Pastor renunciará ao cargo na igreja que fundou há quase 40 anos

O veterano pastor Michael Youssef, fundador da Igreja dos Apóstolos, em Atlanta, Geórgia (EUA), anunciou que deixará o cargo de pastor principal para se dedicar integralmente a outras frentes de atuação ministerial. A transição está prevista para o verão do próximo ano, segundo comunicado divulgado no domingo.

De acordo com a nota, Youssef passará a concentrar o seu trabalho na Leading The Way, organização de alcance global que ele fundou e dirige. A mudança também foi apresentada na assembleia anual da Igreja dos Apóstolos e vinha sendo planejada com antecedência.

O substituto será o filho mais novo de Youssef, Jonathan, que assumirá a função de pastor principal da congregação. O atual líder afirmou que enxerga a mudança como parte da nova etapa da igreja. “Agora que Deus levantou meu filho Jonathan para liderar a Igreja dos Apóstolos em sua próxima fase de crescimento, dedicarei toda a minha atenção à Leading The Way”.

Youssef também informou que continuará vinculado à igreja, em caráter honorífico. A liderança local o convidou a permanecer como “Reitor Fundador Emérito”, com a função de contribuir para a continuidade do trabalho.

Ao explicar a decisão, o pastor destacou que deseja intensificar o foco em evangelização e mídia cristã. Segundo ele, o objetivo é “alcançar o máximo de pessoas possível” e aproveitar enquanto houver espaço em diferentes países para a proclamação do Evangelho. “Se ficarmos parados, teremos perdido uma grande oportunidade”, afirmou.

Nascido no Egito em 1948, Youssef se converteu ao cristianismo aos 16 anos. Sua biografia registra formação no Moore College, em Sydney (Austrália), no Seminário Teológico Fuller, na Califórnia, e doutorado em antropologia cultural pela Emory University.

A Igreja dos Apóstolos foi fundada em 1987, em Atlanta, com cerca de 40 membros, e hoje reúne mais de 3.000 frequentadores. No ano seguinte, em 1988, Youssef lançou a Leading The Way como um ministério de rádio, que posteriormente se expandiu para televisão, internet e outras mídias.

Atualmente, segundo dados oficiais do ministério, o conteúdo da Leading The Way é disponibilizado em 28 idiomas e atinge milhões de pessoas semanalmente em diferentes regiões do mundo. O site da organização descreve o projeto como um esforço para “proclamar com paixão a verdade de Cristo por todos os meios disponíveis”, por meio de transmissões, eventos evangelísticos, recursos digitais e iniciativas de oração.

Em entrevista recente ao The Christian Post, Youssef comentou que uma de suas preocupações é preparar a próxima geração para assumir funções de liderança. Ele afirmou que observa maior envolvimento de cristãos mais jovens em áreas como tecnologia e comunicação e que busca incluí-los nos processos de direção desde agora.

Jonathan Youssef, de 41 anos, já divide o púlpito com o pai e tem pregado com frequência crescente na Igreja dos Apóstolos. Segundo Michael, a transição também é uma forma de reforçar a responsabilidade da nova geração. “Digo a eles: ‘Vocês precisam carregar o bastão. Não podem esperar até que nós partamos’. Não queremos ser a geração com a qual o Evangelho se interrompe”.

Total de homens que alegam serem vítimas de ex-pastor chega 12

Mais seis homens ingressaram com ações judiciais federais na última semana, alegando terem sido abusados sexualmente e vítimas de tráfico humano por Paul Havsgaard, ex-pastor da Harvest Christian Fellowship, enquanto viviam em lares infantis administrados pela igreja na Romênia, hoje desativados.

Com os novos processos, o número de denunciantes sobe para 12. As ações também citam o fundador da megaigreja californiana, Greg Laurie, e o pastor missionário Richard Schutte por suposta negligência, ao não impedirem os abusos e, segundo os autores, acobertarem a situação por cerca de duas décadas.

O escritório McAllister Olivarius, que representa os ex-internos, informou em comunicado divulgado em setembro que pretende apresentar queixas em nome de 23 antigos moradores dos lares.

As últimas petições foram protocoladas nos dias 14, 17 e 18 de novembro, em nome de Aurelian Busca, 37 anos; seu irmão, Alexandru-Cristian Busca, 38; Marian Dragne, 36; Bogdan Ionescu, 35; Alexandru Badaluta, 36; e Florin Cristian Caragea, 32.

O Christian Post informou ter buscado posicionamento da Harvest Christian Fellowship sobre os novos documentos, sem retorno até o momento da publicação. O veículo também não conseguiu contato com Havsgaard.

Em setembro, o mesmo escritório já havia ajuizado ações no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Califórnia em nome de Marian Barbu, 33 anos; Mihai-Constantin Petcu, 40; Cristian Aeroaiei, 36; Constantin-Alin Nitu, 36; Razvan-Georghe Nitu, 38; e George-Adrian Vasile, 33.

De acordo com os processos, Laurie enviou Havsgaard, então pastor veterano da Harvest, à Romênia em 1998 para administrar casas de acolhimento patrocinadas pela igreja para jovens em situação de risco, em um país descrito nas ações como um dos centros de tráfico sexual infantil na Europa.

Os autores relatam que muitos viviam nas ruas de Bucareste antes de serem encaminhados aos Abrigos Harvest, atraídos com refeições em redes de fast food e a promessa de um local seguro para dormir. Na prática, afirmam, foram submetidos a abusos físicos e sexuais recorrentes, descritos nas ações como ocorridos em “escala industrial”.

Segundo os relatos, as consequências se estenderam pela vida adulta, com episódios de transtorno de estresse pós-traumático, depressão, dependência química e dificuldades educacionais.

Em nota anterior, um porta-voz da Harvest Christian Fellowship classificou as alegações como “sérias e perturbadoras” e negou que a igreja tenha acobertado conscientemente qualquer abuso. Afirmou ainda que, após ser contatada por representantes dos denunciantes, a Harvest em Riverside encaminhou o caso à polícia e se colocou à disposição para cooperar com eventuais investigações, sustentando também que as ações poderiam representar “uma forma de extorsão financeira” e declarando que a igreja pretende “se defender vigorosamente contra essas alegações” nos tribunais.

O porta-voz não voltou a se manifestar depois dessa primeira declaração. A polícia de Riverside informou que não há investigações em andamento contra Havsgaard e não esclareceu para qual órgão as denúncias teriam sido encaminhadas.

Os líderes da Harvest Christian Fellowship são acusados nos processos de falhas de supervisão sobre o trabalho de Havsgaard, ao mesmo tempo em que a igreja arrecadava doações apresentando os lares como projeto social na Romênia.

Os ex-moradores afirmam que foram aliciados para uma rotina de violência e abusos ao longo de anos e, posteriormente, dispensados e devolvidos às ruas quando as casas foram fechadas de forma discreta em 2008, quatro anos depois de uma investigação interna da Harvest ter confirmado oficialmente parte das denúncias, a partir de alertas de missionários que atuavam no campo.

As acusações contra Havsgaard incluem diferentes formas de contato sexual não consentido, exposição a pornografia e tráfico de adolescentes para terceiros.

Os autores pedem indenização por suposta negligência na supervisão e gestão dos lares, por imposição intencional de sofrimento emocional, tráfico sexual e conspiração, entre outras acusações.

Razvan-Georghe Nitu, um dos denunciantes que ingressou com ação em setembro, afirma ter sido abusado sexualmente por Havsgaard em diversas ocasiões entre 2000 e 2007, dos 13 aos 20 anos de idade.

Os processos também alegam que Laurie e Schutte mantiveram Havsgaard em atividade na Romênia, com supervisão limitada, apesar de sucessivos alertas sobre abusos contra crianças. Segundo os documentos, a Harvest depositava mensalmente cerca de US$ 17 mil na conta pessoal de Havsgaard para custear as despesas dos lares, sem exigir prestação de contas detalhada. As ações afirmam que parte desses recursos teria sido desviada para beneficiar vítimas favoritas e para pagamento de subornos.

Havsgaard voltava com frequência à Harvest Christian Fellowship, na Califórnia, para levantar fundos para o trabalho na Romênia. Os denunciantes afirmam que alguns abusos teriam continuado durante essas viagens.

De acordo com os processos, missionários norte-americanos que atuavam em lares romenos e ouviram relatos de abusos entraram em contato com a Harvest em 2004 e pressionaram Schutte a enviar uma equipe de inspeção. Quando Schutte se juntou ao grupo em Bucareste, um ministro da Calvary que trabalhava no país teria dito que Havsgaard era um abusador de crianças e deveria deixar a Romênia imediatamente, por ser “uma vergonha para missionários e obreiros cristãos”.

Os documentos afirmam que lideranças da Harvest, na Califórnia, teriam indicado à equipe que Havsgaard era considerado essencial para a captação de recursos e, por isso, não seria afastado naquele momento. Ele permaneceu no posto por mais quatro anos, período em que o financiamento foi reduzido gradualmente até o fechamento das casas em 2008, quando retornou aos Estados Unidos.

As ações sustentam que, durante esse intervalo, os abusos continuaram e que, ao final de seu período de atuação, Havsgaard recebeu cerca de US$ 200 mil em pagamentos, de acordo com o informado pelo portal The Christian Post.

Os documentos também registram que, em 2009, Laurie apresentou publicamente Havsgaard como “um pastor que serviu fielmente ao Senhor por muitos anos na Harvest Christian Fellowship, a igreja onde eu pastoreio” e comparou seu trabalho na Romênia à liderança de Moisés sobre os israelitas, afirmando que sua vida “demonstra o poder que apenas uma pessoa piedosa pode ter”.

Novo sequestro: 300 meninas levadas de escola cristã na Nigéria

Mais de 300 alunas e 12 funcionários da escola cristã St. Mary, no estado de Níger, no Noroeste da Nigéria, foram sequestrados nas primeiras horas da manhã de sexta-feira, 21 de novembro. O caso se soma a uma sequência recente de raptos em massa na região.

De acordo com o pastor Bulus Dauwa Yohanna, presidente da Associação Cristã da Nigéria (CAN) no estado de Níger e proprietário da escola, cerca de 50 meninas, com idades entre 10 e 18 anos, conseguiram escapar entre sexta-feira e sábado. Segundo ele, permanecem em cativeiro 253 alunas, além de 12 integrantes da equipe escolar.

Em resposta ao episódio, o presidente nigeriano, Bola Tinubu, determinou a contratação de mais 30 mil policiais após reunião com chefes de segurança no domingo. Tinubu ordenou também a retirada de agentes de funções de proteção VIP para reforçar o policiamento em áreas remotas consideradas mais vulneráveis a ataques.

Autoridades nigerianas decidiram ainda fechar quase 50 colégios federais e diversas escolas públicas no Norte do país, atingindo mais de dez mil unidades de ensino. Fontes locais e parceiros da organização Portas Abertas afirmam que se trata do maior sequestro escolar já registrado na Nigéria. Comunidades foram orientadas a evitar viagens em grupo, diante da expectativa de novos raptos nas próximas semanas.

O ex-ministro da Informação, Jerry Gana, declarou que grupos armados responsáveis pela atual onda de sequestros podem estar utilizando crianças como “escudos humanos” após ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em declarações citadas pelo jornal local Punch, Gana sugeriu que o aumento repentino dos raptos estaria ligado ao temor de que esses grupos sejam alvo de ações de potências estrangeiras.

Reportagens locais, como a publicada pelo portal EDUGIST em 4 de fevereiro de 2024, apontam que a insegurança generalizada condena milhões de crianças ao analfabetismo, ao casamento precoce e à pobreza. Especialistas ligados à Portas Abertas avaliam que esse cenário facilita o recrutamento por grupos de militância islâmica, alimentando um ciclo de violência e opressão.

“Estamos profundamente entristecidos por esses últimos sequestros no Norte da Nigéria”, afirmou Jo Newhouse (pseudônimo), porta-voz da Portas Abertas na África Subsaariana. “Isso nos remete imediatamente ao sequestro das meninas de Chibok, do qual muitas jovens ainda estão em cativeiro”.

A porta-voz apelou às autoridades federais por uma resposta efetiva: “Pedimos ao governo nigeriano que faça tudo ao seu alcance para devolver estudantes e professores às suas famílias e garantir que as escolas sejam protegidas contra tais ataques”.

Newhouse acrescentou que o fechamento de escolas não pode ser visto como solução permanente. “Fechar escolas é uma medida de curto prazo. Todas as crianças devem ser livres e seguras para frequentar a escola e receber educação”, concluiu.

Leão XIV aceita renúncia de bispo acusado de cometer abusos

O papa Leão XIV aceitou a renúncia do bispo de Cádis, Rafael Zornoza, apresentada há cerca de 15 meses, após o prelado completar 75 anos, idade prevista para aposentadoria de bispos na Igreja Católica.

A decisão, tornada pública no último sábado, 22 de novembro, ocorre em meio à investigação de uma denúncia de abuso sexual contra um menor no período em que Zornoza atuava no seminário de Getafe, ao sul de Madri.

No boletim divulgado pelo Vaticano, a Santa Sé comunicou apenas que o papa aceitou a renúncia, sem detalhar os motivos, conforme o procedimento habitual. A Conferência Episcopal Espanhola informou que ainda não foi nomeado um sucessor para a Diocese de Cádis e que o bispo auxiliar de Sevilha, Ramón Valdivia, assumirá interinamente como administrador apostólico.

Zornoza apresentou sua renúncia ao completar 75 anos, em conformidade com o Código de Direito Canônico, há 15 meses. A aceitação pelo pontífice costuma levar algum tempo, enquanto se define a sucessão, e é considerada prática corrente em diversas dioceses.

A transição também coincidiu com a nomeação do novo prefeito do Dicastério para os Bispos, o italiano Filippo Iannone, escolhido por Leão XIV no fim de setembro e empossado em 15 de outubro, responsável por encaminhar ao papa as propostas de nomeações e renúncias episcopais.

A decisão ocorre após reportagem do jornal El País noticiar que Rafael Zornoza está sendo investigado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé por supostos abusos cometidos entre 1994 e o início dos anos 2000, quando era sacerdote e dirigia o seminário da diocese de Getafe. Segundo o diário, a investigação canônica estaria em curso há cerca de quatro meses.

Nesta semana, o presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Luis Argüello, afirmou que o papa foi informado sobre o caso em uma reunião anterior à Assembleia Plenária e destacou que a aceitação da renúncia é prerrogativa exclusiva do pontífice.

Questionado pela imprensa na terça-feira passada, Leão XIV declarou que “é preciso permitir que a investigação continue” no Vaticano e que, a partir das conclusões, serão adotadas “as consequências”, de acordo com a agência EFE.

O bispo emérito de Cádis nega as acusações. Zornoza anunciou a suspensão temporária de sua agenda pública, alegando necessidade de colaborar com o esclarecimento dos fatos e de se dedicar ao tratamento de um câncer, diagnóstico que não havia tornado público anteriormente.

JOCUM: militantes islâmicos têm se convertido a Cristo na Nigéria

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Uma atuação missionária na região norte da Nigéria tem registrado casos de conversão a Jesus Cristo entre antigos militantes islâmicos, de acordo com relatos divulgados pela organização JOCUM (Jovens Com Uma Missão).

Os fatos ocorrem em um contexto de conflitos sectários no país, que ocupa a sétima posição na Lista Mundial da Perseguição 2025 da Portas Abertas.

Paul Dangtoudma, líder de uma base da JOCUM estabelecida em zona anteriormente controlada por grupos militantes, afirmou que mais de 60% dos colaboradores atuais da missão são ex-membros de grupos radicais que adotaram o cristianismo.

“Quando Deus nos chamou para ir àquele lugar, era uma zona proibida cheia de violência. Muita gente perdeu a vida lá. Muitas vilas foram destruídas”, relatou o missionário.

O trabalho desenvolveu-se em um ambiente marcado por confrontos. Uma moradora local, em depoimento, descreveu a situação: “O Boko Haram literalmente tomou conta de todo o lugar. Eles entram nas aldeias e as exterminam. Eles matam seus homens. Eles levam as meninas. Você encontra meninas pequenas que se tornam mães entre 10 e 11 anos”.

Rachel Dangtoudma, esposa de Paul, inicialmente receou mudar-se com as filhas para a região. “Deus mudou meu coração e me deu o Seu coração para a nação da Nigéria”, declarou sobre a decisão final.

Entre os convertidos citados está um ex-militante  conhecido como Nightmare, que teria se arrependido de assassinatos cometidos e pedido perdão a viúvas de suas vítimas. Segundo a missão, muitos dos ex-radicais foram alunos da JOCUM e agora atuam como evangelistas, pastores e líderes de louvor. Um caso específico mencionado é o de um ex-militante que, após ser discipulado, tornou-se advogado na Inglaterra.

A ação missionária também inclui acolhimento a viúvas de religiosos. A base da JOCUM oferece atendimento a aproximadamente 6.000 viúvas de pastores mortos em ataques. “Muitas igrejas e pastores foram mortos e as esposas ficaram sem seus maridos, que foram decapitados”, afirmou Rachel Dangtoudma. Paul complementou que “algumas mulheres foram estupradas pelos terroristas na frente de seus filhos”.

Sobre as motivações da violência na região, Paul Dangtoudma analisou: “Eles querem fazer jihad. Eles querem forçar as pessoas a se converterem ao Islã. Não são apenas os cristãos que sofrem; muitos muçulmanos também estão sofrendo. O que está acontecendo é simplesmente demoníaco”.

Os missionários expressam expectativa de transformação no país. “Acredito que Deus está levantando um exército de nigerianos para ir ao mundo todo para Ele ser conhecido”, destacou Rachel. Paul completou:

“A Nigéria impactará o mundo. Muitos missionários serão enviados ao redor do mundo. Veremos um modelo de sociedade que Deus deseja estabelecer à medida que a Nigéria muda e se torna discípula de Jesus”.

Escola orienta pais evitarem que filhos vejam ‘Guerreiras do K-Pop’

Uma escola primária ligada à Igreja Anglicana, no sul da Inglaterra, orientou famílias a desencorajarem os filhos de cantar músicas do filme Guerreiras do K-Pop, alegando que a temática demoníaca da produção entra em conflito com seus valores cristãos. A medida provocou críticas de pais que consideraram a decisão excessiva e injusta com as crianças que apreciam o longa.

A Lilliput Church of England Infant School, em Poole, no condado de Dorset, enviou um comunicado às famílias pedindo que os alunos não apresentassem nem cantassem, durante o horário escolar, músicas do filme da Netflix Guerreiras do K-Pop, conforme noticiou o The Telegraph.

Na mensagem, o diretor interino, Lloyd Allington, afirmou que as referências a demônios presentes na obra eram “profundamente desconfortáveis” para alguns membros da comunidade cristã da escola. Ele argumentou que, embora os pais tenham liberdade para decidir o conteúdo consumido pelos filhos em casa, o colégio tem a responsabilidade de preservar um ambiente alinhado à sua identidade religiosa. Segundo o diretor, para parte dos cristãos, menções a demônios, ainda que em contexto ficcional ou humorístico, são espiritualmente perturbadoras e podem ser interpretadas como incompatíveis com o ensino de que as crianças devem rejeitar o mal.

Guerreiras do K-Pop, lançado em junho, mistura temas adolescentes com elementos sobrenaturais. O enredo acompanha um grupo feminino fictício de K-pop que, secretamente, combate demônios, além de apresentar a boy band demoníaca Saja Boys, cuja música trabalha temas como tentação e sedução. A produção tornou-se o filme mais assistido da história da Netflix e originou uma trilha sonora de grande sucesso comercial.

A canção Golden liderou as paradas britânicas por dez semanas e foi interpretado pela banda da Força Aérea Real na troca da guarda no Palácio de Buckingham, enquanto a faixa Soda Pop foi apresentada no programa Strictly Come Dancing, da BBC.

A compositora EJAE, que dá voz a uma das personagens principais e escreveu diversas canções da trilha, já havia comentado sua formação cristã e o sentido da música Your Idol em entrevista à Forbes. Na trama, a canção é interpretada pelos Saja Boys e aborda a obsessão de fãs que os artistas buscam explorar para controlá-los. EJAE afirmou que a letra dialoga com a ideia de idolatria, lembrando que, em sua educação cristã, idolatrar algo é considerado pecado. Ela descreveu a proposta como uma versão “distorcida” da frase “eu serei o seu ídolo”, ressaltando o caráter inquietante da música.

Na carta enviada inicialmente, Allington classificou o episódio como uma oportunidade para discutir a diversidade de crenças dentro da comunidade escolar e refletir sobre como apoiar aqueles que, por motivos de fé, se sentem desconfortáveis com determinados conteúdos. Ele enfatizou que o pedido da escola tinha como objetivo reafirmar seu compromisso com um ambiente cristão, e não controlar as preferências pessoais das crianças fora do contexto escolar.

A orientação, no entanto, foi mal recebida por parte dos pais. Em declaração à BBC, um deles, que se identificou como ateu, afirmou que considerou a medida “ridícula” e “um pouco impositiva”. Segundo ele, sua filha e colegas vinham se divertindo ao cantar as músicas juntos e as apresentavam em atividades extracurriculares, o que via como uma prática inocente e positiva para a autoconfiança das crianças. Outro responsável classificou o episódio como inédito e sugeriu que a escola pode ter se sentido pressionada a assumir uma posição pública, embora tenha ressaltado que, em geral, mantém boa avaliação da instituição.

Diante da repercussão, a escola revisou o teor da comunicação. Em uma segunda carta, divulgada na segunda-feira, Allington reconheceu que muitas famílias avaliam o filme de forma positiva, destacando as mensagens sobre coragem, bondade e trabalho em equipe. Ele agradeceu aos pais que compartilharam suas perspectivas e afirmou que a escola passou a reconhecer o valor que parte da comunidade enxerga nos temas da produção.

O diretor esclareceu ainda que a instituição não estava pedindo que os pais impedissem os filhos de assistir ao filme ou de apreciar suas músicas em casa, e que os docentes não transmitiriam essa orientação dentro da sala de aula. O foco, explicou, será auxiliar os alunos a compreender que colegas podem ter crenças diferentes e que o diálogo respeitoso faz parte dos valores cristãos da escola.

De acordo com o The Christian Post, a Lilliput Church of England Infant School, administrada voluntariamente pela Diocese de Salisbury e que atende crianças de 4 a 7 anos, informou por fim que não aplicará sanções disciplinares a alunos que cantarem músicas do filme ou utilizarem produtos relacionados.

Fundador do app da Bíblia compartilha testemunhos

O app da Bíblia YouVersion ultrapassou a marca de 1 bilhão de downloads no início de novembro e iniciou as comemorações durante o “Mês Global da Bíblia”. A iniciativa inclui um desafio de 30 dias de leitura já em andamento e um evento marcado para domingo, 17 de novembro, em Oklahoma City, nos Estados Unidos.

De acordo com a plataforma, o marco ocorre em um contexto de aumento do interesse pelas Escrituras. As instalações globais cresceram mais de 12% em relação ao ano anterior, enquanto o uso diário registrou alta de 18%. Atualmente, os aplicativos da YouVersion são utilizados em todos os países e somam 1 bilhão de aberturas a cada 39 dias.

O fundador e CEO, Bobby Gruenewald, afirmou que os dados expressam mudanças concretas na vida dos usuários. “Todos os dias ouvimos relatos de pessoas superando vícios, casamentos sendo restaurados e gente lendo a Bíblia pela primeira vez em sua própria língua”, declarou. Segundo ele, a marca de 1 bilhão de downloads celebra tanto o impacto das Escrituras quanto a cooperação de centenas de organizações envolvidas na tarefa de torná-las acessíveis.

Lançado em 2008, o YouVersion reúne hoje mais de 3.600 traduções da Bíblia em mais de 2.300 idiomas. O aplicativo oferece recursos como planos de leitura, vídeos, orações guiadas e materiais para estudo individual e em grupo, além de manter parcerias com mais de 31 mil organizações e igrejas.

O “Mês Global da Bíblia” conta com o apoio de plataformas como Glorify, Hallow e Bible Project. A proposta é incentivar que as pessoas reservem um tempo diário para ler as Escrituras, seja pelo próprio YouVersion, por outros meios digitais ou em versões impressas. “A ideia é simples: ler a Bíblia por 30 dias e ver o que acontece”, resumiu Gruenewald.

Com um 'alvo na testa', Maduro recorre ao apoio dos evangélicos

Diante da pressão imposta pelos Estados Unidos, que atualmente concentra uma enorme força militar no Caribe, capaz de devastar nações inteiras, a fim de deixar claro que já colocou um “alvo na testa” do presidente venezuelano, Nicolás Maduro resolveu fazer um apelo inusitado para um ditador.

Isso, porque, ele se reuniu com representantes de comunidades evangélicas na última terça-feira, 18, no Palácio de Miraflores, em Caracas. O encontro, caracterizado como um ato de oração, foi transmitido pela emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV) e ocorreu como uma forma de apelo do regime por apoio interno.

Estiveram presentes no evento pastores, a primeira-dama Cilia Flores e o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente. De acordo com a cobertura da VTV, a reunião foi apresentada como um gesto de “união espiritual”, com participantes afirmando que a “Venezuela é um país rico em valores e em riqueza espiritual”.

Durante o ato de claro desespero perante a iminência de um ataque americano que possa lhe derrubar do poder, Maduro disse que o palácio presidencial passaria a ser, “a partir de hoje, um altar para glorificar a Deus”.

O líder venezuelano também leu um manifesto no qual reafirmou que Jesus Cristo é o “senhor e dono” da Venezuela, buscando transmitir ao público um viés religioso que, não por acaso, faz parte da cultura americana.

Conforme reportado pela agência de notícias EFE, Maduro declarou que a liberdade de culto é um direito garantido pela Constituição venezuelana de 1999. Afirmou ainda que, como “cidadão e presidente”, se “radicaliza” em sua fé cristã. “Reconheço ao único Deus real e verdadeiro, ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, que protegerá nossa pátria”, disse.

Contexto

Os Estados Unidos mobilizaram unidades aéreas e navais na região do Caribe a partir de agosto, incluindo o porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo, em uma operação que a Casa Branca descreve como parte dos esforços de combate ao narcotráfico.

O governo da Venezuela, por sua vez, classifica essas ações como uma “ameaça militar” e acusa os EUA de buscar uma mudança de regime no país. Com informações: Cláudio Dantas.

Apesar de 'esquerdopata', Malafaia diz não ser contra Messias

O pastor Silas Malafaia emitiu uma declaração na última quinta-feira, 20, após a formalização, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A vaga em questão era anteriormente ocupada pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Em conversa com o portal Pleno.News, Malafaia explicitou sua postura perante a nomeação, em tom ameno e de neutralidade com relação ao nome do advogado que, para a oposição ao governo, trata-se de mais uma indicação política que visa aparelhar o Supremo.

“Bem, é uma escolha que o presidente faz, é um direito dele. Eu não tenho nada pessoal contra a indicação. Eu encaro isso como uma coisa normal de uma atribuição do presidente. Seja eu gostando ou não gostando do presidente. Seja ele de direita ou esquerda”, afirmou o líder religioso.

O pastor ressaltou que fez ressalvas publicamente a apenas uma indicação anterior. “Só teve um cara que eu questionei, que foi Flávio Dino, que é um comunista, leninista, marxista, isso é, contra nossos princípios. Esse eu fiz questionamento. Os outros eu não tenho nem para dizer bem, nem para dizer mal”, declarou.

A indicação de Jorge Messias foi comunicada oficialmente por meio de uma nota divulgada pela Presidência da República. Conforme o procedimento legal, a nomeação será publicada em uma edição extra do Diário Oficial da União.

O próximo estágio do processo de ocupação da vaga no STF será a sabatina do indicado perante a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, cabendo ao presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), a definição da data para o referido evento.

Em uma fala anterior, Malafaia chamou Messias de “evangélico esquerdopata”, mas também deixando claro que moralmente não tinha nada pessoal contra o jurista, fixando a sua crítica apenas ao aspecto político da sua atuação.

“Eu não vou fazer campanha contra o cara só porque é a indicação de Lula e só porque ele é um evangélico esquerdopata. Se tiver alguma coisa contra a moral dele, aí eu falo”, comentou o pastor. Veja abaixo:

“Evangélico esquerdopata”: Malafaia critica indicado de Lula para o STF, mas faz ressalva

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Incrédulos podem escapar da condenação? Pastores comentam

A doutrina da condenação eterna é tema recorrente de debate entre cristãos e costuma gerar desconforto em diferentes tradições. Para alguns, a ideia de juízo final parece difícil de conciliar com o amor de Deus. Para outros, o assunto funciona como alerta e reforço da seriedade do Evangelho. Nesse contexto, dois pastores – um norte-americano e um brasileiro – apresentam ênfases distintas, mas com um ponto em comum: segundo eles, há esperança para quem ainda não crê, desde que a decisão de fé aconteça em vida.

O pastor Dan Delzell, da Igreja Luterana Redentor, em Nebraska (EUA), resume sua posição de forma direta. “Os incrédulos estão no caminho da condenação, e não da salvação”, afirma. Para ele, a questão não se limita à discussão sobre se um cristão pode perder a salvação, mas se pessoas que não creem podem escapar da condenação eterna. A resposta, segundo Delzell, é positiva, mas restrita ao tempo presente, enquanto a pessoa está viva.

Ele recorre a Hebreus 9:27 (“O homem está destinado a morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo”) para sustentar que não há neutralidade após a morte. Por isso, insiste que “os incrédulos só podem escapar da sua condenação enquanto estiverem aqui na Terra”.

Ao tratar do inferno, Delzell afirma que procura manter a linguagem usada por Jesus nos Evangelhos, citando textos como Marcos 9 (“onde o seu verme não morre, e o fogo nunca se extingue”) e Mateus 13 (“fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes”). Em sua avaliação, essas imagens têm função de advertência. “Jesus falava regularmente sobre o inferno para alertar as pessoas sobre sua existência e explicar como evitá-lo”, explica.

Apesar da ênfase na seriedade do tema, Delzell destaca o alcance do perdão oferecido no Evangelho. “Fico muito feliz que ‘Cristo morreu pelos pecados de uma vez por todas’ e que ‘Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade’”, afirma. Em sua leitura, até mesmo um descrente pode “perder a sua condenação”, isto é, escapar dela, se se voltar a Cristo em arrependimento e fé.

Chamado ao arrependimento

No Brasil, o pastor Marcos Granconato, da Igreja Batista Redenção, em São Paulo (SP), aborda o assunto a partir da condição do coração humano. Ele descreve o início da fé como uma rendição consciente, inspirada, entre outros textos, no discurso de Estevão em Atos.

Ao tratar de uma resposta pessoal ao Evangelho, apresenta um exemplo de oração de confissão para quem deseja se arrepender: “Senhor Jesus, até hoje, eu tenho desprezado a Palavra Divina. Eu resisto ao Espírito Santo, mas hoje tudo isso vai mudar. Hoje eu quero humildemente me render. Peço, Senhor Jesus, perdoa-me. Não tenho esperança em mais ninguém. Creio em ti agora e confio apenas em ti para a minha salvação”, diz.

Granconato afirma que esse tipo de oração expressa o que considera o passo decisivo. “Se você é um incrédulo você deve crer, crer em Cristo, invocando o seu nome, e todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”, afirma, fazendo referência à promessa bíblica.

Enquanto Delzell enfatiza a urgência do tempo – a necessidade de uma decisão em vida –, Granconato destaca a profundidade da mudança interior. Para o pastor brasileiro, arrependimento não é apenas abandonar crenças anteriores, mas deixar de resistir ao Espírito, reconhecer a própria culpa e se colocar em dependência de Cristo.

Os dois pastores utilizam abordagens diferentes, mas convergem quanto a pontos centrais. Delzell sublinha o limite temporal, argumentando que a decisão em relação ao Evangelho precisa ocorrer antes da morte. Granconato destaca a postura de quem responde ao chamado, insistindo que essa decisão envolve rendição genuína. Ambos rejeitam a ideia de neutralidade espiritual e afirmam que a salvação é apresentada na Bíblia como possível e acessível, mas ligada à resposta pessoal a Cristo.

Para reforçar sua posição, Delzell menciona a narrativa do homem rico e Lázaro, em Lucas 16, interpretando o texto como evidência de que, após a morte, o lamento não altera a situação espiritual. Granconato, por sua vez, insiste em uma conversão que, segundo ele, envolve arrependimento e abandono da autoconfiança, de acordo com informações da revista Comunhão.

Na síntese, o ponto comum destacado pelos dois é que enquanto há vida, existe a possibilidade de mudança. A partir dessa convicção, ambos mantêm o convite para que o tema da condenação eterna seja enfrentado não apenas como discussão doutrinária, mas como um chamado ao arrependimento em Cristo.