Evangélica abandona a fé para viver em poligamia

Nos últimos anos, o número de famílias em poligamia que se expõem nas redes sociais tem aumentado. Um desses casos é o de Priscilla Mira, 41 anos, Marcel Mira, também de 41, e Regiane Gabarra, 36, que passaram a produzir conteúdo na internet sobre o cotidiano da relação a três.

Priscilla, criada como evangélica, conheceu Marcel ainda na juventude, e ambos mantiveram um relacionamento monogâmico por cerca de 15 anos. Dessa união nasceram três filhos: Reginaldo Gabarra, 21, Sara Mira, 17, e Isabela Mira Gabarra, 12. Há sete anos, Regiane passou a integrar a família. Desde então, os cinco vivem juntos em Bragança Paulista (SP).

A configuração familiar incomum trouxe, segundo os integrantes do trisal, mais organização à rotina doméstica. Marcel viaja com frequência a trabalho, o que anteriormente sobrecarregava Priscilla. Com a presença de Regiane, as tarefas são divididas.

“Duas mães em casa facilita muito. Enquanto uma arruma a mochila, a outra arruma a lancheira. A outra já sabe onde está o calçado, onde está a roupa, o que tem que fazer, qual uniforme já lavou, qual não lavou”, declarou Priscilla em entrevista à Veja.

O vínculo entre Priscilla e Regiane começou no ambiente de trabalho. As duas se aproximaram gradualmente, e a amizade se transformou em relacionamento afetivo. Priscilla apresentou Regiane a Marcel, e os três estabeleceram uma relação conjunta.

De acordo com Priscilla, os filhos reagiram bem à nova configuração, assim como os familiares de Regiane e Marcel. A situação foi distinta com a família de Priscilla, que permanece evangélica:

“Ser homossexual em uma religião evangélica é o fim do mundo. Estar dividindo o meu leito com duas pessoas, aí já vira promiscuidade, é uma abominação. Meu pai e minha mãe são afastados de mim, falo pouquíssimo com a minha mãe, só o essencial. Minhas irmãs também fizeram a mesma coisa, se afastaram, meus tios, a maioria da minha família…”, relatou.

Entre os principais desafios relatados pelo trio está a necessidade de lidar com a rejeição de terceiros e os sentimentos de ciúme e posse: “A gente aprende a ser monogâmico. Os primeiros três anos foram muito difíceis com ciúmes, com posse. Depois de muita terapia, convivência, diálogo e empatia conseguimos superar”, afirmou Priscilla.

Atualmente, o trio tem mais um filho, Pierre Gabarra Mira, de 3 anos, fruto do relacionamento entre os três. Além de buscar o reconhecimento formal da união, eles também organizam o que consideram ser o primeiro encontro de famílias poligâmicas no Brasil. O evento está previsto para ocorrer no dia 20 de setembro, em Pinhalzinho, interior de São Paulo, com a presença de cerca de 35 famílias.

Padres gays são maioria, diz ex-seminarista sobre Igreja Católica

Brendo Silva, 33 anos, pedagogo com pós-graduação em sexologia e religiosidade, afirmou ter recebido ameaças de morte após o lançamento do livro A vida secreta dos padres gays (Editora Matrix), publicado recentemente.

A obra, que trata da intimidade de membros do clero católico no Brasil sem divulgar suas identidades, vem gerando debates sobre homossexualidade entre religiosos. As ameaças foram noticiadas pela Veja.

Silva foi seminarista por sete anos. Hoje, se identifica como agnóstico. Em entrevista concedida, o ex-seminarista relatou episódios que vivenciou ao longo de sua formação religiosa, incluindo convites de natureza sexual feitos por membros da hierarquia eclesiástica.

“Já tinha largado o seminário, mas, até hoje mantenho contato com muitos padres, seminaristas e freiras. Foi quando um bispo me chamou no Facebook, achei esquisito que me pedisse o WhatsApp, sem muita conversa. Trocamos WhatsApp, começamos a conversar e ele falou: ‘Você não quer sair para almoçar?’. Falei: ‘Quero’. Ele marcou num sábado, também morava em São Paulo, onde moro atualmente, e fomos a uma churrascaria. No final do encontro ele já foi enviesando a conversa para um lado mais sexual e me chamou para ir a um motel. Enfim, fomos”, afirmou.

Durante a entrevista, Silva disse ter observado, desde os primeiros contatos com a Igreja, uma prevalência de jovens homossexuais nos espaços de formação. “Já no grupo de coroinhas notei que a maioria dos garotos era gay. Depois, quando fui para o vocacional, percebi novamente que a maioria era formada por gays. Quando entrei no seminário, com 14 anos, minha turma era formada por 12 seminaristas, 8 eram gays ou bissexuais”, declarou. Segundo ele, esse padrão se repetiu em diferentes locais pelos quais passou: “Sempre a maioria dos padres e seminaristas era gay”.

Silva argumenta que seu livro busca compreender as razões pelas quais a Igreja atrai homens homossexuais. “O livro é uma tentativa de responder a essa pergunta, que muitas vezes é respondida no senso comum como busca de um refúgio. E descobri que não é só isso”, afirmou.

Sobre o ambiente nos seminários, disse: “Quase todo mundo ali é gay. Todo mundo tem um amor sincero e honesto pela Igreja. Todo mundo tem essa sensibilidade e esses dons. E você se encontra entre iguais. Os héteros que entrevistei para o meu livro falam que se sentiam deslocados e às vezes até excluídos por conta da maioria ser gay”.

Ao relatar sua saída da Igreja, Silva afirmou que enfrentou conflitos relacionados à sua identidade sexual. “Estava morando na Europa. Ia ter uma boa formação, uma vida tranquila. Mas pedi para sair e nunca mais voltar, porque vivia com conflito interior por conta da minha identidade sexual”, disse. Ele acrescentou: “Tentei de toda forma renegar a minha sexualidade, pedi para Deus tirar isso de mim. Tentei cura gay, fazer mortificação, jejum, sacrifício, tudo que você imaginar e isso não acabava. Comecei a entender que fazia parte de mim”.

Silva disse ainda que optou por não seguir com uma “vida dupla”. “Não quero usar o ambão para pregar alguma coisa e, lá atrás, ou quando estou de férias na minha cidade, ou por aí pelo Brasil e pelo mundo, praticar algo diferente nas boates e saunas, como meus colegas seminaristas e padres fazem até hoje”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de papas homossexuais, Brendo declarou: “Com certeza já tivemos papa gay. Tem estudos, de mais de um autor, que apontam papa Paulo VI, até namorado ele tinha”. Ressaltou que tais alegações não foram comprovadas. “Se a gente tem uma maioria de padres, seminaristas e bispos gays, é claro que já tivemos papa gay”, completou.

Ao mencionar o atual pontífice, Leão XIV, afirmou ter conhecido o seminário da ordem agostiniana em Bragança Paulista (SP), onde o papa estudou. “Fiquei uma semana no seminário da ordem dele (…) e lá não lembro de nenhum hétero na ordem dele. Pelo menos os que conheci, inclusive alguns se tornaram amigos depois que saí, não lembro de nenhum hétero lá”.

Segundo Silva, as ameaças que recebeu não contestaram o conteúdo do livro. “De todas as ameaças que recebi, nenhum padre falou: ‘Você está mentindo’. Eles só falam: ‘Quem é você para falar sobre isso’, ‘não fale sobre isso’. Ninguém nega, mas me pedem para me calar”, relatou.

Por fim, o ex-seminarista afirmou que há sacerdotes com visibilidade pública que mantêm comportamentos não condizentes com seus discursos. “Os padres gays, por exemplo, estão nas fileiras dos melhores sacerdotes da Igreja. (…) Conheço e vi com meus próprios olhos, mas optei por não citar no livro por questão editorial, para evitar processos”, disse. E concluiu: “Um desses padres que sei participa de programas de TV defendendo discursos moralistas, o que é ainda mais triste”.

Quirguistão: autoridades confiscam Bíblias e torturam pastor

O pastor Pavel Shreider, de 65 anos, integrante da Igreja Adventista do Sétimo Dia Verdadeira e Livre Reformada, permanece detido desde 13 de novembro de 2024, sob custódia da Polícia do Serviço de Segurança Nacional (NSC) do Quirguistão. Ele foi preso ao sair de sua residência, nos arredores de Bishkek, por volta das 8h, e levado ao edifício do NSC na capital, onde relatou ter sido submetido a tortura.

De acordo com o grupo de direitos humanos Forum 18, Shreider denunciou ter sido agredido por cinco policiais, que o atingiram com um cano de ferro, desferiram chutes nas costas e golpes na cabeça e no peito.

A denúncia foi registrada pelo próprio pastor junto ao Centro Nacional para a Prevenção da Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, mas foi rejeitada pelo órgão: “Recebi pancadas na cabeça, no peito e chutes na coluna por trás, vindos de cinco policiais”, relatou Shreider, acrescentando que os agentes tentaram forçá-lo a confessar crimes inexistentes.

Segundo o Fórum 18, o pastor segue preso em uma unidade de investigação do Ministério do Interior em Bishkek, aguardando julgamento pela acusação de “incitação à inimizade racial, étnica, nacional, religiosa ou regional cometida por um grupo”, crime que pode resultar em pena de seis a sete anos de prisão. O julgamento teve início em 17 de abril, e uma nova audiência está marcada para esta quinta-feira.

O advogado de Shreider, Akmat Alagushev, afirmou ao Forum 18 que a acusação carece de substância: “Não há uma única referência na acusação às pessoas em conluio com as quais Shreider supostamente cometeu os crimes mencionados, e nenhuma referência a quaisquer nomes específicos. Além disso, não há nenhuma evidência concreta de ações ilegais que Shreider supostamente cometeu na mídia, na internet, publicamente ou de outra forma”, declarou.

O grupo de vigilância também relatou que, em 14 de novembro, a polícia secreta utilizou uma arma de choque contra o membro da igreja Igor Tsoy, na tentativa de forçá-lo a incriminar o pastor. Tsoy se recusou a cooperar, mesmo após sofrer “múltiplos ferimentos”, e foi libertado no mesmo dia.

A filha do pastor, Vera Shreider, visitou-o na prisão em 21 de maio e afirmou que ele está “bem fisicamente”. Segundo ela, a família tem permissão para entregar alimentos e medicamentos: “Ele foi examinado por vários médicos recentemente, após nossos inúmeros telefonemas para diversas autoridades. A comida na prisão é normal. Ele consegue ler a Bíblia, que guarda na cela, e tem permissão para orar”, relatou.

O Fórum 18 identificou nove agentes envolvidos na prisão do pastor. Entre eles estão Siymik Bolotov, investigador do NSC; Azim Kurmanbekov, agente do Ministério do Interior; e dois policiais mascarados e armados do Destacamento Especial de Polícia.

Vera Shreider relatou que os agentes invadiram a residência da família e impediram qualquer comunicação com o advogado: “Empurraram a cabeça do meu pai para baixo como se ele fosse um criminoso perigoso. Confiscaram todos os nossos telefones e nos impediram de examinar os documentos de identidade. Disseram apenas: ‘É um caso secreto’”, afirmou.

Após a prisão, o pastor foi levado algemado a um local de culto da igreja na vila de Lenin, distrito de Alamudun, região de Chuy. A casa pertence a um parente de Shreider. Ainda no dia 13 de novembro, autoridades realizaram buscas em outras nove residências de membros da igreja, apreendendo mais de 2.000 livros — incluindo cerca de 200 volumes de Ellen White, fundadora do adventismo —, além de pelo menos 50 Bíblias, computadores, celulares, dinheiro e documentos de propriedade.

Os itens foram posteriormente devolvidos, com exceção de um celular, que a polícia alegou ter perdido, e livros que permanecem sob custódia como provas no processo contra o pastor.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia Verdadeira e Livre Reformada é um movimento de reforma surgido durante o período soviético e distinto da Igreja Adventista do Sétimo Dia com sede nos Estados Unidos. A denominação não é registrada oficialmente no Quirguistão, o que a coloca em situação de ilegalidade perante o Estado. O antigo líder da igreja, Vladimir Shelkov, considerado prisioneiro de consciência, morreu em um campo de trabalho soviético em 1980.

Um membro não identificado da congregação afirmou ao Fórum 18 que as autoridades vêm tentando fechar a igreja desde 2022. “Estavam buscando desculpas”, declarou, sob anonimato por temor de retaliações.

O mesmo membro descreveu o processo contra o pastor como “fabricado”. Ele mencionou um caso de 2021, no qual dois membros da igreja foram acusados de manipular uma senhora idosa, também membro da congregação, para vender sua casa. A acusação alega que isso ocorreu sob orientação de Shreider. Segundo os fiéis, as declarações utilizadas como provas seriam falsas, assim como a associação entre esse caso e o processo atual.

O Fórum 18 informou que procurou autoridades kirguizes para comentar a prisão e os relatos de tortura, mas todas se recusaram a responder. O Quirguistão é signatário da Convenção da ONU contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, de acordo com informações do portal The Christian Post.

Sayão relata livramento após AVC e diz que chegou a perder a fala

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No final da manhã desta terça-feira, 27 de maio, o pastor Luiz Sayão publicou outra atualização sobre seu estado de saúde, demonstrando franca recuperação após o AVC sofrido no dia de ontem, segunda-feira.

Sayão, que tem um histórico delicado de problemas de saúde desde a infecção pela covid-19, descreveu com detalhes o que passou: “Eu estou no hospital na UTI. Eu tive um AVC ontem, né, e foi uma coisa especial de Deus, porque enquanto eu cheguei no consultório da médica para o meu tratamento, eu tive um AVC lá”, introduziu.

O pastor expressou gratidão a Deus por conta das circunstâncias, já que o pronto atendimento impediu maiores complicações: “Eu enrolei a língua, perdi as forças, esse braço aqui [esquerdo] não reagiu mais, a mão caiu, e de lá mesmo ela me levou com urgência aqui para o hospital”.

“Recebi o tratamento de imediato, o que faz toda a diferença para não ter sequelas. Eu, por exemplo, tinha perdido a fala praticamente completa, e olha como eu estou falando, né?”, acrescentou Sayão.

Comovido pela mobilização nas redes sociais em prol de sua recuperação, o pastor explicou que ainda precisa de tempo de internação na UTI: “Eu quero agradecer muito a atenção, a oração, a solidariedade de todos. Não estou em condições de receber visita, então eu peço as orações”.

Expressando “gratidão a Deus mais uma vez por esse livramento”, o pastor explicou que tem recebido tudo que precisa “para melhorar”: “Agradeço de coração a família que me deu apoio total, então eu estou aqui com a esposa Celis, com o filho Israel, né, com os outros filhos também, todos dando atenção aí à distância e coordenando tudo, e também as pessoas da IBNU, que tem mandado todo tipo de atenção, cuidado”, frisou o pastor.

“Eu agradeço de coração e com a graça de Deus, eu espero estar melhor nos próximos dias aí. Um abraço a todos e pedido seja Deus a sua graça, bondade e poder sobre a vida da gente para que a gente continue servindo ao Senhor no reino, tá bom?”, finalizou Sayão.

Divergências na Convenção Batista podem rachar a denominação

À medida que se aproxima a Reunião Anual da Convenção Batista do Sul (SBC), marcada para junho em Dallas, uma divergência entre líderes históricos da denominação veio à tona em relação ao futuro da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa (ERLC), entidade responsável por representar a SBC em temas de políticas públicas.

Na quinta-feira, 23 de maio, dez ex-presidentes da SBC divulgaram uma carta conjunta defendendo a continuidade da ERLC. O documento foi assinado por Bart Barber, Ed Litton, JD Greear, Steve Gaines, Fred Luter, Bryant Wright, James Merritt, Tom Elliff, Jim Henry e Jimmy Draper.

Segundo os signatários, a comissão tem sido uma voz fiel “na defesa do compromisso batista do sul com a liberdade religiosa”, com atuação destacada em pautas como a oposição ao aborto, à pornografia e à ideologia de gênero, além da promoção de valores relacionados à vida, ao casamento e à família.

Apesar de reconhecerem diferentes opiniões entre si sobre a gestão recente da ERLC, os líderes afirmaram não ver justificativa para a extinção da entidade: “Alguns de nós temos sido apoiadores entusiasmados da ERLC. Alguns de nós temos sido críticos ferrenhos. No entanto, continuamos não convencidos pela justificativa para a descontinuação da ERLC”, diz a carta.

Por outro lado, o pastor Jack Graham, da Igreja Batista Prestonwood, em Plano, Texas, criticou abertamente a comissão. Em postagem feita no X, no dia 20 de maio, Graham declarou que “não apoia a ERLC e acredita que a organização tem sido a entidade mais divisiva da Convenção Batista do Sul desde os tempos de Russell Moore”.

Ele acrescentou: “Acredito que ela deveria ser desfinanciada”. Segundo o pastor, essa posição teria motivado a sua exclusão da lista de signatários da carta.

Graham tem um histórico de críticas à ERLC. Em 2016, ele se opôs às declarações públicas do então presidente da comissão, Russell Moore, contra Donald Trump, na época candidato à presidência dos Estados Unidos. Em entrevista ao Wall Street Journal, Graham afirmou que Moore demonstrava “desrespeito aos batistas do sul e outros líderes evangélicos”.

Em 2017, a Igreja Batista de Prestonwood chegou a suspender temporariamente suas contribuições ao Programa Cooperativo, aguardando uma revisão das atividades da ERLC. As doações foram retomadas posteriormente, sem designação específica.

Mais recentemente, em 20 de maio de 2024, Graham foi nomeado para o conselho consultivo da Comissão de Liberdade Religiosa do ex-presidente Donald Trump, contexto que contribui para a atual intensificação de suas críticas à ERLC.

O debate sobre a continuidade da comissão não é novo dentro da SBC. Nos últimos três anos, moções para desfinanciar ou extinguir a ERLC foram apresentadas durante as Assembleias Anuais, sem sucesso. A proposta mais recente, em 2023, obteve o apoio de mais de 30% dos mensageiros, mas não chegou a ser votada formalmente. Uma nova moção é esperada para a reunião deste ano.

O presidente atual da SBC, Clint Pressley, optou por não assinar a carta dos ex-presidentes. Em declaração à Baptist Press, afirmou: “Eu amo e respeito cada um dos nossos ex-presidentes da Convenção Batista do Sul. Meu objetivo é nos conduzir por uma reunião justa para todos e que honre a Deus”.

Em episódio publicado em 30 de abril no podcast Baptist21, Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, também manifestou reservas quanto à utilidade da comissão: “Tenho sérias dúvidas sobre a utilidade da ERLC”, disse. “Essas dúvidas não são novas nem limitadas ao momento atual”. No entanto, acrescentou: “Seria errado da minha parte liderar qualquer esforço desse tipo” para encerrá-la.

Richard D. Land, que presidiu a ERLC entre 1988 e 2013, defendeu a continuidade da entidade em artigo publicado no The Christian Post. “A resposta para tais desentendimentos relacionados a uma de nossas entidades é maior discussão e diálogo, não eliminar a entidade completamente”, escreveu Land, que também é presidente emérito da comissão.

A carta assinada pelos dez ex-presidentes caracterizou as propostas de desfinanciamento como “extremas”, defendendo em vez disso a atuação dos curadores da SBC como o caminho legítimo para ajustes ou reformas. “Há uma diferença entre refinamento e erradicação”, afirmaram os líderes.

Scott Foshie, presidente do conselho de curadores da ERLC, agradeceu o apoio expresso na carta, afirmando que os curadores estão “comprometidos em continuar desenvolvendo o bom trabalho que já está sendo feito pelo ERLC”.

O texto finaliza encorajando os mensageiros que participarão da reunião anual a “orar, a ouvir” e, caso uma moção seja apresentada para encerrar a ERLC, “votar com confiança de que os batistas do sul ainda têm um papel a desempenhar na esfera pública e que a ERLC pode nos ajudar a fazê-lo fielmente”.

Alisson evangeliza em título: ‘Jesus é o caminho, verdade e a vida’

O goleiro brasileiro Alisson Becker, do Liverpool, comemorou a conquista do Campeonato Inglês 2024/25 com uma camiseta estampando a frase “Jesus é o caminho, a verdade e a vida”. A celebração ocorreu no domingo, 25 de maio, após o encerramento da temporada da Premier League, que consagrou o Liverpool campeão pela 20ª vez.

Durante a volta olímpica no gramado, Alisson caminhou com os companheiros de equipe exibindo o troféu para a torcida no estádio, em meio a uma festa marcada pelo tom vermelho característico do clube. A imagem do goleiro vestindo a camiseta com mensagem evangelística foi amplamente compartilhada nas redes sociais e repercutiu entre torcedores.

Nos comentários do vídeo publicado pelo perfil oficial do Liverpool no Instagram, diversos usuários manifestaram apoio à atitude do jogador. “Embora eu não seja um fã do Liverpool, fico profundamente emocionado quando vejo alguns dos jogadores do time comemorando a vitória da liga enquanto também compartilham o Evangelho e proclamam Jesus Cristo. Como não amá-los e admirá-los? Estou radiante por ver esses jogadores compartilhando corajosamente sua fé e espalhando a verdade sobre Jesus Cristo”, escreveu um internauta. Outro comentário destacou: “O melhor de tudo é a mensagem na camiseta do Alisson”.

A última rodada da Premier League também definiu os clubes ingleses classificados para competições europeias. Vão disputar a próxima edição da Champions League: Liverpool, Arsenal, Manchester City, Chelsea, Newcastle e Tottenham Hotspur. Outros clubes garantiram vaga na Europa League e na Conference League, completando a definição do cenário internacional para a próxima temporada.

Expressões públicas de fé

Esta não foi a primeira vez que Alisson Becker associou momentos esportivos a sua fé cristã. Em 2019, após a vitória do Liverpool na final da UEFA Champions League, ele celebrou com uma camiseta semelhante ao lado do também brasileiro Roberto Firmino.

Desde que se mudou para a Inglaterra, em 2018, Alisson e sua esposa, Natália Becker, passaram a organizar pequenos grupos de oração com outros jogadores brasileiros e suas famílias nas regiões de Liverpool e Manchester. Em entrevista concedida ao portal Guia-me, Natália comentou sobre o propósito da iniciativa: “Onde estamos agora é onde Deus quer trabalhar”.

Ela acrescentou: “Precisamos entender isso; nos colocarmos à disposição e confiar que a obra quem faz é Ele. Fomos chamados para sermos sal da Terra e luz do mundo, a trazermos a realidade do Reino para onde estamos. Então sim, hoje, entendo que a nossa esfera de influência é o futebol”.

A atuação de Alisson Becker, dentro e fora de campo, tem sido reconhecida tanto por seu desempenho esportivo quanto por seu testemunho de fé em um dos campeonatos mais assistidos do mundo.

Pastor Luiz Sayão tem novo AVC e está internado na UTI

O pastor Luiz Sayão sofreu um novo AVC na última segunda-feira, 26 de maio. Ele foi socorrido a tempo e está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para monitoramento de sua condição.

Na noite de ontem, publicou Stories em sua conta no Instagram informando sobre o acidente vascular cerebral (AVC) e pedindo orações, mas também solicitando privacidade no primeiro momento: “Não mandem mensagens”.

Já na manhã desta terça, 27 de maio, ele publicou vídeo nos Stories explicando melhor seu estado de saúde: “Estou aqui me recuperando do AVC que eu tive ontem. Graças a Deus, aconteceu no consultório da médica. Fui correndo para o hospital, fui medicado a tempo e estou no tratamento intensivo”.

O pastor da Igreja Batista das Nações Unidas (IBNU) e professor de teologia disse que o AVC deixou sequelas: “Ainda recuperando o movimento da mão, que ficou bem prejudicado. Mas muito obrigado pelas orações e apoio de todos. Graças a Deus que me abençoou tanto até o momento. Espero que em breve eu consiga estar bem mais recuperado. Obrigado e um abraço a todos”, finalizou.

A saúde de Sayão vem sendo tema de variadas entrevistas que ele concede a diferentes podcasts e também publicações que faz em sua conta no Instagram. Em julho do ano passado, o pastor revelou que sofria com as sequelas da Covid-19 e também já havia passado por um AVC que havia deixado “dores 24 horas por dia”.

“Vivendo sob uma difícil encefalomielite miálgica, inflamação no cérebro, que se desdobra em dores, alergias e inflamações por todo o corpo, sofro dessas dores 24 horas por dia. Tive também um pequeno AVC há algum tempo”, descreveu ele na ocasião.

Em março deste ano, Sayão contou que havia decidido restringir sua agenda para priorizar o conforto: “Minha saúde se foi. Tenho o que chamo de sobrevida. Graça e bondade de Deus. Preciso aqui reforçar a informação pois a cada dia recebo vários convites para todo tipo de atividade”, declarou o pastor.

'Avivamento histórico': Marcha para Jesus surpreende Paris

Cerca de 40 mil cristãos participaram da 12ª edição da Marcha para Jesus em Paris no último sábado (24), segundo dados do jornal La Croix. O número representa o dobro de participantes em relação a 20204, quando 20 mil pessoas compareceram.

O evento, que percorreu avenidas como a Champs-Élysées, teve início com um culto na Praça do Trocadéro, próximo à Torre Eiffel, e incluiu pregações, testemunhos de curas e uma caminhada com trios elétricos e bandas gospel.

Organizado por denominações evangélicas, pentecostais e carismáticas, o ato foi liderado pelo evangelista suíço Jean-Luc Trachsel, de 54 anos, conhecido por campanhas em estádios europeus.

Em publicação no Instagram, Trachsel relatou “multidões entregando suas vidas a Jesus, curas e libertações em massa, e batismos no Espírito Santo com falar em línguas”. A polícia parisiense não confirmou os relatos sobrenaturais, mas atestou a ordem pública durante o evento.

Programação 

A Marcha para Jesus começou às 10h com pregações sobre “arrependimento e salvação”. Cartazes em francês e inglês exibiam frases como “Jesus Vive” e “A Europa Pertence a Cristo”.

Às 14h, os participantes seguiram em caminhada por 3 km até a Esplanada dos Inválidos, onde ocorreram shows de artistas como o grupo de louvor Hillsong França.

Trachsel, fundador da missão Impact Europe, destacou o crescimento da presença evangélica na França, país onde 3% da população se declara protestante, segundo pesquisa do Institut Montaigne (2022). “Este é o início de um avivamento histórico. Paris será salva, a França será salva, a Europa será salva”, proclamou.

Contexto religioso

A França, nação com raízes católicas (34% da população se identifica como tal, de acordo com o Eurobarômetro 2023), tem registrado aumento de igrejas evangélicas, principalmente em regiões como Île-de-France e Auvergne-Rhône-Alpes.

Em 2021, o governo classificou o evangelicalismo como “a religião que mais cresce” no país, com 744 templos novos entre 2010 e 2020, segundo a Federação Protestante da França.

Críticos, como o sociólogo Jean-Paul Willaime, alertam para “tensões com o secularismo francês”, lembrando que em 2022 o Parlamento aprovou lei para combater seitas e “extremismos religiosos”. Nenhum incidente foi relatado durante a marcha.

Cristão é demitido por se recusar a cumprir exigência de trans

Spencer Wimmer, ex-funcionário da Generac Power Systems, Inc., no estado de Wisconsin, protocolou uma queixa por discriminação religiosa junto à Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos (EEOC, na sigla em inglês) após ser demitido por rejeitar exigência feita por um trans.

A denúncia, registrada com o apoio do Instituto de Direito e Liberdade de Wisconsin na semana passada, alega que Wimmer foi demitido por recusar o uso do nome e dos pronomes preferidos de um colega de trabalho que se identifica como transgênero.

Wimmer atuou na empresa por cerca de cinco anos e afirma que seu histórico profissional incluiu promoções e aumentos salariais até abril de 2025. Segundo ele, após solicitar uma acomodação religiosa para não utilizar os pronomes preferidos do colega, seu pedido foi negado pelo departamento de recursos humanos e por seu supervisor. Pouco tempo depois, Wimmer foi desligado da empresa.

Em entrevista concedida à Fox News Digital no dia 24 de maio, Wimmer declarou: “Pediram-me para escolher entre o meu sustento e o meu amor por Deus e pelas minhas crenças”. Ele descreveu a experiência como “de partir o coração” e afirmou que foi “muito emocionante ter tudo meio que arrancado de mim”.

A Generac, por meio de um porta-voz, negou as alegações apresentadas por Wimmer. “A empresa cumpre todas as leis trabalhistas federais e estaduais. Além disso, nunca tivemos uma política sobre o uso de pronomes de gênero”, afirmou o representante.

Segundo ele, a companhia “se defenderá contra essa alegação frívola” e atua de forma voluntária e proativa em relação à ordem executiva do governo, não impondo exigências relacionadas à diversidade, equidade e inclusão (DEI). “Não podemos comentar mais, dada a natureza contínua deste litígio pendente”, acrescentou.

A denúncia formal apresentada por Wimmer indica que a empresa não exigia, por norma interna, que os funcionários se referissem uns aos outros de maneira específica. No entanto, após manifestar sua recusa, ele recebeu uma nota de advertência disciplinar, na qual constava que o não cumprimento da expectativa de uso dos pronomes poderia resultar em demissão.

Ainda de acordo com a queixa, durante a entrega do documento, um funcionário do setor de recursos humanos teria dito a Wimmer que suas objeções religiosas “não faziam sentido algum” e comparou o uso dos pronomes preferidos ao uso de apelidos, como chamar uma pessoa de “Lizzy” em vez de “Elizabeth”.

Após o episódio, Wimmer pediu demissão da empresa em 31 de março, declarando que seu ambiente de trabalho o colocava em conflito com sua fé. Em 2 de abril, ele enviou um e-mail solicitando a reversão de sua saída e a retomada de seu posto. Segundo seu relato, o pedido não foi inicialmente respondido, mas algumas horas depois, ele foi convocado a uma sala de conferências, onde foi informado da negativa e oficialmente desligado da empresa.

O ex-funcionário alega ainda que, após a demissão, seus pertences pessoais foram devolvidos danificados. Entre os itens, estavam uma Bíblia e uma caneca preta com a imagem do símbolo cristão Chi Rho.

A denúncia conclui que “o preconceito e a hostilidade da Generac em relação às crenças religiosas do Sr. Wimmer — incluindo a disciplina da empresa, o assédio, a negação de uma acomodação razoável e a demissão definitiva do Sr. Wimmer — constituem discriminação religiosa sob o Título VII”. O documento solicita à EEOC a abertura de uma investigação formal, conforme noticiado pelo portal The Christian Post.

Igreja Batista constrói 60 apartamentos para pessoas necessitadas

A Igreja Batista Shiloh, localizada em Tacoma, no estado de Washington, concluiu a construção de 60 unidades habitacionais acessíveis no início de 2025. As moradias, distribuídas em dois edifícios situados do outro lado da rua de seu templo principal, foram concebidas como uma resposta à crise de habitação que atinge a cidade e diversas regiões dos Estados Unidos.

O projeto habitacional recebeu o nome de Shiloh New Life Apartments. O primeiro edifício, batizado como Lily V. Brazill, foi inaugurado em setembro de 2024. O segundo, chamado James e Marilyn Walton, passou a receber moradores no início de 2025.

Segundo o pastor Chavis Young, líder da congregação, a iniciativa é parte do compromisso social da igreja com a comunidade local. “Sempre acreditamos em ser uma expressão tangível do amor de Deus em nossa comunidade”, afirmou Young ao The Christian Post.

O pastor acrescentou que o aumento da crise habitacional, especialmente entre famílias de baixa renda, motivou a igreja a agir: “Sentimos um chamado moral e espiritual para responder”.

As obras começaram em agosto de 2023, após um período de planejamento, oração e arrecadação de recursos. De acordo com Young, o projeto enfrentou obstáculos relacionados a zoneamento e processos de licenciamento, mas foi possível superá-los com o apoio de autoridades locais. “Ao sermos transparentes e colaborativos, conseguimos transformar essas barreiras em pontes”, disse o pastor.

Além da oferta de moradia, o projeto busca promover dignidade e estabilidade: “Essas unidades são mais do que edifícios — são um testemunho do que acontece quando a fé se transforma em ação. Representam dignidade, estabilidade e esperança para muitas famílias”, declarou Young.

A entrega das moradias ocorre em um contexto de crescente preocupação nacional com os custos de habitação. De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center, divulgada em 20 de setembro de 2024, 69% dos norte-americanos expressaram preocupação com a acessibilidade à moradia — um aumento em relação aos 61% registrados em abril do mesmo ano.