Erika Hilton tem pedido de cassação protocolado na Câmara

O Partido Missão, legenda ligada ao Movimento Brasil Livre (MBL), ingressou na última sexta-feira (13) com uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados solicitando a cassação do mandato de Erika Hilton (PSOL-SP), parlamentar transexual que recentemente assumiu a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Casa.

O requerimento foi assinado pelo presidente nacional da sigla, Renan Santos, e será defendido no colegiado pelo deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), primeiro parlamentar eleito pela legenda. O partido fundamenta o pedido em publicações feitas por Hilton em suas redes sociais após sua eleição para o comando da comissão .

Conteúdo das postagens

No centro da representação estão declarações publicadas por Hilton na sequência da votação que lhe elegeu para a presidência do colegiado. No texto, Hilton afirmou: “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa” .

A expressão “imbeCIS” foi utilizada como um trocadilho reunindo os termos “imbecil” e “CIS”, este último referente a pessoas cisgênero — aquelas que se apresentam conforme o sexo natural, macho ou fêmea. Em outro trecho, Hilton escreveu: “Podem espernear. Podem latir” .

Para o Partido Missão, as manifestações configuram motivo para perda do mandato. “É inaceitável que a presidente da Comissão da Mulher, em seu primeiro ato público, escolha não apenas segregar, mas também insultar de forma tão vil justamente o grupo que deveria representar”, sustenta o documento .

O pedido foi encaminhado ao Conselho de Ética, que analisará a representação e poderá aplicar sanções que variam de advertência até a recomendação de perda do mandato, que precisa ser referendada pelo plenário da Câmara.

Repercussão e outras iniciativas

Além da legenda ligada ao MBL, o Partido Novo também anunciou que apresentará pedido contra o transexual. A sigla argumenta que as declarações configuram “misoginia” e atingem mulheres cisgênero de forma genérica .

A controvérsia em torno da eleição de Erika Hilton para a Comissão da Mulher gerou intenso debate político. Parlamentares de oposição questionaram a escolha, enquanto apoiadores da deputada defenderam sua legitimidade para ocupar o cargo. A votação que a elegeu registrou 11 votos favoráveis e 10 em branco .

A decisão do Conselho de Ética sobre o pedido não tem prazo definido e dependerá da tramitação regimental na Casa.

Netanyahu e a guerra no Irã: “Chegaremos ao retorno do Messias”

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou na última sexta-feira (13) que a ofensiva militar em curso contra o Irã pode abrir caminho para o que descreveu como o “retorno do Messias”. A declaração foi feita durante pronunciamento público sobre os desdobramentos do conflito na região, no qual também estendeu ameaças diretas à nova liderança iraniana.

“Chegaremos ao retorno do Messias, mas isso não acontecerá na próxima quinta-feira”, declarou Netanyahu ao projetar o futuro de Israel e do Oriente Médio. Segundo o premiê, um dos passos necessários para esse cenário seria a reconstrução do antigo templo judaico em Jerusalém, o que, conforme admitiu, exigiria mudanças significativas no local onde atualmente se encontram o Domo da Rocha e a Mesquita de Al-Aqsa — terceiro local mais sagrado do islamismo.

Ameaças à liderança iraniana

Em sua primeira entrevista coletiva desde o início da guerra, realizada na quinta-feira (12), Netanyahu foi questionado sobre possíveis ações contra o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Hezbollah, Naim Qassem. O premiê respondeu com uma declaração contundente: “Eu não faria um seguro de vida para nenhum dos líderes das organizações terroristas”, afirmou, segundo agências internacionais .

Netanyahu referiu-se a Mojtaba Khamenei como um “fantoche da Guarda Revolucionária” e disse que o clérigo “não pode mostrar o rosto em público” . O novo líder iraniano assumiu o posto após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques conjuntos de Israel e Estados Unidos no dia 28 de fevereiro, que marcaram o início da ofensiva denominada por Washington como “Operação Fúria Épica” .

Objetivos da campanha militar

O premiê israelense delineou três objetivos centrais para a operação militar: impedir o Irã de obter capacidade nuclear, destruir seu programa de mísseis balísticos e “criar as condições para que o povo iraniano possa derrubar este regime cruel” . “Estamos desferindo golpes esmagadores na Guarda Revolucionária e no Basij, tanto nas ruas quanto nos postos de controle — e ainda estamos ativos”, declarou .

Netanyahu dirigiu-se diretamente à população iraniana: “O momento em que vocês poderão embarcar em um novo caminho de liberdade — esse momento está se aproximando. Estamos ao seu lado, estamos ajudando vocês. Mas, no final das contas, depende de vocês! Está em suas mãos” . Quando questionado novamente sobre a promoção de uma mudança de regime, o premiê recorreu ao provérbio: “Você pode levar alguém até a água, mas não pode obrigá-lo a beber” .

Repercussão regional

As declarações de Netanyahu ocorrem em meio à intensificação dos confrontos. No sábado (14), um ataque com mísseis atingiu a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, danificando sua infraestrutura, embora sem causar vítimas .

A Guarda Revolucionária do Irã emitiu no domingo (15) uma ameaça direta a Netanyahu, afirmando que continuará a persegui-lo “com toda a força enquanto ele permanecer vivo” e acusando o líder israelense de ser “assassino de crianças” .

A crise elevou a tensão nos mercados globais após o Irã fechar o Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial, elevando o preço do barril de Brent para mais de US$ 100. Netanyahu também destacou sua aliança com o presidente americano Donald Trump, com quem afirma conversar “quase todos os dias” para coordenar a estratégia conjunta. Com: Exibir Gospel.

Culto em universidade reúne mais de mil e 80 se rendem a Cristo

Cerca de mil estudantes participaram de um encontro de avivamento realizado durante várias noites em uma tenda no estado do Texas. O evento foi organizado pela Universidade Mary Hardin-Baylor e reuniu estudantes para momentos de adoração, oração e pregação.

Durante o encontro, dezenas de participantes relataram decisões relacionadas à fé cristã e ao chamado para o ministério.

Evento organizado por estudantes

A universidade, localizada em Belton e afiliada à Convenção Batista Geral do Texas, promoveu seu 27º encontro anual de avivamento em uma tenda.

O evento foi conduzido por estudantes e contou com música de adoração, mensagens bíblicas e momentos de oração coletiva.

Segundo o diretor de assuntos estudantis da instituição, Michael Burns, o planejamento começou ainda no ano anterior.

De acordo com ele, quatro líderes estudantis iniciaram a organização junto à divisão de Vida Estudantil da universidade. Posteriormente, um comitê formado por cerca de 20 estudantes passou a se reunir semanalmente para preparar o encontro.

“O movimento de avivamento religioso sempre fez parte da Universidade Mary Hardin-Baylor e da comunidade batista local, e assumiu diferentes formas ao longo da história”, afirmou Burns.

Tradição de avivamentos

Burns também recordou um episódio ocorrido em 1909 na comunidade acadêmica da instituição.

Na ocasião, um culto realizado na capela da universidade teria desencadeado um movimento espiritual significativo entre os estudantes.

Segundo o relato, no dia 20 de abril daquele ano, a direção da instituição decidiu cancelar as aulas após o culto. Ao final do dia, 104 alunas da então Baylor Female College haviam declarado conversão ao cristianismo.

“Um período de renovação parece ser uma parte significativa da nossa história como cristãos, então fazemos isso como parte dessa história”, explicou Burns.

Desde 1999, a universidade passou a realizar o encontro anual de avivamento em formato de vários dias sob uma grande tenda.

Segundo Burns, o modelo atual busca ampliar o tempo de culto, oração e acompanhamento espiritual.

“Este modelo enfatizou o culto prolongado, a oração, os pequenos grupos, o acompanhamento e a liderança estudantil — criando espaço para vários dias de envolvimento espiritual concentrado”.

Conversões

Entre os cerca de mil estudantes presentes no evento da semana passada, aproximadamente 80 afirmaram ter tomado decisões relacionadas à fé.

Segundo a organização, essas decisões incluíram declarações de fé em Cristo, renovação espiritual ou resposta a um chamado para o ministério.

“Minha esperança é que o poder do Evangelho tenha realmente transformado cada aluno”, declarou Burns.

“Todos nós reconhecemos que o mundo ao nosso redor está constantemente nos moldando, mas há uma beleza muito maior em entregar esse processo a Deus.”

Mensagens bíblicas

O principal palestrante do encontro deste ano foi Shane Pruitt. Ele atua como diretor nacional do programa Next Gen da Junta de Missões da América do Norte, ligada à Convenção Batista do Sul.

Pruitt afirmou que esta foi a segunda vez que participou como pregador no encontro anual de avivamento.

“Esta é uma escola e um evento excelentes”, disse. “Então, pregar e adorar com estudantes universitários, além de passar uma semana com minha filha e vê-la servir ao Senhor, é uma situação em que todos saem ganhando”.

As mensagens do evento tiveram como base a passagem bíblica de Livro de Isaías 64:8.

“Contudo, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro, tu és o oleiro; todos nós somos obra das tuas mãos”.

Participação ao longo das noites

Segundo Pruitt, a participação dos estudantes aumentou gradualmente durante os dias do encontro.

“Foi incrível”, afirmou, de acordo com informações do The Christian Post.

“Vimos alunos professarem sua fé em Jesus para a salvação, muitos outros se entregarem a um chamado para o ministério, liderança e missões em suas vidas, e outros se arrependerem, confessarem seus pecados e experimentarem a vitória e a liberdade em Cristo.”

Ele relatou que, na última noite, o número de participantes superou a capacidade inicial da tenda.

“A cada noite a multidão de estudantes universitários aumentava. Na última noite, havia cadeiras extras, e os estudantes não conseguiam caber debaixo da grande tenda”.

Pruitt concluiu afirmando que espera que os participantes tenham compreendido a mensagem central do encontro: “Todos nós somos chamados a ser moldados pelo Senhor. Nós não O moldamos para os nossos próprios interesses, Ele nos molda para a Sua missão”.

Pastor Tupirani causa polêmica ao defender o direito ao aborto

Fui uma das pessoas que mais divulgou a obra do Pr Tupirani aqui no X e reconheço que ele teve momentos de lucidez e coragem que nenhum líder religioso teve nesse século.

Mas a verdade deve ser dita: ele tem se posicionado como um literal anti cristo, com o agravante de ter um… https://t.co/vDku7ps95C

— Felipe Leme (@LEME12) March 15, 2026

Viralizou nas redes sociais um vídeo do pastor Tupirani da Hora Lores, líder da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, onde ele aparece em um podcast falando sobre o direito ao aborto. Na gravação, o religioso usa argumentos  de cunho social para sugerir que a morte deliberada de bebês no útero materno pode ser justificável.

A fala de Tupirani foi criticada nas redes sociais, onde muitos lembraram do histórico de declarações polêmicas do pastor. “A verdade deve ser dita: ele tem se posicionado como um literal anticristo, com o agravante de ter um grande conhecimento bíblico, o que caracteriza puro charlatanismo de quem se intitula como ‘o último Elias’”, comentou um internauta no “X”.

Em sua fala, o líder religioso disse que os evangélicos não deveriam criar uma lei para “proibir a pessoa de pecar”, uma vez que a responsabilidade moral no caso do aborto recai sobre a pessoa que comete o ato, a qual irá “prestar contas a Deus”.

Internautas discordaram da fala do religioso: “Não adianta pregar na porta da igreja ‘Bíblia sim, constituição não’ e sair por ai falando que feto não é vida e que tá de boa matar criança porque elas vão pro céu, relativizando a ponto de comparar com uso de drogas sob o argumento de livre arbítrio”, continuou o internauta.

“No fim do dia, neopentecostal uma hora ou outra coloca as garras de fora. Daqui adiante não endosso as palavras desse homem, nem como meme”, completou.

Quatro anos atrás, Tupirani chegou a ser condenado e preso por causa de declarações consideradas discriminatórias contra judeus e pessoas de outras religiões.

‘Salvo Pela Graça’: novo álbum de Davi Sacer é lançado

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O cantor e compositor Davi Sacer lançou o álbum “Salvo Pela Graça”, seu primeiro projeto distribuído pela Universal Music Christian Group.

O lançamento inclui também o vídeo da faixa-título, gravado ao vivo na Igreja Batista Atitude, no Rio de Janeiro, com direção de Filipe Dias.

Mensagem central da fé cristã

Segundo o cantor, o novo trabalho busca destacar a mensagem da graça como elemento central da fé cristã.

“Uma declaração de graça que busca marcar uma geração. ‘Salvo Pela Graça’ é um projeto que reafirma a essência da fé cristã com intensidade e profundidade. A faixa-título traduz a convicção de quem experimentou o amor redentor de Deus e vive marcado por essa verdade”, afirmou.

O álbum reúne 11 faixas e apresenta composições com características congregacionais, voltadas ao ambiente de adoração nas igrejas.

De acordo com a divulgação do projeto, as músicas foram desenvolvidas com foco em conduzir o público a momentos de adoração e reflexão espiritual.

A primeira faixa do novo projeto foi lançada em novembro de 2025. Na ocasião, o cantor apresentou a música Maior Valor, acompanhada de um vídeo oficial divulgado nas plataformas digitais.

O lançamento marcou o início da divulgação do álbum que agora chega ao público completo.

Trajetória na música gospel

Com mais de duas décadas de carreira, Davi Sacer é considerado um dos nomes mais conhecidos da música gospel brasileira.

O artista soma 21 anos de trajetória musical, sendo 11 anos dedicados à carreira solo.

Ao longo desse período, ele ultrapassou a marca de cinco milhões de discos vendidos e acumulou mais de um bilhão de reproduções em plataformas de streaming.

Produção musical

Antes da carreira solo, Sacer integrou grupos importantes do cenário gospel, como Toque no Altar e Trazendo a Arca.

Durante sua trajetória, o cantor participou da gravação de 12 CDs com músicas inéditas e quatro DVDs.

Os números nas redes sociais e serviços de streaming também refletem a popularidade do artista. No Instagram, o cantor reúne mais de 1,2 milhão de seguidores.

Seu canal no YouTube ultrapassa 232 milhões de visualizações e possui cerca de 494 mil inscritos. Já na plataforma Spotify, o artista registra aproximadamente dois milhões de ouvintes mensais.

Círculo de Oração se torna patrimônio cultural no Paraná

O Círculo de Oração foi reconhecido como patrimônio cultural de natureza imaterial do estado do Paraná. A homenagem ocorre no contexto dos 84 anos de existência do movimento de intercessão formado por mulheres evangélicas.

A medida foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná em 3 de março, por meio do projeto de lei 492/2025.

Reconhecimento oficial

A proposta foi apresentada pela deputada Mara Lima (Republicanos), em junho do ano anterior.

Após a aprovação pelos parlamentares, a lei foi sancionada pelo governador Ratinho Júnior, do Partido Social Democrático, em 5 de março.

Durante evento realizado no plenário da Assembleia, a deputada destacou a relevância do movimento de oração no estado.

“São mais de 1 milhão de mulheres que oram, intercedem pelo nosso estado e que muitas vezes não são reconhecidas. Oram pelos nossos filhos, pela nossa família, por aqueles que não têm quem os ajude. Elas são as primeiras a prestar apoio quando se trata de um momento difícil, de uma catástrofe ou de uma pandemia. Estão lá como voluntárias. Seu esforço é merecedor de reconhecimento”, afirmou.

Origem do movimento

O Círculo de Oração surgiu em 6 de março de 1942, na Igreja Assembleia de Deus em Recife (PE).

A iniciativa partiu da irmã Albertina Bezerra Barreto, que reuniu mulheres da igreja para orar pela cura de sua filha, Zuleide, que havia sido considerada sem chances de recuperação pelos médicos.

Segundo relatos, a menina acabou sendo curada após o período de intercessão.

A escolha do nome “Círculo de Oração” também tem origem em um episódio lembrado pela própria fundadora.

“Quando estávamos orando, me lembrei da mensagem e disse: Vamos circular os céus com as nossas orações”, relatou.

Expansão no Brasil

De acordo com a justificativa apresentada no projeto de lei, o gesto inicial deu origem a um movimento religioso que se expandiu por diferentes regiões do país.

“Esse gesto de fé originou um movimento que atravessou gerações e se espalhou por todo o país, tornando-se uma das mais relevantes expressões da espiritualidade evangélica”, afirmou Mara Lima no texto da proposta.

Atualmente, grupos de Círculo de Oração estão presentes em diversas denominações evangélicas e também em comunidades fora do Brasil. O movimento alcançou países como Argentina, Estados Unidos e Japão.

Testemunhos e repercussão

Durante o evento na Assembleia Legislativa, a coordenadora-geral da União das Esposas de Ministros das Assembleias de Deus do Paraná, Rozeli Santos Fontoura, comentou o papel da oração na prática cristã.

“A oração é a chave e nós temos essa chave. Há a chave da casa: é só chegar nela e abrir, não é? Nós temos a chave do Céu. Quando precisamos de alguma coisa, se tivermos fé, orarmos e pedirmos a Deus, recebemos”, declarou.

A teóloga e escritora Céfora Carvalho também comentou o reconhecimento do movimento.

“Esse é um lindo reconhecimento desse movimento de intercessão liderado por mulheres assembleianas há mais de oito décadas. Hoje, toda igreja Assembleia de Deus tem o seu Círculo de Oração”, afirmou em publicação nas redes sociais.

Ela também lembrou que, ao longo dos anos, participantes do movimento já foram alvo de críticas e apelidos.

“Essas mulheres já foram vítimas de chacota. O apelido ‘irmãs do coque’, que hoje é usado de forma carinhosa, veio primeiro como forma de zombaria pelo estilo dessas mulheres, pela forma como elas vivem sua fé. Então, é muito bonito ver esse reconhecimento externo”, comentou, de acordo com o portal Guia-me.

Aumento de casos de divórcio após os 50 anos gera desafio

O aumento de separações entre pessoas com mais de 50 anos tem chamado a atenção de especialistas e líderes religiosos. O fenômeno, conhecido como “divórcio cinza”, envolve casais que passaram décadas casados e decidem encerrar o relacionamento em fases mais avançadas da vida.

Dados recentes indicam que esse tipo de ruptura deixou de ser incomum e passou a integrar uma tendência crescente no Brasil.

Divórcio acima de 50 anos

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que o número de divórcios envolvendo pessoas com mais de 50 anos mais que triplicou em pouco mais de uma década.

Segundo registros civis analisados pelo instituto, em 2022 cerca de 31% das mulheres divorciadas tinham mais de 50 anos. Entre os homens, o percentual chegou a 23,3%.

Os números representam uma mudança significativa em comparação com décadas anteriores, quando essa faixa etária correspondia a uma parcela muito menor das separações formais.

Ciclos da vida conjugal

Para o pastor e terapeuta familiar Gilson Bifano, o crescimento do chamado divórcio cinza está relacionado às transformações naturais que ocorrem ao longo do casamento.

Segundo ele, muitos casais enfrentam o chamado ciclo do “ninho vazio”, momento em que os filhos já se tornaram independentes e deixam a casa dos pais.

“O casamento é constituído de ciclos, os chamados ciclos do casamento. O penúltimo deles é o ciclo do ninho vazio. São casais que já criaram os filhos e esses já saíram de casa”, explicou.

Bifano afirma que, em muitos casos, a relação conjugal acaba sendo colocada em segundo plano durante anos.

“Muitos casais que se divorciam viveram toda a vida em função dos filhos e, quando esses saem de casa, já não se reconhecem mais. Não investiram em si mesmos, no casamento, mas nos filhos”.

Aposentadoria e convivência diária

Outro fator apontado pelo terapeuta é a mudança na rotina causada pela aposentadoria.

Segundo ele, muitos casais passam décadas com rotinas profissionais que reduzem o tempo de convivência. Quando essa dinâmica muda, conflitos e diferenças podem se tornar mais evidentes.

“Vejo também um outro motivo: a aposentadoria. O casamento se manteve porque ambos passam a maior parte do tempo separados. Agora com a aposentadoria, percebem as incompatibilidades e não sabem administrar essas diferenças.”

Impacto sobre as novas gerações

De acordo com Bifano, o aumento de separações tardias também pode influenciar a percepção dos jovens sobre o casamento.

“Quando um jovem vê que seus pais se divorciam na fase tardia da vida, há naturalmente um ceticismo.”

Segundo ele, essa experiência pode reforçar a ideia de que relacionamentos duradouros são difíceis de manter.

“Pode gerar uma visão cética de que o amor ‘para sempre’ é uma ilusão e que o casamento é um empreendimento arriscado.”

Preparação dos casais

Para enfrentar o aumento das separações, o pastor defende que os casais recebam orientação ao longo de toda a vida conjugal.

“Precisamos capacitar os casais a viverem bem em todos os ciclos da vida conjugal”.

Ele afirma que o fortalecimento do casamento depende de diferentes aspectos do relacionamento: “O divórcio é uma epidemia, e os casais precisam tornar seus casamentos mais imunes. Isso acontece quando se fortalecem áreas como comunicação, intimidade, planejamento e espiritualidade.”

Bifano também ressalta o papel das igrejas no acompanhamento pastoral dos casais: Segundo ele, o cuidado não deve se limitar apenas aos recém-casados, mas incluir casais em todas as fases da vida.

“Casais precisam ser ajudados na construção da indissolubilidade do casamento, dos seus propósitos e da fidelidade conjugal. Os relacionamentos passam por altos e baixos, e os conflitos precisam ser enfrentados e resolvidos”, concluiu, segundo informações da revista Comunhão.

Patrões muçulmanos torturam cristão até a morte no Paquistão

Um jovem cristão de 21 anos morreu após sofrer tortura no Paquistão, em um caso que gerou indignação entre membros da comunidade cristã local. O crime ocorreu na quarta-feira (4) em uma fazenda situada no distrito de Sargodha, na província de Punjab.

A vítima foi identificada como Marcus Masih, que trabalhava na propriedade rural havia cerca de cinco anos. Segundo relatos da família, seus empregadores teriam tentado encobrir o crime simulando um suicídio por enforcamento.

Suspeitas após autópsia

De acordo com familiares, os empregadores informaram inicialmente que Marcus teria tirado a própria vida. Os proprietários da fazenda foram identificados como Muhammad Mohsin Kharal e Muhammad Basharat Kharal.

No entanto, a autópsia levantou suspeitas sobre essa versão. O exame indicou marcas de agressão severa, incluindo hematomas profundos e queimaduras, sinais que sugerem que o jovem teria sido torturado antes da morte.

O irmão da vítima, Dilshad Masih, afirmou que a família foi informada da morte de forma repentina e inicialmente acreditou na explicação apresentada pelos empregadores.

Pressão sobre a família

Segundo Dilshad, durante o processo de liberação do corpo houve pressão por parte de advogados ligados aos empregadores. Ele afirmou que a família foi orientada a assinar documentos em branco sob a justificativa de agilizar os procedimentos legais.

Somente após o corpo ser devolvido à família, os parentes perceberam evidências claras de violência.

Dilshad afirmou que Marcus nunca havia relatado maus-tratos no trabalho. Ainda assim, ele disse que os proprietários da fazenda possuíam reputação controversa na região.

O irmão contou que havia sugerido que Marcus deixasse o emprego e trabalhasse com ele, mas o jovem decidiu permanecer na fazenda.

Protesto por justiça

A morte provocou protestos entre cristãos da região. Dezenas de manifestantes bloquearam uma rodovia local, levando o corpo da vítima para o local como forma de exigir ação das autoridades.

O objetivo do protesto era pressionar a polícia a registrar oficialmente o caso e iniciar uma investigação criminal.

Após a manifestação, autoridades registraram um boletim de ocorrência e prometeram investigar o caso. Mesmo assim, a família afirmou temer que a influência social dos acusados possa interferir no andamento do processo.

Até o momento, não havia confirmação de prisões relacionadas ao caso.

Vulnerabilidade de minorias religiosas

Organizações de direitos humanos afirmam que o caso reflete os riscos enfrentados por minorias religiosas em regiões rurais do Paquistão.

Muitos cristãos vivem em condições de pobreza e trabalham em empregos informais sob controle de proprietários influentes. Essa situação pode dificultar denúncias de abusos ou violência.

Especialistas também destacaram que os ferimentos encontrados no corpo de Marcus indicam tortura intensa, além de uma possível tentativa de encobrir o crime simulando suicídio.

Relatórios sobre perseguição religiosa

O Paquistão frequentemente aparece em relatórios internacionais sobre perseguição religiosa. Um dos documentos mais citados é a Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborado pela organização Portas Abertas.

Segundo esses relatórios, cristãos no país enfrentam diversos desafios, incluindo discriminação, violência coletiva, conversões forçadas e exploração laboral.

Muitos desses casos, segundo especialistas, acabam sem punição devido a dificuldades na aplicação da lei e à pressão social em determinadas regiões.

A família de Marcus Masih afirma que busca assistência jurídica e pede uma investigação transparente para que a morte do jovem seja plenamente esclarecida, segundo o Morning Star News.

Congregação Cristã no Brasil é fonte de músicos para orquestras

A história da música erudita ocidental possui forte ligação com a fé cristã, especialmente com a tradição da Igreja Católica. No Brasil, denominações como a Congregação Cristã no Brasil e segmentos das Assembleias de Deus dão continuidade a essa tradição.

Durante séculos, diversas composições clássicas foram criadas no contexto do catolicismo com o objetivo de expressar devoção a Deus e fortalecer a espiritualidade dentro das igrejas.

Entre os exemplos históricos estão compositores como Antonio Vivaldi, que dedicou parte de sua produção musical à música sacra. No Brasil colonial, figuras como Frei Jesuíno do Monte Carmelo também contribuíram para a tradição musical religiosa.

Formação musical

Ao longo das últimas décadas, mudanças no cenário religioso e social do Brasil transformaram a origem de muitos músicos clássicos. Atualmente, um número significativo de instrumentistas que ingressam em orquestras brasileiras tem origem em igrejas evangélicas.

Na Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, por exemplo, entre 80% e 90% dos músicos possuem ligação com igrejas pentecostais, segundo o maestro Cláudio Cruz.

Grande parte desses músicos vem da Congregação Cristã no Brasil (CCB), uma das maiores igrejas evangélicas do país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a denominação tinha cerca de 2,29 milhões de fiéis em 2010, embora estimativas internas apontem números mais recentes próximos de 4,5 milhões de membros.

Tradição musical da CCB

A Congregação Cristã no Brasil possui uma forte tradição musical dentro de seus cultos. A denominação organiza grandes formações instrumentais que, em alguns momentos, chegaram a ser chamadas informalmente de uma das maiores orquestras religiosas do mundo.

Apesar da forte presença musical, a igreja mantém características bastante reservadas em sua estrutura. A instituição evita destaque individual, não promove líderes midiáticos e também não remunera músicos ou professores que participam das atividades musicais nos cultos.

Segundo Cláudio Moraes, essa prática reflete um princípio de humildade institucional: “Não há aqui reconhecimento do homem, do nome, da pessoa. Se o que temos veio de Deus, então a obra é de Deus, não daquele nome”, afirmou.

Jovens talentos

A influência das igrejas na formação musical pode ser observada em trajetórias de jovens músicos. Um exemplo é o violinista Jhony Santos, que iniciou sua formação musical ainda criança dentro da igreja.

Ele começou a frequentar a Congregação Cristã em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, e aos sete anos passou a estudar violino. Mesmo atuando atualmente em orquestras profissionais, continua participando de cultos religiosos.

Segundo o músico, tocar na igreja possui um significado diferente da prática musical profissional.

“Na igreja eu toco com o intuito de adorar. Ali não importa se alguém toca muito ou pouco, o importante é fazer música com o coração.”

Influência da Assembleia de Deus

Outra denominação importante na formação de músicos é a Assembleia de Deus, que possui mais de 12 milhões de fiéis, segundo dados do censo de 2010. Foi nessa igreja que a violinista Otielen Luz iniciou sua trajetória musical.

Ela começou a estudar música aos sete anos, inicialmente no teclado, e posteriormente passou para o violino. Mais tarde ingressou na Escola de Música do Estado de São Paulo, uma das principais portas de entrada para músicos que desejam atuar profissionalmente.

Mesmo com a carreira em desenvolvimento, Otielen continua participando da igreja, onde rege um coral de jovens adultos em Osasco.

Diferenças denominacionais

As regras musicais variam entre as denominações evangélicas. Na Assembleia de Deus, por exemplo, há maior liberdade para arranjos musicais e participação feminina em diferentes instrumentos.

Na Congregação Cristã, porém, existe uma divisão mais rígida. Mulheres costumam atuar exclusivamente como organistas, enquanto instrumentos de sopro e cordas são tradicionalmente tocados por homens.

Esse modelo acaba refletindo também nas orquestras profissionais. Na Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, por exemplo, apenas cerca de 22% dos músicos bolsistas são mulheres. O maestro Cláudio Cruz afirma que essa diferença proporcional é um desafio que ainda precisa ser melhor compreendido.

Projetos sociais

Especialistas apontam que o crescimento da presença evangélica na formação de músicos também está ligado ao aumento de projetos sociais mantidos por igrejas nas periferias urbanas.

Diversas instituições religiosas oferecem aulas gratuitas de música, coral e instrumentos, criando oportunidades para crianças e adolescentes que dificilmente teriam acesso a formação musical tradicional.

Um exemplo é a Associação Beneficente Projeto Elikya, que oferece atividades educativas, esportivas e musicais para cerca de mil crianças.

Outra iniciativa é a Fábrica de Artes da Igreja Batista da Lagoinha, localizada em Belo Horizonte, que oferece cursos de música, teatro e dança em um espaço com dezenas de salas de aula e um teatro próprio.

Também existem projetos como o Projeto Dorcas, que utiliza a música como ferramenta educacional para milhares de crianças e adolescentes.

Crescimento evangélico

O aumento dessas iniciativas ocorre paralelamente à expansão do número de evangélicos no país, conforme reportou a BBC.

De acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população que se declara evangélica cresceu de 21,6% em 2010 para 26,9% da população.

No mesmo período, a proporção de católicos diminuiu de 65,1% para 56,7%. Esse crescimento tem ampliado a presença das igrejas evangélicas em diversas áreas da sociedade brasileira — incluindo a formação de músicos que hoje ocupam espaços importantes nas orquestras e instituições culturais do país.

STF rejeita recurso e Universal sofre derrota em disputa de IPTU

O Supremo Tribunal Federal formou maioria na última quinta-feira, 12 de março, para rejeitar um recurso apresentado pela Igreja Universal do Reino de Deus em uma disputa contra a Prefeitura de Caruaru. O caso envolve a cobrança de IPTU sobre imóveis vinculados à instituição religiosa.

Com a decisão, permanece válido o entendimento do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que afastou a imunidade tributária aplicada a templos religiosos nesses bens específicos.

Julgamento no Supremo

O processo está sendo analisado no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal. O recurso da igreja questiona uma decisão individual do ministro Edson Fachin, que já havia mantido a decisão do tribunal pernambucano.

Até o momento, acompanharam o voto do relator os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, André Mendonça e Flávio Dino.

Os demais ministros da Corte ainda podem registrar seus votos até o encerramento da sessão virtual, previsto para sexta-feira (13).

Motivo da cobrança

A disputa judicial começou quando a prefeitura de Caruaru passou a cobrar IPTU sobre imóveis ligados à Igreja Universal na cidade.

Segundo o município, os imóveis não estavam sendo utilizados para atividades religiosas, o que impediria a aplicação da imunidade tributária prevista pela Constituição para templos e instituições religiosas.

Ao analisar o caso, o Tribunal de Justiça de Pernambuco concluiu que os imóveis estavam abandonados desde 2019 e sem qualquer atividade religiosa registrada no local.

No processo, a prefeitura apresentou relatórios de fiscalização, fotografias e registros administrativos que indicariam a ausência de cultos ou outras atividades da igreja nos imóveis.

Entendimento da Justiça

Com base nas provas apresentadas, o tribunal estadual entendeu que os bens não atendiam aos requisitos necessários para usufruir da imunidade tributária.

A Constituição brasileira garante que templos religiosos não sejam tributados, desde que os bens estejam vinculados às finalidades essenciais da instituição religiosa.

No entanto, o tribunal avaliou que esse vínculo não estava comprovado no caso analisado.

Argumentos da igreja

A Igreja Universal recorreu ao Supremo Tribunal Federal alegando que a decisão violaria a liberdade religiosa e a imunidade tributária garantida pela Constituição.

A instituição também argumentou que a jurisprudência do STF costuma reconhecer imunidade para patrimônios de entidades religiosas mesmo quando eles não estão diretamente utilizados em atividades religiosas.

Ao analisar o recurso, o ministro Edson Fachin decidiu manter a decisão do tribunal pernambucano.

Em seu voto, ele afirmou que modificar o entendimento exigiria reavaliar provas e fatos do processo, o que não é permitido nesse tipo de recurso.

“Mantenho a decisão agravada por seus próprios fundamentos e voto para que seja negado provimento ao presente agravo regimental”, escreveu o ministro.

Com a formação de maioria no STF, a tendência é que a decisão seja confirmada definitivamente, mantendo a cobrança do imposto municipal sobre os imóveis da igreja em Caruaru, segundo informações da revista Comunhão.

Linha do tempo do caso

2019 — Imóveis deixam de ter atividades religiosas

Fiscalizações municipais apontam que imóveis ligados à Igreja Universal em Caruaru passaram a permanecer sem uso para cultos ou atividades da igreja.

2019–2020 — Prefeitura inicia cobrança de IPTU

O município sustenta que, sem uso religioso, os imóveis não podem se beneficiar da imunidade tributária prevista na Constituição.

Ação judicial da igreja

A Igreja Universal contesta a cobrança e afirma que seu patrimônio deve ser protegido pela imunidade tributária garantida às instituições religiosas.

Decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco

O TJ-PE entende que os imóveis estavam abandonados e confirma a cobrança do imposto municipal.

Recurso ao Supremo Tribunal Federal

A igreja recorre ao STF alegando violação à liberdade religiosa e à imunidade tributária constitucional.

20 de janeiro de 2026 — Decisão individual no STF

O ministro Edson Fachin mantém a decisão do tribunal pernambucano e rejeita o recurso apresentado pela instituição.

Março de 2026 — Novo recurso interno

A Igreja Universal apresenta novo recurso dentro do STF.

12 de março de 2026 — Formação de maioria no STF

Ministros acompanham o relator e votam para negar o recurso da igreja, mantendo a cobrança de IPTU sobre os imóveis em Caruaru.