Criadores do filme ‘Luz do Mundo’ esperam alcançar famílias

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O filme animado Luz do Mundo, produzido em 2D pelos cineastas John Schafer e Tom Bancroft, chega aos cinemas este mês. A obra apresenta a trajetória de Jesus a partir da perspectiva do apóstolo João, retratado como um jovem de 13 anos. Segundo os realizadores, o projeto foi concebido como um recurso de discipulado voltado a famílias e igrejas.

“Decidimos logo no início que esta história seria contada do ponto de vista do jovem João, o Apóstolo”, afirmou Bancroft. “Agora podemos narrar esta poderosa história bíblica, a maior já contada, a partir de um menino em busca de um Salvador e de um amigo, que acaba descobrindo ser o Messias”.

Origem do projeto

Bancroft tem longa carreira em animação, com passagens pela Disney em produções como A Bela e a Fera, O Rei Leão, Aladdin e Mulan. Schafer, por sua vez, é diretor e produtor premiado, conhecido pelo trabalho na série Superbook.

De acordo com Schafer, a ideia inicial surgiu ainda nos anos 1990 com Matt McPherson. “Ele sentiu fortemente que deveria fazer um filme sobre a vida de Jesus”, relatou. O projeto reuniu mais de 400 artistas que desenharam à mão as sequências da animação. Os cineastas comparam a ambição da produção ao impacto de O Príncipe do Egito, clássico de 1998.

Recursos para discipulado

Além da narrativa, o filme inclui ao final uma mensagem direta do Evangelho e um convite à oração. “Acho que é um poderoso apelo para famílias comuns. Se você quiser levar alguém e se sentir desconfortável em compartilhar o Evangelho, pode levá-lo ao cinema e deixar que este filme fale aos corações”, disse Schafer.

Contexto cultural

O lançamento ocorre em um momento de crescimento de produções bíblicas em larga escala, como The Chosen e Casa de Davi. “Acho que o mundo está em busca de esperança. As pessoas vão ver essas coisas porque estão procurando por algo”, declarou Schafer.

Música e impacto pessoal

O filme conta com a participação da dupla Shane & Shane, que compôs o hino Light of the World Medley. Schafer descreveu a parceria como “gratificante”.

Segundo Bancroft, a produção transformou sua forma de ler as Escrituras. “Temos agora uma versão animada, mais adequada para crianças, de A Paixão de Cristo, que pode ganhar vida para pessoas do mundo todo. Não consigo mais ler a Bíblia da mesma forma”.

Schafer destacou que a obra mostra Jesus de forma acessível. “Você O vê rindo, mostrando compaixão. Isso tornou meu relacionamento mais próximo”.

Os cineastas afirmaram ter contado com consultores bíblicos para manter a fidelidade às Escrituras, equilibrando cenas dramáticas como a traição de Judas e a crucificação com a classificação indicativa livre. “Permanecer fiel às verdades bíblicas era a tarefa número um. Honestamente, foi Deus o tempo todo”, disse Bancroft.

Schafer e Bancroft reforçam que o propósito central é apresentar a mensagem cristã a um público amplo: “Não há nada além de Deus envolvido nisso”, afirmou Bancroft. “Estamos todos animados para que as pessoas vejam… e para voltar à visão que Deus colocou no coração de alguém nos anos 90 e agora vê-la se concretizar”.

Prime Video inicia série ‘José do Egito’, do diretor de ‘The Chosen’

O Prime Video, serviço de streaming da Amazon, anunciou em setembro de 2024, durante a conferência Chosen Con em Orlando, Flórida (EUA), o início da produção da série José do Egito. O projeto terá oito episódios e está sob direção de Dallas Jenkins, criador de The Chosen.

As filmagens estão sendo realizadas no estado do Novo México, nos Estados Unidos. O papel principal será interpretado por Adam Hashmi, ator que já participou de produções como Bridgerton e Criminal Minds. O elenco reúne ainda Dakota Shapiro, Tannaz Shastiri, Ruben Vernier, Amir Malaklou, Moran Atias e Necar Zadegan, entre outros nomes da TV e do cinema.

Segundo informações divulgadas, a produção integra a expansão do universo bíblico iniciado pela empresa em 2019. A série será exibida exclusivamente no Prime Video, alcançando mais de 240 países e territórios, com dublagem e legendas em diversos idiomas.

Em declaração, Dallas Jenkins afirmou que o objetivo é retratar a vida de José de forma acessível ao público moderno. “A proposta é destacar dilemas humanos e emoções universais. Adaptar textos bíblicos exige equilíbrio entre fidelidade ao original e liberdade criativa, mas manteremos transparência nesse processo”.

Ainda não há data confirmada para estreia. Entre os próximos projetos previstos pela produtora estão novas séries bíblicas como Moisés, Atos dos Apóstolos, As Aventuras de The Chosen e The Chosen na Selva, esta última em parceria com o apresentador Bear Grylls.

Harvard: cientista afirma que matemática encontra provas de Deus

A ciência é frequentemente apresentada em contraste com a religião. No entanto, o astrofísico e engenheiro aeroespacial Dr. Willie Soon, da Universidade de Harvard, afirmou recentemente que uma fórmula matemática pode ser interpretada como prova da existência de Deus.

A declaração foi feita em entrevista à Tucker Carlson Network, onde o pesquisador destacou a previsão da antimatéria em 1928 como evidência de que o universo teria um projeto intencional.

Soon fez referência ao chamado “argumento do ajuste fino”, segundo o qual as leis e condições físicas do universo estariam precisamente calibradas para permitir a existência da vida, o que, segundo ele, torna improvável que tal cenário tenha surgido ao acaso.

Após o Big Bang, matéria e antimatéria se formaram juntas, mas em quantidades diferentes. A antimatéria possui carga oposta à da matéria, e, caso ambas existissem em proporções iguais, tenderiam a se anular. Para Soon, a assimetria observada é um indício de design proposital.

O cientista também citou o trabalho do físico britânico Paul Dirac, professor da Universidade de Cambridge, que em 1928 desenvolveu uma equação que desafiava as leis conhecidas da física. A fórmula combinava a famosa relação E=mc² de Albert Einstein, que estabelece que partículas com massa não podem atingir a velocidade da luz, com a equação de Schrödinger, usada para calcular a probabilidade de localização de partículas subatômicas. A solução inicial não funcionou, levando Dirac a incluir a hipótese de um elétron com energia negativa.

Na época, a ideia causou estranhamento, mas sua simplicidade e elegância levaram Dirac a defendê-la como verdadeira. Menos de dez anos depois, em 1932, a detecção de raios cósmicos confirmou a existência da antimatéria, validando sua teoria. A descoberta inaugurou a teoria quântica de campos, que uniu a mecânica quântica, a teoria da relatividade e a física de partículas.

Em 1963, Dirac escreveu em periódicos científicos que “parece ser uma das características fundamentais da natureza que as leis físicas fundamentais sejam descritas em termos de teoria matemática de grande beleza e poder, exigindo um padrão matemático bastante elevado para que alguém possa entendê-las”. Ele acrescentou: “Talvez alguém pudesse descrever a situação dizendo que Deus é um matemático de altíssima ordem, e Ele usou matemática muito avançada na construção do universo”.

Outros estudiosos também apresentaram argumentos semelhantes. Entre eles estão Richard Swinburne e Robin Collins, que desenvolveram análises baseadas no ajuste fino do cosmos. Eles citaram elementos como a força da gravidade, a razão entre as massas de prótons e elétrons e a chamada constante cosmológica, de acordo com informações do Daily Mail.

Segundo esses pesquisadores, pequenas variações nesses parâmetros teriam tornado impossível a formação da vida. Caso a gravidade fosse mais fraca, galáxias e estrelas não teriam se formado; se fosse mais intensa, o universo poderia ter colapsado em um buraco negro.

Da mesma forma, alterações significativas na proporção de massas entre prótons e elétrons poderiam inviabilizar a formação de moléculas complexas, como o DNA. Já mudanças na constante cosmológica poderiam ter levado a uma expansão acelerada ou a um colapso precoce do universo, ambos cenários incompatíveis com o surgimento da vida.

Cidade natal do apóstolo Pedro pode ter sido encontrada em Israel

Uma equipe de arqueólogos em Israel, liderada pelo professor Mordechai Aviam, do Kinneret College, anunciou novas evidências que podem confirmar a localização de Betsaida, cidade natal do apóstolo Pedro e cenário de milagres relatados no Novo Testamento.

A descoberta ocorreu em El-Araj, na margem norte do Mar da Galileia, após um incêndio de três dias expor vestígios arqueológicos. Segundo Aviam, que também dirige o Instituto de Arqueologia da Galileia no Kinneret College, os restos encontrados correspondem a estruturas do período romano.

“O incêndio nos ajudou muito a entender o local”, disse em entrevista, acrescentando que “após o incêndio, realizamos uma vistoria no terreno e constatamos que o local era muito maior do que imaginávamos”, conforme informado pelo All Israel News.

Entre os achados estão elementos arquitetônicos como tambores de pilares, dois capitéis coríntios, dois capitéis dóricos e várias cornijas, além de vestígios de casas e edifícios públicos.

A avaliação da equipe se apoia no estilo arquitetônico e em relatos do historiador judeu-romano Flávio Josefo. No século I d.C., em sua obra Antiguidades dos Judeus, Josefo descreveu que Filipe, filho de Herodes, elevou a vila de Betsaida à condição de cidade, chamando-a Júlias em homenagem à filha de César Augusto.

“À luz do que Josefo diz, Betsaida não poderia ter sido uma vila pequena”, observou Aviam.

Escavações em parceria

As escavações vêm sendo realizadas em conjunto com o professor Steven Notley, geógrafo histórico do Pillar College, em Nova Jersey, que atua como codiretor do projeto. A equipe localizou também uma inscrição em grego dedicada ao “Chefe e Líder dos Mensageiros Celestiais” e ao “Guardião das Chaves”, títulos tradicionalmente atribuídos ao apóstolo Pedro.

Apesar dos indícios, Aviam prefere cautela: “Não temos provas de que esta era a casa de Pedro, mas os construtores podem ter acreditado que era a casa de Pedro e André. É exatamente como Cafarnaum, onde a igreja foi construída diretamente sobre o que chamavam de casa de Pedro. Pedro nasceu em Betsaida, mas se mudou para Cafarnaum porque sua esposa era de lá”.

Mudanças no local

Aviam explicou que a vila judaica teria sido abandonada entre os séculos III e IV, possivelmente em razão da elevação do nível do lago, que causou inundações. Mais tarde, no século V, cristãos identificaram a área como Betsaida e iniciaram a construção de uma igreja.

O pesquisador também destacou os desafios da disciplina: “A arqueologia é uma ciência da destruição, porque quando você expõe algo, ele começa a se deteriorar. Portanto, se já temos as respostas de que precisamos, já temos certeza de que as estruturas são do período romano, entre o século I a.C. e o século I d.C., não precisamos escavar mais casas para provar isso”.

“Eu via demônios no meu berço”, diz mulher que praticava bruxaria

Adriana Mijangos, natural do México, cresceu em um ambiente familiar onde a prática de rituais ligados ao ocultismo era parte da rotina. Em entrevista ao Huesos Secos Podcast, ela relatou ser a quarta geração de mulheres em sua família a se dedicar a formas de bruxaria, incluindo a Santeria – prática sincrética que combina elementos de religiões africanas, indígenas e simbolismos católicos.

“Tenho lembranças de muito pequena, com 4 anos, já estar exposta ao mundo espiritual. Eu via demônios no meu berço. Para mim, era normal os pratos se moverem em casa, as gavetas se abrirem sozinhas”, declarou Mijangos.

Sua iniciação formal no ocultismo começou na infância, com incentivo direto da mãe, que também praticava bruxaria. Aos seis anos de idade, ela já realizava leituras de cartas como parte de suas atividades.

“Ela me dizia: ‘Você tem uma estrela, você vê coisas, você tem um dom’”, relatou. Segundo Mijangos, essa exposição precoce tornou-se um refúgio para uma infância marcada pela ausência parental e por experiências traumáticas, incluindo um abuso.

Com o tempo, aprofundou seus conhecimentos em diversas tradições, incluindo bruxaria celta, bruxaria verde e bruxaria branca, sendo orientada por outras praticantes.

Já na idade adulta, a jovem foi formalmente consagrada na Santeria, realizando rituais e sacrifícios que, em suas palavras, envolviam pactos e trocas espirituais. “Há sempre uma troca, Satanás nunca lhe dará nada, sempre vai te cobrar algo. Entreguei a minha alma ao diabo”, afirmou.

Aos 20 anos, Adriana mantinha uma carreira lucrativa como vidente, atendendo até trinta pessoas por dia e realizando consultas a entidades para supostamente prever o futuro. No entanto, um evento sobrenatural mudou sua trajetória. Durante um ritual realizado às 5h da madrugada em sua casa, ela relatou ter tido uma visão intensa.

“A sala era cheia de quadros de santos nas paredes e aqueles rostos começaram a derreter, como se eu estivesse em um filme de fantasia. Eu vi a verdadeira face do que eu estava adorando e eles eram demônios. A perversidade do que estava por trás disso eu senti fisicamente”, descreveu. “Naquele momento eu vi Jesus em um cavalo branco, vestido de branco. Eu nunca senti tanto amor, tanta paz.”

Imediatamente após a experiência, Mijangos decidiu abandonar todas as práticas ocultistas após dezesseis anos de envolvimento ativo. Ela descartou seus objetos ritualísticos e iniciou um processo de conversão religiosa ao cristianismo.

“O Pai Celeste formou minha identidade com tanto amor e com tanta paciência e tirou essa sensação de se sentir suja e má. Ele destruiu tudo o que Satanás tinha feito em mim”, testemunhou.

Atualmente, Adriana utiliza suas redes sociais para alertar sobre os perigos do ocultismo, compartilhando sua experiência pessoal como forma de conscientização. Seu relato insere-se em um contexto mais amplo de debates sobre espiritualidade, práticas tradicionais e conversão religiosa na América Latina.

Spotify permite mensagens diretas e abre brecha para aliciadores

Um importante grupo de vigilância contra a exploração sexual pediu ao Spotify que suspenda o lançamento de seu novo recurso de mensagens diretas (DMs). O alerta foi feito após a empresa anunciar, na semana passada, a criação do recurso “Mensagens”, voltado a permitir conversas individuais entre usuários, com compartilhamento de músicas, podcasts e audiolivros.

Segundo o Spotify, a novidade será gratuita para assinantes premium com 16 anos ou mais. A decisão provocou críticas do Centro Nacional de Exploração Sexual (NCOSE, na sigla em inglês), que manifestou preocupação com a possibilidade de predadores utilizarem o recurso para aliciar menores.

Críticas do NCOSE

Haley McNamara, diretora executiva e de estratégia do NCOSE, pediu que adolescentes não tenham acesso às mensagens diretas. “O Spotify deveria interromper o lançamento do novo recurso de mensagens diretas, visto que as mensagens diretas são a principal forma de predadores contatarem adolescentes. O Spotify tem um histórico de não priorizar a segurança infantil, tendo levado oito anos apenas para adicionar controles parentais básicos (Spotify Kids)”, afirmou.

McNamara lembrou que já houve registros de aliciamento e abuso envolvendo crianças na plataforma. O NCOSE também destacou que o Spotify foi incluído em sua “Lista dos Doze Sujos” de 2024, que reúne entidades acusadas de falhar na proteção de menores contra a exploração.

De acordo com o grupo, foram identificados casos de menores e adultos solicitando e compartilhando pornografia hardcore, imagens de automutilação, deepfakes e material que aparentava abuso sexual infantil.

Resposta do Spotify

Um porta-voz do Spotify informou que, desde o início de 2025, a plataforma iniciou a implementação de verificações de idade para o uso de recursos restritos, como o de mensagens. A empresa disse ter recebido contribuições de especialistas do Conselho Consultivo de Segurança durante o desenvolvimento do recurso.

Segundo o porta-voz, só será possível iniciar conversas com amigos, familiares ou contatos que já tenham trocado conteúdo no aplicativo. O recurso ainda prevê que os usuários aceitem ou recusem mensagens, com possibilidade de bloqueio e denúncia de contas ou conteúdos.

A plataforma afirmou que realiza monitoramento das mensagens em busca de material de exploração sexual infantil e que analisará o conteúdo de chats denunciados por violações às regras de uso.

Divergências sobre idade

Apesar das medidas anunciadas, McNamara questionou a efetividade das verificações de idade. Segundo ela, os testes estão limitados a “mercados selecionados” e, em geral, aplicados apenas a usuários de 18 anos ou mais. A diretora acrescentou que as declarações públicas do Spotify sobre o tema estariam mais relacionadas ao consumo de vídeos musicais do que ao uso das mensagens.

“Embora o Spotify possa ter planos secretos para eventualmente melhorar a restrição de idade em mensagens diretas, atualmente não há nenhuma evidência pública de que isso seja verdade”, disse McNamara. Ela defendeu que a empresa estabeleça a idade mínima de 18 anos para o recurso e adote um sistema rigoroso de verificação.

A diretora citou dados da Internet Watch Foundation, publicados em março de 2024, que apontaram que três em cada cinco casos de extorsão sexual online envolvem jovens de 16 e 17 anos. Para McNamara, permitir que adolescentes recusem mensagens não garante proteção adequada.

“Predadores costumam usar mentiras, perfis falsos ou bajulação para contornar o julgamento de um menor e atraí-lo para trocas prejudiciais”, afirmou. “Instamos que reavaliem a implementação de mensagens diretas, reforcem as proteções e priorizem verdadeiramente a segurança infantil. Se tomarem essas medidas, seremos os primeiros a aplaudir”, concluiu Haley McNamara, de acordo com o The Christian Post.

Recife: vereadores aprovam lei do ‘intervalo bíblico’ em escolas

A Câmara de Vereadores do Recife aprovou, em 02 de setembro, o Projeto de Lei nº 205/2024, que cria o chamado “intervalo bíblico” em escolas públicas e privadas da capital pernambucana.

A proposta, apresentada pelo vereador Luiz Eustáquio (PSB), autoriza estudantes cristãos a se reunir nos intervalos para encontros de caráter religioso. O texto passou em duas votações: a primeira, com 22 votos favoráveis e três contrários, e a segunda, de forma simbólica. Agora, segue para análise do prefeito João Campos (PSB), que poderá sancionar ou vetar a medida.

Conteúdo do projeto

A iniciativa integra a “Política de combate à intolerância religiosa no ambiente escolar” e estabelece que os encontros não devem interferir na grade curricular. Contudo, o texto aprovado não inclui mais o Artigo 2º, que previa atividades extracurriculares sobre diferentes tradições religiosas, abrangendo povos indígenas, judaico-cristãos e comunidades de matriz africana. A retirada do dispositivo gerou críticas de parlamentares da oposição.

Divergências no plenário

A vereadora Cida Pedrosa (PCdoB), uma das três a votar contra — ao lado de Kari Santos (PT) e Jô Cavalcanti (PSOL) — afirmou: “Acho que a liberdade ao culto é absolutamente necessária. Essa lei passou a ter um problema, quando o artigo segundo dela foi retirado. No Artigo 2º, dizia que se garantia a liberdade inter-religiosa”.

O autor da proposta, Luiz Eustáquio, defendeu que o texto não restringe o direito apenas aos cristãos. “Os vereadores da cidade do Recife tiveram esse entendimento e estão fazendo essa lei nesse momento para o povo, para todo o povo religioso, mas nesses casos, no nosso, que nos moveu, pelo povo evangélico”, declarou.

Ele ainda negou que a exclusão do artigo permita discriminação: “Segundo a lei orgânica do município, é proibido que os vereadores determinem o formato e é por isso que a legislação de Justiça tirou esse artigo. Mas foi garantido, no final, o seguinte: que todo aluno não pode sofrer, de forma alguma, perseguição religiosa no ambiente escolar”.

O projeto começou a tramitar em outubro de 2023, após o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abrir inquérito para apurar denúncias feitas pelo Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação) sobre pregações evangélicas em escolas. Depois de ouvir representantes da sociedade civil e da Secretaria Estadual de Educação, o MPPE arquivou a investigação.

Uma emenda aprovada prevê que, em escolas confessionais, a aplicação da lei deverá respeitar a orientação religiosa e ideológica de cada instituição, de acordo com informações do G1.

Entidade cristã faz apelo por ajuda após terremoto no Afeganistão

O Afeganistão enfrenta uma das maiores tragédias recentes após o terremoto de magnitude 6 que atingiu a região leste no domingo, 31 de agosto. O balanço atualizado em 02 de setembro pelo porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, registra ao menos 1,4 mil mortos e mais de 3 mil feridos. O número pode aumentar conforme as equipes de resgate alcançam áreas isoladas.

O tremor destruiu vilarejos inteiros, onde casas de barro e madeira desabaram rapidamente, soterrando famílias durante a madrugada. O relevo montanhoso dificulta o trabalho dos socorristas, obrigando o uso de helicópteros para evacuar feridos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o índice de vítimas tende a crescer de forma significativa à medida que novas localidades são acessadas.

A tragédia ocorre em um contexto de crise econômica, cortes na ajuda internacional e restrições impostas pelo regime do Taleban. O coordenador da ONU no Afeganistão, Indrika Ratwatte, afirmou que o tempo é um fator crítico. “São decisões de vida ou morte, enquanto corremos contra o tempo para chegar às pessoas”, declarou.

Organizações humanitárias anunciaram apoio emergencial. A Christian Aid liberou de imediato £50 mil para ações conduzidas pela Organização para Coordenação de Assistência Humanitária (OCHR) e lançou uma campanha global de arrecadação. O gerente interino da entidade no país, Yaqoob Rauf, informou que os recursos estão sendo usados para fornecer água potável, alimentos, abrigo e itens básicos. Ele destacou a situação de vulnerabilidade de mulheres e meninas. “Este é um golpe devastador, que se soma à crise econômica persistente e ao terremoto de Herat em 2023. Mesmo antes desta tragédia, a população já vivia sob imensa pressão”, disse.

Dados da ONU apontam que mais de 420 unidades de saúde no país foram fechadas ou suspenderam atividades por falta de recursos, incluindo 80 na região leste, epicentro do tremor. As estruturas ainda em funcionamento estão sobrecarregadas, com escassez de suprimentos e profissionais.

O Talibã, que até agora recebeu reconhecimento formal apenas da Rússia, solicitou ajuda internacional. No entanto, a resposta tem sido limitada, em meio a crises humanitárias concorrentes e à resistência de países doadores diante das políticas de repressão contra mulheres e meninas. Nos últimos meses, os Estados Unidos reduziram parte do financiamento destinado ao Afeganistão, agravando a vulnerabilidade da população.

Diante do cenário, missionários e agências humanitárias enfatizam que a solidariedade internacional será essencial para reduzir os impactos da tragédia. A Christian Aid informou que criou uma página especial para receber doações e incentivar orações em apoio às vítimas.

Pastora cobra cristãos que apoiam a imoralidade de influencers

Evangélicos que acompanham personalidades da mídia como a cantora Anitta, o influenciador Carlinhos Maia e Hytalo Santos foram alvo de críticas da pastora Nathalia Carvalho, da Igreja Alcance Juazeiro, na Bahia. Em mensagem pregada e também publicada nas redes sociais, Nathalia afirmou que há incoerência em celebrar denúncias de crimes e, ao mesmo tempo, consumir conteúdos que, segundo ela, se opõem à fé cristã.

As declarações ocorreram após a prisão de Hytalo Santos, episódio revelado pelo youtuber Felca. A pastora disse que muitos fiéis comemoraram a denúncia, mas continuam dando espaço a artistas que, em sua visão, promovem a “depravação”. Durante a pregação, ela afirmou: “Tu pode enganar as pessoas, só não engana Deus. Acha engraçado o quê, o pecado?”.

Na mesma mensagem, Nathalia direcionou palavras aos que aplaudiram a ação do youtuber, mas seguem influenciadores que ela considera contrários aos princípios cristãos. “Aos que se dizem crentes e batem palmas para o que o Felca fez, mas continuam seguindo influenciadores que disseminam imoralidade e depravação: você ajuda a crescer tudo que o Felca denunciou”. No Instagram, a pastora reforçou a crítica, classificando como “hipocrisia” apoiar medidas de justiça e, ao mesmo tempo, acompanhar conteúdos que, segundo ela, incentivam práticas imorais.

De acordo com Nathalia, mais do que aplaudir denúncias, Deus espera que cada fiel faça escolhas conscientes sobre quem ouvir e seguir. A discussão ganhou repercussão em diferentes espaços religiosos.

Na mesma época, a escritora cristã Vitória Reis publicou um vídeo com recomendações para prevenir a exposição indevida de menores na internet. “Tudo que ele traz no vídeo é verdade e é importante que nós estejamos alertas”, declarou.

Vitória alertou que imagens de bebês apenas de fralda, registros que evidenciem partes íntimas ou cenas de crianças se alimentando de maneira sugestiva podem ser usadas por criminosos. “Todas essas imagens atraem perfis para utilizar as fotos do seu filho. Veja bem, eu não estou falando que a sua criança está convidando ninguém, eu estou dizendo que infelizmente a mente dessas pessoas é completamente perversa”, afirmou.

A escritora destacou que é possível compartilhar momentos familiares sem expor os filhos a riscos. “Nunca sabemos quem está do outro lado, não sabemos o que as pessoas podem fazer com esses vídeos. Nós não sabemos ainda o efeito dessa exposição toda na vida dos nossos filhos”, concluiu.

Ditadura: Nicarágua retira a legalidade de 14 organizações cristãs

O governo da Nicarágua, liderado por Daniel Ortega e Rosario Murillo, revogou o status legal de catorze organizações não governamentais, várias delas de identidade e atuação cristã. A medida foi publicada por meio de decisões do Ministério do Interior (MINT).

De acordo com as informações oficiais, dez das organizações foram formalmente dissolvidas sob a alegação de “dissolução voluntária”.

As outras quatro tiveram seus registros cassados por suposto descumprimento de obrigações legais, especificamente relacionadas à apresentação de relatórios financeiros e de atividades dentro dos prazos estabelecidos, o que, segundo o governo, dificulta o “controle e a supervisão” estatal.

Dentre as entidades afetadas, encontram-se organizações que desenvolviam trabalho social e comunitário em diversas áreas:

  • Congregación Fraternidad de Hermanas Misioneras Serviam: dedicava-se ao apoio espiritual e social.

  • Fundación Familia de Nazaret: voltada ao auxílio de famílias de baixa renda.

  • Living Water International (2012): organização internacional focada em projetos de acesso à água potável.

  • Lutheran World Relief, INC. (2003): realizava programas humanitários no país.

  • Ministerio la Hermosa de Sanidad y Liberación (2006): oferecia apoio espiritual e comunitário.

  • Refugio de Jesús Sacramentado para el Alcohólico Desamparado (REJESAD) (1996): atuava na reabilitação de pessoas com dependência química.

Essas organizações combinavam, em maior ou menor medida, orientação confessional cristã com a prestação de serviços práticos essenciais. Seu fechamento deixa sem assistência direta diversas comunidades que dependiam de iniciativas como acesso à água, programas de reabilitação e suporte a famílias em situação de vulnerabilidade.

Este evento integra um contexto mais amplo de restrição ao funcionamento de entidades da sociedade civil na Nicarágua. Dados compilados por organizações de direitos humanos indicam que, desde 2018, mais de 3.700 associações, fundações e ONGs tiveram sua personalidade jurídica cancelada pelas autoridades nicaraguenses.

O país ocupa atualmente a 30ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025, elaborada pela Portas Abertas, que ranqueia as cinquenta nações onde os cristãos enfrentam os mais altos níveis de perseguição e opressão.

O fechamento de organizações de inspiração cristã é apontado por analistas como parte de uma estratégia de controle estatal sobre espaços de atuação social independentes. Com informações: Portas Abertas.