiu atraído pelo discípulo Tadeu — chamado por diferentes nomes no Novo Testamento — por causa de sua humildade e sinceridade. “Ele lidera com amor e faz com que os outros saibam que pertencem a algum lugar. Tento refletir isso na minha vida, mas ele me ensinou a ser ainda melhor nesse aspecto”, disse.

Transformação pessoal

Durante a entrevista, Cairo contou que o papel o transformou pessoal e espiritualmente, um sentimento compartilhado por outros membros do elenco e pelo diretor da série, Dallas Jenkins. Ele destacou uma cena da quinta temporada como um dos momentos mais marcantes de sua carreira. “Jesus deixa claro para Tadeu que ele — aquele que muitas vezes é esquecido — tem muito a oferecer. Naquele momento, percebi que Ele não estava falando só com Tadeu, mas também comigo e com todos nós”, relatou.

A experiência de filmar o devocional sem a equipe habitual foi, segundo Cairo, um desafio. “Foi diferente não ter minha família de The Chosen comigo, mas esses sete anos me prepararam para momentos como este. Eles me ajudaram a crescer como ator e como pessoa”, afirmou.

Redescoberta da fé

Antes de integrar o elenco de The Chosen, Cairo viveu um período de incerteza profissional e espiritual. Criado em uma família católica, ele contou que se afastou da fé após mudar-se para Los Angeles, onde enfrentou dificuldades para conseguir papéis relevantes. “Eu não me sentia realizado e sentia falta da minha família em Michigan. Também sentia falta de me conectar com Deus”, recordou.

Um amigo o convidou para participar de um programa sem fins lucrativos voltado à definição de metas pessoais e serviço comunitário. Foi ali que, segundo ele, sua trajetória mudou. “Meus dois objetivos eram conseguir meu primeiro papel em uma série e me aproximar de Deus. Eu me comprometi a ler a Bíblia e orar diariamente. Pouco antes de o programa terminar, recebi o convite para o teste de The Chosen”, contou.

Cairo vê o ato de contar histórias como uma expressão de adoração e uma maneira de refletir a imagem divina. “Vejo a criatividade como um dos reflexos mais puros da imagem de Deus em nós. Agradeço todos os dias por poder ser um instrumento, não apenas para a história de Tadeu, mas também para a dEle”, afirmou.

Ele explicou que sua fé é o alicerce de seu processo criativo: “Minha fé e minha oração me ancoram. Leio o roteiro, analiso as cenas, mas é minha entrega a Deus que me liberta para contar a história”.

Fé e tecnologia unidas

O ator também destacou que a parceria entre The Chosen e Glorify representa um elo entre a espiritualidade e o universo digital, sobretudo entre os jovens. O aplicativo oferece meditações guiadas, leituras bíblicas, devocionais e playlists personalizadas, facilitando o acesso à fé no cotidiano. “A geração mais jovem se conecta com a fé por meio da narrativa, porque as histórias atingem o coração antes da mente”, observou.

Cairo acredita que a combinação entre arte, tecnologia e fé pode gerar transformação real. “Minha esperança é que essa colaboração ajude as pessoas a aprofundarem seu relacionamento com Deus no dia a dia. Esta é uma parceria que pode transformar inspiração em transformação”, declarou, segundo o The Christian Post.

O ator deixou uma mensagem de encorajamento, alinhada à essência de seu devocional: “Deus vê você. Ele vê todos nós. Você nunca está sozinho. Quando seguimos a humildade e o amor de Jesus, Ele traz para nossas vidas pessoas com esse mesmo coração”.