Chuvas danificam unidade da Sociedade Bíblica do Brasil

As chuvas intensas que castigaram Belo Horizonte nos últimos dias causaram estragos na sede da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) na capital mineira – Belo Horizonte. O atendimento ao público foi interrompido e parte dos materiais destinados a ações sociais acabou perdida.

De acordo com a organização, exemplares das Escrituras e itens separados para doação foram danificados pela enxurrada. O prejuízo compromete diretamente iniciativas voltadas a comunidades em situação de vulnerabilidade.

A SBB reforça que todos os recursos empregados na unidade são direcionados à sua missão institucional, que abrange tanto o trabalho social quanto a difusão da mensagem cristã. Com o ocorrido, algumas dessas atividades correm o risco de ser afetadas.

Mesmo diante das perdas materiais, a entidade mantém a disposição de prosseguir com sua atuação. A equipe afirma que segue firme na confiança e no propósito de levar a Palavra de Deus àqueles que mais necessitam.

Neste momento, a instituição faz um apelo à solidariedade da população. Além de pedir orações, a SBB solicita contribuições financeiras para auxiliar na reconstrução da unidade e na manutenção dos projetos sociais.

Histórico e relevância mundial

A Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) é uma organização beneficente, sem fins lucrativos e filantrópica, fundada em 10 de junho de 1948, no Rio de Janeiro, com o lema “Dar a Bíblia à Pátria” .

Atualmente com sede em Barueri (SP), a instituição faz parte das Sociedades Bíblicas Unidas (SBU), uma aliança mundial que reúne 156 sociedades bíblicas em mais de 200 países.

Sua missão é “semear a Palavra que transforma vidas”, dedicando-se à tradução, produção e distribuição das Escrituras Sagradas em linguagem acessível e a preços que todos possam pagar, além de promover o desenvolvimento integral do ser humano por meio de programas bíblicos de impacto social .

Ao longo de sua trajetória, a SBB desenvolve inúmeras iniciativas que atendem comunidades em situação de vulnerabilidade, incluindo populações ribeirinhas (desde 1962, com o barco Luz na Amazônia), pessoas privadas de liberdade, estudantes, enfermos, indígenas e pessoas com deficiência visual.

A instituição também mantém a Gráfica da Bíblia, que já produziu mais de 200 milhões de exemplares, e conta com títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, além do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Seu trabalho é sustentado por doações da “Causa da Bíblia” e pela comercialização de suas publicações, que incluem diversas traduções reconhecidas, como a Nova Almeida Atualizada (NAA) e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH).

Cardeal: Igreja Católica vai morrer se não ordenar mulheres

O arcebispo de Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, afirmou que a Igreja Católica enfrenta desafios relacionados à participação feminina no ministério ordenado. Em declaração feita durante um simpósio realizado em Bonn, na Alemanha, ele disse que a continuidade da instituição pode ser afetada caso não haja mudanças nesse aspecto.

Segundo o jornal The Catholic Herald, Hollerich declarou: “Não consigo imaginar como uma igreja pode continuar a existir a longo prazo se metade do povo de Deus sofre por não ter acesso ao ministério ordenado”. Ele acrescentou: “Quando converso com mulheres nas paróquias, 90% compartilham da mesma opinião”.

O Código de Direito Canônico estabelece que “somente um homem batizado recebe validamente a sagrada ordenação”. Nos últimos anos, o tema da participação das mulheres na Igreja tem sido objeto de debates internos.

No início de março, a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos divulgou o relatório final do Grupo de Estudos 5, dedicado à “Participação das mulheres na vida e na liderança da Igreja”. O documento não apoiou a ordenação feminina, mas indicou a possibilidade de ampliação de funções não ordenadas.

O relatório afirma: “A questão do acesso das mulheres ao diaconato ainda não parecia suficientemente madura, considerando todos os aspectos”. Em seguida, acrescenta que permanece aberta a continuidade dos estudos sobre o papel feminino na liderança e outras formas de participação.

O documento também reconhece a atuação significativa das mulheres na vida da Igreja e afirma que essas contribuições são frequentemente subestimadas. Segundo o texto: “Ao lado do caminho sacramental, e distinto dele, existe também um caminho carismático que pode ser frutiferamente trilhado para abrir novos espaços de participação para os fiéis leigos, particularmente para as mulheres”.

Apesar de defender o debate, Jean-Claude Hollerich afirmou que sua posição não é unânime e manifestou apoio a iniciativas que ampliem a participação feminina dentro das estruturas atuais. Ele declarou: “Meu maior desejo seria que toda a Igreja se alegrasse com isso”.

As declarações ocorrem em um contexto mais amplo de discussões sobre mudanças disciplinares na Igreja. Na semana anterior, o bispo de Antuérpia, Johan Bonny, anunciou planos para ordenar homens casados ao sacerdócio até 2028.

Em carta pastoral, Bonny afirmou: “A questão já não é se a Igreja pode ordenar homens casados como sacerdotes, mas quando o fará e quem o fará”. De acordo com o The Christian Post, ele acrescentou: “Qualquer atraso é interpretado como uma desculpa”.

Pastor preso por se opor ao governo da Coreia do Sul é liberto

A detenção do pastor Hyun-bo Son, líder da Igreja Segero na Coreia do Sul, tornou-se um marco inédito em setembro: pela primeira vez em 78 anos, um líder religioso foi preso no país por se opor publicamente ao governo.

Embora tenha sido libertado sob fiança após quase cinco meses de cárcere, o episódio acendeu um alerta entre defensores das liberdades fundamentais sobre um possível retrocesso no direito à manifestação de fé.

Em seu retorno ao púlpito, recebido pela CBN News no terceiro domingo após a soltura, Son retomou a rotina pastoral com uma cena incomum: um culto marcado por músicas vibrantes seguido de uma sessão de perguntas e respostas com crianças e adolescentes.

Diante dos jovens, ele revisitou o tema da separação entre Igreja e Estado, ouvindo de um menino a afirmação de que o governo não deve interferir nas questões religiosas — exatamente o ponto que o levou à prisão.

O estopim: entrevista e embate com políticas educacionais

A condenação do pastor ocorreu sob a acusação de violação da lei eleitoral. O motivo foi ter entrevistado um candidato a superintendente escolar alinhado a princípios bíblicos, em contraste com o nome apoiado pelo governo, que defendia a inclusão de pautas LGBT no currículo escolar. Para Son, o episódio reflete uma mudança mais ampla desde que um governo de esquerda assumiu o poder: “A liberdade religiosa está sendo suprimida”, afirmou.

Ele destacou uma emenda ao código civil proposta em janeiro que, segundo ele, autorizaria o Estado a dissolver igrejas e revogar suas autorizações com base em discursos ou crenças religiosas consideradas políticas. A medida também permitiria investigações sem mandado e a transferência de bens eclesiásticos ao governo.

Reação política e perseguição religiosa

O caso gerou reações contundentes. Lee Jong-Wook, congressista de Busan, classificou a situação como “perseguição religiosa” e defendeu que o Estado não tem legitimidade para cercear o que as igrejas podem ou não dizer. Em resposta ao episódio, líderes religiosos se reuniram em uma assembleia para denunciar o que veem como uma escalada na supressão da liberdade de expressão e de fé por parte do governo.

Pastor Son, por sua vez, encorajou outros líderes a não temerem a prisão em defesa do Reino de Deus. Ele declarou estar disposto a pagar o preço necessário — inclusive a voltar ao cárcere — e relatou que, durante o período detido, evangelizou 85 presos e escreveu um livro em apenas três dias. “Todos os domingos, aquilo não parecia um presídio, mas um santuário”, disse, ao lembrar que recebeu carta de um detento sentindo falta de sua presença.

Pressão internacional e apoio dos EUA

O caso também alcançou repercussão diplomática. Dias antes da sentença, os filhos do pastor foram convidados a Washington. Em uma visita à Casa Branca, apresentaram a situação a equipes do Departamento de Estado. Dois dias depois, o primeiro-ministro sul-coreano se reuniu com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance — a primeira visita do tipo em 41 anos —, e o caso foi mencionado no encontro.

Como desdobramento, representantes do Consulado dos EUA na Coreia do Sul acompanharam a audiência, o que, segundo a família, pode ter influenciado a decisão judicial. “Uma semana antes do julgamento, fui convidado à Casa Branca e pude apresentar o caso do meu pai”, contou Chance Son, filho do pastor.

Sacrifício e luta pela liberdade

Questionado sobre por que evitou olhar para a família durante as audiências, o pastor respondeu que o olhar poderia desanimá-lo, e que o momento exigia sacrifício e luta.

Ele concluiu com um apelo à unidade dos cristãos: “A República da Coreia é uma nação livre graças aos sacrifícios de nossos antepassados, dos americanos que lutaram na Guerra da Coreia e dos missionários. Mas, com um novo governo de inclinação à esquerda, há preocupações de que nossos filhos sejam influenciados por ideologias contrárias aos valores bíblicos. Oro para que os cristãos na Coreia, nos Estados Unidos e no mundo permaneçam unidos e continuem lançando luz sobre essas questões.”

Finlândia: deputada cristã é condenada por discurso de ódio

A parlamentar finlandesa Päivi Räsänen foi considerada culpada de incitação contra um grupo minoritário pelo Supremo Tribunal da Finlândia em decisão proferida na quinta-feira, 26 de março. O caso envolve a publicação de um panfleto, há mais de 20 anos, que classificava a homossexualidade como um distúrbio do desenvolvimento psicossexual.

Segundo a ADF International, a decisão foi tomada por maioria de 3 a 2 e considerou que a parlamentar “tornou e manteve disponível ao público um texto que insulta um grupo”. Päivi Räsänen liderou o Partido Democrata Cristão da Finlândia entre 2004 e 2015 e foi ministra do Interior de 2011 a 2015.

A investigação teve início após uma publicação feita por Päivi Räsänen em 2019 na plataforma Twitter, na qual citou um trecho bíblico de Romanos 1:24-27 para criticar a participação da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia em eventos relacionados ao orgulho LGBT. Na ocasião, ela questionou como a instituição poderia considerar “vergonha e pecado” como “motivo de orgulho”.

Durante a apuração, autoridades também analisaram um panfleto publicado em 2004 em conjunto com Juhana Pohjola, intitulado “Homem e Mulher Ele os Criou: Relacionamentos homossexuais desafiam o conceito cristão de humanidade”. O tribunal entendeu que o conteúdo apresentava opiniões que poderiam “insultar os homossexuais como grupo com base em sua orientação sexual”.

Na decisão, o tribunal observou: “Deve-se levar em consideração que o texto que serviu de base para a condenação não continha incitação à violência ou fomento ao ódio comparável a ameaças. Portanto, a conduta não é particularmente grave em termos da natureza do delito”.

A condenação foi aplicada com base no Capítulo 11 do Código Penal finlandês, que trata da incitação contra grupos minoritários. A parlamentar foi multada em 1.800 euros e o tribunal determinou a proibição da distribuição do panfleto em formato físico e digital.

Antes da decisão final, Päivi Räsänen e Juhana Pohjola haviam sido absolvidos por unanimidade em duas instâncias, incluindo o Tribunal Distrital de Helsinque e o Tribunal de Apelações de Helsinque. Um novo julgamento ocorreu em outubro do ano anterior.

O Supremo Tribunal da Finlândia também absolveu a parlamentar da acusação relacionada à publicação de 2019, ao entender que ela “justificou sua opinião citando um texto bíblico”.

Após a decisão, Päivi Räsänen afirmou: “Estou chocada e profundamente decepcionada”. Ela acrescentou: “Mantenho-me fiel aos ensinamentos da minha fé cristã e continuarei a defender o meu direito e o de todas as pessoas de partilhar as suas convicções na esfera pública”.

A parlamentar declarou ainda: “Estou consultando advogados sobre uma possível apelação ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Não se trata apenas da minha liberdade de expressão, mas da de todas as pessoas na Finlândia. Uma decisão favorável ajudaria a evitar que outras pessoas inocentes passassem pelo mesmo sofrimento simplesmente por compartilharem suas crenças”.

Segundo o The Christian Post, o diretor executivo da ADF International, Paul Coleman, reprovou a condenação: “Essa decisão terá um efeito inibidor severo sobre o direito de todos à liberdade de expressão”. Ele também classificou a decisão como “um exemplo ultrajante de censura estatal”.

Israel mata comandante da Guarda Revolucionária do Irã

O comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Alireza Tangsiri, morreu em um ataque na cidade de Bandar Abbas nesta quinta-feira, 26 de março. A informação foi atribuída a um oficial israelense ouvido pelo jornal The Times of Israel.

Segundo a fonte, Tangsiri ocupava uma posição estratégica na estrutura militar iraniana e atuava diretamente no controle do Estreito de Ormuz. A região é considerada uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e outras cargas.

O Estreito de Ormuz possui cerca de 50 quilômetros em seu ponto mais estreito e conecta áreas estratégicas entre a Ásia e a Europa. Aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo passa pelo local, além de cargas como gás, alimentos e insumos industriais.

Durante o conflito, o Irã passou a exercer controle sobre o tráfego na região e a restringir a circulação de embarcações não autorizadas. Veículos de imprensa iranianos relataram que o país também iniciou a cobrança de taxas para navios comerciais, com valores que podem chegar a US$ 2 milhões por viagem.

Em março, Alireza Tangsiri declarou: “Se os inimigos cometerem um erro, nós os enviaremos para as profundezas do inferno”.

A morte do comandante ocorre em meio a uma série de operações que atingiram integrantes do alto escalão iraniano nos primeiros dias das mobilizações militares. Entre os nomes citados estão o líder supremo Ali Khamenei, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Ali Larijani e o ministro da Inteligência Esmail Khatib, apontados como alvos de ações recentes.

COI determina que só mulheres competirão em esportes femininos

Só mulheres poderão concorrer. Mulheres. Mulher biológica é redundância.

— Adriano Soares da Costa (@asc_adriano) March 26, 2026

O Comitê Olímpico Internacional anunciou que, a partir de 2028, os esportes femininos dos Jogos Olímpicos serão restritas a mulheres segundo novos critérios definidos pela entidade. A medida será aplicada nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

De acordo com o COI, a elegibilidade para participação nas categorias femininas será determinada por um teste de sexo realizado uma única vez ao longo da vida. O exame tem como objetivo verificar a presença do gene SRY, associado ao desenvolvimento de características masculinas.

A presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a diretriz foi baseada em critérios científicos e elaborada com apoio de especialistas médicos. Ela declarou: “Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem significar a diferença entre a vitória e a derrota”.

Em seguida, acrescentou: “Portanto, é absolutamente claro que não seria justo que homens biológicos competissem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes, simplesmente não seria seguro”.

Segundo o COI, o exame poderá ser realizado por meio de saliva, cotonete bucal ou amostra de sangue. A entidade afirmou: “O COI considera que o exame do gene SRY por meio de saliva, cotonete bucal ou amostra de sangue é pouco invasivo em comparação com outros métodos possíveis”.

O comitê informou ainda: “Atletas que apresentarem resultado negativo para o gene SRY atendem permanentemente aos critérios de elegibilidade desta política para competir na categoria feminina. A menos que haja motivo para acreditar que um resultado negativo seja um erro, este será um teste realizado apenas uma vez na vida”.

Atletas que não atenderem ao critério poderão competir em outras categorias. O COI declarou: “Atletas que não passarem no teste continuarão sendo incluídas em todas as outras classificações para as quais se qualificam”. A entidade acrescentou que essas atletas poderão disputar categorias masculinas, mistas ou abertas, conforme as regras de cada modalidade.

A nova diretriz também abrange atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD), condição caracterizada por variações em hormônios, genes ou órgãos reprodutivos. O COI não detalhou mudanças adicionais específicas para esses casos além da aplicação do critério genético.

Antes da definição atual, o COI delegava às federações de cada esporte a responsabilidade de estabelecer regras de elegibilidade. Modalidades como atletismo, natação, ciclismo e remo já haviam adotado restrições, enquanto outras permitiam a participação mediante controle de níveis de testosterona.

O anúncio gerou reações também no meio evangélico. A vereadora Sonaira Fernandes (PL-SP) afirmou em publicação no X: “Vitória das mulheres! #EleNão”.

Entre os casos frequentemente citados em debates sobre o tema está o da atleta Caster Semenya, bicampeã olímpica dos 800 metros, que possui cromossomos XY. Em regras anteriores, atletas com DSD que não passaram pela puberdade masculina podiam competir em categorias femininas mediante limites hormonais estabelecidos, segundo a BBC.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a exclusão de atletas transgêneros das competições femininas em todas as modalidades! O COI diz que a decisão é necessária para garantir a segurança e o bem-estar das mulheres biológicas.

Vitória das mulheres! #EleNão

— Sonaira Fernandes (@Sonaira_sp) March 26, 2026

Vereador registra ataque de 'mulher trans' contra Jesus: 'Ódio'

O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) publicou em suas redes sociais um vídeo intitulado “Por que tanto ódio contra Jesus”, no qual aparece em uma discussão acalorada com uma “mulher trans”. A gravação, que rapidamente ganhou grande repercussão, mostra o parlamentar reagindo a uma declaração que ele classifica como ofensiva envolvendo o nome de Jesus.

No vídeo, após ouvir o que descreve como palavras de baixo calão direcionadas à figura de Cristo, Pavanato responde dizendo “Ele te ama”. A interlocutora rejeita a fala com novos xingamentos, ao que o vereador retruca: “Orar por você é meu direito”.

Em dado momento, ele se dirige a uma jovem que estava próxima e pergunta se a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) a representa como presidente da Comissão da Mulher da Câmara. A jovem responde que não se sente representada — ainda que a mulher trans com quem o vereador discutia não fosse a parlamentar citada.

Pavanato também rebateu acusações de extremismo, afirmando que, embora ele e aliados sejam frequentemente chamados de radicais, na prática seriam os que desrespeitam posições contrárias.

Em outro trecho, a “mulher trans” afirmou que “vocês estão matando os nossos todos os dias”. O vereador negou ter qualquer envolvimento direto e destacou ações de seu mandato: “Eu não matei ninguém. Destinei 6 milhões para a segurança pública municipal – para proteger vocês”.

O vídeo acumulou quase 600 mil curtidas até o momento, com ampla maioria de apoiadores do parlamentar nos comentários, e gerou forte debate nas redes sociais sobre limites da liberdade religiosa, representatividade política e o tom dos embates públicos entre diferentes grupos.

Proposta pede a Lula que proíba militares israelenses no Brasil

Uma proposta protocolada na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) na última quarta-feira (18) pede ao governo Lula que impeça a entrada de militares israelenses no Brasil como turistas.

A indicação formal, endereçada ao presidente Lula da Silva (PT) e de autoria do deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), argumenta que muitos desses visitantes podem ter participado de operações militares na Palestina e no Líbano, classificadas na justificativa como “genocídio”.

O texto menciona que localidades baianas como Morro de São Paulo, Boipeba, Maraú, Itacaré, Serra Grande e Ilhéus se tornaram destino frequente para integrantes das Forças de Defesa de Israel (IDF) após o período de serviço obrigatório.

O parlamentar alega haver relatos de tensões e até de supostas agressões envolvendo militares israelenses contra ambulantes, moradores e outros visitantes que se manifestam contrariamente às ações de Israel. Para ele, permitir o lazer de supostos envolvidos em “massacres civis” seria incompatível com os princípios da política externa brasileira.

A justificativa se ancora no Artigo 4º da Constituição Federal, que preconiza a defesa da paz, a prevalência dos direitos humanos e o repúdio ao terrorismo nas relações internacionais, além da Lei nº 13.445/2017, que autoriza a negativa de entrada a estrangeiros envolvidos em crimes internacionais ou violações de direitos humanos.

A sugestão inclui medidas como a identificação pela Polícia Federal de turistas israelenses que tenham atuado em Gaza e no Líbano, o impedimento imediato de ingresso no país e uma articulação diplomática para evitar que o Brasil sirva como refúgio ou destino de lazer para pessoas envolvidas em crimes de guerra.

Reações e críticas

A iniciativa provocou reação imediata de organizações pró-Israel. André Lajst, presidente-executivo da StandWithUs, classificou a tentativa de barrar militares israelenses no Brasil como discriminação.

Em vídeo nas redes sociais, ele lembrou que a Lei nº 7.716/1989 tipifica como crime o preconceito de nacionalidade, sujeito a multa e prisão. Lajst também ressaltou que o serviço militar em Israel é obrigatório para todos os cidadãos — judeus, árabes, drusos e cristãos — e abrange não apenas as forças armadas, mas também corpos de polícia, serviço de prisões, ambulância e áreas educacional e de saúde. “Todas as pessoas que em Israel vão ser proibidas de entrar no Brasil porque prestaram serviço militar? Não tem sentido”, afirmou.

Protesto em Itacaré

A movimentação na Alba ocorre na esteira de um protesto ocorrido em 14 de março em Itacaré, que acabou em confusão. De acordo com relatos da Polícia Militar, houve duas manifestações naquele dia. Uma delas, pacífica, reuniu comerciantes, taxistas e trabalhadores do setor turístico que defendem a vinda de israelenses.

A outra, organizada pelo próprio deputado Hilton Coelho com a participação de movimentos sociais e do ativista Thiago Ávila, foi contrária à presença de turistas israelenses e ocorreu na Praça das Mangueiras, na Pituba.

Vídeos que circularam nas redes mostram um tumulto no qual manifestantes gritavam “Free Palestine!” e turistas israelenses se envolveram em discussões e princípio de briga. A Polícia Militar interveio e, segundo o Correio, três israelenses que resistiram à abordagem foram detidos, prestaram depoimento e liberados em seguida.

Xenofobia e posição da comunidade judaica

André Lajst condenou o protesto, afirmando que ele beira o antissemitismo, uma vez que o alvo seria a nacionalidade dos visitantes. Ele ainda destacou a importância econômica do turismo israelense para a Bahia, com cardápios em hebraico, guias capacitados e estabelecimentos que se adaptaram ao público.

A Sociedade Israelita da Bahia também se manifestou, em nota, acusando os organizadores da manifestação de incitar “preconceito racista, xenofobia e discórdia”. A entidade afirmou que os atos pró-Palestina tiveram baixa adesão e que os manifestantes “apenas odeiam o povo judeu”, enquanto parte dos moradores e visitantes demonstrou apoio aos turistas israelenses.

Economia local e tensões latentes

A presença de militares israelenses que viajam ao Brasil após cumprir o serviço militar obrigatório já faz parte da rotina do litoral baiano. Comerciantes e empresários veem no fluxo um importante impulso econômico, com pousadas e restaurantes oferecendo cardápios em hebraico e até atendimento personalizado.

Em contrapartida, moradores de localidades como Itacaré e Morro de São Paulo relatam episódios de agressão, ruídos excessivos e comportamentos que consideram desrespeitosos, o que alimenta a tensão entre a dependência econômica e o desgaste social. Com: Guiame.

CPMI do INSS: líderes do PT fazem petição contra Carlos Viana

Deputados federais do Partido dos Trabalhadores (PT) protocolaram, nesta terça-feira (24), um pedido formal para que o senador Carlos Viana (Podemos-MG) seja afastado imediatamente da presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) mista do INSS.

A solicitação, enviada à Presidência do Congresso, sustenta que o parlamentar perdeu as condições políticas e legais para conduzir as investigações diante de evidências de conflito de interesses e comprometimento da imparcialidade.

O principal argumento dos petistas é que as apurações da CPMI têm se concentrado em pessoas e instituições próximas ao círculo político-religioso do senador, o que, segundo a petição, torna insustentável sua permanência no cargo.

Entre os pontos levantados está o suposto envolvimento do pastor André Valadão e de uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha nas investigações sobre fraudes em empréstimos consignados e possíveis conexões com o caso Master.

O documento cita ainda uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que Carlos Viana se manifestasse judicialmente sobre o envio de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares destinadas à Fundação Oasis, organização vinculada à Igreja da Lagoinha.

Outro elemento destacado pelos parlamentares é a manifestação pública do senador em defesa do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O deputado usou um jatinho ligado a Daniel Vorcaro — um dos nomes citados nas investigações — para uma campanha de sobrevoo durante o segundo turno das eleições de 2022.

Embora Nikolas tenha afirmado na época que desconhecia a origem da aeronave, Carlos Viana expressou solidariedade ao colega nas redes sociais, criticando o que classificou como tentativa de associação infundada. Para os petistas, a postura configura tomada explícita de posição, incompatível com a neutralidade exigida de quem preside uma comissão de inquérito.

A petição também faz referência à votação que autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula.

O episódio gerou controvérsia após um erro na contagem dos votos, o que levou à posterior suspensão da decisão pelo ministro Flávio Dino. Na visão dos deputados, a condução do processo evidenciou que Carlos Viana deixou de atuar como um árbitro isento, passando a se envolver diretamente nos desdobramentos das apurações.

Assinam o pedido os deputados federais Pedro Uczai (PT-SC), Rogério Correia (PT-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ), todos integrantes da CPMI.

Eles defendem que o afastamento é necessário para preservar a integridade das investigações e evitar que a lisura dos trabalhos continue sendo colocada em risco pela atuação do atual presidente. Com: Folha Gospel.

Pesquisa: 75,2% dos evangélicos rejeitam campanha nas igrejas

A pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), com dados coletados em fevereiro de 2025, revela um paradoxo no universo evangélico brasileiro: embora três em cada quatro fiéis sejam contra o uso dos templos para campanha eleitoral, mais de um terço das congregações acabou tendo algum tipo de envolvimento político nas eleições municipais de 2024.

De acordo com o levantamento, 75,2% dos evangélicos rejeitam a realização de campanha dentro das igrejas. Na prática, porém, 34,1% dos entrevistados afirmaram que suas lideranças apoiaram candidatos no pleito municipal. Entre os católicos, o percentual foi menor: 16,9%.

O estudo também evidencia o impacto dessa mobilização sobre o comportamento eleitoral. Entre os evangélicos que frequentam igrejas onde houve campanha explícita, Jair Bolsonaro obteve 62,4% dos votos em 2022 — uma diferença de 7 pontos percentuais em relação aos que frequentam igrejas sem esse tipo de atuação, onde o ex-presidente teve 55,4% das preferências.

Os números ajudam a compor um quadro mais amplo de transformação religiosa no país. O Censo do IBGE de 2022 já havia apontado um crescimento de 5,2 pontos percentuais na população evangélica, um ritmo mais moderado do que o registrado na década anterior, o que sugere uma possível estabilização desse avanço demográfico.

O que diz a lei?

A legislação eleitoral brasileira atual, estabelecida pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), proíbe expressamente a realização de propaganda eleitoral em igrejas, templos e demais espaços religiosos.

Esses locais são classificados como “bens de uso comum”, categoria que inclui locais de acesso público como clubes, cinemas e lojas, nos quais é vedado qualquer tipo de manifestação eleitoral, incluindo pedidos de voto, distribuição de material de campanha ou a presença de candidatos com finalidade eleitoral.

A infração a essa regra sujeita os responsáveis a multas que variam de R$ 2 mil a R$ 8 mil, podendo inclusive levar à anulação da candidatura ou à cassação do mandato em casos mais graves, especialmente quando associada a outras formas de abuso de poder. Além disso, é vedado a candidatos e partidos receberem doações de entidades religiosas.