Teólogo evangélico analisa 100 primeiros dias do papa Leão XIV

O teólogo e arcebispo Thomas Paul Schirrmacher analisou os 100 primeiros dias do novo papa da Igreja Católica, Leão XIV. Segundo ele, o resultado surpreendeu muitos observadores, já que o eleito, um cardeal americano, “não era um dos grandes influenciadores da Cúria” e era pouco conhecido mesmo entre os mais informados.

Schirrmacher destacou que o novo papa é “bem-educado e relativamente jovem”, o que pode garantir-lhe um pontificado de duas décadas. Ele recordou ainda palavras do papa Francisco, pouco antes de sua morte, de que “um personagem completamente diferente deveria agora seguir para dar continuidade ao que Francisco havia conquistado”.

Entre Bento XVI e Francisco

Na avaliação publicada no Christian Daily, Schirrmacher afirma que Leão XIV adota um estilo de liderança que se situa “entre Bento XVI e Francisco”. Ele observou que o pontífice “não se separa de seus guarda-costas como Francisco” e ao mesmo tempo “se movimenta com muito mais liberdade e sem proteção do que Bento XVI jamais fez”. Também em relação à produção de textos, o novo papa recorre à equipe de assessores, diferentemente de Francisco, que “gostava de redigir suas próprias declarações sociopolíticas e não se entusiasmava com a ideia de que fossem editadas”.

Perfil político

O papa americano é percebido como “politicamente de esquerda”, afirmou Schirrmacher, ressaltando que isso se evidencia inclusive na escolha do nome. Ele lembrou que, em janeiro de 2025, Francisco nomeou Robert W. McElroy, crítico de Donald Trump, como arcebispo de Washington. Segundo Schirrmacher, a eleição de Leão XIV também reflete a composição do Colégio Cardinalício: “57,8% dos cardeais com direito a voto vêm do Sul Global”, observando que, no total, “109 cardeais, ou 80,7% do total, foram nomeados por Francisco”.

A disputa com Pietro Parolin

Entre os concorrentes, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, figurava como favorito. “Segundo alguns relatos — a divulgação de tais informações é oficialmente proibida —, o Cardeal Parolin recebeu 59 votos no primeiro escrutínio, enquanto o Cardeal Prévost recebeu 49”, escreveu Schirrmacher. Parolin teria desistido, o que abriu caminho para a vitória de Leão XIV, que superou os 100 votos no quarto escrutínio.

Formação e experiência

Schirrmacher ressaltou a sólida formação do novo pontífice: “Estudou primeiro matemática e filosofia (1973-1977), depois teologia (1978-1982) e, por fim, direito canônico (doutorado em 1987). Nenhum papa na história teve uma formação tão ampla”. Ele acrescentou que o papa acumula “experiência de liderança mais ampla do que qualquer outro papa antes dele”, com passagens pelo Peru, Roma e Cúria Romana.

Estilo pastoral

Embora menos carismático que Francisco ou João Paulo II, Schirrmacher disse que Leão XIV “costuma dedicar mais tempo a conversas individuais do que Francisco”. Ele relatou uma cena em que o papa chamou cada casal recém-casado individualmente para abençoar, em vez de proceder coletivamente, o que prolongou a audiência.

Sobre o diálogo com evangélicos e protestantes, o autor declarou: “Nada se sabe sobre as opiniões do novo papa sobre o ecumenismo. Ele pode nos surpreender, mas, no momento atual, lhe falta experiência ecumênica”. Schirrmacher afirmou que a prioridade de Leão XIV parece estar em “fortalecer as relações com a Igreja Ortodoxa e outras igrejas antigas, em vez de com as igrejas protestantes tradicionais ou evangélicas”.

O autor também destacou o apelo crescente da Igreja Católica entre os jovens, mencionando que em Roma é frequente encontrar grupos evangélicos atraídos pela vida católica. “A Igreja Católica também está superando os evangélicos no contexto da fé digital, com uma série de jovens influenciadores católicos romanos em todos os países”, observou.

Perspectivas

Schirrmacher concluiu que a eleição de Leão XIV reúne em um só perfil os aspectos contrastantes da Igreja. “Deixando de lado as questões da verdade e simplesmente perguntando se o novo papa conseguirá manter unida a maior comunidade e organização religiosa do mundo, que alguns diriam estar se distanciando, é preciso concluir que, se alguém consegue, é Leão”.

O autor, arcebispo e professor Thomas Paul Schirrmacher, é presidente do Conselho Internacional da Sociedade Internacional de Direitos Humanos em Frankfurt e do Instituto Internacional para a Liberdade Religiosa. Atuou como secretário-geral da Aliança Evangélica Mundial de 2021 a 2024 e acompanha de perto as relações entre católicos e evangélicos em nível global.

Em meio à perseguição, surdos cristãos realizam batismo secreto

A organização Portas Abertas do Reino Unido relatou nesta quarta-feira (20) que sete cristãos surdos – quatro mulheres e três homens – foram batizados em uma cerimônia secreta realizada na Ásia Central.

O batismo ocorreu após os convertidos terem estudado a perseverança dos primeiros discípulos de Jesus Cristo em meio à perseguição religiosa.

De acordo com a missão, o grupo foi inspirado pelo exemplo histórico de discípulos que mantiveram sua fé sob adversidade extrema. “O grupo ficou surpreendido. Isso foi um exemplo a seguir enquanto enfrentam as suas próprias dificuldades”, informou a Portas Abertas através de sua conta no Instagram.

A cerimônia foi realizada de forma clandestina utilizando uma piscina inflável, já que a igreja local não possui registro governamental. Na região, atividades religiosas não autorizadas, incluindo batismos, são proibidas pelas autoridades.

Contexto:

A Ásia Central, composta por países como Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, é predominantemente muçulmana e herda estruturas legais restritivas da era soviética. Convertidos do islamismo ao cristianismo enfrentam oposição sistemática, incluindo pressão familiar, violência comunitária e perseguição estatal.

A situação é particularmente difícil para pessoas com deficiência auditiva na região, que já enfrentam discriminação, altos índices de analfabetismo e exclusão do mercado de trabalho. Segundo crenças locais, a surdez é frequentemente interpretada como uma maldição.

Cristãos de origem muçulmana constituem o grupo mais vulnerável, sofrendo perseguição tanto de autoridades estatais quanto de suas próprias comunidades. Práticas comuns incluem vigilância policial, multas, agressões físicas, confinamento domiciliar forçado e expulsão comunal.

A Portas Abertas solicitou orações pelos sete novos batizados, observando que “eles começaram suas caminhadas com Jesus num lugar onde podem encontrar desafios tanto para a sua deficiência como para a sua fé”.

A organização ainda destacou que nenhuma atividade religiosa fora de instituições controladas pelo governo é permitida na região, e que cristãos protestantes são frequentemente classificados como “seguidores de uma seita estrangeira”.

Cristãos: 60% dos homens e 30% das mulheres veem pornografia

Sam Black, especialista em recuperação do vício em pornografia e diretor da Life Change Education for Covenant Eyes, afirmou que o consumo de conteúdo pornográfico está minando silenciosamente a saúde espiritual de congregações em todo o mundo.

Black, ele próprio liberto do vício em pornografia, dedica-se atualmente a capacitar famílias e líderes religiosos a enfrentarem o problema.

De acordo com o especialista, o primeiro passo para combater o que classificou como “epidemia da pornografia” é romper o silêncio sobre o tema nas comunidades religiosas.

Pesquisas citadas por Black indicam que mais de 60% dos homens cristãos e 30% das mulheres cristãs que frequentam igrejas relatam lutar contra a pornografia. Apesar desses números, apenas 7% das igrejas oferecem recursos ou acompanhamento específico para o problema.

Entre o público jovem, os índices são igualmente significativos: aproximadamente 36% dos homens jovens consomem pornografia diariamente, enquanto 73% das mulheres entre 18 e 35 anos relataram ter visto conteúdo pornográfico nos últimos seis meses, com mais de 25% tendo consumido na semana anterior à pesquisa.

“A pornografia não é o que costumava ser. É muito mais acessível, mais extremo e mais violento. E está remodelando a forma como as pessoas pensam sobre sexo, relacionamentos e até mesmo o valor de outro ser humano”, declarou Black em entrevista ao The Christian Post.

O especialista citou estudos que mostram que 52% dos adolescentes são expostos a conteúdos pornográficos violentos, envolvendo atos como asfixia, engasgo, tapas ou outras agressões.

Líderes religiosos também não estão imunes ao problema: pesquisas indicam que 21% dos pastores de jovens e 14% dos pastores admitem lutar contra a pornografia.

Black identificou três fatores principais que contribuem para o desenvolvimento do vício: exposição precoce na infância, uso repetido durante a adolescência e trauma emocional não resolvido – padrão que vivenciou pessoalmente, tendo sido exposto à pornografia aos 10 anos.

Uma pesquisa da Universidade de Oklahoma, mencionada pelo especialista, associa o uso de pornografia entre cristãos à diminuição de práticas espirituais como oração, leitura bíblica e serviço voluntário. “Quando a pornografia se torna parte de sua vida, ela corrói sua confiança no desígnio de Deus”, observou Black.

O especialista apontou que muitos pastores não receberam formação adequada em seminários para lidar com o vício em pornografia, além de frequentemente não manterem relacionamentos suficientemente próximos com os membros para que estes se sintam comfortable em compartilhar suas lutas.

Black enfatizou a importância de praticar Tiago 5:16 – “orem uns pelos outros para que sejam curados” – como abordagem fundamental para o problema.

Segundo ele, ignorar a questão da pornografia prejudica todos os ministérios eclesiásticos, enquanto enfrentá-la fortalece o Corpo de Cristo através do crescimento nas Escrituras, na oração e na disposição de servir.

Claudio Duarte defende Malafaia: “Precisamos nos posicionar”

O pastor Claudio Duarte se tornou mais um dos líderes evangélicos a sair em defesa do também pastor Silas Malafaia, após o mesmo ter sido alvo de um mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Considerado uma das vozes evangélicas mais influentes do país, possuindo milhões de seguidores nas redes sociais, Duarte gravou um vídeo para dizer que apoia o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), diante do que ele considera abusos por parte do Supremo.

Na gravação (vídeo acima), Claudio Duarte afirmou que todos precisam “se posicionar” diante das arbitrariedades, explicando que toda a população se tornou um alvo em potencial do ativismo judicial, sendo Malafaia apenas um exemplo de poderio por parte dos que cometem injustiças.

Nota oficial

Na terça-feira, o Conselho de Ministros Evangélicos do Estado do Rio de Janeiro (Comerj), organização presidida por Claudio Duarte, já havia emitido uma nota oficial de repúdio à operação da PF contra Malafaia.

A entidade classificou a ação contra o pastor como “perseguição que ultrapassa o âmbito político e atinge também a esfera religiosa”. Leia a íntegra da nota publicada pela organização, abaixo:

Nota Pública de Repúdio

O Conselho de Ministros do Estado do Rio de Janeiro (COMERJ) repudia, com veemência, a inclusão imprópria e injusta do Pastor Silas Malafaia no inquérito que apura suposta obstrução de justiça, coação no curso do processo, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, entre outros.

O Pastor Silas Malafaia é uma das maiores lideranças evangélicas do país, com reconhecimento internacional, sendo uma das principais vozes que representam o povo evangélico brasileiro. Não podemos aceitar tamanha perseguição, que ultrapassa o âmbito político e atinge também a esfera religiosa.

Apelamos aos ministros do STF, bem como a senadores e deputados, pois o Brasil está caminhando para algo perigoso e inaceitável. A liberdade de expressão e a liberdade religiosa são inegociáveis no Estado Democrático de Direito, como garante a nossa Constituição.

Orando por um país livre e justo.

Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2025

Claudio Soares Duarte

Leandro da Silva

Gerson Costa Filho

Marcus Gregório do Nascimento

Tiago Esteves Coelho

Paulo Roberto de Oliveira Ramos

Aluísio Moreira da Silva Júnior

Oziel Galdino do Nascimento

Arnolfo Fernando Cardoso Pinheiro

Luiz Eduardo Campino Rodrigues

Maurilio Luiz dos Santos Zeferino

Eritreia rejeita pedido de libertação de líderes cristãos presos

A Embaixada do Estado da Eritreia, em Washington, recusou-se a receber uma carta que pedia a libertação de sete líderes cristãos detidos há mais de 20 anos sem acusações formais. A manifestação ocorreu em 21 de agosto, do lado de fora da sede diplomática, e foi organizada pela campanha Vozes pela Justiça da Religious Liberty Partnership, com apoio de entidades como 21 Wilberforce, Set My People Free, Christian Freedom International e Jubilee Campaign.

O protesto antecedeu o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência, celebrado nesta sexta-feira, 22 de agosto. Grupos cristãos em diferentes países também realizaram vigílias, procissões e reuniões de oração para chamar a atenção da comunidade internacional sobre a situação. Segundo os organizadores, os sete detidos permanecem sob custódia no Centro de Investigação Criminal Wengel Mermera, uma prisão de segurança máxima classificada pela Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional como “atroz”.

Carta rejeitada pela embaixada

Após os discursos, Ella Elwin, representante da Christian Freedom International, tentou entregar à embaixada uma carta assinada por organizações e indivíduos em defesa dos líderes cristãos. O documento argumentava que as prisões violam a Constituição da Eritreia, de 1997, a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. A embaixada não aceitou o material. Lou Ann Sabatier, diretora de comunicações da 21 Wilberforce, informou que os grupos pretendem enviar a carta por outros meios.

Testemunhos de exilados

Dois membros da comunidade copta eritreia, residentes nos Estados Unidos, viajaram de Delaware para participar do ato. Entre eles, Araya Debessay, que vive há mais de 40 anos no país e disse ao The Christian Post ter se tornado “persona non grata” na Eritreia após assinar uma carta crítica ao governo em 2000. “Não há liberdade religiosa na Eritreia. Há muitos que estão sendo perseguidos por causa de suas crenças religiosas”, declarou.

Outro participante, Haile Tesfay, nos EUA há quase 20 anos, afirmou: “Não existe liberdade religiosa ou de crença na Eritreia. Tudo é controlado pelo governo, e há infiltração do governo em todas as instituições religiosas”.

Líderes cristãos detidos

Durante a manifestação, cartazes com a inscrição “Libertem os 7” exibiam fotos dos líderes presos. Wendy Wright, da Christian Freedom International, detalhou os casos:

  • Rev. Million Gebreselassie, pastor e anestesista, preso em junho de 2004.
  • Dr. Kuflu Gebremeskel, presidente da Aliança Evangélica Eritreia, detido em 2004, sofre de hipertensão e diabetes.
  • Rev. Gebremedhin Gebregiorgis, padre ortodoxo, preso em novembro de 2004 por ensinar em língua local.
  • Rev. Tekleab Menghisteab, padre ortodoxo, também preso em 2004, diagnosticado com hipertensão.
  • Rev. Kidane Weldou, da Igreja do Evangelho Pleno, preso em 2005, apresenta danos oculares agravados pela prisão.
  • Dr. Futsum Gebrenegus, padre ortodoxo, detido em 2004 por envolvimento em movimento de renovação da Igreja Ortodoxa.
  • Rev. Haile Naizge, ex-líder da Visão Mundial, preso em 2004 e afastado da família desde então.

Histórico de perseguição

Faith McDonnell, da organização Katatismos Global, lembrou que os protestos em frente à embaixada remontam a 2005 e destacou denúncias de maus-tratos em prisões do país. Ela mencionou o caso da cantora gospel Helen Berhane, que relatou ao então presidente Donald Trump, em 2019, ter passado 32 meses em um contêiner por não renegar sua fé.

De acordo com relatos apresentados no ato, prisioneiros cristãos enfrentam torturas físicas e psicológicas, incluindo práticas chamadas por sobreviventes de “Jesus Cristo”, em que a vítima é suspensa com os braços amarrados em posição semelhante à crucificação.

A Missão Portas Abertas classifica a Eritreia em sexto lugar na Lista Mundial de Perseguição atualizada para 2025. Já o Departamento de Estado dos Estados Unidos mantém o país africano na categoria de “País de Preocupação Particular”, por violações consideradas “sistemáticas, contínuas e flagrantes da liberdade religiosa”.

Mendonça critica STF e afirma que criar leis não é papel da Corte

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou nesta sexta-feira, 22 de agosto, que o fortalecimento do Estado de direito exige uma postura de “autocontenção” do Poder Judiciário. Ele destacou que o ativismo judicial significa a prevalência do Judiciário sobre os demais poderes da República.

Segundo Mendonça, “os intérpretes da lei devem seguir a lei e a Constituição. Não cabe ao Poder Judiciário dar a primeira e a última palavra… nem fazer a criação de inovação legislativa”. A declaração foi feita durante participação no 24º Fórum Empresarial organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), realizado no Rio de Janeiro.

O ministro também afirmou que a preservação das instituições depende da conduta de seus próprios agentes, ressaltando que cada decisão tomada no âmbito do Judiciário tem reflexos diretos na sociedade. “A racionalidade e a lei funcionam como fatores de estabilidade e não de crise. […] É preciso garantir as liberdades básicas e isso significa garantir a livre iniciativa sem intervencionismo não justificado”, disse.

Mendonça acrescentou que, diante de falhas institucionais, é necessário refletir sobre reformas que envolvam não apenas os poderes, mas também tribunais de contas e agências reguladoras, a fim de assegurar a estabilidade. A programação do evento também prevê a participação do ministro Alexandre de Moraes.

Veja como missionários enviam 40 mil Bíblias à Coreia do Norte

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Há 13 anos, a missão Voz dos Mártires (VOM) Coreia do Sul tem lançado Bíblias em balões sobre a Coreia do Norte, país considerado o mais fechado do mundo para o Evangelho. O regime comunista de Kim Jong-un proíbe a posse e a distribuição das Escrituras, e a pena para quem for flagrado com um exemplar pode chegar à morte.

Segundo a missão, os balões carregam tanto Bíblias impressas em tamanho reduzido quanto exemplares em áudio armazenados em cartões de memória. “Lançar balões para a Coreia do Norte é muito mais difícil do que parece! As Bíblias precisam ser cuidadosamente embaladas, balões precisam ser lançados, muitas vezes sob o manto da escuridão, e os padrões climáticos devem estar corretos”, informou a organização.

Os lançamentos dependem de condições climáticas favoráveis e ocorrem em qualquer hora do dia ou da noite. Estudantes e funcionários da missão se revezam em turnos para preparar e liberar os balões. O material é embalado em filme plástico para suportar a viagem, enquanto o gás hidrogênio garante o transporte aéreo. Com o uso de GPS, a VOM confirma se os exemplares chegam ao território norte-coreano.

A missão também destacou que o envio varia conforme as estações do ano. “Nossa temporada de balões termina quando o clima muda. Setembro traz consigo um clima desfavorável para lançamentos de balões. Isso não significa que paramos de enviar Bíblias para a Coreia do Norte; significa apenas que mudamos a forma como as Bíblias são enviadas”, acrescentou a organização.

A dificuldade de acesso à Palavra dentro da Coreia do Norte é um dos principais motivos para a continuidade da ação. Contrabandistas locais chegam a cobrar o equivalente a um salário mensal para alugar uma Bíblia por poucos dias. “Apesar desse preço exorbitante, os desertores nos disseram que alguns norte-coreanos estão dispostos a pagar esse preço”, relatou a missão.

Um desertor afirmou: “O governo pune severamente as pessoas que possuem este livro e isso deixa alguns de nós curiosos para saber o que há nele”. Para atender a esse anseio, cristãos secretos pedem que a missão mantenha os envios.

De acordo com a VOM, cerca de 40 mil Bíblias são lançadas todos os anos. A organização comparou o impacto da iniciativa ao longo do tempo: “Quando começamos, há mais de 10 anos, menos de 2% dos desertores norte-coreanos relataram ter visto uma Bíblia enquanto estavam dentro da Coreia do Norte. Hoje esse número está em torno de 10%”.

A entidade também afirmou que confia que os exemplares chegam às mãos de quem deve recebê-los. “Com nossa tecnologia de rastreamento GPS, podemos confirmar exatamente onde nossos balões estão pousando no Norte. Além disso, podemos confiar que Deus está entregando essas Bíblias nas mãos daqueles a quem Ele pretende – às vezes até mesmo ao exército ou a funcionários do governo”, declarou, segundo informações do portal Guia-me.

Jottapê conta que estava drogado quando ouviu a voz de Deus

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O cantor Jottapê, conhecido por interpretar o personagem MC Doni na série Sintonia, da Netflix, anunciou o fim da carreira no funk e sua conversão a Jesus durante o último show realizado em São Paulo. Ao lado da esposa, Estefany Boro, ele relatou que a decisão marcou uma mudança definitiva em sua trajetória pessoal e profissional.

Em participação no podcast JesusCopy, Jottapê contou detalhes de seu encontro com Cristo. Nascido em um lar cristão, afirmou que não frequentava a igreja com os pais e nunca havia tido uma experiência pessoal com a fé. Na adolescência, iniciou sua carreira como MC e alcançou projeção nacional, mas destacou que, nesse período, se envolveu com drogas e práticas que descreveu como destrutivas.

O início da transformação

Segundo o cantor, a mudança começou há cerca de dois anos, quando se mudou para o bairro de Alphaville, na região metropolitana de São Paulo. Ao frequentar uma barbearia local, passou a ser confrontado pelo dono do estabelecimento, identificado como Sam, que também é pastor.

“Eu chegava nessa barbearia sempre chapado, drogado, contando as besteiras que rolavam nos bastidores do funk. E o dono da barbearia, toda vez que eu trazia algum problema, ele me respondia com a Palavra”, relatou.

Com o tempo, Jottapê se aproximou do pastor e relatou ter sido tocado pelas mensagens que recebia. “Eu não estava caminhando com Deus, mas tudo que eu ouvia da Palavra, eu tinha um temor. O Sam respondia o que eu precisava ouvir, não o que eu queria ouvir”, afirmou.

Encontro com Cristo

O cantor também contou que, paralelamente às conversas na barbearia, sua esposa começou a ser confrontada pela fé e pediu que ele não usasse mais drogas em casa, pois a filha do casal estava prestes a nascer. Pouco depois, Jottapê participou de uma célula em sua residência, quando relatou ter tido uma experiência sobrenatural.

“Eu comecei a sentir algo diferente – eu não sabia que isso era a presença de Deus. Era como se fosse uma coisa me enchendo desde os meus pés, e senti uma sensação de paz que eu nunca tinha sentido. Eu ouvi uma voz no meu ouvido dizendo: ‘Finalmente você deixou eu entrar’”, disse.

No mesmo encontro, uma cristã entregou uma palavra profética confirmando que a experiência vinha de Deus, o que, segundo ele, reforçou sua decisão de buscar uma nova vida.

Decisão de abandonar o funk

Jottapê afirmou que passou a sentir desconforto durante apresentações e crises de ansiedade nos bastidores. “Era como se eu não fizesse mais parte do ambiente. O Espírito me constrangia. Até que chegou um momento onde Deus começou a ser muito claro que era para eu abrir mão desse trabalho”, relatou.

Em 2024, ele e a esposa aceitaram Jesus publicamente e foram batizados. O cantor então deixou o funk, mesmo enfrentando multas milionárias por quebra de contratos. No entanto, em maio de 2025, conseguiu encerrar o vínculo com a produtora e declarou estar livre para iniciar uma carreira no meio gospel.

Caminho atual

Atualmente, Jottapê e Estefany congregam na Paz Church, em Santana de Parnaíba, e têm participado de eventos para compartilhar o testemunho de sua conversão. “Eu tentei ignorar a voz de Deus porque mexia no meu bolso, mas entendi que o propósito que Ele tem para mim é maior do que qualquer carreira”, declarou.

Cristãos devem ser contra o mal, diz pastor: ‘Nada de baixar o tom’

Durante a Cúpula de Pastores Faith Forward, organizada pela Turning Point USA, o pastor John Amanchukwu pediu que líderes religiosos e cristãos em geral se manifestem publicamente contra o que classificou como males cada vez mais evidentes na cultura americana.

“Pessoas importantes da esquerda e da direita me disseram que preciso baixar o tom”, declarou Amanchukwu em tom enfático. “Liberais mentirosos e membros do RINO [termo usado para descrever a falsa direita nos EUA], que não entendem de política, me disseram isso. Me disseram para baixar um pouco o tom e aliviar a tensão”.

Amanchukwu é pregador na Carolina do Norte e autor do livro Eraced: Uncovering the Lies of Critical Race Theory and Abortion, lançado em 2022. Ele é conhecido por sua oposição ao aborto, a conteúdos pornográficos em escolas e ao marxismo cultural, incluindo correntes como a teoria crítica da raça e a teoria queer. Seu nome tem se destacado em vídeos que viralizaram nas redes sociais, nos quais confronta conselhos escolares sobre a presença de livros considerados inapropriados para crianças.

No encontro, o pastor destacou que, mesmo diante de conselhos para recuar em suas posições, não pretende se calar. “Toda vez que me dizem essas coisas, elas entram por um ouvido e saem pelo outro”, afirmou, antes de conduzir a plateia em aplausos com a frase: “Não vou ficar calado!”.

Ele alertou sobre a pressão cultural e religiosa que, segundo ele, tem levado muitos a abandonarem “a verdade da Palavra de Deus” para se adaptar ao ambiente social. Para reforçar sua mensagem, citou a passagem do Evangelho de Marcos 10, que relata a cura do mendigo cego Bartimeu. “Eles lhe diziam: ‘Ei, mendigo, fique quieto. Já ouvimos você o suficiente. Cale a boca’. […] Mas ele chorou ainda mais”, recordou Amanchukwu, comparando a atitude de Bartimeu à postura que os cristãos devem assumir hoje.

O pregador relacionou a realidade americana atual a exemplos bíblicos de Sodoma e Gomorra, sugerindo que muitos pastores estão mais preocupados em manter posições seguras do que em enfrentar o que chamou de guerra espiritual: “Muitos cristãos hoje em dia querem ser gentis em vez de fiéis”, afirmou. “Cristãos gentis veem a perversão e dizem: ‘Não vou julgá-la’, mas cristãos fiéis dão nome aos bois”.

Amanchukwu citou ainda Romanos 13:12: “A noite já vai avançada; o dia está próximo. Portanto, deixemos de lado as obras das trevas e vistamo-nos com as armas da luz”. Ele concluiu sua mensagem pedindo urgência no compromisso dos cristãos com sua geração. “Não nos resta muito tempo. Agora não é hora de a Igreja baixar o tom. Agora não é hora de nos calarmos. Agora não é hora de ficarmos quietos”, finalizou, de acordo com o The Christian Post.

‘País está caminhando para uma ditadura’, diz pastor Valandro Jr.

O pastor Josué Valandro Júnior, presidente da Igreja Batista Atitude, escritor e conferencista, considerado mentor espiritual da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, declarou que o Brasil está “à beira de uma ditadura” e defendeu a atuação da igreja como voz profética diante da crise nacional.

Em entrevista, Valandro destacou a relevância da instituição religiosa no cenário atual: “A igreja é hoje a única instituição segura para a sociedade”. Segundo ele, não é necessária filiação partidária, mas os membros que desejarem se candidatar têm esse direito. “Existem pessoas que têm vocação e a igreja precisa apoiar e respeitar. Nós precisamos ser a voz profética, não para plantar um candidato, mas para dizer que não aceitamos candidatos que não nos representam”, afirmou.

O líder evangélico analisou o momento de polarização política e fez críticas ao Judiciário. “Nosso país perdeu as referências de família, respeito e temor a Deus. Este é o momento de uma igreja de posicionamento, ainda que ameaçada. Precisa reforçar seus valores. Somos a única esperança para o mundo melhor”, disse.

Ele também questionou a postura do governo e as incoerências nas investigações. “Pessoas estão sendo inibidas de dar entrevistas, de falar com outras pessoas, perderam suas redes sociais, mas os responsáveis pelos roubos dos aposentados estão tranquilos. Nosso país está caminhando para uma ditadura, num conluio entre o judiciário e o executivo, com o apoio de maus senadores e deputados do Congresso Nacional”, declarou.

Ao final, Valandro ressaltou a necessidade de maturidade política dos cristãos. “Nós como igreja precisamos orar pela nossa nação e votar com sabedoria. O cristão tem compromisso com a verdade. Você não pode votar em alguém que rouba e mente o tempo inteiro”, concluiu, de acordo com a revista Comunhão.