O bispo nicaraguense Silvio Báez, exilado desde 2019, criticou o que classificou como “falsa paz” imposta por governantes na Nicarágua. A declaração foi feita no sábado, 12 de abril, durante missa na Igreja de Santa Ágata, em Miami, segundo a Agência Católica de Notícias.
A Nicarágua é governada por Daniel Ortega desde 2007. O país registra restrições a atividades religiosas e denúncias de perseguição a diferentes congregações.
Durante a homilia, Báez associou sua mensagem a um episódio bíblico em que Jesus ressuscitado apresenta suas chagas ao apóstolo Tomé. Ele afirmou que o sofrimento da população pode dar origem a um processo de reconciliação. “Serão cicatrizes curadas pelo amor de Deus, feridas gloriosas para sempre, feridas de amor destinadas à eternidade”, declarou. “Um dia, serão apenas cicatrizes históricas que nos lembrarão do passado doloroso de injustiça e opressão, para que nunca o repitamos”.
O bispo também mencionou uma vigília pela paz conduzida pelo Papa Leão XIV no dia 11 de abril, no Vaticano. Ele afirmou que a paz não se resume à ausência de conflitos e criticou regimes que utilizam repressão e controle social. “Mesmo que falem de paz, se reprimem, controlam, prendem e forçam pessoas ao exílio, são inimigos da paz”, disse. “Não devemos nos acostumar com a falsa paz e a normalidade enganosa que os ditadores querem impor pelo medo e pelas armas, unicamente para preservar seus privilégios”.
Báez declarou que os cristãos devem atuar como promotores da paz, mesmo diante de adversidades, segundo informações da revista Oeste.
Nos últimos quatro anos, autoridades nicaraguenses proibiram milhares de procissões e eventos públicos relacionados à Quaresma e à Semana Santa, permitindo manifestações religiosas apenas sob supervisão policial. Dados da Igreja Católica indicam que 309 religiosos deixaram o país nesse período, incluindo bispos, padres e freiras. O governo também confiscou ao menos 39 propriedades ligadas à Igreja e, em algumas dioceses, restringiu a realização de ordenações sacerdotais.