Na China, para estudar a Bíblia, jovens precisam fugir da Polícia

Da Wei, de 40 anos, é líder de jovens na China e pai de quatro filhos. Ao longo de sua trajetória ministerial, ele precisou fugir quatro vezes para continuar pregando o Evangelho e proteger o grupo de jovens sob sua liderança.

Nascido em uma família não cristã na zona rural, ele conheceu a mensagem de Jesus ainda no Ensino Médio e decidiu se converter. Desde então, passou a frequentar todos os cultos possíveis e a estudar a Bíblia com dedicação. Aos 20 anos, tomou a decisão de se dedicar integralmente ao ministério cristão.

Em uma ocasião, Da Wei organizou um acampamento para cerca de 100 jovens e adolescentes com idades entre 16 e 20 anos. “Eu me lembro de estar cantando com os acampantes, quando, de repente, um grupo de policiais entrou no local e nos interrompeu. Eu fui preso por 17 dias e multado em 990 dólares. Cada participante também foi multado entre 28 e 70 dólares. Graças a Deus, a igreja conseguiu cobrir o valor das multas de todos que não podiam pagar”, relatou.

Mesmo após o episódio, ele continuou servindo e estudando sobre evangelismo. Nesse período, idealizou um grupo missionário voltado à evangelização de jovens chineses, surgindo assim o movimento chamado Viajantes. O grupo tem como foco atender crianças e adolescentes marginalizados, oferecendo educação e acompanhamento espiritual. Atualmente, o projeto atende cerca de 50 estudantes com média de 14 anos de idade. Aproximadamente metade deles provém de famílias em situação de vulnerabilidade ou foi rejeitada nas escolas por mau comportamento.

Da Wei e sua equipe oferecem não apenas ensino, mas também um ambiente seguro e acolhedor, onde os jovens podem se recuperar emocionalmente e crescer na fé cristã. No entanto, as pressões das autoridades locais têm sido constantes. Em um único ano, o Viajantes precisou mudar de endereço quatro vezes para preservar a segurança dos participantes. O líder relatou que, diante das dificuldades, chegou a se sentir desanimado: “Senhor, eu quero desistir agora. Não é que eu não queira continuar, mas nós não conseguimos encontrar nenhum lugar para ficar”, orou, comparando sua situação à experiência do profeta Elias.

Organizações cristãs internacionais, entre elas a Portas Abertas, tomaram conhecimento da história de Da Wei e ofereceram apoio, incluindo um local seguro e treinamento para que o grupo pudesse continuar suas atividades. Segundo os parceiros do projeto, alguns dos jovens que concluíram os estudos no Viajantes hoje atuam como missionários dentro e fora da China. Para Da Wei, o resultado demonstra que, mesmo diante da perseguição, o evangelho continua encontrando caminhos para alcançar e transformar vidas.

Extremistas decapitam mais de 30 cristãos em Moçambique

Mais de 30 cristãos foram mortos em uma série de ataques no norte de Moçambique atribuídos ao grupo Estado Islâmico da Província de Moçambique (ISMP). Os incidentes ocorreram no final de setembro em diversas aldeias das províncias de Cabo Delgado e Nampula, onde os agressores incendiaram igrejas e residências.

Segundo o Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (MEMRI), o grupo divulgou 20 imagens mostrando execuções, tiroteios e incêndios.

O ISMP reivindicou responsabilidade por múltiplos ataques realizados durante a última semana de setembro. Entre eles, a decapitação de dois cristãos em Chiure-Velho, no distrito de Chiure, em 26 de setembro, e o ataque à aldeia de Nacocha em 27 de setembro, que resultou na morte de um cristão e na destruição de duas igrejas. No mesmo dia, os militantes incendiaram outras duas igrejas em Nacussa, também em Chiure.

Em 28 de setembro, combatentes invadiram a cidade de Macomia, matando quatro cristãos e saqueando propriedades, conforme divulgado pelo próprio grupo. No dia seguinte, o ISMP informou ter decapitado um cristão no distrito de Macomia. Em 30 de setembro, o grupo relatou um novo ataque à aldeia de Nakioto, no distrito de Memba, província de Nampula, onde mais de 100 casas e uma igreja foram incendiadas. Na aldeia vizinha de Minhanha, dez casas e outra igreja foram destruídas.

De acordo com o portal Defense Post, moradores locais relataram que homens armados invadiram comunidades por volta das 20h, matando quatro pessoas e sequestrando outras quatro, incluindo uma mulher e suas duas filhas. Outro residente afirmou que um jovem foi executado após se recusar a entregar os pertences do pai.

A Africa Defense Forum informou que a recente escalada da violência levou à intensificação da cooperação militar entre Moçambique e Ruanda. Em 27 de agosto, os ministros da Defesa dos dois países, Cristóvão Artur Chume e Juvenal Marizamunda, assinaram em Kigali um acordo sobre o estatuto das forças, ampliando o destacamento das tropas ruandesas na província de Cabo Delgado.

Segundo o Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (ACLED), o ISMP realizou ataques em seis distritos moçambicanos em setembro, entre Balama e Mocímboa da Praia. Em um ataque raro ocorrido em 7 de setembro em Mocímboa da Praia, militantes teriam percorrido as casas para identificar suas vítimas. Este foi o segundo ataque desse tipo desde setembro de 2021.

Em 12 de setembro, líderes militares de Moçambique e Ruanda se reuniram em Pemba para avaliar as operações conjuntas. As autoridades ruandesas afirmaram que o objetivo foi medir o progresso na estabilização das áreas afetadas e reforçar esforços coordenados para restaurar a paz. O grupo já havia lançado ataques simultâneos em julho, quando cerca de 60 combatentes invadiram os distritos de Ancuabe e Chiure sem resistência significativa.

Um relatório do ACLED, publicado em agosto, descreveu a movimentação do ISMP em Chiure como uma expansão tática, destacando que a campanha de propaganda dos militantes manteve a percepção de força, embora a ONU tenha estimado no início de 2024 que o número de combatentes havia caído de 2.500 para 280.

As forças ruandesas, presentes em Cabo Delgado desde julho de 2021, continuam a apoiar as operações de contra-insurgência moçambicanas. Uma atualização divulgada em agosto pela empresa de análise Grey Dynamics relatou que o grupo extremista tem operado a partir dos distritos centrais de Cabo Delgado, avançando em direção ao sul e enfrentando pouca resistência ao longo da rodovia Macomia–Awasse. O ministro da Defesa moçambicano reconheceu que as operações recentes não conseguiram conter o avanço dos insurgentes.

A intensificação dos ataques provocou o deslocamento de pelo menos 50 mil pessoas do distrito de Chiure nas últimas semanas, segundo dados da ONU. Relatos também apontam sequestros e recrutamento forçado em comunidades isoladas. A organização Médicos Sem Fronteiras suspendeu suas atividades em Mocímboa da Praia e iniciou uma resposta de emergência para atender milhares de deslocados instalados em acampamentos em Chiure.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que mais de 46 mil pessoas foram deslocadas em apenas oito dias no final de julho, sendo cerca de 60% delas crianças. Desde o início da insurgência, em 2017, o conflito no norte de Moçambique já causou a morte de aproximadamente 6.200 pessoas.

Os ataques também interromperam, em 2021, o projeto de gás natural de US$ 20 bilhões da TotalEnergies na região de Palma, após ofensivas que deixaram mais de 800 mortos. A empresa francesa enfrentou uma ação judicial em 2023, movida por subcontratadas e familiares das vítimas.

De acordo com o The Christian Post, as Nações Unidas estimam que mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas desde o início do conflito, em decorrência da violência extremista, da seca prolongada e de desastres climáticos recorrentes no norte do país.

Filipinas: igrejas levam ajuda em meio à devastação de terremoto

A ajuda humanitária começou a chegar às Filipinas, mas ainda não alcança todas as regiões afetadas. De acordo com líderes locais, o papel das igrejas tem sido essencial para levar assistência às comunidades isoladas. Os contatos mantidos por fiéis em áreas remotas estão se mostrando decisivos na resposta ao desastre.

Mais de 500 mil pessoas foram atingidas pelo terremoto de magnitude 6,9 que sacudiu a província de Cebu na semana passada. Deslizamentos de terra e crateras provocadas pelo tremor principal e pelos abalos subsequentes continuam dificultando o acesso das equipes de socorro.

Segundo Herman Moldez, representante da organização A3, “a maioria das respostas [de ajuda] está em andamento em San Miguel e Bogo [Cidade], mas há igrejas nas montanhas das aldeias, e elas não estão sendo alcançadas porque é difícil ir até lá”.

Moldez explicou que, mesmo sem recursos, pastores locais permanecem junto às vítimas, oferecendo apoio espiritual. “Eles não têm os recursos, mas estão apenas estando com as pessoas, orando, encorajando e apoiando-as”, afirmou.

As autoridades filipinas informaram que mais de 23 mil pessoas permanecem deslocadas e não podem — ou não desejam — retornar às suas casas. Uma cidade de tendas foi instalada em Bogo City para abrigar as famílias que perderam suas residências. “No momento, ainda há muitos tremores secundários acontecendo, então a maioria das pessoas não está voltando para suas casas. Alguns perderam suas casas e estão dormindo nas ruas”, relatou Moldez.

As chuvas sazonais das monções também têm dificultado as operações de socorro, embora a situação climática pudesse ter sido mais grave. “Somos muito gratos a Deus por o tufão não ter passado por aquela área. Fica ao norte, bem longe, então não complicou [os esforços de socorro]”, destacou Moldez, de acordo com o Mission News Network.

Oportunidade para o Evangelho

A organização A3 atua na capacitação de líderes cristãos em diversos países da Ásia. Nas Filipinas, seus pastores parceiros trabalham com o Conselho Filipino de Igrejas Evangélicas, levando ajuda humanitária e mensagem de fé às comunidades afetadas.

“Na maioria das vezes, esta é uma oportunidade para as pessoas começarem a pensar sobre [seu] relacionamento com Deus”, afirmou Moldez. Segundo ele, “as Filipinas são um país muito religioso, predominantemente católico, então é uma oportunidade de ajudá-los a entender o que o Evangelho significa”.

Moldez pediu orações para que as entregas de ajuda humanitária cheguem a todos os locais remotos e pela segurança dos voluntários que enfrentam terrenos acidentados. “Orem pelos pastores, para que eles saibam como ministrar e guiar [as pessoas] e o Senhor use isso como um meio de criar um reavivamento espiritual na vida das pessoas”, disse.

As igrejas locais também planejam ações voltadas à cura emocional e recuperação pós-desastre. “Uma das coisas que serão necessárias é a reabilitação contínua dessas pessoas, o que chamamos de cura do trauma. Muitas pessoas ainda sentem medo sempre que há um tremor secundário; elas apenas tremem”, concluiu Moldez.

Irã: crianças cristãs precisam fingir serem muçulmanas nas escolas

Crianças cristãs no Irã têm enfrentado desde cedo o desafio de equilibrar duas realidades distintas: a fé ensinada em casa e o sistema educacional rigidamente moldado pelo islamismo. Nas escolas, onde o Alcorão é central, elas precisam recitar orações islâmicas e estudar versões adaptadas de histórias bíblicas. Em casa, seus pais procuram ensiná-las o Evangelho de forma discreta e segura.

Segundo Lana Silk, diretora-executiva da missão Transform Iran, todo o sistema educacional iraniano é fortemente marcado por elementos religiosos. “Todo material tem um toque islâmico. Mesmo que você esteja estudando matemática ou artes”, afirmou em entrevista ao Mission Network News.

Além das disciplinas convencionais, os alunos frequentam aulas de religião e de árabe, destinadas a ensinar as orações islâmicas — conhecidas como Namaz — e reforçar a identidade muçulmana. Lana observou que até histórias bíblicas tradicionais são modificadas para se ajustarem à perspectiva islâmica. “Eles precisam ser capazes de falar sobre a versão islâmica na escola, participar e fingir que essa é a realidade deles — tudo isso mantendo as diferenças claras em suas mentes e sem misturá-las. É muita pressão para as crianças”, explicou.

Em casa, os pais procuram fortalecer os filhos na fé cristã, embora muitos careçam de preparo teológico. Para suprir essa lacuna, a Transform Iran desenvolve materiais bíblicos infantis e programas de apoio familiar. “Temos muitos ministérios focados em crianças e criamos recursos voltados para elas, a fim de dar aos pais as ferramentas necessárias para incutir essas bases em seus filhos desde cedo, para que cresçam sabendo a verdade”, disse Lana.

O ministério também organiza encontros reservados entre pequenos grupos familiares, conduzidos por professores capacitados. Essas reuniões, realizadas a cada poucas semanas, utilizam conteúdos bíblicos adaptados às diferentes idades. Segundo Lana, mesmo sob forte pressão, muitas crianças distinguem com clareza o contraste entre o ambiente escolar e o lar cristão. “Eles experimentam o amor de Deus muito cedo em suas vidas em lares cristãos e, particularmente no clima tóxico do Irã, eles reconhecem que em casa há alegria e paz — algo que falta fora de seu lar”, declarou.

Entretanto, a tensão de viver entre dois mundos tem causado impactos emocionais significativos. De acordo com Lana, muitas crianças enfrentam ansiedade, depressão e baixa autoestima enquanto tentam conciliar o ensino islâmico com a fé aprendida em casa. “Elas precisam das suas orações. Ore para que os pais iranianos guiem sabiamente seus filhos através da tensão emocional do ambiente em que vivem. Ore para que as crianças se apeguem à Verdade que conhecem em casa”, concluiu.

A Transform Iran foi fundada em 1991 pelos pastores iranianos Maggie e Lazarus Yeghnazar, com o propósito de compartilhar o Evangelho entre os iranianos. Desde então, segundo a organização, mais de 100 mil pessoas decidiram seguir a fé cristã e milhares de líderes foram capacitados. A missão atua na pregação, plantação de igrejas, discipulado de novos convertidos, tradução de Bíblias e fortalecimento do corpo de Cristo no país.

Índia vê 5 mil pessoas aceitando Jesus diariamente, dizem líderes

Após 15 anos, cerca de 450 líderes cristãos de diferentes regiões da Índia se reuniram em Nagpur para o Congresso Nacional “Igreja em Missão” (AICOCIM) 2025, promovido pela Evangelical Fellowship of India (EFI). O evento, realizado em setembro, superou as expectativas iniciais de aproximadamente 300 participantes e contou com representantes de diversas denominações e setores, como educação, saúde e ministério pastoral.

O congresso marcou um momento de reflexão e renovação espiritual, abordando o crescimento contínuo da Igreja na Índia, que, segundo líderes locais, ganha entre 3 mil e 5 mil novos seguidores de Jesus diariamente.

Durante a sessão de abertura, o secretário-geral da EFI, reverendo Vijayesh Lal, apresentou a mensagem intitulada “Um chamado à clareza e à fidelidade”, destacando o significado espiritual do encontro. “Este é um tempo kairos — um momento em que Deus convoca Seu povo à atenção, ao arrependimento e à coragem”, afirmou. “Nossa esperança não está em tempos favoráveis nem em nossas forças, mas em Cristo, que venceu a morte. Por isso, não seremos abalados”.

A programação incluiu plenárias e consultas distribuídas em treze eixos estratégicos, entre eles missão, educação teológica, liderança feminina e discipulado. Durante o evento, também foi lançado o “Manual de Resiliência para Igrejas”, material elaborado para apoiar congregações que enfrentam contextos de crise e desafios sociais.

Desafios e perspectivas

Uma das particularidades desta edição foi a ausência de palestrantes internacionais. Segundo os organizadores, a decisão contribuiu para um ambiente de diálogo mais contextualizado à realidade indiana, promovendo trocas genuínas entre líderes locais.

Os participantes discutiram temas considerados essenciais para o futuro da Igreja na Índia, como a ampliação da representatividade feminina na liderança eclesiástica, a renovação geracional de pastores e líderes, e o enfrentamento do sistema de castas, apontado como incompatível com os princípios cristãos de igualdade e amor ao próximo.

Outros debates abordaram novas oportunidades de atuação cristã em áreas emergentes, incluindo o cuidado com a saúde mental, o combate à solidão e a atenção integral ao ser humano. “Podemos fazer a diferença ao demonstrar o amor de Cristo, especialmente a quem ninguém mais alcança”, declarou um dos palestrantes durante uma das sessões plenárias.

O jornalista Timothy Goropevsek, editor do Christian Daily e observador do congresso, avaliou o encontro como um marco para o movimento evangélico indiano. “Foi um privilégio testemunhar líderes discutindo como levar o Evangelho a uma nação de 1,4 bilhão de pessoas — um sexto do mundo. Saí encorajado e profundamente grato pelo que Deus está fazendo na Índia”.

Lula fica insatisfeito com indicado de Trump para reuniões

Lula (PT) declarou que pediu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que mantenha um diálogo com o Brasil “sem preconceito”. A afirmação foi feita após o republicano, crítico do governo brasileiro, ser nomeado pelo presidente Donald Trump para conduzir as negociações referentes à tarifa de 50% imposta sobre produtos brasileiros.

Durante entrevista ao Grupo Mirante, no Maranhão, Lula afirmou ter feito o pedido diretamente a Trump, em uma conversa telefônica entre ambos. “Eu pedi para ele [Trump] dizer ao Marco Rubio para conversar com o Brasil sem preconceito, porque pelas entrevistas que ele deu há um certo desconhecimento sobre o país”, disse o presidente.

O deputado federal exilado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) elogiou a escolha de Rubio para liderar as tratativas comerciais. “Não complica o Brasil, nos ajuda! O secretário Rubio conhece bem a América Latina. Sabe muito bem como funcionam os regimes totalitários de esquerda na região. Sabe como o Judiciário foi instrumentalizado como ferramenta de perseguição política. Ele não cairá nesse papo furado do regime, de independência de um judiciário aparelhado. A escolha do presidente Donald Trump só complica o regime de exceção. Golaço!”, escreveu em sua conta na plataforma X.

Do lado brasileiro, a negociação está sob responsabilidade do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A expectativa é que Rubio se reúna inicialmente com autoridades norte-americanas e, posteriormente, entre em contato com representantes do governo brasileiro.

Lula acrescentou que, apesar da presença de mediadores, pretende manter comunicação direta com o presidente norte-americano. “Se for uma coisa que precisar envolver mais gente, eu vou envolver, porque não sou eu que faço as negociações. Mas quando eu tiver um assunto político grave e eu tiver que tratar com o presidente Trump e ele comigo, a gente não vai precisar ficar esperando que a burocracia, que a liturgia, marque uma data. Não. A gente pega o telefone, liga um para o outro e coloca o assunto na mesa”, declarou.

A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros foi anunciada em agosto e entrou em vigor no dia 06 daquele mês. Em carta enviada ao governo brasileiro, Trump justificou a medida como uma tentativa de “corrigir as graves injustiças do sistema comercial” e associou o aumento das taxas ao que classificou como “perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e “ataques à liberdade de expressão”.

O governo brasileiro reagiu de forma crítica, afirmando que a justificativa apresentada por Washington é “falsa”. Lula reforçou que “é falsa a informação sobre o alegado déficit norte-americano” e destacou que o “Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”. Em resposta, o Planalto avaliou a possibilidade de adotar medidas de retaliação com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a decisão dos Estados Unidos afeta 35,9% das mercadorias exportadas ao país, correspondendo a cerca de 4% das exportações brasileiras. Para mitigar os prejuízos, o governo anunciou um plano de contingência com uma linha de crédito de R$ 30 bilhões voltada a produtores atingidos e o início de tratativas com novos parceiros comerciais.

Quem é Marco Rubio?

Marco Rubio, de origem cubana, é reconhecido por suas posições conservadoras e por seu interesse na política latino-americana. O político aproximou-se da família Bolsonaro em 2018, quando conheceu o então deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em uma visita aos Estados Unidos. Em 2020, reuniu-se com o então presidente Jair Bolsonaro e elogiou o que chamou de “nova era da política brasileira”.

Desde que assumiu o cargo de secretário de Estado, Rubio tem feito críticas recorrentes ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente após a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. À época, o republicano classificou a atuação da Corte como uma “caça às bruxas”.

Nascido em Miami, em 1971, Rubio é filho de imigrantes cubanos. Formado em Ciências Políticas pela Universidade da Flórida, iniciou sua carreira como deputado estadual e foi eleito senador em 2010, permanecendo no cargo até 2025. Entre 2015 e 2016, disputou as primárias republicanas contra Donald Trump, recebendo o apelido de “Little Marco”, mas posteriormente tornou-se um dos aliados mais próximos do ex-presidente.

Atualmente, Marco Rubio ocupa o posto de secretário de Estado dos Estados Unidos, um dos cargos de maior influência no governo norte-americano. Cabe a ele conduzir uma das negociações diplomáticas mais sensíveis entre Washington e Brasília dos últimos anos.

Não complica o Brasil, nos ajuda! O Secretário Rubio @SecRubio conhece bem a América Latina. Sabe muito bem como funciona os regimes totalitários de esquerda na região.

Sabe como o Judiciário foi instrumentalizado como ferramenta de perseguição política. Ele não cairá nesse papo… pic.twitter.com/JhEVAAcvhv

— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) October 6, 2025

Grazi Massafera afirma que amante é parte da família tradicional

A atriz Grazi Massafera participou, na manhã de 07 de outubro, do programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga na TV Globo. Durante a entrevista, a artista fez um comentário irônico sobre o conceito de “família tradicional”.

“É a família tradicional: mamãe, papai, filhinho e amante. Olha o veneno da Arminda! Olha o veneno!”, afirmou Grazi, em referência à personagem que interpretará na próxima novela das 21h, Três Graças, cuja estreia está prevista para 20 de outubro. Na trama, a atriz dará vida a uma vilã.

Nos comentários de um vídeo publicado no Instagram, a personal trainer e influencer cristã Bella Falconi rebateu a declaração da atriz: “É impressionante como as pessoas feridas, ferem. As pessoas não curadas, projetam suas frustrações no mundo. E viva a família tradicional, projeto de Deus!”

A declaração de Massafera foi associada, nas redes sociais, ao recente posicionamento da jornalista Milly Lacombe, que também fez críticas ao modelo de “família tradicional”. As falas da jornalista geraram ampla repercussão e reações negativas entre grupos que defendem valores conservadores, levando ao cancelamento de sua participação em uma feira literária.

Durante o podcast em que se manifestou, Milly declarou: “Eu não quero falar contra o amor romântico, mas eu vou falar contra o amor romântico. Porque eu passei a vida, desde os 16 anos, a gente fica vendo esses filmes, né, de que o objetivo da mulher é casar. A mulher tem que casar e que aí o filme acaba. A cena mais feliz da vida dela é o casamento”.

A jornalista acrescentou que esse modelo restringe as perspectivas feministas: “Os filmes deveriam começar com essa cena. Porque dali é pra baixo, gente […] Eu estou super contra a monogamia, super contra o amor romântico. Eu acho que esse negócio de família tá f*** a gente. Família é um núcleo produtor de neuroses”.

Em seguida, completou com uma crítica ao viés conservador: “Família tradicional, branca, conservadora, brasileira. Gente, isso é um horror. É a base do fascismo. Falemos a verdade”.

Jerusalém sediou evento de intercessão que contou com o Brasil

Entre os dias 22 de setembro e 6 de outubro, Jerusalém sediou um encontro de intercessão e adoração que reúne cristãos de diversas nacionalidades, incluindo o Brasil. O evento é organizado por Tom e Kate Hess através da Casa de Oração de Jerusalém para Todas as Nações (JHOPFAN).

Um dos focos especiais desta edição tem sido o Brasil, com participação de líderes religiosos brasileiros. Tom Hess, anfitrião do evento, iniciou as orações pelo país compartilhando o que descreveu como uma visão divina sobre a América Latina.

“O Senhor me mostrou que deseja trazer um movimento de avanço espiritual que se estenderá da Bolívia até o Brasil, passando por Honduras, México, Nicarágua e Cuba”, afirmou Hess. “Haverá um grande avivamento, pois embora existam muitos cristãos na América Latina, muitos ainda enfrentam governos corruptos e injustos.”

Hess destacou o papel do Brasil no contexto religioso global: “As duas maiores comunidades evangélicas em crescimento no mundo hoje estão na China e no Brasil. O próximo ano será um tempo de avanço para a nação. Antes da pandemia, o Brasil foi o país que mais visitou nossa Casa de Oração em Jerusalém.”

Testemunhos e Declarações Proféticas

Entre os participantes brasileiros, a cantora Ana Paula Valadão compartilhou experiências pessoais ligadas a Jerusalém. Ela relatou ter descoberto sua segunda gravidez durante uma visita anterior à cidade.

“Meu marido comprou um teste de gravagem em uma farmácia local, sem falar hebraico, e o resultado foi positivo aqui em Jerusalém”, contou. “Um motorista judeu me explicou que Benjamim, nome que escolhemos, significa ‘o último’, confirmando que seria nosso último filho.”

Valadão também mencionou dificuldades passadas: “Em 2015, enfrentei forte oposição no Brasil, mas entendemos depois que Deus tinha um propósito. Hoje, declaro bênçãos para as mulheres de Deus.”

O pastor Joel Engel proferiu palavras que classificou como proféticas sobre o Brasil, baseando-se em significados das letras hebraicas que compõem o nome do país.

“Em nome do Brasil, rejeitamos todo decreto do inimigo”, declarou Engel. “Todo ato do governo brasileiro contra Israel nós quebramos hoje aqui, em nome de Jesus! Declaramos: o Brasil ama Israel!”

Engel realizou ainda um gesto simbólico de reconciliação: “Eu sou o Brasil, e em nome da nação eu peço: Israel, perdoe o Brasil por ter rejeitado vocês. Pedimos a Deus: retire o governo maligno e estabeleça sobre o Brasil um governo de Deus!”

O evento continuou com uma programação diária de adoração e intercessão pelas nações, sendo um exemplo de intercessão em prol da população mundial.

Filme ‘Soul on Fire’: o caso do menino com corpo 100% queimado

John O’Leary sobreviveu a queimaduras em 100% do corpo aos 9 anos e perdeu os dedos, após os médicos lhe darem 1% de chance de vida. A família enfrentou o quadro com oração e apoio comunitário, e O’Leary decidiu seguir adiante. Essa trajetória é o eixo de Soul on Fire, longa da AFFIRM Films dirigido por Sean McNamara (Soul Surfer, Reagan), com estreia nacional em 10 de outubro.

O filme apresenta a história real de resiliência e fé de O’Leary e destaca personagens comuns que influenciaram sua recuperação. Joel Courtney (Jesus Revolution) interpreta o jovem O’Leary, enquanto John Corbett (Casamento Grego) vive o pai, Dennis (Denny). William H. Macy e DeVon Franklin completam o elenco.

As filmagens ocorreram em St. Louis, cidade onde O’Leary reside, e a obra é baseada em seu livro best-seller, que sustenta a ideia de que escolher a vida e a esperança é uma decisão cotidiana.

“Escolher a vida é uma escolha”, disse Joel Courtney em entrevista. “John fala muito sobre a vida de vencedor ou de vítima que ele poderia ter escolhido, como Denny lhe contou. Você não escolhe o caminho que trilha, mas escolhe como trilha. E eu acho que isso é algo que John escolhe todos os dias. Ele escolhe amar, viver todos os dias. Isso é muito importante para ele, e sair para o mundo e compartilhar seu coração e sua história, assim que começou a dar palestras, foi simplesmente um ponto de inflexão em sua vida”.

A narrativa acompanha O’Leary do acidente na infância aos anos de faculdade, período em que ele manteve uma postura confiante em público, mas escondia a dor por meio de festas, sinalizando o trauma ainda presente. Courtney, que é cristão, afirmou que a preparação envolveu compreender a tensão entre vergonha e graça. “Ele era aquele cara divertido e festeiro que dizia: ‘Estou bem, não tem nada para ver aqui’”, disse o ator. “Mas, no fundo, ele estava se escondendo do mundo. Me colocar naquelas circunstâncias, tentar entender como é viver com aquele tipo de cicatriz e ainda aparecer, foi a parte mais difícil”.

Segundo o relato apresentado, o apoio da melhor amiga — hoje esposa —, Beth, somado às orações e à presença constante da família, alterou a trajetória de O’Leary. Atualmente, ele é autor de best-sellers, pai de quatro filhos e palestrante, utilizando sua experiência para incentivar outros a identificar um propósito.

O’Leary indicou que desejava um filme centrado nos “heróis” ao seu redor, que o impulsionaram a lutar pela vida apesar das feridas. DeVon Franklin interpreta o enfermeiro Roy, profissional que, segundo a história, motivou O’Leary física e emocionalmente na reabilitação.

“O enfermeiro Roy tinha a visão de que ou você lida com essa dor agora ou lida com a dor de nunca mais poder andar”, disse Franklin. “As Escrituras dizem para amar o próximo como a si mesmo; esse é um dos mandamentos. Quando você olha para o enfermeiro Roy e todos aqueles que estão em serviço, eles às vezes até sacrificam seu bem-estar pelo bem-estar dos outros. Para o enfermeiro Roy, eu me conectei com o que é a nossa fé: amor, serviço, comunidade e cuidado”.

John Corbett, aos 64 anos, relatou que aceitou o papel do pai de O’Leary pela força do material e pelo convite direto do biografado. “John O’Leary me enviou uma pequena mensagem em vídeo”, disse o ator. “Ele estava com um sorriso enorme no rosto, dizendo o quanto adoraria que eu interpretasse o pai dele, como seria divertido filmar em St. Louis. Eu já tinha trabalhado com Sean McNamara antes, 20 anos atrás, em um filme da Hilary Duff. Então, nem precisei ler o roteiro; eu já estava no elenco. E aí me disseram que William H. Macy estava no elenco, e eu disse: ‘Sim, com certeza estou no elenco’”. Em seguida, acrescentou: “Há uma legião de caras que adoraria interpretar o Denny. Estou honrado por ter conseguido fazer isso”.

Para Joel Courtney, Soul on Fire oferece, assim como Jesus Revolution, a chance de narrar uma história que encoraja o público a escolher a esperança em cenários adversos. “Como cristão, sempre adorei contar histórias de fé”, afirmou. “Histórias em que as pessoas estão realmente passando por momentos difíceis, mas escolhem o amor, escolhem se apoiar em Deus, ser guiadas. Isso sempre é significativo para mim. Não faço apenas filmes cristãos, mas quando um como este surge, é especial. É pessoal.”

DeVon Franklin avaliou que narrativas como a de O’Leary podem estimular ações de compaixão e fortalecimento comunitário. “O interessante sobre John é que ele teve tantos heróis ao seu redor que o ajudaram a se tornar quem ele talvez nunca tivesse sido. À medida que ele se torna essa voz motivadora, ele usa o que recebeu para compartilhar esse presente com os outros”, disse.

“É realmente um filme de profunda compaixão. Minha esperança e oração é que as famílias vão ao cinema e saiam com isso. Podemos não ter ninguém em nossa família que tenha passado pelo que John passou, mas conhecemos pessoas que podem estar sofrendo ou talvez sofrendo”.

De acordo com o The Christian Post, Franklin concluiu destacando o potencial mobilizador da obra: “Espero e rezo para que o filme motive as pessoas a atender às necessidades daqueles que talvez não consigam fazer por si mesmos o que você tem a capacidade de fazer. Acho que precisamos voltar a isso, e acredito que Soul on Fire pode ser um catalisador para isso”.

Festival de estudo bíblico reúne 500 estudantes de 42 países

A cidade de Jelgava, na Letônia, sediou entre os dias 5 e 12 de agosto o European Student Festival (ESF), organizado pela IFES Europa (International Fellowship of Evangelical Students). O evento de estudo bíblico reuniu aproximadamente 500 estudantes universitários, voluntários e colaboradores originários de 42 países.

Esta edição marcou o retorno do festival após oito anos sem realização e coincidiu com o 40º aniversário da primeira conferência do ESF. Sob o tema “Venha o Teu Reino”, a programação foi construída em torno de um estudo coletivo do Evangelho de Mateus, desenvolvido pelos participantes ao longo de mais de dois meses anteriores ao encontro.

O inglês serviu como língua oficial do evento, porém os momentos de adoração incorporaram músicas e orações em diversos idiomas, incluindo filipino, búlgaro, espanhol, lituano e letão. Na cerimônia de abertura do estudo bíblico, os participantes foram recebidos em suas línguas maternas.

Programação

As manhãs foram dedicadas a plenárias de exposição bíblica conduzidas pelos teólogos Jared Michelson e Laura Gallacher. Michelson abordou o tema “O Messias”, tratando da autoridade de Jesus e questões sobre o mal e o sofrimento. Gallacher ministrou sobre “O Mestre”, focando no discipulado e no chamado de Jesus aos seus seguidores, com ênfase no descanso e cuidado espiritual.

As noites incluíram testemunhos pessoais, painéis sobre engajamento missionário e discussões sobre ministérios estudantis. Temas como saúde mental, sexualidade e renovação espiritual também fizeram parte da programação.

Dia de Impacto 

Um dos componentes distintivos do festival foi o “Dia de Impacto”, quando os participantes levaram a mensagem cristã para as ruas de Jelgava. As atividades incluíram cultos ao ar livre, exposições artísticas, jogos de equipe e a distribuição de café e chá acompanhada de perguntas reflexivas para estimular diálogos espontâneos com a população local.

Outro destaque foi a apresentação do “Mark Drama”, uma peça teatral imersiva baseada no Evangelho de Marcos. Com duração de 90 minutos, a produção dispensou figurinos e cenários tradicionais, com atores se misturando à plateia. Os elencos, formados por participantes sem experiência teatral prévia e de diferentes nacionalidades, iniciaram os ensaios apenas três dias antes da apresentação.

Depoimentos

Vários participantes relataram impacto significativo durante o evento. Uma estudante optou por ser batizada durante o festival. Eli Piperkova, da IFES Bulgária, descreveu a experiência como uma oportunidade para “aprender novas perspectivas sobre como Deus se move e trabalha na vida de outras pessoas”.

Clara Cerqueira, de Portugal, afirmou: “Por meio das oficinas, Deus me mostrou que Ele considera todas as comunidades Suas, por isso não devemos ter medo de compartilhar o Evangelho com ninguém”.

Christian Pichler, diretor do evento, comentou sobre os desafios logísticos envolvidos, incluindo cancelamentos e negociações de datas e local. Como momento culminante, ele destacou a noite de abertura: “Ver a sala lotada de jovens de toda a Europa, adorando em múltiplas línguas, representou a consolidação da visão” do festival.