Repressão do Irã aos protestos resulta na morte de sete cristãos

Sete cristãos armênio-iranianos foram confirmados entre os mortos por forças de segurança durante protestos no Irã. Uma das vítimas foi identificada publicamente como Ejmin Masihi, e informações consideradas confiáveis indicaram outros três cristãos feridos nas manifestações.

Além disso, ao menos um cristão de origem muçulmana estaria entre os milhares de detidos em prisões realizadas em diversas regiões do país. A preocupação aumenta porque convertidos ao cristianismo costumam relatar tratamento mais severo, em um contexto em que a religião oficial do Irã é o islamismo e a conversão é vista como ruptura grave com a ordem religiosa e social.

A Missão Portas Abertas afirmou que a instabilidade atual atingiu tanto comunidades cristãs reconhecidas, como armênio-iranianos e assírios, quanto grupos não reconhecidos, como cristãos de origem muçulmana. Segundo a entidade, a dimensão real das mortes ainda é incerta e o bloqueio de internet tem dificultado a verificação e a atualização de informações.

A organização também descreveu que a violência alcançou um patamar que muitos classificam como massacre de civis. Para cristãos no Irã, o período é marcado por luto e por pedidos urgentes de proteção, justiça e respeito a direitos humanos básicos, incluindo a liberdade religiosa.

Em nota, a Portas Abertas pediu oração pelas famílias de Ejmin Masihi e das demais vítimas cristãs, citando a necessidade de conforto e força. A entidade também solicitou intercessão por feridos, por cura e restauração física e emocional, e mencionou o cristão de origem muçulmana detido, além de outros cristãos presos, com o pedido de que sejam protegidos e libertos rapidamente.

Por fim, a organização afirmou que, em meio à instabilidade, a igreja iraniana deve permanecer como sinal de esperança e paz, mantendo o anúncio da fé cristã diante do cenário de repressão e incerteza.

Síria: cessar-fogo leva esperança a cristãos, apesar das dúvidas

A Síria anunciou um cessar-fogo imediato em todo o país com as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas por curdos, encerrando quase duas semanas de confrontos. Cristãos e outras minorias relataram, porém, que o acordo não elimina o temor de perseguição e de instabilidade prolongada após a mudança de governo.

A mídia estatal síria informou que o cessar-fogo integra um acordo de 14 pontos que prevê a incorporação das FDS às estruturas militares e de segurança do país. O presidente Ahmed al-Sharaa declarou que o entendimento permitiria a Damasco retomar o controle das províncias de al-Hasakah, Deir Ezzor e Raqqa, áreas do nordeste e do leste que concentram parte relevante dos recursos de petróleo e gás.

Pelos termos divulgados, as autoridades sírias passariam a controlar instituições civis, passagens de fronteira e instalações de energia que estavam sob administração das FDS. O acordo prevê que integrantes das FDS sejam integrados aos ministérios da Defesa e do Interior após um processo de avaliação. O governo sírio também ficaria responsável por prisões e campos de detenção que abrigam dezenas de milhares de combatentes estrangeiros do Estado Islâmico e familiares.

O texto do acordo reafirma compromissos relacionados a direitos culturais e linguísticos curdos. Entre os pontos citados, está o reconhecimento do curdo como língua oficial e o reconhecimento do Ano Novo Curdo como feriado nacional, em uma medida descrita como inédita desde a independência da Síria, em 1946.

O comandante das FDS, Mazloum Abdi, confirmou o acordo em declarações transmitidas por televisão curda. Ele afirmou que o cessar-fogo buscava evitar uma guerra mais ampla e disse que os combates recentes foram “impostos” às forças sob seu comando. Abdi declarou que informaria comunidades curdas sobre o conteúdo do entendimento após retornar de Damasco. Veículos curdos também registraram que ele citou o compromisso das FDS com a preservação da autonomia curda construída durante a guerra civil, em um período marcado pelo apoio dos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico.

Um refugiado sírio curdo e cristão, que vive na Europa e pediu anonimato por motivos de segurança, disse que o cessar-fogo não reduz, por si só, os riscos percebidos por minorias. “Há muito tempo que tenho medo pelas minorias na Síria — ou, mais precisamente, pelos diferentes segmentos da sociedade síria, incluindo curdos, alauítas, drusos e cristãos”. Ele afirmou ainda: “Ao longo do último ano, testemunhamos o que pode ser descrito como violência genocida contra esses grupos, um após o outro”.

O refugiado citou ataques contra comunidades alauítas no litoral, violência contra drusos no sul, explosões em igrejas em Damasco e, mais recentemente, ataques em áreas curdas. Ele disse que celebrações de aniversário do que as autoridades chamaram de “libertação da Síria” ampliaram receios ao mostrar combatentes armados entoando versículos do Alcorão e fazendo ameaças associadas ao Estado Islâmico.

“Não havia nenhuma mensagem de inclusão ou proteção para as minorias — apenas sonhos de estabelecer um Estado islâmico”, pontuou, acrescentando que vídeos mostravam combatentes alinhados às novas autoridades usando insígnias do Estado Islâmico e cometendo abusos que, segundo ele, lembravam as atrocidades do grupo em 2015, segundo informações do portal The Christian Post.

Ele também apontou preocupação com a transferência do controle de centros de detenção antes administrados pelas FDS. O refugiado afirmou que autoridades passaram a controlar uma prisão em Raqqa que abriga cerca de 5.000 prisioneiros do Estado Islâmico capturados desde 2015, e disse temer libertações e um possível ressurgimento do extremismo. “Tal desenvolvimento colocaria todos os não muçulmanos — e até mesmo muitos muçulmanos — em grave perigo”.

O refugiado criticou o que chamou de leitura simplificada, em parte do debate público europeu, sobre a segurança no país, em meio a discussões sobre retorno de refugiados e a contatos diplomáticos com a nova liderança. “Como curdo e alguém que se converteu recentemente do islamismo ao cristianismo, jamais poderei retornar à Síria”. Ele disse que, mesmo se voltasse, viveria sob risco caso o governo identificasse sua história e suas crenças.

Ele reconheceu sinais que descreveu como cautelosamente positivos no acordo, como promessas de proteção de direitos linguísticos e culturais curdos, mas afirmou que os efeitos ainda não foram demonstrados. “São apenas promessas, e ainda estamos aguardando mudanças reais no terreno”.

A organização Portas Abertas colocou a Síria na 6ª posição da Lista Mundial de Vigilância 2026, divulgada na terça-feira, 14 de janeiro, após o país ter ocupado a 18ª posição no ano anterior. A entidade afirmou que a pontuação de violência subiu de sete para 16,1, em um total possível de 16,7, e disse que o índice geral de perseguição chegou a 90, em meio a assassinatos, ataques a igrejas e fechamentos forçados de instituições cristãs. A Portas Abertas estimou que cerca de 300 mil cristãos permaneçam no país, número menor do que o de uma década atrás, em um quadro que, segundo a entidade, amplia a vulnerabilidade sem proteção estatal confiável.

A entidade missionária afirmou que ao menos 27 cristãos foram mortos por causa da fé no período analisado e citou um atentado suicida em junho de 2025 atribuído a uma célula do Estado Islâmico na Igreja Ortodoxa Grega de Mar Elias, em Damasco, que matou 22 fiéis e feriu dezenas.

O refugiado disse que a saída, no momento, é a oração: “Tudo o que podemos fazer é orar”. Ele concluiu com um apelo por transformação, ao mencionar a história bíblica da mudança de Saulo em Damasco: “Para que, assim como Deus transformou a vida de Saulo em Damasco, Ele também transforme este novo ‘Saulo’ em Damasco hoje”.

Espanha: evangélicos pedem orações após acidente de trem

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A Federação de Entidades Religiosas Evangélicas da Espanha (FEREDE) pediu orações e apresentou condolências públicas às vítimas e aos familiares do acidente ferroviário em Adamuz, na província de Córdoba, na Andaluzia. Autoridades informaram que 41 pessoas morreram e 292 ficaram feridas após a colisão entre dois trens na região.

O acidente envolveu um trem Renfe Alvia que seguia de Málaga para Madri e um trem da Iryo que fazia o trajeto de Madri para Huelva. As autoridades informaram que 12 feridos precisaram de atendimento em unidades de terapia intensiva, incluindo quatro crianças.

Equipes de resgate continuavam trabalhando no local para retirar vítimas entre os destroços, e representantes do governo andaluz alertaram que o número de mortos ainda pode aumentar. Autoridades disseram haver suspeita de pessoas presas sob partes dos vagões mais danificados.

Investigadores da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários apontaram, como hipótese inicial, a possibilidade de uma junta defeituosa entre dois trechos de trilhos. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, descreveu o caso como “extraordinariamente estranho”, ao mencionar que a linha havia sido reformada em maio de 2025, com custo de € 700 milhões.

Após a colisão, a FEREDE publicou uma mensagem convocando igrejas a se unirem em oração e manifestou solidariedade às famílias das vítimas e aos feridos. “Expressamos nossas mais sinceras condolências e a solidariedade de toda a comunidade evangélica às famílias das vítimas, aos feridos e seus parentes”. A federação afirmou também: “Compartilhamos com todos eles o choque e a profunda dor por esta terrível tragédia”. A entidade pediu “conforto e força para os afetados e sabedoria para as autoridades, equipes de emergência, especialistas e peritos que trabalham para esclarecer as causas”.

A federação defendeu medidas para ampliar a segurança no sistema ferroviário. “Solicitamos também que sejam tomadas as medidas necessárias para reforçar a segurança ferroviária e evitar a repetição de tais eventos lamentáveis”. A organização acrescentou: “Confiamos na esperança da vida eterna em Cristo e afirmamos, mesmo em meio à dor, a certeza do amor de Deus e de seus propósitos eternos”.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez visitou Adamuz após o acidente e decretou três dias de luto nacional. O rei Felipe VI comentou o caso ao falar sobre o trabalho de resgate em andamento e disse que mantinha contato com autoridades nacionais e regionais para acompanhar informações.

De acordo com o Christian Daily, o monarca afirmou: “A prioridade agora é atender, acompanhar, ajudar e prestar assistência a todas as pessoas afetadas por este acidente brutal”. Ele também elogiou a atuação de moradores de Adamuz que prestaram ajuda no local e disse ter palavras de gratidão a eles.

Morreu Robert Cunville, evangelista que pregou em todo o planeta

Robert Rieweh Cunville, evangelista indiano que pregou em países da África, Ásia e Europa e mais tarde atuou como evangelista associado de Billy Graham, morreu no sábado, 17 de janeiro de 2026, em um hospital de Shillong, no nordeste da Índia. Ele tinha 86 anos. A saúde dele vinha se deteriorando desde um ataque cardíaco em 26 de dezembro de 2025, durante o período de Natal.

Ao longo de mais de cinco décadas de ministério, Cunville pregou para públicos de diferentes tamanhos em dezenas de países. Pessoas próximas a ele destacaram a rotina de oração, a discrição no trabalho pastoral e a recusa em buscar projeção pessoal, mesmo com viagens frequentes e participação em grandes eventos de evangelização.

O reverendo Vijayesh Lal, secretário-geral da Aliança Evangélica da Índia, afirmou: “Ele nunca buscou a fama, mas sua pregação tinha peso porque emanava de uma vida enraizada na oração e na obediência”.

Cunville nasceu em sábado, 15 de março de 1939, em Tezpur, no estado de Assam, na Índia. Ele era filho do Dr. RL Cunville e de Felicia Kharshiing, ambos cristãos de origem Khasi, do nordeste indiano. A família tinha boa condição social e trajetória educacional definida, e ele planejava estudar direito na Inglaterra, segundo o relato atribuído à Associação Evangelística Billy Graham.

A mudança de rumo ocorreu após uma experiência religiosa em que ele ouviu um pregador e decidiu se dedicar ao cristianismo. A Associação Evangelística Billy Graham relatou que os pais ficaram surpresos com a decisão, mas apoiaram o compromisso dele com o ministério.

Entre 1958 e 1965, Cunville estudou teologia na Universidade de Serampore e concluiu bacharelado em Divindade e mestrado em Teologia. Ele foi ordenado em 1966 pelo Sínodo Presbiteriano Khasi Jaintia. Em 1975, obteve um mestrado em missões no Seminário Teológico Fuller, na Califórnia, com pesquisa sobre o crescimento da Igreja Presbiteriana nas colinas Khasi e Jaintia.

Após a formação, ele atuou como professor no Cherra Theological College, em Sohra, e trabalhou como secretário de juventude do Conselho Nacional de Igrejas por quatro anos. Em 1965, casou-se com Carol Rani, de Shillong. O casal teve dois filhos. Ele também pastoreou a Union Chapel, em Calcutá, por quatro anos e, em 1998, passou a integrar formalmente a Igreja Presbiteriana de Laitumkhrah, em Shillong, vínculo mantido até a morte.

A relação com Billy Graham ganhou forma em 1972, quando Cunville atuou como coordenador local de uma cruzada em Kohima, no estado de Nagaland. O Conselho da Igreja Batista de Nagaland descreveu o encontro como um marco para a região, com impacto entre fiéis e igrejas locais. O ministro-chefe de Nagaland, Neiphiu Rio, que participou do evento quando jovem, afirmou: “Ela semeou sementes de fé, esperança e despertar que continuam a dar frutos até hoje”.

Cinco anos depois, em 1977, Billy Graham o convidou para integrar a Associação Evangelística Billy Graham como evangelista associado, função que o levou a pregar em diversos países. Franklin Graham afirmou que Cunville “foi o último evangelista ainda vivo que trabalhou com meu pai” e disse: “Ele era um dos homens mais humildes e tementes a Deus que já conheci. Sentiremos muito a sua falta. Ele foi uma grande inspiração para mim e para nossa equipe”.

A pregação de Cunville era descrita por colegas como consistente e centrada na mensagem cristã, sem adaptações frequentes ao público. Em um congresso de evangelismo em Berlim, em maio de 2025, ele disse a líderes cristãos: “Nunca se esqueçam do sangue de Jesus Cristo. Não importa qual sermão vocês preguem, terminem falando sobre o sangue”.

Além das cruzadas, Cunville manteve atuação em treinamentos evangelísticos, conferências bíblicas e encontros pastorais. Em 30 de novembro de 2025, ele pregou em Kohima no evento “Nagaland United: A Gathering of Faith, Hope and Revival”, após Franklin Graham não conseguir participar por problemas de visto, em uma ocasião descrita como sua última pregação pública.

Cunville também ocupou cargos nas Sociedades Bíblicas Unidas. Ele foi eleito presidente em 2010, reeleito em 2016 para mais seis anos e, em 2023, recebeu o título de presidente emérito, sendo apontado como o primeiro asiático a liderar a instituição. Ele também presidiu a Sociedade Bíblica da Índia.

Em 2018, após a morte de Billy Graham, Cunville foi escolhido para orar no funeral, realizado em Charlotte, nos Estados Unidos, diante de cerca de 2.000 convidados e líderes cristãos de 50 países. Na cerimônia, ele disse: “Sabemos que foste Tu, Tu que conduziste as inúmeras almas aos pés da cruz. Pois é isso que o teu servo diria: ‘Ó Deus, não fui eu. Não fui eu, mas Deus que o fez’”.

De acordo com o portal Christian Daily, o funeral de Cunville foi marcado para terça-feira, 20 de janeiro de 2026, com cerimônia ao meio-dia na residência, culto na Igreja Presbiteriana de Laitumkhrah e sepultamento no cemitério cristão. Ele deixa a esposa, Carol Rani, e dois filhos.

Pastor afirma que ‘crente pirracento’ atrapalha missão da igreja

Um pastor se queixou da existência do “crente pirracento” nas igrejas durante uma pregação em que falava sobre a missão dada por Deus ao profeta Jonas e o comportamento dele.

Durante a pregação, o pastor Jander Magalhães destaca que o comportamento do profeta – que se recusa a pregar ao povo – se transforma em um problema: “Deus tinha um problema que era salvar Nínive. Se Deus tem um problema para resolver, Ele chama quem? Um servo dele para resolver o problema. Só que quando Deus chama esse cidadão, Deus agora não tem um problema, Deus agora tem dois”.

Em seguida, o pastor aponta a realidade silenciosa das igrejas atuais: “Deixa eu te falar um negócio do fundo da minha alma: Deus te chamou pra ser solução. Para de criar problema. A igreja, em vez de estar [buscando] gente que nunca conheceu Jesus, a igreja em vez de estar correndo atrás de gente, evangelizando, falando de Jesus, tem que estar correndo atrás de crente pirracento que não quer voltar para a igreja, não quer voltar a tomar Santa Ceia, que não sei o quê, com medo de não sei o quê. Ah, pelo amor de Deus!”.

Ainda desabafando, o pastor cita a falta de maturidade cristã por parte de muitos evangélicos: “Deus te chamou para ser solução e não problema. Você tem que estar reunido em gabinete resolvendo o problema de gente cabeça dura, porque não sei o quê… A igreja foi chamada para ganhar alma. A igreja foi chamada para ganhar alma. Deus nos chamou para ser solução e não problema”.

Ao final, o pastor Magalhães afirmou que o perfil problemático não tem relação com o tempo de conversão, mas com a compreensão equivocada do que é ser cristão: “Gente velha na igreja, um ano, dois anos, seis meses, oito anos, quinze anos, você tem que estar atrás dele, dizendo, vem, irmãozinho, vem, vem aqui, vem… rapaz, toma posicionamento diante de Deus, tu não está fazendo favor de servir a Deus, ele é um privilégio nosso”.

Assembleia diz ao MP que blocos de carnaval atrapalham cultos

A Assembleia de Deus de Condado, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, pediu a blocos e arrastões carnavalescos que evitem barulho durante os horários de culto. Após a solicitação, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um inquérito civil na quinta-feira, 15 de janeiro, para reunir informações com a prefeitura sobre a organização do Carnaval no município.

O MP informou que a igreja solicitou que os blocos evitem o uso de equipamentos sonoros e reduzam ruídos ao passar em frente aos templos no período das celebrações religiosas, realizadas diariamente das 19h às 21h. A denominação afirmou que o som dos eventos tem interferido na realização dos cultos.

O Ministério Público declarou que o inquérito busca “ponderar e, se possível, harmonizar os direitos fundamentais à liberdade religiosa e à liberdade cultural”, garantidos pela Constituição Federal. O órgão afirmou que a medida não tem caráter punitivo e tem como objetivo entender como o município organiza os eventos e quais providências são adotadas diante da proximidade entre manifestações culturais e locais de culto.

A portaria de abertura do procedimento citou a Prefeitura de Condado como “investigada”, e o MP afirmou que a medida não representa uma investigação contra a gestão municipal. O órgão disse que pretende levantar informações sobre políticas públicas relacionadas ao Carnaval e avaliar se existem critérios para conciliar eventos culturais com atividades religiosas.

O MP informou que, até o momento, não cogitou oficialmente impor silêncio aos blocos quando passarem pelos templos. O órgão afirmou que, se necessário, atuará como mediador entre as partes para buscar soluções que preservem a liberdade de culto e a liberdade de expressão cultural.

“A Constituição Federal assegura tanto a liberdade de manifestação cultural quanto a liberdade de culto religioso. Nesse sentido, o MPPE atua como interlocutor, buscando ajustes que se mostrem convenientes e oportunos, se assim se mostrar adequado após a coleta das informações”, declarou o MP, de acordo com o Diário de Pernambuco.

Operação em igreja na China resulta na prisão de mais de 200 fiéis

A Igreja Yayang, rede de igrejas domésticas na China, foi alvo de ações policiais em dezembro de 2025, período em que cristãos se preparavam para celebrar o Natal. Um cristão local relatou que integrantes da comunidade foram levados à força e que veículos estacionados no local ficaram apreendidos por vários dias.

“Os cristãos foram levados à força, e até os veículos estacionados na igreja foram apreendidos por vários dias. Em certo momento, a polícia invadiu a casa de um cristão, revirando tudo em busca de ‘provas’, deixando a família apavorada”, relatou um dos fiéis que moram na região.

Membros da Igreja Yayang afirmaram que, nos últimos anos, a comunidade resistiu a exigências associadas à política estatal de “sinicização da religião”. Eles disseram que a igreja se recusou a remover a cruz do prédio, hastear a bandeira nacional, instalar câmeras de vigilância e impedir a participação de menores de idade nos cultos.

Moradores e membros da igreja relataram que a pressão aumentou na província de Zhejiang, onde a Igreja Yayang é descrita como uma referência religiosa local. Cristãos da região afirmaram que, em dezembro de 2025, mais de mil policiais, agentes de forças especiais, tropas de choque e bombeiros cercaram um dos principais pontos de reunião da igreja e levaram mais de 200 pessoas.

Segundo os relatos, a maioria dos detidos foi liberada em até 24 horas, mas mais de 20 líderes e obreiros continuaram presos, sob acusações que a comunidade classificou como arbitrárias. Integrantes da igreja também afirmaram que advogados que tentaram atuar na defesa enfrentaram dificuldades e impedimentos.

Líderes cristãos locais pediram apoio em oração e descreveram o impacto das detenções na comunidade. “Nossos irmãos e irmãs estão enfrentando pressão implacável e precisam urgentemente das orações de todos. Mesmo que Satanás se enfureça, cremos firmemente que tudo está sob a soberania de Deus. No meio da tempestade, o Senhor caminha conosco”.

Cristãos locais informaram que o prédio principal da Igreja Yayang foi fechado pelas autoridades e que a estrutura foi coberta por andaimes e barricadas. Eles disseram que máquinas pesadas, como guindastes e escavadeiras, foram levadas ao local, e que câmeras de vigilância foram instaladas em diferentes pontos.

Membros da comunidade afirmaram que não sabem quais serão os próximos passos das autoridades, incluindo a possibilidade de retirada da cruz ou demolição do prédio. Eles também relataram que pessoas foram levadas para interrogatório após publicarem comentários sobre a igreja.

Um cristão local afirmou que famílias ligadas à comunidade passaram a ser monitoradas e que contatos com elas podem gerar novos questionamentos: “Alguns cristãos e suas famílias estão sendo monitorados, e qualquer pessoa que tente entrar em contato com eles corre o risco de ser envolvida. As autoridades continuam pressionando, determinadas a encontrar algo que possam distorcer em falsas acusações contra os cristãos detidos”.

A Missão Portas Abertas declarou que acompanha o caso e pediu intercessões pela comunidade: “Ore para que o Senhor preserve os cristãos da Igreja Yayang, concedendo paz, unidade e sabedoria mesmo sob pressão. Interceda pelos cristãos que estão detidos, pedindo ao Senhor que cuide da saúde deles, fortaleça sua fé e os use para alcançar vidas no cárcere com o amor de Deus. Peça consolo do Espírito Santo para as famílias dos cristãos presos enquanto estão longe de seus entes queridos. Peça ao Senhor que desfaça os planos de oposição à igreja de Cristo e use cada situação para salvar vidas e glorificá-lo por meio do testemunho e do ministério da igreja”.

Igreja é atacada com fezes e Polícia de NY reforça presença

A cidade de Nova York informou que ampliará a presença policial perto de igrejas em Staten Island após uma sequência recente de ocorrências criminosas, incluindo vandalismo, em templos da região.

A chefe assistente do Departamento de Patrulha do Distrito de Staten Island, Melissa Eger, declarou em entrevista coletiva na quinta-feira que novas medidas serão adotadas para reforçar a proteção dos locais de culto. “Portanto, quero enfatizar que nenhum desses incidentes indica que igrejas foram alvo de ataques devido à sua afiliação religiosa”, afirmou.

“Esses atos foram de oportunismo e furto, com um incidente separado envolvendo uma pessoa com doença mental. Dito isso, qualquer incidente, especialmente uma interrupção do culto que ocorra em qualquer local de culto, gera séria preocupação em nossa comunidade, e nós sabemos disso”.

Melissa Eger afirmou que agentes de Relações Comunitárias do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) farão visitas regulares a locais de culto para fortalecer o contato com a comunidade, orientar lideranças e implementar medidas de segurança. Ela disse ainda que patrulhas já aumentaram a presença em congregações e instituições religiosas que foram alvo de crimes, com foco em prevenir novas ocorrências.

A entrevista coletiva ocorreu em frente à Igreja Católica Romana de Santa Ana, em Staten Island, após um episódio registrado durante um culto. Na manhã de uma sexta-feira no início do mês, a polícia foi chamada ao local quando um homem causou tumulto no santuário e entrou em confronto físico com policiais perto do altar.

Durante a abordagem, houve troca de socos, e o homem foi imobilizado com uma arma de choque, segundo o relato. O altar sofreu danos e flores foram derrubadas durante o confronto.

O motivo da interrupção não foi informado. Foi relatado que o homem não era membro da igreja e ele foi levado ao hospital para avaliação.

Na missa realizada no dia seguinte, o reverendo Steve Challman mencionou o ocorrido e falou aos fiéis. “Tivemos alguns dias difíceis aqui em St. Ann’s”, disse. “Mas nos encontramos reunidos aqui, como fazemos todas as semanas, na presença do Senhor”, afirmou. “E como família paroquial, oramos por todos os que foram afetados pelos eventos de ontem e agradecemos aos membros do Departamento de Polícia de Nova York que estão conosco esta noite e que passam todos os dias protegendo Staten Island”.

Outro caso citado ocorreu na Igreja Católica de São Silvestre, em Concord, durante a missa da manhã de Natal. O padre Jacob Thumma afirmou que encontrou fezes humanas na porta do templo: “Enquanto a missa acontecia por volta das 10h30, eu estava caminhando até a igreja para agradecer às pessoas e encontrei fezes humanas na porta. Estavam espalhadas do lado de fora da porta”, afirmou.

Ele disse que pediu para os fiéis entrarem pela porta lateral para evitar que o episódio fosse visto. “Ontem, havia muita gente na missa e eu não queria que ninguém visse aquilo. Então, mandei todos entrarem pela porta lateral”, declarou, de acordo com o The Christian Post.

Número de abortos na Inglaterra e País de Gales bate recorde

A Inglaterra e o País de Gales registraram 277.970 abortos em 2023, o maior total já contabilizado, segundo dados oficiais divulgados na quinta-feira, 15 de maio, pelo Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido. O número foi descrito como o mais alto desde a aprovação da Lei do Aborto, em 1967.

O levantamento apontou aumento de 11% em relação a 2022 e indicou crescimento em todas as faixas etárias entre 2022 e 2023. Entre menores de 18 anos, a taxa subiu de 6,4 abortos por mil mulheres em 2021 para 7,8 em 2023.

A maior taxa foi registrada entre mulheres de 20 a 24 anos, com 39,4 abortos por mil mulheres. O relatório também apontou que 89% dos procedimentos ocorreram entre a 2ª e a 9ª semana de gestação, totalizando 248.250 casos, enquanto quase 30 mil foram realizados após a 9ª semana.

Os abortos a partir da 20ª semana ficaram entre 1% e 2% do total, segundo o documento.

Em 2023, 87% dos abortos foram realizados por medicamentos prescritos por médicos. O método mais comum foi o uso de medicamentos em casa, autorizado em março de 2020 durante a pandemia, que respondeu por 72% dos casos, com 200.745 procedimentos, cerca de 50 mil a mais do que no ano anterior.

O relatório indicou que 81% dos abortos ocorreram em clínicas privadas financiadas pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS). A proporção de procedimentos realizados diretamente em hospitais do NHS caiu de 19% em 2022 para 17% em 2023.

Dawn McAvoy, representante da campanha pró-vida Both Lives UK, afirmou que o relatório era aguardado havia dois anos e destacou o volume de procedimentos. “Esperamos dois anos por este relatório, e a dimensão do que ele revela é impressionante: 277.970 abortos, o que dá uma média de 762 abortos por dia: 32 por hora e um aborto a cada dois minutos”, disse.

Ela declarou que o atraso na divulgação deixaria “lacunas importantes” e citou a necessidade de cautela ao analisar dados sobre abortos relacionados a deficiências e complicações pós-procedimento. Dawn McAvoy afirmou que esses pontos podem estar subnotificados, o que dificultaria a avaliação de impactos.

Dawn McAvoy disse que os motivos para a demora na publicação dos dados não foram explicados de forma clara. Ela também afirmou que, durante o período de espera, grupos favoráveis ao aborto avançaram com propostas de mudanças que, segundo ela, estão entre as mais amplas desde 1967, conforme informado pelo Evangelical Focus.

Universal: ex-pastor sofre derrota na Justiça em ação por danos

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) negou o pedido de um ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, em Mato Grosso do Sul, que buscava o reconhecimento de vínculo empregatício e indenização por danos morais após atuar na denominação entre 2011 e 2024.

O ex-pastor afirmou que exercia atividades típicas de empregado, com excesso de tarefas, metas internas, ausência de férias e trabalho até no único dia de folga. Ele declarou que os valores recebidos por mês variavam entre R$ 3,2 mil e R$ 5,5 mil e alegou ter sido submetido a uma vasectomia como condição para permanecer no ministério pastoral.

A Justiça do Trabalho concluiu que não ficaram caracterizados os requisitos necessários para vínculo de emprego previstos na CLT, como subordinação jurídica e remuneração com natureza salarial. Testemunhas relataram que a igreja fornecia moradia e que os valores pagos tinham finalidade de custear despesas familiares, em um contexto descrito como vocacional e religioso.

Conforme os registros do caso, o ex-pastor atuou em igrejas de Bataguassu, Campo Grande, Pedro Gomes e Cassilândia, em Mato Grosso do Sul, e também passou por períodos de atuação no Equador, na Colômbia e na Venezuela. Depois de retornar ao Brasil, ele foi designado para Bom Jesus, no Rio Grande do Norte, e, posteriormente, foi desligado da instituição.

Sobre a alegação de vasectomia imposta, a Justiça reconheceu que o procedimento ocorreu, mas entendeu que não houve prova suficiente de que a cirurgia tenha sido determinada pela igreja. O relator apontou que não ficou demonstrada coação institucional relacionada à decisão médica.

A decisão também considerou que as metas de arrecadação mencionadas estavam ligadas a contribuições voluntárias de fiéis, voltadas à manutenção da igreja e a ações sociais, sem comprovação de finalidade comercial ou de punições por descumprimento de regras internas. Com isso, o TST manteve as decisões anteriores e rejeitou, de forma definitiva, o pedido de vínculo empregatício e a indenização por danos morais, de acordo com a Folha Gospel.

Em outros casos citados, a Justiça do Trabalho adotou entendimentos diferentes. Em novembro do ano passado, uma igreja evangélica de Belo Horizonte foi condenada a pagar R$ 95 mil por danos morais a um ex-pastor que declarou ter sido coagido a fazer vasectomia para permanecer no cargo, com reconhecimento de vínculo e verbas rescisórias.

Em março de 2025, a Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada no Ceará a indenizar um pastor em R$ 100 mil, após ele afirmar ter sido forçado a realizar o procedimento, e testemunhas relataram que ao menos 30 pastores teriam passado pela cirurgia em uma clínica clandestina; a decisão da 11ª Vara do Trabalho de Fortaleza foi confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho do Ceará.