Malafaia nega interesse em ser político: ‘Prefiro a influência’

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), declarou nesta quarta-feira, 28 de maio, que não pretende disputar cargos políticos, incluindo uma eventual candidatura à Presidência da República.

A declaração foi feita durante entrevista na última quarta-feira, 28 de maio. Ao ser questionado sobre seu futuro político, Malafaia respondeu que sua influência fora da política tem sido mais efetiva do que se ocupasse um cargo eletivo.

Eu acredito que, como influência, sou muito mais forte do que se eu fosse um deputado. Eu prefiro exercer influência”, afirmou.

O pastor destacou que sua atuação como líder religioso e influenciador no meio cristão e conservador tem dado resultados práticos, especialmente nas eleições municipais de 2024. Segundo ele, dos 22 candidatos a prefeito que apoiou, 18 foram eleitos, e entre os 11 candidatos a vereador que receberam seu apoio, oito venceram.

Malafaia reiterou que sua decisão é pessoal e que respeita os que optam por seguir a carreira pública: “Quando você escolhe um partido, você faz parte da sociedade. Eu decidi que não vou ser parte da sociedade, eu sou do todo”, declarou.

Ele também comentou sobre sua relação com a imprensa, afirmando que seu posicionamento firme e frequente tem atraído a atenção dos veículos de comunicação. “Eu ganho um protagonismo, porque me posiciono mais do que os outros”, concluiu, na entrevista ao programa Pleno Time.

Silas Malafaia é uma das figuras mais conhecidas do meio evangélico no Brasil, frequentemente envolvido em debates políticos e sociais. Apesar da rejeição à candidatura, sua influência no cenário político permanece ativa por meio do apoio a nomes alinhados com sua visão de mundo.

‘Deus usa pessoas comuns’ para o chamado evangelístico

O evangelista Greg Laurie estima ter feito apelos à conversão que foram atendidos por mais de 1 milhão de pessoas ao longo das últimas cinco décadas. Ele compartilhou reflexões sobre o chamado evangelístico e sua convivência com Billy Graham.

O pastor da Harvest Christian Fellowship, com sedes na Califórnia e no Havaí, discursou sobre “O dom e o chamado de um evangelista” durante o Congresso Europeu sobre Evangelismo, promovido pela Associação Evangelística Billy Graham (BGEA), no hotel JW Marriott, em Berlim.

O testemunho de salvação de Laurie foi retratado no filme Jesus Revolution, lançado em 2023 pela Lionsgate, ambientado nas décadas de 1960 e 1970. O ator Joel Courtney interpreta o jovem Laurie, e Jonathan Roumie (Jesus na série The Chosen) representa Lonnie Frisbee, evangelista entre os hippies cristãos.

Ao comentar o legado de Billy Graham, Laurie relatou um encontro pessoal com o evangelista, ocorrido pouco antes de sua morte em 21 de fevereiro de 2018. “Perguntei: ‘Se um Billy mais velho pudesse falar com um Billy mais jovem, o que você diria a si mesmo?’”, disse Laurie. “Ele respondeu: ‘Gostaria de me lembrar de pregar mais sobre a cruz de Cristo e o sangue de Cristo porque é aí que está o poder’”.

Laurie comentou: “Eu nunca esqueci isso e vou mencionar isso aos evangelistas aqui [em Berlim] porque a mensagem do evangelista é muito simples e temos que evitar complicá-la”.

Membro do conselho da BGEA há 25 anos, Laurie acompanhou Graham em cruzadas e colaborou nos bastidores. Segundo ele, o privilégio de conviver com Graham foi “um período de grande treinamento”. “Senti que estava matriculado na melhor universidade evangélica do mundo, porque não há maior evangelista do século XX do que Billy Graham”, afirmou. “E ele levou o Evangelho a mais pessoas do que qualquer outra pessoa”.

Laurie recordou que Graham também atuou como conselheiro espiritual de presidentes dos Estados Unidos, “desde Harry Truman até [Barack] Obama”. Ele acrescentou: “Não temos ninguém como ele na cena hoje, e eu gostaria que tivéssemos. Mas, sabe, às vezes as pessoas afirmam que estão continuando o ministério de Billy Graham ou que assumiram o manto de Billy Graham”.

“Acho que Billy Graham foi chamado para ser Billy Graham. Acho que todos somos chamados a levar o Evangelho à nossa geração, à nossa maneira. Foi dito de Davi que ele serviu a Deus em sua geração. E foi isso que Billy fez. Ele serviu a Deus em sua geração”.

Ao tratar da responsabilidade pessoal do evangelista, Laurie enfatizou: “Devemos pregar o Evangelho, semear a semente e deixar o resultado final nas mãos de Deus”.

Ele explicou que nem todos os que ouvem a mensagem se tornam cristãos no sentido pleno. “Aqueles que respondem ao Evangelho fazem profissões de fé, e algumas perduram e outras não”, disse. “Tentamos fazer tudo o que podemos, sem sermos desagradáveis, para ajudar uma pessoa a crescer na fé depois de ter feito uma profissão de fé”.

Sobre a diferença entre evangélico e evangelista, Laurie declarou: “Evangélico é um termo cunhado há pouco tempo para descrever cristãos que defendem certas visões, como a de que acreditamos na inspiração das Escrituras e a de que precisamos de um relacionamento com Jesus Cristo. Um evangelista é alguém chamado para proclamar o Evangelho”.

Ele acrescentou: “Todo cristão é chamado a evangelizar, porque a Grande Comissão que nos foi dada é ir por todo o mundo, pregar o Evangelho e fazer discípulos de todas as nações. Portanto, embora alguns sejam extraordinariamente chamados para essa obra, todo cristão é chamado para compartilhar sua fé com os outros”.

Para Laurie, a eficácia evangelística está ligada à simplicidade e autenticidade. Ele destacou o contraste com a imagem negativa muitas vezes associada ao “televangelista autoritário”. “Para que eles possam nos ignorar e não ouvir o que temos a dizer”, disse. “Acho que, quando alguém conhece um cristão e começa a construir um relacionamento com ele, podemos quebrar esses estereótipos simplesmente sendo pessoas piedosas. Sendo pessoas amigáveis, amorosas, gentis e com quem os outros gostariam de estar por perto. Uma maneira de expressar isso é: ‘Se você quer conquistar alguém, seja cativante’”.

Laurie citou o evangelista Filipe como o único nomeado explicitamente com esse título no Novo Testamento. Ele também reconheceu o chamado evangelístico de Pedro, Paulo, Billy Graham, Franklin Graham e outros presentes no congresso. “Quero encorajá-los no chamado que Deus lhes deu, porque, francamente, não há muitas pessoas chamadas para evangelistas hoje em dia”, afirmou.

“Muitos são chamados para o ministério. Muitos são chamados para pastorear, mas parece que não encontramos muitos que sejam especificamente chamados para ser evangelistas”.

Ele observou que essa realidade se repete globalmente. “Você simplesmente não vê tantas pessoas chamadas especificamente para evangelistas quanto aquelas chamadas para pastores e mestres. Mas, novamente, quero enfatizar que todo cristão e todo líder espiritual é chamado para evangelizar”.

Ao citar Romanos 1:16, Laurie declarou: “O apóstolo Paulo chama o Evangelho de ‘poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê’. E a palavra que ele usa para poder é a palavra grega dunamis. Dela deriva a palavra inglesa dynamic, até mesmo dynamite. Portanto, acredito que há um poder explosivo na mensagem simples, porém profunda, do Evangelho”.

A respeito da vocação, ele recomendou atenção ao texto de 2 Pedro 1:10: “Portanto, meus irmãos, esforçai-vos para confirmar a vossa vocação e eleição. Porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis”.

Laurie acrescentou: “Uma das melhores maneiras de descobrir se você é um líder é liderar e ver se alguém o segue. E eu acho que, se você for chamado por Deus, verá resultados e frutos”.

Ele lembrou que muitos personagens bíblicos inicialmente duvidaram de seus chamados. “Moisés não se sentia qualificado. Gideão disse: ‘Sou o menor na casa de meu pai’. Mas parece que o Senhor se esforça para escolher pessoas comuns para fazer coisas extraordinárias. E o apóstolo Paulo diz: ‘Deus chama as coisas loucas do mundo para confundir as sábias’. Então, eu acho que se você acredita que seu chamado é ser um evangelista, então vá evangelizar”.

Ao concluir, Laurie afirmou que o sucesso de um evangelista não é medido pelo número de convertidos, mas pela fidelidade ao chamado. “Jesus, no último dia, não dirá: ‘Muito bem, servo bom e bem-sucedido’, mas sim: ‘Muito bem, servo bom e fiel’”.

Ele reconheceu que grandes eventos são importantes — como o Pentecostes, quando cerca de 3.000 pessoas creram, conforme Atos 2:41 —, mas reafirmou: “Às vezes o sucesso se baseia apenas em você obedecer a Deus e ao que Ele o chamou para fazer. Sucesso também é terminar bem a sua corrida, viver uma vida íntegra, não contradizer o que você prega ou sabotar seu próprio ministério com más escolhas”.

“Portanto, há muitas maneiras de definir o sucesso máximo. Mas acho que a resposta mais simples é fidelidade ao chamado que Deus lhe deu”, concluiu, de acordo com informações do The Christian Post.

Para quê confessar pecados se Cristo já nos perdoou na cruz?

A confissão de pecados permanece como uma prática recorrente na vida cristã, mesmo diante da convicção de que o perdão foi plenamente conquistado na cruz. A tensão entre o perdão eterno e a necessidade contínua de confissão está presente desde os primeiros séculos da fé cristã e segue alimentando reflexões sobre a graça, a justiça e a comunhão com Deus.

De acordo com o Novo Testamento, a confissão é apresentada como uma atitude constante. Na oração do Pai Nosso, ensinada por Jesus, encontra-se o pedido: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12). Na mesma linha, o apóstolo João escreve: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

O apologista cristão Robin Schumacher observa que, no texto original grego de 1 João 1:9, o verbo “confessar” está no tempo presente contínuo, sugerindo um hábito persistente. Segundo ele, a estrutura da frase poderia ser entendida como “se continuarmos confessando”, o que aponta para a confissão como parte permanente da vida devocional.

O perdão é aplicado individualmente

A discussão teológica sobre o papel da confissão no contexto do perdão já oferecido por Cristo é legítima. Robin Schumacher defende que é necessário considerar tanto a completude da obra redentora na cruz quanto a experiência cotidiana do cristão diante do pecado. Ele afirma: “A redenção oferecida na cruz se atualiza na história à medida que as pessoas passam a existir, cometem pecados, se arrependem e recebem a purificação de Deus”.

Segundo essa compreensão, não se trata de revalidar o sacrifício de Cristo, mas de reconhecer que o perdão é aplicado pessoalmente a cada crente mediante arrependimento. A cruz é suficiente e definitiva, mas a comunhão com Deus é fortalecida por meio da confissão sincera.

Entre a obsessão e a negligência

Historicamente, essa prática já foi alvo de excessos e descuidos. Um exemplo citado frequentemente é o do reformador Martinho Lutero, que, no início de seu ministério, chegava a gastar até seis horas por dia em confissão. Posteriormente, ele passou a entender a confissão como uma expressão de fé na misericórdia de Deus, e não como um fardo.

Em seus escritos, Lutero registrou: “Em suma, a menos que Deus perdoe constantemente, estamos perdidos. (…) Esta petição significa, na verdade, que Deus (…) deseja lidar conosco graciosamente, perdoar como prometeu e, assim, conceder-nos uma consciência alegre e jovial”.

Do outro lado do espectro, há o risco da indiferença, quando a confiança no perdão se desliga da prática do arrependimento. Essa visão, segundo Robin, ignora a seriedade do pecado e compromete a comunhão espiritual.

Confissão é expressão de fé

No entendimento de diversos teólogos, confessar pecados diante de Deus não é um ritual mecânico, mas um sinal de vitalidade espiritual. A prática envolve reconhecer a própria limitação e se submeter à graça. “Confessar não é tentar conquistar algo que falta, mas responder ao que já foi dado”, resume Robin, no artigo publicado no The Christian Post.

Essa postura é ilustrada nas palavras do salmista, que afirmou: “Se tu, Senhor, registrasses os pecados, Senhor, quem subsistiria?” (Salmo 130:3) e também declarou: “Como é feliz aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” (Salmo 32:1). A tensão entre o “já” e o “ainda não” da salvação cristã aparece com clareza nesses textos.

Renovando a comunhão com Deus

Embora o perdão já tenha sido concedido por meio de Cristo, a confissão tem o papel de restaurar a comunhão com Deus. Robin Schumacher observa: “Não confessamos para conquistar um perdão ausente, mas para renovar nossa comunhão com Aquele que já nos perdoou”.

Essa distinção é considerada essencial para manter a integridade espiritual do cristão. A confissão não deve ser guiada pelo medo da condenação, mas pela confiança na graça. É uma forma de cultivar o relacionamento com Deus em meio à jornada da fé.

A prática da confissão de pecados, à luz das Escrituras, não se opõe ao ensino de que o perdão foi garantido na cruz. Pelo contrário, reforça a centralidade da cruz como ponto de encontro entre a justiça e a misericórdia divinas. Confessar é reconhecer o pecado como Deus o vê e se voltar a Ele em humildade e fé. É uma disciplina espiritual que fortalece a comunhão e mantém o coração sintonizado com a mensagem do Evangelho.

Fiéis lamentam partida de pastor referência na teologia pentecostal

Faleceu na madrugada de quinta-feira, 29 de maio, o pastor Claudionor Corrêa de Andrade, aos 69 anos, referência na teologia pentecostal. Ele estava internado desde o início de 2024 devido a uma infecção abdominal grave, com foco no fígado, segundo informações de familiares.

Durante 36 anos, Claudionor atuou na Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), onde exerceu funções de destaque nos setores de Jornalismo e Educação Cristã. Posteriormente, tornou-se gerente do Departamento de Publicações e conselheiro doutrinário e teológico da editora.

Foi ainda o primeiro funcionário da Editorial Patmos, braço da CPAD voltado para o mercado latino-americano, além de comentarista de diversas edições das revistas Lições Bíblicas Adultos e de livros de apoio a professores da Escola Dominical.

Nas redes sociais, membros da Igreja Assembleia de Deus expressaram pesar e homenagens ao legado teológico do pastor. “Depois de Antônio Gilberto, a maior perda teológica do país!”, escreveu um usuário da página Assembleianos de Valor. Outro seguidor declarou: “Era um pregador pentecostal mas com pregação cristocêntrica, sem exageros. O mover do Espírito Santo ocorria em consequência da Palavra ministrada”.

Outro internauta afirmou: “A Assembleia de Deus se despede desse comentarista que nos enriqueceu com sua sabedoria”.

Legado e Produção Acadêmica

Reconhecido como conferencista e autor prolífico, o pastor Claudionor publicou cerca de 30 obras nas áreas de teologia e doutrinas bíblicas, a maioria lançadas pela CPAD. Entre os títulos de maior repercussão estão Dicionário Teológico e Geografia Bíblica.

Era membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e um dos fundadores da Casa de Letras Emílio Conde. Desde 2019, atuava como conselheiro bíblico da Escola de Teologia das Assembleias de Deus (EETAD), em Campinas (SP), onde publicou três livros nos últimos cinco anos. De acordo com a instituição, há ainda três obras inéditas que deverão ser lançadas futuramente.

Notas de Pesar

Em nota divulgada nas redes sociais, o pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), e sua esposa, irmã Lídia Dantas Costa, presidente da UNEMAD, manifestaram condolências à família. “Foi um homem de Deus, dedicado ao ensino, que por 36 anos colaborou com a Assembleia de Deus do Brasil trabalhando na CPAD, como escritor e comentarista de Lições Bíblicas”, afirmou o texto. A nota finaliza com a citação do Salmo 116.15: “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos”.

O pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente de honra da CGADB e presidente do Conselho Administrativo da CPAD, também lamentou a perda: “Sua dedicação para com o ensino sadio das Sagradas Escrituras será sempre lembrada por todos nós que desfrutamos de seu conhecimento, também pelas Lições Bíblicas de Escola Dominical de nossa CPAD, por ele comentadas”.

O diretor-executivo da CPAD, Ronaldo Rodrigues de Souza, escreveu: “Foram mais de quatro décadas aplicadas na produção de literatura pentecostal, dos quais 36 anos na CPAD (…). Ele parte, mas deixa um legado em trabalhos, obras e vidas o qual não será esquecido”.

Trajetória Pessoal

Claudionor Corrêa de Andrade nasceu em 18 de novembro de 1955, em São Paulo. Cresceu em São Bernardo do Campo, onde, ainda jovem, teve uma experiência de conversão e iniciou o estudo sistemático da Bíblia aos 15 anos.

Aos 21 anos, iniciou relacionamento com Marta Doreto, com quem foi casado por 46 anos. Dessa união nasceram os filhos Gunnar Berg e Karen. Além da esposa, deixa o genro Marcos, a nora Ana e os netos Filipe, Karina, Estêvão e Amy.

O velório foi realizado na manhã de sexta-feira, 30 de maio, entre 8h e 9h45, no Cemitério Jardim da Saudade de Paciência, com o sepultamento às 11h.

Veja o que diz a Bíblia ao crente que não quer entregar o dízimo

Apesar de ser uma prática antiga, fundamentada em diversos textos bíblicos, o dízimo permanece como tema de debate entre membros de igrejas evangélicas. Em muitos cultos, quando a mensagem fala da entrega de 10% da renda como parte da adoração a Deus, é comum que fiéis expressem desconforto ou apresentem justificativas para não contribuir.

Para líderes religiosos, no entanto, o dízimo não deve ser reduzido a uma questão financeira. “Sendo uma doutrina, ela deve ser tratada como todas as outras na Igreja”, afirmou o pastor Özenir Correia, da Igreja Batista Filadélfia. Ele destaca que a entrega dos dízimos está ligada à fé, à obediência e ao compromisso com os princípios do Reino de Deus.

Segundo pastores consultados, muitas das justificativas apresentadas por cristãos para não dizimar refletem uma compreensão limitada da doutrina. Entre os argumentos mais recorrentes estão frases como “Deus não precisa de dinheiro” e “a igreja já tem quem contribua”.

Para o pastor Álvaro Oliveira Lima, da Assembleia de Deus Ministério Nova Itaparica e diretor da Faculdade Teológica Útil do Saber (Fatus), esses argumentos carecem de fundamento bíblico e revelam uma dificuldade de compreensão espiritual. “Hoje muitos crentes não são fiéis a Deus na entrega dos dízimos e, para justificar esta atitude, criam várias desculpas”, declarou.

Outro aspecto mencionado com frequência por fiéis é a desconfiança quanto à administração dos recursos. Questionado sobre esse ponto, o pastor Álvaro destacou que a preocupação pode ser legítima, mas não isenta o cristão da responsabilidade de contribuir. “Se os dízimos não estão sendo bem administrados, os administradores darão conta a Deus. Não cabe a nós julgá-los, mas sim a Deus. Cabe a nós sermos fiéis, entendermos que dizimar é uma obra de fé”, explicou.

No contexto empresarial, surgem dúvidas específicas. Muitos empreendedores cristãos perguntam se devem dizimar com base no faturamento bruto da empresa. Para o pastor Álvaro, a prática correta envolve a definição de um pró-labore, que é o valor recebido pessoalmente pelo empresário, e o cálculo do dízimo a partir desse montante. “Ele precisa tirar um pró-labore, com um valor fixo, um salário, e contribuir segundo esse valor. O empresário não deve misturar sua vida pessoal com a empresa. Ela tem vida própria”, orientou.

Outro ponto recorrente nas orientações pastorais é o destino do dízimo. As Escrituras indicam que ele deve ser levado à “casa do tesouro”, termo interpretado como referência à igreja local. Direcionar os valores para causas sociais ou projetos pessoais, ainda que bem-intencionados, não atende ao modelo bíblico:

“Não se trata de um pagamento, mas de adoração. É errado o cristão contribuir por medo, pressão ou culpa, mas deve fazê-lo por reconhecimento de sua importância”, afirmou o pastor Álvaro.

De acordo com a revista Comunhão, ele concluiu citando Provérbios 11:24: “A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda”.

Princípios destacados por líderes sobre o dízimo:

  1. O dízimo é uma doutrina bíblica, não uma sugestão opcional.

  2. A fidelidade na entrega sustenta a continuidade da obra cristã.

  3. A má administração, quando ocorre, será julgada por Deus, não pelos fiéis.

  4. As desculpas comuns refletem imaturidade espiritual e falta de conhecimento bíblico.

  5. O dízimo deve ser entregue na igreja local, conforme instrução bíblica.

  6. As ofertas são voluntárias e distintas do dízimo, fruto da generosidade do coração.

Exemplos de justificativas frequentes para não dizimar:

–“Deus não precisa de dinheiro”

–“Não vou sustentar pastor”

–“Meu salário mal dá pra comer”

–“Dízimo é coisa de rico”

–“Na igreja já tem quem possa dar”

–“Prefiro doar para outras causas”

Referências bíblicas sobre o dízimo:

  • Gênesis 14:20: Abraão entrega o dízimo a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo.

  • Levítico 27:30 e Deuteronômio 14:22: o dízimo é instituído na Lei para o povo de Israel.

  • 2 Coríntios 9:7: o apóstolo Paulo orienta que a contribuição deve ser feita com alegria.

  • Mateus 5:23–24: a comunhão com Deus é condição para ofertas aceitáveis.

  • Salmo 50:14–15: o dízimo é expressão de gratidão ao Senhor.

  • Malaquias 3:10: promessa de bênçãos àqueles que trazem o dízimo à casa do tesouro.

  • Provérbios 11:24–25: generosidade é recompensada com abundância.

  • 2 Crônicas 31:12–16: a administração correta dos dízimos é responsabilidade da liderança e será cobrada por Deus.

África Subsaariana: milhões de cristãos fogem da violência

Um relatório divulgado pela Missão Portas Abertas durante a Assembleia Geral da Associação de Evangélicos na África (AEA), realizada em Nairóbi entre os dias 20 e 23 de maio, revela a intensificação da perseguição religiosa contra cristãos em países da África Subsaariana.

Segundo o documento, mais de 16 milhões de cristãos foram forçados a abandonar suas casas no último ano devido à violência e discriminação.

Durante o evento, Joshua Williams, diretor de Serviços para a África da organização, afirmou que a situação tem se agravado: “A situação está se tornando insuportável”, declarou. Ele apontou que mais de 35 conflitos armados ativos no continente têm alimentado o deslocamento forçado e os ataques contra comunidades cristãs. “Muitas comunidades vivem com medo constante, sem poder retornar aos seus lares por falta de justiça e proteção estatal”, acrescentou.

O relatório responsabiliza grupos extremistas islâmicos — como o Boko Haram e o Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP) — além de regimes autoritários e instabilidade política, pela escalada da violência. Segundo os dados, cerca de 19 mil igrejas foram destruídas nos últimos 20 anos, das quais 15 mil apenas na Nigéria.

Williams relatou sua visita a um campo de deslocados na Nigéria, onde milhares de mulheres e crianças vivem em condições precárias. Muitos dos homens foram mortos em ataques após se recusarem a negar a fé cristã. “É uma perseguição silenciosa, mas gritante”, afirmou.

O relatório também aponta para a subnotificação dos dados oficiais. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) reporta cerca de 54 mil deslocados no estado de Plateau, Nigéria, enquanto entidades locais estimam mais de 100 mil. “Isso mostra a urgência de melhores metodologias e mais recursos para enfrentar a crise”, disse Williams.

Apesar do cenário grave, o documento destaca o crescimento de uma “igreja emergente” formada por cristãos de origem muçulmana, especialmente em países como Somália e Sudão. Estima-se que mais de 5 milhões de fiéis estejam praticando sua fé de maneira clandestina. Somente em 2024, foram registrados 4.500 assassinatos de cristãos na região do Sahel, além de 114 mil deslocados, 16 mil casas destruídas e 1.700 igrejas atacadas.

Em resposta ao agravamento da situação, a Portas Abertas lançou a campanha Arise Africa, em parceria com a AEA. A iniciativa visa mobilizar cristãos em todo o mundo por meio de orações, conscientização e defesa da liberdade religiosa.

Durante a assembleia, Janet Epp Buckingham, diretora do escritório da Aliança Evangélica Mundial em Genebra, defendeu o uso do Direito como instrumento de transformação. Ela incentivou líderes cristãos a atuarem com sabedoria e estratégia: “Como Esteres e Daniels, devemos dialogar com governos e outras tradições religiosas para proteger os direitos das comunidades cristãs”, afirmou, de acordo com informações do Christian Daily.

Ao encerrar sua participação, Williams ressaltou a gravidade do momento: “Diante desse cenário devastador, a solidariedade global e a ação coordenada são mais urgentes do que nunca”.

Luiz Sayão lança Bíblia de Estudo Rota 66: ‘Fácil de compreender’

O teólogo e hebraísta Luiz Sayão lançou a Bíblia Rota 66 com Comentários, uma nova edição de estudo das Escrituras que busca tornar o conteúdo bíblico mais compreensível e aplicável à vida cotidiana. O material foi produzido em parceria com a Editora Geográfica e apresenta o texto na Nova Versão Internacional (NVI).

Sayão, que ainda se recupera de um acidente vascular cerebral, tem divulgado o projeto como um desdobramento da série em áudio de mesmo nome, desenvolvida ao lado da Rádio Trans Mundial. “Se tornou mundialmente conhecido. São quase 300 horas de explicação, muito ouvidas ao longo dos anos”, afirmou.

O teólogo explicou que a proposta da nova Bíblia é apresentar os livros como parte de uma rota de viagem, estruturando o conteúdo com seções nomeadas de forma lúdica. “O início é o ‘Ponto de Partida’, uma introdução ao trecho bíblico. Depois, vem o ‘Abrindo o Navegador’, com um resumo do estudo. Em seguida, o ‘Recalculando a Rota’ traz perguntas para reflexão, e o ‘Fechando a Trilha’ apresenta uma conclusão prática”, detalhou.

Entre os recursos adicionais, estão a seção “Parada Obrigatória”, com imagens de locais históricos e arqueológicos, e o “Pisando Fundo”, com análises aprofundadas sobre temas teológicos e questões contemporâneas, como divórcio e o papel da Lei.

Estilo criativo

Sayão destacou o uso de títulos criativos como forma de aproximação com o leitor brasileiro. “Por exemplo, quando os amigos de Daniel são lançados na fornalha ardente, o título é ‘Temperatura Máxima’. No nascimento de Jesus, o título é ‘Exame Pré-Natal’. No Cântico dos Cânticos, temos ‘Vem, morena, cantar comigo essa cantiga’”, exemplificou.

Segundo ele, os comentários seguem uma teologia bíblica com base no texto original, sem interpretações particulares, mas com forte ligação com a realidade do leitor.

Profundidade teológica e linguagem simples

A equipe responsável pela Bíblia Rota 66 inclui estudiosos com domínio em hebraico, grego e teologia. “A Bíblia tem um ensino aprofundado que é transmitido de maneira compreensível, impactante e ligada à vida prática”, afirmou Sayão.

Ele explicou que a estrutura em formato de rota facilita o envolvimento com o texto. “A ideia é que o leitor se sinta como quem está viajando por cada parte da Bíblia, guiado por um mapa bem elaborado”, disse.

Aplicações práticas e contexto histórico

O pastor também destacou a importância de contextualizar práticas do Antigo Testamento para o leitor atual. Ele citou os sacrifícios de animais como exemplo. “O povo de Israel era nômade, vivia num ambiente desértico e tinha rebanhos. Eles ofereciam a Deus aquilo que possuíam: cabras e ovelhas”, explicou.

Ao aplicar o texto, Sayão ressaltou: “A principal lição é: ofereça a Deus o seu melhor. E mesmo quando falhar, é possível recomeçar por meio do perdão e seguir adiante”.

Sobre traduções bíblicas

O teólogo comentou também sobre o desenvolvimento de traduções. Segundo ele, novas versões surgem à medida que avançam as pesquisas em linguística, arqueologia e história: “Uma boa tradução corresponde à pesquisa atualizada e detalhada do sentido do texto original”, avaliou.

Ele apontou quatro versões que considera equilibradas em fidelidade e clareza: Nova Versão Internacional 2011 (NVI), Nova Versão Transformadora (NVT), Nova Almeida Atualizada (NAA) e Almeida Século 21.

Como estudar a Bíblia

Sayão orientou que cada pessoa precisa encontrar seu próprio ritmo e método. “Alguns funcionam bem às cinco da manhã, outros depois das dez. Há quem precise de silêncio e outros que aprendem ouvindo áudios. O importante é descobrir o que funciona melhor para si”, disse.

Ele recomendou que o estudo seja contínuo, com foco e perseverança. “Escolha um caminho e vá até o fim. Anote dúvidas e busque respostas. O aprendizado bíblico é como uma caminhada constante”, declarou.

Para ele, o ponto mais importante é a disposição espiritual. “Se a pessoa está interessada, vai fazer de tudo para aprender. Sem fome, não há aprendizado”, afirmou, na entrevista ao portal Guia-me.

Por fim, Sayão ressaltou que o conteúdo aprendido precisa ser vivido. “Estudar sem colocar em prática é como puxar o ar e nunca soltar. É preciso aplicar o conhecimento na vida e na comunidade de fé”, concluiu.

Omissão da igreja na sexualidade leva jovens aprenderem errado

Em meio a um cenário de solidão crescente e confusão afetiva, cristãos de diferentes partes do mundo têm voltado a discutir o papel da sexualidade na vida espiritual. O tema, muitas vezes tratado com silêncio ou culpa, começa a ganhar novos contornos no diálogo pastoral e psicológico, especialmente entre jovens que buscam vínculos verdadeiros e orientação bíblica sobre intimidade.

Uma reportagem da BBC publicada em 2023 apontou que jovens estão fazendo menos sexo do que gerações anteriores. As razões não estão, em grande parte, ligadas a convicções religiosas, mas sim à ansiedade, isolamento social, uso excessivo de tecnologia e à falta de vínculos afetivos reais.

Nos Estados Unidos, dados do General Social Survey mostraram que a porcentagem de homens entre 18 e 30 anos que não tiveram relações sexuais no ano anterior triplicou entre 2008 e 2018. No Brasil, especialistas em comportamento também têm observado tendência semelhante.

A psicóloga sistêmica Suzana Stürmer, membro da Igreja Presbiteriana Renovada – Família da Fé, em São José (SC), acompanha o fenômeno de perto: “A gente vê jovens muito sobrecarregados, ansiosos, e que perderam o referencial do que é um relacionamento construído com propósito”, afirmou.

Segundo ela, muitos se sentem culpados por terem desejos naturais, mas também se frustram por não conseguirem expressar sua afetividade de forma madura. “A Igreja, às vezes, não soube ouvir suas perguntas. E quando não há respostas, eles as buscam em qualquer lugar, inclusive na pornografia”, declarou.

Pornografia e o silêncio das igrejas

O consumo de pornografia, segundo a psicóloga, é um reflexo da intimidade desconectada da vida em comunidade. Um levantamento do Barna Group, instituto cristão de pesquisa dos Estados Unidos, revelou que 65% dos homens cristãos entrevistados assistem pornografia pelo menos uma vez por mês. Entre as mulheres cristãs, o índice chega a 15%.

Apesar da frequência, o tema segue sendo abordado com vergonha ou silêncio em muitas igrejas, o que, segundo Suzana, agrava o problema. “Enquanto a igreja continua calada, o mundo segue educando emocional e sexualmente os jovens. E faz isso com distorções graves sobre o que é intimidade, prazer e valor humano”, disse.

Ela também destacou que a repressão sexual histórica contribuiu para que muitos cristãos crescessem com medo ou culpa em relação ao próprio corpo. “O sexo foi tratado durante décadas como um inimigo da santidade. E isso criou barreiras difíceis de derrubar, inclusive dentro dos casamentos cristãos. Homens e mulheres que se casam sem saber como integrar o corpo, a alma e o espírito em sua vida conjugal”, explicou.

Sexualidade com propósito

Para Suzana, é necessário reaprender a falar sobre sexualidade com base nas Escrituras, de forma positiva, bíblica e realista: “O Evangelho não anula o corpo, mas o redime. E isso inclui o desejo sexual”, afirmou.

Textos bíblicos como Gênesis 2:24, Provérbios 5:18-19 e Cânticos de Salomão celebram o prazer e a intimidade no contexto do casamento. Em 1 Coríntios 7, o apóstolo Paulo orienta os cônjuges a cuidarem um do outro também nessa dimensão.

“A sexualidade cristã precisa ser reapresentada como vocação, e não como um fardo. Precisamos ensinar os jovens a pensar sobre sexo com reverência, mas também com alegria”, defendeu Suzana. Ela ressaltou que isso implica acolher dúvidas sem julgamento e criar espaços de escuta verdadeira.

Discipulado integral

A busca por relacionamentos autênticos também reflete um cansaço em relação aos padrões de performance ou aparência: “Muitos jovens não querem mais repetir os ciclos de relacionamentos descartáveis. Querem vínculos sinceros, propósito comum e espiritualidade compartilhada”, explicou a psicóloga.

No entanto, ela reconhece que essa geração precisa de orientação e discipulado também nesse aspecto da vida. “A Igreja tem o dever de ensinar que o desejo não é errado, que o corpo é criação divina e que o prazer dentro do casamento não é pecado, mas sim bênção”, disse.

Ela concluiu que o desafio está em ajudar os jovens a integrarem fé, desejo, corpo e propósito, tarefa que requer ensino bíblico consistente, escuta sensível e testemunhos reais de casais cristãos.

“Seja no púlpito, no grupo pequeno ou na conversa individual, a mensagem precisa ser a de que Deus não se envergonha da nossa sexualidade. Ele a criou com um propósito”, afirmou, de acordo com a revista Comunhão.

O debate sobre sexualidade entre cristãos não é novo, mas tem ganhado novas abordagens diante dos desafios contemporâneos. Em um mundo marcado por relações líquidas, consumo de conteúdo sexualizado e desinformação, líderes cristãos têm sido convocados a oferecer uma visão bíblica e encarnada sobre o tema.

Segundo especialistas, isso não significa pressionar os jovens ao casamento, mas ajudá-los a entender que a sexualidade faz parte de sua humanidade e pode ser vivida com sentido e santidade no tempo certo, dentro do casamento conquistado sem pressa.

Vídeo que mostra cristão orando por pedinte no trânsito viraliza

Um vídeo publicado pela influenciadora cristã Carla Chuiman emocionou internautas ao mostrar um motorista orando por um homem que pedia esmolas no trânsito, no estado do Texas (EUA).

A gravação foi feita enquanto o semáforo estava fechado. No registro, o motorista aparece com o vidro do carro abaixado, impondo as mãos sobre a cabeça do homem em situação de rua e orando por ele.

“Quando Jesus te procura. Ele te encontra em qualquer lugar”, escreveu Carla ao publicar as imagens em seu perfil no Instagram. Ela não informou a cidade exata onde o episódio aconteceu, tampouco a identidade do motorista.

Em sequência, Carla compartilhou uma reflexão pessoal sobre o que presenciou: “Hoje vi algo que tocou minha alma. Não sei quem é esse líder, mas posso ter certeza de que Jesus transformou a vida dele. É por isso que Ele quer que outros também conheçam esse poder”.

A influenciadora afirmou que esse tipo de gesto é um reflexo do que acontece quando alguém passa a seguir os ensinamentos de Jesus Cristo. “Um amor ao próximo nasce em nossos corações que não conseguimos explicar em palavras”, declarou.

De acordo com Carla, o homem que recebeu a oração teve diante de si dois caminhos: rejeitar o momento ou abrir o coração: “Ele tinha duas opções: dizer ‘Não acho que Jesus possa resolver nada para mim’. Ou declarar: ‘Sim, eu quero recebê-Lo’. E ele escolheu o ‘sim’”, contou.

A gravação não revela a resposta verbal do homem, mas mostra que ele permanece com a cabeça inclinada durante a oração.

O poder da oração

Carla também comentou sobre o papel da oração na transformação pessoal. “Quando Jesus quer resgatar alguém, Ele usa tudo o que for preciso para te encontrar”, disse. “Ele te envia pessoas, músicas, vídeos, momentos inesperados. Ele conhece sua dor e está sempre te procurando, mas às vezes, por orgulho, dúvida ou medo, não queremos vê-Lo”.

A influenciadora afirmou que, na sua experiência pessoal, uma simples oração representou um ponto de mudança. “O que você pode perder? Nada! Uma simples oração pode ser o início da sua transformação. Eu fiz isso aos 42 anos. Adiei muito, mas quando fiz, minha vida mudou para sempre”.

Convite à fé

Ela finalizou incentivando seus seguidores a não rejeitarem oportunidades de ouvir falar sobre Deus. “Milhões de pessoas ao redor do mundo já passaram pela mesma coisa. Não somos todos loucos. Nós fomos resgatados. Se alguém cruzar seu caminho e quiser lhe falar sobre Jesus, não o ignore! Talvez seja a sua hora. Aceite. Você não tem nada a perder. O que você pode perder orando? Acredite: o que você ganhará não tem preço”.

A publicação foi encerrada com a citação de Apocalipse 3:20, em que está escrito: “Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos”.

Até o momento da publicação desta matéria, o vídeo alcançou mais de 820 mil visualizações apenas no Instagram e centenas comentários, com mensagens de apoio e relatos de experiências semelhantes.

Evangélicos esquerdistas distribuem cartilha progressistas

Um grupo de evangélicos vinculados a setores progressistas lançou, no início de maio, a cartilha “O mínimo que você (ainda) precisa saber sobre o movimento evangélico no Brasil”. O material foi distribuído a deputados federais e assessores da base governista no Congresso Nacional, com o objetivo de apresentar uma análise multifacetada do cenário evangélico brasileiro, conforme declarado pelos autores.

A publicação, organizada pelo pastor Sérgio Dusilek e pelo linguista Nataniel Gomes – professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) –, reúne artigos de especialistas em religião, história e comunicação social.

Segundo os organizadores, a iniciativa busca “combater visões simplificadas e desinformadas” sobre o universo evangélico, frequentemente tratado como bloco monolítico.

O conteúdo reconhece aspectos históricos críticos, como o suposto apoio de parte das igrejas evangélicas à ditadura militar brasileira (1964-1985) e a líderes políticos autoritários em períodos posteriores. Também registra a influência do fundamentalismo religioso norte-americano em correntes do movimento no Brasil e alerta para o uso de templos como espaços para campanhas eleitorais.

Paralelamente, a cartilha enfatiza a diversidade interna do campo evangélico. Entre os exemplos citados estão evangélicos integrados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), lideranças negras de periferias urbanas que defendem pautas antirracistas e sociais, e mulheres que atuam como “agentes de resistência” em igrejas com estruturas “patriarcais”.

A circulação do material ideologicamente enviesado ocorre em um contexto de busca de reaproximação entre setores progressistas e o eleitorado evangélico, após derrotas em periferias urbanas nas eleições de 2022 e 2024. A versão digital da cartilha está disponível para o público geral na plataforma Amazon. Com: Exibir Gospel.